OBSERVADORA
Hoje é sábado. Adoro os sábados. Meus irmãos vão passa-lo na casa de praia do temível Dominic. O garoto é um pé no saco. De qualquer forma eu escapei.
Dominic é bonito, isso não posso negar. Mesmo Amber tendo sido sua namorada, eu penso que se ele olhasse para mim, eu morreria!
Bem, mas ele jamais olharia! Não depois de ter namorado minha irmã mais velha, Amber.
Não sei como numa família de quatro irmãos, eu posso ser a mais esquisita! Só pode ser carma.
Amber é linda, inteligente, descolada. Luke não fica para trás, dois anos mais novo, com quinze, é quase louro, e com aquele magnífico sorriso sedutor, de dentes lisos e brancos. Ele tem os ombros do papai, e o cabelo da mamãe. Amber também é loura.
E Anele também. Bem, Anele não precisa ser bonita. Ela é bebê ainda. E todos os bebês são fofos e bonitinhos por natureza. Mas eu, com doze anos posso afirmar, sou infelizmente a mais sem graça.
Sem ameaças de curvas no futuro, meu tronco é apenas uma longa tábua de passar roupas. Meu pescoço e braços são longos demais. Meu queixo e quadrado e meu nariz longo demais. E sou a única na família em gerações a ter olhos escuros. Castanhos claros, quase negros.
Meus cabelos são lisos (agradeço a Merlim, por isso, todas as noites), porém são ruivos e mamãe não me deixa cariá-los, por que sou nova demais.
Bobagem, afinal Amber colocou um piercing no umbigo com quatorze anos!
Não tenho nada especial. Não sou a primeira filha. Nem o único menino da família, nem a bebezinha. Sou apenas a pirralha que carrega os livros de Luke por toda Hogwarts!
Aquela história de que seria tudo um sonho e que jamais esqueceria os anos de estudo, eram, como suspeitei apenas conversa para hipogrifo dormir!
Ao menos minhas notas são boas. Mais que boas. Na verdade, eu nem precisaria estudar se não quisesse! Já sei tudo mesmo!
Arrogância a parte, ao menos hoje é sábado!
Aos sábados meus tios, os cinco, deixavam meus avos em pais e vão cuidar de suas vidas. Meus primos chatos dão um tempo a eles e eu entro na lareira bem cedinho, indo para lá.
Meus avos dormem sempre até mais tarde. Eles estão velhos, mas eu suspeito que esse mau hábito veio do meu avô, o que minha avó nega veemente. Ela jamais pegaria os maus hábitos dele. Imagine, o que são quarenta anos de casamento? Nada. Nadinha...
Vovó é ainda uma mulher muito bonita. Você jamais diria que ela tem sessenta anos. Nem ela mesma diria, pois adora mentir a idade. Meu avô tem cabelos grisalhos, mas o vermelho se sobressai e me sinto em casa quando surjo na sala e subo as escadas em direção ao quarto deles.
Vovô adora sair comigo e jogar quadribol. Ele diz que eu tenho braços de goleiro e deveria treinar, mas parece que herdei mesmo foi o cérebro da vovó.
Ela sempre me diz isso. Eu acredito. Bato e entro.
Vovó está sentada na cadeira em frente à penteadeira. Ela borrifa perfume no pescoço. Sorri ao me ver e me estende a mão.
É sempre assim, ela gosta de me enfeitar. Logo ela abre minhas tranças e desembaraça meu cabelo.
É bom ficar ali, sentada, ouvindo suas historias de quando era criança e moça, de como se divertia e das aventurar em que ela e o vovô se metiam. Ficaríamos ali o dia todo, não fosse o vovô nos chamar para o café da manhã. Uma dica sobre meus avós: nunca prove o café da vovó. O cozinheiro da casa é o vovô!
Às vezes nos saímos e passamos o sábado na Dedos de Mel. Às vezes apenas tento vence-lo numa partida de xadrez que se arrastam pelo dia todo, com vovó entretida em seu livro preferido. Mas hoje, ela quer que eu a acompanhe a Madame Prinx.
Domingo será aniversario de casamento deles. Vovó quer comprar algo novo, e ficar bonita. Eu lhe digo que ela sempre será bonita e ela me diz que agora irei ganhar um vestido também, já que sou tão doce com ela.
Sei que vovó gosta de mim, quase mais que meus outros primos. Ela sempre diz que me pareço com ela quando pequena. Quieta, introspectiva e um tanto paranóica.
E eu fico aqui sentada observando meus avós discutirem quase aos gritos no meio da loja. Alguma piada estúpida do vovô sobre ela não dever usar a cor pêssego, quando sua pele parece um passa seca. Maneio a cabeça enquanto ela discute e ele rebate.
Eles fazem muito isso. Na verdade, é o que mais fazem. Você nem diria que eles se amam tanto.
Mas eu gosto de observa-los fazerem isso, porque se prestar atenção, notaram que eles também gostam. Seus olhos brilham a cada palavra ácida. Eles se divertem assim.
Então, que mal há?
O que sei é que adoro o sábado. Adoro ficar com meus avos, Ronald Wesley e Hermione Granger.
FIM
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