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3. Uma foto perdida


Fic: Era uma vez um casamento... - Cap 12 on


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Disclaimer: As personagens pertencem a JK Rowling.

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Hermione ignorou o suposto “querida”, pronunciado com tanto sarcasmo pelo homem com quem estava casada misteriosamente e reuniu a coragem necessária para falar:

-Professor, visto, que nenhum dos dois planeou este casamento, como é claro, quero pedir-lhe para agir como se isto não tivesse acontecido. Sejamos francos, você odeia-me por ser amiga do Harry, Gryffindor e, como você próprio faz questão de dizer, sabe-tudo… o melhor a fazer é descobrir quem originou isto e arranjar uma maneira de quebrar o elo… até lá fica tudo como estava.

Snape encarou a rapariga com desdém e lembrou-se de um dos seus muitos motivos que o levaram a desprezar todos aqueles que eram filhos de muggles. Por mais que ela lesse livros nunca compreenderia o que era ser um feiticeiro de verdade. Não possuía as bases necessárias e pensava que tudo poderia ser resolvido de uma forma fácil, o que não era verdade.

-Lamento decepcioná-la mas isso não é possível. – disse friamente.

-Mas… mas porquê?

-E eu que pensei que fosse a melhor aluna do colégio, como faz questão de relembrar a todo o tempo. – desta vez a voz de Snape continha disfarçados sinais de burla. – Como acredito que desde que descobriu que de alguma forma estamos casados já leu algo a esse respeito, sabe que ainda nos falta a segunda face do matrimónio.

-Não faremos essa parte, nenhum dos dois quer isto professor…

-Acho que ainda não percebeu a gravidade de tudo o que nos está a acontecer. Somos obrigados a faze-la, se não concluirmos o ritual ambos não sobreviveremos para ver o dia nascer novamente, entendeu? E, para isso, necessitamos de nos dirigir ao Ministério o que vai não só tornar o nosso casamento público como que imensas perguntas cairão sobre nós!

Hermione olhou para Dumbledore na esperança que este no seu jeito de falar conseguisse arranjar alguma alternativa para o que Snape tinha dito mas teve de se conformar que o Director nada podia fazer. Admitiu, era apenas uma marioneta e se algum dia pensou que pudesse ser feliz agora tomava consciência que a sua vida se tornaria um autentico inferno.

-Eu não quero viver com você! – exclamou pondo-se em pé com os olhos fixos nos negros do seu professor, novamente.

-Não é uma questão de querer ou não querer sua insolente! Acha que também desejo isto? Por amor de Merlin, a última coisa que eu queria era alguém na minha vida!

Assustou-se um bocado com o seu professor, nunca o tinha visto assim tão expressivo. Era sempre muito reservado, frio, distante… nunca demonstrava nenhum sentimento que não fosse ódio, e vê-lo assim fora de si com algo de temor na voz era algo que nunca pensou presenciar.

-Por favor, querem comer alguma coisa?

Todos observaram Dumbledore com incredulidade, como se tivesse enlouquecido definitivamente. Como podia alguém falar em comer no meio de uma discussão importante? Mas o Director pareceu não reparar nisso e conjurou um prato cheio de bolos pequenos retirando um logo a seguir para o levar à boca.

-Oh, isto é mesmo delicioso, têm a certeza que não querem?

-Não gosto de doces, Albus. – declarou Snape secamente.

-É uma pena, não há nada do que um bom doce para deixar as preocupações mais leves.

-Prrofessor Dumbledorre eu e Hermy-oun noz amamoz, querremoz eztar juntoz…

Foi a primeira vez que Viktor falou desde que tinham chegado ali e Hermione conseguia ver dor nos olhos do seu namorado. Se aquilo tudo estava a ser horrível para si também o devia estar a ser para ele. Estavam a obriga-los a separarem-se! Como podiam pedir uma coisa dessas? Ela não queria! Não queria mesmo!

-Lamento muito Sr. Krum, sei o quanto deve ser difícil para ambos mas, infelizmente, nada se pode fazer. E não Sra. Snape… - Dumbledore olhou para Hermione com reprovação. – Não pode utilizar um vira-tempo.

Dumbledore era um poderoso Legilimens ela sabia isso, conseguiu ver o que estava a pensar fazer sem que tivesse conhecimento disso, o que era incomodo. Porque não podia voltar ao passado? Já o tinha feito antes, e com o consentimento do próprio director, porque razão agora era diferente? Se pudesse voltar atrás nada daquilo aconteceria…

-Ainda não deverei dizer porque não pode mudar o que aconteceu, mais tarde compreenderá, prometo. – Dumbledore sorriu e pegou em outro bolo.

-Mas como poderei aceitar isto? – perguntou Hermione num sussurro. Os seus olhos ardiam mais não iria chorar ali, à frente de Snape, era demasiado humilhante…

-Ninguém, além de si mesma sabe a resposta a essa pergunta. É forte Sra Snape, veja isto como uma porta que se abre e não como uma que se fecha.

Uma porta que se abre? Como assim uma porta que se abre? Ela estava presa, presa a uma vida com Snape e a única coisa que Dumbledore dizia era aquilo? Não conseguia descodificar o que queria o director dizer com aquilo, talvez pela confusão pegajosa que flutuava pela sua cabeça ou apenas porque não havia nada para descodificar. Não, tinha de haver, Dumbledore não dizia nada ao acaso e sempre existia alguma coisa por trás das suas palavras, o problema era saber o quê!

-Dezculpem, com a vossa perrmisson eu vou… - Viktor levantou-se e, depois do aceno de Dumbledore, abandonou a sala sem olhar para Hermione.

-Posso sair também, Director? – perguntou Hermione segundos depois de Viktor os ter deixado.

Apesar de não ter escolhido aquilo a culpa inundou-a. Depois de todos os seus planos com Viktor não havia maneira de os concretizar. Passaram tantas horas a conversar sobre o que fariam quando terminassem Hogwarts, sobre um futuro juntos. Comprariam uma casa com um grande jardim onde as flores coloridas se abririam na primavera, formar-se-iam e criariam uma família feliz. Tudo tão maravilhoso, devia ter percebido que era maravilhoso demais para possuir alguma hipótese de acontecer…

-Acho que o professor Snape ainda tem algumas coisas para te informar, estou equivocado Severus?

-Não Albus, não estás. – confirmou Snape e depois virou-se para Hermione. – Partiremos dentro de alguns minutos para minha casa e depois visitaremos o Ministério. Estaremos de volta a Hogwarts dentro alguns dias.

Hermione olhou incrédula para Snape.

-Eu não vou a lado nenhum com você! – exclamou.

-Acho melhor começar a habituar-se, somos casados agora.

-Mas nenhum dos dois o quis!

-Mas mesmo assim casados. – concluiu Snape friamente.

Dumbledore levantou-se e dirigiu-se até Fawkes que abanou as suas maravilhosas asas quando o director lhe fez festas na sua plumagem.

-É necessário Hermione. – elucidou Dumbledore.

Era a primeira vez que lhe tratava pelo seu primeiro nome e isso fez-lhe recordar a gravidade de toda aquela situação. Tinha de agir com maturidade e negar não resolvia nada.

-Sim. – anuiu.

-Ficará em casa do professor Snape até resolverem tudo acerca do casamento…

-Porque não posso continuar no castelo? – perguntou educadamente.

-Porque não quero andar à vossa procura cada vez que tenhamos de, ou ir até ao Ministério, ou falar com os seus pais, ou outro assunto qualquer. – quem respondeu foi Snape com uma voz que delatava a falta de paciência.

Porque tinha ela de complicar tudo? Quem estava em pior lugar era ele e mesmo assim não se queixava. Ela era menor de idade e sua aluna, aquele casamento não iria ser muito bem aceite e tudo recairia sobre ele.

-Não precisa de se preocupar com as aulas, é uma excelente aluna e tenho a certeza que está mais do que preparada para os exames. – tranquilizou-a Dumbledore fazendo Hermione corar. – Pode ir então.

Hermione assentiu e quando já tinha a mão na maçaneta pronta para abrir a porta e sair a voz do seu professor de Poções a fez estancar.

-Daqui a uma hora no meu escritório, e não me faça esperar sabe que não o suporto.

Quando Hermione saiu Snape deixou cair os braços e sentou-se numa cadeira em frente à secretária de Dumbledore.

-Sei que estás preocupado Severus, e tens razão para o estar. – declarou o Director voltado para ao seu lugar com uma expressão agora não tão descontraída.

-E se a pessoa que armou tudo isto tem algum outro interesse por trás?

-Também pensei isso… – Dumbledore suspirou e passado uns segundos tornou a falar. – É melhor contares pessoalmente a Voldemort sobre o teu casamento do que ele descobrir por outros meios.

-Eu sei Albus. Esta nova reunião vai ser bastante interessante, por um lado vou-me casar com uma filha de muggles o que só de si é suficiente para me matar mas, por outro lado, é amiga de Potter. O que pode ser de muito proveito. Vamos ver qual dos dois lados prevalece perante os olhos do Lord das Trevas.


{*~*~*~*~*~*~*~*~*}

-Alguma de vocês, viu o Viktor Krum? – perguntou quando passou por um grupo de raparigas dos Hufflepuff.

Não tinha tempo de andar à procura dele por todo o castelo e precisava de falar com ele urgentemente. O que lhe poderia dizer? Viktor merecia ser feliz e ela já não fazia parte dessa felicidade. Teria de acabar tudo com ele afinal, nunca mais poderia sentir os seus abraços, os seus beijos, nunca mais se sentiria amada. Essa era a realidade Tinha de encarar que apesar de odiar Snape ele seria o homem com quem dividiria a sua vida, era o seu esposo. Porque motivo alguém faria uma coisa daquelas com ela? O que ganhava em troca? Por uns momentos viu-se a si própria a pronunciar um Cruciatus mas tão depressa como veio Hermione afastou esse pensamento.

As raparigas olhavam para ela de uma maneira estranha mas não fizeram nenhum comentário limitando-se a dizer que o tinham visto perto do campo de Quidditch. Hermione agradeceu e dirigiu-se ao lugar indicado o mais rapidamente que conseguia.

Encontrou-o sentado nas bancadas com a vassoura ao lado. Aproximou-se devagar das costas dele e tapou-lhe os olhos com as suas mãos. Sentiu-o tenso mas logo a seguir ele descontraiu e puxou-a pelos braços fazendo com que ela caísse no seu colo.

Hermione olhou séria e fez-lhe uma festa no rosto, ao qual ele fechou os olhos e sorriu ternamente.

-Desculpa-me. – pediu.

-Non peças dezculpaz, a culpa non é tua.

-Vais encontrar alguém e...

Viktor colocou o dedo indicador nos lábios de Hermione impedindo-a de falar.

-Non sintaz pena de mim. Eu eztou bem maz continuo a amar-te apezar de non poder ficar contigo.

Hermione abraçou Viktor e este enterrou o rosto no seu ombro ao mesmo tempo que a apertava mais para si como se tivesse medo que ela desaparecesse a qualquer momento.

{*~*~*~*~*~*~*~*~*}

Snape entrou no seu escritório, sentou-se num dos sofás e acendeu a lareira. Observou como as chamas vermelhas brilhavam e dançavam uma música apenas audível para elas. Lembrou-se da mesma beleza selvagem e especial nos cabelos da rapariga que encantava todos unicamente com a sua passagem. Fazia tanto tempo mas a imagem dela permanecia gravada na sua mente como uma brisa de Primavera na sua vida de Inverno. Ela era tão especial, tão única… Com apenas um sorriso tinha o poder de o hipnotizar. Mas nunca mais viria um dos sorrisos dela, nunca mais conseguiria recuperar a luz que ela transmitia.

Depois que ela se foi a sua vida tornou-se um pesadelo real que por mais que ansiasse despertar simplesmente não conseguia. Queria descarregar a sua fúria naquele que não a conseguiu proteger mas nem isso podia!

Agora, depois de tantos anos nas sombras, aquela Gryffindor vinha fazer parte da sua vida… Granger era tão parecida com ela, com as respostas sempre na ponta da língua, era decidida, estudiosa, leal… mas não era ela nem nunca iria ser! Não queria ninguém com ele, estava infectado e não tinha tempo nem paciência para fazer de baby-sitter.

-Severus, é verdade o que andam a dizer por aí?

Snape olhou para o rapaz loiro platinado, com porte majestoso que entrava pela porta como se fosse o dono do lugar.

-Depende do que andam a dizer Draco.

Este permitiu dar um dos seus muitos sorrisos Malfoy e sentou de qualquer maneira no sofá perpendicular ao de Snape.

-Que tu e a idiota da Granger estão casados.

-É verdade. – disse secamente e desfrutou da cara do outro que misturava incompreensão, indignação, confusão e choque.

-Pensava que eras um mestre em poções. – comentou Draco.

-E sou. – confirmou com orgulho.

-Então podes explicar-me como não percebeste que estavas a beber uma poção amorosa?

-Não bebi nenhuma poção amorosa, acredita, eu saberia.

-Mas nesse caso como é possível que tu e aquela… aquela sangue-de-lama da Granger estão casados?

-Alguém nos fez o ritual de enlace. – explicou o mais resumidamente possível.

-Quem?

-Isso é a questão chave, e eu ainda não sei onde está a fechadura.

Bateram à porta e Snape com um movimento de varinha abriu-a. Uma rapariga de cabelos volumosos entrou timidamente mas o seu rosto comprimiu-se numa expressão de desagrado quando deu pela presença do loiro.

-Bem, parece que tenho de ir não é? – Draco levantou e e quando passava por Hermione agregou num voz baixa mas carregada de veneno. – Como será que Potter e Weasley te vão tratar agora que te aliaste ao… inimigo?

Draco saiu e Hermione sentiu-se empalidecer. Ainda não os tinha visto desde do baile na noite anterior e não sabia como tinham eles reagido àquela noticia. Iriam vê-la como uma traidora? Não o suportaria, eles eram muito unidos e considerava-os como irmãos, era capaz de dar a sua vida por eles.

-Do que está à espera? Aproxime-se!

Hermione deu um pulo de susto, tinha se esquecido completamente do lugar onde se encontrava.

-As suas malas? Ficará mais ou menos uma semana na minha casa.

-Estão dentro do bolso. – respondeu.

-Óptimo.

Snape caminhou até Hermione invadindo o espaço pessoal desta o que a fez recuar. O quer o fosse que Snape estava a tentar fazer a deixou assustada.

-Importa-se de não se comportar como uma menininha idiota e ficar quieta? Não lhe vou fazer nada mas, a menos que já saiba desaparatar, recomendo que me deixe entrar em contacto consigo.

Hermione amaldiçoou o facto de ainda não ter recebido autorização para poder desaparatar e dirigiu-se ao seu professor que a rodeou com ambos os braços. Era uma situação no mínimo estranha mas não teve tempo para pensar sobre isso pois no instante a seguir sentiu um puxão que a fez fechar os olhos e por incrível que lhe pareça, agarrar também o seu professor.

Quando tornou a abrir os olhos já não se encontrava dentro dos braços de Snape o que a deixou mais descansada. À sua volta erguia-se uma pequena vila de casas de pedra e madeira com telhados escuros e, ao longe uma linda cidade crescia nas margens de um rio.

-Onde estamos? – foi o que se lembrou de perguntar.

-Em Inverness na Escócia.

-Ah…

Seguiu o seu professor até uma pequena e velha casa onde trepadeiras pareciam querer devorar toda a sua estrutura. À frente desta um pequeno baloiço enferrujado e em mau estado balançava com o vento do já final de tarde. Tudo parecia tão triste e abandonado que Hermione não conseguiu não deixar de pensar que se alguma vez tivesse de imaginar um lugar onde Snape pudesse viver seria exactamente como aquele.

Snape abriu a porta com umas palavras mudas e Hermione entrou a seguir a ele.

O hall parecia em melhor estado que o exterior mas mesmo assim tudo era demasiado escuro e pesado. O chão de madeira continha camadas de pó e o papel de parede rasgado tornava tudo sombrio e intimidador.

-Luke. – proferiu Snape ao ar mas segundos depois apareceu um elfo doméstico com grandes olhos azuis e vestido com um trapo imundo.

-Sim meu senhor?

-Acompanha a minha esposa ao quarto de hóspedes.

-Sim meu senhor, senhor Snape.

-Volto dentro de algumas horas. – informou Snape a Hermione e esta limitou-se a assentir ainda transtornada com o lugar onde se encontrava.

Snape desapareceu e Hermione engoliu em seco. Apesar de tudo preferia que o seu professor estivesse ali, aquela casa causava-lhe arrepios e lhe aterrorizava a ideia de ficar ali sozinha. Bem, não propriamente sozinha, havia o elfo mas…

-Siga-me Sra. Snape, Luke lhe mostrará o quarto.

-Podes chamar-me Hermione. – disse com um sorriso.

-Como preferir Sra… Hermione.

A pobre criatura deu-lhe pena. Olhava para ela com medo e tremia imenso. O seu professor enquadrava-se nos homens que tratariam mal os seus elfos e ainda que pudesse significar suicido, iria falar com Snape sobre isso.

Entraram num pequeno quarto no primeiro piso que, cuja única coisa da qual gostou, foi da vista da cidade ao longe, através da janela. De resto havia uma cama de solteiro encostada à parede com uma mesinha de cabeceira em cima da qual um candeeiro a vela iluminava toda a habitação. Também se podia ver um armário na parede em frente à da cama e um quadro de alguma paisagem rural.

Guardou a roupa dentro do armário e começou a dar um toque pessoal ao quarto. Colocou uma fotografia dos seus pais na mesinha de cabeceira que tinha sido tirada nas passadas férias de Verão, mudou as cores dos cobertores e das cortinas para umas mais vivas e perfumou o quarto com um cheiro a flores silvestres. Ficou contente com o resultado, se tinha de dormir ali durante mais ou menos uma semana o mínimo que podia fazer era tornar aquela habitação agradável.

Quando começou a ficar farta de olhar para a parede decidiu dar uma vista de olhos pela casa na esperança de encontrar alguma sala onde houvesse livros.

Desceu as escadas nervosamente, não gostava mesmo daquele lugar! Tinha a sensação que se ouvisse um barulho estranho, começava a gritar. Ela que era uma Gryffindor e tinha passado por tanta coisa que exigia uma enorme coragem e sangue frio, estava com medo a uma casa… inofensiva. Ia voltar para o quarto quando passou por uma sala de média dimensão com estantes cheias de livros e uma mesa no meio. Sem dúvida que descobrira a biblioteca.

Dirigiu-se a uma estante ao acaso e retirou um livro qualquer para começar a ler. Era sobre… amor? Não, devia estar a ler mal. Amor e Snape não combinavam mas realmente era isso o que estava escrito na capa com letras douradas. Se Harry ou Ron vissem aquilo… até podia ouvir as gargalhadas dos dois. Abriu o livro com curiosidade mas o barulho de algo a cair no chão a fez largar o livro nesse mesmo instante. Com o coração aos pulos olhou para todos os lados e apertou a varinha.

-Peço muita desculpa Sra Hermione, Luke se castigar por ter deixado cair o tabuleiro com o jantar da senhora. Luke ser um elfo mau!

Com a explicação do elfo, Hermione tornou a guardar a varinha e impediu com que ele começasse a bater a cabeça na mesa.

-Não faças isso Luke!

-Mas Luke ser um mau elfo, ter que se castigar, senhora.

-Por favor, não quero que faças isso… é uma ordem. – não gostou do que disse mas era a única maneira de impedir o elfo de bater com a cabeça na mesa.

-Se a senhora ordena, Luke obedece, Luke sempre obedece aos seus amos.

-Obrigada, és um bom elfo.

Hermione reparou como os olhos de Luke ganharam algum brilho e ficou contente por isso.

-Luke ir buscar o jantar…

-Não, ainda não tenho fome, janto mais logo com o professor Snape. – interrompeu Hermione.

-Se assim o deseja. – e desapareceu.

Hermione suspirou e apanhou o livro do chão, mas quando o colocava em cima da mesa reparou que uma fotografia caiu dele. Era de uma rapariga que sorria enquanto cheirava uma flor branca. Tinha cabelos compridos e ruivos e uns olhos verdes brilhantes e como esmeraldas, iguais aos de Harry. Aquela era a mãe do seu amigo, Lily…


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