A TÃO ESPERADA VERDADE
O tilintar do relógio era torturante. Quando marcou meia noite, o cuco saiu de sua casinha com um ruído alto e foi o bastante para acorda-la.
Abriu os olhos e a primeira imagem que teve foi de três pessoas em volta da cama. Tonks, Lupim e outro membro da ordem, chamado Adax.
Estava na enfermaria da escola. Impossível não reconhece-la, já que inúmeras vezes estivera ali. Mais atrás sentado em uma das camas, estava Harry que olhava na sua direção e de pé próxima a ele rony, que olhava para o chão.
-Madame Polfrey nos garantiu que você está bem agora. - disse Lupim - Houve uma fratura na sua coluna vertebral, mas ela conseguiu corrigi-la sem maiores estragos. Porém precisa de cuidados por uns tempos. Sem esforços.
-Porque está falando assim? - sua voz estava mais baixa que de costume.
-Porque para mim, ainda é a bruxa mais inteligente da sua idade, Hermione. Não posso esquecer o que fez por Sirius. Se tem uma coisa que apreendi nos meus anos de vida como Lobisomem, foi identificar a índole das pessoas. Quem de verdade é.
-Ainda não sabe quem eu sou, professor? - dizendo isso, ela levantou a manga da camisola de algodão que vestia mostrando a marca de voldemort em seu antebraço. - É isso que sou.
Houve um grande silêncio. Tonks afastou-se como se fosse demais para ela.
-Acho que deveríamos conversar. Nos três. - disse Harry de repente.
Lupim pareceu pensar no assunto por um tempo. Então concordou.
-Estaremos ali fora. - disse Adax olhando desconfiado para Hermione.
Sozinhos o silêncio cresceu novamente.
-Por quê? - perguntou Harry.
-Eu já disse antes, foi escolha minha.
-Mas tem que ter havido um motivo.
-Sempre precisa haver um motivo para tudo? - ela revidou - eu precisava de poder, e Lord me deu isso.
-Está mentindo. - Harry levantou-se e tirou algo do bolso. Um pequeno frasco. - Você sabe o que é isso não sabe? A poção da verdade. Vai falar a verdade querendo ou não.
-Não. Você não quer a verdade, Harry. - ele se aproximou e ela tentou levantar-se, mas ainda sentia dor e seus olhos ficaram arregalados de medo e dor - Não! Não se aproxime mais! - olhou desesperada em volta atrás da varinha nova que tinha, mas não viu nada.
Harry segurou seu braço e ela tentou se debater.
-Não! Não faça isso comigo!- começaram a lutar e Harry segurou seu rosto a forçando a parar de lutar. Lágrimas grossas rolaram dos olhos dela e Harry parou.
Soluços começaram a sair de sua garganta e o choro irrompeu sem controle. A dor era forte e ela quase não podia respirar. Harry ficou arrependido na mesma hora. Aquela era Hermione. Sua amiga.
Estendeu a mão em direção mas foi interrompido pela voz de Rony as suas costas.
-Deixe a em paz, Harry!
Certo pensou Harry.
-Eu... - a voz dela era tão baixa que Harry quase não acreditou que ela pudesse ser a mesma garota que lutava contra eles. - Foi tudo o acaso...Eu não planejei...
Harry entendeu que ela sucumbia. Sentou-se perto dela na cama, e a ajudou a se sentar direito contra os travesseiros.
Ela fechou os olhos com força e quando os abriu viu apenas seus dois velhos amigos encarando-ª
-O que foi o acaso, Hermione? - Rony parecia estar mais calmo também.
-Eu...Foi antes de encerrar as aulas. Eu queria falar com prof.Minerva e fui a sua sala. Ela e Dumbledore conversavam sobre Voldemort...Snape havia passado a informação de que ele pretendia recrutar um comensal dentro do castelo, alguém que ninguém suspeitasse. Talvez um aluno. Ele...contava com prof.Snape para isso. E eu...não disse nada a ninguém. Então...um dia antes de irmos embora da escola eu o procurei. Eu o tinha visto se esconder na floresta negra. Eu disse a ele que e oferecia. Era obvio que Lord Voldemort não me aceitaria. Por ser nova demais e sua amiga. Mas também era obviou que a tentação seria grande demais. Afrontar você, Harry. Trazer para seu lado sua amiga. Sua confidente. Ele...me aceitou. E eu fiquei a seu lado. É isso. Depois disso, eu pude passar todas as informações de primeira mão para Snape que as repassou a Dumbledore. O incêndio na biblioteca. Foi encomendado por Dumbledore. Os livros, estão seguros, o que viram queimar era apenas uma ilusão, criado por mim e Snape. Precisamos trazer a tona o que Voldemort deseja encontrar no Castelo. Dumbledore não tem a mínima idéia e nesses meses todos eu não pude descobrir. - baixou os olhos como se tivesse vergonha de continuar - Lord conversa muito comigo - olhou de relance para Harry - Ele me conta as coisas que pretende. Eu nem sempre posso evitar, as vezes não da tempo, outras seria arriscado demais, ele notaria. Mas sobre o Castelo ele não fala com ninguém! Eu tinha certeza que depois de destruída a biblioteca ele fosse se abrir. É a ultima parte de sua alma, Harry. A mais importante. Eu o vi ter pesadelos sobre isso. Eu estive próxima. Ele acordou aos berros falando frases desconexas sobre você não poder encontrar a última das suas almas. Nesse dia... - tomou fôlego e disse direta - Eu achei que ele fosse me matar por ter ouvido. Ele se aproximou e perguntou o que eu achava disso? Dele ser frágil de alguma forma? Eu tive que pensar tão rápido, eu não sabia o que dizer... - lágrimas vieram a seus olhos - Mas me sai bem. A partir daí ele começou a confiar mais em mim.
-O que você disse a ele? - perguntou Rony com as sobrancelhas franzidas.
-E-E...Eu lhe disse que se havia algo que o deixava frágil diante de Harry, então havia mais um motivo para nos dois mata-lo antes que ele a encontrasse.... - olhou para Harry - Eu sinto muito. Eu preciso pensar como ele, ou ele notará.
-Agora não será mais preciso. Você esta aqui de novo, Hermione - Harry sorriu - Isso acabou.
Ela arregalou os olhos e maneou a cabeça.
-Não, Harry! Eu preciso voltar!
Os dois se entreolharam surpresos com sua veemência.
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