"Dê-me cinco minutos para fazer uma mala"
Havia dito Hermione antes de saírem no apartamento, mas Rony não deixou:
"Não será necessário. Tenho certeza de que se divertirá muito mais se comprar o que precisa na ilha, nos dará um bom motivo para explorarmos o lugar, ou então realmente não lhe deixaria sair do hotel. Quer dizer, não creio que precisará de muita coisa, já que realmente terá grandes dificuldades para deixar aquele quarto".
Ela sorriu e assentiu.
Era maravilhoso sentir-se daquela maneira. Estar apaixonada, sim ela já admitira a si mesma que estava, deixava-a leve, como se andasse nas nuvens. Ao mesmo tempo era desesperador, pois sabia que tudo aquilo tinha um momento para acabar.
Durante o trajeto, Hermione permanecera calada, pensativa.
Poderia revelar a Rony que o amava? Que o queria por mais que meros dois meses? Que este tempo não seria suficiente?
E se ele não sentisse nada por ela. Nada alem do desejo irrefreável, pareceria então uma tola adolescente que doara muito em troca de nada. Isso lhe deixava em pânico.
Quando chegaram ao aeroporto, Fred já estava esperando-os. Assim como MacLaggen e o restante da equipe de defesa.
Rony passou o braço possessivamente pelos ombros dela e estampou o melhor sorriso quando apertou a mão do irmão, sob o olhar frio e invejoso de Cormack.
"Minha advogada?"
Perguntou Fred com gracejos.
"Sim, sua advogada".
Fred levou os braços na intenção de cumprimentar Hermione com um abraço, mas ela foi puxada para trás com delicadeza.
"É sua advogada e minha garota, tire as mãos dela".
Fred gargalhou e abraçou Hermione mesmo assim.
"Roniquinho, sempre ciumento e possessivo, que coisa feia meu irmão".
Rony riu e abraçou o irmão.
Hermione tinha um semblante incrivelmente feliz e satisfeito. Os olhos brilhavam e não era qualquer brilho, era o brilho da paixão.
Aquilo despertou um monstro dentro de MacLaggen e ele resolveu que, pelo menos durante aquela semana, estaria seguro o suficiente contra Rony.
Tomado por um impulso repentino Cormack aproximou-se.
"Bom dia.” – ele disse seco para Rony – “Como vai Hermione?" – Ele já lhe dirigiu uma voz mais doce e tomou-lhe mão para beijar sem que ela esperasse.
Rony estreitou os olhos, mas nada fez.
"Bom dia Cormack"
Hermione disse educadamente retirando a mão.
"E ai Mack , não vai levar a Padma?"
Rony disse com um tom firme e cínico e MacLaggen entendeu a indireta.
"Estou a trabalho Weasley e não me lua de mel"
Respondeu com superioridade, mas ao contrario de se ofender ou se irritar com a petulância dele, Rony riu.
"Então será o único".
Fred gargalhou assim que compreendeu do que se tratava a tensão entre os dois homens.
Sabia que não precisaria se preocupar com o irmão. Além de Rony saber tirar aquilo de letra, estava estampado a palavra amor na face de Hermione, não via quem não queria.
"A equipe está toda aqui Mione” – disse Maclaggen com intenção de provocar ao chamá-la pelo apelido – Poderíamos nos reunir durante a viagem e discutir..."
"Temo que não vá ser possível Cormack” – Rony quase cuspiu o nome dele – “Não poderão dispor da maravilhosa companhia de minha namorada durante a viagem, já que ela irá comigo no compartimento privativo do jato e eu realmente não estou disposto a dar um minuto de sobra para deixar o lugar".
MacLaggen trincou os dentes.
"Pretende amarrá-la Weasley? Vai trancar os pulsos dela na poltrona".
Hermione arregalou os olhos e ia dar uma resposta, mas Rony adiantou-se.
"Ah não Mack. Não recorrerei aos únicos métodos que você conhece para prender uma mulher, tenho maneiras mais sutis e muito mais...eficientes... de fazê-la ficar lá. Garanto a você, ela não vai querer sair. Agora se me dão licença, estou em lua de mel, e ela está começando agora".
Sem dar chances de réplica, Rony agarrou Hermione pela cintura e a levou para o Jato com um sorriso no rosto de vitória.
Ilha da madeira era o que se podia chamar de um pedaço do paraíso na terra. Havia um 'que' de campos Elísios das histórias mitológicas, era sem duvida um lugar digno de deuses.
Foi assim que Hermione sentiu-se assim que pisou em solo Português.
Uma deusa, mas não era apenas pela beleza e perfeição do lugar, era em si por todo o conjunto, formado por uma ilha paradisíaca e Ronald Weasley, nada no mundo poderia ser mais excitante e mágico que aquilo.
MacLaggen ainda tentou aproximar-se de Hermione usando uma desculpa esfarrapada sobre algo burocrático que seria apresentado na segunda feira, mas não conseguiu.
No momento em que ouviu o seu nome ser chamado, Hermione fez menção de virar-se e responder o chamado, mas Rony arrebatou sua boca num beijo exigente e possessivo, um beijo que fez com ela esquecesse tudo ao seu redor, um beijo que intimidou MacLaggen ao ponto de estancá-lo no lugar, um beijo que revelava o quanto ambos se queriam e onde Rony dizia claramente que não permitiria que ninguém se impusesse entre eles.
Quando sentiu os lábios dele largando os seus, Hermione tremeu, primeiro pela sensação de abandono que sofria sempre que isto acontecia, depois por ver o sorriso zombador na face dele ao encarar Cormack.
Ela comprimiu o cenho.
"Está mesmo me usando de bola, neste seu jogo de pingue pong com o Cormack"
Em vez de se fechar o sorriso dele se alargou mais.
"Bola? Nunca olhos de mel. Eu jamais lançaria você em direção a ele, mesmo que fosse rebatendo".
Ela ficou ainda mais carrancuda.
"Hermione, me desculpe, acho que este é um dos meus defeitos” – ele disse com os lábios colados ao ouvido dela o que lhe causou tremores – “Sou possessivo amor”.
Hermione tremeu mais uma vez, ele a chamara de amor de novo. Seus olhos umedeceram; como ela gostaria que houvesse sentimento na palavra.
"Mesmo assim Rony, não acho correto agir assim".
"Também não acho correto ficar quieto enquanto ele te come com os olhos, mas estou aqui não estou?"
"NÃO sabia que era machista".
"Eu também não sabia.” – ele disse parecendo serio – “Até você aparecer. Tudo o que eu sei agora é que eu te quero muito, e quero só pra mim".
Os calafrios aumentaram.
"Esquece este idiota e se concentra em mim” – ele mordiscou o lábio inferior dela fazendo com que sua raiva passasse instantaneamente – “Concentre-se no momento. estamos aqui, você e eu, neste lugar fantástico, eu reservei a suíte principal par nós. Vou fazer estragos em você hoje e a noite".
Ela não conseguiu deixar de sorrir.
"Vai e estragar?"
"AH vou, vou sim. Você deve se preparar psicologicamente Hermione, pois hoje a noite ou você fica satisfeita ou traumatizada".
Ela gargalhou.
"Sabe Rony, sua modéstia me assusta.
"E sua boca me enlouquece.” – ele a beijou de novo, quente e sofregamente – “Me diz que está tão ansiosa quanto eu pra chegar naquele quarto".
Ela sorriu com a boca ainda colada a dele.
"Onde está o carro?"
Ele lhe devolveu o sorriso e pegou sua mão guiando-a para um Audi preto estacionado no meio fio.
"Sua carruagem minha rainha" – ele disse lhe fazendo uma reverencia e abrindo a porta do carro. Ela entrou sorrindo.”
"A propósito Hermione, você gosta de chocolate suponho".
Ela confirmou.
"Sim, gosto".
"Qual tipo?"
"Todo tipo. Prefiro branco, mas amo chocolate de toda forma".
Ele sorriu, um sorriso carregado de malicia e promessas.
"Bom saber".
E assim arrancou o carro deixando um MacLaggen esquecido e possesso para trás.
O King Weasley Hotel era na verdade um conglomerado charmosíssimo de chalés cinco estrelas. O mais incrível era o formato da construção, lembrava mesmo uma taba indígena, os chalés eram dispostos em um enorme circulo e no centro ficava um centro de comercio, com lojas próprias de roupas, restaurante, bar, boate e um centro de lazer com quadra e salão de jogos, além de piscinas e uma boate de Strip-tease.
Ficava localizado na praia alagoa, num ambiente espetacular com uma vista incrível do mar e a distancia entre os chalés e a praia era mínima.
O King Weasley contava com uma loja de artigos de mágica e diversão, como camisetas, sangue falso entre outros, tudo criação de Fred e George Weasley, os gêmeos gênios e loucos da família.
A suíte principal era um lugar fantástico, parecia um chalé de contos de fadas, não tinha ares sedutores como era de costume uma suíte destinada a casais, principalmente recém casados, que era o foco principal daquele lugar, mas sim um ar romântico, mágico.
Hermione não saberia explicar por que Rony escolhera aquele chalé, mas estava encantada.
"Gostou"
Ele perguntou quando envolveu sua cintura e amparou o queixo em seu ombro fazendo-a sentir o sopro da sua voz no ouvido e estremecer.
"É perfeito".
Ela disse boba.
"Vai ficar mais perfeito ainda".
Ele falou e sem cerimônias virou-a para si, e a beijou avidamente.
"Sei que fizemos amor pela manhã, mas estou louco de desejo por você".
Ela correspondeu ao beijo, enterrando os dedos e as unhas bem feitas em seus cabelos.
"É recíproco".
Respondeu ofegante.
Ele segurou seu rosto de maneira que só ele sabia mesclar possessividade com delicadeza, ela sentiu os dedos ásperos em sua nuca, por baixo de suas orelhas, o beijo ávido e intenso roubando seu fôlego enquanto ele a empurrava para trás em direção a cama.
Havia urgência, muita urgência em chegar lá.
No caminho, os mesmos dedos que eriçaram sua pele na nuca, desceram deslizando pelo corpo, roçando a lateral dos seios, fazendo-a arquear e seus mamilos enrijecerem sob o toque. As mesmas mãos buscaram a barra da camiseta, enquanto as dela foram ao foco principal, o zíper.
Na adrenalina e ansiedade que precedia o ato do amor, acabaram esquecendo que nadavam e acabaram tombando na cama, ela por baixo dele.
A queda apenas favoreceu a intimidade, com um gesto preciso ele insinuou o joelho por entre suas coxas separando as pernas dela forçando um contato mais intimo, tão mais intimo que a fez sibilar seu nome.
Aquilo só serviu para aumentar seu frenesi, com impaciência, deixou de tentar tirar sua camiseta amigavelmente e a rasgou, ela gemeu mais alto com o susto mas aquilo excitou-a ainda mais.
Estavam tão perdidos um no outro que mal puderam acreditar quando ouviram um celular tocar.
"Ron..."
Ela alertou entro beijo.
"Hum".
Ele respondeu sem parar de beijar.
"Rony... O celular" – ela disse apesar de não querer desgrudar dele.
"Deixa tocar". – ele disse com urgência
Deixaram, por algum tempo tentaram esquecer que aquele aparelhinho irritante estava tocando desesperadamente, mas não dava, a insistência era grande demais.
" Rony, deve ser importante..."
"Nada, olhos de mel, nada é mais importante que estar com você, nada é mais importante do que ser seu e te fazer minha, esqueça o resto".
Era quase impossível não esquecer, principalmente quando ele pedia daquele jeito, com aquele olhar, com a boca tão próxima a dela, com as mãos sobre ela.
Mas o telefone continuara tocando, repetidamente até que ele não agüentou mais.
"Droga! vou quebrar esta porcaria".
Ela se assustou a principio. Desde que começaram a sair só vira Rony nervoso uma vez e foi quando falou sobre as ofensas de MacLaggen, mas agora ele estava irado. Porém o susto foi inicial apenas, pois rapidamente tornou-se diversão ao vê-lo em plena ereção, com uma face de menino abandonado e desesperado.
"Não ria de mim, isso não é engraçado".
Ele tentou soar sério mas a careta que ele fez apenas a incentivou a gargalhar.
Rony pegou o telefone contrariado e atendeu sem nem mesmo ver quem estava ligando;
"Alô".
Ele ficou em silencio por alguns minutos, com um semblante sério, que se fechava cada vez mais.
"Tem certeza Fred?"
Hermione franziu o cenho olhando-o e estranhando o fato de Fred ter ligado, afinal tinham se falado a menos de meia hora.
"Você tem certeza que não podemos deixar isto para amanhã?"
Hermione viu Rony fazer uma careta de desagrado e concordar com raiva com alguma coisa que seu irmão lhe dizia no telefone.
Rony fechou o aparelho com um pouco de violência e jogou em cima da bancada.
Virou-se para Hermione e ela percebeu que ele tentava se controlar.
"O que houve Ron?"
Ele a olhou, havia algo de sofrimento em seu olhar.
"Fred está com problemas. John Saint, o cara que o está acusando de plágio conseguiu um mandado para impedir que ele abra o King Weasley até o fim do julgamento.
" Que coisa terrível".
"Ele precisa que viajemos até Lisboa para tentar reverter isto".
"Sim, precisaremos recorrer".
"O problema é que ele quer que viajemos hoje, na verdade ele nos espera em meia hora no aeroporto".
Hermione arregalou os olhos.
"Hoje? Agora?"
"Sim, amanhã à noite tinha algo especial, um tipo de evento que fazem todos os anos aqui em King Weasley, e a maioria das reservas foi feita para este dia em especial. Se não conseguir autorização para abrir o complexo amanhã ele perderá muito dinheiro".
"Isso é horrível Rony... Mas tudo bem, creio que o jato possa nos levar até Lisboa em pouco tempo".
"Este é outro problema Mione, George precisou do Jato, teremos de ir em vôo comercial".
Hermione suspirou derrotada. Parecia que a super noite acabara.