Brigas
Não estava sendo um dia como os outros. Perto do Natal, ser monitora a obrigava a andar com ele para cima e para baixo. Claro que sempre havia alguém intermediando. Mas raras oportunidades, ela esquecia que o odiava e acabava falando diretamente a ele.
Nessas horas a raiva voltava com toda a força e ela simplesmente ignorava a resposta dele e virava de costas, sumindo da sua vista.
Fazia meses que ele estava namorando. Devia ter se habituada. Mas não. Continuava magoada. E ele, feliz da vida, rindo dela pelos cantos!
Mas aquele dia, realmente nasceu para não ser como os outros. Sonserina e Grifinólia organizando a confraternização de final de ano? Não podia dar certo. De jeito nenhum.
-E então, Granger, sozinha?
A voz irritante de Draco Malfoy, do alto da escada dependurando visgos encantados, a fez avermelhar e olhar desgostosa para Rony que arrumava as caixas de presentes, bem perto dali. Ele virou-se e ficou olhando para eles.
-E feliz – ela completou amarga, usando a varinha para levar até ele mais visgos.
-Jura? – ele riu – Achei que gostasse do Harry-bebê. – gozou com sua cara. – Mas parece que ele anda com a Wesley-fêmea, não é?
-Não se refira a eles assim! – disse indignada – Harry e Gina são meus melhores amigos! Estou feliz pelos dois!
-Então qual o problema? O Wesley-pateta não te quis? – riu, e vendo sua cara assobiou animado – Acho que acertei na mosca!
-Antes só do que mal acompanhada – ela sussurrou, se afastando e movendo-se atrás de mais visgos.
-Hei, Granger! – ele gritou de cima da escada, chamando a atenção de todos do salão, que não eram mais que oito pessoas organizando tudo, inclusive prof.Snape e prof. McGonagall. – Até que você é bem jeitosinha! Se quiser eu te levo ao baile do fim do ano – e então ele riu.
Ela quis mata-lo. Quis mesmo. Poderia ter enfeitiçado a escada e o feito cair de boca no chão. Mas não pegaria detenção por causa dele!
-Ela não precisa de você, seu idiota! – Rony gritou para ele, - Acha mesmo que ela olharia para você????
-Ah, e por que não? Você não deixaria?
-É, isso também. – ele provocou de volta.
-Eu olho para quem eu quiser! – ela disse indignada. – quer saber? Seria interessante ir com você, Malfoy! Muito interessante! – virou de costas, deixando os dois de boca aberta.
Estava tão furiosa que quase caiu quando rony andou até ela e segurou seu braço.
-Você enlouqueceu? – ele gritou na sua cara.
-Enlouqueci sim! qual o problema? – ela gritou de volta.
-Eu não vou deixar que vá com ele!
-E vai fazer o que? Pedir que a Lilá me vigie? – ironizou.
-Sua...sua... – ele pareceu não encontrar argumentos e disparou – cabeça dura!
-Cabeça dura, eu? Me solta, seu trago sem cérebro!
-Sabe tudo, enxedora de saco! – ele gritou de volta, a centímetros dela.
-Ogro! Parvo! Paspalho! Idiota! Imbecil.... – sua voz foi abafada por ele.
Rony a puxou com força e grudou sua boca na dela. Foi apenas um minuto, até que prof. Snape, com sua varinha conjurasse um feitiço que os separasse. Assustada ela olhou em volta.
-Menos 5 pontos para Grifinólia – ele disse secamente – Por desrespeito e sem-vergonhismo!
Ela olhou com raiva para ele.
-O que??? – ele retrucou enfurecido.
-É tudo culpa sua!
-Culpa minha? – ele disse incrédulo.
-Você que fica se metendo onde não é chamado, Ronald!
-E você fica me provocando, só para que eu...
-Para que você o que? – rosnou de volta.
-...Admita que gosto de você – ele disse vermelho.
-Como se eu me importasse... – ela deu de ombros, mas seu coração acelerou assustadoramente. – Mesmo por que palavras são só palavras. O que de fato importa são as atitudes!
-As atitudes? Quer falar de atitudes? Você beijou Vitor Krum!
-E você a Lilá! – gritou de volta.
-Sim, mas não é a mesma coisa... – ele gaguejou.
-Tem razão, não é a mesma coisa! Como se eu me importasse de qualquer maneira! Você pega seus sentimentos e os dá todinhos para a Lilá, e ela que faça bom aproveito com eles!
-Hermione... – ele disse surpreso.
-O que? – ela gritou de volta – Esperava que eu fosse me derreter toda por falsas declarações?
-Eu só... –ele disse sem palavras e bastante magoado.
Ela virou o rosto, para que ele não visse que ela chorava. Sentia vontade de bater nele e também de beija-lo novamente. Cruzou os braços com raiva dele, e dela mesma.
-Srta.Granger, sr.Wesley, venham a minha sala, por favor – disse a voz seca de Prof. McGonagall.
-Ah, ótimo, era só o que faltava... – ela sussurrou com amargura.
Os três deixaram a sala de eventos e andaram logo atrás da professora, sem se falarem, ou se olharem.
Dentro da sala, ela sentou-se em sua cadeira, atrás de sua mesa, e ambos ficaram de pé olhando-a.
-É realmente decepcionante ver dois amigos se tratando desse modo – ela disse e Hermione chegou a abrir a boca para argumentar mas fraquejou com o olhar penetrante da professora sobre ela – Acompanhei essa amizade desde que tinham onze anos, e admirei o quanto era importante isso na vida de Harry Potter. Não apenas por ele ser o menino que sobreviveu, mas por ser uma criança solitária e sem amor. E agora, eu vejo vocês dois, Sr. Wesley e Srta. Granger se engalfinhando em público como gato e rato, sem o menor pudor ou percepção de limites!
Hermione ficou tão chocada com a bronca que quase chorou, como uma criança que não aceita os próprios erros.
-O que está acontecendo com os dois, além claro, do obvio?
-Prof. McGonagall, é…a gente brigou por coisas que tem a ver com...– disse Rony com voz fraca e envergonhada. – é...bem...tem a ver com coisas pessoais – ele disse se enchendo de coragem.
-Sim, e tem a ver com respeito, admiração e amizade, sr.Wesley – ela disse com voz dura – Namoros são sempre assuntos desconcertantes. Mas não a esse ponto. Acho que os dois precisam resolver isso, e rápido, antes que essas discussões atrapalhem nos estudos.
-Professora.... – Hermione se encheu de coragem – Iremos discutir isso...outra hora...
-Discutir, não, srta.Granger. Conversar. – disse com um olhar ricriminativo – Tenho muitos assuntos a resolver com prof.Snape, mas tenho certeza que alguns momentos a sós, irão resolver esse impasse. – ela levantou-se e passou por eles – A propósito, a gárdula os deixara sair assim que resolverem seus problemas.
Assim que ela saiu, Hermione deixou o ar escapar dos pulmões, completamente chocada.
Sentou-se na primeira poltrona que avistou. Olhou para as próprias mãos. Rony se moveu e se ajoelhou perto dela.
-Hermione...
-Fala... – ela sussurrou.
-Olha para mim. – ele pediu e ela o fez com magoa nos olhos.
-Eu agi como um idiota. Mas eu gosto de você, mais que amiga. Mais que de qualquer outra garota. Será que pode me perdoar pelos meus erros?
-Sim...eu posso – ela disse sentindo-se mais leve. Um sorriso leve se formou em seu rosto e ele sorriu também. E você me perdoa por ter sido tão irritante nos últimos tempos?
-Não tenho o que perdoar, mas acho que nos dois temos que esquecer essa briga idiota e...Hermione?
-O que? – olhou para ele em expectativa.
-Posso te beijar de novo?
-Não. – ele corou absurdamente e ela sorriu – Não enquanto for namorado da Lilá.
Ele pareceu aliviado e abriu um amplo sorriso. Ela riu também e ele segurou suas mãos, fazendo-a ter um arrepio involuntário.
-Bem, então é melhor corrermos, pois eu tenho que falar urgente com a Lilá! – ele disse rápido, ameaçando levantar.
-Rony! – ela segurou seu braço e ele a olhou surpreso. – Estava apenas testando você. – ela se inclinou e roçou os lábios nos dele.
Rony aprofundou o beijo de forma deliciosa.
Anos depois ambos se lembrariam daquela vez em que se beijaram no meio da antiga sala de Dumbledore, tendo como testemunha daquele amor, apenas os quadros dos antigos diretores da escola.
Testemunhas passivas de uma história de amor que duraria por gerações e gerações...
fim
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