O Tempo
A vida é estranha. Eu amei um e casei com o outro.
Todos os anos no Natal, isso ficava ainda mais evidente. Todas as famílias reunidas, a dele e a minha, nossos filhos agora tão amigos, como fomos um dia, trocam presentes e conversamos até o amanhecer.
Eu conheci Rony na escola e sempre gostei dele. Mas ele não era exatamente o meu ideal de homem.Era bobo e disperço. Eu era incapaz de ver que isso era parte do seu charme. Era muito imatura. Talvez por isso, quando fiz dezenove anos casei com Harry, a quem sempre amei, mas como irmão. E eu sabia disso na época. E Harry também. A gente é feliz. Muito. Mas talvez não como deveria ser.
Sempre que Rony se aproxima eu sinto aquele arrepio que nunca senti com Harry.
E sei que Harry também não sente comigo. Talvez por isso nossa intimidade tenha sido esquecida com o tempo. Na verdade, desde o nascimento de Jully, nossa filha, há três anos atrás, que não nos procuramos mais como amantes.
Bem da verdade, nossa primeira vez juntos foi meio estranha. Eu não senti muita coisa. E nem ele, suponho eu.
Mas o que importa é que Harry foi meu primeiro. Meu marido. Jurei fidelidade.
Esse é outro dos motivos de ter me afastado de Rony. Ele me desperta. Atrai-me demais.
Estou casada a seis anos. Rony demorou a encontrar alguém. Casou-se a quatro com uma moça chamada Ahhma. É alguém muito simpática e doce. O tipo perfeito para alguém como ele. Submissa. Não acreditei que dariam certo, ou talvez tenha torcido para isso. Lembro-me que chorei por dias depois da cerimônia do seu casamento. Ainda bem que Harry não presta atenção em mim de qualquer forma.
Rony e ela tiveram um menino logo depois do casamento. Outro motivo que deve ter me feito desejar tanto um filho. Lembro-me do meu desespero contando dias férteis, coagindo Harry a querer um filho também. Um bebê meu iria preencher aquela dor de ver Rony tendo um filho com outra.
E tudo isso porque? Porque fui fraca e me deixei levar pela imaturidade.
Já pensei tantas vezes em me separar de Harry. Mas não posso viver sem ele. Ele é meu amigo. Meu irmão. Se magoa-lo ele se afastara de mim, e não posso suportar isso.
Ficar só também fará mais difícil ver Rony casado.
E agora estou eu, bebendo minha cerveja amanteigada, sentada no braço do sofá vendo as crianças se divertindo enquanto tentam adivinhar o que tem nos presentes embaixo da árvore de natal. Harry e Ahhma conversam na cozinha.
-Esta uma noite linda, não está?
Era Rony. Tão perto. Tão perto...Tão perto...
-Eu ainda nem olhei lá fora direito. Mas sempre é bonito nessa época do ano. A neve. As luzes...
-Harry falou comigo ontem. – ele disse, ficando de frente, como se tivesse medo de dizer algo – Ele quer falar com você, Hermione. Um assunto sério. Mas não tem coragem. Eu disse a ele, que pelo que conheço de você, já deve saber o que é.
-Ele quer se separar? – perguntou serenamente.
-É. – ele parecia sem jeito de falar isso – Eu disse a ele que talvez devessem tentar. Pela filha de vocês.
-Nos não somos mãe e pai, rony. Nem marido e mulher. Somos amigos. – lágrimas ingratas surgiram do nada e essas palavras cortaram seu próprio coração – E não sei o que aconteceu. Porque a gente casou? – olhou para ele em busca dessa resposta.
-Vocês se gostavam. – ele disse simplesmente.
-Não. – ela maneou a cabeça. – Harry estava frágil e só, e nada parecia tira-lo daquela dor da morte de Gina e eu...Eu não podia vê-lo assim, tão só. Eu acho que não pensei no que era de fato o casamento. Eu só queria apóia-lo.
-Eu disse a Harry que você se sentia como ele. Acho que todos nos sabíamos.
Hermione olhou para a filha que brincava no chão.
-Vou falar com Harry assim que Jully dormir. – secou as lágrimas do rosto – É tão estranho...
-Eu sei – ele pôs a mão no ombro dela – Eu e Ahhma já estamos separados a quase cinco meses, Hermione.
-Porque não me contou? – ela afastou-se dele surpresa. Ele pareceu indeciso – Rony?
-Eu sabia o que estava acontecendo entre você e Harry. Acho que sabia antes de vocês dois. Não queria que a minha separação interferisse na sua decisão, Hermione.
-E...E porque interferiria? – seu coração quase parou.
-Não somos mais crianças. Eu não posso mais fingir que não vejo as coisas. Você pode?
-Eu não sei... – baixou a cabeça envergonhada. Ele sabia, então. Afastou-se dele e tentou conter as batidas do coração – Quero que Harry seja feliz. É o que desejo. Não vou prende-lo a mim. Esse nunca foi meu desejo. Jully é pequena ainda. Se agirmos normalmente ela nem notará muita diferença. Quero dizer...o Harry nunca fica em casa , eu sei que ele...que ele se esforça para me dar espaço. E eu...Nunca senti necessidade que ele estivesse todo tempo comigo.
-Comigo é o contrario – ele riu suavemente – Ahhma pediu a separação porque queria que eu ficasse em casa, eu não podia. Não todo o tempo. Se eu levantasse antes dela, eu estaria saindo quando terminasse de arrumar o Junior para a escola. Depois era só arrumar uma desculpa para almoçar fora e chegar depois das dez, que todo mundo estaria dormindo. Eu adoro o meu filho, mas estava sendo um péssimo pai para ele. Acho que até ele está preferindo ficar com dois pais felizes, que lhe dão atenção, mesmo que separados.
-Você está morando onde?
-Voltei para a Toca por uns tempos. Mamãe ficou furiosa. Ela é contra o divórcio.
-Os papéis já saíram?
-Sim. Ahhma demorou para assinar, mas agora estamos legalmente separados.
-Isso é tão triste. – disse melancólica – No final das contas nossos pais estavam certos todo o tempo. Éramos muito novos para pensar em casamento.
-Vivemos o que tínhamos para viver, Hermione. – ele disse ensaiando um sorriso – Temos filhos maravilhosos e nossa amizade permaneceu. Somos ainda os três deslocados de Hogwarts não somos?
-Sempre seremos – riu suavemente lembrando-se de Hagrid. Grande perca dele, na guerra contra Voldemort. Deixara muita saudade.
-Pois é. Sempre vencemos obstáculos. Podemos fazer isso agora.
-Tem razão! – ambos se fitaram sorrindo longamente.
Um pigarreio e ambos olharam para o lado. Harry havia voltado com uma bandeja de petiscos para as crianças e Ahhma os fitava com magoa.
Passou direto por eles, e apanhou seu cachecol e seu casaco, do cabideiro perto da porta.
-Está ficando tarde, é melhor irmos.
-Mas não é nem nove horas ainda – Rony protestou – Espere ao menos o pequeno abrir os presentes!
-Ele pode ficar, Ronald. Eu tinha desmarcado um jantar com meus pais. Acho que é melhor ir. – falava sem olha-lo.
-Mas Ahhma...
-Quer parar, Ronald? – ela disparou deixando a raiva sair – Quer parar de fingir que me quer aqui???
-Ahhma, não vamos brigar aqui, por favor.
-Não estamos brigando. Nem isso nós precisamos mais. Junior fica com você essa noite e comigo no ano novo. É o melhor. Eu não posso fingir que nada esta acontecendo. É demais para mim. Eu preciso ficar longe dessa falsidade toda.
-Hei! Ninguém está sendo falso com você, Ahhma. Nós nos separamos. Fui sincero. Admiti que erramos e você concordou. Não pode me culpar por isso.
-Talvez não. Você nem deu uma chance para nós, Ronald. – suspirou derrotada. – Vamos esquecer isso, ok? Eu preciso ir.
Dizendo isso, abaixou-se deu um beijo no menino de cabelos vermelhos que os olhava choroso e saiu encostando a porta suavemente.
Hermione não teve coragem de olhar para nenhum deles. Simplesmente saiu da sala e foi refugiar-se no quarto.
Na sala, Harry estendeu a mão e bateu no ombro de Rony.
-Ela nunca vai me perdoar. Ahhma acha que de alguma forma eu a enganei, Harry. Mas eu sempre fui sincero com ela. Nunca a enganei. Nunca trai.
-Eu sei. Ela também sabe. De tempo para que ela pense. – olhou para a porta fechada do quarto – às vezes eu entendo Ahhma. Também me senti varias vezes assim. Hermione nunca me aceitou de verdade como marido e nem eu a aceitei. O sim que dissemos no altar foi uma mentira completa. Eu ainda amo a sua irmã e Hermione... – olhou para Rony e sorriu – Bem, não é uma situação fácil.
-Eu contei a ela que você quer a separação. Ela disse que já esperava isso.
-Imaginei. Desde que Jully nasceu que somos como dois irmãos morando na mesma casa. E mesmo antes, eram raras às vezes que tínhamos qualquer contato mais íntimo. – Rony não o olhou, porque não queria ouvir sobre isso. Bem, querer queria, mas não conseguia manter aquele monstro ciumento contido dentro de si – No começo eu achei que fosse só minha culpa, não ser bom. Porque sempre foi. Você entende o que eu digo? Com Gina, com Cho. A intimidade sempre era prazerosa. Mas não com Hermione, parecia errado e quanto mais eu tentava gostar, mais culpa eu sentia. E quanto mais eu tentava agrada-la, mais ela se fechava para mim. Daí quando ela ficou obcecada em ter um filho, foi um alivio que ela achasse a opção da inseminação artificial mais rápida e prática. De lá para cá, podemos voltar a ser amigos de novo. E isso é bem melhor.
-Porque ela quis tanto um filho? Eu não entendo. – Rony disse - Vocês não estavam bem.
-Acho que ela estava sozinha. Muito sozinha e...Ronald Jr. Tinha nascido há pouco tempo. Ver uma criança deve ter despertado sua vontade. Eu acho.
-É. – ambos olharam para as crianças.
Jully ergueu-se do chão e se aproximou erguendo os bracinhos para rony. Ele a pegou no colo sorrindo.
-Tio Rony, cadê a mamãe?
-Ela está no quarto descansando.
-A mamãe está doente, Harry? – ela olhou espantada para Harry.
-Não. Ela esta cansada. Só isso.
-Porque você não vai lá e lhe da um beijo? Com certeza a mamãe vai melhor rapidinho! – Rony brincou colocando-a no chão.
Jully puxou o amigo pela blusa até o quarto e os dois sumiram pela porta.
-Jully nunca me chamou de pai. – disse Harry – Eu não quis que ela chamasse.
-Porque não? Harry! – Rony ficou chocado – Às vezes eu penso se amar minha irmã não acabou com os seus sentimentos!
-Hoje é noite de natal, Rony. Talvez seja a hora da verdade afinal.
-O que quer dizer? – ele perguntou assustado.
-Eu fiz algumas coisas erradas no passado. Todos nos fizemos. Acho que é hora de sentarmos e conversarmos.
-Harry, as crianças...
-Elas sempre dormem depois do jantar. A gente as acorda para abrir os presentes. – disse bastante sério – Vou chamar Hermione.
Depois do jantar, as crianças despencaram para sua soneca. Rony e Harry estavam sentados na mesa, esperando Hermione. Ela encostou a porta do quarto de Jully e aproximou-se hesitante. Sentou-se na cadeira do meio.
-Quem começa? – perguntou Harry.
-Eu...- Hermione olhou para Harry e lágrimas vieram a seus olhos imediatamente – Eu concordo com o divórcio. Eu também quero.
-Eu não vou me afastar, Hermione – ele pegou sua mão e deu um beijo carinhoso – Seremos sempre amigos. Posso até deixa-la tomar conta de mim se quiser, de vez em quando, claro.
-Tá. Mas promete, Harry. Promete que não vai sumir da minha vida!
-É claro que eu não vou!
-Bem...Primeiro ponto resolvido – brincou Rony, recebendo um olhar mortal de Hermione. – O que acha de pegarmos a sobremesa e ouvirmos umas músicas melosas de natal?
-Ainda não terminamos aqui, rony. – disse Harry sério – Eu tenho uma coisa séria para contar. Mas antes quero ter a promessa de vocês dois.
-Promessa de que? – Hermione perguntou intrigada.
-Que não vão me odiar. Que não vai se afastar de mim, nem me punir pelo que fiz. Eu achei ser o certo. E é o certo.
-O que você fez, Harry?
-Eu...Tomei uma decisão sozinho há alguns anos atrás, Hermione. Uma decisão que não cabia só a mim. Eu...- ele baixou os olhos tomando coragem – você queria um filho, e eu não podia negar isso a você. Por outro lado eu sabia que não me amava e nem eu a amava dessa forma. Termos um filho nosso seria maluquice. Cruel. Mas eu não podia dizer isso a você. Eu sabia que casamos apenas porque eu estava mal, e naquele momento quem estava mal era você, Mione. Pelo casamento do Rony. Pelo nascimento do Junior.
-Harry... – ela tentou protestar.
-Não. Apenas ouça.
-Então eu sugeri a inseminação e você aceitou. Só que eu não fui o doador, Hermione. Eu sinto muito.
-Harry! – ela ficou absolutamente chocada – Como você pode fazer isso comigo? Eu nunca teria um filho de qualquer um! Meu Deus!
-Isso foi cruel, Harry – rony disse olhando as lágrimas dela e seu desespero. – Não podia ter feito algo tão vil e baixo!
-Esperem. Ouçam até o fim. – ele enfrentou seus olhares acusadores e prosseguiu – É claro que eu não faria algo assim com você, Hermione. Por isso eu escolhi o doador. Você não consegue imaginar quem, rony?
Ele parou para pensar, sem entender. Então subitamente sua expressão mudou drasticamente.
-Eu não acredito nisso...Você não fez...Não teria coragem!
-O que? – Hermione não entendeu sua raiva.
-Há um tempo atrás Harry me disse que deveríamos congelar semêm como os trouxas fazem. Porque sempre nos arriscamos muito nas missões atrás de comensais e...Bem...Achei que como ele estava coletando para a inseminação, queria de alguma forma, companhia. Já que é algo tão constrangedor. Foi só por isso que concordei.
-Está dizendo que...? – Hermione ergueu-se da mesa e olhou para o chão. – Vou arrumar minhas coisas e de Jully. Vou para casa da minha mãe.
-Espere, Hermione! Você tem que entender porque eu fiz isso! – segurou em seu braço. – Pela nossa amizade, escute.
Ela sentou-se novamente sem olhá-los.
-Eu sabia que mais dia, menos dia, nos três perceberíamos nossos erros. Eu sempre amei Gina, mesmo depois de sua morte. Talvez eu encontre alguém, mas nunca será um amor completo. E não poderia oferecer a você isso, Hermione, um sentimento pequeno e egoísta. E por outro lado, você e Rony sempre se amaram. Desde a escola. Não sei porque não ficaram juntos, se era tão obvio. Seu casamento, rony não demoraria a acabar, eu tinha certeza. E então, quando isso acontecesse, vocês poderiam ficar juntos, e seu filho Hermione, seria de quem você realmente ama, e não fruto de uma mentira, uma amizade.
-Não importa o que eu sinto, Harry. Não podia ter feito algo assim. Jully o ama como pai. Não é justo com ela!
-Jully sempre me amou como um tio, Hermione! Você sabe disso! Ela sempre se entendeu com o Rony. Crianças sentem essas coisas, Hermione!
Os três fizeram um silêncio mortal.
-Ahhma engravidou sem que eu soubesse. – disse Rony de repente. – Eu a conheci numa festa do ministério, bebi demais, pensando em bobagens, e acordei com ela na cama. Depois ela me avisou da gravidez e naturalmente nos casamos. Quando o Junior nasceu eu estranhei aquele menino tão grande para sete meses. Ahhma me disse que era normal. Mas eu sempre desconfiei. Até que um dia vi Ahhma num bar com um cara ruivo. Eles pareciam bem íntimos. Eu nunca falei nada sobre isso com ela. Eu tinha me apaixonado pelo menino. Era meu filho. Acho que eu não queria saber a verdade. E ainda não quero. Mas e difícil viver com essa dúvida. E se você me diz que eu tenho uma filha minha, com Hermione, o que eu posso lhe dizer? Que o odeio? Seria mentira.
Essas palavras pareceram acalmar Hermione e ela olhou de um para o outro.
-Vocês dois sempre me colocaram nas piores confusões. – conseguiu sorrir apensar dos pesares.
-Vocês me perdoam? – Harry perguntou afinal.
-Só se você explicar essa confusão toda para a minha mãe. Ela já esta bem irritada com o meu divórcio – disse Rony tentando fazer graça.
-Harry. Rony. – Hermione disse séria. – Vocês dois são aurores agora. Conhecem feitiços que eu não conheço. Como medibruxa, muita coisa eu não sei. Então pensei que...
-Você quer esquecer, não é? – perguntou Harry. – Eu também.
-Eu não pensei nisso. Eu pensei em procurar prof.Minerva. Eu...Nunca pedi isso a ela. Mas pensei muito nisso ao longo dos anos, Harry. – sua voz baixou um tom – O vira tempo...
-Acha que ela concordaria? – Rony perguntou cogitando essa idéia.
-Eu não sei. Talvez. Ela sempre teve um carinho especial por nos três. – disse Harry. – Mas o que poderíamos fazer para evitar chegarmos aqui?
-O que desencadeou tudo isso, Harry? Foi aquela noite, quando Você ficou preso por Bellatrix e Malfoy. E eu e Rony não chegamos a tempo de salvar Gina...
-Esta sugerindo que voltemos e evitemos sua morte.
-Estou dizendo que se não houvéssemos entrado por aquela maldita porta, e topado com aquele gigante enfurecido, não teríamos nos atrasado e Voldemort não a teria encontrado antes de nos dois. Eu pensei nisso todos os dias desde que aconteceu.
-Eu também. – disse Rony – Eu sempre me culpei.
-Eu vou arrumar Jully e o Ronald. Vamos leva-los conosco. – disse Hermione de repente – Eles foram os resultado disso, e serão eles que iram comover o coração da prof.Minerva. – disse com expressão maquiavélica.
-Sempre a mais esperta. – disse Rony rindo.
-Vem, Rony – estendeu a mão para ele – Me ajuda com eles.
Foi o deixa necessária para que ele sorrisse e segurasse sua mão. Sentado na mesa, e sorrindo Harry fingiu um suspirou exagerado.
Havia sido uma conversa difícil. Expor tantas coisas particulares dessa forma. Mas no fim, como esperado, Jully e seu ataque à varinha de Minerva que resultou em um pé de cebola sobre seu chapéu roxo, meio torto, amoleceram seu coração e entregou-lhes o vira tempo. Com uma promessa de não estragarem com tudo saíram de lá. De acordo mutuo, escolheram a casa de Hagrid, ainda mantida nos arredores da escola.
Sabiam que elfos ainda iam lá de vez em quando manter tudo em ordem. E foi lá que Hermione pegou o vira tempo nas mãos e disse:
-É melhor que você não vá, Harry.
-Como não? – ele indignou-se. – Eu não vou estragar tudo, Hermione. Não sou mais aquele Harry impulsivo.
-E as crianças? – perguntou Rony.
-Vamos deixa-las dormir um pouco. – dizendo isso, fez um feitiço do sono e as colocaram sobre a cama de Hagrid. – Eu sinto muito, Jully. A mamãe não demora. – deu um beijinho na testa da menina e fez um carinho no pequeno Ronald.
-Então vamos?
-Sim, Harry. São seis anos que se passaram... Umas doze voltas devem bastar.
Envolveu os três com a corrente e girou o vira tempo.
Os três abriram os olhos e se viram num corredor bastante escuro.
-Esse cheiro... – disse Rony – Eu nunca esqueci. Estamos no corredor onde voldemort matou Neville e Luna. Ainda dá para sentir o cheiro da carne queimando. – disse infeliz, olhando para as manchas queimadas nas paredes.
-Sim... – Hermione arrepiou-se. Havia um grande relógio na parede – São quase dez horas da noite. Gina morreu pouco depois da meia noite... Lembro que nos separamos quando Malfoy encurralou Harry. Então pela hora, nos dois devemos estar chegando perto da sala precisa. É melhor corrermos, ou vamos entrar!
Os três desandaram a correr. Vários minutos depois chegaram a sala precisa.
-É tarde nos já entramos! – Rony lamentou-se, ouvindo os rugidos do gigante que vinha lá de dentro.
Espiaram para dentro, evitando de serem vistos por eles próprios.
-Imobilus! – Hermione gritou apontando a varinha para o gigante, no momento que ele iria atacar Rony. Com isso a Hermione, de seis anos atrás, conseguiu estupora-la e logo ele estava no chão. Ela olhou em volta e disse:
-O que foi isso? Rony! Você está bem?
-sim... – ele choramingou – Meu braço. Acho que está quebrado.
-Eu não posso deixa-lo para trás, rony. Você precisa agüentar! – ela disse meio apavorada. Precisamos encontrar Gina! E rápido!
Ambos levantaram com cuidados e saíram correndo da sala precisa.
Os três se esconderam nas sombras até vê-los passar.
Passaram a segui-los sempre de longe. Depois de quase uma hora, ouviram um grito.
Harry tremeu inteiro.
-Harry! – Hermione segurou seu braço – Não podemos fazer nada por Hagrid. Você sabe disso, não sabe? Nos o amamos, mas não podemos fazer nada! Não daria tempo de salvar Gina. Por favor!
-Espere. – disse Rony – Vocês vão atrás de Gina. Eu vou ajudar Hagrid.
-Mas Rony...
-Vão!
Harry e Hermione se separaram dele e cada qual seguiu um lado.
Mais à frente, Hermione e Rony do passado esbarraram numa figura no corredor.
-Gina! – gritou Rony - você está bem?
-S-Sim... – ela toda tremia – Eu estou indo atrás do Harry. Ele só pode estar na sala do prof.Dumbledore! Precisamos ir!
-Você não pode ir sozinha! – gritou Hermione, fazendo-a parar. – Essa luta é de todos nos. Fique com Rony. Vocês dois não estão bem. Vou buscar Lupim e os outros. Harry viverá, Gina. E nós também.
Dizendo isso sumiu pelo corredor.
-É melhor corrermos... – disse Harry para Hermione.
-Não. Depois que encontramos gina morta no corredor eu fiz exatamente isso, fui atrás de lupim e achamos você. E daí Voldemort foi morto por todos nos. E agora, eu tenho quase uma hora de vantagem. Precisamos esperar, Harry. E achar Rony se quisermos voltar a tempo!
Deram a volta pelo corredor, cuidando para não serem vistos. Foram atraídos pela imagem de alguém que se escondia também. Era rony.
-Eu não consegui. – ele disse ao avista-los – ele já estava morto...
-Tudo bem... – Hermione abraçou-o – Todo vai ficar bem. Agora precisamos voltar!
Harry olhava para o lado oposto a eles e seu rosto avermelhou-se.
-Ele deve estar indo na minha direção! Ele foi o responsável pela morte do Hagrid. Da minha família! Dos anos que sofri pela morte de Gina!
-Não! – Hermione gritou segurando-o pelo braço.
-Precisamos voltar, Harry! Agora!
Rony o segurou enquanto ela jogava novamente o vira tempo sobre eles e o girava rápida e meio frenética.....
Hermione olhou em volta sem saber exatamente onde estava. Tinha o vira tempo nas mãos e então se lembrou de tudo. Aquela casa não era sua. E onde estava Harry e Rony?
E se aquela não era a casa do Hagrid...Onde estava sua filha?
Um desespero a tomou e saiu correndo em direção a porta. Nada. Avistou a escada e subiu. Abriu praticamente todas as portas, mas não havia nem sinal da menina. Na ultima porta, havia uma pequena cama e Jully dormia calmamente.
-Oh, meu Deus...Eu tive tanto medo de te perder, Jully...
-Mamãe? – a menina acordou e a olhou sorrindo.
-Olá querida.
-Cadê o papai?
-... – não soube o que dizer.
Um choro desesperado invadiu o quarto e Hermione não soube o que fazer.
-Mamãe? – a menina a chamou sonolenta – Você não vai pegar o Lian? – esfregou os olhinhos.
-Quem? – estranhou.
Mas a menina já adormecera novamente.
Cada vez mais desesperada sem saber se Harry e Rony conseguiram voltar, Hermione saiu pelo corredor. Havia barulho vindo do primeiro andar.
Desceu receosa.
-Shhhmmmm..Tudo bem, nenê, foi só um sonho ruim... – ouviu aquela voz doce e seu coração apertou; fazia tantos anos que não ouvia essa voz.
Chegou no batente de uma das portas e abriu.
Uma jovem, vestindo uma longa camisola branca, com um penhoar largado por cima, ninava uma criança nos braços. Seus longos cabelos ruivos cobriam seus ombros e emolduravam seu rosto sorridente.
-Hermione! – ela disse assim que a viu – Achei que tivesse ido embora com o Rony! – Aconteceu alguma coisa? Que cara é essa?
A emoção paralisou Hermione no lugar.
-Hermione?
Gina deixou a criança sobre a cama e aproximou-se. Hermione perdeu o controle e a abraçou forte, chorando e soluçando.
-Hermione...O que foi? Minha amiga, você vai quebrar meu pescoço assim! – ela riu suavemente e Hermione afastou-se tocando seu rosto incrédula.
-Você está tão bem, Gina...Tão bonita...Tão...
-Oh, nossa! Que bom ouvir um elogio! Depois desses meses todas parecendo uma gorila! – riu afastando-se e pegando o bebê no colo. Começou a nina-lo.
Hermione a viu se mover pelo quarto e pouco a pouco suas lembranças foram voltando. Corrigiram o passado e reviveram-no todo.
-Gina...Você sabe onde está rony e Harry?
-Harry esteve aqui a uma meia hora. Eu estranhei porque ele disse que iria trabalhar até tarde. Daí ele começou a chorar e soluçar como uma criança e não quis me dizer porque! Mandei Doddy arrasta-lo para o quarto de Rony! Que Rony resolva os problemas desse cabeça de vento! Onde já se viu! Ele disse que estava chorando de saudade? Pode isso? Nós nos vimos a menos de duas horas, quando você e Rony decidiram sair e jantar fora! O Harry às vezes me vem com cada uma... –tagarelou sem parar, e Hermione sorria só por poder vê-la bem e viva.
-Eu vou até lá então, ver o que eles tem...É...Bem...Onde fica mesmo?
-Hermione? Vocês três beberam é? – sorriu e maneou a cabeça – Na segunda porta do terceiro andar. Só ande devagar, porque qualquer coisa tem acordado o vampiro no sótão. Não sei o que deu na minha cabeça de deixar o papai me convencer a traze-lo para cá...Eu devia estar louca... – começou a sussurrar coisas para bebê enquanto ninava.
Hermione subiu para o terceiro andar.
A porta estava aberta. Harry e Rony estavam debruçados sobre um grande livro. Um álbum de fotografias.
-Vocês estão bem? – perguntou incerta.
-Você a viu? – Harry tinha um sorriso de orelha a orelha.
-Sim, eu a vi. E vi Jully também. Esta dormindo. – aproximou-se – Vocês lembram de alguma coisa?
-Estamos olhando o álbum. Eu já lembrei de varias coisas – disse Rony – lembra que a prof.Minerva disse que nesses casos pode levar algumas horas para tudo que vivemos voltar para a gente, como realidade?
-Sim. Então? O que me contam?
-Eu casei com a Gina um ano depois de derrotar Voldemort. – disse Harry sorrindo sempre – Tivemos um filho, Tiago, e depois Amber e agora temos o Lian, o mais novo. Vocês dois se casaram na mesma cerimônia. Foi muito bonito. Duas noivas, e dois noivos no altar. Lembro que estávamos tão nervos que a gente quase trocou as noivas...Fred e Gorge caçoam da gente até hoje por isso. Jully já tem quatro anos, nasceu antes, Hermione, do que na outra vida que tivemos. E depois veio a Molly. Só que ela é adotiva. Filha de um casal morto por comensais. Tem sete anos. Vocês dois se apaixonaram pela menina assim que a conheceram. Ela nasceu na índia. E depois veio o bebê, mas se estiver certo, ele ainda não nasceu – as mãos de hermione foram para a barriga na mesma hora.
Aproximou-se de Rony e o abraçou com força.
-Hermione...Nos vamos contar para Gina?
-Eu não sei... – Daqui a algumas horas não vamos mais lembrar da nossa vida antiga, Harry. Nem vamos lembrar que usamos o vira tempo...
-Pensamos nisso. – disse Rony. Pegou um pergaminho longo que havia sobre a cama – Escrevemos resumidamente tudo que aconteceu. Os nossos motivos. Encantamos nossa assinatura, para não ter dúvidas. Você quer assinar também?
-Sim... – ela parou ao escrever seu primeiro nome e disse – Assino, Granger, Potter ou Wesley?
-Wesley! – ele disse indignado – Estou tendo umas lembranças bem interessantes sobre essa parte - disse malicioso. Ela terminou de assinar e eles se beijaram.
Harry deixou o álbum e saiu de fininho depois de fechar a porta. Era hora dele também ser feliz...
Fim.
E ai? Eu disse que ia ser surpreendente não disse?
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