ACERTOS E DESACERTOS
A biblioteca estava quieta. Hermione levantou-se e andou até uma prateleira mais no fundo. Precisava de um livro de poções para o trabalho que Snape lhes passaram. Pelo canto dos olhos notou que numa mesa mais ali perto, Rony se debruçava em seus livros e escrevia em seu pergaminho. Nem sinal da Lilá, sua namorada.
Suspirou. Era imaturo da sua parte, afinal todos sabiam que um dia os três teriam seus próprios namorados. Inclusive, ela já ficara com Vitor. E harry com Cho.
Mas pensar em Rony fazendo o mesmo era algo que ela nunca se permitiu. E agora vê-lo junto de outra, machucava terrivelmente.
Bem, a biblioteca estava vazia, e fazia mais de um mês que não trocavam uma palavra sequer. Desde que fora com Cornac na festa do Slung, que ele nem olhava na sua direção. Idiota.
Fingindo indiferença, Hermione aproximou-se da prateleira, perto dele e estendeu o braço retirando um grosso livro. Poeira caiu sobre a cabeça abaixada de Rony.
-Hei! – ele reclamou – Você me sujou todo!
Olhou e viu quem era e sua expressão mudou rapidamente de indignação para raiva.
-Não olha mais o que faz é?
-Eu realmente nem vi que estava aí. – ela disse com falso deboche, recolocando o livro na estante e puxando outro. Mais poeira caiu sobre os livros dele – Oh, é esse mesmo que eu precisava. Com licença.
-Você fez isso de propósito! – ele revidou, tentando limpar a sujeira que manchava seu pergaminho – Estragou minha redação!
-É? Que pena.
Deu as costas a ele e pretendia sair de fininho, quando ele disse:
-Você nunca muda mesmo! Sempre arrogante!
-Eu não sou arrogante! – respondeu indignada.
-Tem razão. – ele sorriu – A palavra insuportável cai bem melhor em você.
-E a palavra “idiota” em você! – revidou. Sua voz tremeu. Ela odiava ser tão emotiva quando brigava com ele. –Qual o problema na sua redação? Não sabe um simples feitiço de limpeza? Como você conseguiu chegar ao sexto ano??? Ah deixa me ver: COPIANDO AS MINHAS LIÇOES!!!!!!!!! – quase gritou.
-É claro! É só para isso que você serve!
-Cala boca, Rony!
-Cala você, sua...Sua...
-Diga, Rony: sangue ruim. É essa a ofensa que bruxos puros usam não é? É esse o problema! Eu deveria ter sabido!
Apressou o passo e saiu da biblioteca. As lágrimas eram tantas que só percebeu que ele a seguia, quando ele segurou seu braço e a forçou a parar, os livros escorregando para o chão.
-Me solta!
-Não! Você vai ouvir o que eu quero dizer!
-Eu não quero! Se não me soltar eu vou gritar até Filtch aparecer e você ganhar uma suspensão!
-Então pode começar a gritar! Mas eu vou dizer o que eu tenho que dizer! – ele segurava seu braço com força. Ambos estavam no meio do corredor que dava para o jardim. Alguns alunos, que usavam o intervalo entre aulas para conversarem, os fitavam de boca a berta. Inclusive, Harry, do outro lado jardim, com Gina, Neville e Lilá. Eles pretendiam ir para a biblioteca oferecer ajuda a Rony nos trabalhos atrasados dele, quando os viram marchando pelo corredor como locomotivas descontroladas. – Você acha que sabe tudo, não é? Sempre segura de si! Sempre cheia da verdade!
-Você não sabe nada de mim, seu...Seu...Grosso! Estúpido!
-O que eu sei é que teve coragem de ficar com o Cornac só para me irritar!
-Eu??? Você quem está se agarrando por aí na minha frente com aquela cara de sebo, só porque foi incapaz de assumir o que sente! – ela gritou de volta.
-Você quer que eu assuma o que eu sinto? – ele gritou de volta e ela desafiou com os olhos a fazer isso.
Foi o bastante para Rony a puxar, para si e beijar seus lábios com força. Em segundos, a raiva dera lugar a maravilha sensação de prazer e ele a encostou contra a parede do castelo. Depois de vários minutos ele se afastou corado da cabeça aos pés.
-Bem, agora você sabe o que eu sinto – disse envergonhado.
-E você, o que EU sinto. – ela respondeu.
Seus olhos travaram uma batalha para ver quem cedia primeiro. Hermione sabia que apesar da mágoa, ela era a mais forte. Não de coragem, ou qualquer outra coisa, mas de sentimentos.
-Vai terminar com a Lilá ou eu vou precisar estupora-lo por isso?
Ele pareceu surpreso com a pergunta e sorriu meio sem jeito.
-Sabe que eu não tenho coragem de enfrentar sua varinha, Hermione. Prefiro terminar com a Lilá. – seus olhos lhe diziam bem mais que isso.
-Ótimo. – disse e sorriu também. – E você quem vai explicar isso para o Harry! Você que me beijou. Eu sou a vítima.
-Tudo que você quiser. – disse falsamente submisso, pegando sua mão. – Tem aula agora?
-você sabe que não... – disse desconcertada com seu olhar malicioso. – Eu ia...Ler.
-Porque a gente não vai ler lá no lago?
Concordou com a cabeça deixando-se guiar, sem notar que pela primeira vez na vida, esquecera seus livros e cadernos jogados no chão...
FIM
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