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1. Tempestade


Fic: A Cobra e o Leão.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Primeiro Capítulo – Tempestade
1 – Guerra Fria
Assinei o último documento que havia sobre a minha mesa, entreguei para a Patrícia, minha secretária, e peguei minhas coisas para descer do prédio. Era inverno e Londres estava um caos, com as constantes tempestades.
Parei no banheiro, procurei pela varinha. Não estava na pasta.
- Onde é que está essa porcaria? 
Ouvi a porta se abrir, e pelo espelho, vi Blásio entrando.
- E aí, cara? Tudo bem? - Claro, Blásio, claro! Pensei, mas disse só um:
- Ahan. - ficou um silêncio entre nós. Mesmo preferindo isso a uma conversa com Blásio, optei por quebrá-lo. - e você?
- Também. - E entrou num dos boxes, fez o que tinha a fazer e saiu, lavou as mãos e aparatou.
Fiquei procurando a varinha pelo menos mais uns 10 minutos. Resolvi voltar à minha sala, e procurar lá.
Entrei e logo a vi em cima de minha mesa.
- Eu ainda perco a minha cabeça! Sem brincadeira. 
- Sim, senhor Malfoy?
- Nada, Patrícia! O que ainda faz aqui?
- Esqueci minhas chaves. - Ela fechou o zíper do casaco e calçou as luvas. - Então, até o fim do recesso, Senhor Malfoy!
- Até Patrícia, até.
Aparatei até em casa.
Ao chegar, Astoria estava sentada no sofá, lendo uma de suas revistas. 
Wiltshire estava linda, como sempre. Tudo o que se via pela janela eram os vastos campos brancos de neve. 
- Essa casa fica vazia sem Escórpio. - ela disse.
- Bem, eu estou aqui.
- Mas você não é Escórpio. É só uma versão mais alta dele.
- Ou ele é uma versão minimizada minha.
- Prefiro não acreditar nisso.
- Ast vamos jantar fora hoje?
Minha esposa vinha me irritando constantemente havia uns dois anos. Não somos apaixonados, nem nunca fomos. Ela casou-se comigo porque o pai, velho amigo de minha família, achou que seria um bom casamento, e eu, bem, eu a havia engravidado. 
- Se você acha que isso acabará em sexo, Draco, desista.
Desde que eu cheguei, ela ainda não levantara a cabeça, continuava lendo sua revista, enquanto eu estava parado, ainda com a pasta na mão, olhando fixamente para ela.
- Você acha que todos os meus atos são pra transar com você. Acredite, nem é tão bom assim.
Foi nessa hora que ela, finalmente, levantou os olhos na minha direção.
- Ah Draco, acha que pode me atingir com essas palavras ridículas, essas expressões faciais mentirosas? Acredite você, se quiser: não sei como foi que me casei com você!
- Eu sei, Astoria, eu sei como foi: seu pai, falido, depois do falecimento de sua mãe, com mil dívidas de jogo e pra não te deixar pobre, procurou um rico para te bancar. Foi assim que você se casou comigo. - eu respondi, com a mesma rispidez que ela havia usado anteriormente.
Ela se levantou, jogou a revista na minha cara. Deixei a pasta cair no chão, e então, teve início a discussão de verdade.
- Não levante a voz pra falar de meu pai! Ele foi um grande homem, e você sabe! Perdeu tudo, porque o SEU pai nos passou a perna, Malfoy! 
Dei uma gargalhada. Ambos sabíamos que isso não era verdade.
- Oh, Astoria, tadinho do seu pai! Tudo o que Lúcio fez foi cobrar o que seu pai devia!
Ela desabou em choro, sentou-se na poltrona novamente e desatou a chorar. Peguei minha pasta subi. Entrei direto para o banheiro.
Acendi as luzes, tirei o paletó. Desabotoei a blusa e fiquei me olhando no espelho.  Lindo. Eu ainda era lindo, podia ter a mulher que eu quisesse. E tenho, na verdade. Facilmente fico com qualquer mulher que quiser, e quando quiser, mas essa noite, ah, essa noite! Essa noite eu queria Astoria.
Desabotoei e tirei a calça, e com ela, as meias. Ajeitei o pênis na cueca, e me virei, me olhei no espelho por inteiro. Constatei: eu era lindo, de todos os ângulos. Abaixei a cueca e entrei no Box.
Liguei a ducha e logo o jato constante de água quente percorreu meu corpo. Peguei um sabonete e comecei a me ensaboar. Rosto, ombros, peito, barriga... Ao chegar no meu membro sexual, lembrei-me de quando era jovem e me masturbava. Pensei “porque não?”. Passei a mão por ele, e comecei os movimentos característicos da masturbação. Sim, eu me masturbei, com 37 anos, eu, Draco Malfoy, me masturbei.
Terminei, e saí do Box. Sequei-me e enrolado na toalha foi para o quarto. Astoria estava deitada na cama, abraçada a um travesseiro. Deixei a toalha cair e fui procurar roupas.
- Me desculpe. – ela disse.
- Tudo bem.
- Não, não tá tudo bem. – E ela se virou, parou o que falava enquanto me olhava nu.
- Continue, estou ouvindo, eu disse, entrando no closet.
Ela me seguiu.
- Draco Malfoy... Você continua sendo o mesmo que eu me casei, anos atrás. Nem parece que você tem 37! – e me abraçou, tocando meu membro sexual, meu bumbum, minha barriga. Deu-me um beijo, e eu me lembrei da Astoria que conheci 13 anos antes. Tirei as roupas dela, a toquei, a beijei no corpo todo, e nós transamos e dormimos abraçados, ali mesmo no closet.
De manhã, tomamos café juntos e era como nossa discussão de ontem não tivesse acontecido, e nós tivéssemos no período de recém-casados de novo.
- Vamos à estação buscar Escórpio? – Ela disse, realmente, já eram 10h30, e às 11h o trem chegava.
- Deixe-me só trocar de roupa.
- Vestir uma roupa, ainda está nu. – e realmente, estava.
Subi e fui até o closet. Escolhi uma camisa preta e um terno cinza de risca de giz. Quando desci, ela já estava pronta, dando apenas uns retoques com a varinha na casa. Pegamos casacos e aparatamos na Estação de King’s Cross.
Ao atravessar a barreira, demos de cara com os Potter e os Weasley. Acenei com a cabeça, nossa rivalidade havia acabado, era só uma picuinha de escola, éramos adultos, agora, mas ainda assim, não éramos os melhores amigos do mundo. Todos os quatro sorriram e acenaram para mim.
- O trem está vindo! – ouvi Astoria dizer. E estava mesmo.
Depois que encontramos Escórpio – estranhamente, se despedindo das crianças Potter – e depois de todo aquele reencontro, dos beijos, abraços e “estava com tanta saudade, meu filho”, saímos pela barreira e eu liguei para o meu chofer, íamos de carro, Escórpio só usa magia na escola e em casa, na rua não.
No estacionamento, enquanto eu procurava o Richard, meu chofer, esbarrei em Potter, o mais velho deles, Harry.
- Oh! Ah, me desculpe, Potter.
- Você pode me chamar de Harry, Draco. Somos velhos amigos! – E sorriu. Harry tinha um sorriso bonito, e olhos expressivos.
- Tudo bem, Harry. Mas você ainda não me desculpou! – e sorri também.
- Ah, claro! Claro, está desculpado.
- Harry, vamos! – era o Weasley. – Ah, oi Draco!
- Weasley.
- Então, tchau. – ele disse, estendendo a mão.
- Tchau. – eu disse, apertando a mão que ele estendera.
Não entendi o que havia acontecido, e no carro, enquanto Astoria e Escórpio conversavam sobre tudo o que havia acontecido nos últimos quatro meses, eu só pensei nisso. Harry Potter, meu antigo inimigo da escola, agora sendo tão amigável comigo. É no mínimo estranho.
- ...não é, Draco?
- Ãn? É, é sim! – não sabia nem o que eu havia confirmado, mas era melhor concordar do que pedir pra que ela repetisse o que seria constrangedor.
O resto do dia transcorreu bem, passamos o sábado juntos, os três, e eu fiquei feliz por ter meu filho de novo em casa, fazendo barulho. E também por estar as pazes com minha esposa.
Ao anoitecer, estávamos na sala de estar, rodeando a lareira. Eu e Escórpio no chão, brincando de lutar e Astoria lendo uma daquelas revistas dela.
Jantamos e depois do jantar, Escórpio foi para a biblioteca ler enquanto Astoria e eu ficamos na sala de estar, conversando.
Escórpio me cansou! Que moleque forte. Eu tinha muito orgulho dele. Fui até a biblioteca encontra-lo. Quando entrei ele estava à escrivaninha, com um pergaminho e uma pena.
- Filho? Escórpio está escrevendo pra quem?
- Para a Rose.
- Quem é Rose?
- Minha namorada.
- Você está namorando?!
- Não se lembra, era o que falávamos no carro. E é o que estou contando a ela, convidando sua família para jantar conosco depois do natal. Você concordou não se lembra? – Então era isso? Não acredito que concordei com isso. Os Weasley (ainda não havia superado o soco que Hermione me dera no terceiro ano) iam entrar na minha casa, comer da minha comida, e o pior: uma delas está num envolvimento romântico com Escórpio! E ainda: poderíamos ter, então, uma ruiva usando o sobrenome “Malfoy”!
- Ah claro, me lembro – a mentira sempre me salvou – convide também os Potter, para vir.
Escórpio fez uma expressão de quem não entendia, mas respeitou minha decisão de pôs isso na carta.
Passaram-se então os dias, e Astoria me perguntava sempre o que eu preferia para o jantar com os Weasley e o Potter. Eu sempre respondia: “Muita comida, já viu quantos eles são? Potter e Weasley devem ser coelhos!”. Riamos Astoria e eu, mas logo ela me repreendia com o olhar por causa de Escórpio, afinal, uma das crias de Weasley era sua namorada.
Eu não sabia muito sobre eles. Sabia que Potter era um Auror, Weasley trabalhava no ministério, com o que eu não sabia. Hermione era a chefe do Departamento  de Execução das Leis em Magia (e ativista dos direitos do Elfos, e por causa dela, perdi meus servos todos) e Gina era repórter do Profeta. E só, sabíamos uns dos outros por conta dos jornais, e também as notícias correm, afinal, moramos no mesmo estado, e nossos filhos estudam na mesmo escola, então fica meio difícil não se encontrar.
Passou- se o Natal. Comemoramos os três juntos, e dispensamos os empregados dois dias antes, para que eles pudessem comemorar com suas famílias.
Chegou então o esperado dia, do jantar com os meus velhos inimigos, e agora, forçadamente, novos amigos. Ficamos todos preocupados com os detalhes (e por todos, digo Astoria e Escórpio).
O jantar fora marcado para as 19h, e pontualmente, ouvi dois carros chegando, e o portão rangendo, metalicamente, para a identificação. E logo depois, os estalidos dele se abrindo.
Fomos até a porta, e sorrimos os três, como a família feliz que éramos. Saíram do primeiro carro os Potter, e seus três filhos (Tiago, Alvo e Lílian). Do segundo, os Weasley, Rony não escondia sua indignação por ter de estar ali, Hermione sorria, apreensiva (é, essa casa não lhe trazia boas lembranças), Hugo estava encantado com a casa, e por dentro, me vangloriei. Mas Rose estava radiante! Sorria, acenava, e quando se encontraram, ela e Escórpio beijaram-se.
- Vamos entrar, pessoal? – disse Astoria, e entramos todos, fomos os homens para a sala de estar, beber um uísque-de-fogo, e as mulheres foram para a cozinha. Ouvíamos da sala, as risadas de nossas esposas.
Servi o uísque aos meus convidados, e Potter começou um assunto.
- É estranho entrar aqui como convidado.
- Também acho – disse Weasley – da última vez, éramos prisioneiros.
Eu e Potter rimos, mas Weasley não.
- Vamos nos sentar – eu convidei.
No sentamos e conversamos sobre nosso passado em Hogwarts, e aos poucos, Weasley foi se soltando, e depois de quarenta minutos, era como se tivéssemos sido grandes amigos na escola.
- O Jantar está servido! – Ouvi minha esposa chamar.
Levantamos os três, e fomos para a sala de jantar. Os nossos filhos já estavam lá e nossas mulheres estavam se sentando. O jantar transcorreu bem, Rony (sim, pegamos mais intimidade) contou várias histórias de nossos passados (nossa detenção juntos, o soco que Hermione me deu, e muitas outras histórias). Todos rimos e nos divertimos muito na 1h30 que durou o jantar. Depois fomos todos para a sala de estar conversar mais. E às 22h, eles se despediram.
Escórpio subiu para o seu quarto para dormir. E logo depois eu e Astoria fomos também.
- São boas pessoas, essa duas famílias. – ela disse, tirando os sapatos e amarrando os cabelos num coque. – Abre aqui pra mim, amor.
Eu abri o vestido dela, e vi a lingerie preta que ela usava. Na hora fiquei excitado. Ela notou, e sorriu. Ela passou a mão pelo volume na minha calça e a desabotoou. Transamos, e foi uma das melhores transas que tivemos.
No dia seguinte eu precisei ir a Londres assinar um documento na empresa, mas só fui depois do almoço. Na saída da empresa, resolvi ir tomar uma cerveja.
Entrei n’O Caldeirão Furado, e enquanto eu passava, todos olhavam pra mim. Sentei num banco do balcão e pedi ao atendente:
- Uma cerveja amanteigada, por favor.
- Duas! – disse uma voz conhecida, perto de mim.
Era Potter, sentou-se ao meu lado e estendeu a mão para que eu apertasse.
- Ué, onde está Rony? – perguntei, depois de nos cumprimentarmos.
- Está resolvendo um problema na Hungria, para o ministério. Como Chefe do Departamento dos Esportes Mágicos, ele precisa organizar a Copa do Ano que vem, junto com os outros países. – Ah! Então era isso que Rony fazia!
- Ah sim, podemos pegar uma mesa? Esse banco é ruim, e ficar no balcão é tão estranho. – Ele aceitou e fomos pra uma mesa perto da janela. Conversamos por um tempo, e quando vi, estávamos na sexta cerveja, cada um.
- Infelizmente, preciso ir, Harry. Preciso chegar antes do jantar, ou Astoria me mata!
- Nossa Draco, você, antigo destemido com medo de sua esposa?! – rimos um pouco, e pagamos o bar.
Saímos juntos do bar, e distraidamente, conversando enquanto andávamos pelas ruas de Londres, na direção da entrada do Ministério. Harry parou numa banca de jornal e eu continuei, vagarosamente, o meu passo. Parei sob o um telhado de uma loja de presentes. De repente, com um estalo, o telhado de partiu e eu só senti uma massa de neve caindo sobre mim. Só me lembro de neve, alva, fofa e pesada neve.
2 – Alva neve, cabelos negros.
Acordei numa cama do St. Mungus, com Harry me olhando fixamente, e os cabelos extremamente negros dele me chamaram a atenção.
- Que bom que acordou!
- O que houve? - Eu perguntei, tentando sentar, mas minha cabeça doeu, e resolvi ficar ali deitado mesmo.
- Um telhado cheio de neve ficou pesado demais e se partiu, em cima de você. Demorou um pouco porque eu não podia usar magia na rua. Mas consegui te tirar de lá com a ajuda de alguns trouxas. Mas consegui chamar a ambulância do St. Mungus. Deixe-me ir chamar a curandeira. Ela vai te explicar o que aconteceu.
Era estranho, mas cada vez mais eu sentia uma afeição por Harry. Ele fora meu inimigo durante pelo menos oito anos, e agora, estava sendo ali, um amigo. E parei para pensar: eu não tinha amigos, eu tinha o Blásio, mas o Blásio não conta, ele apenas falava comigo agora, desde que o empreguei na minha empresa, ele, acho, se sente inferior, por ser meu empregado. Acho que isso não devia acontecer, mas ainda assim, aconteceu.
Harry voltou e vê-lo me trouxe certa alegria. Trouxe a curandeira, e com ela Astoria.
- Como você está amor?
- Bem, mas melhor agora!
- Então, Draco, você só sofreu uns arranhões, só desmaiou por que alguma coisa bateu na sua cabeça. Sua sorte foi Harry ter te ajudado. – disse a curandeira.
- Obrigado, Harry. – eu disse, e ele sorriu.
- Agora vamos vocês dois, o deixemos descansar.
Eles saíram, e ainda antes de adormecer, ainda estava pensando em tudo o que aconteceu.
Tive um sonho tão entranho, era tudo muito branco, havia neve também. Um homem de pele branca, sem camisa, estava sentado num banco. Seus cabelos eram incrivelmente negros. Era Harry, mesmo antes de eu chegar até ele, eu sabia.
Acordei com Marie (a curandeira) me dando alta, pude então voltar para casa. Astoria e Escórpio vieram me buscar, e almoçamos juntos em Londres.
- Draco? – me chamou Astoria.
- Sim?
- Você está um pouco distante.
E eu estava mesmo, pensando em como o ódio que eu sempre tive por Harry Potter estava se tornando em amizade.
Mas minha inimizade com ele amenizou-se um pouco depois que ele conseguiu que mamãe fosse absolvida, depois que ela disse nomes importantes para o ministério, e que Lúcio não fosse direto para a execução.
Mas nunca, nunca mesmo, na minha vida inteira desde os 11 anos de idade, eu imaginei ser amigo de Harry Potter. Fomos praticamente obrigados pela sobrinha dele e pelo meu filho. Mas eu realmente estou confuso. Harry salvou minha vida, e não era a primeira vez que isso acontecia, e me sentia tão grato pro ele, mas ao mesmo tempo, sentia algo diferente. Mas não, não podia ser. Eu sou casado, tenho um filho, estou feliz com minha família. Afinal foi Astoria que me deu apoio anos atrás, quando mamãe se suicidou, foi Astoria quem me ajudou com o processo de Lúcio, e é Astoria minha única família, e por meio dela, veio o meu bem mais precioso: Escórpio.
- Papai, podemos dormir na casa da árvore hoje?
- Meu anjo, está muito frio lá, você e eu podemos ficar doentes. Mas, se você quiser, podemos fazer uma festa do pijama na sala hoje. No próximo dia Escórpio voltava para Hogwarts, e eu realmente queria fazer deste último dia conosco bem especial.
Voltamos pra casa – aparatando, eu levando Escórpio – E passamos o fim de tarde jogando xadrez de bruxo e snap explosivo. Depois do jantar ouvimos um pouco da rádio bruxa e começamos a arrumar a sala para dormir.
Às 8h da manhã seguinte, acordei e chamei por Astoria, ela estava no banheiro de baixo. Subi para o banheiro da nossa suíte e comecei minha higiene pessoal, quando ela entrou e supetão no cômodo, nua.
- Vem, Draco, vem. – e começou a me agarrar e tirar o meu pijama.
No beijamos ardentemente, e transamos ali mesmo, no banheiro. Depois tomamos banho juntos, e descemos. Escórpio já estava à mesa do café.
- Finalmente! Posso saber o motivo da demora?
Nós dois rimos, nos entregando.
- Ah sim, entendi. – ele disse, por fim.
Ao chegar na estação encontramos as famílias Potter e Weasley, conversamos, e até marcamos um programa só pros adultos, mas a minha proximidade com Harry era realmente mais forte.
- Você vai fazer o que hoje à noite, Draco? – perguntou Harry.
- Certamente, nada.
- Hoje vamos ter uma noite dos meninos num bar lá em Godric’s Hollow, sinta-se mais que convidado!
- Ah sim, claro. Essa eu não posso perder.
Já estava imaginando tudo. Estariam todos lá: Finnigan, Thomas, Longbottom, só os antigos amigos dos dois. E eu me sentirei totalmente deslocado.
As crianças pegaram o trem, enquanto eu e Rony discutíamos sobre a copa de quadribol no próximo ano, que aconteceria na Hungria. Depois ambos nos separamos, e aparatamos.
- Essas mulheres, Weasley e Potter, são ótimas! Marcamos uma noite das garotas hoje na casa de Gina. – disse Astoria, assim que chegamos.
- Pois é, marcamos uma noite dos garotos também. Em Godric’s Hollow, vamos juntos então. – eu disse, sem muita animação.
Passei o dia em casa. Esse era o grande benefício de ser o dono e presidente da maior empresa produtora de vassouras do Reino Unido, eu trabalhava quando eu queria, e continuava sendo rico.
Chegou a noite. Eu e Astoria estávamos prontos para aparatar.
Chegamos numa rua de pedras, com uma igreja e um cemitério. Várias casas, um barzinho à esquerda... Coisa bem simples, só essa rua era do tamanho de nosso primeiro andar.
- A casa dos Potter é em frente à casa onde os pais de Harry morreram – disse Astoria.
E era, realmente. Depois de andar um pouco encontramos as ruínas do que fora a casa dos Potter. Havia uma placa de madeira com um escrito, e muitas mensagens para Harry.
A casa atual da família Potter era um chalé de três andares, com um jardim simpático e uma cerquinha de madeira branca.
Abri o portãozinho e entramos no jardim. Bati na porta, e uma alegre Gina Weasley... Desculpe Gina Potter, abriu a porta para nós. Eu ia entrando quando ela pôs a mão no meu peito e disse:
- Não! Os homens estão na casa ao lado, do meu irmão. Agora, deixe que Astoria entre.
Não acredito que aquela fedelhazinha tinha me barrado a entrada! Como posso crer que uma... OK, às vezes o antigo Draco retorna. Enfim, me dirigi para a casa ao lado (a cerca entre as duas casas tinha um portão de madeira, igual ao da frente).
Passei pelo portão e bati na porta. Um sorridente Rony Weasley abriu a porta.
- Pensei que nunca mais chegaria!
Ele abriu o caminho para mim e eu entrei. Harry e Dino Thomas estavam sentados num sofá conversando. Thomas me olhou e eu senti que estavam falando de mim.
- Harry, Thomas. – eu os cumprimentei e apertei-lhes a mão.
- Draco! – disse Harry ao apertar a minha mão.
- Oi – Dino disse com uma nota de apreensão.
Sentei-me e conversamos um tempo. A campainha tocou e Rony foi até a porta. Chamou-nos da porta e então nos levantamos.
O caminho para o bar foi um pouco constrangedor, Simas sussurrava algo para Dino, e Harry tentava de tudo para me deixar confortável.
O bar era, no mínimo, estranho. Era trouxa, tudo lá cheirava a suor e cerveja. Suor, no inverno! Fomos pro balcão e Harry disse algo para o atendente.
- Venham comigo. – e o seguimos. Saímos do bar por uma porta e havia um frigorífico, o atendente tirou uma varinha do bolso e com um floreio, surgiu um alçapão.
- O bar de verdade, Draco. Venha! – disse Harry com um sorriso no rosto.
Descemos por uma escada e passamos por um corredor fracamente iluminado. Entramos num bar totalmente diferente, com atendentes atraentes, magia e o principal: CERVEJA AMANTEIGADA!
Todos bebemos muito, bebemos cerveja, uísque-de-fogo, e mais uma porção de shots de bebidas trouxas.
Simas – o único solteiro do grupo – estava dançando e flertando com algumas bruxas. Rony e Dino estavam num frenético jogo de virar descansos de copos. E eu e Harry estávamos em pé, observando tudo.
- Sabe, Draco, meus amigos são os mesmos, desde o tempo do colégio. Nunca fiz nenhum outro laço forte com nenhum outro cara como o que eu tenho com eles. E como o qual estou formando com você agora.
Ele me pegou de surpresa. Então ele considerava que eu era um amigo tão querido quanto os que ele conhecia desde a infância? Não sabia o que sentir, o que responder. Harry Potter, o meu inimigo pessoal mais antigo, agora era o meu melhor amigo.
- Vamos sair daqui. – Ele disse.
- Mas, e os caras?
- Só um minuto... Ron, Ron! Eu e Draco vamos mijar, já voltamos!
- Tá bom cara! – Rony respondeu.
E saímos. Passamos por uma outra porta, que dava para detrás do cemitério.
- Espera! Se podíamos ter entrado por aqui, por que passamos pelo outro bar? – eu perguntei.
- Bem... queríamos te impressionar. – ele confessou, enquanto procurava no bolso do casaco por alguma coisa.
Eu ri. Nós só envelhecemos, continuamos os mesmo adolescentes que queriam um impressionar o outro com o que tinha.
Harry achou o que procurava. Era um cigarro, ele o acendeu.
- Quer um? – ele me ofereceu.
- Não, obrigado. Eu não fumo.
- Nem eu! Sabe, não fumo perto de ninguém. Rony não aprova, e Gina acha um péssimo hábito. Hermione por ser trouxa sabe todos os malefícios do cigarro. Mas perto de você eu me sinto estranhamente à vontade para fazer qualquer coisa. Até mesmo fumar, que é um hábito secreto.
Me espantei com o segredo que agora compartilhávamos.
- Sabe Harry, já que compartilhou algo tão importante comigo, vou te contar algo igualmente importante pra mim.
Ele deu uma outra tragada no cigarro e ficou me olhando como se dissesse “continue”.
- O meu casamento. Não está tão bom. Quer dizer, nos transamos, e transamos muito até. Mas falta algo. Falta compreensão, conversa. Falta o que mais importa num casamento: amor.
- Nossa, Draco. Que gay.
Gay. Essa palavra mexeu comigo. Nunca pensei nisso, quer dizer, claro que eu sabia que gays estavam por toda a parte (em Londres, então, nem se fala), mas sei lá, eu ainda estava um pouco desconfortável com a explosão gay. E ter esse, por assim dizer, adjetivo, associado a mim, me soou esquisito.
Harry riu. E era uma risada gostosa, daquelas que você quer rir junto. Eu o acompanhei, e pedi um cigarro. Experimentei, e não gostei, mas continuei pelo momento.
- Eu acho que você tinha que tomar a iniciativa.
- Eu não sei.eu e Ast nos casamos obrigados. Quer dizer, ela era minha namoradinha, mas eu a comia e comia mais umas seis outras mulheres no mês. Mas calhou de ela engravidar, e eu tive que assumir o filho. E o pai dela devia horrores ao Lúcio, e então arranjamos um casamento para que ela não perdesse a vida de luxo com a qual estava acostumada. No fim, somos amigos, mas nosso envolvimento é pura e totalmente sexual, nós transamos, mas eu não sinto desejo. Não sinto amor.
- Me responda com toda a sinceridade: como você a beija?
- Não sei. Nós só nos beijamos.
- Você se incomodaria em demonstrar?
- Como?
- Demonstrar. Me beije Malfoy, quero identificar e corrigir o que você está fazendo de errado.
Eu fiquei perplexo. Harry Potter estava ai, me pedindo para beijá-lo. Eu não sei explicar o que senti, mas sinceramente, eu gostei. Não sei se era o calor da bebida, ou se o cigarro estava um pouco adulterado, mas eu o beijei. E foi o melhor beijo de minha vida. E então, ali, naquele borrão de neve alva e cabelos negros que eu descobri: eu era gay. E amava Harry Potter.

                                   3 – Dezoito horas.
Era segunda-feira. Eu tinha acabado de levantar e olhei Astoria na cama. Era adorável. Passaram-se três semanas desde que beijei Harry, e nestas últimas três semanas eu e Astoria transamos como nunca. Mas eu não tirava Potter da cabeça. Ela se mexeu e acordou. Percebeu que eu a olhava.
- Bom dia, querido. – e ela olhava meu corpo nu observando-a. – Quer namorar antes do trabalho?
- Não Ast, tenho que correr. Hoje eu tenho que vistoriar a produção das vassouras pela manhã e tenho uma reunião de fornecedores esta tarde. Só queria lhe dizer bom dia mesmo.
Beijei-a e com um floreio da varinha, estava vestido e pronto para sair. Fui de carro e parei num McDonnalds para tomar café da manhã.
Saí do elevador no meu andar, e Patrícia estava lá, como sempre.
- Bom dia Sr. Malfoy!
- Bom dia, Patrícia. – Tirei os óculos escuros e a ouvi suspirar quando passei.
Fui fazer minha inspeção na linha de produção e fui almoçar. Quando voltei do almoço, havia um recado na minha mesa.
“Ligar para o Sr. Harry Potter. NMCR”
Liguei para ele.
- Potter?! Que porra é NMCR?
- Ah – e riu – É Noite dos Meninos na Casa do Rony. Mione vai viajar a trabalho e a casa vai estar vazia, então vamos fazer uma festinha, queremos que você vá.
- Quando será?
- No sábado. Assim até Neville vem de Hogwarts.
- Ah tá. Vou sim, com certeza.
- Eu... ãhn, gostaria de falar com você... É importante.
- Fale.
- Não pode ser pelo telefone. No sábado nos conversamos.
- Tudo bem.
Desligamos. E eu fiquei com a cabeça fervendo de curiosidade.
Fui pra minha reunião, durou pelo menos 3h, e já eram 16h35 quando saí da sala de reuniões. Entrei na minha sala e havia outro recado na minha mesa.
“Senhor Ronald Weasley aguarda retorno”
- Puta que pariu... – lembrei-me do pedido de vassouras para a Copa. Eu e Rony tínhamos conversado sobre isso na noite do bar. Peguei o telefone.
- Patrícia chame o Sr. Zabini, por favor.
Cinco minutos depois, Blásio estava na minha sala.
- Blásio, preciso de catorze vassouras Malfoy X. Para a semana que vem.
- Impossível! A Malfoy X ainda está em processo de aperfeiçoamento.
- Adiante! São para o time de Quadribol da Inglaterra na Copa Mundial!
Despachei-o e comecei a arrumar minhas coisas para ir embora. Mas hoje eu ia passar no Beco Diagonal. A Malfoy Vassouras tem uma loja de produtos esportivos lá. Aparatei no Beco e já fui direto para a loja.
O gerente, Louis Redley, me recebeu, e fomos para a administração para eu poder dar uma olhada nos livros caixa.
Olhei o relógio e já eram 17h50, me despedi e fui dar uma passada na loja dos gêmeos Weasley (um deles morreu na guerra, mas não me recordo qual), para comprar um presente para Escórpio.
17h54; olhei pelas vitrines. Escolhi um kit de fogos de artifício e fui falar com um dos atendentes. Eram 17h58 quando saí da loja com o pacote nas mãos. 17h59 quando abaixei para limpar o sapato, limpei-o e...
- Oi Draco, bela vista daqui!
18h, era Potter.
Minha respiração ofegou e acho que não passou despercebida. Meu batimento cardíaco acelerou.
Ele estendeu a mão pra eu apertar. Apertei.
- Que loja inusitada para você estar saindo!
- Pois é! Escórpio adora esses logros.
Fomos andando juntos em direção ao Caldeirão Furado.
Ele respirou mais fundo, e os pelos do meu braço arrepiaram-se.
- O que há, Draco?
- Nada, Harry. Acho que a mudança de clima, já está esquentando, você não sentiu? – Eu tentava controlar minha respiração.
Ele riu. Uma risada gostosa, como de quem lembra de uma piada.
- O que foi?
- Você parece uma criança assustada. Parece que foi pego fazendo algo errado.
- Não estou fazendo nada errado – estou pensando em algo errado. – Então, o que você queria me falar?
- Eu, bem...
Parece que eu tinha invertido o jogo! Agora era a vez dele de ficar nervoso, e encurralado. Eu sorri, como um predador que já sabe que a presa está nas mãos.
- Eu estava pensando, sabe, em te convidar para viajar comigo.
O jogo virou, de novo. Minhas mãos suaram.
- Viajar? Pra onde? Quando? Por quê?
- Acalme-se, loira. – ele brincou, eu ri, nervoso. – Vou para o Brasil, ministrar num curso para a Polícia Bruxa de lá. E não posso tirar ninguém do departamento agora, mas preciso de um acompanhante.
- Posso lhe dar essa resposta depois?
- Não. Preciso dela agora. Já estamos na metade de janeiro, e tenho de estar lá no primeiro dia de fevereiro, pois no hemisfério Sul, o ano letivo começa em fevereiro.
- Ah. – minha cabeça fervia, minha respiração ofegava, o suor descia em minhas mãos, apesar do frio. Não aguentei, e disse que – Sim, Harry, vou com você.
- Brilhante!
Lembro-me de odiar a expressão “brilhante!” que ele e seus amiguinhos usavam excessivamente no colégio, mas agora que eu tinha outra ótica sobre ele, isso me pareceu tão atraente.
- Quando partimos?
- Dia vinte e nove de janeiro.
- Ok! Deixe-me ir, Harry, Astoria me espera para o jantar.
- Tudo bem! Até a próxima!
- Até sábado, nos vemos no Rony!
Aparatei.
Ao chegar em casa, notei que Astoria não estava em seu lugar normal, na poltrona lendo.
- Ast?! – gritei, para que se ela estivesse no segundo andar, me ouvisse. Não tive resposta.
Subi as escadas, encontrei-a na cama, em nosso quarto, dormindo feito um anjo. Havia um livro em suas mãos, peguei-o, marquei a página com um pedaço de pergaminho qualquer. Me despi e deitei ao seu lado de cueca mesmo. Abracei-a e dormi. Dormimos abraçados, e como era a boa a sensação de tê-la em meus braços.
Passei a noite toda sonhando com Harry, e no sonho nós estávamos de novo atrás do bar em Godric’s Hollow, e ele me beijava, mas dessa vez era mais ardente. E acabávamos transando ali mesmo. E, no sonho, ele era ótimo no sexo.
Acordei sozinho na cama, e notei um bilhete na minha mesa de cabeceira. Era de Astoria.

Fui fazer compras no shopping trouxa, depois vou ao Beco Diagonal. Depois vou visitar minha irmã. Devo chegar tarde, com amor, muito amor,
Astoria.

Levantei-me e fui tomar um banho. A água corrente caiu sobre minhas costas, e perdido em meus pensamentos, me peguei pensando em Harry, no sonho que tive com ele, seus beijos, seu toque, seu sexo me penetrando, e fiquei excitado. Achei estranho, pois nunca havia transado com nenhum homem e só a menor menção mental há isso com ele me excitava. Masturbei-me demoradamente, e então saí do banho, me vesti e fui para Londres.
O dia estava calmo na fábrica. Blásio estava a minha espera no escritório quando cheguei.
- Sr. Malfoy, o Sr. Zabini o espera na sala de reuniões.
- Obrigado, Patrícia. Pode sair.
Levantei-me e fui ao encontro dele.
- Draco, é com imensa alegria que lhe entrego hoje as catorze primeiras Malfoy X, numeradas em série exclusivamente para os jogadores da Grã-Bretanha na próxima Copa Mundial de Quadribol.        
Olhei-o, sorri e peguei a 00001.
- Mande fazer mais uma! Essa é de Escórpio.
Depois de todos os elogios que fiz ao projeto e execução de Blásio, de lhe oferecer uma promoção e de pedir a Patrícia que resolvesse as questões burocráticas que envolviam isso, embrulhei a vassoura, enderecei, e escrevi uma carta para meu filho. Despachei as corujas que levariam o pacote a Hogwarts e peguei o telefone.
Disquei o número da casa dos Potter. 
- Se você ligou para um dos Potter, por favor, deixe seu recado, não estamos em casa no momento, mas assim que ouvirmos, responderemos. – disse a voz de Gina.
- Ah, olá Gina... Peça a Harry que me ligue assim que puder. Tenho noticias maravilhosas para ele e para Rony! 
Desliguei e fui almoçar. Decidi por almoçar num restaurante trouxa que havia perto da empresa. Durante o almoço, pensei bastante. Pensei sobre minha vida. Não só o que ela era agora, mas tudo o que realmente tem algum valor pra mim: meu filho, meu trabalho, minha atual amizade com os Potter e os Weasley... mas existe ainda meu casamento. Por mais que eu e Astoria tivéssemos dado uma esfriada e estivéssemos apenas nos tratando bem para não nos separar, eu ainda a amava, aprendi a amá-la. Agora, depois que criamos laços de amizade com outros casais, ficamos tão contagiados pela relação de nossos novos amigos, que nos tornamos felizes por tabela, nos reaproximamos e nos apaixonamos novamente um pelo outro, pelo menos, na minha cabeça. Mas eu sabia, que dentro de mim, outra coisa gritava, tentava fugir. Era um monstro enjaulado que urrava, balançava as grades de sua cela imaginária. Eu sabia, só não admitia: Eu estava apaixonado por Harry Potter.
Voltei para a empresa, assinei uns documentos sobre exportação de vassouras, li uns memorandos, assinei-os e quando dei por mim, Patrícia entrou na minha sala.
- Sr. Malfoy?
- Sim Patrícia – levantei o olhar do memorando que lia e olhei-a.
- Já está tarde, estou liberada?
Olhei o relógio, e realmente.
- Sim Patrícia, já são 18h, pode ir.
Ela fechou a porta e eu sorri: dezoito horas.
4 – Vodca, Uísque, Ressaca Moral.
A semana passou rápido, quando notei, já era manhã de sábado e Astoria estava arrumando doces para mandar para Escórpio. Como ele ainda era segundanista, não podia visitar Hogsmeade, então enviávamos doces para ele.
- O que tem a fazer hoje, Ast?
- Vou à Paris com Gina Potter. Parece que vocês querem uma noite dos pênis, e nós vamos fazer compras na França. E talvez voltar com uns pênis franceses. – E riu.
- Saiba que eles têm fama de não tomar banho muito bem, a pélvis não deve ser muito limpa também. – Ambos rimos – Quem conseguiu a chave de portal?
- Hermione. Ela já está lá numa conferencia com o Parlamento Bruxo deles, e nós vamos encontra-la para fazer compras e jantar hoje.
- Ah sim. Traga um presente pra mim.
Com um aceno da varinha, ela convocou um vestido do closet. Despiu-se ali mesmo na cozinha e colocou-o.
- Acha que está bom?
- Sim.
Ela convocou outro vestido. Vestiu-o.
- Está muito curto.
- Então é esse mesmo.
Ela sorriu e me abraçou.
- Promete que não vai ficar acostumado com os pênis e que vai sentir minha falta?
- Claro que vou sentir sua falta. – beijei-a.
- Não é estranho? – disse ela repousando a cabeça em meu peito.
- O que?
- Quando começou nossa amizade com os casais que eram os seus inimigos no colégio, nossa relação melhorou. Eu diria que nos reaproximamos e nos apaixonamos novamente um pelo outro.
Minha respiração ofegou. O Monstro em meu peito urrava contra as grades.
Uma coruja entrou pela janela e deixou cair uma revista em cima dos vestidos no chão. Salvo pelo gongo! Era uma revista de moda francesa, Astoria me soltou e aos gritinhos, pagou a coruja, e pegou a revista.
Ela olhou o relógio e convocou mais peças de roupa e sapatos do closet. Pôs tudo numa valise e me deu um beijo de despedida. Aparatou.
Me vi só. Eu, e meu monstro, que urrava por Harry Potter.
Por volta das 11h, uma coruja entrou pela janela e jogou um bilhete na mesa onde eu comia.
“Encontre-me em Londres, no Caldeirão.
Preciso comprar algumas coisas pra festinha.
Harry”.
Nem terminei de comer, fui pro closet, vesti uma jeans velha, uma blusa preta e pus um casaco grosso por cima. Aparatei n’O Caldeirão, não encontrei-o, perguntei a Tom, e ele não soube me responder.
Procurei por alto no Beco, e nada dele. Olhei o relógio: 11h57.
- Procura por mim, loira?
Era ele.
- Olá, Potter.
- Como vai, Draco?
- Bem, e você?
- Bem!
- Nossas mulheres foram viajar, e nos deixaram a sós!
- Eu sei, não é ótimo?!
Saímos d’O Caldeirão, e entramos num bar trouxa.
- Duas Budweiser, por favor. – ele disse ao atendente no balcão.
Sentamos numa mesa e logo o garçom nos trouxe as cervejas.
- Então, Draco, como vai o casamento?
- Muito melhor agora. Astoria deixou de ser frívola e se tornou tão amável e sensual como no começo.
- E o sexo? Astoria é boa de sexo?
- O nosso número de transas têm aumentado, estávamos a meses sem transar, mas de um tempo pra cá, transamos todos os dias.
- Como recém-casados?
- Como recém-casados.
Ele deu um gole na cerveja.
- E você e Gina?
- Eu e Gina temos o mesmo ritmo desde o começo.
- Percebi. Seus três filhos são a prova viva disso... Vocês devem transar feito coelhos!
- Coelhos não! Coelhos transam muito, porém muito rápido. Eu e Gina temos um ritmo constante, crescente e demorado. E ela adora, porque eu demoro anos para ejacular.
Minha garganta ficou seca. Bebi um gole da minha cerveja.
- O que foi, Draco? Nunca conversou sobre o seu casamento com um amigo?
- Nunca tive a oportunidade. Você sabe, sou uma pessoa reservada.
- Antissocial, você quis dizer.
- Que seja.
Rimos, ele pagou pelas cervejas (ainda não sei mexer em dinheiro de trouxas), e fomos num supermercado trouxa comprar algumas coisas. E enquanto passeávamos pelas seções do mercado, conversamos.
- Sabe, Draco. Quando estávamos no colégio, eu sempre achei que você acabaria sendo gay.
Engoli em seco.
- Nunca pensei nisso.
- Ah! Vai dizer que nunca pensou nem sentiu atração por um amigo? – disse ele, pegando copos descartáveis e pondo no carrinho.
- Não! Nunca – exceto agora, muito, exorbitantemente.
- Sério? – ele fez cara de incrédulo. – Eu e Olívio Wood nos tocamos uma vez, no vestiário.
- O que? – parei no meio do passo, e caí na gargalhada.
Harry Potter, o-Menino-Que-Sobreviveu, O Eleito, o cara que matou o Lorde das Trevas, já tinha masturbado um cara no passado? Aquilo era no mínimo engraçado, no mínimo!
- Não ria assim. Eu era jovem demais, e entrar naquele time cedo me fez ver coisas demais. Olívio era um cara esperto, e quando não tinha a mulher que queria pra transar, se aproveitava dos mais novos. E para me enturmar, acabei fazendo por ele. Mas ele fez por mim também. E não passou disso.
E ainda ofegante, respondi-o:
- Sempre achei que Weasley fosse seu amante secreto, e não Wood. – voltei a rir.
Compramos tudo o que precisávamos e fomos pro banheiro aparatar. Toquei o chão do jardim dos Potter e já passara de 14h.
- Vamos comer alguma coisa. – ele disse, e entramos na casa dele. – Rony só vem do Ministério às 16h, até lá, nós comemos e vamos dar uma arrumada nas bebidas.
Passei praticamente uma tarde inteira com ele, e estava cada vez mais feliz, quando o barulho de aparatação tira nossa atenção da garrafa de vodca trouxa.
- Olá meninas! Boa tarde!
Era Rony.
- Olá mocinha. Como foi o dia?
- Foi estressante. – ele se sentou e fez aquela cara de frustrado – A Hungria quer trazer dragões. De novo.
- Mas e as vassouras, foram bem recebidas? – eu perguntei.
- Sim Draco! As Malfoy X são ótimas. Quando estarão disponíveis para compra?
- Assim que Blásio assumir o setor de Produção Primordial.
Conversamos um pouco sobre vassouras, sobre as nossas antigas Comet, Nimbus e Firebolt, e sobre a evolução das vassouras de corrida e das vassouras de viagem.
Já tínhamos nos transferido para casa de Rony quando um estalo seguido de passos e depois batidas na porta se fez ouvir.
- Qual o objeto preferido de Neville Longbottom? – perguntou Harry, à porta.
- Me esqueci!
- Com certeza é Neville, deixe-o entrar!- disse Rony.
Ele entrou, cumprimentou os amigos e parou o olhar em mim.
- O que esse filho-da-mãe está fazendo aqui? Pensei que era uma reunião de amigos! – ele gritou apontando pra mim.
- Neville... Neville! – Gritou Rony segurando-o pelo braço.
- Acalme-se Neville, Draco agora faz parte do nosso grupo. Pense nele como se fosse um antigo amigo da escola. – disse Harry, tentando acalma-lo.
Ele não voltou a tentar me socar, mas não sentou perto de mim, tampouco. Passados trinta minutos, Dino Thomas e Simas Finigan chegaram, trazendo mais bebida.
Bebida, papos (muitos papos mesmo, descobri que Longbottom tinha se casado com Ana Abbot!) e mais bebida depois, Neville já estava me abraçando. Harry me chamou na cozinha para verificar alguma coisa.
- Draco, vamos ali no jardim fumar?
Harry já estava um pouco alterado, e eu também. Enchi mais meu copo de vodca e saímos pro ar frio da noite.
Ele pegou o maço de cigarros e um isqueiro.
- Tome – e me passou um cigarro acendido da boca dele.
Fiz menção de recusar.
- Pegue! Pelo amor de Deus, Malfoy, nós já nos beijamos uma vez! – E tantas outras em meus sonhos, só que você não sabe.
Peguei o cigarro, fumei enquanto ele acendia outro. Continuei bebendo.
- Estranho, não acha? – ele perguntou.
- O que?
- Nós dois. Éramos inimigos mortais. Hoje em dia somos amigos, te contei coisas que Rony não sabe, até porque não posso dizer a ele como transo com sua irmã, e se ele souber que seu herói Olívio Wood se envolveu numa punheta entre amigos, nunca me perdoará.
- Realmente. Nunca estive tão próximo de um cara como estou de você. – eu respondi.
- E está sendo saudável?
- Está. – menti. Não era nada saudável pra minha sanidade mental ter um monstro com o rosto de Potter no meu peito, gritando e tentando escapar a todo custo.
- Que bom. Pelo menos é recíproco. – ele disse, e olhou-me. Jogou a guimba do cigarro no chão, eu terminei de fumar o meu. Bebemos.
- Harry?
- Sim?
- O que você queria me falar aquele dia, em que me mandou o recado?
- Ah, isso... Sabe, Malfoy, estou passando por dilemas enormes em minha vida. No fim do mês estou viajando pro Brasil, meus filhos estão na escola, meu melhor amigo está ocupado no trabalho, meu casamento não está tão bom quanto eu gostaria. – ele parou para mais um gole de bebida – E então... Então...
- Então, o que Potter?
- Então, apareceu você.
- O que?
- Apareceu você. Você virou todo o meu mundo de cabeça pra baixo, me fez ter uma tempestade dentro de mim. Uma tempestade de testosterona! Uma tempestade que me fez repensar toda a minha vida.
- Repensar em que sentido? Testosterona? Como assim, Harry? – Eu estava meio bêbado, ele também, estava difícil de entendê-lo, e ele de explicar-se.
- Ah, quer saber? Foda-se!
Deu-me um beijo ardente, nossos corpos se entrelaçaram, os copos caíram no chão. Beijamo-nos abraçados um ao outro, como se não houvesse nenhuma outra razão no mundo.
- Entendeu, agora? – Ele perguntou, quando finalmente nos soltamos.
Ele me levou para um canto mais afastado da casa e começamos a nos beijar mais, mais fortemente. Quando ele parou e pegou no bolso um galeão.
- É Rony. Ele está preocupado, vamos voltar.
E voltamos. Paramos pra pegar nossos copos vazios e limpar a neve de onde nós deixamos as cinzas do cigarro.
Entramos na casa. Rony estava às gargalhadas limpando o vômito de Neville do chão e da mesa de centro. Entramos logo no assunto para não destoar. Continuei bebendo, da vodca passei pra cerveja, e então voltei pra vodca e fui até o uísque trouxa. Voltei para a cerveja e então para o uísque-de-fogo.
O mundo já estava girando, quando uma mão me puxou. Olhei pra frente e só via vultos. Um vulto de cabelos negros me puxava, deixei-me levar. Eu estava num banheiro, tudo girava. Minhas roupas saíram do meu corpo sozinhas, focalizei meu olhar numa coisa: Harry Potter, pelado, e excitado na minha frente. Estávamos ambos nus, no banheiro da casa dele. Ele olhou-me.
- É o que você quer? – me perguntou.
- Sim. – minha voz saiu, com um tom de muita certeza.
Ele pegou minha mão e levou até seu pênis. Nós transamos.
Uma tempestade de neve caía sobre Londres, quando de repente caiu sobre mim muita neve, neve pesada, só conseguia ouvir a voz de Harry...
- Draco, acorda! Draco!
Abri os olhos. Era dia, e eu estava com uma dor de cabeça absurda: ressaca. Olhei em volta, estava numa cama de casal, com um Potter nu do meu lado.
- Harry?
- Oi? – Ele respondeu, me olhando profundamente.
- Você s... se... lem...lembra? – gaguejei.
- Perfeitamente.
- E então?
- Então...?
- O que houve?
- Nós transamos.
- Eu sei. Notei – apontei pros nossos corpos nus, ele sorriu (aquele sorriso que só ele dá).
- Então, quer saber o que?
- Como ficamos?
- Vamos pro Brasil, ué! Lá ninguém sabe de nada, poderemos ser livres. Na volta a gente vê o que faz.
Eu concordei.
- Harry?
- Oi?
- Você está com uma dor no...
- No cu? Estou.
Eu ri. Nos vestimos e eu aparatei, pra não dar muito na vista.
Lá para o meio dia, Astoria chega da França com mil sacolas.
- Boa tarde meu amor! Estou exausta! – ela me beijou.
- Como foram as compras?
- Existem milhares de lojas bruxas em Paris! Comprei presentes para você e Escórpio. Depois mostro-lhe, preciso descansar!
- Vou subir com você então.
Subimos e eu sentei na poltrona de nosso quarto. Ela se despia e falava sobre as ruas de Paris, a Torre Eiffel, a comida...
- E então, como foi a noite dos pênis?
Ofeguei. Como ela poderia sab... Lembrei-me! A brincadeira de ontem.
- Ah, foi normal. Bebemos, conversamos... fiquei bêbado. Quase apanhei de Neville Longbottom.
Fui pra cama e beijei-a. Ela se levantou e voltou de camisola.
- Vamos dar uma dormida juntinhos?
Me despi e deitei ao lado dela. Dormimos juntos, abraçados.
Tive sonhos turbulentos, com Escórpio me xingando e chorando, Astoria jogando minhas roupas pela janela, Gina me batendo... Uma infinidade de pesos na consciência que eu já vinha trazendo, mas não assumia.
Acordei assustado e sozinho na cama. Astoria estava no closet.
- Vamos, levante, se arrume! Vamos jantar com os Potter e os Weasley dentro de meia hora!
- O que, como, onde?
- Acabei de falar e você concordou! Na casa dos Potter, AGORA!
Levantei as pressas e me arrumei.
Aparatamos juntos e bati na porta.
- Sejam bem-vindos, família Malfoy! – nos recebeu um sorridente Harry Potter.
- Hoje somos só nós seis! – disse Rony, quando chegamos a sala de visitas.
Eu sorri amarelo ao me lembrar da noite passada, e Harry percebeu.
Astoria, Gina e Hermione subiram para examinar o closet de Gina, e Rony se retirou para ir ao banheiro.
- Malfoy! Finja que nada aconteceu! É o nosso segredo! Eu te amo, cara, e você me ama também, que eu sei! Então finja que nada aconteceu se não quiser perder tudo o que começamos a ter!
- Mas eu to com uma ressaca moral fodid... – ele me calou com um beijo.
- Esquece! No Brasil a gente conversa.
- Mas você tem de ver os meus sonh... – me beijou de novo.
Ouvimos passos, nos soltamos.
- Então, Draco, quando as Malfoy X vão entrar no mercado? – Era Rony voltando do banheiro.
- Assim que eu e Harry voltarmos do Brasil. Astoria organizará uma festa.
- Ah sim. Estive pensando em pedir umas férias pra encontrar vocês no Brasil em março.
- Ah, vai ser ótimo! Só nós três – disse Harry, e abaixou a voz – caçando as mulheres brasileiras, que digamos de passagens, são as melhores!
Rony concordou, sorrindo. E eu imaginei aquelas mãos em mim de novo, só que desta vez, mais livres.
- Vou buscar um vinho na adega. – disse Rony. – e aproveito e trago algo pra gente beber agora.
- Ok – disse Hary.
Ele avançou em minha direção me deu um beijo forte e me soltou.
- Esse Malfoy, vai ser o nosso segredo.
E sorriu.

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