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2. Indecisão


Fic: A Canção da Meia Noite - Atualizado! Cap 24 #Tributo


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 2 - Indecisão






“Algo mais que um sussurro, um movimento súbito do meu coração


E eu sei, eu sei que terei que assisti-los ir embora


Simplesmente aguentar esse dia”


The Last Song I’m Wasting On You - Evanescence


 


   Ron Weasley sabia que sua procura seria muito menos trabalhosa se simplesmente sacasse o telefone celular, porém encontrava-se em um país muito distante do seu, o que fazia com que a recepção fosse péssima e as tarifas para ligação fossem exorbitantes, e ele não estava muito a fim de gastar dinheiro quando a situação era tão pequena.


   O ruivo também sabia que sua procura seria menos trabalhosa se Harry Potter não fosse capaz de ser tão inconstante às vezes. Por Deus, aquele hotel não era tão grande assim, onde seu melhor amigo tinha se escondido? E por que tinha desaparecido de repente? Já tinha passado por quase todos os membros da banda, e todas as dicas e direções dadas por cada um deles o tinha feito andar em círculos. Sua paciência, embora fosse consideravelmente maior e mais durável do que a do outro músico, esgotaria em breve.


   Estava passando próximo à porta que dava para o deque da piscina quando viu Hermione e Nicholas entrando, tão entretidos numa conversa que até riam. Aproximou-se do casal, perguntou pelo guitarrista e saiu do prédio quando a mulher respondeu. Contornou a piscina e, segundos depois, via-se no jardim dos fundos do hotel. Pela quantidade de estátuas ali, cada uma representando algo mais surreal que a outra, constatou que ali sim era um lugar onde Harry poderia estar. Era incrível como cada obra de arte parecia retratar alguma parte das músicas da banda, que pertenciam, em sua maior parte, à vasta mente de seu amigo.


   Assim que contornou um alto arbusto enfeitado por uma estátua de uma deusa grega, deparou-se com um pequeno lago, repleto de peixes nadando. No outro extremo, uma pequena cachoeira despejava suas águas no lago, cujo som quebrava o silêncio do lugar. Ron correu os olhos ao redor e, caso não estivesse caminhando ali durante uns minutos, provavelmente confundiria seu melhor amigo – imóvel, sentando em um banco de pedra e concentrado em alguma coisa que só ele conseguia ver – com outra estátua se ele não tivesse soltado um longo suspiro.


   O baterista foi até ele, sentando-se ao seu lado. Uma expressão preocupada surgiu em seu rosto.


- Hey, cara, o que foi? – perguntou com um tom calmo, esquecendo-se momentaneamente o motivo de ter procurado-o. O bem estar daquele que vinha acompanhando-o havia quatorze anos era mais importante.


   Harry levantou a cabeça, antes ligeiramente inclinada para a frente, e fitou o ruivo como se fosse a primeira vez que o visse.


- O que foi o quê? – repetiu.


- Você. – o ruivo respondeu. – Quero dizer, você praticamente sumiu do mapa. Venho procurando-o há um tempão e, quando te encontrou, te vejo assim, cabisbaixo.


   Foi aí que Ron viu dois copos de café junto de Harry, um preso em sua mão direita e o outro acomodado no banco do outro lado dele. Só havia uma pessoa que conhecia tão viciada em café... E então tudo fez sentido.


   Já fazia um tempo que os sinais estavam orbitando Ron – ou talvez, pelo grau da situação constatado por ele tempos depois, estivessem enfim piscando com luzes de neon para ele. As músicas que Harry ultimamente vinha compondo, a reclusão que cada vez mais cercava o moreno, os olhares que lançava aos recém-noivos, o jeito como se comportava ao redor da melhor amiga deles.


   Ron entendia o amigo, é claro, também tinha passado pela mesma situação, que curiosamente envolvia a mesma garota, porém, na sua própria vez, os sentimentos não haviam sido tão profundos ou intensos. E justamente pelo fato de que sua tentativa com ela não foi bem sucedida que o ruivo não tinha nem ideia do que dizer. Tampouco adiantaria usar o clichê de que tudo ficaria bem, pois, pelo jeito que as coisas caminhavam, era bem provável que ficassem bem piores.


   Na verdade, o baterista tinha mantido sua descoberta para si. Porém, quanto mais o tempo passava, mais achava que chegaria um momento em que ele teria que agir, ser o melhor amigo que prometera ao moreno, anos atrás, quando os dois ainda estavam no colegial, que estaria sempre ali para ajudá-lo.


- Eu te entendo, Harry. – disse ainda com calma, colocando uma de suas mãos num dos ombros dele. O outro se virou para ele; a expressão estranha em sua face foi transformando-se em algo mais suave quando ouviu as palavras. A máscara que ele usava havia certo tempo caiu, e o ruivo pôde ver a dor em seu olhar. – Eu sei o que você sente, sei o quanto está magoado...


   No segundo seguinte, Ron achou que a expressão dolorosa que acabara de ver tinha sido apenas uma ilusão de ótica. Harry virou-se bruscamente para frente, a irritação escorrendo por suas seguintes palavras.


- Não, você não sabe! Aliás, o que para você saber? Nada!


   Ron afastou-se com a reação do amigo.


- O que há de errado com você, Harry? – exclamou, mais alto do que esperava. – Primeiro, você some, depois eu te encontro aqui triste, e agora você está assim... Dá para se decidir?


- Não há nada de errado comigo! – o moreno interrompeu, praticamente cuspindo as palavras.


   Ron soube, por um momento, que, se amigo pudesse, estaria cuspindo sua raiva nele. E por que deveria ser ele a pagar por uma raiva que nem tinha sido ocasionada por sua causa? Mais ainda, por que Harry estava tão irritado? O que tinha falado de errado?


   E foi aí que a ira invadiu o ruivo, deixando suas orelhas ligeiramente avermelhadas.


- É claro que há algo de errado contigo! – gritou. – Eu te conheço há muito tempo para saber que não é assim que você normalmente age... a não ser que tenha algo te perturbando. E eu sei que tem, ou melhor, sei o que é.


   Harry levantou-se em um salto e deu dois passos para frente. O copo em sua mão caiu ao seu lado, na grama, derramando todo seu conteúdo. Seus punhos se cerraram, e Ron pôde ver que ele tremia.


- Não... há... nada... errado... comigo! – disse entre dentes. Cada palavra saiu lentamente e destacada com toda a clareza possível.


- Você sabe que há! E também sabe que sei qual é problema! – o baterista levantou também. Ficou parado na sua, pois sabia que se fosse em direção ao outro não saberia qual seria sua reação. – É por isso que está agindo assim, embora eu não tenha a mínima ideia do por quê. – concluiu, dessa vez falando um pouco mais baixo.


   Harry abriu a boca duas vezes, mas nenhuma palavra saiu dali. Ele fechou os olhos com força, seus punhos continuavam cerrados, embora seu corpo não tremesse mais. Ron aproveitou que o amigo baixou a guarda e continuou a falar.


- Que tal você se acalmar um pouco e conversar? Sabe, liberar essa confusão aí dentro, esse nó no peito...


   Tão rápido quanto se desarmara, Harry voltou a erguer suas muralhas.


- E o que é que isso vai me ajudar, Ron? Diga-me! – exclamou, virando-se para o outro músico. O escárnio voltou às suas palavras, tão forte e letal como um veneno. – Conversar... Como diabos isso vai me ajudar? Como me sentirei mais leve com isso? Como isso vai me ajudar com meu... problema?


   Ron respirou fundo lentamente, tentando não ficar irritado de novo. Entendia Harry, e por causa disso precisava manter o foco e a calma. Uma pessoa descontrolada ali já era o suficiente.


- Infelizmente, não há nada em meu poder para mudar a situação. – iniciou, espantando-se, durante algumas frações de segundo, com o autocontrole que começou a esbanjar. – Mas aposto que você vai se sentir melhor se conversar. Não vai parar de doer, porém o nó aí vai ficar mais frouxo e mais fácil de carregar. Você também não vai mais enlouquecer tanto a ponto de querer fuzilar seu melhor amigo. – concluiu, tentando injetar um pouco de humor em toda aquela cena tensa.


   O guitarrista soltou um suspiro e voltou a sentar, sendo acompanhado pelo ruivo. Depois, pegou um galho de madeira caído na grama e ficou a cutucar a terra molhada pelo café caído.


- Acho que não tem nem como afrouxar esse nó, Ron. – disse, aparentemente mais sereno que nunca. – Talvez até afrouxasse, se as coisas não tivesse ido longe demais...


- Longe demais. – o ruivo repetiu, processando as palavras. Seu olhar recaiu sobre o lago logo à frente. – Você quer dizer... ontem?


   Seus olhos azuis captaram o moreno meneando positivamente a cabeça.


- Acho que é até por isso que estou mais... descontrolado. Ainda não processei e talvez nem vá. – Harry continuava a dizer. Ron virou a cabeça para o lado para vê-lo mais uma vez com o olhar perdido e ligeiramente desconectado do mundo à sua volta. – Mas eu preciso, não é?


- Precisa? – Ron franziu uma das sobrancelhas. – Por quê?


- Porque ela é nossa melhor amiga, Ron. – Harry explicou, as palavras saindo um pouco ofegantes, como se dizê-las fosse a coisa mais pavorosa do mundo. – E temos que estar felizes por ela, não é?


   Era a segunda vez seguida que o moreno terminava a fala lançando perguntas inquisitivas ao amigo. Ron percebeu o quanto ele estava perdido, indeciso e que precisava de si para confirmar as coisas para ele pudesse se convencer.


- Eu estou feliz por ela se ela estiver feliz... – começou a responder, mas parou no meio do caminho assim que as outras palavras passaram em sua mente. Deveria pronunciá-las e machucar ainda mais o amigo ou ater-se, deixando-o imerso num leve véu de ilusão?


   Felizmente, Harry pareceu decidir isso por ele.


- Pode continuar, Ron. De verdade.


- Ela está feliz, Harry, dá para ver isso nos olhos dela. – confessou de uma vez só.


   O baterista virou o rosto para o outro lado para não ver a dor nos olhos do amigo. Grande espírito grifinório, Weasley.


- Então... Ele a faz feliz, não é?


   Ron nem precisou perguntar quem era “ele”.


- Faz. – disse simplesmente, evitando perguntar-se novamente. Se quisesse realmente o bem para o amigo, precisava dizer a verdade a ele. – E ele também faz parte de isso que nós temos... da banda.


   Harry soltou uma risada amarga enquanto soltava o graveto. Depois, ficou a encarar o chão logo abaixo.


- Acho que não gosto dele justamente por isso. Não é por que eu o ache um exibicionista, é mais pelo fato de que...


- Ele está com a mulher que você ama. – Ron concluiu sem pensar. Após ver o olhar que o outro lhe lançou, desejou poder retirar as palavras. – Desculpe.


   Outra risada forçada escapou do moreno.


- Para que as desculpas? É a verdade. – e suspirou.


   O compositor ergueu a coluna, sentando-se ereto. Fitou o lago durante mais alguns segundos antes de ficar de pé.


- Bem, acho que é melhor eu ir. Dean me disse alguma coisa sobre a afinação das guitarras que não está certo. É melhor eu ver isso logo. – disse antes de sair caminhando, com as mãos no bolso da calça.


   Surpreso, Ron piscou os olhos, de repente lembrando-se de que estava procurando Harry para dizer-lhe aquilo. Ele saltou do banco e foi atrás do guitarrista.


- Foi por isso que eu vim te procurar, em primeiro lugar. – disse, e em seguida ouviu mais uma risada escapando dos lábios de Harry. – Acabei me distraindo... Hey cara! – exclamou, chamando a atenção do outro. – Clichê, mas dane-se. Enfim, você sabe que eu to aqui para você, não é?


   Harry virou para trás, lançando-lhe um sorriso e um olhar tristonhos. Depois, virou-se para frente e voltou a caminhar em direção ao hotel.


 


 


   O tempo tinha um dom de poder passar rápido às vezes. Por um lado, era ruim, pois antecipava o acontecimento de coisas ruins, porém podia ser bom também para distrair, abster alguns pensamentos de mentes ocupadas demais com afazeres importantes, deixando pouquíssimo ou nenhum tempo para a reflexão e, consequentemente, perturbação interna.


   Foi o que ocorreu com os membros do Paradise Lust. Logo se encontravam na Grécia, depois de terem passado na Áustria, Croácia e Sérvia para apresentações com ingressos esgotados. Assim que chegaram, foram informados que participariam de uma coletiva de imprensa num dos monumentos históricos da cidade. No fim dela, anunciaram que o mais recente lançamento da banda acabara de ganhar disco de platina.


   Hermione percebeu, enquanto cada membro ganhava uma espécie de quadro com o disco, que tinha algo errado ali. O Paradise já recebera outros discos de platina antes, e eles foram comemorados com intenso fervor. Lembrou-se das outras premiações, nas quais eles haviam se abraçado, sorrido, curtido um com a cara do outro, e depois tiraram várias fotos. Naquele momento, no entanto, o máximo que conseguia ver era um pequeno sorriso no rosto de cada um. Nenhum abraço, nenhum comentário engraçadinho, nada.


   Por quê? Por quê?...


   A pergunta ecoou livremente pela cabeça da morena. Nenhum nervo sequer de sua mente pronunciou-se para tentar responder. Um grande vazio, era tudo a qual tinha acesso. Um buraco infinito, embora facilmente penetrável, e ela sabia que isso era o suficiente para convidá-la a buscar uma resposta e perder-se em pensamentos que a deixariam mais confusa.


   Era a primeira vez que Hermione Granger ficava sem resposta para uma pergunta. E isso sim era um sinal de que o mundo estava definitivamente girando ao contrário – bem, pelo menos seu mundo e o mundo de seus amigos estava.


   Um suspiro quis escapar de seus lábios, porém ela o segurou o máximo que pôde. Também não poderia demonstrar sua confusão interior e rezava silenciosamente para que as expressões estampadas em seu rosto não a denunciassem. Tinha que sorrir, mostrar que estava feliz pela conquista da banda enquanto as fotos eram tiradas.


   Porém, a leve frustração pelo fato de não conseguir responder aquela questão a invadia aos poucos...


   Para que lhe servira, então, formar-se no Instituto Hogwarts com honras e condecorações, ganho um diploma especial por ter tido alcançado a maior média escolar de todos os tempos e entrado no hall especial de alunos quando a explicação lhe escapava a uma simples questão?


   E também havia o fato de que aquela era maior e melhor fase vivida pela banda. Na maioria dos shows feitos, os ingressos tinham sido esgotados; a mídia lançava elogios atrás de elogios sobre o novo álbum; o número de fãs também tinha aumentado; as maiores revistas do mundo musical estavam cada vez mais assíduas para ter uma entrevista com pelo menos um membro. Por que, então, lhe parecia ser o momento mais triste? Que diabos estava acontecendo?


- Srta. Granger, - uma voz tirou-a de suas divagações. Era o fotógrafo. – se você puder ficar aqui ao lado do Sr. Potter para tirar uma foto com o disco... Não, não é necessário tirar com os dois. Niko! – ele exclamou, virando-se para o homem ao seu lado. – Segure o disco dela, por favor. – o assistente veio, e Hermione entregou o objeto a ele. – Sim, sim... Agora, vocês dois podem segurar o disco um de cada lado e olhem para cá.


   Hermione segurou a lateral direita do disco de platina de Harry, que se encontrava à esquerda. Ela olhou para ele de soslaio; parecia tranqüilo e feliz com a conquista, embora nada tão extraordinário, nada como o antigo Harry.


   Um flash de memória veio, e a cantora prendeu a respiração durante uns segundos. Lembrou-se da primeira vez que a banda ganhou um disco especial. Assim que pegou-o, virou-se para Harry, cujo enorme sorriso estampado na face refletia o dela próprio. Ela viu a si mesma quase correndo em direção a ele, que abriu os braços para recebê-la num abraço apertado. No meio do abraço, os dois parabenizaram um ao outro, a felicidade jorrando em cada respiração que davam. A foto que tiraram foi naquela mesma posição e com os mesmos sorrisos brilhantes.


   A imagem surgiu na frente de seus olhos. Tinha visto-a no arquivo da banda, no estúdio deles em Londres, antes mesmo de começarem a turnê. Naquela época, achava que seria a melhor turnê deles – e o presente mostrava-lhe justamente o contrário.


   No meio do estranhamento da banda, Harry era quem mais lhe intrigava. Parecia ter construído muralhas fortificadas ao seu redor e se fechado, em parte, do mundo. Embora ainda risse e entrasse nas brincadeiras dos colegas e da equipe, conseguia ver algo de errado nele, embora não fosse capaz de distinguir o que quer que fosse.


   E por quê? Aquela pergunta, tão pequena e simples, aos poucos se tornava um tormento para Hermione.  Por quê? Por quê?


   Terminada a sessão de fotos, a banda encaminhou-se aos carros que os levariam ao hotel. Durante o caminho, a vocalista pôde ver que seus colegas cumprimentaram uns aos outros, mas não com o mesmo fervor que era característico, o fervor da qual sentia cada vez mais falta a cada segundo que passava.


   O que poderia fazer? Nada, apenas assistir, apenas esperar o dia passar e terminar, apenas rezar para que o seguinte viesse e lhe trouxesse esperanças. Mesmo assim, conforme a situação caminhava, Hermione gradualmente sentia-se indecisa em relação a esse aspecto.


   Ao chegar ao hotel, Hermione e os outros músicos entregaram seus discos de platina a Anna Abbott, uma das assessoras de imprensa, que lhes disse que iria mandá-los de volta à Inglaterra. Assim que a cantora desfez-se do seu, sentiu um incômodo dentro de seu peito. Percebeu que a sua indecisão mental só estava sendo ligeiramente aliviada pelo esforço que fizera para carregar o objeto.


   Mais um suspiro lhe veio, mais um para uma série de outros que ela até já tinha perdido a conta somente naquele dia. Precisava relaxar e sabia justamente o que a faria se sentir melhor.


   Depois de pegar as chaves de sua suíte na recepção, foi para o salão das refeições. Não demorou muito para que seu radar interno detectasse as três grandes máquinas de café em um canto. Sorriu com o canto da boca e rumou em direção a elas. O cheiro do líquido rapidamente subiu para suas narinas, o que a relaxou bastante. Depois de encher um copo grande, saiu do prédio para a sacada, que oferecia uma visão maravilhosa do Panteão, um dos símbolos mais marcantes da história da humanidade e um de seus preferidos também.


   Não pôde deixar de estacar de leve com a imagem. Por mais que já tivesse visto aquele monumento, o encanto sempre fazia questão de aparecer. Jamais se acostumaria com a beleza da construção, seu porte grande e imponente que chamava toda a atenção para si. Amava História desde pequena, porém tinha uma afeição ainda maior com a Antiguidade Grega, o que fazia da Grécia seu lugar preferido.


   O banho de deslumbre histórico serviu para aliviar um pouco seu estresse, e o que viu logo em seguida contribuiu ainda mais. Encostado sobre a grande que cercava a varanda, Nick encontrava-se com o olhar igualmente perdido na belíssima paisagem. Ela sorriu; agora precisava dele mais que nunca para esquecer seus problemas. Andou até o noivo com passos largos e sorrateiramente abraçou-o por trás, depositando sua cabeça no ombro dele.


- Atenas encanta até mesmo aqueles que não são fãs de História. – disse com um sorriso.


- O que posso fazer? A Grécia é bonita demais para ser verdade, e quando você percebe que ela é de verdade, sua única opção é admirá-la até se cansar...


- E chegar à conclusão de que nunca irá cansar dela. – Hermione concluiu calmamente.


   Ela virou a cabeça levemente para o lado apenas para vê-lo olhando de esguelha com um sorriso.


- Tirou as palavras da minha boca. – Nick falou antes de tocar a ponta do nariz dela com o dedo indicador. Em seguida, pôs suas próprias mãos sobre a dela. – Por que será que não me surpreendo de te ver com café? – perguntou, após tocar o copo.


   Ela riu de leve, soltou-se dele e postou-se ao seu lado. Antes de responder, tomou um longo gole.


- Eu e o café temos uma relação especial. – explicou. – Ele me anima de manhã e me tranquiliza quando quero... e eu respondo fazendo-o do melhor jeito possível.


- É para eu ter ciúmes do café? – o loiro perguntou brincalhão.


- Não, eu ainda prefiro você. – disse antes de roubar um leve beijo dos lábios dele.


- Não o deixe ouvir isso, vai magoá-lo.


   Hermione riu abertamente e virou-se para frente, tomando mais café. O silêncio recaiu sobre os dois.


- Essa paisagem já é linda, mas assim fica magnífica. – Nicholas disse, admirando a noiva.


- Assim como? – Hermione devolveu, sem olhar para ele; seus olhos perderam-se na cidade.


- Com você assim. Agora, quando olho para o Panteão, por exemplo, você aparece no meio do caminho e complementa bastante a visão. – ele respondeu com a voz suave.


   Hermione mordeu a ponta do copo sem deixar de corar. O empresário, por outro lado, apenas riu.


- Incrível como você consegue corar mesmo tendo ouvido tantos elogios. Isso é bom, aliás, dá pra ver o quanto é modesta.


- Modesta não, realista. – Aquela frase saiu de seus lábios pela enésima vez em toda sua vida, tanto que foi impossível esconder o tom de voz cansado. – Existem outras mulheres muito mais bonitas que eu.


- Realismo? – Nick ponderou. – Ta, pode-se chamar também disso. E você, querida, não pode julgar nada porque é necessário ter um cromossomo Y para tal.


   A cantora riu.


- Cromossomo Y? – repetiu, bebendo mais café. – Que ridículo! Não é só porque vocês homens não podem achar uns aos outros que nós mulheres temos que fazer o mesmo. Além do mais, isso não justifica, Nick. Por exemplo, Ginny é muito mais bonita que eu. Quem olharia para mim, eu, uma morena de olhos castanhos sem graça, quando há uma ruiva de olhos azuis que parece uma boneca bem ao meu lado? Convenhamos, não é?


   Nicholas franziu os lábios de leve e apoiou um dos cotovelos na grade.


- Você e Ginny são igualmente lindas. E você só diz isso porque não tem tempo para se olhar no espelho. – o loiro contrapôs. – Hermione, pare e pense. Já percebeu quantas sessões de fotos você e Ginny fizeram? Já parou para ler algum artigo de revista que elogia as duas? Acredite, todos da banda são extremamente talentosos, não há dúvida, porém não teriam subido tão rápido no estrelato se não fosse por você e por ela.


- Claro que teríamos! – ela exclamou de volta, lançando um olhar estranho ao noivo. – Nós só estamos aqui por causa da música. A música nos fez chegar onde estamos, não eu e Ginny! – e bebeu mais um gole do café. – Além do mais, é Harry quem tem a maior parcela nisso tudo pelo incrível músico e compositor que ele é.


   Uma parte maliciosa dentro dela questionou por que estava defendendo seu melhor amigo quando ele ultimamente vinha agindo tão diferente, mas ela nem ligou.


   Nick sorriu, um sorriso calmo, antes de puxar levemente o braço dela para fazê-la virar para si.


- Eu sei, meu amor. – o loiro pôs a mão no ombro dela. – Não duvido nenhum pouco disso. Porém, nosso mundo chegou a um ponto que a imagem ultrapassa o verdadeiro talento. Vocês teriam com certeza chegado até esse patamar, porém demoraria mais. Só estou dizendo isso tudo para fazer você se dar conta que você é linda. Outras pessoas, até mesmo na banda, também apreciam o quão encantadora você é e não é necessário ir muito longe para isso.


   Hermione notou algo estranho nas palavras finais do loiro, contudo resolveu não discutir mais. Sua cabeça já havia sido consideravelmente afetada para um dia apenas. O que mais queria era relaxar e foi isso que fez ao aproveitar uma de suas cidades favoritas ao lado de seu noivo.


 


 


   O dia seguinte aconteceu normalmente, ao contrário do anterior, e Hermione não teve nenhuma preocupação tão alarmante ou nova. A banda saiu do hotel de tarde e foi para a casa de shows para os preparativos. A passagem de som ocorreu com tranquilidade, tendo direito até a brincadeiras entre Draco, Lewis e Ron, o que arrancou risos dela, de Ginny, de alguns membros da equipe e até mesmo de Harry. Acabou parando de cantar no meio de uma música por começar a rir sem parar. Blaise Zabini filmava tudo, e a morena concluiu que, embora no geral o espírito da banda estivesse afetado naquela turnê, havia momentos que lhe lembrava como era bom viajar pelo mundo com os amigos.


- Viu só, Malfoy? – Ron gritou lá da bateria depois que todos pararam de tocar. – Você está distraindo a vocalista!


- Cale a boca, Weasley! – o baixista respondeu virando-se para trás. – Ela não está rindo por minha causa, está rindo porque reconhece que você, na época de escola, era mesmo um goleiro frango.


- Pelo menos não apanhei dela quando tinha treze anos, doninha voadora! – Ron, ameaçadoramente, apontou uma das baquetas para o loiro. – Aliás, Mione, – disse virando-se para a melhor amiga. – obrigado por me proporcionar um dos melhores momentos da minha vida.


   Hermione não respondeu, apenas continuava rindo junto com os outros.


- São três crianças. – Ginny murmurou, dobrando-se de rir ao lado da amiga.


- Não sabe contar não, ruiva? – Lewis interpôs lá de seu canto. – Onde está a terceira?


- Estou falando com ela agora. – a tecladista respondeu olhando para ele.


   Mais uma onda de risos veio, dessa vez incluindo Draco e Ron e excluindo o segundo guitarrista.


- Se fôssemos pagos para fazer stand-up comedy, até que não estaríamos mal. – Harry disse, aproximando-se das duas mulheres.


- E não é? – Ginny balançou a cabeça, concordando. – Temos muitos talentos raros aqui.


- Só temos. – Hermione adicionou.


- Dá para os três pararem de cochichar? – Lewis gritou, lá do outro lado do palco, ainda um pouco chateado com a provocação. – Temos que voltar à passagem de som, pois, se não sabem, temos um show dentro de algumas horas!


   Depois da interrupção, o ensaio continuou sem mais problemas.


   À noite, veio o show. Hermione sentiu-se um pouco mais animada do que nas outras apresentações. Além de estarem em seu país favorito, ela e seus companheiros tocariam para uma das platéias mais apaixonadas pela banda, e tudo ficava muito melhor quando os fãs gritavam, em plenos pulmões, as músicas, e foi exatamente o que aconteceu.


   Após o término, Hermione foi direto para seu camarim trocar de roupa. Ao sair, encontrou Anna.


- Não podemos voltar para o hotel agora e nem vamos. – ela disse séria.


- Por quê? – a cantora ergueu uma das sobrancelhas.


- Está chovendo loucamente lá fora. As ruas estão cheias, não tem nem como passar com os carros. É melhor ficarmos aqui, que é bem mais seguro.


- Como é que não estou ouvindo nada? – Hermione começou a andar junto com a assessora de volta à sala de espera.


- O local é bem isolado acusticamente, afinal, é uma casa de shows. – Anna explicou, fazendo Hermione sentir-se, durante um segundo, ligeiramente burra. – E também porque o show foi tão bom que faz qualquer um esquecer o que está acontecendo lá fora. – concluiu, lançando um sorriso de esguelha.


   Hermione também sorriu, e logo as duas encontravam-se na sala. Harry, Ron e Lewis já estavam acomodados nos sofás e poltronas, cada um com um copo na mão cheio com algum líquido.


- Souberam das novas? – Ron perguntou. Quando as mulheres responderam, ele soltou um muxoxo falsamente animado. – Maravilha. Justamente quando eu queria voltar para o hotel porque o piano bar parecia tão interessante hoje...


- Fala isso por causa daquela italiana que você conheceu hoje. – Lewis interrompeu. – Mas eu preferi a amiga dela.


- Você não ia consegui-la nem se pagasse! – Ron exclamou, bebendo o líquido, que Hermione, enquanto sentava-se ao lado dele, reconheceu como cerveja.


- Nem você! – o guitarrista retorquiu.


- Meu Deus, já estamos ficando altos? – Hermione provocou.


   Os dois se viraram para ela com olhares fulminantes, mas logo se voltaram um para o outro.


- Nem bêbado esse daí conseguiria ficar com a italiana. – Lewis murmurou.


   Hermione revirou os olhos, rindo de leve.


- É isso que acontece. Músicos solteiros viajando pelo mundo, ficando nos lugares por tão pouco tempo, apenas o suficiente para olhar mulheres. Quando finalmente conseguem falar com uma, é isso daí que vemos. – Harry disse lá de seu canto.


   Dessa vez, os olhares irritados foram em direção ao compositor. Hermione virou-se para ele também e viu um brilho divertido em seus olhos.


- Como se a sua situação estivesse diferente, Harry. – Ron disse.


- É, mas, entre nós três aqui, o último a tocar uma mulher fui eu. – o moreno disse com um sorrisinho.


- E acabou ficando solteiro. – Lewis completou. – Pelo visto, ela não queria nenhum tipo de contato dito sexual com você.


   A cantora mais uma vez revirou os olhos, sem deixar de rir, e virou-se para Anna.


- Homens.


   Os três ficaram naquela pequena discussão durante mais um tempo. Depois, quando Ginny e Draco apareceram, o silêncio caiu com uma força brutal. Quase ninguém falava e, quando abriam a boca, era parar murmurar uma coisa ou outra para uma pessoa só. Os minutos passavam arrastando-se, como se o tempo tivesse sido afetado pela tempestade também. Hermione parou de consultar o relógio de Ron, pois aquilo só lhe trazia mais apreensão.


   Ela gostava da chuva, mas não de um dilúvio como aquele. Adorava ficar na janela vendo as gotículas caindo sem parar. Por algum motivo, a cena trazia-lhe paz. O céu acinzentado ostentava uma beleza que ela não conseguia descrever, mesmo se tentasse muito. Quando alguns raios de sol cismavam em aparecer, a paisagem tornava-se mais bela e convidativa, digna de uma foto.


   Chuvas também foram agradáveis nas outras turnês com a banda. Lembrou-se de uma vez quando a atual situação acontecera na Espanha. Lewis pegou seu violão e começou a tocar “Stairway To Heaven” para afastar o tédio que reinava. Todos acabaram gostando e começaram a cantar, um coro desafinado, mas que serviu para distrair. Depois, Harry também pegou seu próprio instrumento, e os dois ficaram tocando qualquer música que alguém pedia, numa uma sesta inesperada, com a participação de todos, porém que divertira bastante, tanto que só saíram do local no meio da madrugada, horas depois de a chuva ter terminado.


   De volta ao presente, Hermione olhou ao redor, procurando algum indício que lhe informasse que o mesmo aconteceria. Nada veio. Lembrou, então, que, em sua memória, seus colegas de banda estavam juntos, conversando entre si, o que não era visto naquele momento. Cada um encontrava-se em um canto, presos em seus próprios pensamentos.


   A mesma pergunta que lhe assombrou no dia anterior voltou. Por que seus grandes amigos estavam agindo daquela forma? Por que todos pareciam conformados e ninguém fazia nada para ajudar? E então um pensamento lhe ocorreu: seria a única a perceber tudo aquilo? A única a ver que a banda estava aos poucos se separando? A única que via o espírito de camaradagem morrer?


   Uma vontade enorme de gritar veio. Queria saltar dali e gritar, jogar tudo para fora, fazer cada um ver o que ela via, o que estava acontecendo. Tampouco ligaria se estivesse agindo como louca, mas se tivesse certeza que enlouquecer traria seus amigos de volta...


   A ironia da situação apresentava-se cada vez ser mais ácida, venenosa e inescrupulosa. Enquanto a banda ganhava prêmios e era cada vez mais adorada, seus membros distanciavam-se quando o efeito deveria ser o contrário.


   Sentiu o incômodo da ironia apertar seu coração e fazer sua respiração descompassar um pouco. A raiva veio para anestesiá-lo... e também para piorar sua confusão interna, como o súbito salto de seu coração lhe mostrou.


   E o que estava acontecendo com ela? Ela, Hermione Granger, conhecida por ser calculista, por analisar minuciosamente cada passo antes de tomar qualquer decisão, conhecida por ser prudente, controlada. Por que se via a um passo de perder o controle?


   Aquela cena retratava com perfeição o que estava sendo a turnê mundial. Um sussurro maligno assoprava em seu ouvido, descrevendo a cena, dizendo o que estava acontecendo e o que poderia acontecer; um sussurro que ela nem ao menos era capaz de impedir, apenas deixá-lo acontecer, pois era um peão imponente no meio de um tabuleiro de um xadrez frio e brutal.


   Ou talvez... Talvez tudo fosse fruto de sua imaginação. Talvez o fato de ser tão racional e lógica finalmente tinha chegado ao limite e ela estivesse perdendo o controle. Talvez estivesse sonhando acordada.


   Viu? Tão indecisa... Você nem ao menos consegue decidir o que de fato pensa sobre o assunto.


   Ela tentou ver o lado bom naquela situação. Todos tinham sua primeira vez em algo, e aquela estava sendo a sua ante a indecisão. É a minha primeira vez, não é? Primeira e última.


   Ou não – se o mundo continuasse girando ao contrário.


   Apenas aguente, Hermione, apenas aguente o dia. Vai ver tudo isso é apenas efeito da chuva.


   Era a primeira vez que se sentia confusa com a chuva quando essa justamente vinha para lhe relaxar. Aquilo era um sinal de que as coisas estavam erradas – Tremendamente!


   Ou talvez simplesmente fosse um sinal de que a verdadeira tempestade ainda estava por vir.






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N/A: Cap meio parado, mas prometo que o outro vai ser muuuito melhor! Tem umas coisinhas nele q vão ser explicadas mais tarde, no decorrer da história. Pensei em nem fazer esse cap, botar a parte boa (o cap 3), mas aí ficaria corrido demais. Deu pra ver a maioria dos personagens ds JKR vão aparecer, só criei alguns pq eles serão importantes - e já to dando spoiler! hahaha Sei q a Ginny, nos livros, tem olhos castanhos, mas eu botei azuis só pra reforçar o argumento da Mione. Não sei se o cap 3 vai vir rápido, pois, agora q terminei esse, vou me concentrar na oneshot (Equilibrium) e q já já vai ser postada, garanto! Até mais ;)

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Comentários: 2

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Enviado por Jéssica J em 20/04/2013

Cara, muito bom! Você escreve bem demais.

Até agora, não vi nada errado em Nick, e acho mesmo que ele faz a Hermione feliz, mas tenho uma confiança inabalável no julgamento de Harry, e sei que eventualmente o empresário mostrará suas garrinhas.

Outra coisa que me pergunto, é o por que da banda estar tão estranha, se pelo visto, nada de errado aconteceu...

Nota: 5

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Enviado por Isis Brito em 19/06/2012

Meio parado??
Esse capítulo ficou INCRÍVEL!!
Adorei demais!! xD 

Nota: 5

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