Fanfic escrita por Vênnice Ravine para Mr. Mari Oldman
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Prólogo
Abriu os olhos bem devagar. Não sabia por quanto tempo havia dormido ao certo. Virou-se na cama, seu corpo estava todo dolorido. Fechou os olhos novamente, estava em casa, sozinha, parecia que nada havia mudado. Depois de tudo, ainda estava triste...
Sentia-se incompleta. Faltava ele. Acostumou-se a sentí-lo por perto, a tê-lo ao seu lado e nada substituiria o vazio que estava sentindo.
O silêncio do pequeno apartamento foi quebrado pelo barulho de uma coruja que batia o bico na janela insistentemente. Hermione levantou-se e abriu a janela para que a ave pudesse entrar.
A coruja acinzentada trazia um bilhete, respirou fundo, no envelope a frase:
Estou quebrando as regras, sei disso...
Sim. Ele estava quebrando as regras e ela estava muito feliz por isso. Abriu o envelope, nele uma pequena mensagem.
Nada faz sentido.
É tua ausência fazendo silêncio em todo lugar.
Se quiser... se ainda quiser...
Estou aqui.
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“O último inimigo a ser aniquilado é a morte”
Adeus...
O silêncio tomava conta da fria casa. A solidão, como sempre, o atormentava e, mesmo longe de Askaban, sentia-se preso, mais uma vez precisava ser forte. Bebeu mais uma dose de vinho, sua única companhia. Olhou distraído para a parede do quarto, nela uma fotografia lhe chamou a atenção, entre os sorrisos de Harry e Rony, escondia-se o olhar discreto de Hermione.
Sírius levantou-se e retirou o pequeno porta retrato da parede. O olhou fixamente, eram raros os momentos que se permitia olhar para ela. Tão jovem, tão bonita, quase angelical...
Passou as mãos pelos cabelos. Tentava inutilmente controlar seus pensamentos. Seus desejos.
-Maldição! – Falou para si mesmo.
Ela era apenas um menina e, mesmo assim, a desejava, a queria para si. Andava de um lado para o outro em seu quarto quando percebeu alguém entrar.
-Belatriz... – Se surpreendeu. – O que faz aqui?
-Interrompi algo? – Perguntou a bruxa sinicamente apontando com a varinha para a foto.
Sírius a ignorou por completo. Ela se aproximou dele.
-É assim que você trata a sua priminha? Você não costumava ser assim quando éramos jovens.
-Eu não costumava ser várias coisas quando éramos jovens, mas a vida me ensinou, da pior maneira, que não devemos confiar em ninguém, principalmente se for da família.
Ele aproximou-se dela a ponto de sentir a sua respiração. Belatriz estava mais nervosa do que o normal.
-Vou perguntar mais uma vez: o que faz aqui?
Ela quase encostou sua boca na orelha de Sírius. Sua voz estava trêmula e rouca.
-Não vá atrás de Potter hoje, deixe-o cumprir o seu destino.
-Sempre louca, sempre insana. Quem você pensa que é para me pedir algo? – Alterou-se.
-Não me obrigue a matá-lo. Não me obrigue. – Ela gritou descontrolada.
Belatriz empunhou a sua varinha no pescoço de Sírius.
-Não quero matá-lo, não quero matá-lo, não quero matá-lo... - A fala da bruxa foi ficando baixinha e devagar.
Sírius compreendeu. Ela deveria matá-lo a pedido de Voldemort.
-Você não precisa me matar. Você não precisa obedecê-lo.
As palavras de Sírius a despertaram do transe em que se encontrava.
-Lord Voldemort é meu senhor! – Gritou. – Jamais desobedecerei uma ordem dada por ele.
-Então você terá que me matar. – Gritou Sírius também. – Aproveite Bella! Mate-me agora! Acabe com isso. – A desafiou de braços abertos.
Os olhos de Belatriz tremeram. Sua pele avermelhou. Desesperada, ela se jogou aos pés dele e abraçou suas pernas.
-Não me obrigue. Eu não quero matá-lo, não posso matá-lo.
-Seu argumento é fraco prima. Se Potter precisar, estarei lá.
Ela levantou-se abruptamente, subindo pelo corpo dele como uma serpente. Ao chegar perto do rosto de Sírius, passou a língua em seus lábios.
-Seu gosto ainda é bom. – Disse maliciosamente. – Não quero matá-lo porque você já me proporcionou momentos de profundo prazer.
Sírius a empurrou nervoso.
- Todos cometemos erros. – Afirmou.
As palavras dele a feriram por dentro. Ela fechou os olhos e respirou profundamente.
- Suas palavras são vazias. – Disse. – Sei o que é desejo, sei o que é prazer. Sei o que lhe proporcionei. Você não quer reconhecer, mas comigo você se libertou dos preconceitos idiotas de nossa família, comigo você descobriu o sexo, o prazer, a luxúria.
Ela foi ao encontro dele, o abraçou fortemente e lhe deu um beijo.
-Adeus. - Ela disse.
-Nos encontramos na hora de minha morte. – Ele respondeu secamente enquanto passava uma das mãos na boca, como se quisesse limpá-la do beijo.
-Será um prazer... – foram as últimas palavras de Belatriz antes de aparatar.
Sírius olhou para o relógio. O tempo havia esgotado. Ele foi ao antigo quarto de sua mãe, abriu o cofre e de dentro pegou uma linda corrente com um brilhante. Não era um brilhante qualquer, era uma espécie de amuleto, somente os Black o possuiam.
Se ele realmente morresse, queria deixar algo especial para Hermione. Não teria tempo para esperá-la crescer um pouco mais. De alguma forma queria protegê-la. Escreveu um bilhete e o colocou em um envelope endereçado à Minerva com os dizeres:
Entregue à Hermione quando ela estiver em um momento de profunda dúvida. A luz do colar a guiará pelo melhor caminho.
Sírius.
Mais uma vez ele olhou para a foto. Nela, a mais encantadora e inteligente bruxa que já havia conhecido.
Seu destino já estava traçado. Harry Potter precisava de sua ajuda. Foi ao encontro dele. Jamais regressou.
I
“São nossas escolhas, mais do que nossas capacidades, que mostram quem realmente somos”
Crucio
Se havia algo que Draco tinha certeza em sua vida era que sua tia, Belatriz, era louca. Uma loucura que o fazia tremer por dentro, pois sabia que ela estava disposta a tudo para agradar ao seu senhor, Lord Voldemort, principalmente agora, que estava com Hermione Granger em suas mãos.
Ele estava nervoso, sentia-se um inútil. Era óbvio que ela torturaria Hermione. Andava, alucinado, de um lado para o outro.
-Filho. Acalme-se. – Pediu Narcisa. – Seu pai irá perceber. Belatriz irá perceber.
-Que se dane! Ela vai matá-la mãe. Preciso fazer alguma coisa. – Respondeu nervoso.
Um grito os interrompeu.
“- Draco, leve esse lixo para fora – disse Belatriz, indicando os homens desacordados. – Se não tiver peito para acabar com eles, deixe-os no pátio para mim.
- Não se atreva a falar com Draco assim – Disse Narcisa, furiosa, mas Belatriz berrou:
- Cale-se! A situação é mais grave do que você seria capaz de imaginar, Ciça! Temos um problema muito sério”
(Harry Potter e as Relíquias da Morte, p.359)
Sim. Realmente o problema era muito sério, enquanto ele era obrigado a limpar a sujeira daquela mulher imunda que o obrigava a chamar de tia, ela estava lá, dentro de sua casa, prestes a torturar Hermione Granger e ele não poderia fazer nada.
-Maldito Potter! Por que a trouxe aqui? – Esbravejou em voz alta, enquanto desamarrava os sequestradores no pátio.
Draco estava visivelmente alterado. Angustiado.
-O senhor está preocupado com a sangue-ruim? – Perguntou um dos homens ironicamente.
-Cale a boca seu inútil! – Ordenou Draco empunhando a varinha um pouco abaixo do queixo do sequestrador que de imediato suplicou.
-Não meu senhor. Por favor, não me mate.
-Não tenho tempo a perder com vocês e...
Draco foi interrompido por um grito enlouquecido que vinha de dentro da mansão.
Era Belatriz.
-Crucio! Você vai me dizer agora! Não me importo em matá-la.
Logo em seguida o grito de Hermione tomou toda a casa.
-Vão. – Ordenou Draco aos homens. – Se voltarem, não terão a mesma sorte.
Em segundos os homens desapareceram.
Ele retornou a casa. Não poderia deixar sua tia prosseguir com aquele interrogatório. Ao entrar na sala viu Hermione jogada ao chão e Belatriz andava ao redor dela aos berros:
“- Vou lhe perguntar mais uma vez! Onde conseguiram esta espada? Onde?
- Achamos... achamos...POR FAVOR! – berrou Hermione.”
(Harry Potter e as Relíquias da Morte, p.359)
Draco sentiu o seu corpo esquentar. Precisava parar com aquela tortura, tinha certeza que sua tia a mataria se continuasse com o interrogatório. Ele já havia tirado sua varinha do bolso quando alguém segurou a sua mão.
-Guarde a varinha meu filho. – Ordenou Narcisa nervosa.
-Não posso deixar que ela a mate. – Respondeu Draco impaciente.
-Me escute. Se você a interromper ela vai matá-la e depois se virará contra você, contra nós. Nos acusará de traidores do sangue.
Hermione gritou mais uma vez. O grito dela era como uma facada no peito de Draco. O sentimento de angústica era imenso, desesperador. Ver sua tia torturando-a daquela maneira e não ser capaz de tomar uma atitude.
-Eu preciso fazer algo mãe. Preciso protegê-la.
-Não há o que ser feito.
Draco lembrou-se das palavras de Dumbledore momentos antes de morrer.
“- Venha para o lado certo Draco” [...]
(Harry Potter e o Enígma do Príncipe, p.464)
Aos gritos, totalmente descontrolada, Belatriz interrompeu seus pensamentos.
“[...] – Draco, vá buscar o duende, ele poderá nos dizer se a espada
é ou não verdadeira!”
(Harry Potter e as Relíquias da Morte, p. 363)
Prontamente ele atendeu ao pedido de sua tia. Enquanto dirigia-se ao porão, percebeu que alguém o observava, virou-se, mas não viu nada. Um ruído quase inaudível chamou a sua atenção, na parede, a sombra de um elfo; uma idéia lhe ocorreu.
Sabia que o porão era à prova de fugas, uma vez que ele mesmo havia invocado os feitiços; sabia também que um elfo em especial era capaz de qualquer coisa pelo ‘Santo Potter’. Precisava ser rápido, antes que alguém desconfiasse. Fechou os olhos e sussurrou:
-Dobby! Sei que está aqui. Se aceitar, eu posso lhe ajudar a salvar Potter...
Nenhuma resposta.
-Dobby acredite, realmente quero ajudá-lo.
-Como Dobby pode saber se o menino Malfoy é confiável? – Perguntou o elfo sem revelar-se. Ele tremia de medo.
Hermione gritou mais uma vez. Com certeza a dor era intensa, ela estava ficando fraca.
-É uma troca Dobby. A vida de Potter, pela vida da Granger. – Propôs Draco. – O nosso tempo está se esgotando...
Dobby compreendeu o que Draco lhe pedia. Enfim, o filho de seu ex-senhor se importava com algo. Decidiu confiar nele.
-Dobby sempre soube que o senhor não era igual a eles. – Falou o elfo apontando para o piso de cima. – O senhor arrisca a própria vida pela dela.
Draco fez um gesto afirmativo com a cabeça e disse:
- A verdade é que... – Não conseguiu terminar a frase.
- ... o senhor a ama. – Completou Dobby.
- Só lhe peço uma coisa. – Pediu Draco.
- Qualquer coisa senhor. Dobby sempre lhe será muito agradecido...
- Não conte nada a eles.
- Como o senhor quiser... – Consentiu o elfo.
Draco ergueu a varinha, fechou os olhos para se concentrar e anulou o feitiço que não permitia a entrada de elfos.
-Assim que eu sair com Grampo, você entra.
O elfo concordou.
-E mais uma coisa Dobby: obrigado por salvá-la.
Draco apressou-se, eles poderiam desconfiar de sua demora. Ele tinha certeza que seu plano daria certo, Potter iria escapar e salvar Hermione. Ao chegar perto da pequena porta ordenou:
“- Afastem-se. Se enfileirem na parede do fundo. Não tenten nada, ou mato vocês!
Eles obedeceram [...] A porta se abriu de chofre; Malfoy entrou, a varinha à frente, pálido, decidido. Agarrou o pequeno duende pelo braço e recuou, arrastando Grampo com ele. A porta bateu e, no mesmo momento, um forte estalo ecoou no porão. [...]
- DOB ...! [...]
- Harry Potter – chiou ele, num fiapinho trêmulo de voz – Dobby veio salvá-lo.
- Mas como foi que você...?
Um grito terrível abafou as palavras de Harry: Hermione estava sendo novamente torturada. Ele se limitou ao essencial.”
(Harry Potter e as Relíquias da Morte, p. 363-364)
Draco empurrou o duende para dentro da sala e se posicionou ao lado da mãe. Tinha certeza que o seu plano daria certo. Ninguém desconfiaria dele e Hermione seria socorrida antes que acontecesse o pior.
- Feito. – Sussurrou ao ouvido de Narcisa. – Potter e o idiota do Weasley não demorarão a entrar por aquela porta.
Narcisa estremeceu.
- Teremos que atacá-los meu filho.
- Atacá-los sim. Matá-los não. Finja mamãe, nossa família tem um talento nato para isso.
Draco olhou para Hermione que estava praticamente desacordada. Vai ficar tudo bem, pensou. O momento seguinte foi tomado por gritos, feitiços e dor.
Ainda com sangue no rosto, Draco viu Belatriz acertar com uma faca de prata o peito de Dobby. Sentiu-se tonto, tudo girava em câmera lenta, quis gritar, quis matar a sua tia, quis libertar-se daquela prisão.
Narcisa o levou para longe. Voldemort acabara de chegar e com certeza seriam castigados por aquilo. Mas, para Draco, o que realmente importava era que Hermione havia sido salva. Estava viva.
Xeque-mate
A brisa leve daquele final de tarde tocava o rosto ferido de Draco. O sol se punha e, com ele, a certeza de que Voldemort havia sido destruído. Ele olhou fixamente para a marca em seu pulso, por causa dela tinha nojo de si mesmo e de tudo o que ela representava.
Quando o seu pai o obrigou a ser um comensal, o condenou à pior sentença que existia: a solidão. Lágrimas escorreram de seus olhos. Não tinha mais vergonha delas. Nada mais importava.
Sua mãe, que o observava de longe, aproximou-se.
-Filho...
-Não precisa dizer nada. Não precisa se justificar. Fizemos. Ponto Final. – ele falou.
Narcisa o abraçou, pressentindo os pensamentos do filho.
-Desculpe-me por ter feito tanto mal a você. - Pediu Narcisa, enquanto passava a mão pelo rosto de seu filho tentando enxugar as lágrimas que escorriam. - Apenas queria te proteger.
Draco a olhou profundamente. Pegou em suas mãos. Beijou-as.
-Mãe. – Falou. – Eu vou embora por uns tempos.
Narcisa fechou os olhos. Era o que mais temia em sua vida: perder seu único filho.
-Para onde? – Perguntou aflita.
-Não vou lhe dizer. Não quero que me encontre. Preciso ficar sozinho. Preciso pensar...
-Não fuja Draco. Procure por ela, conte a verdade, pelo menos dessa vez seja sincero. Conte que foi você quem os libertou quando estavam presos em nossa casa. Conte que você a ama.
Draco ficou nervoso. Lembrou-se da cena que presenciou no castelo horas antes. Hermione e o panaca do Weasley se beijando. Sentiu raiva e, o pior, sentiu inveja daquele idiota.
-Não há mais tempo para isso! – Ele gritou.
-Não seja convarde! – Ela gritou também.
Draco jamais vira a mãe alterar o tom de voz. Assustou-se. Ela prosseguiu.
-Procure-a. Explique suas razões.
Ele virou-se, não conseguia olhar para ela.
-Ela não se importa com as minhas razões, na verdade, ela não se importa comigo...
Narcisa o puxou pelo braço o obrigando a encará-la.
-Se realmente ela não se importasse, ela não o teria salvo. É tão óbvio Draco. Se realmente ela não se importasse, durante todos esses anos ela não teria respondido às suas provocações. Procure-a, seja verdadeiro, o jogo acabou.
-Sim. Você tem razão. Para mim realmente o jogo acabou. Xeque-mate! Estou fora. Acabou.
Narcisa percebeu que de nada adiantaria argumentar. Draco já havia decidido e as suas palavras não iriam fazê-lo mudar de idéia.
Paradoxo
Estava tudo destruído. Ao seu redor nada estava completo e, mesmo assim, todos comemoravam. Apesar das feridas, apesar das grandes perdas, nada se comparava ao alívio da vitória; enfim, Voldemort havia sido derrotado e seus comensais extintos do mundo da magia. Hermione sentiu o abraço de Rony envolver-lhe.
-Estamos livres! – ele sussurrou ao seu ouvido emocionado. – Estamos livres... – repetiu.
Ela fechou os olhos. Sua cabeça girava, o que lhe provocava náuseas.
Liberdade. Pensou.
Desde que se tornou amiga de Harry Potter, jamais pôde sentir-se livre e, talvez, jamais iria poder se sentir dessa forma, afinal um paradoxo fazia parte de sua vida.
Amava Rony, era fato.
Mas, antes do amor, existia a paixão, um sentimento complexo, confuso, que a levava para um caminho diferente. Para ela, algo que a sua racionalidade não permitia, era incoerente sentir amor e paixão por pessoas diferentes. Um lhe causava tranquilidade, bem-estar, o outro, era sinônimo de tempestade, tormenta, totalmente imprevisível.
Rony com certeza era o seu amor, poderia passar o resto de sua vida ao lado dele, pois sabia exatamente como seria. Porém, a paixão que alimentava dentro de si era por outra outra pessoa, alguém que lhe odiava, que a desprezava por tudo o que representava, alguém que ela havia salvo naquele dia: Draco Malfoy.
II
As conseqüências dos nossos atos são sempre tão complexas, tão diversas, que predizer o futuro é uma tarefa realmente difícil."
O recomeço
Recomeçar nunca é fácil, principalmente quando algo não está resolvido. Apesar da vitória, Hermione sentia-se derrotada por dentro, as perdas haviam sido irreparáveis. Ela sentia falta de seus pais, dos amigos que se foram, de sua casa, nada existia mais.
Harry e Rony estavam sempre ao seu lado. Os três começaram a trabalhar no Ministério da Magia. Tornaram-se famosos, lendas vivas. Para ela, nada disso importava.
Mesmo contrariando Rony, ela decidiu deixar a Toca e ir morar sozinha em um pequeno apartamento em Londres. Precisava de espaço, de um lugar onde pudesse ser ela mesma sem se preocupar com as outras pessoas. Um lugar onde pudesse pensar, sem culpas, naquele que representava o seu lado mais sombrio.
Rony e Draco, luz e trevas em seus pensamentos.
Um ano se passou. Todos estavam bem, porém algo a preocupava, sentia-se triste e, por mais que tentasse negar a si mesma, estava anciosa por notícias de Draco.
Silêncio.
Ninguém sabia sobre o seu paradeiro, ninguém se importava. Ninguém, menos ela.
Ciúme
Era madrugada e Draco ainda estava acordado. Seus pensamentos se limitavam à uma única pessoa: Hermione Granger.
Era difícil assumir para si mesmo, mas não havia conseguido apagá-la de sua mente, não havia um dia em que não pensasse nela. Afastou-se para não sofrer, para não ser obrigado a ver a felicidade dela com aquele insuportável.
Lembrou-se do dia em que decidiu procurá-la no Ministério para dizer-lhe a verdade sobre ele. Para dizer que nunca teve o controle real de sua vida, que o seu pai, por medo de Voldemort, o sacrificou e o proibiu de qualquer aproximação com ela.
Após observá-la por alguns dias perdeu a coragem e foi embora. Ela estava sempre rodeada pelo testa-rachada ou por um dos pobretões de cabeça vermelha. Não gostava da forma como ela sorria quando estava perto deles. Gostava menos ainda do modo como Harry passava o braço ao redor da cintura dela enquanto caminhavam ou da maneira como Ron mexia no cabelo dela. Isso nunca mudara. Era assim em Hogwarts, era assim no ministério.
O ciúme se tornou uma constante em sua vida. Mesmo longe, ele sofria por causa de Hermione. Era desesperador pensar nela nos braços de outro. Draco era acostumado a ter tudo o que queria, pelo menos até conhecer Hermione Granger.
Ponto final
Ao chegar do trabalho, Hermione cumpria criteriosamente uma estranha rotina. Primeiro averiguava sua caixa postal trouxa. Depois colocava todos os jornais do mundo bruxo em sua mesa e procurava deseperadamente por qualquer notícia que pudesse ser de Draco.
Em vão. Vez ou outra, falavam da nova vida de Lúcio Malfoy ao lado de sua esposa. Os dois fundaram um lugar para cuidar de bruxos e bruxas que, de certa forma, ficaram desamparados após a derrota de Voldemort. Porém, nenhuma palavra sobre Draco. Ele havia sumido completamente.
Batidas na porta interromperam a sua busca. Ao abrir, uma surpresa.
-Luna!
-Olá Mione!
-Que surpresa!
-Achei que talvez quisesse conversar...
Luna sempre a surpreendia com a sua singular sensibilidade. Ela era a única que sabia sobre o seu sentimento por Draco, confiava nela.
-Como sempre você acertou. Estou muito angustiada. – Falou ao puxar a amiga para dentro de sua casa. – Tem notícias dele?
-Sim. – Respondeu Luna distraidamente. – Meu pai encontrou com Narcisa ontem no Beco Diagonal e ela disse algo sobre Draco não ter se recuperado ainda dos a-contecimentos, que ele ainda está muito triste, afastado de tudo e todos.
Hermione sentiu-se aliviada, ao menos era uma notícia em meses.
-Ela contou ao seu pai onde ele está?
-Não... mas meu pai diz que ele foi visto no Ministério...
-Quando? – Perguntou Hermione aflita. – O que ele fazia lá?
-Na semana passada... acho que ele procurava por algo ou, quem sabe, alguém...
Depois de uma pausa Luna prosseguiu.
-Meu pai sempre me diz que quando não resolvemos assuntos que nos angustiam, jamais conseguimos prosseguir. Não há como começar uma história, sem colocarmos um ponto final em outra...
Hermione compreendeu o que Luna queria lhe dizer, mas não sabia exatamente o que fazer.
-Minha história com Draco não está inacabada. Ela jamais aconteceu. Ele me odeia e ponto.
-Se um sentimento é compartilhado, uma história se inicia. Independente de qual sentimento for... – divagou Luna.
As duas conversaram por um longo período até que Luna resolveu ir embora. Sonolenta, Hermione adormeceu no sofá.
Sonhou com Draco.
A missão
Embora fosse uma bruxa excepcional, Hermione gostava da simplicidade do mundo dos trouxas, de certo modo, era uma forma de lembrar da família que um dia teve.
O relógio tocava insistente, tinha que se levantar, porém, seu corpo pedia para que ficasse mais um pouquinho no sofá e, quem sabe, voltar a sonhar com Draco.
-Mione! – Alguém, a chamou.
O susto foi tão grande que ela despencou do sofá.
-Harry? O que faz aqui?
Ele estendeu a mão para ajudá-la a levantar-se sem conter o riso. Era engraçado ver a amiga sair da linha, pegá-la de surpresa...
-Desculpe-me. Não queria assustá-la.
-Tudo bem! – Respondeu ela um pouco constrangida. Ainda bem que Harry não podia ler sua mente, afinal, o sonho tinha sido, no mínimo, bem ‘interessante’. – O que faz aqui tão cedo? Alguma emergência no Ministério?
Potter lhe lançou um olhar que a fez lembrar de quando procuravam pelas Horcru-xes.
-O que aconteceu? Onde está Rony? – Perguntou assustada.
-Calma. Rony está bem. Mas temos um problema...
Hermione não pronunciou uma palavra. Coisas terríveis percorreram os seus pensamentos. Harry prosseguiu.
-Minerva me procurou. Bruxos estão desaparecendo.
-Não pode ser. Trabalhamos no Ministério. Não foi feita nenhuma ocorrência de desaparecimento. Sou rigorosa. Nada foge à minha inspeção. Zelo pela segurança de todos.
-Sei que se esforça Mione. Mas você não está levando em conta os bruxos que eram adeptos de Voldemort. Daqueles que, depois da guerra perdida, se esconderam por medo de represálias.
-Minerva sabe quem está por trás disso?
-Não. Por isso ela me procurou.
Harry sentou-se no sofá. Hermione fez o mesmo. Ele prosseguiu:
-Ela me contou que bruxos seguidores de Voldemort estão desaparecendo e, ontem, encontraram um bilhete junto a um corpo na Travessa do Tranco.
Ele retirou um envelope do bolso e o entregou a Hermione, que o abriu vorazmente.
Não pensem que a batalha foi vencida.
Primeiro vou me livrar dos comensais traidores.
Depois cuidarei daqueles que mataram o maior bruxo de todos os tempos.
Eu os repudio. Me vingarei de todos.
-O que isso quer dizer Harry?
- Isso quer dizer que estamos na mira de um louco que quer vingar a morte de Voldemort.
-Quantos já desapareceram? – perguntou aflita, com medo da resposta.
-Dez.
-E só agora nos comunicaram?
-Entenda. Todos estes bruxos viviam no mundo dos trouxas, disfarçados. As mortes pareceram apenas fatalidades, ninguém desconfiou...
-Quantos deles ainda restam?
-Quatro.
Potter entregou a pequena lista para Hermione. Dez nomes já encontravam-se riscados e quatro permaneciam intactos. Ao olhar para a lista, apenas um chamou a sua atenção:
Draco Malfoy
O ar lhe faltou. Hermione sentiu-se mal. Fechou os olhos. Não poderia permitir que o matassem. Tentou ser racional.
- Já localizaram as prováveis ví...vítimas?
- Sim.
O coração de Hermione disparou. Sabiam onde Draco estava.
-Nesta madrugada Rony partiu em missão atrás de um ex-comensal que encontra-se em algum lugar da Austrália. Não temos a localização específica. Ele tentará trazê-lo para Londres para mantê-lo em segurança, pelo menos, até conseguirmos prender o assassino.
Hermione franziu a testa. Por que Rony não a procurou para se despedir?
-Rony quis procurá-la antes de partir. – Disse Harry adivinhando os pensamentos da amiga. – Mas Minerva explicou a urgência. Pela ordem que aconteceram os assassinatos existe um padrão e o bruxo da Austrália com certeza será o próximo.
-Mas Rony corre perigo. - Afirmou aflita. - Com certeza ele virá atrás de nós!
-Provavelmente. Mas primeiro os comensais traidores. – Explicou Harry apontando para o papel nas mãos trêmulas de Hermione.
-Mione. Minerva acredita que você é a única capaz de convencer Malfoy a voltar para Londres.
Ela estremeceu.
-Ela está enganada. Malfoy me odeia. ‘Sangue ruim’ lembra-se? – Perguntou apontando para as veias do próprio pulso.
-Minerva acredita que ele é grato a você por ter polpado a vida dele naquele dia.
Hermione mordeu os lábios prevendo o que Harry lhe pediria a seguir.
-Você poderia tentar trazê-lo para Londres?
Um turbilhão de pensamentos invadiu a mente dela: o risco de perdê-lo, o alívio de vê-lo novamente, como poderia convencê-lo, será que ele a receberia?
-Onde ele está?
-Em uma ilha.
-Ilha? – Perguntou intrigada. – Pensei que os Malfoy detestassem esse tipo de lugar.
- Justamente. Quem iria desconfiar? Além do mais, Minerva disse que Draco está mudado, porém, bastante relutante em voltar.
-E Lúcio Malfoy? Ele também está na lista.
-Ele está seguro em sua casa. Temos bruxos cuidando da segurança dele e de Narcisa. Porém, eles não conseguiram convencer Malfoy a voltar, estão muito preocupados. Você é a nossa única esperança.
Hermione percebeu que não havia escolhas para ela e também sabia que em seu íntimo queria muito encontrar-se com Draco. Tinha muito medo deste sentimento.
Os amigos se entreolharam. Entre eles as palavras eram desnecessárias. Se abraça-ram.
-Tome cuidado. – Hermione pediu.
-Jamais confie em um Malfoy. – Advertiu Harry.
Potter passou algumas instruções para Hermione. Ela teria que ir à Hogwarts e encontrar-se com Hagrid. Ele a levaria ao encontro de Draco.
Despediram-se.
Enquanto pensava em todas as possibilidades de seu reencontro. Repetia as palavras do amigo para si mesma tentando se convencer:
“Jamais confie em um Malfoy”... jamais.
A sorte está lançada
Narcisa e Lúcio tomavam o café da manhã quando avistaram Draco pela janela. Narcisa não conteve as lágrimas, finalmente o filho havia voltado. Correu ao encontro dele e deu-lhe um forte abraço. Lúcio não se aproximou muito.
-Como você está? – Perguntou Draco visivelmente preocupado. – Fiquei sabendo por Hagrid que bruxos estão desaparecendo.
-Sim é verdade, mas creio que estamos seguros. – Respondeu Narcisa ainda abraçada ao filho.
-Não minta Ciça! – Advertiu Lúcio. – Você sabe que corremos perigo.
-E mesmo sabendo disso, você a coloca em risco? - Perguntou Draco rispidamente ao seu pai.
-Eu estou bem meu filho. - Afirmou Narcisa.
Draco a ignorou. Aproximou-se do pai e tocou-lhe o peito.
-Se algo acontecer com a minha mãe, eu não responderei por mim.
-Nada vai acontecer a ela. - Respondeu Lúcio.
-Assim como você garantiu que tudo daria certo para mim? Assim como você disse que só queria o meu bem? - Gritou. - Não suporto mais suas mentiras! Guarde-as para você!
-Não fale assim comigo garoto! - Advertiu Lúcio.
-Falo como eu quero! Você só pensa em você. Se criou este lugar para bruxos é só para aparecer. Você não tem compaixão nem pela sua família vai ter por estes infelizes?
Lúcio levantou a mão para Draco quando Narcisa se interpôs entre os dois.
-Parem com isso agora! Já temos problemas demais.
-Como você consegue conviver com este homem?
-Este homem é seu pai querido.
-Ele não é o meu pai há muito tempo...
Narcisa o abraçou mais uma vez. Ela estava nitidamente nervosa.
-Você estará mais seguro aqui meu filho. – Aconselhou.
-Não se preocupe. Tenho certeza que nada vai acontecer comigo. Estou mais se- guro longe daqui.
Antes que a mãe tentasse argumentar, Draco despediu-se e aparatou.
***
Desaparatou na casa de Hagrid que já o esperava.
-Preocupado Malfoy?
-Sim. Sinto que algo ruim está por vir.
Hagrid lhe deu um tapa nas costas.
-Então... fique dessa vez. Lute.
Draco o olhou seriamente.
-Esta guerra nunca foi minha e, agora que posso decidir, opto pelo meu afastamento. Ninguém se importa mesmo.
-Seus pais se importam, eu me importo e aposto que Hermione deve se importar também.
-Hermione?
Hagrid colocou as mãos nos lábios.
-Acho que não deveria ter dito isso...
-Fale. – Pediu Draco impaciente.
-Minerva pediu para Hermione conversar com você. Tentar convencê-lo a voltar para Hogwarts onde é mais seguro. Temos um assassino à solta!
-Ela vai perder tempo. Já decidi. Não volto.
-Escute-a Draco, ao menos uma vez.
- Fico traquilo Hagrid. Não vou ser mal educado com ela. Prometo.
Hagrid sorriu e acompanhou Draco até onde estava Bicuço.
Draco cumprimentou o Hipogrifo.
-É muito interessante... – Observou Hagrid.
-O que? – Perguntou Draco enquanto subia na ave.
-Há alguns anos você queria ver Bicuço morto e ele te odiava também, mas agora...
-Agora eu mudei. – Completou. – Você me ajudou muito nisso Hagrid. Você foi o único que confiou em mim, mesmo depois de tudo o que eu fiz.
-Sabe Draco, quando ninguém mais acreditava em mim, Dumblendore me deu uma chance, confiou em minha capacidade, assim como eu confio na sua. Você é um bruxo excepcional, tem talento, mas...
Draco lançou um sorriso.
-Sempre tem um ‘mas’... – Falou.
-Mas, deve se decidir. Escolher um lado que não seja somente o seu.
-Mas Hagrid, nunca fui de Grifinória. Sonserina, lembra-se? – Brincou Draco.
-Você entendeu o que eu quis dizer! – Gritou Hagrid enquanto Draco e Bicuço já levantavam voo.
-Até mais Hagrid. Não se preocupe, estaremos bem.
Hagrid ficou olhando Draco e Bicuço sumirem por entre as nuvens. Lágrimas des-ceram de seus olhos. Ao ver a cena, Minerva aproximou-se.
-O que houve Hagrid?
-A amizade entre Draco e Bicuço é muito forte. Eles superaram as diferenças.
-Sim. A mudança de Malfoy é perceptível, porém, ele ainda é muito teimoso.
-Draco tem uma personalidade forte Minerva. O respeito por isso. Tenho certeza que nossa Mione conseguirá convencê-lo.
-Estou certa disso também, mas temo que alguém saia machucado desta história...
Silenciosamente, os dois contemplaram o aparecimento das primeiras estrelas daquele início de noite.
-A sorte está lançada! - Profetizou Minerva.
III
“Aqueles que nos amam nunca nos deixam de verdade”
Expresso Hogwarts
Era estranho estar sozinha naquele trem, principalmente na cabine onde costumava se sentar com Rony e Harry. Ainda faltavam quinze minutos para o expresso partir. Minutos que pareciam não ter fim. Durante um ano ela desejou, mais do que tudo, rever Draco e agora, que o veria, o medo se apoderava de seu corpo.
Tinha um medo profundo de fracassar. Hermione sabia dos riscos, ela sabia que havia uma missão a ser cumprida. E sabia que aquilo era mais importante do que qualquer coisa no mundo, mesmo assim, tinha medo de perdê-lo.
Um assassino estava a solta, todos, mais uma vez, corriam perigo...
Batidas na porta da cabine a assustaram, do outro lado do vidro, o rosto fino de uma belíssima mulher a observava. O coração de Hermione disparou, era Narcisa Malfoy.
Sem cerimônias, Narcisa entrou na cabine e acomodou-se à sua frente.
-Sei porque você está indo à Hogwarts.
Hermione engoliu seco. Narcisa jamais havia conversado com ela. Pelo contrário, sempre se manteve distante.
As mãos geladas da elegante mulher tocaram as suas.
-Traga-o de volta em segurança. Não deixe que nada ruim aconteça a Draco.
Hermione deu um sorriso nervoso.
-Acredite. Vou fazer o impossível para que nada de ruim aconteça a ele.
Narcisa sorriu ao ouvir Hermione.
-Preciso sair antes que o trem parta, mas quero que saiba de uma coisa a respeito de meu filho: ele jamais te odiou...
Ela passou seus dedos trêmulos pela face de Hermione.
-Na verdade, ele quis protegê-la.
-Me proteger? – perguntou assustada.
Sem resposta.
Narcisa saiu da cabine sem olhar para trás.
Um presente inesperado
Mal desceu do trem, Hermione já escutou a voz de Hagrid lhe chamar. Era tão bom revê-lo, enfim um rosto familiar.
Ele a acompanhou até o castelo, onde encontraram-se com Minerva. Apesar do largo sorriso no rosto de sua antiga professora, Hermione percebeu uma preocupação em seu olhar.
-Acompanhe-me querida. Precisamos conversar.
Elas despediram-se de Hagrid e subiram até a antiga sala de Dumblendore. Mal entraram e Minerva já começou a lhe agradecer.
-Obrigada por atender ao meu pedido. Acredito que só você pode trazê-lo de volta.
-Desculpe-me. Mas não entendo porque afirma isso? Não sou a melhor, digamos, ‘amiga’ de Draco Malfoy.
-Minha querida. Você pode disfarçar o que sente para os seus amigos. Sabemos que os homens não são muito perceptíveis. Mas nós, mulheres, conseguimos ver além e não é preciso ser clarividente para perceber que você, em seu íntimo, mesmo que não queira, gosta dele e que ele, apesar de dizer o contrário, gosta de você também.
Hermione tentou negar, argumentar de alguma forma, mas foi vencida pela sábia experiência da professora.
-Quando você percebeu? – Ela perguntou.
-Muito antes de vocês. – Respondeu Minerva sorrindo enquanto abria a gaveta da velha escrivaninha. – Leve isso com você. – Pediu.
Admirada, Hermione pegou das mãos de Minerva um colar. Ele tinha o cordão bem fino, porém uma enorme pedra de diamante o ornamentava.
-Use-o. No momento certo ele poderá lhe ser útil.
-A quem pertenceu? – Perguntou, enquanto o colocava em seu pescoço.
-Sírius Black o deixou para você.
-Sírius?
-Sim. Ele tinha um grande carinho por você. Me fez prometer que um dia eu o entregaria. Enfim, o momento chegou...
Hermione segurou a pedra em sua mão. Sentiu um calor emanar por todo o seu corpo. Mesmo distante, Sírius ainda a protegia.
Bicuço
-Hagrid! Você está louco? Eu não vou voando para aquela ilha. Você tem noção da distância? Provavelmente não. – Protestava inutilmente, enquanto Hagrid a conduzia para a floresta.
- É a forma mais segura. Aparatar é perigoso e de vassoura, nem pensar. Você pode ser interceptada.
- Mas ir com Bicuço? É loucura!
Sem dar ouvidos ao que ela dizia, Hagrid trouxe Bicuço. Hermione o reverenciou, ao que o Hipogrifo correspondeu.
-Bicuço te adora Mione! É grato a você.
-Eu sei...mas...
Hagrid a pegou e a colocou em cima da criatura.
-Fique calma. Você chegará segura.
Hagrid a entregou sua pequena bolsa que continha tudo o que precisasse dentro.
-Fique tranquila. – Disse Hagrid. – Os trouxas não os verão. Draco soube se proteger.
- Isso quer dizer que ainda vou ter que procurá-lo. Mas, como encontrar um bruxo que conhece todos os feitiços de proteção?
-Você não entendeu Mione. Ele não quer ser incomodado por trouxas, ele sabe que você está indo ao encontro dele e a espera. – revelou Hagrid. – Boa sorte!
Antes que ela dissesse qualquer coisa, Hagrid ordenou que Bicuço partisse.
Em segundos, ela já sobrevoava o castelo e rapidamente já estavam acima das nuvens. A última vez que havia voado com Bicuço foi quando ela e Harry resgataram Sirius da prisão.
Procurou não pensar a respeito. A morte de Sírius ainda à pertubava muito...
Apesar de não gostar de voar. Hermione estava se sentindo muito bem. Aliás, há muito tempo não se sentia assim.
Era impressionante, quando o assunto era Draco Malfoy, seus sentimentos eram completamente contraditórios. Afinal, havia um assassino a solta, eles corriam risco de vida e, mesmo assim, sentia-se feliz. Era melhor não ficar tentando entender o que estava acontecendo.
Tudo corria bem. A paisagem era composta por um céu límpido, algumas nuvens e um vento frio, mas relaxante. De repente Bicuço mudou a rota abrubtamente e seguiu na direção de um arco-íris. Hermione jamais vira algo parecido, era muito cintilante, logo ela constatou que na verdade tratava-se de um portal.
Ao passarem por ele, a paisagem mudou, o vento não era mais frio e o sol brilhava intensamente. O Hipogrifo passou por entre as nuvens e logo Hermione pode contemplar uma paisagem que jamais vira. O mar era intensamente azul, sobrevoavam tão próximos à água que ela podia ver golfinhos nadando.
Assim que Hermione avistou a ilha, seu coração acelerou. Conforme se aproximaram, percebeu que alguém a esperava, era Draco.
Sem limites
Bicuço aterrisou delicadamente na areia. Draco aproximou-se, reverenciou o Hipogrifo, que correspondeu ao seu cumprimento. Ela estranhou a cena, afinal, Draco jamais respeitou Bicuço. Lembrou-se do dia em que lhe enfiou um soco na cara por causa disso.
Por alguns segundos Hermione o observou e percebeu que o preto constante das roupas de Draco havia sido substituído por uma calça e camisa brancas, de tecido bem leve, o que constratava totalmente com a roupa que ela usava, muito pesada para o calor que fazia.
Antes que ela dissesse qualquer coisa, ele lhe estendeu a mão e a ajudou a descer.
O toque da mão dele, a deixou nervosa. Quando desceu de Bicuço, os dois ficaram tão próximos que ela pôde contemplar todos os detalhes do rosto de Draco. Os lábios finos, a pele clara; o cabelo, desalinhado, estava mais cumprido e caia um pouco sobre os seus olhos, que estavam mais azuis do que o normal. Ele continuava extremamente lindo e, para ela, isso era muito perigoso.
-Saudades Granger? – A provocou sorrindo
Hermione lembrou-se dos tempos de Hogwarts, de como ele a provocava o tempo todo. Aquele sorriso de canto de boca a deixava possessa de raiva; mas mesmo assim fazia seu coração acelerar.
E o dela estava acelerado demais, precisava se acalmar. Não sabia muito bem o que responder, mas ele tinha razão, ela estava com saudades.
-Você sabe porque estou aqui? – Respondeu, escondendo o seu nervosismo.
O sorriso desapareceu do rosto de Draco. Seus olhos entristeceram. Ele afastou-se dela.
-Sim. Eu sei. Mas pode desistir, não retornarei, muito menos com você!
Draco deu as costas para Hermione e chutou a areia.
-Você não devia ter vindo. – Falou asperamente sem a olhar.
Hermione aproximou-se dele, fez menção de tocar-lhe o ombro, mas não prosseguiu.
-Vá embora Granger! Não a quero aqui! – Ele gritou, ainda sem a olhar.
Ela sentiu o seu corpo tremer, ele tinha o dom de despertar nela os sentimentos mais intensos. Não iria embora sem tentar. Não iria embora sem saber se o que ele dizia era realmente verdade, não dessa vez.
- Olhe para mim! – Ela gritou. – Diga isso olhando para mim!
Sem resposta.
-Me disseram que você havia mudado. Mas vejo que continua o mesmo...
Ele não se virou. Não teve coragem de encará-la.
-O que você quer de mim Granger? – Perguntou.
-Que ao menos uma vez, você não minta para mim, que...
Hermione não terminou a frase. Draco virou-se ao seu encontro e a interrompeu com um beijo inesperado, violento. As mãos dele a evolveram, por um momento ela pensou que desmaiaria, o toque dele era forte, os lábios quentes, sentiu prazer, sentiu luxúria. Ela não pensou em nada, apenas permitiu-se sentir. Sentir a paixão que a fazia transpor os limites de sua coerência, os limites de si mesma...
Depois do beijo, silêncio. Delicadamente ele segurou o rosto de Hermione com as duas mãos, olhando-a nos olhos, como jamais havia feito.
-Você só precisa saber de uma coisa ao meu respeito: nunca te odiei. – Disse pausadamente. - A verdade é que eu sempre quis te proteger. – Ele prosseguiu. – Sempre quis te proteger do preconceito de meu pai, do ódio de minha tia, da ira de Voldemort, do medo de minha mãe e ... – ele respirou fundo. – ... da minha paixão doentia por você.
Ele a beijou novamente e a paixão daquele beijo era incontestável.
IV
“Quanto mais você se importa, mais você tem a perder”
Verdades
Por mais que Hermione penssasse em Draco, por mais que desejasse revê-lo. Nunca pensou no que faria, no que diria, se um dia o beijo acontecesse.
Agora ela estava confusa. Enquanto o beijava, uma overdose intensa de sensações inundava o seu corpo. A boca dele em seus lábios, o corpo tão junto ao seu, aquele cheiro que ela adorava desde os tempos de Hogwarts, sentiu seu corpo estremecer, suas mãos estavam geladas, o ar lhe faltava, sentiu-se fraca e, mesmo tentando ser forte, desmaiou nos braços de Draco.
Quando acordou estava deitada em uma cama enorme, ao seu lado um bilhete:
Tive que sair, volto logo. Preparei um banho para você, aproveite...
Hermione ainda estava um pouco confusa, assustada, envergonhada. Como pôde apagar daquela forma? Levantou-se. De sua bolsa retirou um vestido, fazia muito calor. Olhou para os lados, o quarto era bem espaçoso, não tinha muitos móveis e era iluminado por velas de vários tamanhos. Exalavam um cheiro bem suave, bom.
Ela caminhou até uma porta entreaberta, era o banheiro. Nele também não havia muitos móveis e a banheira lembrava aquelas antigas do mundo trouxa. Colocou a mão na água, estava morna e repleta de pétalas brancas, sentiu uma fragrância levemente adocicada, maravilhosa. Entrou na banheira, fechou os olhos, há muito tempo não sabia o que era relaxar, nunca ninguém havia feito algo semelhante para ela, mais uma vez, Draco a havia surpreendido.
***
Ao chegar na casa, Draco foi imediatamente ao quarto onde havia colocado Hermione. Ela não estava mais na cama, sorriu, com certeza estava no banho. Percebeu que a porta do banheiro estava entreaberta, não resistiu, aproximou-se bem devagar, ela estava com os olhos fechados, linda... Sentiu vontade de aproximar-se, se conteve, não queria assustá-la.
Saiu sem deixar que ela percebesse a sua presença. Foi para o lado de fora da casa, ficava em frente à praia. Ele adorava fechar os olhos e ouvir o barulho do mar, o acalmava, conseguia pensar melhor, decidir-se melhor. Lembrou-se do beijo, talvez sua mãe tivesse razão, talvez...
No entanto, tentava se convencer que era tarde demais para os dois, que era melhor ficar sozinho. Olhou para a marca em seu pulso. Ela jamais amaria alguém com aquela marca. Era melhor desistir, esquecer tudo o que havia acontecido.
Seus pensamentos foram interrompidos por Bicuço que o chamava. Draco cami- nhou até ele, sentou-se na areia, Bicuço fez o mesmo e acomodou-se bem junto dele. Draco passou a mão em sua cabeça, a convivência fez dos dois grandes amigos.
***
Ao sair do banho, Hermione vestiu-se e foi procurar por Draco. Ela foi surpreendida por uma cena encantadora: uma lua linda no céu, o barulho do mar, a areia branca e Draco, acompanhado por Bicuço na beira da praia. Aproximou-se dos dois.
-Atrapalho? – Perguntou brincando.
Draco sorriu, aquele sorriso que ela adorava.
-Você jamais atrapalha. – Respondeu olhando para o mar.
-Como você descobriu este lugar?
-Hagrid.
-Como? – Perguntou Hermione sem compreender muito bem.
-Foi Hagrid quem me trouxe para cá. É aqui que ele cuida de suas criaturas mágicas. Esta ilha é dele.
Hermione o olhou com estranheza. Realmente ele havia mudado.
-Sei o que está pensando Hermione. Não a condeno, afinal em Hogwarts eu não era o melhor exemplo de educação, principalmente com Hagrid.
Ela sentou-seu ao lado dele.
-Draco...
Ele colocou os dedos nos lábios dela. Hermione pôde ver a marca de Voldemort bem de perto.
-Não diga nada. – Ele pediu. – Sei que faz parte da sua missão me levar embora mas...
Foi a vez de Hermione interrompê-lo.
-Você realmente acredita que isto seja apenas uma missão para mim? Depois de tudo o que aconteceu? Depois do beijo? Acha mesmo que estou aqui apenas por uma missão?
Draco a olhou profundamente. A respiração dela era ofegante, os olhos lacrimejavam. Ela dizia a verdade. Hermione Granger sentia algo por ele.
-Eu te amo... – Ele falou segurando as mãos dela.
A declaração foi inesperada. Hermione sentiu o ar lhe faltar mais uma vez. Ele prosseguiu.
-Te amo desde o primeiro momento que a vi. Desculpe-me se parece confuso. Jamais quis te ofender, meu pai me obrigava, me fazia acreditar que aquilo era o correto, que ser sangue puro era o mais importante. Hipócrita! – Draco falou com raiva.
-Isso quer dizer que você me ofendia a mando de seu pai? – Perguntou Hermione incrédula.
-Sim. Nunca quis ofendê-la de verdade. Mas, se o meu pai soubesse do meu sentimento por você, ele poderia lhe fazer algum mal e eu não me perdoaria se isso acontecesse.
Draco a acariciou no rosto.
-Eu a insultava para mantê-la longe de mim.
-Como posso saber se o que me diz é verdade?
Ele a beijou delicadamente.
-Terá que confiar em mim. Consegue?
Hermione lembrou-se das palavras de Potter: “jamais confie em um Malfoy”. Mas o que Harry sabia sobre Draco? Absolutamente nada. Decidiu arriscar-se.
-Me dê motivos para confiar em você. – Ela respondeu.
Draco sorriu.
-Venha! Quero lhe mostrar algo.
Ele estendeu a mão para Hermione que sem êxitar o acompanhou, não havia mais lugar para jogos, mentiras. Enfim havia chego o momento da verdade e ambos estavam anciosos por isso.
Apenas sinta
-Para onde você está me levando? – Perguntou Hermione desconfiada.
-Você é minha hóspede e precisa, antes de mais nada, se alimentar.
Realmente Hermione estava com fome, o dia havia sido agitado e ela mal havia comido.
Draco a conduziu para o outro lado da casa. Era uma pequena área onde ficava a cozinha, a mesa estava arrumada e o cheiro da comida era convidativo.
-Você cozinhou? – Perguntou Hermione surpresa.
-Sim. Aprendi com Hagrid. Ele disse que eu levo jeito.
Ao falar isso, Draco sorriu.
-Depois de Hagrid e Bicuço, você vai ser a primeira a experimentar algo que eu fiz... espero que goste.
-Espero gostar... – Brincou Hermione.
O cardápio era simples: vinho, arroz, peixe, salada e muitas frutas. Mas Hermione não pôde negar, estava tudo muito bom.
- Preciso te perguntar algo. – Disse Draco enquanto comiam.
-Pergunte.
-Neste tempo que ficamos distantes, você pensou em mim?
Hermione o encarou. Não mentiria.
-Sim. Não houve um dia em que não pensasse em você.
-Pensou em me procurar?
-Muitas vezes, mas você não deixou pistas. – Respondeu lembrando-se dos jornais que nunca traziam nenhuma informação a respeito dele. – E você? Pensou em me procurar?
-Há algumas semanas eu fui ao Ministério atrás de você. Desisti no momento em que a vi com...aquele pana...com o Weasley.
Draco olhou para o lado. A idéia de Hermione junto a Weasley o deixava nervoso.
-Você sentiu ciumes? – Perguntou Hermione sorrindo.
-Sim. Senti.
Hermione mordeu os lábios. Sua intuição lhe indicou qual seria a próxima pergunta.
-Você estão juntos?
Como ela poderia responder? Nem ela sabia a resposta.
-Mais ou menos. – Respondeu.
-Como assim? – Ele perguntou, começando a gostar do que ouvia.
-Bom...ele ficou um pouco chateado comigo quando resolvi morar sozinha. Se afastou um pouco de mim...
-Por que você quis morar sozinha?
Ela respirou fundo. Ele precisava saber.
-Porque ficou insuportável. Eu não conseguia disfarçar a minha preocupação com o seu desaparecimento. Com a sua ausência...
Hermione abaixou a cabeça. Lágrimas escorreram de seus olhos.
-Desculpe-me. Minha intenção não foi fazê-la chorar.
-Não peça desculpas. Essa confusão é minha. Não sei escolher. Gosto de Ron, mas gosto de você também...
Draco sentiu-se feliz. Era o que precisava saber.
-Você gosta de mim. Isso me basta.
Ele levantou a taça de vinho.
-Um brinde ao que sentimos um pelo outro.
Hermione o acompanhou.
-Um brinde ao que nunca confessamos! - Ela brindou.
-Então confesse. – Ele a desafiou.
Com a taça erguida ela respondeu.
-Tudo bem. – O efeito do vinho estava dando coragem à ela. Confesso que sempre senti algo por você, mesmo quando éramos crianças. Sua vez.
Ele pensou um pouco.
-Confesso que sempre a achei esperta, inteligente e muito bonita. Mesmo quando usava aquele metal no dente.
-Era um aparelho. – Corrigiu Hermione sorrindo e foi graças ao dente de coelho que você colocou em mim que pude me livrar dele.
Ela prosseguiu.
–Confesso que eu gostava quando você me encarava e se aproximava de mim a ponto de eu sentir o seu perfume.
Ele a olhou surpreso.
-Confesso que eu a achei deslumbrante naquele baile de inverno e confesso também que senti ciúmes do idiota do Víctor Krum ao seu lado.
Hermione serrou os olhos.
-Confesso que Pansy Parkinson me tirava do sério quando se exibia ao seu lado. Ridícula...
Draco sorriu.
-Confesso que sempre me preocupava com você quando se aventurava ao lado de Potter e Weasley atrás de Voldemort.
Hermione apontou para a cicatriz feita por Bicuço no braço de Draco.
-Confesso que sempre quando você se machucava eu me preocupava.
Draco apontou o garfo para Hermione.
-Confesso que te odiei, por alguns segundos, quando você me deu aquele soco.
Ela se levantou e aproximou-se dele.
-Confesso que, por alguns segundos, eu senti um profundo prazer ao lhe enfiar um soco na cara!
Ele também levantou-se.
-Confesso que mereci.
Os dois começaram a rir. Draco a segurou pela cintura.
-Confesso que se não fossem as ameaças de meu pai, eu teria lhe dito a verdade há mais tempo.
Hermione o abraçou e falou bem baixinho, próxima ao ouvido dele:
-Confesso que jamais imaginei que um dia fosse lhe dizer isso: você é muito importante para mim e o sentimento que tenho por você me faz esquecer de qualquer tipo de preconceito...
Draco a pressionou contra o seu peito.
-Confesso que te amo, sempre te amei...
-Confesso que o meu desejo agora é ficar com você... – Revelou Hermione
-Se o “agora” é o nosso momento, vamos esquecer do passado e parar de nos preocuparmos com o futuro.
Ele a beijou.
-Confesso que estou com medo. – Falou Hermione preocupada.
-Confesso que esperei pelo “agora” durante anos. Não tema. Apenas sinta.
O agora
Não existiam palavras.
Entregaram-se.
Corpo, pele, toque, prazer.
Enfim conheceram detalhes que durante algum tempo apenas imaginavam.
Draco sentiu em suas mãos o corpo quente, delicado e trêmulo de Hermione. Sentiu o aroma que só ela tinha, os lábios que sempre lhe tiraram a concentração, o olhar, castanho, que sempre revelava o que ela queria tanto esconder.
Hermione contemplou o corpo perfeito que se escondia por trás do uniforme de Hogwarts. A tatuagem de dragão que não imaginava existir. Ela sentiu o beijo quente, o toque intenso, a respiração descompassada, o toque da pele dele na sua dava choques de prazer. Não conseguiu resistí-lo, não quis resistí-lo. Há muito tempo o desejava, há muito tempo esperava por ele.
Romperam as barreiras, se completaram, se amaram intensamente.
Para Draco aquele momento era muito especial, havia quebrado muitas regras para poder estar ali. Sabia de todos os riscos, mas nada importava, era Hermione quem ele queria.
A boca dela tinha um gosto maravilhoso. A sentiu estremecer em seus braços, a ouviu pedir por mais. Ele também queria mais.
Hermione permitiu-se ao “agora”. Draco era tudo o que mais precisava e ele a desejava também, ela podia ver isso no rosto dele. Desejou que aquele momento não acabasse e que Draco não se tornasse apenas uma lembrança boa em sua vida.
Após o êxtase, tudo fazia sentido, o vazio que sempre sentiam havia desaparecido. Draco a beijou mais uma vez. Beijou cada parte do corpo de Hermione novamente arrancando-lhe gemidos.
-Estou viciado em você. – Falou ofegante enquanto a beijava.
Ela apenas sorriu. Percebeu o quanto gostava dele, o quanto pertencia a ele. Sempre o comparava com as trevas em seus pensamentos, mas era justamente o contrário. Jamais havia se sentido tão feliz, tão completa, tão certa de seus sentimentos.
Dormiram. Do lado de fora um novo dia amanhecia e com ele um universo de novas possibilidades.
Revelação
Hermione acordou primeiro. Por alguns minutos observou Draco dormindo calmamente ao seu lado. Além da tatuagem, percebeu várias cicatrizes espalhadas pelas costas dele.
Do que seriam?
Tocou o rosto dele bem devagar.
-Bom dia! – Ele falou sem abrir os olhos.
-Desculpe. Não queria acordá-lo.
-Não peça desculpas. – Draco respondeu abrindo os olhos.
Hermione o olhou por algum tempo sem dizer uma palavra. Estava perdida no brilho daqueles olhos azuis acinzentados. Tão diferentes, tão misteriosos. Não re-velavam muito dele, mas a hipnotizavam, ela sentia-se atraída sempre que o seu olhar encontrava-se com o dele.
-Posso te fazer uma pergunta?
-Ainda existem dúvidas a meu respeito? – Draco a provocou. Ainda adorava provocá-la.
Ela apenas sorriu.
-Suas cicatrizes...
Pausa.
-Foi um castigo...
Ele levantou-se e encostou-se na cabeceira da cama. Hermione o acompanhou.
-Quem o castigou? – Ela perguntou enquanto puxava o lençol para cobrir o seu corpo.
Outra pausa.
-Voldemort...
Hermione assustou-se.
-Por que?
-Digamos que ele percebeu que eu nunca fui obediente a ele. Aliás, nunca fui obediente a ninguém. Ele só conseguiu minha obediência quando ameaçou matar a minha mãe.
Hermione percebeu o quanto a relação dele com a mãe era forte. Compreendeu a angústia de Narcisa no trem. Compreendeu melhor as atitudes de Draco no ano em que Dumblendore morreu.
-Mas o que você fez para ele castigá-lo dessa forma?
Ele êxitou, talvez ela não acreditasse, mas, o que ele tinha a perder? Enfim respondeu.
-Fingi não reconhecer Potter naquele dia em minha casa.
Hermione tinha certeza sobre isso, porém, nenhum de seus amigos concordava com ela.
-Mas Harry estava com o rosto deformado, como ele pôde saber que você fingia?
-Não foi apenas isto...
Draco fechou os olhos, respirou fundo, enfim diria a verdade para Hermione.
-Além de não reconhecer Potter... – Ele prosseguiu. - ...eu permiti a entrada de Dobby no porão, permiti que ele ajudasse Potter a escapar.
Hermione foi pega de surpresa. Jamais soube disso.
-Como? Harry e Ron nunca me disseram nada!
-Nunca souberam. Eu pedi segredo a Dobby.
O olhar dela era de espanto. A idéia de Draco salvar Harry era, no mínimo, improvável.
-Não me arrisquei por Harry Potter. – Afirmou ele. - Arrisquei-me por você. Não suportei ver minha tia a torturando e eu não poder fazer nada.
Ele passou a mão pelos cabelos de Hermione.
-Foi quando vi Dobby. – Ele continuou. - O deixei entrar no porão. Eu tinha certeza que ao escapar ele iria te salvar também.
Hermione segurou as mãos de Draco. Seu coração estava acelerado.
-Você colocou a sua vida em risco por minha causa?
Draco beijou as mãos dela.
-Entenda, eu só tinha um pensamento: salvá-la.
Ele a abraçou. Hermione se agarrou ao corpo dele tentando reconfortá-lo de alguma forma. Ele prosseguiu:
-Quando vocês escaparam, Voldemort chegou. Alguém o havia comunicado sobre a presença de vocês em nossa casa. Ele queria Potter e ao saber sobre o que havia acontecido, não demorou muito para compreender que eu os havia ajudado a escapar. Ele me castigou na frente de todos. Só não me matou para humilhar ainda mais o meu pai que nada fez para me ajudar...
-Por que nunca me contou a verdade?
Draco fechou os olhos.
-Porque... eu vi você e o Weasley se beijando no dia da bataslha... pensei que isso não importasse.
Hermione o beijou docemente.
-Sempre me importei com você. Estou aqui porque me importo com você...
Draco a olhou. A suavidade de seu olhar havia sido substituída por tristeza.
-Não se prenda a mim. Estou condenado, não se condene também.
-Não me diga o que devo fazer. Diga-me: o que você realmente quer?
Ela esperava uma resposta sincera.
-Agora você sabe toda a verdade, sabe que eu te amo e que sou capaz de dar a minha vida por você. Mas não a quero aqui. Comigo você sempre estará em risco.
-Você não respondeu a minha pergunta. – Falou um pouco nervosa.
-Não sou a melhor opção para você.
-Eu sei o que é melhor para mim. Apenas me diga: você realmente quer que eu vá embora?
-Não. Não quero. - Respondeu nervoso.
Ele a beijou. Tudo o que mais queria é que ela ficasse ali, ao seu lado, mas existia a vida real lá fora e esta era bem mais difícil de enfrentar.
Recortes
Draco não vivia apenas naquela ilha, ele era responsável por ela. Era ali que Hagrid criava e cuidava de suas criaturas mágicas. Existia uma rotina que era cumprida criteriosamente todas as manhãs.
Enquanto tomavam café na varanda da casa, várias criaturas começaram a se aproximar. Eram unicórnios, corujas, uma linda Fênix, um pequeno dragão e, claro, Bicuço.
-Estou atrasado. – Afirmou Draco sorrindo. – Eles devem estar com fome!
Ele levantou-se.
-Não demoro. Fique a vontade.
Hermione o observou maravilhada. Ele alimentou cada uma daquelas criaturas com dedicação e carinho. Todas pareciam gostar dele. Bicuço foi o último. Da beira da praia ele gritou:
-Vou voar um pouco com ele. Voltamos logo!
-Tudo bem! – Hermione acenou para os dois.
Ela levantou-se e foi até a sala. Como a casa era de Hagrid, os poucos móveis e-xistentes eram bem grandes. Sentou-se no sofá e percebeu uma pilha de recortes de jornais amontoados em uma velha escrivaninha à sua frente. Dirigiu-se até ela.
Os recortes estavam marcados em vermelho e pertenciam a jornais trouxas. Todos se referiam a mortes sem explicação: um senhor encontrado morto com uma vassoura na mão. Uma linda jovem que misteriosamente desapareceu e foi encontrada morta dentro de uma cabine telefônica. Hermione a reconheceu. A jovem era uma das seguidoras de Voldemort.
Ficou apreensiva, por que Draco guardava todos aqueles recortes?
Outro recorte a fez estremecer. Nele, a foto de Pansy Parkinson. A manchete era:
Jovem desaparece após presenciar a morte de seus pais.
Hermione colocou a mão na boca e teve medo dos próprios pensamentos. Draco entrou na sala.
-Você vai me contar? – Perguntou com o jornal na mão.
Ele fingiu não entender.
-Por favor, não minta para mim. – Ela pediu pausadamente.
Draco pressionou os lábios. Hermione era inteligente demais, não a subestimaria.
-Eu sei quem está por trás dos assassinatos e o porquê está fazendo isso. - Falou sem rodeios.
-Quando descobriu?
-Há uma semana. Após ler e reler os jornais trouxas, eu consegui identificar os passos da pessoa que está cometendo os crimes. – Ele respondeu espalhando os recortes na escrivaninha.
-E o que essa notícia tem em comum com todas as mortes? - Ela jogou o recorte que continha a fotografia de Pansy.
Ele pegou o pedaço de papel, o olhou com temor.
-É ela. – Ele virou o jornal para Hermione observá-lo de novo. - Pansy está se vin-gando de todos, pois viu um ex-comensal assassinar os seus pais.
-Mas o que ela quer provar com isso? – Perguntou Hermione com certo pavor.
-Conheço Pansy. Ela não quer provar nada. Ela quer se vingar. Seus pais perderam a vida por serem leais a Voldemort. Ela sentiu-se traída, enganada. O comensal que deveria protegê-los os matou.
Hermione não se conteve. Sentiu uma ponta de raiva.
-Você descobriu isso tudo apenas pelos recortes de jornais? – Perguntou com sarcasmo.
Draco ficou nervoso. Passou a mão por entre os cabelos.
-Claro que não! – Respondeu exaltado. – Os recortes me levaram até Pansy, mas não me deram certeza de nada.
Ela fez sinal para que ele continuasse.
-Nós, de Sonserina, temos um amuleto. Recebemos assim que entramos na casa e ele nos conecta uns aos outros. Basta o colocarmos no pescoço.
Hermione estava visivelmente alterada. Um misto de sensações invadiu a sua mente. Teve medo, sentiu raiva do sentimento de cumplicidade que ainda existia entre os dois por serem de Sonserina, sentiu raiva, sentiu ciúmes.
Draco abriu a gaveta da escrivaninha, retirou de lá um pequeno baú. Abriu-o e o mostrou a Hermione. Tratava-se de uma corrente de ouro branco com um ‘S’ em formato de serpente.
-Pensei muito antes de colocar essa corrente, nunca se sabe a quem ela irá lhe conectar. Tive sorte. Pansy usava a dela também. Identifiquei o local onde ela estava escondida. Era a casa de meus pais.
Ele sentou-se no sofá.
-Ela estava disposta a matar a minha mãe. Ela se vingaria de dois com apenas uma morte. Fui atrás dela. Mas quando cheguei lá, ela já não estava mais. Os planos haviam mudado.
Hermione sentou-se também. Estava pálida.
Draco apontou para um envelope que também estava na mesa. Nele uma pequena carta.
-Uma coruja trouxe esta carta um pouco antes de você chegar aqui na ilha.
Vejo que descobriu os meus planos.
Para você darei a chance da escolha: se entregue e não mato a sua mãe, uma vez que não me sujarei com o sangue imundo de seu pai. Você tem três dias.
-Você a deixou ver onde estava? Foi isso o que fez? Irá se entregar?
-Sim. É o que pretendo fazer.
-Não faça isso. A casa de seus pais está sendo vigiada dia e noite. - Tentou argumentar.
Ele levantou-se. Uma sombra tomou conta de seu rosto.
-Você não conhece Pansy. Ela é extremamente perigosa, quase insana. Medo, arrependimento e pena não fazem parte de seu vocabulário. Não vou arriscar a vida de minha mãe.
-Ótimo! – Exaltou-se Hermione. – Ficarei aqui para lhe proteger.
-Eu não preciso de proteção! – Gritou Draco com raiva. – Preciso que me escute ao menos uma vez!
Hermione serrou os olhos e cruzou os braços. Nada que ele dissesse a faria mudar de idéia.
-Vá embora. – Ele pediu. – Aqui não é seguro para você.
-Não vou deixá-lo aqui. Você já salvou a minha vida, agora é a minha vez de retribuir.
Ele aproximou-se dela e a segurou nos braços fortemente.
-Não se envolva. Eu sei lidar com ela, posso vencê-la.
-Eu não duvido disso, mas receio que ela possui algo mais que a fortalece, algo que faz com que os bruxos sintam um verdadeiro pavor e prefiram fugir a lutar.
Draco a olhou com ar de interrogação.
-As notícias mostram isso. – Ela apontou para os recortes. – Um bruxo que tentou usar a vassoura para escapar, a jovem que tentou fugir pela passagem da cabine telefônica.
Ela tinha razão. Pansy escondia um segredo mortal e ele estava prestes a descobrir o que era.
-Deixe-me ajudá-lo. Podemos vencê-la juntos.
Mesmo contrariado Draco concordou. Poderiam derrotá-la juntos.
Contradição
A manhã havia sido agitada, muitas descobertas, pouco tempo para pensar. Hermione estava preocupada, nenhum plano lhe vinha à mente. Na varanda, olhava para o mar na busca desesperada por uma idéia que lhes dessem vantagem sobre Pansy Parkinson.
Assustou-se quando Draco a abraçou por trás e lhe deu um beijo suave no pescoço. Seu corpo acelerou, não conseguia se concentrar em nada com ele tão perto. Ela virou-se e ele a recebeu com um beijo, sem dar-lhe a oportunidade de lhe dizer qualquer palavra.
Sem parar de beijá-la, sem parar de tocá-la, ele a conduziu até o quarto. Poderia ser a última vez, poderia se a última chance de estar tão perto dela. Seu corpo ardia, ela era diferente de qualquer experiência que já havia tido, ela era a sua melhor experiência.
Era uma despedida. Pensou Hermione ao livrar-se desesperadamente da camiseta que ele vestia. Por um minuto, seus olhares se encontraram; corações acelerados, respiração descompassada, uma abraço, se entregaram. Naquele instante não existiam diferenças, desentendimentos ou qualquer tipo de pudor.
Ela estremeceu ao sentir o corpo dele pesando sobre o seu, ao sentir os beijos que lhe percorreram a boca, o pescoço, os seios...
O toque era forte, o prazer, intenso.
Sexo, paixão e Draco Malfoy. Mistura perigosa. Hermione sentia-se impotente, uma presa fácil, incapaz de dizer não a qualquer pedido dele.
Gemeu. O suor escorria pelo seu corpo e a sensação era indescritível. Nem em seus sonhos mais ousados Hermione se imaginou daquela forma. Provou algo que só Draco poderia lhe dar.
Ele não a via como a amiguinha de infância, delicada, frágil. Ele a enxergava como uma mulher e isso era o mais importante.
Ele não teve medo ao ousar, tocou-lhe com luxúria, querendo para si desesperadamente qualquer parte daquela linda mulher que o consumia, que o fazia sentir-se livre.
Palavras ardentes, movimentos intensos, adrenalina, puro êxtase. Corpos exaustos, no fim, apenas dois sentimentos contraditórios realmente faziam sentido; para Draco, a felicidade, para Hermione, a tristeza.
Felicidade, algo raro na vida dele. Tristeza, em seu íntimo ela pressentia que aquele momento era uma despedida...
O plano
Hermione abriu os olhos bem devagar, não sabia por quanto tempo havia dormido. Draco não estava ao seu lado, ficou aflita, ele teria ido embora?
Enquanto tentava por os pensamentos no lugar foi surpreendida por uma imagem bastante familiar. Terno preto impecável, cabelos cuidadosamente alinhados, o que garantia a ele uma aparência fria, distante, superior.
-Por que você...
-É o que Pansy espera de mim. Respondeu sem deixá-la terminar a pergunta. – Não se assuste. Este Draco não existe mais, aliás, nunca existiu na verdade.
Hermione o fitou enquanto ele se olhava no espelho.
-Qual o seu plano? – Perguntou séria. – Pretende atraí-la para cá?
-Não. Este lugar é especial, pertence a Hagrid. Jamais o contaminaria com a presença de alguém tão desleal quanto Pansy. Ela poderia colocar a vida de todas as criaturas em risco.
-O que você pretende então?
-Atraí-la para a Casa dos Gritos.- Respondeu seriamente.
-Ela irá desconfiar Draco. Não a subestime.
Ele a olhou com um sorriso malicioso nos lábios.
-Ela não desconfia, pois tem certeza que estou me escondendo naquela casa velha.
Hermione o olhou desconfiada.
-Antes de colocar o amuleto de Sonserina, eu fui para lá. Não quis denunciar a ilha de Hagrid e muito menos onde eu estava. Achei que a Casa dos Gritos seria uma ótima opção. – Draco sentou-se na cama ao lado de Hermione. – Ela pensa que sabe onde estou e por isso me deu o prazo.
-Mas se ela observou o lugar, com certeza percebeu que você não estava lá.
-Cuidei disso também. Ontem, enquanto você dormia, eu fui até lá. Tenho certeza que ela me viu e hoje na parte da manhã também passei por lá.
-Pelo o que vi você pensou em ‘quase’ tudo.
-Por que em ‘quase’ tudo? O que falta? – Perguntou Draco em tom displicente.
-Falta descobrirmos o que ela usa para aterrorizar as suas vítimas...
-Essa resposta quem nos deu foi a minha mãe. Ela enviou uma mensagem por meio de Hagrid. Bicuço a trouxe um pouco antes de você acordar.
Draco colocou as mãos no bolso e retirou uma corrente, idêntica ao que tinha ganhado de Sírius.
-O que essa corrente representa? – Perguntou assustada.
Delicadamente ele a colocou na palma de sua mão e fez com que ela a envolvesse com os próprios dedos.
-Illuminus.
V
“É possível encontrar a felicidade nas horas mais sombrias, se a pessoa lembrar de acender a luz”
Herança dos Black
O colar veio acompanhado deste pergaminho e destas duas páginas soltas. - Avisou Draco
Ele os entregou à Hermione que ainda tentava entender o que tudo aquilo significava.
-Leia. – Pediu Draco. – Vai te ajudar a compreender.
Ela começou pelas páginas que, com certeza, Narcisa havia arrancado de algum livro para enviar a Draco.
Illuminus
Feitiço oculto das artes das trevas. Mortal. Não há ocorrências de qualquer contra-feitiço ou alguém que tenha sobrevivido a ele. Aquele que o evoca doa um pouco de si, porém, obtém a mais poderosa arma de destruição de trouxas e bruxos: a escuridão.
Já foi considerada uma maldição imperdoável. Mas a ausência de provas de sua existência fez com que o Ministério da Magia a decretasse lenda e excluisse sua menção dos livros de feitiços e das aulas de defesa contra a arte das trevas.
Illuminus quer dizer sem luz.
Hermione passou a ler a outra página.
Luminus
Tão forte quanto o conjuro do Patrono, acredita-se que Luminus é uma pedra que traz luz, proteção em um momento de profunda dúvida ou ameaça. Capaz de iluminar o pior tipo de escuridão, aquela vinda das trevas.
É considerada apenas uma lenda entre os bruoxs, uma vez que nenhuma pedra foi
encontrada até hoje.
Hermione leu atentamente cada palavra. Faltava o pergaminho.
Não havia nenhuma palavra escrita. Draco pegou sua varinha o colocou sobre o velho pergaminho e pronunciou:
- Toujours pur.
Duas palavras apareceram imediatamente:
Seu sangue
Draco espetou o próprio dedo com uma agulha. Pequenas gotas de sangue caíram sobre o pergaminho.
Uma descrição apareceu.
Draco Malfoy. Filho de Narcisa Rosier Black Malfoy. Sangue puro. Sonserino.
Sua mãe lhe enviou uma mensagem.
Hermione estava espantada com o que via.
Mais uma vez ele pegou a varinha.
-Black! – Disse.
A mensagem se abriu.
Meu filho: sinto que chegou o momento de lhe revelar um grande segredo de nossa família.
Luminus
Este diamante que você recebeu não é nada comum. Trata-se de uma proteção criada por nossos ancestrais para combater o pior tipo de magia existente no mundo bruxo:
Illuminus
Somente os ancestrais da família Black são possuidores deste conhecimento, uma vez que esta proteção foi criada pelo mesmo que criou Illuminus e com ela condenou a família Black à escuridão por toda a eternidade.
Filho: contra Illuminus não existem armas, estratégias, ou armadilhas.
Somente o diamante é capaz de detê-la.
Draco...
Receio que todo este mal que assola o mundo bruxo, seja, de certa forma, minha culpa.
Há alguns meses Pansy Parkinson esteve aqui à sua procura. Ela estava muito triste. Desamparada. Senti pena.
Foi o meu maior erro.
Ela traiu a minha confiança, roubou meu livro, aquele que herdei de sua avó.
E nas anotações pessoais ela encontrou Illuminus. Pansy não sabe sobre o diamante. Pensa que encontrou uma magia indefensável. Mas, como lhe ensinei: não existe o eterno. A nossa eternidade se resume ao agora.
Draco repetiu a última frase em voz alta.
As palavras desapareceram. Perplexa, Hermione olhou para Draco esperando por uma explicação sobre tudo o que acabara de ler.
-Estou tão surpreso quanto você! – Ele afirmou.
-Ela nunca lhe havia contado nada?
-Jamais me contou. A única certeza que eu sempre tive é que não herdei o nome dos Black porque a minha mãe não quis. Ela dizia que era um nome do qual ela não se orgulhava. Porém, ela manteve a tradição de dar um nome de constelação aos membros da família.
Hermione lembrou-se de suas aulas no observatório. Draco era uma constelação do hemisfério norte, próxima ao polo celeste, mais uma vez ele representava luz. Ela mordeu os lábios precisava contar para ele sobre o presente de Sírius.
-Draco. Preciso lhe contar algo...- Falou insegura.
-Pode dizer. – Ele respondeu sério.
-Antes de vir para cá, eu passei por Hogwarts. Minerva queria conversar comigo e...
-E...
- E no final da nossa conversa ela me surpreendeu com um presente deixado por Sírius.
-Sírius Black? – Perguntou exaltado.
-Sim.
Hermione retirou de sua bolsa a corrente com o diamante idêntico ao que Draco havia recebido de sua mãe. Ele a pegou com cuidado.
-É Luminus... – Disse assustado.
-O que pode significar? – Ela perguntou aflita.
-Significa que Sírius a amava.
-Como amiga, ele sempre foi muito bom para mim.
-NÃO. – Contestou Draco. – O sentimento dele por você ia além da amizade com certeza...
Silêncio. Ele prosseguiu.
-Sírius, como sempre, quebrou as regras da família ao dar a jóia para alguém que não possuía linhagem pura, porém, ele jamais daria Luminus a você se não a amasse de verdade. O poder de Luminus concentra-se no amor.
A Casa dos Gritos
O sol já começava a se pôr quando aterrissaram nos limites de Hogwarts. Uma paisagem que há muito tempo não viam e ambos sentiram saudades daquele lugar.
Decidiram que não comunicariam ninguém a respeito da presença deles nas pro-ximidades do castelo.
Aproximaram-se com cuidado do salgueiro lutador que na mesma hora levantou um dos galhos para arremessá-los para longe.
-Imobilus!
Hermione foi mais rápida e no segundo seguinte a árvore já estava paralisada. Percorreram o úmido corredor que os levaria direto para a Casa dos Gritos. Ao chegarem lá, a noite já tomava conta do céu. Espalharam velas por todo o lugar. Estava tudo pronto.
Draco pegou o amuleto e antes de colocá-lo deu um longo abraço em Hermione. Ela o beijou desesperadamente, não queria pensar nisso, mas, talvez, fosse o último beijo, o último abraço.
-Esconda-se – Ele disse. – E aconteça o que acontecer, não revele a sua presença.
Embora não concordasse, Hermione prometeu a Draco que somente interferiria se ele perdesse o domínio da situação.
Antes que ela desaparecesse pelo longo corredor da casa, ele a beijou mais uma vez.
-Lembre-se que serei o Draco que ela espera de mim. Nada mais. – Falou próximo ao ouvido dela. – Nada mais... – Repetiu.
Ele virou-se e sem olhar para trás dirigiu-se à sala, colocou a nobre corrente. De imediato conectou Pansy, ela estava em Hogsmead. Não demorou muito tempo para que ela aparatasse bem a sua frente.
Veneno
A linda mulher que o encarava era muito diferente da menina que um dia ele conheceu. Usava um vestido vermelho, decote ousado e um perfume doce que preenchia todo o ambiente, mas, para Draco, Pansy significava apenas uma palavra: veneno.
-Draco Malfoy. – Ela disse com um sorriso sarcástico nos lábios. – Vivendo na Casa dos Gritos.
Ela se aproximou dele e tocou-lhe o rosto, deslizando os dedos até sua boca.
-Você não sabe o quanto eu te procurei, o quanto eu precisei de você...
-Também senti sua falta. – Mentiu Draco beijando os dedos de Pansy.
-Então por que não me procurou antes? – Perguntou agressiva puxando a mão rispidamente.
-Eu a procurei. – Ele afirmou. – Você desapareceu.
-Mentira! – Ela gritou. – Você mente Draco Malfoy. Duvido que tenha realmente sentido a minha falta!
Ele se aproximou dela e a empurrou contra a parede segurando-a pelos braços. Pansy estremeceu. Bem devagar, ele começou a chupar o pescoço dela.
-Confesse Pansy. – Ele pediu próximo ao ouvido dela. – Você não se importa com a verdade, por isso está aqui hoje.
O corpo dela estava quente. Se Draco quisesse a teria naquele momento. Mas não era o seu desejo, sentia nojo do que estava fazendo.
-Draco. – Ela sussurrou. – Me beije.
Ele a beijou.
***
Hermione assistia tudo através do espelho que havia colocado na sala sem Draco perceber. Estava possessa de raiva e ciúmes.
Pensa, calma, relaxa dizia para si mesma, em vão. Mesmo sabendo que Draco fingia, era inegável a paixão de Pansy por ele.
Enquanto andava de um lado para o outro sentiu vontade de ir até lá e acabar com tudo aquilo. Mas precisava confiar nele, precisava concentrar-se para não colocar tudo a perder.
Na sala, Draco tentava controlar a situação.
-Fique comigo Draco... – Falava Pansy ofegante. – Asseguro que pouparei a vida de seus pais.
-Como você pode me garantir isso? – Perguntou Draco percorrendo com a mão as pernas de Pansy até debaixo do vestido.
-Porque eu decido quem vai morrer e de que forma. – Alterou-se Pansy, empurrando-o para longe.
Ela, sensualmente, levantou o vestido e bem devagar retirou a varinha de uma espécie de coldre em sua perna.
-Somos iguais Draco. Precisamos um do outro. Mas não pouparei a vida de seus pais se você não ficar comigo.
Ele aproximou-se dela.
-Feito. – Ele disse.
Ela o beijou.
-Preciso de uma prova. - Ela pediu.
-O que você quiser.
-Mate Hermione Granger.
Draco tremeu por dentro.
-Quero que mate a sangue-ruim para mim. – Ela ordenou. – Quero que faça o que não teve coragem de fazer quando teve a oportunidade: matá-la.
-Não sujo minhas mãos com sangue-ruins. Você sabe disso. – Respondeu Draco fingindo tranqüilidade. Ele desejou que Hermione não estivesse ali ouvindo tudo.
-Uma fonte confiável me disse que ela está a sua procura a pedido de Minerva. Permita que ela o encontre e mate-a.
Já no corredor, Hermione decidiu que era a hora de intervir.
-Mate-me você Pansy! – Gritou ao adentrar a sala.
-O que faz aqui? – Assustou-se. – Apontou a varinha para Draco. – Você me traiu. Mais uma vez me traiu. – Expelliarmus!
-Protego! – Defendeu-se Draco
Ela voltou-se para Hermione.
-Incarcerous!
Ela se defendeu.
-Impedimenta!
Cordas prenderam o corpo de Pansy que ferozmente conseguiu lançar um último feitiço antes que a varinha caisse de suas mãos.
-Illuminus!
Hermione sentiu o seu coração congelar. Tudo escureceu. Ausência, era tudo o que sentia. Não enxergava nada. A voz desesperada de Draco a chamando foi ficando cada vez mais fraca.
-Encontre a luz! – Ele gritava.
Sentiu-se fraca, sentiu-se infeliz. A voz de Draco desapareceu e com ela o fio de esperança que tinha. Duvidou de sua capacidade de lutar, desejou a morte.
Quando tudo parecia ter acabado viu uma pequena fresta de luz. Da luz, a figura de alguém familiar: Sírius Black.
Sírius
-Mione. – Ele a chamou carinhosamente. – Não se entregue.
Ao ouvir a voz de Sírius somente um pensamento tomou conta de Hermione.
-Eu morri? – Perguntou.
-Não, mas você encontra-se entre o limite da vida e morte.
-Você veio me buscar?
-Vim pedir para que não desista. Que não duvide de si mesma, de seus sentimentos.
Sírius passou a mão pelos cabelos de Hermione.
-Me sinto fraca, incapaz...
-É Illuminus. Não se deixe vencer. Acredite: você o derrotará.
Hermione sentia suas forças a abandonarem.
-Acho que Luminus não funciona com quem não seja puro-sangue...
-Luminus não se limita a isso. Luminus se concentra no amor. Você precisa acre-ditar. – Pediu com cautela.
-Não entendo. Acreditar em que?
-Acreditar no amor de quem lhe deu o colar.
Ela mal conseguia abrir os olhos, uma sombra começava a envolver todo o seu corpo.
-Sírius...você...
-Eu a amei desde que conheci a sua coragem, seu empenho por um ideal, desde que percebi que você era a bruxa mais inteligente e encantadora que conheci...
Ela conseguiu sorrir.
-Acredite em mim. Acredite em meu amor por você. Não deixe-se vencer pela força das trevas...
Ela fechou os olhos e perdeu os sentidos.
-Não desista Mione. Não desista. Não se entregue. – Ele pediu desesperadamente.
Ele a beijou. Um beijo que o libertaria e salvaria a vida daquela que o havia feito acreditar novamente em um sentimento verdadeiro. O toque suave dos lábios dele fez com que Hermione recobrasse os seus sentidos.
A respiração dela começou voltar ao normal. Sua pele não estava mais gelada. Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos e antes que dissesse qualquer palavra ouviu Sírius dizer:
-Luminus!
Ódio
-Eu matei Hermione Granger! – Gritava Pansy enlouquecida ainda amarrada.
Draco olhava para o corpo inerte jogado ao chão da sala desesperado.
-Hermione! Não desista, não desista...volte...
-Não há volta “Draquinho”. Contra Illuminus ninguém tem chance, muito menos a sangue-ruim.
Ela deu uma risada tão alta e maquiavélica que o fez lembrar-se de sua tia.
O ódio tomou conta de seus pensamentos. Sentia o corpo todo tremer.
-Junte-se a mim Draco. Posso dar-lhe tudo o que quiser. Sei que é ambicioso, que deseja o poder mais do que tudo.
-Meu único desejo agora é que morra. – Ele gritou. Lágrimas em sua face revelavam o seu sentimento por Hermione, o que deixou Pansy ainda mais irritada.
-Você não pode fazer nada por ela. Já está morta...
Draco aproximou-se empunhando a varinha contra o rosto de Pansy.
-Não posso fazer nada com ela, mas posso fazer com você, ou se esqueceu que I-lluminus pertence à minha família.
O olhar de Pansy foi invadido por um profundo medo.
-Você não teria coragem.
-Não duvide. – Ele respondeu sério.
-Invocar Illuminus é o mesmo que invocar a própria morte. – Ela disse em tom ameaçador.
-Não temo a morte. – Disse ele arregaçando a manga e mostrando a marca de Voldemort. – Não me importo em morrer um pouco, o meu prazer estará em vê-la passar por tudo o que ela passou.
-Maldito! – Ela gritou. – Você é traidor do sangue! Protege uma sangue-ruim...
-Antes de morrer você precisa saber uma coisa ao meu respeito. Sempre te usei, nunca representou nada para mim. Quando estávamos juntos era em Hermione que eu pensava, era com ela que realmente queria estar.
Pansy chorou.
-Maldito! – Gritou mais uma vez.
Ele a olhou profundamente.
-Adeus Pansy.
-NÃO! – Ela gritou.
Era tarde demais.
-Illuminus!
Draco encostou-se na parede e devagar escorregou até o chão. Se Hermione estava morta era por sua culpa. Jamais a deveria ter envolvido em toda aquela sujeira. Jamais. Acompanhou sordidamente a morte consumir o corpo de Pansy. Era sonserino, a vingança o fazia sentir-se um pouco melhor.
Ele aproximou-se do corpo de Hermione. Chorou. Lembrou-se das palavras de Dumblendore : é possível encontrar a felicidade nas horas mais sombrias, se a pessoa se lembrar de acender a luz.
Ele segurou o diamante que trazia pendurado ao seu pescoço e com toda a fé que tinha em seu amor por Hermione conjurou:
Luminus
Quebrando regras
Abriu os olhos bem devagar. Não sabia por quanto tempo havia dormido ao certo. Virou-se na cama, seu corpo estava todo dolorido. Fechou os olhos novamente, estava em casa, sozinha, sentiu-se triste. Depois de tudo, ainda estava triste...
Nada estava completo, faltava ele. Acostumou-se a sentí-lo por perto, a tê-lo ao seu lado e nada substituiria o vazio que estava sentindo.
O silêncio do pequeno apartamento foi quebrado pelo barulho de uma coruja que batia o bico na janela insistentemente.
Hermione levantou-se e abriu a janela para que a ave pudesse entrar. A coruja acinzentada trazia um bilhete, respirou fundo, no envelope a frase:
Estou quebrando as regras, sei disso...
Sim. Ele estava quebrando as regras e ela estava muito feliz por isso. Abriu o envelope, nele uma pequena mensagem.
Nada faz sentido.
É tua ausência fazendo silêncio em todo lugar.
Se quiser...
se ainda quiser...
Estou aqui.
Draco.
Sentou-se no sofá. Na mesinha à sua frente um jornal bruxo com notícias sobre a morte de Pansy Parkinson e o julgamento de Draco Malfoy. “Absolvido” era o título.
Lembrou-se do quanto ficou decepcionada ao descobrir que Draco havia matado Pansy Parkinson. Lembrou-se da última vez que o viu.
-Você não precisava tê-la matado. – Falou assustada.
-A matei por causa da dor que senti ao pensar que você estava morta. – Ele se defendeu.
-Você não tinha o direito de tirar a vida dela, ninguém tem esse direito.
Ele não se defendeu. Não tentou se argumentar.
-Vá embora! – Ele disse. – Jamais daria certo mesmo.
-Se essa é a sua vontade, não vou me opor, porém faço um último pedido: não me procure mais.
-Não se preocupe com isso, tenho um talento grande para desaparecer.
Agora, com aquela mensagem nas mãos, ela sorria. Draco também sentia a sua falta.
Orgulho, ressentimento, medo, nada importava se comparado ao amor que sentia por ele. Contou tudo para Harry e Ronny. Por mais que a verdade fosse difícil, decidiu que não mentiria para nenhum dos dois. Arcou com todas as conseqüências por seu envolvimento com Draco, a não confiança de Harry, o afastamento de Rony...
Dois diamantes pendurados em seu pescoço a lembravam do amor daquele que já havia partido e daquele que ela havia deixado partir. Pensou por um momento
Ainda queria.
No fim, um começo
Esperava por ela.
Esperava que ela sentisse ainda o mesmo por ele.
Ausência. Nada fazia sentido.
Caminhava pela beira da praia na busca desesperada por lembranças boas com ela naquele lugar, naquela ilha que um dia foi apenas deles.
Lembrou-se da briga, das palavras.
Assassino foi a que mais doeu.
A verdade sempre dói.
Eram tão diferentes e mesmo assim a amava. A desejava mais do que tudo.
Enquanto olhava para o mar, não percebeu a aproximação de Hermione.
-Draco... – Ela o chamou.
Ele olhou para trás. Era muito bom ouvir a voz dela novamente. Aproximou-se:
-Ainda quer? – Precisava saber.
-Agora é o que mais quero. - Respondeu sorrindo.
Se beijaram.
O agora era o mais importante e se preocupariam com o para sempre depois...