
Capitulo 5.
O resto da semana passou relativamente chato; Tiago e Lilian continuavam com suas brigas incoerentes; por alguma razão, Sirius estava sendo mais paciente com Lene, que insistia em desconfiar de sua bondade repentina; e Dorcas estava enrolada, como sempre.
Sirius tinha mostrado á Dorcas, a sala encontrada por ele e Lene, e desde então a garota passava seu tempo livre lá.
Na ultima semana recebeu algumas cartas anônimas, com ameaças de fazer o sangue gelar; ela sabia de quem eram, mas não ia se intimidar.
Com sua mochila pendurada nos ombros, e os cadarços desamarrados, seguiu pra sala onde ficava nas suas tardes, planejando e criando suas canções.
Jogou a bolsa no chão e seguiu em direção ao piano.
- Preciso terminar isso hoje – bradou à loira, estralando os dedos determinada.
A canção melancólica invadiu o ambiente, e instantaneamente ela fechou os olhos; como era linda; e acredite ou não ela já tinha a letra!
Concentrada em não errar as notas, não prestou atenção na pessoa que estaria ali, desde a hora que chegou.
- É muito... Bonita.
O som cessou e ela se virou, assustada para o dono da voz.
- Ah que susto, Remus! Desculpe, não imaginei que fosse você.
- Pensei que ia me estuporar, ou coisa do gênero.
- Desculpe ultimamente eu ando meio...
- Assustada?
- Não sei se essa seria a palavra correta.
- Eu sei o que anda te assustando, Dorcas. Não deixe que eles façam isso.
- Não sei em que se refere, desculpe – ironizou ela; Lupin não podia saber a quão assustada ela estava; não queria parecer covarde. Ela teria de agüentar esse tranco.
- Acha mesmo que estou alheio á essa situação?
- Anda prestando mais atenção na MINHA vida, do que na sua?
- Essa não é a questão.
- Eu acho que é!
- Eu me preocupo com você, só isso.
Isso pegou Dorcas desprevenida; desde quando ele se preocupava com ela?
Sempre teve uma quedinha saudável por Remus, mas achava que nunca teria chance, então aprendeu a conviver com isso.
Mas agora essa...?
- Quer me ajudar a terminar a música?
Ele sorriu pra ela e se aproximou.
- Um dueto?
- Talvez – sorriu ela, pegando na mão dele.
Dessa vez ele foi para o piano.
- Você me viu tocando, certo?
Ele acenou e tocou as primeiras notas, para ter certeza.
- Você aprende rápido!
- Eu sou assim – sorriu ele passando a mão nos cabelos, tentando ser como Tiago ou Sirius.
Dorcas riu.
- Você não precisa ser como eles – ela disse colocando a mão na dele – sua essência é que me atrai.
- Quer dizer, que eu atraio você?
- Seu bobo! Eu tenho a música pronta, mas vamos até a metade, ok?
Ele acenou novamente e começou a tocar.
You don't want me, no
You don't need me
Like I want you, oh
Like I need you
And I want you in my arms
And I need you in my arms
You can't see me, no
Like I see you
I can't have you, no
Like you have me
And I want you in my arms
And I need you in my arms
Love, love, love
Love, love, love
You can't feel me, no
Like I feel you
I can't steal you, no
Like you stole me
And I want you in my arms
And I need you in my arms
Lalalalala
Lalalala
Lalalalala
Lalalala
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Sozinha no salão comunal, ela cantava e dançava sem vergonha; aliás, ela nunca nem mesmo teve vergonha!
Mexia seus quadris, descia e subia, rebolava, jogava seus cabelos negros pra todos os lados; era a sua paixão. Dançar.
Tem coisa melhor que dançar? Não pra ela.
- Com licença – disse ele interrompendo sua dança, e acabando com seu sossego.
- Com licença você Black! Não está vendo que estou dançando?
- Eu só quero cortar as unhas do pé, Marlene – suspirou ele entediado.
- Pois vá cortar a unha do pé, no seu dormitório! Que nojeira é essa agora.
Ele a ignorou.
- Ou você sai, ou eu saio.
- Fique a vontade!
- Qual é seu problema? Mascava Suvinil do berço, quando era pequeno?
- Sem comentários; fecha essa bocona e me deixa cortar as unhas.
- Pois não deixo! Vou continuar dançando.
- Fique a vontade – repetiu ele.
Quando entrou na sala, logo percebeu que Marlene estava dançando; Marlene dançando é igual á saia. E Sirius ama saia, então não ia sair cedo dali.
Era impressionante a capacidade, que a garota tinha para se flexionar! Nunca tinha visto uma menina rebolar tanto.
A dança era bacana e bem elaborada; a coreografia era boa e não era vulgar.
Com exceção da saia é claro. Ela sempre usava uma saia vermelha, que seria exagero afirmar, mas cobria apenas o traseiro e mais dois dedos pra baixo.
Se ele via a calcinha dela? Quem dera!
A saia tinha uma espécie de proteção por baixo; mas mesmo assim olhar Marlene daquele jeito era excitante.
- Quer saber?!
Ele levantou decidido e desligou o som.
- Com que permissão, me atrapalha assim?
- Simples – deu de ombros – com essa aqui.
Agarrou na cintura da menina e a beijou intensamente.
Ele estava louco pra fazer isso, e se estava. Melhor que fosse agora.
Ela até tentou socá-lo, mas felizmente o maroto era mais forte e mais insistente também.
-
Naquele momento tão intenso, os dois não se tiravam os olhos;
Como ela é linda – pensava ele.
Como ele é perfeito – pensava ela.
Dorcas conviveu com muitas pessoas que, insistiam – por mais que negasse – que um dia, Remus e ela iriam se casar.
Será mesmo? Seria tão perfeito se ficassem juntos no final, querendo ou não, eles combinavam.
Era a melhor coisa do mundo, olhar seus olhos e aquele sorriso, de menino maroto.
Quando os dois terminaram a canção, continuaram se olhando e sorrindo.
Ele se levantou ainda com o sorriso no rosto, e ficou grudado em Dorcas.
- Acho que preciso te dizer...
- Dizer o que?
- Que gosto de você.
Ela abriu o sorriso mais vitorioso que pode; apesar dos boatos desde que chegara a Hogwarts, ela ainda era feliz, não era viciada em drogas e nem era depressiva. Aquele sorriso provava.
Ainda sorrindo ela foi dando passos pra trás, até encostar-se à parede, distante o bastante de Remus.
- Isso é bom, eu acho.
- Isso é ótimo – disse ele rindo e se aproximando.
À medida que Remus se aproximava ela se distanciava.
- Não fuja da realidade, Dorcas.
- Não estou fugindo da realidade – ela gargalhou, indo pra trás do piano – estou fugindo de você.
- Eu sou sua realidade.
Parou de fugir por um instante, e o deixou se aproximar.
- Tem certeza?
- Tenho mais certeza, que agora vou te beijar.
Ela o deixou se aproximar o suficiente para sussurrar.
- Não pensei que será fácil bobinho! Apague as luzes quando sair.
Pegou sua mala em questão de segundos e deixou o bobinho Lupin, vendo navios.
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Acredite ou não, milhões de pensamentos corriam soltos em sua mente; um mais absurdo do que o outro.
Será que as amigas iriam se importar, se ela escapasse do combinado?
Apesar de todo aquele pudor, e a loucura subindo dos pés á cabeça, ela sabia muito bem que aquilo era errado.
Mas que errado bom!
Era terrível imaginar como ela, se amolecia quando ele a tocava daquela forma. Como ela se entregava tão facilmente.
Ela não podia! Ela queria, mas não podia. Difícil era, mas nada que não pudesse carregar.
- Sirius me solta! – gritou ela, entre o intervalo do beijo.
O maroto estava com aquela cara de incompreensão, meio amassado e com a boca avermelhada dos gloss da menina.
- Você estava gostando.
- Eu odeio você, Black! Eu não te agüento, você foi a pior coisa que me aconteceu aqui!
- Não parecia, á segundos atrás.
- Por que você não me deixa?
Uma boa pergunta para uma boa resposta.
- Talvez, pelo fato de gosta de você.
Seu corpo estremeceu de raiva, e ela gargalhou exagerada.
- Ora Black! Você não gosta nem de si mesmo.
- Você ta certa Lene; não tiro sua razão, mas você mexe comigo, acredite.
- Eu e mais quantas?
- Algumas – sorriu ele.
Ela não brincou em nenhum momento; estava nervosa e se sentia usada.
Marlene sua burra!
Nada demorou pra as lagrimas descerem desenfreadas, pelas suas bochechas.
- Por favor, Sirius – implorou ela – me deixa em paz!
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- O que aconteceu com a Lene, almofadinhas?
- Acho que peguei pesado, pontas.
- Normal.
Ele reconhecia que não deveria ter feito, mas dane-se. Não se arrependeu de verdade.
- Não consigo, sabe. Ela é muito gostosa para o próprio bem.
- Você gosta dela.
- Não gosto.
- Vai se arrepender do que está tentando fazer – alertou Tiago – vai perdê-la quando mais desejara ganha-la.
- A vê se morre quatro olhos! Deu de filosofar agora? Aprendeu com a Evans, não foi?
- É só falar na Evans, que o pontas baba ovos – gargalhou Remus saindo do banheiro, com uma toalha enrolada na parte de baixo.
Os três amigos gargalharam.
- Por que não vai cuidar desse seu problema, pequeno, Aluado?
- Eu e Dorcas – começou ele sonhador, ignorando a fala do amigo – pintou um clima legal, hoje.
- Tava na hora, aluadinho; eu e o pontas já estávamos pensando, que você era flosô.
- Vê se cala essa bocona, Sirius.
- Vou fazer melhor – respondeu Sirius – vou cantar I Will survive, pra você dormir amado!
Logo depois, Sirius levou uma bela almofadada na cara, e assim prosseguiram os três, até caírem cansados.
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Meninas, reunidas, comendo chocolate. Nada bom.
Meninas, reunidas, comendo chocolate e uma chorando... Péssimo!
- Marlene, se acalma, por favor! Lembra do que você nos disse na sua casa: mantenha o foco!
- É Lene, aquele corno do Sirius vai se arrepender.
- Não! – disse ela, chorando as pitangas e se entupindo de chocolate – não quero que ninguém faça nada! Vocês não entendem que dessa vez a culpa foi minha.
- Mas... Mas Marlene, ele te beijou!
- Ela tem razão Lily, Sirius beija todo mundo.
- O que eu to querendo dizer, é que eu gostei! Aquele maldito está fazendo a mesma coisa comigo; e eu estou caindo de novo.
- E o que você vai fazer? – Lilian perguntou, enfiando uma colher de caramelo na boca.
- Tomar algumas providências.
Ela não iria passar por tudo aquilo, novamente.
Obs: Oi gente, well well well; primeiro: obrigado pelos comentários, eu nunca agradeço, mas fico muito feliz quando vejo vocês comentando. Segundo: Sim, eu amo – até demais- PLL *-*. Terceiro: a música é YOU do The Pretty Reckless.
E como eu tinha dito a capa muda toda semana, no Maximo domingo ou segunda. É isso, e boa leitura.