A LUTA NÃO PODE PARAR
Horas depois eles dois ainda não haviam dito praticamente nada entre si. Ouviram os gritos vindos do salão principal, e sabiam que ela havia incendiado o hall como prometera. Em momentos, Lupim e Tonks invadiram a enfermaria e os encontraram quietos, com aquelas expressões horríveis.
-O que aconteceu, Harry? - Lupim perguntou correndo até ele com a varinha em punho.
-Ela fugiu novamente. - foi seco. Apenas por não saber como dizer o tamanho do sentimento que o tomara.
E mesmo quando foram interrogados interminavelmente sobre como eles a deixaram ir, sem lutarem, ambos se eximiram da culpa, dizendo terem sido vitimas de um feitiço de confusão e só perceberam o que aconteceu quando Lupim os sacudira e gritara com eles.
Ninguém acreditou, mas também não tiveram coragem para contestar suas palavras.
À noite, Harry deitou-se com medo de sonhar. Seus olhos buscaram avidamente a imagem de Edwirges, que voltara de seu vôo noturno. Olhou para a cama ao lado e notou o mesmo interesse em Rony. Fazia tempo o bastante para ela já ter se encontrado com Voldemort.
Mesmo não desejando, o sono foi mais forte e fez Harry adormecer, deixando um Rony acordado apenas com a respiração suspensa esperando pelo pior.
-Onde ela está???
O grito estremeceu as paredes. Harry observou calado a longa capa de Voldemort esvoaçar a sua volta enquanto avançava pelo corredor furioso. Atrás dele Rabicho, e Matus.
A grande porta se abriu com um simples erguer de suas mãos, e ele avançou como uma ventania descontrolada. A seus pés Nagine rastejando até seus alvos.
No chão, pequena figura de Hermione. Havia marcas de lágrimas na sua face inchada e seus olhos estavam brilhantes de dor. Sentada a seu lado, apoiando-a estava à figura de outra mulher. Traços suaves e delicados, longos cabelos louros. Suas vestes cuidadosamente limpas e caras, contrastando com o ambiente sujo.
-Saia, Aeli! - ele gritou fazendo-a estremecer.
-Mestre... - Aeli rastejou até ele, sua bela figura não recebendo um olhar sequer. Ela ficou a seus pés - Ela precisa de cuidados. Esta machucada.
-Cale-se! - ele gritou novamente, aproximando-se perigosamente.
Hermione apenas olhou para ele. - Levante-se! - ordenou seus olhos chamuscando para ela.
Visivelmente em dor, ela ergueu-se apoiando-se na parede suja atrás de si.
Cambaleou e escorregou para o chão novamente.
-A traidora esta fingindo, mestre! - o comensal, Matus sussurrou a seu ouvido - Bem eu vi, quando seus amigos a salvaram das chamas.
-Lorde... - ela sussurrou, tremendo - por favor...- Harry suspendeu a respiração imaginado que ela imploraria perdão ou ajuda - Faça-o calar-se! Não posso com sua voz!
-Ora...! - Matus avançou com a varinha em punho, pondo-a diretamente na testa dela.
-Isso, termine o que começou! - ela gritou - Atacou-me e deixou-me para trás, para ser morta pelas chamas! Agora, termine seu trabalho!
Havia tanta verdade em seu olhar que Harry se surpreendeu.
Com um movimento, Voldemort o lançou a distância.
Um mover de sua varinha e ela estava próxima dele, Nagine movendo-se aos pés de Hermione, sua enorme cabeça escancarada na sua direção.
-O que aconteceu? - sua frase não era mais que um sussurro. Arrepiante.
-Matus atacou-me de surpresa, e deixou-me para morrer. Potter encontrou-me e tirou-me das chamas. Ele não pode tratar-me como sua inimiga, mestre. É fraco. Incapaz de crer na minha traição.
-Pergunte a ela como escapou, mestre. Ela é ardilosa - disse Rabicho movendo-se pelos cantos, espalhando desconfianças como sempre.
-Isso, diga-me, tola menina, como escapou? - sua mão tocou a pele do rosto dela, e Hermione não fraquejou, aceitou o toque e fechou os olhos.
-Eu os fiz crer que me arrependia de tudo, mestre. Que me forças-te a segui-lo...potter é fraco, como disse antes e eu o conheço, sempre fui sua confidente. Algumas falças lágrimas e ele permitiu-me ficar só com ele e seu amigo, Wesley. Não foi difícil azara-los e fugir. Eu o teria matado e trazido sua cabeça para você, Lord - ela aproximou-se como se desejasse estar mais próxima, os olhos fixos nos dele, desafiando-o a ver suas mentiras escondidas em seu olhar. Até mesmo Harry acreditou nas suas palavras - Mas havia outros, membros da Ordem, Lupim, Tonks...sei que os conhece de longa data, eu não poderia me arriscar a perder a chance de fugir e...voltar para...- baixou os olhos e então o olhou novamente -...o seu lado.
Voldemort se afastou vários passos sem desgrudar os olhos dela. Era como ser analisada de fora para dentro.
-Se desejar, mestre, mate-me... -ela sussurrou -...pois essa dor é lacerante...
Escorregou lentamente para o chão incapaz de se firmar. Harry sabia que ela precisava de mais cuidados, mais poções.
Voldemort apenas a observou e se afastou saindo daquela sala, Rabicho e Matus o seguiram. De um canto Aeli se aproximou dela, mas um olhar negativo de Voldemort a fez se erguer e deixa-la ali, só. Então a porta se fechou, deixando tudo numa enorme escuridão.
O coração de Harry se partiu ouvindo seu choro de dor. De medo. Seu corpo tremulo deitado no chão frio. Duro.
Esse sentimento de aperto o fez acordar gritando, o corpo todo suado. Rony havia sentado a seu lado.
-Está tudo bem, Harry?
Harry olhou em volta, e Rony disse com voz arrastada.
-Eu silenciei o quarto, sabia que você sonharia com ela.
-Ele a aceitou de volta, Rony...mas ela está tão machucada... - lágrimas piscaram em seus olhos. - Eu não quero mais sonhar.
-Tudo bem. - Rony disse e levantou-se buscando um pequeno frasco de poção do sono, surrupiado do estoque de madame Polfrey. - eu vou ficar acordado, de qualquer forma.
Harry bebeu e não o questionou.
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