FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

1. Azkaban


Fic: Azkaban, by Rê Malfoy AVISO ON


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Azkaban. A tão conhecida prisão dos bruxos. Também chamada de Fortaleza. Localizada em uma ilha, cercada pelas águas congelantes do Mar do Norte...


Prisão. Segurança máxima. Um lugar frio e sombrio. Guardada por dementadores...


Inconscientemente, Hermione fechou os dedos ao redor de sua varinha com mais força. Conscientemente, a ex-auror prendeu a respiração...


Fechou os olhos, sentiu o enorme vazio que a envolveu. Tristeza, solidão, desespero...


Abriu os olhos, soltou um longo suspiro. Caminhou pelo corredor de entrada, subiu o primeiro lance de escadas...


Um, dois, trinta degraus... Cinco, dez, quinze dementadores... Inúmeras celas. Diversos prisioneiros. Gritos de dor ao final de cada corredor...


A morena seguiu para o quinto patamar, a varinha firmemente segura em sua mão. Ainda assim, o nervosismo conseguia tomar conta de si... Treinamento, estratégias, planos de apoio... Nada disso parecia fazer sentido naquele lugar... Nada parecia fazer sentido naquele lugar...


Parou de frente para um corredor, fechou os olhos mais uma vez. Fez uma pequena oração mental, pedindo a Merlin coragem e paciência. Coragem para seguir em frente. Paciência para ouvi-lo... Decidiu também pedir por ajuda. Ajuda para fazer o que fosse necessário. O que fosse correto. O que fosse melhor para ele...


Caminhou lentamente, o som de seus passos soando mais alto em seus ouvidos do que era de costume. Ou seria apenas um truque de seu inconsciente? A morena jamais saberia dizer...


Ignorou os diversos corpos por que passava, encolhidos como bebês, vazios como o tronco seco de um carvalho... Azkaban não mantinha prisioneiros os bruxos criminosos. Ela os transformava em seres sem vida. Em meros corpos que definhavam com o passar do tempo...


Um baque seco, a ex-auror ergueu prontamente sua varinha, preparada para atacar. Mas o baque fora inofensivo, sendo mero resultado do encontro de duas mãos contra as grades de contenção. Duas mãos pálidas e sujas. Pertencentes ao que antes fora um rapaz sadio e belo...


Respirou fundo, entrou no campo de visão de quem estava dentro da cela. A morena não pôde conter o bolo seco que desceu por sua garganta. Era triste vê-lo naquela situação. Ainda mais depois de tudo pelo que haviam passado juntos...


************************************************************************************


Viu-a conjurar uma cadeira, sentar-se e respirar fundo. Viu-a apoiar a pequena maleta em seu colo, retirar uma folha de pergaminho, pena e tinteiro. Ouviu-a dizer “Entrevista 749, ex-auror Hermione Jane Granger, agora pelo Escritório Internacional de Direito em Magia.”, pausando rapidamente para um suspiro, um suspiro baixo e triste. “Prisioneiro Draco Lucius Malfoy, ex-auror, condenado por...”, mais uma pausa, no que finalmente a garota ergueu o rosto, seus olhos se encontrando depois de muito tempo... “... conspiração, traição e genocídio.”.


************************************************************************************


- Granger... – ele começou, mas a morena olhou para o pergaminho em seu colo, ignorando-o completamente.


- A pena de repetição rápida anotará tudo o que falarmos aqui. – anunciou, formalmente, sem o fitá-lo, usando o pretexto de apoiar a maleta no chão e observar suas palavras serem escritas no papel – Após, irei lhe entregar uma cópia, para que voc...


- Granger...


- ... você confira que tudo se encontra conforme o solicitado. – ela continuou, como se ele não a houvesse interrompido – Seu último pedido está sendo atendido, então, aconselho-o a aproveitar o tempo que ainda lhe resta. – pausou ao final, tornando a engolir em seco.


Era irônico estar naquela posição. Ainda mais sabendo que fora ela quem ajudara a prendê-lo...


************************************************************************************ 


 Chovia fortemente do lado de fora da prisão. O barulho da água caindo era intensificado pelas paredes de pedra de Azkaban. O clarão dos raios iluminava os corredores sombrios e frios de tempos em tempos. Hermione cruzou os braços junto ao corpo numa tentativa infantil de se proteger...


- Apresente-se. – solicitou, tornando a erguer os olhos, suas íris castanhas encontrando o cinza dos olhos dele, que se encontrava sentado no fino colchão esfarrapado que servia-lhe de cama.


- Draco Lucius Malfoy, 27, ex-auror. – o loiro repetiu o que ela a pouco acabara de dizer – Condenado pela Suprema Corte dos Bruxos por conspiração, traição e genocídio. Sentenciado a um ano de prisão em Azkaban. Posteriormente... – uma pausa, sua voz falhara por alguns instantes. Pigarreou, prosseguindo em seguida – ... a receber o beijo do dementador.


- Está ciente que sua sentença será... cumprida... amanhã à noite? – a voz dela também falhara.


- 18 horas. – ele assentiu, sorrindo cabisbaixo ao final – Achei que morreria sem ver você. – comentou, tentando fazer daquilo uma piada.


- Há um ano, você solicitou essa entrevista. – a morena murmurou, séria – Tal lhe foi concedido.


- Há um ano eu solicitei que você conduzisse essa entrevista. – ele a corrigiu, a voz baixa e triste – Mas só agora você apareceu. Por quê?


- Você poderia ter tido essa entrevista antes. – a ex-auror respondeu, firme.


- Antes, mas sem você. – Draco a confrontou, porém cansado – Por que demorou tanto para vir?


- Malfoy, acho melhor você aproveitar o tempo qu...


- Por que? – ele queria saber. Seus olhos, fixos na morena, não ousavam piscar.


- ... que lhe resta para dizer tudo...


- Por que?


- ... o que tem para dizer e...


- Hermione, chega! – Draco pediu, vendo o silêncio preencher o ambiente entre eles, sendo o mesmo cortado apenas pelo barulho dos trovões do lado de fora da fortaleza.


A garota respirou fundo mais uma vez, soltando o ar lentamente de seus pulmões.


- Por que? – o loiro tornou a perguntar, mais uma vez o cansaço presente em sua voz.


Hermione o analisou por alguns minutos, ainda sem responder. Detestava estar naquela posição...


Jamais admitiria que não queria ir vê-lo por medo de como o iria encontrar. Jamais admitiria o quão arrependida estava de tê-lo perseguido e o posto detrás daquelas grades. Jamais admitiria que se importava com ele... Que ainda se importava com ele...


Jamais poderia admitir que algo morrera dentro de si ao encontrá-lo ali, detrás daquelas grades, magro e pálido, como um verdadeiro cadáver. Usando roupas sujas e rasgadas. Seu corpo machucado pelo frio e pela fome. Tão longe do verdadeiro Draco Malfoy que ela conhecera, durante o tempo em que trabalharam juntos...


Respirou fundo, apertando os braços mais firmemente contra o peito. Sabia que não seguiriam em frente se não dissesse alguma coisa.


- Você me decepcionou demais, Malfoy. – respondera, vendo-o abaixar o rosto, escondendo-o entre as mãos feridas por arranhões – Jamais pensei qu...


- Não fui eu, Hermione. – o loiro respondera, visivelmente desamparado – Eu juro que não fui eu!


A auror fechou os olhos por um momento, tentando recuperar a compostura. Não podia deixar transparecer o quão forte fora ouvir seu nome ser pronunciado por ele. Mais uma vez. Depois de todo aquele tempo...


- A pena anotará todas as suas palavras. – explicou mais uma vez, a voz baixa, quase num sussurro – Pode começar quando quiser.  – finalizou, observando com demasiada atenção as paredes de pedra de Azkaban.


Draco anuiu com um aceno de cabeça, as mãos unidas à frente do seu corpo.


- Você vai me ouvir? – quis saber, e a morena entendeu o que ele queria dizer.


Para ele, a entrevista não importava. Para ele, o que importava era se explicar. E se explicar para ela...


 - Ok, Malfoy, estou ouvindo. – a morena assentiu, um tanto contrariada, no que ele sorriu, mais satisfeito.


A chuva tornou-se uma verdadeira tempestade. O vento começou a provocar ruídos pelas frestas nas pedras...


 


[FLASHBACK]


“Draco encontrava-se de pé, os braços cruzados junto ao corpo, os punhos cerrados. Seu olhar, fixo no vidro à sua frente, observava a tudo o que se passava do outro lado do espelho de observação...


Abaixou a cabeça por um momento, massageou a nuca com a mão direita. Com um movimento breve, estalou o pescoço, voltando a prestar atenção no que acontecia diante de si, porém na sala ao lado.


O ranger baixo da porta indicou que alguém entrara. O aroma do café rapidamente aguçou-lhe os sentidos, e tudo o que o loiro se limitou a fazer foi estender o braço. Em seguida, um copo grande descartável era posto em sua mão, ouvindo-se, a seguir, um novo rangido, indicando que a porta fora fechada...


Levou o copo aos lábios, os olhos ainda presos no interrogatório que acontecia. Sentiu o gostoso gosto de caramelo em sua boca, o expresso descendo maravilhosamente quente por sua garganta. Esboçara um pequeno sorriso, o suficiente para que surgisse no canto do rosto uma quase imperceptível covinha. Quase, pois ela fora a primeira a notar... Primeira e única...


Respirou fundo, endireitou melhor o corpo, ajeitando a postura. Pôs a mão livre dentro do bolso lateral da calça social preta feita sob medida. Levou novamente o copo aos lábios, sorvendo um pouco mais do líquido fumegante.


Detestava admitir, mas Granger era boa no que fazia...


************************************************************************************


 O segredo da manipulação psicológica começa antes mesmo de o interrogador entrar na sala de interrogatório. Em geral, os ambientes são projetados para maximizar o desconforto do interrogado, dando-lhe uma sensação de impotência desde o momento em que puser os pés no local. Tal acontece no mundo trouxa. No mundo bruxo não seria diferente...


Salas pequenas, escuras, mal-iluminadas por archotes flamejantes. Em geral, localizavam-se no último nível do Ministério da Magia, nas masmorras úmidas ao redor da Suprema Corte dos Bruxos. Em cada sala havia uma única cadeira de ferro, com algemas e correntes pendendo de seus braços. Bastava que o interrogado se sentasse para que as mesmas, magicamente, levitassem e o prendessem, sem sequer haver a necessidade do pronunciamento de um feitiço.


Das paredes, escorria água e limo, aumentando a sensação de exposição, estranheza e desconforto do bruxo que se encontrasse ali acorrentado. Literalmente, o interrogado encontrava-se nas mãos do bruxo ou bruxa responsável por seu interrogatório. E, no Departamento de Execução das Leis da Magia, existiam todos os tipos de bruxos possíveis...


Draco conhecia exatamente a cartilha pregada pelo Departamento a que pertencia. Existiam apenas três regras básicas: 1) Não uso de discriminação sanguínea; 2) Sem mortes; 3) Relatórios precisos.


A primeira regra era basilar, fruto de uma consciência crescente após a guerra contra Lorde Voldemort, quase sete anos atrás. Obviamente, nem tudo eram flores, uma vez que ainda existiam aqueles que acreditavam na superioridade dos puros de sangue.


A segunda servia como uma medida de cautela, tendo em vista os excessos provocados durante alguns interrogatórios, em que diversos bruxos e bruxas utilizavam de técnicas de tortura, as quais acabaram por afetar a sanidade de alguns interrogados, o que acabou por levar a uma onda de suicídios cerca de quatro anos atrás. A terceira regra, porém, era a mais respeitada por todos...


Relatórios precisos significavam gravações dos interrogatórios, bem como o reporte de todos os movimentos realizados pelos aurores em suas missões, desde as mais simples até aquelas em que se recorria aos serviços secretos dos chamados Inominados, do Departamento de Mistérios.


Como auror, Draco Malfoy já participara de diversos interrogatórios. Era conhecido como um dos mais eficientes entre seus companheiros de Departamento, pois sempre conseguira arrancar uma confissão ou uma informação valiosa de seus interrogados. Jamais falhara em uma missão. Ainda, detivera, por três anos seguidos, desde que se formara na Academia de Aurores, o recorde de missões completadas em menor escala de tempo. Detivera... Até Hermione Granger decidir se tornar uma auror...


************************************************************************************


Diferentemente da maioria dos aurores, Hermione Granger não costumava usar as masmorras frias e úmidas para realizar seus interrogatórios. A morena optara por transformar a masmorra número 3 numa sala comum, de paredes brancas, onde havia apenas uma mesa retangular de vidro e duas cadeiras de ferro retorcido, uma de cada lado. Bem iluminada, Draco conseguia observar tudo o que acontecia dentro daquela sala através de uma grande tela de vidro, que lhe dava completo acesso aos interrogatórios realizados pela morena. Tinha o privilégio de assistir a tudo no exato momento em que aconteciam. Privilégio, esse, que todos em seu Departamento gostariam de ter. Privilégio, esse, por serem os dois parceiros em missões...


Draco não sabia como a sabe-tudo conseguia, mas, a cada interrogatório, Hermione Granger mudava seu jeito de trabalhar. A morena, todavia, tinha um certo padrão a ser seguido e que ele já pudera estabelecer.


Deixar o interrogado confortável. Estabelecer um vínculo. Demonstrar tudo o que se sabe sobre ele. Deixá-lo tenso. Observar suas reações.


Depois de traçado o perfil preliminar, Hermione tecia uma teia de idéias e pensamentos, trazendo o interrogado, através de perguntas e respostas, para uma emboscada. Emboscada, essa, que ela conseguia tramar como ninguém...


************************************************************************************


Draco bebericou do seu café expresso, analisando a morena por detrás do vidro. Ela não lembrava em nada a sabe-tudo grifinória que se escondia por detrás de uma pilha de livros no fundo da biblioteca...


Uma sabe-tudo sem graça, com ar de inocente, que vivia para os amigos e livros. Completamente sem atrativos... Completamente imperceptível ao olhar de um homem...


Observou o bruxo interrogado, um jovem de dezesseis anos, levar as mãos à cabeça, abaixando esta em seguida. Sorriu baixinho. Ela conseguira de novo...”


[FLASHBACK]


 


- Nossa, como sinto falta de um bom expresso! – o loiro murmurou, sentindo a garganta umedecer tão-somente com a lembrança do café.


Hermione não pôde deixar de sorrir. Sabia como o rapaz tinha uma certa obsessão por cafeína...


 


[FLASHBACK]



- Quinze minutos. – Malfoy informou, a voz arrastada, entrando no escritório da morena, já no segundo nível do Ministério – Estou impressionado...


- Uhum, sei... – a garota murmurou, terminando de preencher seu relatório, sem sequer erguer os olhos – Ouviu o que ele disse?


- McAndrews. – Malfoy assentiu, sabendo do que se tratava – Conhecido traficante de veneno de acromântula. Não sei muito sobre ele, af... – mas silenciou-se ao ver uma pasta ser erguida em sua direção.


- Shawn McAndrews, 32 anos, 1.83 de altura. – a morena começou, no que o loiro revirou os olhos, fechando a pasta que acabara de abrir (“Claro que ela já fez toda a pesquisa”, pensou consigo mesmo, entediado) – Passou um ano e meio preso por contrabando de ovos de dragão, depois mais seis meses por duelar em um bar trouxa. Acabou de sair de Azkaban por tentar vender veneno de acromântula na Travessa do Tranco, tendo deixado o animal em uma viela trouxa de Leeds, o que acabou gerando toda aquela confusão no final do ano passado com a Central de Obliviação e o Departamento de Acidentes e Catástrofes Mágicas. Enfim... – murmurou, erguendo os olhos pela primeira vez do pergaminho, descansando a pena no tinteiro vermelho – Pegou o primeiro vôo que conseguiu, tendo aterrissado em Dublin na madrugada de ontem para hoje.


- Por que um avião...? – Malfoy se perguntou, confuso e curioso ao mesmo tempo.


- Não rastreamos meios de transporte dos trouxas. – a morena explicou, pacientemente – Tratado de Montmartre, 1817. Enfim, foi o meio mais seguro e eficaz que ele encontrou para deixar o país, o quê, obviamente, demonstra um certo grau de conhecimento de nossas práticas e um mínimo de inteligência por parte dele. – enfatizou – Aparatação para outro país é extremamente cansativo. Ainda, ele jamais conseguiria de nós uma chave de portal, quiçá utilizar a rede de flú sem atrair nossa atenção. Novamente, ele foi muito esperto. Muito esperto mesmo... – seu tom de voz diminuiu, tornando-se praticamente inaudível.


 - E como você sabe que ele usou um avião se nós não rastreamos transportes trouxas? – o loiro quis saber, um sorriso malicioso no canto dos lábios.


Hermione sorriu pelo nariz, revirando os olhos por um momento.


- O Quartel General dos Aurores não tem autorização para rastrear meios de transporte trouxas. – a morena explicou, dando de ombros – O Departamento de Cooperação Internacional em Magia tem. – Hermione sorriu, marotamente, ao ver o loiro revirar os olhos, enojado – Tudo o que precisei foi pedir uma autorização e voilà.


O loiro limitou-se a erguer uma sobrancelha, pegando o copo de café dela, vendo-a em vão tentar recuperá-lo. Sabia bem o motivo de ela conseguir todas as autorizações que pedia...


- Enfim... – repetiu, ignorando a expressão de irritação na face da morena – Próximo passo, trazer o bastardo até aqui para o interrogarmos. – disse, como que somando dois mais dois, sorvendo um gole do café que acabara de roubar – Uma pena que nos proibiram de usar veritasserum. – disse, suspirando, bebendo mais – Tudo seria tão mais rápido...


- Você ouviu o Ministro, nada de poções. – a morena declarou, recostando-se em sua cadeira, cruzando os braços junto ao peito, um tanto aborrecida por perder seu café – Não depois de todos aqueles incidentes durante a guerra, um verdadeiro caos. Veritasserum, agora, só em casos extremos.


Malfoy deu de ombros, sem se importar. Jamais precisara de uma poção para arrancar a verdade de alguém.


- Então, tá. – disse, afastando-se, entediado – Vou passar um memor... – mas tornou a se calar ao ver a morena sorrir de canto de boca. Tornou a revirar os olhos, cansado daquilo – Você só pode ter um vira-tempo, Granger! – resmungou, impaciente.


- Sou preparada, só isso. – a garota pôs-se de pé, ainda sorrindo – Além do mais, temos que passar ainda no quinto nível para assinarmos a saída. Vamos? – disse, uma mala de rodinhas sendo puxada de debaixo de sua mesa.


- Vamos... – o loiro resmungou, a voz arrastada.


Detestava quando ela tinha tudo sob controle. Detestava mais ainda ter que ir ao quinto nível...”


[FLASHBACK]


 


- Você detestava ter que ir ao quinto nível. – Hermione murmurou, sem se conter, um sorriso no canto dos lábios – Mas jamais imaginei que fosse por...


- Eu odiava o Demming. – Malfoy a interrompeu, fazendo-a sorrir mais ainda – Odeio, ainda, mas acho que isso não tem mais importância, certo? – murmurou, indicando com a cabeça a mão direita da morena.


Hermione só então percebeu que ainda estava com o anel em seu dedo anelar. Seu anel de noivado...


 


[FLASHBACK]


“No quinto nível funcionava o Departamento de Cooperação Internacional em Magia, juntamente com o Organismo de Padrões de Comércio Mágico Internacional, a Confederação Internacional de Bruxos e o Escritório Internacional de Direito em Magia. Era para este último que os dois aurores agora se dirigiam.


Levando ao ombro uma mochila preta cujo interior fora magicamente ampliado, Draco Malfoy encontrava-se fitando as grades do elevador, até que estas se abriram à sua frente. Seguiu em frente, cumprimentou alguns rostos conhecidos. Parou de frente a uma porta de madeira branca, que continha uma placa de aço com os dizeres ‘Matthew Demming, Procurador-Chefe do Escritório Internacional de Direito em Magia. Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia’.


Malfoy conteve o ímpeto de arrancar o pequeno letreiro e jogá-lo fora. Simplesmente detestava ter que ir à sala dele...


- Eu odeio irlandeses... – murmurou, sem pensar.


- Por que? – Hermione perguntou, sem entender, parando ao seu lado, de costas para a porta.


- Simplesmente odeio. – Malfoy disse, afastando-se alguns passos, virando-lhe as costas. Pôde ouvir a risada baixa dela atrás de si, enquanto se aproximava.


- Acho que a razão de você odiar os irlandeses é a mesma pela qual você odeia os franceses. – argumentou a morena, de forma ironicamente inteligente e debochada – Ou os espanhóis. Turcos. Americanos. Russos...


- Ok, ok, sabe-tudo, desembucha logo. – o loiro retrucou, bufando, impaciente, cruzando os braços junto ao corpo – Por que você acha que sabe o motivo de eu odiar os irlandeses? Ou todos os outros?


Hermione simplesmente sorriu, marotamente, andando mais um passo, parando bem à frente do rapaz, seus rostos a menos de cinco centímetros de distância.


- Porque todos eles têm uma única coisa em comum, Malfoy. – a morena murmurou, baixinho, sua voz provocante causando arrepios na espinha do loiro.


- Que seria...? – ele continuou, imitando o tom de voz dela, suas íris cinzentas completamente fixas na garota.


- Matthew... Demming... – Hermione murmurou, com prazer, afastando-se em seguida, um belo sorriso estampado no rosto – Todos eles nos trazem sempre aqui... À sala de Matt...


Malfoy fechou os olhos com força. Sim... Se havia alguém no mundo que ele odiasse mais, esse alguém era Matthew Demming...


************************************************************************************


Draco observava a lombada dos diversos livros que havia na estante à sua direita, a maioria sobre algum ramo do Direito, completamente entediado. Já estavam ali há quinze minutos e nada de serem liberados...


- Pois é, Hermione, acontece qu...


- Vai demorar muito pra assinar nossa saída?! – o loiro questionou, impaciente, a cara amarrada – Você pode não saber, já que vive sentadinho aqui nesse escritório, um verdadeiro burocrata, mas existem bruxos que trabalham, sabe? – zombou, sarcástico como sempre – Então, se puder facilitar a minha vida, por favor, dá pra assinar logo esse maldito pergaminho?!


- Malfoy...! – Hermione murmurou, completamente sem jeito, envergonhada pela atitude do loiro.


- Sem problema, Hermione. – o homem do outro lado da mesa respondeu, sorrindo, pegando tinta e pena – Já estou acostumado com a falta de educação de certas pessoas.


Malfoy deu um meio sorriso, sem achar a menor graça.


- Suas autorizações de saída. – Demming disse, entregando a ambos pedaços de pergaminho idênticos – Conhecem as regras. Certo, Malfoy?


O loiro assentiu com um breve movimento de cabeça, uma careta de desdémna face.


- Voltaremos em breve. – Hermione pôs-se de pé, um sorriso enorme nos lábios – Dois dias, no máximo.


- Não duvido de sua capacidade, Hermione. – Demming assentiu, sorrindo encantadoramente para a morena, acompanhando-os até a porta – Pelo menos não da sua...


Draco revirou os olhos, com nojo. Passou direto por entre os dois, rumo ao elevador. Pouco tempo depois, Hermione encontrava-se ao seu lado.


- Credo, Malfoy, custava ser mais educado?! – resmungou, entrando primeiro – Mais trasgo, impossível!


- Sinto muito, não. – o loiro debochou, o elevador começando a se mover – E você, Granger? Dá pra babar menos pelo burocrata engomadinho?!


As grades se abriram, dando para o átrio do Ministério da Magia. Hermione saiu, um sorriso de deboche nos lábios.


- Se você está se referindo a Matthew Demming, Malfoy. – ela começou, andando pelo saguão – Sinto muito, mas não. – imitou-lhe o tom de voz, deixando o loiro ainda mais irritado...”


[FLASHBACK]


 


- Até hoje eu não entendo o que você viu nele... – Draco murmurou para si mesmo, soltando um longo suspiro ao final.


- Malfoy, você sempre detestou o Matt e...


- Ele não presta, Hermione!


- Malfoy, não vamos come...


- Ele não presta! – o loiro sentenciou, sua voz saindo mais alto do que pretendera...


Sabia que havia algo de errado, mas não sabia bem o que era. Sabia simplesmente que Demming estava envolvido. Mas ninguém o ouvira. Nem mesmo depois do escândalo que fizera em sua audiência perante a Suprema Corte dos Bruxos... Mas algo dentro de si dizia que Demming era o culpado. Infelizmente, jamais conseguiria provar o contrário...


- Matt é um bom sujeito. – Hermione falou, depois de um instante de silêncio, seus olhos presos no chão sujo aos seus pés – Inteligente, tem um bom emprego. É educado, meigo, carinhoso. Sem contar qu... – mas emudeceu, ficando sem jeito e triste.


- Sem contar o quê? – Draco quis saber, seu eu interior incomodado.


A auror soltou um longo suspiro, erguendo a cabeça e fitando o loiro, uma expressão de dor em sua face.


- Sem contar que ele foi o único que ficou ao meu lado depois... Depois que você foi embora. – a garota completou, ambos desviando os olhares, em direção opostas.


- Eu precisava fugir. – o loiro começou, sentindo seu ventre se contorcer.


- Malfoy, não...


- Eu precisava descobrir a verdade. – ele continuou, firme – Eu precisava descobrir quem estava por trás de tudo aquilo. Eu precisava...


- ... matar o Harry? – Hermione disse, sua voz saindo mais aguda do que esperara – Matar a Gina? Metade da família Weasley?!


- Hermione...


- Matar meus pais?! – a garota se irritou, pondo-se de pé, os punhos cerrados ao lado do corpo, a cadeira jazendo, caída, ao seu lado – Precisava causar todas aquelas mortes?!


- Não fui...


- Malfoy, por MERLIN! – ela berrou, indignada, socando as grades com seus punhos, segurando-as fortemente em seguida – Chega de mentiras! CHEGA! – gritou, furiosa, seus olhos ficando marejados – Chega de mentiras, chega de tentar me enganar! Você foi o culpado!


- Hermione, não fui eu! – Draco pôs-se de pé, indo até ela, segurando as mãos dela, impedindo-a de se afastar – Eu, juro, Hermione, não fui eu! – enfatizou cada palavra, suas íris cinzas brilhando sem parar.


Os dois ficaram mudos, tensos com a súbita aproximação. Fazia muito tempo que não ficavam tão próximos. Fazia muito tempo que não...


Hermione tentou se afastar mais uma vez, mas Draco tornou a segurar-lhe os punhos, puxando-a de volta para mais perto. A garota o fitou, seu olhar sem brilho algum. O rapaz, então, a soltou, vendo-a se afastar dele, sentindo um enorme vazio dentro de si...


Angústia. Era o sentimento que o devorava de dentro para fora...


 


[FLASHBACK]


“De clima temperado marítimo, caracterizada por invernos suaves e verões quentes, Dublin é mundialmente conhecida por ter como base de sua economia a destilaria, assim como por seus festivais tradicionais.


Assim que chegaram, Draco e Hermione alugaram um chalé trouxa. Como já era hábito, os dois aurores gostavam de se hospedar em bairros trouxas, para despistar qualquer traço que os pudesse ligar ao mundo em que viviam. Em perseguições, quanto menos magia se usava, menos atenção se atraía, o que, consequentemente, lhes dava a vantagem de passarem despercebidos por seus procurados...


- McAndrews está em uma cabana na encosta do vilarejo. – Hermione anunciou, sentada à lareira, vendo as chamas crepitarem – Sozinho. Mal sai de lá, a não ser para ir ao posto mais próximo. Honestamente, não sei como alguém pode sobreviver apenas com uma garrafa de whisky barato e um pacote de cigarros.


- Concordo. – Draco argumentou, caminhando até a poltrona ao lado da morena, sentando-se em seguida – Não sei qual a graça que as pessoas vêem em fumar. – continuou, abrindo a garrafa que havia em sua mão, derrubando o líquido âmbar no pequeno copo de vidro – Traz inúmeros malefícios à saúde. Acaba com os pulmões. Sem contar o mau-hálito...


Hermione riu, cruzando as pernas junto ao corpo, desfrutando do aconchego trazido pelo calor vindo da lareira.


- Mais hipócrita, impossível! – murmurou, sorrindo, avistando o loiro bebericar de sua bebida.


- Não sou hipócrita. – o rapaz se defendeu, depositando a garrafa de whisky no chão, recostando-se melhor no assento – Não gosto de cigarros, por isso não fumo.


- E quanto à bebida? – Hermione indicou com um dedo o copo na mão do loiro, que sorriu.


- Whisky de fogo, safra de 1875. – anunciou, todo orgulhoso – Uma verdadeira raridade.


- Faz tão mal quanto um maço de cigarros. – a morena definiu.


- Pelo menos, não é whisky barato. – o outro devolveu, fazendo-a sorrir mais ainda – Quer um gole?


- Obrigada, mas não. – a auror murmurou, por entre um bocejo – Gosto da idéia de viver por muitos anos.


- Sim, claro, como se o nosso trabalho não fosse tão perigoso assim... – Draco debochou, malicioso como sempre – Mas, enfim, já que você não quer... – deu de ombros, servindo-se de mais um pouco da bebida – Bom que sobra mais.


A auror revirou os olhos, meneando a cabeça, negativamente, porém sem evitar um sorriso nos lábios.


- Instalei os micro-sensores ao redor da cabana – a morena anunciou, pacientemente – Qualquer estranho que apareça, qualquer feitiço lançado contra McAndrews, saberemos.


- Eficiente como sempre. – o outro murmurou, de forma irônica – Me diga, Granger, não cansa de ser tão certinha?


A garota sorriu pelo nariz, sem se abalar.


- Algum de nós tem que ser, não é? – devolveu, no que o loiro riu.


- Nossa, vejo que alguém resolveu ficar com a língua afiada... – comentou, mais sarcasmo impregnado em sua voz.


Hermione limitou-se a levantar, erguendo os braços para cima, espreguiçando-se.


Pôde sentir o olhar de Malfoy percorrer suas pernas, depois todo o seu corpo, apenas encoberto pelo short curto do pijama e um camisão cinza de mangas compridas.


Caminhou até ele, viu-o erguer os olhos. Um brilho estranho nas íris cinzas.


- Não é só minha língua que é afiada... – devolveu novamente, a voz baixa e sensual.


Em seguida, afastou-se, indo se deitar na cama de casal que havia no quarto.


- Boa noite, Malfoy. – desejou, enrolando-se nas cobertas, pronta para dormir – Não se esqueça de diminuir o fogo da lareira antes de vir dormir.


Draco, porém, ignorara o pedido. Decidira pôr mais whisky em seu copo. Afinal, o último comentário ainda fazia uma parte de seu corpo pulsar sem parar...”


[FLASHBACK]


 


O som de um trovão ecoou mais forte nos corredores de Azkaban. Alguns presos gritaram, outros apenas limitaram-se a choramingar...


Draco e Hermione, porém, nada disseram. Sequer se moveram...


- Eu gostava das nossas missões. – o loiro admitiu, depois de um certo tempo.


- Você gostava de me alfinetar! – a morena rebateu, no que ele soltou uma gostosa gargalhada.


- Isso também! – assentiu, ainda rindo – Era engraçado ver você franzir o cenho, toda irritadinha... – brincou, rindo ainda mais ao vê-la repetir a expressão que ele tanto gostava de ver – Exatamente assim!


Hermione fez uma careta, um tanto contrariada.


- Ridículo! – ela murmurou, irritada, no que Draco riu mais ainda.


Hermione olhou ao seu redor, sentindo o ar faltar-lhe ao peito. Era triste ver o quanto Draco descera. Azkaban estava além do fundo do poço...


Draco observou a mudança no olhar da castanha, a ausência de brilho nas íris amendoadas. Sentiu uma pequena pontada em seu estomago. Por mais que ela detestasse admitir, ele a conhecia melhor do que ninguém. E sabia o quão difícil estava sendo para a morena vê-lo ali... Às vésperas da morte...


************************************************************************************


A chuva continuava a cair, a tempestade cada vez mais forte. Os trovões, porém, cessaram por uns instantes. O silêncio no local, todavia, jamais seria completo, sendo sempre interrompido por lamentos e choramingo dos demais presos, que estavam destinados a uma vida de sofrimento e dor pelo resto de seus dias...


Havia um vazio, porém, entre Draco e Hermione. Era como se não se conhecessem mais. Como se tudo o que haviam passado juntos não fizesse mais sentido algum. Como se tudo o que viveram fora parte apenas de um distante sonho. Sonho, este, que se tornara um pesadelo. Pesadelo para ambos...


- Hermione... – o loiro começou, mas não conseguiu continuar. Sorriu baixinho, desolado. Ensaiara tantas vezes aquele momento, mas, ainda assim, encontrava dificuldades para expor em palavras o que lhe afligia.


Olhou para o teto de sua cela, sem realmente o ver. As coisas poderiam ter sido tão diferentes... Mas tão diferentes...


- Eu me lembro de você caindo da cama. – a voz da morena atraiu sua atenção, e o auror repousou seu olhar sobre ela – Quando ouvimos os sensores dispararem o alarme. – ela riu, achando graça – Patético, Malfoy!


 


[FLASHBACK]


O som do alarme a pegara de surpresa. Jamais pensara que um ataque poderia ocorrer tão cedo...


Hermione pulou da cama, a varinha em punho, correndo para verificar a leitura dos sensores. Draco, porém, continuava a dormir, pesadamente. A auror reparou na garrafa praticamente vazia ao lado da lareira e amaldiçoou o loiro baixinho. Sem pensar duas vezes, manejou a varinha, fazendo o alarme disparar cem vezes mais alto do que o volume normal...


  Assustado, o rapaz saltara da cama, atrapalhando-se com as cobertas, caindo completamente sem jeito no chão. Resmungou e xingou. Soltou diversos palavrões. Olhou ao seu redor, suas íris cinzas encontrando a auror ao lado do equipamento.


- Tá maluca, Granger?! – exclamou, indignado, pondo-se de pé – Endoideceu, foi?!


 - Temos trabalho a fazer, vista-se! – ela limitou-se a dizer, desligando o alarme, convocando com a varinha suas roupas.


Draco continuou a reclamar e a xingar, procurando suas roupas, vestindo-as ali mesmo. Estava furioso pela brincadeira de mau gosto. Mais furioso ainda por poder ouvir o riso contido da auror atrás de si...”


[FLASBACK]


 


- Ha ha! – o loiro murmurou, vendo a morena rir diante da lembrança – Muito engraçado, Granger. Muito engraçada mesmo!


Hermione continuou a rir, sem conseguir se controlar. Draco, apesar de tudo, gostou daquilo. Lembrava-o de como gostava de ouvir a morena sorrir. De como gostava de tantas coisas nela. De como ainda gostava...


 


[FLASHBACK]


Saíram do chalé, sem ninguém perceber. Não podiam arriscar serem vistos, por isso, usaram capas de invisibilidade. Era madrugada e fazia muito frio do lado de fora. Não havia estrelas no céu e Draco teve certeza de que choveria mais tarde...


Caminharam até o vilarejo, tomando todo o cuidado possível para não atraírem atenção para si. Chegaram e não encontraram nada de diferente. Isso os preocupou...”


[FLASHBACK]


 


- Já...?


- Não. – Hermione respondeu, sem deixá-lo terminar a pergunta.


Draco olhou ao seu redor, mais uma vez ficando sem esperanças...


- Os peritos até hoje não se conformam. – a auror murmurou, sorrindo amarelo – Nunca antes ficaram sem identificar um ambiente por completo.


- Você sabe bem o que isso significa. – o loiro comentou, vendo a morena revirar os olhos e cruzar os braços junto ao peito.


- Não sabemos nada do que isso significa! – retrucou, irritando-se – Malfoy, quantas vezes terei que dizer que...


- Demming tem haver com isso! – ele respondeu, cortando-a, friamente – Hermione, por Merlin, como você pode não enxergar isso?!


- Por que é um absurdo! – a auror respondeu, furiosa – Demming sempre foi fiel ao Ministério, além de ter movido mundos e fundos pra tentar te tirar daqui! – disse, séria – Deixe de ser ingrato e...


- Ingrato, eu? Ingrato, eu??? – Malfoy pôs-se de pé, indo em sua direção, parando próximo às grades – Hermione, acorda! Esse merda me quer morto!


- Esse merda é meu noivo! – ela devolveu, e ambos ficaram em silêncio.


Um clarão iluminou o corredor. Mais um raio...


Draco retornou às suas lembranças. Não sabia como faria para convencê-la de que estava a falar a verdade...


 


[FLASHBACK]


A cabana estava toda revirada. Móveis quebrados por todos os lados, gavetas largadas no chão, seu conteúdo todo espalhado pelo piso de madeira...


Com um movimento ágil e um aceno de cabeça, Hermione foi verificar o quarto mais próximo enquanto Draco dava uma olhada na cozinha e no banheiro.


Nada. O loiro não encontrou nada, a não ser cacos de louça por todo o piso e uma cortina de boxe pendendo, rasgada, no trilho do banheiro...


- Nada! – ouviu a morena dizer.


- Nada. – respondeu, voltando para a pequena saleta que fazia vezes de sala de estar – McAndrews sumiu...


- Assim como quem quer tenha estado aqui. – Hermione assentiu, olhando ao redor, ainda procurando – Cheque os arredores da cabana. Eu cuido de tudo aqui.


Malfoy revirou os olhos, entediado. Detestava receber ordens. Ainda mais dela...”


[FLASHBACK]


 


- Foi sacanagem... – o loiro começou, no que a morena começou a rir – Você sabe que foi!


- Foi engraçado, isso sim! – Hermione rebateu, ainda rindo – Tinha que ter visto a sua cara! Morrendo de medo...


- Eu não estava ‘morrendo de medo’! – ele imitou a voz dela, provocando-lhe mais acessos de riso.


Draco jamais admitiria tal. Principalmente para ela!


 


[FLASHBACK]


“Draco voltou para a cabana, mas não encontrou Hermione. Achou aquilo estranho. A morena jamais sumira de uma cena antes sem avisá-lo...


Procurou nos aposentos, ela não estava em nenhum lugar. Voltou para o lado de fora, mas ainda assim a auror continuava desaparecida. Um frio percorreu sua espinha. Aquilo estava estranho. Muito estranho...


Olhou tudo ao seu redor, uma, duas, três vezes. Cada vez com mais foco. Cada vez prestando maior atenção aos mínimos detalhes. Ouviu um pequeno ruído de tábua rangendo conforme dera um passo para trás, olhou para baixo. Havia algo por debaixo do grosso tapete de veludo vermelho. Aproximou o rosto, estreitou os olhos.


Gostas de sangue. Era tudo o que não precisava encontrar...


Empurrou para o lado o tapete com um pé, vislumbrou um pequeno alçapão. Inconscientemente, prendeu a respiração. Aquilo estava cada vez mais lhe agradando menos...


 Draco respirou fundo, contou até três mentalmente. Com os dedos firmemente presos ao redor da pequena argola enferrujada, o loiro deu um puxão com força, abrindo o alçapão que havia no centro da sala, há pouco encoberto pelo grosso tapete de veludo vermelho.


Desceu as escadas, pé ante pé, a varinha iluminada na ponta. Um calafrio percorreu-lhe a espinha e ele se lembrou das estórias infantis que Hermione lhe contara tempos atrás, quando estivera entediada durante uma missão...


Sentia-se exatamente como imaginava que Maria se sentiria se soubesse que estava entrando na casa de doces da bruxa má. Mas Draco não era uma criança indefesa. Sequer ingênuo. Todavia, existia uma pequena diferença: Draco estava sozinho. Seu João havia sumido, deixando-o completamente tenso e só...


Ergueu a varinha acima da cabeça, ampliando o alcance do feixe de luz. Avistou uma cama de casal ao centro do porão, feita de madeira nobre, um dossel dourado a envolvendo. Uma pequenina mesa de cabeceira ao seu lado, um livro velho e corroído por traças...


O ruído de seus passos era abafado pela grossa poeira. Teias de aranha pendiam do teto...


O auror avistou um baú antigo a um canto do cômodo, ao lado de um armário de duas portas. Draco não pôde evitar prender a respiração. Cada vez mais a sensação de estar caminhando para a boca do lobo tomava conta de seu ser. E aquilo não o estava agradando em nada... Em nada...


Inconscientemente, segurou a varinha mais forte entre os dedos, caminhando de lado até o baú.


“Um, dois,...”.


Escancarou-o o mais depressa que pôde, a varinha apontada como uma espada. Revirou os olhos, passando a revirar as roupas antigas e empoeiradas que havia ali. Nada que pudesse lhe fazer mal.


- Idiota... – murmurou, para si mesmo, olhando em frente, avistando o armário.


Sentindo-se um perfeito idiota, porém, ainda com seus sentidos aguçados, o loiro estendeu a mão até a maçaneta da porta...


Com um pulo rápido para trás, soltou um palavrão enquanto tentava se afastar do que acabara de cair em cima de si...


- Merda... Merda! – murmurou, completamente irritado, passando ambas as mãos rapidamente por seus braços, numa tentativa infantil de se limpar. Seus olhos recaíram sobre o corpo que jazia agora aos seus pés, completamente imóvel. Morto. – Merda! – murmurou mais uma vez, mais tenso do que antes...


Risos baixinhos atraíram sua atenção. Não pensou duas vezes ao virar-se depressa e lançar um feitiço.


- Mais rápido da próxima vez. – Hermione murmurou, debochadamente, descendo os últimos dois degraus, indo na direção dele.


- Você sabia que ele estava ali! – o rapaz decretou, furioso, gesticulando em direção ao armário.


- É claro que eu sabia. – a morena assentiu, sorrindo de canto de boca, meneando a cabeça e mexendo com um ombro – E a julgar pela lividez do corpo, posso assegurar que McAndrews foi morto entre as 02:00 e 04:00 horas da manhã de ontem. O que deixa uma questão no ar.


- Quem foi que nós vimos entrando e saindo dessa cabana. – o loiro assentiu, confuso.


O silêncio pairou entre eles, ambos pensativos.


- Alguém sabia que estávamos aqui. – a morena murmurou, pensando alto – Alguém que sabia que estávamos atrás de McAndrews e que o estávamos vigiando.


- Alguém que queria nos atrasar. – Draco assentiu, mais uma vez, sentindo seu sangue correr pelo seu corpo, cada vez mais quente. Ficou quieto, entretido em seus próprios pensamentos...


Malfoy pôs as mãos no quadril, olhou para todos os lados, raiva presente em seu olhar.


Hermione revirou os olhos e respirou fundo. Não seria a primeira nem a última vez que passaria por aquilo...


- Fala. – a morena pediu, tentando manter o tom de voz, ao ver a súbita mudança no rapaz.


- Nada. – o loiro decretou, furioso, passando por ela sem sequer a olhar.


Subiu as escadas, saiu da pequena cabana. Chuviscava do lado de fora, Draco não se importou em se molhar...


- A Central estará aqui em poucos minutos. – Hermione informou, depois de analisá-lo por algum tempo – O corpo será levado de volta ainda hoje. Teremos que reportar o que aconteceu e...


- Ótimo. – o rapaz vociferou, gesticulando sem pensar, sarcasmo impregnado em sua voz – Perfeito. Você pode fazer isso, certo? Afinal, foi você quem encontrou o corpo! – e, sem dizer mais nada, aparatou...”


[FLASHBACK]


 


- Você era tão teimoso! – Hermione murmurou, sorrindo, baixinho.


- Não gostava de ver você me vencer. – o loiro explicou, no que ela abriu os braços, perplexa.


- Malfoy, aquilo jamais foi uma competição! – a morena argumentou, vendo-o negar com a cabeça.


- Claro que era! – ele retrucou, firme – Mas você era a sabe-tudo... – debochou, vendo-a franzir o cenho, irritada – Não tinha como eu vencer, certo?


- Malfoy! – Hermione reclamou, abismada – Eu simplesmente saí para procurar um local seguro para chamar a Central de Varredura e Perícia! Como eu ia saber que você ficaria chateado comigo? Mais, como eu ia saber que você iria ficar todo preocupado comigo se tudo o que você fazia era me atazanar o juízo e reclamar comigo?


Draco revirou os olhos, sem responder. Sabia que ela jamais entenderia. Hermione Granger podia ser a pessoa mais inteligente que ele conhecera em toda a vida. Porém, quando se tratava de provocações e joguinhos, de atração entre o sexo oposto, ela ainda continuava sendo uma das pessoas mais inocentes. Ou era isso o que ela o fazia pensar...


************************************************************************************


Hermione respirou fundo, relembrando tudo o que acontecera há pouco mais de um ano. Lembrou de todas as brigas e discussões. De todos os duelos que travaram no ginásio do Ministério...


Um sempre querendo ser melhor que o outro. Mas ela sempre soubera que não estava sendo honesta com ele. Não plenamente.


Malfoy sempre perderia, se não tivesse contado-lhe a verdade. Afinal, ele jamais iria desconfiar que ela possuía ajuda fora do Quartel General de Aurores...


 


[FLASHBACK]


“Eram três horas da manhã, uma neblina densa encobria o céu de Londres. Hermione se revirou na cama, ainda sem conseguir dormir...


Sabia que ele estava chateado. Furioso, para não dizer o menos. Conhecia-o bem demais para não saber o que ele sentia...


Desde os tempos de Hogwarts... Hermione sempre fora extremamente perceptiva. Captava os mínimos detalhes, sempre atenta àquilo que a maioria das pessoas costumava considerar como irrelevante ou que até mesmo costumavam ignorar...


Harry, Rony... Todos os Weasley… Antes deles, seus pais, seus vizinhos, os amiguinhos de escola... E então, Draco Malfoy...


Era impossível não notá-lo... Ainda mais quando ele fazia questão de atormentá-la na frente de todos. Um xingamento, uma alfinetada. Um esbarrão no corredor...


E, então, na biblioteca, os dois não passavam de meros estudantes. Ele a ignorava por completo. Ela sempre esperava por algum ataque dele... Mas Draco Malfoy simplesmente ficava lá, no último corredor de estantes, sentado na mesa mais distante, escondido pelas diversas prateleiras de livros...


Hermione cansara de se esconder por aquelas fileiras, apenas para vê-lo ficar ali, parado, compenetrado, alheio a tudo ao seu redor... Ali, ele não parecia um sonserino. Não era arrogante, prepotente, orgulhoso. Não era mau com ela. Ele era apenas um garoto qualquer... Um garoto que crescera, tomara feições de rapaz... Com o tempo, tomara feições de homem...


Hermione levou uma mão aos olhos, apertou-os com força. Detestava admitir, mas Malfoy conseguia tirá-la do prumo...


Meneou a cabeça, jogou o travesseiro sobre ela. Precisava dormir e não se preocupar. Afinal, já teria problemas demais para amansar a fera no dia seguinte...


************************************************************************************


Draco abriu a porta de sua sala, meneou a cabeça. Não esperava vê-la tão cedo...


- O que você quer? – questionou, seco, jogando a mochila no sofá preto que havia no canto – Deixe-me adivinhar, descobriu mais alguma coisa que eu não sei? – debochou, impaciente.


- Malfoy. – a morena começou, um tanto sem jeito – Eu sei que... errei... – disse, e Draco notou o quanto aquilo estava lhe custando – Deveria ter te contado sobre McAndrews.


- Antes ou depois? – ele não facilitaria.


- Desde o início. – Hermione assentiu, porém um tanto contrariada, mas estava disposta a seguir com aquilo – Desde quando o identificamos e...


- Você o identificou. – o loiro a corrigiu, passando por ela e indo se sentar em sua cadeira – Não se esqueça que, quando fui à sua sala, você já tinha uma pasta com todos as informações sobre ele.


- Ok, eu o identifiquei. – a morena usara o mesmo tom de voz, impaciente – Eu errei, já sei disso. Não vou mais fazer isso. – disse, e Draco percebeu que ela estava sendo sincera.


Decidiu, então, fazer o que fazia de melhor. Interrogá-la.


- Como você descobriu? – perguntou, sério, cruzando os braços junto ao peito – Sobre McAndrews?


O loiro viu um sorriso malicioso surgir no canto dos lábios da morena e ele conhecia muito bem aquele sorriso. O sorriso de quem anda aprontando algo...


Hermione abriu a boca para falar, mas a fechou em seguida. Logo após, disse;


- Café? Eu pago.


Draco entendeu a deixa e se levantou, saindo com ela do escritório.


Saíram do Ministério, Hermione os guiou a uma viela trouxa, onde aparataram. Entraram em uma pequena cafeteria de esquina, fizeram seus pedidos e sentaram.


- Ok, sabe-tudo, desembucha. – o loiro ordenou, assim que trouxeram seu café – O que é que você anda escondendo?


A auror sorveu um gole quente de sua bebida, suspirando em seguida.


- Lembra quando Snape serviu de agente duplo? Durante a guerra? – a morena questionou, no que o loiro assentiu, sentindo um bolo em sua garganta ao lembrar do padrinho – Bom... Digamos que eu tenho algumas pessoas fazendo o mesmo por mim...


Malfoy ergueu as duas sobrancelhas, abismado.


- Agentes duplos? Você??? – ele riu, debochadamente – Qual é, Granger, conta outra.


- Por que não? – a morena quis saber, arqueando uma sobrancelha, em desafio.


O rapaz abriu os braços, jogando-se contra o acento da cadeira.


- Qual é, Granger, faça-me o favor. – disse, incrédulo – Todos nós sabemos que não existem mais agentes disfarçados. Nosso Departamento, ou melhor, seu tão amado Demming acabou com isso. – o loiro disse, com desdém – Não depois que ninguém mais sabia quem trabalhava para quem!


Hermione coçou a nuca, aproximando-se mais do outro auror.


- Draco. – ela disse, e ele se assustou. Ela jamais o chamara assim antes – Eu nem sempre fui auror, lembra?


E o loiro entendeu o que ela quis dizer.


- Adv... – mas calou-se, pois ela prontamente assentira – Mas vocês não trabalham fora do Ministério! – declarou, confuso.


- Quando Quinn assumiu o cargo de Ministro da Magia... – ela começou, paciente – Acabou por descobrir que os traidores estavam em muito maior número do que a Ordem pensava. Para por um fim nisso, ele selecionou um grupo de cinco pessoas para terem um treinamento especial. Treinamento que o próprio Snape passou. Ou você acha que ele sempre foi a primeira opção de Dumbledore?


- Eu...


- Lógico que não, Malfoy! – a morena argumentou, e ele sentiu algo estranho ao ouvir seu sobrenome ser pronunciado dessa vez – Snape fora escolhido porque ele era o mais hábil. O mais inteligente. O mais bem treinado!


- Quem? – ele quis saber, sério. Ela não iria brincar com ele. Não agora...


Hermione soltou um longo suspiro, sorvendo mais um gole de seu café.


- Fleur, na França. – disse, e Draco teve de se reclinar para a frente, pois o tom de voz da morena era praticamente inaudível – Krum, na Bulgária.


- Por que eles?! – quis saber, um tanto quanto indignado.


- É óbvio, não é? – a morena argumentou, sendo prática – Fleur precisa de treinamento especial, afinal, Gui... – mas calou-se, pois o loiro entendera o drama que deveria ser ter que  viver com um lobisomem – Krum... – a garota corara, detestando a si mesma por aquela reação infantil – Krum é confiável, acredite! – decretou, por fim.


- Quem mais? – o loiro queria saber – Você? – e arqueou a sobrancelha, o sorriso maroto no canto da boca.


- Fato. – a auror assentiu, sorrindo em seguida – E sua covinha está aparecendo.


Draco desfizera o sorriso imediatamente, ficando completamente sem graça.


- Não ria. – ela avisou, séria – Mas...


- Nããããão! – Malfoy exclamou, antes mesmo de ouvir o nome da pessoa – Impossível!


Hermione franziu o cenho, confusa.


- Quem...? – ela perguntou.


- Longbottom.


Hermione riu, tendo que limpar algumas gotas de café que escorreram por seus lábios.


- Claro que não. – disse, secando a face com um guardanapo – Neville é professor de Herbologia em Hogwarts! E ele não é nada discreto, jamais daria certo!


- Quem então? – Draco quis saber, curioso.


- Luna. – e foi a vez dele rir, derramando café – Ela é...


- Doida!


- Excêntrica, por natureza. – a morena corrigiu, sorrindo – E o fato de ela estar trabalhando em Hogwarts facilita e muito nossa vida! Ninguém jamais desconfiaria dela. Não da Luna!


- Isso é verdade! – Malfoy assentiu, ainda incrédulo – Mas e o último? Você disse que eram em cinco.


Hermione abriu a boca para dizer, mas uma voz grossa e marota a interrompeu.


- Pagando o café, Malfoy? – o loiro ouviu alguém ao seu lado, e não acreditou no que seus olhos estavam vendo.”


[FLASHBACK]


 


Draco estava quieto, ciente do olhar castanho que pairava sobre si. Praguejou mentalmente. Ela o conhecia bem demais...


- Palhaçada! – Draco resmungou, e a morena revirou os olhos, divertida. Já haviam tido aquela conversa milhões de vezes.


- Preferia que fosse alguém de sua Casa? – ela questionou, vendo-o mostrar-lhe a língua, numa atitude infantil.


- Qualquer um menos ele. – o loiro assentiu, dando de ombros – Qualquer um menos o ruivo!


Hermione riu. Malfoy realmente tivera uma grande surpresa ao encontrar o ruivo naquele dia...


 


[FLASHBACK]



- Sem essa! – Malfoy definiu, depois de ouvir toda a história – Sem chance, não você!


O ruivo simplesmente revirou os olhos, entediado.


- Draco, Draco, quando você vai deixar de ser tão antiquado? – o rapaz, mais velho do que ele poucos anos, murmurou, puxando uma cadeira ao lado da morena, sentando-se de maneira displicente.


- Pob... – o loiro calou-se, optando por não dizer a frase. Meneou, então, a cabeça, negativamente – Sem chance!


Hermione revirou os olhos, sorrindo pelo nariz. Sabia que Malfoy jamais aceitaria aquilo. Sabia que Malfoy jamais o aceitaria...


Os três permaneceram em silêncio, Draco ainda assimilando toda a situação. Aquilo não poderia ser verdade...


Viu o ruivo erguer um dedo, chamando uma atendente. Pediu um milk shake de morango, sorrindo abertamente para a moça que os atendida. Em seguida, virou-se para a morena a seu lado, deu-lhe um beijo estalado na bochecha, abraçando-a apertado. Bem apertado, Draco reparara...


- Achei que gostasse do cabeça de fósforo mais novo. – o loiro resmungou, sua voz saindo mais dura que pretendera.


Hermione limitou-se a mostrar-lhe a língua, dando de ombros em seguida.


- Não estamos juntos, se é isso que quer saber. – Hermione respondeu, enquanto o ruivo agradecia a atendente e pegava sua bebida – Somos apenas bons amigos, Malfoy.


- Uhum, sei... – o loiro murmurou, fitando sua própria xícara, descrente.


- Não é porque você dorme com qualquer uma que eu vou seguir por aí fazendo o mesmo! – a morena respondeu, recebendo um olhar confuso e indignado ao seu lado – E eu acredito, sim, na amizade entre um homem e uma mulher. E claro que você não é qualquer um, Fred!


O ruivo abaixou a sobrancelha até então erguida, resmungando um “Ainda bem!”, antes de beber seu shake.


- Bom pra você! – Draco resmungou, um tom irônico em sua voz – Suponho que não queira ter problemas com o namorado engomadinho.


Fred ergueu os olhos para o rapaz, sem entender.


- ‘Namorado’? – repetiu, confuso.


- Um babaca do Ministério. – o ex-sonserino explicou, num tom de descaso e nojo – Um cara idiota chamado Matthew Demming.


Fred olhou para o lado, as íris azuis com um brilho diferente...


Hermione retribuiu o olhar, os lábios contraídos um contra o outro...


De repente, os dois amigos tiveram um ataque de risos, o qual não conseguiram evitar...”


[FLASHBACK]


 


- Só você mesmo para achar aquilo! – a auror retrucou, secando com as lágrimas que lhe vieram aos olhos, rindo da lembrança – Demming e eu... Só você mesmo, Malfoy.


- Ué, Granger, você e Demming vivam juntos, ele fazia todas as suas vontades... – o loiro argumentou, reparando que, mesmo depois de todo aquele tempo preso, ele ainda era capaz de sentir ciúmes – Era só você pedir alguma coisa que ele ia correndo e fazia acontecer. Sem contar que o babaca dava, descaradamente, em cima de você!


- Demming é só um amigo. – a morena explicou, pacientemente – Um amigo e nada mais.


- Ah, é? – Malfoy indiciou novamente o anel no dedo da morena, que corou, sem jeito.


- Tá, tá bom! – Hermione retrucou, impaciente, enfiando as mãos nos bolsos do sobretudo, completamente sem jeito – Mas naquela época ele era, sim, só um amigo!


Malfoy riu baixinho. Meneou a cabeça... Queria ainda que ele fosse apenas amigo da morena...


Hermione abaixou a cabeça, massageou a nuca. Seus músculos estavam retesados, tensos...


- Cansada? – ouviu a voz do loiro, e sorriu. Sempre gostara de vê-lo demonstrar sua preocupação para com ela.


- Um pouco. – assentiu, estalando o pescoço – Minha carga de trabalho dobrou nos últimos seis meses, porque eu passei a cobrir as férias de alguns funcionários, e eu ainda tive que terminar os seus relatórios... – a morena alfinetou, mas não havia raiva ou maldade em seu falar.


Draco sabia que ela estava triste. E sabia, também, que Hermione jamais reconheceria isso.


- Desculpa. – limitou-se a dizer, forçando o sarcasmo na voz – Da próxima vez, prometo terminar meu serviço antes de ser preso.


A morena riu, paciente.


- Bobo. - comentou, ainda sorrindo.


Os dois pararam, então, e ficaram se observando. Draco jamais se cansaria de olhá-la. Hermione, porém, tentava entendê-lo. Tentava compreender o que o levara a fazer todas aquelas coisas terríveis. Tentava entender como ele pudera pôr tudo o que tinham a perder...


 


[FLASHBACK]


- Hermione jamais teria alguma coisa com Demming. – Fred explicou, paciente, sorvendo um gole de seu shake de morango – Jamais, Malfoy, acredite em mim.


- Isso por que você não viu os dois no Ministério. – o loiro argumentou, não satisfeito por ser contradito – Licenças de viagens, permissões para escutas... Ela tem o direito de escolher os casos em que quer trabalhar. Almoços... – debochou, recebendo uma nova careta da auror – Ele faz tudo o que ela quer! Algo tem que receber em troca...


Tudo aconteceu muito rápido. Quando Draco deu por si, já se encontrava no chão, um olho roxo, o lábio inferior sangrando.


- Pense duas vezes antes de falar merda, Malfoy! – o ruivo vociferou, segurando a camisa do loiro com força, um dedo em riste apontado para o nariz do mesmo.


Draco piscou algumas vezes, completamente confuso.


- Senhores, por favor! – a garçonete que os atendera pediu, aflita, torcendo entre os dedos um pano de prato branco.


- Vamos. – Hermione disse, depositando uma quantia na mesa, com uma boa gorjeta incluída – Melhor continuarmos essa conversa  em casa.


Malfoy continuou piscando enquanto Fred Weasley passava uma perna por ele, saindo da cafeteria. Hermione simplesmente sorriu, estendendo uma mão para o loiro.


- Que, diabos, foi isso, Granger?! – ele quis saber, já de pé, saindo ao lado da morena – Quando, diabos, ele ficou tão rápido desse jeito?! E como?!


Hermione sorriu, achando graça.


- Te disse. – respondeu, abrindo a porta, deixando o rapaz passar primeiro – Recebemos treinamento. Somos muito melhores do que você jamais saberá... – murmurou-lhe ao pé do ouvido, passando por ele, indo acalmar Fred, que ainda bufava de raiva.


Malfoy sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. E não era de frio...”


[FLASHBACK]


 


- Jamais deveria ter dito aquilo. – o loiro comentou, cabisbaixo – Se eu soubesse...


- Não tinha como. – Hermione murmurou, paciente – Não era nem para termos te contado! Se Quinn soubesse... – meneou a cabeça, afastando o pensamento – Fred e eu perderíamos o emprego! Além do mais, até que foi divertido ver Fred te derrubando no chão. – a morena sorriu, divertida.


- Como o ruivo está? – o loiro quis saber, por curiosidade.


Hermione fez uma careta, meio sem jeito.


- É... – disse, vagamente, mirando os próprios sapatos.


Draco compreendeu. E não precisaria de muito.


Friederich Weasley perdera, em uma só noite, o pai, Arthur Weasley, e quatros dos irmãos: Carlinhos, Percy, a caçula Gina, além de seu próprio gêmeo, Jorge.


Juntamente com eles, Fred Weasley perdera o cunhado, Harry Potter, e vira o irmão caçula chorar pelas mortes do melhor amigo e da namoradinha, Luna Lovegood.


Vira, também, Hermione Granger sofrer, dias depois, pela morte dos próprios pais...


- A senhora Weasley foi morar com Gui e Fleur. – a morena explicou, a voz num sussurro – Não havia mais vida para ela aqui, depois... – emudeceu, sentindo dificuldade em falar. Pigarreou, forçando-se a prosseguir – Fleur está grávida, cinco meses. – sorriu – Aparentemente, isso ajudou, depois de um tempo. Uma nova vida, sabe?... Rony... Ele decidiu seguir os passos de Carlinhos, e foi para a Romênia estudar dragões. Não o vejo... Sabe Merlin há quanto tempo não o vejo... Fred...


Hermione engoliu em seco, soltando um longo suspiro em seguida. Era difícil tocar naquele assunto. Draco sabia bem disso...


- Fred está... no quarto estágio do luto ainda. – disse, visivelmente preocupada – Não sai de casa, a não ser para trabalhar. Passa o dia na loja, que ele jurou para o irmão que manteria mesmo depois de ele... – silenciou-se novamente... – Mal se alimenta, a não ser que eu o force. Não quer sair, não quer se divertir... Fica a maior parte da noite trancado no quarto, deitado na cama, no escuro... Eu sei que ele não está dormindo... Eu mesma ainda penso naquela noite de vez em quando. No que poderia ter feito para... evitar aquela tragédia...


Draco ouvia a tudo calado. Não sabia o que dizer. Ainda mais quando ele ainda era considerado o responsável por aquele genocídio. Por todas aquelas mortes...


- Ele veio morar comigo. – Hermione disse, sorrindo – Fred. Não tem mais ninguém aqui. Rony na Romênia, a mãe e Gui na França... Estamos morando juntos há quase um ano.


- Sempre achei que você dividiria o apartamento com Demming um dia. Ou comigo. – o loiro comentou e ela sorriu, dando de ombros.


- Era esse o plano. – ela assentiu, triste – Dividir o apartamento... com você. – ambos os olhares se encontraram, tristeza e arrependimento presentes – Mas a vida nos pregou uma peça, fazer o quê. Hoje, eu moro com um dos meus melhores amigos, a família mais presente que tenho, e ele encontra-se imerso numa depressão sem fim. Tenho medo. – confessou, uma lágrima rolando por sua face – Tenho medo de não poder ajudá-lo. Fred está definhando e nada do que eu faço parece ajudar. Ele me escuta, mas não me ouve. Me vê, mas não percebe que estou ali. Fred não está vivendo, está... passando. – disse, aflição presente em sua voz, e a morena começou a divagar, Draco percebendo que ela desabafava, sem realmente notar que o fazia – Nada mais faz sentido, e ele cismou... – meneou a cabeça, impaciente – É a dor pela perda, principalmente de Jorge. Fred não está ciente... E quando ele cisma... Nossa brigas aumentaram horrores, os vizinhos já nos olham de lado pelos corredores... E quando Matt aparece... Inferno, isso não pode ser normal, não pode!


Draco a fitou, vendo-a tentar se acalmar. As mãos da morena, porém, ainda tremiam quando ela voltou a falar depois de um tempo.


- Fred... – mordeu o lábio inferior com força excessiva – Fred... Ele... – respirou fundo, tentando se acalmar – Fred acredita que eu estou maluca. – disse, por fim.


Draco piscou, sem entender.


- Ele acredita... na sua inocência. – a morena explicou, no que o loiro abriu a boca, sem acreditar naquilo que ouvia.


- Ele... – o rapaz murmurou e sua voz falhara. Teve de pigarrear para encontrar as palavras certas – Fred... acredita em mim...?


Hermione assentiu com a cabeça.


- É o único. – Hermione explicou, um tanto irrequieta – Afinal, isso é... praticamente impossível!


- Hermione... – Draco tentou, mas ela não o deixou continuar.


- Você não pode ser inocente, Malfoy, simplesmente não pode! – ela disse, rispidamente – Eu mesma investiguei, eu mesma te procurei por todos os cantos desse planeta. Eu jamais erraria, não com relação a você!


Draco assentiu, quieto. Sua mente ainda tentava processar tudo o que tinha ouvido ate ali...   


- Você confiou em mim. – Draco ergueu os olhos, encarando a morena fixamente – Por que não confia agora?


Hermione soltou um longo suspiro, olhando para os lados. Não entraria naquele mérito. Não de novo...


Draco viu a tensão na auror, sorriu, desgostoso. Sabia o quão difícil seria convencê-la. Sabia bem o quão cabeça-dura ela poderia ser...


- Foi a primeira vez que pisei no seu apartamento. – murmurou, depois de um tempo, um tom maroto na voz, um sorriso malicioso no canto da boca – Se eu soubesse naquela época o que ainda iríamos fazer naqueles cômodos...


- Malfoy! – Hermione exclamou, chocada, corando intensamente.


O loiro limitou-se a rir. Rir com gosto...


 


[FLASHBACK]


Uma sala ampla e espaçosa. Uma pequenina varanda detrás de uma porta de vidros duplos. Uma pequena cozinha, estilo americano. Uma porta que provavelmente levava ao banheiro, a outra, provavelmente, ao quarto dela.


Uma terceira porta, provavelmente um quarto de hóspedes. Uma escada em espiral, algumas estantes no cômodo acima. Draco sorriu. Sempre tivera certeza que a morena teria uma biblioteca particular em sua casa.


- Graças a Merlin! – ouviu o ruivo murmurar, de frente para a geladeira, retirando de lá uma garrafa de cerveja amanteigada – Quer?


- Não, obrigada. – Hermione foi até ele e pegou outra garrafa e uma taça – Malfoy?


- Não. – disse, sem saber direito ao quê estava recusando – Obrigado. – disse, forçando-se a ser educado. Não gostaria de apanhar mais uma vez.


Fred Weasley largou-se no sofá maior, puxando uma almofada de renda lilás e deitando sobre ela. Hermione sentou-se num pufe prata que havia ao lado da mesinha de vidro de centro, e indicou o sofá menor para o loiro.


E então começaram as explicações...”


 


[FLASHBACK]


- Ninguém imaginaria que o motivo de eu ter ido para o Quartel General de Aurores era para ficar de olho em Matt. – Hermione comentou, pondo-se de pé, andando para esticar as pernas – Era o disfarce perfeito.


- Aquele babaca já era corrupto e eu não sabia! – Draco comentou, recebendo um olhar ferino da morena.


- Nunca encontrei nada. – ela afirmou, seu olhar preso ao dele – E olha que eu procurei!


- Hermione...


- Matt está limpo, Malfoy! – ela vociferou, irritada – Aceite isso e siga em frente!


- Em frente para onde? – o loiro questionou, pondo-se de pé também, a ira crescendo em seu interior – Que eu saiba, Granger, eu só tenho até amanhã! – reclamou, erguendo os braços – Olhe ao seu redor. Seu queridinho me pôs aqui! Aceite isso você!


- Eu te pus aqui, não ele! – rebateu, a voz elevada – Eu te encontrei. Eu te prendi. Eu te levei a julgamento!


Silêncio. A chuva começou a apertar ainda mais, se era possível...


- Você estava cumprindo ordens, só isso. – Draco murmurou, um dedo em riste para ela – Matt quem estava por trás disso.


- Eu sabia muito bem que estava indo atrás de você. – Hermione retrucou, impaciente – Você que não deveria ter fugido. Só complicou tudo de vez. Se você tivesse ficado, talvez o Matt...


- Talvez o quê? Talvez o quê, Hermione?! – ele berrou, descontrolando-se – Você acha que o seu amorzinho teria me ouvido? Teria confessado o crime dele?!


- Malfoy...


- Ele armou pra mim! – o rapaz berrou, em alto e bom som – Por Merlin, Hermione, vê se acorda! Eu jamais faria mal a você. A você ou aos seus amigos. Aos seus pais! Até Fred sabe disso, por isso não me culpa! E olha que ele seria a pessoa com mais motivos pra isso, não acha?! Por Merlin, Hermione, eu jamais faria isso! Ainda mais depois de tudo o que passamos. Lembra da Travessa do Tranco?! Onde tudo começou?


Como não lembrar...  Fora lá que seu pesadelo começara...


 


[FLASHBACK]


Hermione resmungou baixinho, ainda deitada em sua cama. Tudo o que queria era poder dormir mais algumas horas antes de ter que ir trabalhar...


Ouviu a campainha soar mais uma vez. Pôs-se de pé, ainda resmungando.


Abriu a porta do quarto, fez um afago em Dexter, o filhote de labrador que ganhara de Harry e Rony no último Natal. Arrastou-se até a porta, olhou pelo olho mágico.


- Tá de sacanagem! – exclamou, escancarando a porta, um bocejo escapando de seus lábios – Que é, trasgo?!


Draco Malfoy ergueu uma sobrancelha, um sorriso no canto dos lábios.


- Sexy... – murmurou, zombeteiro, indicando os trajes da morena com um dedo.


Hermione olhou para si, e de volta para o loiro.


-Visto ‘p’, se interessar. – disse, impaciente, dando de costas para o rapaz, caminhando até o sofá.


Draco Malfoy engoliu em seco. Detestava admitir, mas Hermione tinha um bumbum desejável. Principalmente naquela calcinha preta...


- Diz logo o que você quer! – ela reclamou, abraçando uma almofada, bocejando novamente – Eu estava no meio de um sonho tão bom... – confessou, deitando de lado no sofá, fechando os olhos, um sorriso nos lábios.


- Comigo? – o loiro alfinetou, no que a morena sorriu.


-Uhum. – a morena assentiu, no que ele se surpreendeu – Estava lembrando o soco que Fred te deu hoje.


- Ha ha! – Draco resmungou, vendo-a rir, mais desperta – Enfim, voltando ao que interessa. Estive checando com os últimos contatos de McAndrews. Seu amigo Weasley descobriu que ele usou a rede de flu pouco antes de ir para Dublin.


- A rede de flu? – Hermione sentou-se direito, perplexa – Mas nós monitoramos a rede! Como ele pode ter usado sem que soubéssemos???


Draco ergueu as mãos para o ar, sem uma resposta.


- Weasley disse que houve uma brecha na fiscalização por volta da uma hora da manhã. E advinha para onde ele foi?


Hermione esperou a resposta, ansiosa.


Draco caminhou até ela, entregando-lhe um pequeno panfleto.


- Nãããão... – a morena murmurou, pasma.


- Anda, vai se trocar. – disse, apressando-a – Temos que ir até a Borgin & Burkes.”


[FLASHBACK]


 


- Eu detesto a Travessa do Tranco! – Hermione murmurou, afagando os braços com as próprias mãos – Até hoje aquele lugar me dá arrepios!


- Até hoje, lembrar de você naquela noite me dá arrepios!


Hermione escondeu a face entre as mãos, corando mais uma vez.


- Odeio quando você faz isso! – murmurou, sem graça, vendo as íris do rapaz brilharem naquele breu do corredor.


- Aposto minha vida como Demming não faz você se sentir desse jeito. – murmurou, mordendo o lábio inferior – Aposto como tudo nele deve ser sem sal, sempre a mesma rotina... Um verdadeiro tédio. – enfatizou, vendo-a revirar os olhos, mas não o contradizer.


Sorriu consigo, satisfeito. Gostava de saber que ela ainda não o esquecera...


- Cinco folhas de pergaminho já. – Hermione mudou de assunto, sem graça – E ainda estamos no começo da estória.


- Imagina quando chegarmos a melhor parte... – o loiro murmurou, maliciosamente – Na parte em que eu descrevo como te joguei contra a parede da sua sala pela primeira vez... Em como você gemeu nos meus braços...


- Pára! – Hermione ameaçou, séria – Ou você morre antes mesmo de receber o beijo do dementador!


Draco riu, mas retomou o seu relato...


 


[FLASHBACK]


Era ainda de madrugada. E fazia frio. Muito frio. As ruas estavam desertas. Não havia ninguém pelas vielas do Beco Diagonal.


Hermione respirou fundo, parando de frente para os degraus que levavam para a Travessa do Tranco. Um arrepio percorreu todo o seu corpo.


- Vamos. – Draco murmurou, baixinho, e ela o seguiu.


Desceram, avançando, pouco a pouco, pela rua escura. A rua estava deserta. Até mesmo os freqüentadores sabiam que era perigoso demais perambular pela Travessa à noite...


Era engraçado, porém, vê-lo à frente numa missão, mas Hermione sabia que tal somente era possível porque Draco já estava por dentro do seu pequenino segredo. Confiava no loiro, mais do que em qualquer outra pessoa. Não mais que Fred, porém. Não sabia bem explicar como ou o porquê, mas sabia apenas que podia confiar nele, assim como sempre confiara em Harry e Rony, seus melhores amigos.


Caminharam pelas sombras, fazendo o menor ruído possível. Olharam ao redor, não viram ninguém...


A Borgin & Burkes encontrava-se às escuras, assim como a maioria das lojas pelas quais passaram para chegar até ali. Draco fez o reconhecimento do local, confirmando estar a loja vazia. Hermione, por sua vez, executou feitiços mentais, quebrando todas as defesas que pudera encontrar no local.


- Pronta? – o loiro quis saber.


- Pronta. – a morena assentiu.


Juntos, adentraram o local. E começaram uma varredura...”


[FLSASHBACK]


 


- Sempre gostei de ver você trabalhar. – Hermione confessou, e sentiu seu rosto esquentar no mesmo momento.


Draco a fitou, sem entender.


A morena revirou os olhos, sem graça.


- O jeito como você se concentrava. – explicou, envergonhada – Seus olhos fixos analisando cada parte de um ambiente. Havia um brilho diferente neles... Sempre cauteloso, sempre atento... A cada detalhe, a cada nova descoberta... E tinha... o seu bico... – sorriu, olhando para baixo, mais sem graça do que nunca – Você fazia um bico com os lábios... – murmurou, imitando o gesto do loiro.


- Não fazia não! – ele resmungou, sério.


Hermione sorriu.


- Tão bonitinho... – murmurou, divertida – E a sua covinha? Foi lá que eu descobri sobre ela!


Draco pegou o travesseiro esfarrapado e escondeu a face nele. Detestava ter seu perfil traçado. Detestava mais ainda quando ela estava certa...


 


[FLASHBACK]


- Sinistro! – Hermione murmurou, voltando dos fundos da loja – Mas, tecnicamente falando, não encontrei nada que pudes...


A morena parou ao lado do loiro do lado de trás de um dos balcões da loja. Draco havia arrombado um pequeno cofre que havia escondido por detrás de uma pintura feito a óleo.


Os dois aurores olharam, atentamente, para o conteúdo do cofre. Tensos. Preocupados.


- Não era para isso estar aqui. – Hermione sentenciou, a voz séria.


- Faz tempo que não vejo esse colar. – Draco assentiu, pensativo.


- Dumbledore o guardou, depois o deixou aos cuidados de Quinn. – a morena explicou, seus olhos ainda presos nas opalas.


- Onde ele guardava? – o loiro quis saber, manejando a varinha, fazendo o colar flutuar à frente deles – Quinn?


- Terceira gaveta de sua sala, num compartimento secreto. – ela respondeu, tensa – Na sua sala, quero dizer...


- ... no Ministério. – Draco completou, entendo a preocupação da auror – Quem mais sabia disso?


Hermione respirou fundo, pensando por um momento.


- Fred, Luna, eu. York, do Departamento de Execução das Leis da Magia. Doe, do Departamento de Mistérios. Matt...


Draco voltou seu olhar para a castanha, mas Hermione negou de pronto.


- Qualquer um que soubesse poderia ter invadido a sala de Quinn. – Hermione alertou, séria – Até agora, não encontrei nada contra Demming, então, não vamos nos precipitar, ok?


- Isso não quer dizer que ele não seja culpado. – comentou, voltando seu olhar para os opalas.


- Não vou discutir. – a morena respondeu, firme.


Draco não disse nada. Porém, todos os seus sentidos apontavam para o Procurador-Chefe do Escritório Internacional de Direito em Magia e chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia.


- Vamos. – disse, envolvendo o colar num pano, evitando todo o contato com o material – Temos que o levar para a Central e descobrir quem roubou isso.


- Só um segundo. – Hermione aproximou-se do cofre, analisando os demais itens – Aqui! – esticou a mão, fazendo levitar para fora um punhado de notas de papel. Com um feitiço, retirou qualquer tipo de magia que podiam conter de forma oculta.


Draco observou-a ler nota por nota, sorrindo ao encontrar uma.


- Nosso suspeito. – a morena declarou, mostrando a nota para o auror – McAndrews quem trouxe isso, recebendo 1500 galeões pelo cordão.


O auror franziu o cenho, sem entender.


- Não encontramos ouro com McAndrews. – Draco murmurou, confuso.


- Não encontramos nada com McAndrews. – Hermione o corrigiu – A cabana estava limpa.


Os dois puseram-se a pensar...


O partir de um vidro chamou-lhes a atenção. Alguém estava do lado de fora, à espreita.


Draco e Hermione saíram correndo, o loiro arrombando a porta com um movimento rápido de varinha.


- Esquerda! – Hermione gritou, vendo o rapaz correr na direção que ela berrara, tentando alcançar um vulto que corria muito à frente.


A auror abaixou-se rapidamente, vendo os restos de uma lamparina quebrada. Ainda estava quente, a julgar pela fina fumaça que saía pela parte quebrada do vidro. Pôs-se de pé, mas se viu arremessada para dentro da loja. Caiu por detrás do balcão, derrubando diversos objetos pelo chão, cortando-se em diversas partes de seu corpo.


- Quando tempo, auror Granger... – uma voz feminina atraiu sua atenção e Hermione sentiu o sangue gelar em seu corpo – Sentiu minha falta...?


O sarcasmo, a voz melosa... Hermione amaldiçoou-se por inteiro...


- Parkinson. – disse, conjurando um espelho, observando o local através dele – Achei que estivesse morta.


Hermione ouviu o riso da outra, e sentiu mais raiva ainda.


- Eu sei...! – a ex-sonserina murmurou, debochada como sempre – Isso não é sensacional?


“Mas que merda é essa?!” Hermione pensou, tendo dificuldade em se concentrar. Primeiro McAndrews, agora Parkinson?


- Onde você se escondeu por todos esses anos? – a auror perguntou, observando as reações da outra mulher pelo espelho – Não tivemos notícias suas desde a sua suposta morte no confronto de Brentwood, há três anos. – disse, vendo a morena sorrir, maliciosamente – Se me lembro bem, foi onde seu corpo foi encontrado. Eu mesma assinei o formulário para te cremarem!


Parkinson gargalhou, rindo, divertida.


- Esse formulário? – ergueu um papel, fazendo-o levitar até onde Hermione se encontrava.


A auror abriu a boca, empalidecendo.


Ver sua letra e o formulário de cremação... Como ela havia conseguido aquilo?


- Muito audaz, Parkinson. – disse, sem conseguir esconder a raiva na voz – Que eu saiba, ninguém até hoje invadiu o arquivo do Quartel General de Aurores. Me diz, como você passou pelo Ministério e pela segurança?


- Com raivnha, Granger? – a outra murmurou, deliciando-se com aquilo.


- Eu mesma instalei os feitiços! – Hermione pôs-se de pé, bloqueando um feitiço com um movimento agiu de varinha – Não tem como você ter passado sem eu saber. Anda, Parkinson, fala logo!


- Uh... Nervosinha sua amiga... – um homem entrou pela porta arrombada, os olhos verdes fixos em Hermione.


A auror enrijeceu o corpo, preocupada. E Draco???


- Malfoy? – Pansy perguntou e Hermione viu o homem sorrir.


- Não causará mais problemas. – foi a resposta dada.


Pansy sorriu, diabolicamente.


- E você, Granger...


Hermione, porém, não deu brecha para que a outra terminasse de falar.


Com dois feitiços mentais, os dois comensais foram atirados pelos ares, o que gerou mais destruição dentro da Borgin & Burkes.


A auror saiu correndo pela travessa, não sem antes selar a loja, prendendo os dois comensais ali dentro. Com outro feitiço, chamou a Central de Varredura e Perícia, enviando seu patrono para pedir reforço. Em seguida, foi atrás de Malfoy...


Encontrou o loiro jazendo próximo a uma viela, uma poça de sangue ao redor de seu corpo. Aproximou-se e viu-o desacordado, teve medo...


Tremendo, pôs uma mão no punho do rapaz. Pôde sentir seu pulso, mas muito fracamente. Olhou para o tórax, a camisa rasgada, completamente suja de sangue. Com certeza fora um sectumsempra. Ou vários, a julgar pela enorme quantidade de cortes em seu corpo...


Respirou fundo e começou a tocar a ponta dos ferimentos com sua varinha, murmurando diversas frases. Sabia que não conseguiria estancar o sangramento por muito tempo, mas tinha que tentar...


- Anda, Malfoy, acorda, por Merlin! – dizia, tensa, certificando-se de fechar todas as feridas – Acorda, desgraçado, acorda!


- Ele não vai acordar tão cedo...


Hermione deu um pulo, aflita. Encontrou, na entrada da viela em que estava, um vulto alto, encoberto por um capuz negro.


- Foi você! – a auror berrou, furiosa, pondo-se na frente do loiro, protegendo-o.


O homem simplesmente rira.


Hermione não soube identificá-lo, mas havia algo de estranho naquele ser. Algo de estranhamente familiar.


- Quem é você?! – perguntou, sabendo ser aquilo em vão.


- Não espera, realmente, que eu vá dizê-lo. – o homem zombou, a voz grossa soando carinhosamente mortal.


Hermione ergueu a varinha e tentou desarmá-lo. Uma, duas, três vezes.


Ele a bloqueara todas as vezes.


- Jamais conseguirá, Granger. – ele disse, paciente – Mas eu vou lhe dar duas opções, por isso, escolha bem.


- E por quê?! – a auror disse, irritadamente frustrada.


- Porque será o único jeito de salvar seu amiguinho.


Hermione parou, tensa. Detestava aquela situação...


- 1ª opção: você pode ficar aqui, tentando salvar seu amigo e lutar comigo, pois você não conseguirá fechar todas as feridas dele. – o homem dizia, divertindo-se – Isso eu garanto.


- Ou?! – a morena vociferou, furiosa.


- Ou você pode chamar ajuda pelo patrono, como você fez lá atrás com os outros dois. – Hermione prendeu a respiração. Ele a estava seguindo há muito mais tempo – E sair correndo. Assim, eu poderei caçá-la.


- Você poderá m...? – Hermione parou, vendo a ficha cair – Quebrar a lamparina foi apenas uma distração, não foi?


O homem riu, baixinho.


- Ande, chame ajuda para seu amigo e corra. Te dou cinco minutos de vantagem. – disse, divertindo-se – E nem tente aparatar. Eu sei onde você mora. E sei onde ele mora...


Hermione engoliu em seco. Não tinha outra escolha...”


[FLASHBACK]


 


- Você nunca me disse o que aconteceu depois. – Draco murmurou, vendo a morena empalidecer.


- Não há nada que falar. – a morena respondeu, pondo-se de pé, andando para o meio do corredor, ciente de que estava fora do campo de visão do loiro.


Draco segurava as grades, mas não conseguia vê-la. Socou-as, com raiva.


- Hermione, por Merlin...


Silêncio...


Malfoy não soube por quanto tempo ficara em pé, parado, esperando que ela retornasse. Quando o fez, porém, a ex-auror tinha grossas manchas de lágrimas em seu sobretudo, olhos vermelhos e as mãos tremulas...


- Pare. – disse, e a pena de repetição rápida parou de escrever no mesmo instante.


O loiro engoliu em seco ao sentir o toque trêmulo das mãos da morena sobre as suas mãos frias. Hermione recostou a fronte nas barras de metal.


 


[FLASHBACK]


O medo a dominava enquanto ela corria pelas ruas escuras da Travessa do Tranco. O corpo todo machucado. Diversos cortes nas mãos e nos braços. O filete de sangue escorria pela lateral direita, resultado da batalha anterior contra Pansy Parkinson. Hermione não tinha onde se esconder. Era uma presa fácil para um caçador tão voraz...


Mas não poderia voltar. Não até ter certeza de que Draco estava a salvo. Saberia assim que sentisse sua pulseira em seu braço novamente...


Correu pela rua, subindo os degraus rapidamente. Se era para jogar, escolheria um campo que lhe fosse mais favorável...


Passou pelo Olivaras, em seguida pela Artigos de Qualidade para Quadribol. Esquerda, direita, sempre correndo. A varinha em punho, preparada para atacar...


Agachou-se por trás de uns barris que havia nos fundos da Sorveteria de Florean Fortescue. Escutou com atenção...


- Granger, Granger... – a voz do homem estava próxima, e demonstrava toda a diversão que ele estava tendo com aquele jogo de horror – Trate de sair de onde quer que você esteja... Granger, Granger, onde será que você está...?


Hermione viu-o passar por onde ela se encontrava e seguir em frente. Respirou, mais aliviada. Olhou para baixo, sentiu o peso leve de sua pulseira de prata em seu punho direito. Sorriu. Malfoy estava a salvo no St. Mungus...


- Aqui está você! – sentiu-se jogada para trás, puxada pelos cabelos.


Tentou se desvencilhar, mas o homem era mais forte do que ela. Mal erguera a varinha e fora desarmada. Aquilo só havia lhe acontecido uma única vez antes...”


[FLASHBACK]


 


- Você me encontrou no St. Mungus, depois. – Hermione disse, completamente entregue às lágrimas e à tristeza.


- Você ficou desacordada por dois dias. – Draco assentiu.


- Eu não me lembro do que aconteceu depois. – a morena murmurou, a voz num fio – Eu... Eu me lembro que, quando acordei, você estava comigo, meu corpo todo doía. Demming apareceu depois...


- Ele me tirou da sala. – o loiro vociferou, furioso – Eu ainda estava me recuperando, então, não foi muito difícil para os medibruxos me tirarem dali. Mas, assim que tive a chance, eu roubei seu prontuário. – disse, no que a morena sorriu, sem se espantar.


- Eu sei o que meu prontuário dizia. – respondeu, pacientemente – Meu prontuário original, não o que você provavelmente deve ter roubado. Demming modificou depois...


- Depois do quê? – o loiro não entendeu.


A morena respirou fundo, relembrando as palavras que jamais esqueceria.


- “Hematomas e queimaduras de diversos graus. Cortes profundos nos braços e pernas”. – recitou, como se o lesse naquele exato momento – “Espancada. Torturada. Violentada.” Li depois que apagaram minha memória.


- Você f... O quê?! – Draco exclamou, perplexo – Hermione, apagaram sua memória? Quem foi?! Quando...?


- Draco, calma. – a morena disse, pondo uma mão na face do loiro, acariciando a curva de seu rosto – Eu pedi ao Matt que fizesse isso.


Draco se afastou, sem entender. Tinha uma expressão dura na face.


- Entenda. – a morena começou a explicar, a voz baixa – Depois que te levaram, Matt e eu começamos a conversar e eu contei a ele tudo o que acontecera. Quando ele me disse que não haviam conseguido prender o homem... – a voz dela abaixara um tom, tornando-se praticamente inaudível – Eu me sentia um lixo, um nada... Saber as coisas que haviam feito comigo... Sou extremamente grata por não ter mais essa sensação em meu corpo. Se já saber que eu fui espancada, torturada e violentada já me incomoda e me dá nojo, imagina se eu lembrasse exatamente como foi?


Draco observou as íris castanhas, completamente escuras e sem brilho. Teve pena da morena. E sentiu um ódio maior crescer em seu peito...


- Matt não queria, mas no fim eu o convenci. – disse, calmamente – De outro jeito, eu não conseguiria retomar minha vida. Eu jamais chegaria perto de outro homem. Eu jamais chegaria perto de você...


Draco correu até a morena e segurou-lhe o rosto por entre as mãos. Sentiu-a envolver-lhe o corpo com os braços por entre as grades...


Hermione chorou tudo o que tinha para chorar...


Malfoy, por sua vez, tentava se controlar. Mais do que nunca tinha que sair dali. Daquela prisão. Não por si mesmo. Por ela.


Hermione estava em perigo e não tinha consciência disso. Não era para menos, afinal, Demming retirara-lhe as memórias mais cruéis de sua vida. Para ela, o homem era um herói. Para ele, Matthew Demming era o responsável por toda aquela desgraça...


Jamais lhe diria isso. Jamais poderia dizer para a morena que acreditava que o homem que a ajudara a esquecer poderia ser o responsável pelas suas maiores dores. Pelo seu estupro...


Mas tudo se encaixava perfeitamente. Os jogos. O sarcasmo. O desarme.


Draco jamais vira Hermione perder sua varinha, fosse em um treinamento, fosse em uma missão. Ele mesmo jamais conseguirá tal feito e era de longe, o melhor de todos os aurores.


Tal acontecera, porém, uma única vez, e Hermione duelara justamente contra Matthew Demming, dois anos e meio atrás...


- Precisamos voltar para sua entrevista. – a morena disse, afastando-se, secando as lágrimas e ordenando à pena que recomeçasse a escrever.


Draco sentiu um enorme vazio ao se separarem...


- Vejamos... – a jovem murmurou, retomando seu relato, a pena voltando a correr por sobre o pergaminho – Saímos do hospital cerca de uma semana depois. Descobrimos que Parkinson e Tate haviam sido contratados para se livrarem do colar de opalas, ela vendendo-o, usando uma poção polissuco e fingindo ser McAndrews, enquanto Tate fingia ser McAndrews na cabana em Dublin.


- Nunca soubemos quem os contratara. – o loiro assentiu, pensativo – Feitiço da memó... – Draco parou.


As íris cinzas encontraram as castanhas, Hermione o ignorou.


- Qualquer um sabe fazer esse feitiço. – ela sentenciara, pondo um ponto final no assunto.


Draco, porém, estava cada vez mais convencido de que Demming era o culpado. Pelo menos envolvido ele estava!


- Buscas, prisões, interrogatórios... – o loiro murmurou, impaciente com a teimosia dela – Quinze dias até chegarmos ao maldito irmão de Shawn.


- Arthur McAndrews. – Hermione assentiu – Ele que nos disse que o irmão estivera sendo chantageado desde que perdera uma aposta alta num jogo de... Como era mesmo o nome?


- Dama da morte. – Draco explicou – Jogado com um baralho das trevas. A Borgin & Burkes tem um deck deles.


- Não sei porquê não estou surpresa. – Hermione murmurou, mais alegrinha...


O prisioneiro sorriu. Odiava ver a morena triste.


- Depois disso foi tudo tão...


- ... fácil! – o loiro completou, vendo-a morder o lábio inferior com força, sabendo que ela entendera nas entrelinhas – Achamos Yurich, que era quem chantageara Shawn McAndrews e o convencera a roubar o colar de opalas para ele como forma de pagamento. McAndrews, no processo, acabou por causar a morte de Bernard Yates, funcionário de alto escalão do Ministério, o que nos levou a entrar nessa missão.


- Yurich ficara de receber o colar, mas antes disso soube que nós havíamos encontrado McAndrews morto em Dublin e tratou de fugir para Moscou. – Hermione continuou, ambos na mesma linha de pensamento – Resolvemos a missão, mas ficamos com o problema de Parkinson e Tate. Não sabemos até hoje quem os contratou para acabar com McAndrews. A não ser, claro...


- Nem como McAndrews conseguiu o colar. – Draco completou, impedindo-a de completar a frase. Ele não era o culpado que procuravam – Ele não era o melhor dos ladrões, jamais conseguiria tirar o colar da sala de Quinn.


Hermione parou, pensativa. Seguira aquela trilha diversas vezes e sabia aonde aquilo os levaria...


 


[FLASHBACK]



- Não. – Matthew Demming disse, firme, pela segunda vez – E, dá próxima vez, Malfoy, aceitei meu primeiro ‘não’. Não gosto de ser repetitivo.


O loiro fulminou o homem à sua frente, completamente furioso. ‘Merlin, como eu detesto Matthew babaca Demming!’, pensou consigo mesmo, dando meia volta, andando em círculos.


1,82m de altura, cabelos castanhos curtos, olhos azuis. Queixo quadrado, sorriso branco, tórax malhado... Aparentemente, o Procurador-Chefe do Escritório Internacional de Direito em Magia e Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia era ‘tudo e mais um pouco’, conforme os cochichos das funcionárias do Ministério da Magia. Cochichos, esses, que Draco já estava cansado de ouvir... Cochichos, esses, que Hermione partilhava...


- Matt. – Hermione disse, sentada, tentando parecer calma depois da pequena explosão do parceiro – Me desculpe, mas... Malfoy está com a razão.


A morena, ciente que os dois homens a encaravam, corou, sem jeito, mas manteve-se firme.


- Prendemos Yurich, Parkinson e Tate, desvendamos as mortes de McAndrews e Yates...


- Sua missão está cumprida. – Demming disse, paciente, mas firme.


- ... mas ainda há questões a serem respondidas. – Hermione continuou, sem se abalar – Não podemos deixar passar em branco o fato de haver alguém solto por aí.


- Sua missão esta cumprida, Hermione. – Matt disse, sério.


- Alguém que contratou Parkinson e Tate para assassinar Shawn McAndrews. – a morena falou, séria. Draco admirava a persistência da parceira – Ainda, há o fato de alguém ter ajudado McAndrews a pegar o colar de opalas da sala de Quinn! Ninguém simplesmente invade a sala de Quinn, Matt, e você sabe bem disso!


O homem encarou a jovem auror, os olhos azuis brilhando intensamente.


- Essa não é a missão de vocês. – disse, frio como Hermione jamais o vira ser antes – Sei que temos que responder a essas questões, auror Granger, mas já dei essa missão a alguém, por isso, se fizerem o favor de saírem de minha sala...


Hermione sentiu seu ventre se contorcer diante da frieza do homem que sempre fora gentil e atencioso para consigo. Um homem que, até ontem, ainda flertava com ela!


- Quem? – Draco exigiu saber, cruzando os braços junto ao peito, sério.


Faíscas de ambos os olhares.


- Não lhe devo explicações, auror Malfoy. – Demming disse, secamente – Mas, somente para satisfazer sua curiosidade, eu pus Rice e Cabot para...


- Tá de sacanagem!!! – o loiro explodiu – Rice é recém formado na Academia e Cabot tem pouco mais de dois anos de Quartel! Eles jamais irão descobrir! Não têm experiência o suficiente!


- As missões dos recém-formados são nível cinco! – Hermione completou, pasma – E Cabot ainda é nível três! Você precisa de aurores nível um para isso. Draco e eu somos esses aurores!


O loiro virou-se de lado ao ver a morena pronunciar seu primeiro nome. Ainda lhe causava espanto quando ela o fazia.


- A missão está dada, eles que se virem para cumpri-la. – Demming disse, pondo-se de pé – E saiam da minha sala antes que eu os suspenda por insubordinação!


Ao ouvir a palavra ‘insubordinação’, Hermione se indignou. Porém, Draco sabia que não lhes faria bem algum discutir com o chefe.


- Desiste! – disse, puxando a morena pela mão – Esse aí não vale a pena!


Saíram juntos, mas foram chamados à porta.


- Não sabia, Granger. – Demming disse, sarcasmo impregnado em sua voz.


Hermione franziu o cenho, sem entender.


- Não sabia o quê?! – quis saber, confusa.


- Que você também estava dando pro Malfoy. – Matthew disse, indicando com um dedo as mãos dadas dos dois aurores – É uma pena. Poderia ganhar muito mais comigo...


- Ah, seu filho d... – mas a voz da garota fora abafada pela porta que se fechara em sua cara com um movimento de varinha.”


[FLASHBACK]


 


- E você lembra bem o que aconteceu depois disso? – o ex-auror disse, sério.


- Eu fiz um escândalo. – a morena assentiu, ainda envergonhada por aquilo.


- Eu não durmo com ele! – Draco começou a imitar a voz da morena, gesticulando incansavelmente como ela fizera à época – Demming, seu desgraçado, como pode dizer uma coisa dessas! Seu desgraçado, babaca, filho de um diabrete da Cornualha manco! Você não presta...


Hermione começou a rir da imitação do loiro.


- Eu nunca dormi com ele. Eu nunca dormiria com ele! – o loiro continuou, aproximando-se da grade, os olhos fixos na morena – Não com ele, que já me atormentou tanto! Malfoy não presta! Malfoy é um retardado, loiro de farmácia...


O loiro segurou as grades, reclinando o corpo para frente.


Hermione prendeu a respiração diante daquele olhar. Das íris cinzas escuras e penetrantes, capazes de ver através da alma de qualquer pessoa...


- Pois é. – Draco disse, sua voz rouca soando maliciosamente sedutora – E, ainda assim, na cama de quem você terminou aquela noite...?


 


[FLASHBACK]


Hermione estava furiosa. Irada. E Draco não conseguia deixar de rir da situação...


Jamais vira a morena elevar o tom. Hermione jamais perdia a classe. Jamais. Até aquele fim de tarde...


Demming pedira. Draco sabia disso. Sempre detestara o homem, mas a arrogância com que ele tratara sua parceira fora a gota d’água. Hermione jamais merecera ser tratada daquela maneira, como uma qualquer. Hermione não era uma dessas. Não ela. Até ele sabia disso!


Draco estava com ódio do outro. Daria o troco, mais cedo ou mais tarde...


- Babaca arrogante, orgulhoso e prepotente! – a morena vociferou, virando o conteúdo de seu copo num único gole, estendendo o copo e pedindo ao barman que lhe servisse mais.


- Hei, hei, hei, calma, garota! – Draco disse, rindo, pegando o copo cheio que acabara de ser posto na frente dela, bebendo metade do conteúdo, deixando pouco mais de um dedo para ela – Whisky de fogo não é cerveja amanteigada!


- Ha ha! –a auror debochou, impaciente – Me deixa, Malfoy, você não é ninguém pra dizer se sei ou não beber!


- Sei que, pra quem já ficou de porre com cerveja amanteigada, whisky de fogo será como pular de um precipício! – o outro devolveu, arrancando o copo das mãos dela, bebendo o restante do líquido âmbar.  


- Eu nunca fiquei de porre com cerveja amanteigada! – Hermione rebateu, mas sentiu seu ventre se contorcer, a segunda vez naquele dia.


- Já, sim, pois eu ouvi seus amiguinhos comentando depois de um passeio ao povoado de Hogsmeade, ainda na época de escola. – o loiro devolveu, detestando ser chamado de mentiroso.


A morena mordeu o lábio inferior, xingando os amigos em pensamento.


- Acredite. – Draco disse, erguendo um dedo, chamando o barman – Estou lhe fazendo um favor!


Emburrada, Hermione viu Draco pedir para si um copo de água.


- Sério?! – questionou, impaciente.


- Sério. – o rapaz disse, firme, abrindo a pequena garrafa vermelha e depositando um pouco do líquido incolor no copo dela –Por isso, tra... Granger! – reclamou, vendo-a sair de perto de si, furiosa, a bolsa a tiracolo.


Pagou a conta, saiu correndo atrás dela. Encontrou-a descendo a rua, uma mão no bolso de trás da calça jeans, a outra segurando a bolsa.


Permitiu-se observá-la por um certo tempo, sentindo um prazer diferente naquilo...


Observou como a calça jeans escura levemente justa aderia perfeitamente às curvas de seu quadril e de suas pernas. Em como o salto fino preto arrebitava ainda mais seu bumbum... Em como a blusa de alças finas preta contrastava com sua pele morena... Imaginou o toque da seda em contato com a pele macia da auror, sentindo uma excitação crescer em seu ser...


Imediatamente, imaginou-se agarrando-a por trás, sentindo o corpo dela contra o seu. Suas mãos percorrendo cada pedaço de pele, seus dedos traçando cada curva daquele corpo... O delicioso toque dos cachos castanhos contra seu peito nu. O delicioso gosto daqueles lábios vermelhos...


- Granger! – disse, a voz rouca, alcançando-a, segurando-a pelo braço.


- Que é?! – ela reclamou, afastando-se, uma mecha dos cabelos castanhos caindo por sobre os olhos amendoados – Vai me impedir de ir beber em casa agora também, é?!


- Não. – o loiro disse, pigarreando, tentando controlar o desejo que o consumia – Vou com você!


Hermione ergueu uma sobrancelha, desconfiada.


- Prometo não reclamar mais! – Draco disse, apressadamente, meio enrolado.


Hermione riu ao vê-lo se enrolar nas próprias palavras.


- Vamos. – disse, mais animada, estendendo um braço para ele – Não sei o que está tramando, mas, pelo visto, você é quem está bêbado aqui!


Draco nada disse. Seria melhor deixá-la pensar o que quisesse...”


[FLASHBACK]


 


- Nunca falamos tão mal de alguém como falamos do Demming naquela noite! – a morena sorriu, achando graça – O que duas garrafas de vinho não fazem...


- Sem contar o whisky de antes. – Draco a lembrou, sorrindo também.


- Você não me deixou beber! – Hermione reclamou, fazendo um biquinho com os lábios.


- Deixei você fazer coisa melhor. – o loiro respondeu, zombeteiramente.


Ambos se fitaram, sentindo a tensão que pairava no ar.


Lembravam exatamente como aquela noite terminara...


 


[FLASHBACK]



- Você é ridículo! – a morena disse, meneando a cabeça, em negativa – Não, jamais! Não, não e não!


- Qual é, Granger, não fará mal a ninguém! – o loiro murmurava, tentando persuadi-la – Você já está com a fama mesmo!


A garota sabia que deveria ficar furiosa com aquilo, mas apenas conseguiu soltar uma gargalhada, rindo sem se controlar.


- Verdade, verdade! – assentiu, enchendo sua taça pela metade com vinho tinto – Logo eu, que sempre fui centrada e certinha, hoje, estou dando para Draco Malfoy! – relembrou o que Demming dissera-lhe mais cedo.


- É... – o loiro anuiu, ajoelhando-se perto dela, apoiando-se nos joelhos dela com um braço – Então, qual o mal em se jogar um pouco?


- Não sou do tipo que joga strip-xadrez. – a morena explicou, apertando o queixo dele delicadamente, tentando resistir ao apelo daqueles olhos cinzas – Além do mais, já são quase duas horas e precisamos acordar cedo amanhã para trabalhar e... – mas ele a silenciou com um dedo nos lábios.


- Para de ser tão certinha. – pediu, a voz firme, fazendo o corpo todo da morena estremecer com o toque.


Hermione sentiu as mãos formigarem. O coração disparar.


- Malfoy, eu... – tentou, mas as palavras custaram a sair.


- Sem mais! – o loiro disse, pondo-se de pé, indo apanhar o tabuleiro que havia numa estante na sala – Cada partida, uma peça de roupa. Quem ficar apenas com a roupa de baixo perde.


Hermione meneou a cabeça, sentindo uma leve vertigem pelo álcool.


- Não é justo. – disse, sem pensar – Só estou de calça e blusa!


- Não seja por isso! – Draco pôs-se de pé e retirou o colete cinza escuro, a gravata e a blusa social preta, ficando apenas de calça social, também preta, e uma regata branca.


Inconscientemente, a auror prendeu a respiração. Conscientemente, a auror arregalou os olhos.


Sempre soubera que Draco Malfoy tinha um corpo bem trabalhado, principalmente devido ao treinamento na Academia e no Quartel General de Aurores. Porém, vê-lo ali, com o tórax largo, os braços definidos, o abdome perfeitamente esculpido... Os fios loiros caindo displicentemente sobre os olhos... Hermione dera graças a Merlin por existirem flexões, abdominais e exercícios de barra...


- Ora, ora, ora... – ouviu-o dizer, e reparou que seu olhar estivera fixo no corpo dele quando teve de erguer a cabeça para fitá-lo – Hermione Granger secando Draco Malfoy...? Essa é nova pra mim...


A morena ficou sem graça, mas estava com a língua afiada pela bebida.


- Verdade! – disse, sem pensar – Eu que estou acostumada com seus olhos em cima do meu corpo toda vez que temos de dividir o quarto durante as missões.


Draco Malfoy estreitou os olhos, sorrindo, maliciosamente.


- Me desculpe se tenho bom gosto. – disse, tentando deixá-la sem graça, um sorriso no canto da boca.


Hermione simplesmente riu, jogando a cabeça para trás, desfazendo o coque feito de forma displicente.


- Cala a boca e joga, Draco! – disse, pondo as peças no tabuleiro, escolhendo as brancas – Eu começo!”


[FLASHBACK]


 


Hermione e Draco se entreolharam, ambos com o desejo incendiando seus corpos. A morena meneou a cabeça, pois não poderia se envolver novamente. Estava noiva, por Merlin!


Mas as lembranças daquela noite eram fortes demais para serem esquecidas... Draco Malfoy era simplesmente forte demais para ser esquecido...


 


[FLASHBACK]


Perderam a noção do tempo. Cada um dando o melhor de si para não perder.


- Mentirosa! – Draco exclamou, surpreso e indignado, assim que a morena disse ‘cheque-mate’ – Achei que não soubesse jogar!


- Disse que não era do tipo que joga strip-xadrez. – a morena murmurou, rindo, vendo o olhar perplexo dele – Nunca disse que não sabia jogar. Além do mais, pra que, diabos, eu teria um tabuleiro de xadrez se não soubesse jogar?! Francamente, Malfoy, achei que fosse mais esperto que isso!


- Ha ha! – o loiro murmurou, de forma debochada, pondo-se de pé, pronto para tirar sua última peça de roupa.


Hermione umedecera os lábios, mordendo o inferior com força. Até que aquela idéia não fora tão ruim assim...


Draco sentiu o olhar da castanha sobre si e decidiu aproveitar a deixa.  Começou a desabotoar, bem lentamente, o dois botões da calça social, e a descer o zíper da mesma sem pressa.


Hermione revirou os olhos, impaciente. Sabia que ele a estava testando. E sabia que ela estava caindo...


- Ajuda? – zombou, mas recebeu um olhar maroto dele.


- Adoraria... – disse, debochado, com um sorriso malicioso.


Jamais esperara que ele parasse em sua frente e aguardasse. E aguardasse. E aguardasse...


Meneou a cabeça, afastando todos os pensamentos eróticos que surgiram em sua mente. Ergueu as mãos, tentando controlar sua respiração. Sua tremedeira. Não podia deixar transparecer o quanto estava tensa com aquilo...


Segurou a calça, a ponta de seus dedos roçando na pele da cintura dele. Começou a descer a roupa, mas sentiu duas mãos segurando as suas de maneira possessiva. Olhou para cima, assustada.


- Pra que a pressa..? – ele murmurou, acariciando a pele dela com o polegar, vendo os pêlos do braço da morena se eriçarem – Aproveite. Sou todo seu...


Hermione engoliu em seco, mais tensa ainda.


- Mais cretino, impossível! – ela implicou, sorrindo zombeteira, tentando reassumir o controle da situação.


- Apenas digo a verdade. – o loiro explicou, fingindo-se de inocente.


Draco ajudou-a a encontrar o ritmo, deixando-a terminar sozinha. Entreolharam-se, as íris de ambos enegrecidas pelo desejo.


Hermione respirou fundo, tentando ao máximo não prestar demasiada atenção na boxe preta que o loiro usava. No caminho de pêlos claros que desciam por dentro dela. No visível volume que a excitação dele formara...


- Acho melhor ir embora. – ela disse, e caminhou para a porta, ainda completamente vestida – Está tarde. Precisamos descansar.


Draco sorriu, indo até o sofá, pegando seu chapéu grafite e a gravata social azul, indo até ela em seguida.


- Malfoy... – Hermione disse, tensa, a porta entreaberta. Sua voz saíra trêmula e, a julgar pelo sorriso malicioso do auror, ele também percebera isso.


- Não. – o loiro empurrou a porta de volta, trancando-a. Pôs a gravata no pescoço da morena, pondo o chapéu reclinado em sua própria cabeça – Hoje, não...


Hermione viu-o pôr as mãos em sua cintura, mas não teve forças para pará-lo. Nem mesmo sabia se realmente o queria fazer...


Draco alisou os braços da castanha diversas vezes, sentindo o calor da pele dela. Segurou-lhe o pescoço, ergueu-lhe a face.


- Malfoy... – ela tornou a dizer, numa última tentativa de trazer lucidez a ambos – Somos parceiros... Não... Não podemos...


O loiro negou com a cabeça, o olhar fixo em Hermione.


- Você é minha, Hermione. Aceite isso.


Em seguida, uniu seus lábios contra os dela, provocando um frenesi no corpo da castanha...


A morena apoiou as costas contra a porta, completamente entregue. Seu corpo não mais a obedecia, reagindo unicamente às sensações provocadas pelo loiro...


Os lábios finos dele apertando os seus. O hálito de menta misturado ao vinho...


A língua hábil que percorria o contorno de seus lábios. Os dedos possessivos que seguravam sua nuca...


Ergueu uma perna, encaixando melhor seus quadris. A risada baixa dele ecoou em sua boca...


A pressão suave que ele exercia contra sua pélvis... Os arrepios provocados em toda a sua espinha...


- Muito melhor do que eu imaginava... – ouviu-o sussurrar, os lábios depositando delicados beijos em seu pescoço – Muito melhor mesmo...


Hermione abriu os olhos, sem sequer ter se dado conta de que os havia fechado...


Segurou-o pelo queixo, erguendo-lhe a face. A expressão de criança mimada perdendo o doce que mais gosta fora impagável...


Olhou-o por alguns instantes, até adquirir coragem. Um sorriso maroto surgiu em sua face...


- Imaginou isso muitas vezes..? – perguntou, zombeteira, vendo-o revirar os olhos, um tanto sem graça por ter sido pego no flagra.


- Digamos que sim... – ele respondeu, como era típico de um sonserino arrogante que jamais perde a pose – Algumas... – roçou seu nariz contra o dela, fazendo-a suspirar - ... Muitas... Várias...


Tornou a unir os lábios, dessa vez de forma mais exigente. Instintivamente, Hermione abriu a boca, dando passagem para que a língua dele a explorasse por completo... Gemeu algumas vezes, sentindo sua calcinha umedecer cada vez mais. Malfoy simplesmente sorriu, intensificando ainda mais o beijo...


Não era prazer simplesmente, era algo mais profundo, algo mais...


Hermione sabia bem o que era sentir-se desejada. O que era sentir o prazer provocado por um homem. Porém, ela não conseguia explicar porque seu corpo reagia de forma tão perfeita e harmônica aos toques e carícias do loiro. Como se houvessem sido feitos um para o outro...


Malfoy entrelaçou seus dedos nos cachos da morena, obrigando-a a jogar a cabeça para trás. Desceu os lábios para o pescoço de Hermione, sugando cada milímetro de pele, mordendo a curva entre seus ombros...


Desceu os dedos lentamente, abaixando as alças da blusa... Sentiu os dedos dela entrelaçarem seus fios loiros, agarrando-os com força, completamente desejosa...


Acariciou-lhe um dos seios por sobre a blusa, fazendo a morena se contorcer em sua direção. Apalpou-o com mais força, obrigando-a a arfar...


- Malfoy... – Hermione gemeu, arranhando a porta atrás de si com uma das mãos – Ai...


Draco, então, começou a beijar-lhe o colo, provocando-lhe mais e mais ondas de prazer...


Hermione ergueu os braços, Draco puxou-lhe a blusa, deixando-a cair em algum lugar do chão. Abaixou o olhar, admirando os seios por trás do sutiã meia-taça. Um sorriso maroto surgiu no canto de sua boca...


- Granger, Granger... – murmurou, sentindo sua masculinidade gritar contra sua cueca.


Estendeu ambas as mãos, apalpando os dois seios, sua gravata azul entre eles. Pôs seu chapéu na morena, ajeitando os cachos para que estes caíssem perfeitamente sobre os ombros. Hermione sorriu com o gesto.


- Bobo! – murmurou, vendo-o admirá-la com atenção.


Malfoy continuou a sorrir...


- Você me deixa louco, sabia? – disse, virando-a rapidamente de costas para si, prensando-a contra a porta. Algo que queria fazer desde que haviam saído do pequeno bar bruxo – Louco, sabia?


Hermione recostou a fronte na porta, sentindo a pressão exercida contra seu bumbum pelo membro rígido dele. Fechou os olhos com força, sentindo-se vibrar cada vez mais...


Draco percorreu as costas da morena com a ponta dos dedos, abriu o fecho do sutiã. A morena mexeu os braços o suficiente para que a peça caísse também no chão...


O loiro apertou-lhe a nuca, os ombros, descendo as mãos pelos seios, parando neles e começando a brincar com os mamilos. Hermione tornou a gemer, mordendo mais e mais o lábio inferior...


Malfoy desceu a mão esquerda pela lateral do corpo da morena, apertando-lhe a cintura, abrindo o único botão da calça jeans...


Desceu mais a mão, tocou-lhe a intimidade por sobre o pano grosso. Hermione se contorceu novamente, a masculinidade do loiro forçando-se mais ainda contra seu corpo...


Novamente, Draco a virou com força para si, roubando-lhe um beijo profundo e sedutor. Lento... Vagaroso... Prazeroso...


Abaixou-se, traçando uma trilha de beijos pelo colo da morena. Raptou um mamilo com os lábios. Brincou com ele entre os dentes...


Hermione gemia sem parar... Cada vez mais entregue. Cada vez mais próxima do clímax...


Draco desceu as mãos pelo abdômen da auror, indo parar nas nádegas, apertando-as com força. Em seguida, abaixou lentamente a calça jeans, Hermione apoiando-se em seu ombro para ajudá-lo...


Jogou a calça para o lado, desamarrou-lhe as sandálias. Viu-a diminuir alguns centímetros, mas isso não fazia diferença. Queria-a tanto quanto antes. Mais, até...


Era um desejo louco, viciante e descontrolado o que ele sentia por ela. Era insano, simplesmente... Fogo. Tempestuoso... Algo que não sabia bem explicar...


Ergueu-a nos braços, dando-lhe um beijo doce nos lábios quando a morena jogou seus braços por detrás de sua cabeça. Hermione sorriu com o gesto. Jamais pensaria que ele poderia ser carinhoso e explosivo ao mesmo tempo...


- Onde...? – ele perguntou, a voz rouca de desejo.


- Onde você quiser... – Hermione deu de ombros, pois não se importava.


Draco sorriu-lhe marotamente. Era tudo o que queria ouvir...”


[FLASHBACK]


 


- Jamais pensei... – Hermione murmurou, mas calou-se ao ver que estava sem voz. A garganta seca.


Draco riu baixinho, indo sentar-se em seu colchão esfarrapado. Apoiou as costas na parede, entendendo bem o que ela sentia.


Se ao menos nãos estivessem separados por grades...


 


[FLASHBACK]


Hermione piscou os olhos, custando a se acostumar com a escuridão do ambiente. Virou a cabeça diversas vezes para os lados, tentando identificar algo de familiar.


- Onde estamos? – quis saber, baixando o olhar, seus olhos encontrando as íris cinzas do loiro.


- Meu apartamento. – Draco disse, apertando-a mais contra si, beijando-lhe na ponta do nariz.


Hermione respirou fundo, um tanto tensa. Jamais estivera ali antes. Jamais pensara em ir ali antes!


- Por que? – quis saber, sem entender.


O riso baixo dele acompanhou o andar firme pelo cômodo que ela julgou ser a sala de estar.


- Simples. – o loiro responde, levando-a para outro cômodo, seu quarto – Duvido que você tenha uma cama de casal.


Hermione abriu a boca, mas a fechou rapidamente.


- Eu tenho uma cama de casal! – respondeu, ainda confusa.


Draco riu, sentando-a na cama.


- Mas não como a minha... – murmurou, sentando-se ao lado dela, recomeçando os toques e as carÍcias...


Hermione gostava de sua cama, mas sabia que não havia comparação. Mesmo sendo uma king size, sua cama não tinha lençóis de algodão egípcio, os mais macios do que qualquer um em que já se deitara, sequer tinha travesseiros de pena de ganso.


- Metido... – foi tudo o que conseguiu murmurar, fazendo-o rir em sua nuca.


- Apenas quis lhe dar o melhor. – disse, sendo sincero – Porém, acredito que, para isso, eu já bastava...


Hermione deu-lhe um tapa no braço, fazendo-o rir mais ainda.


Draco segurou-lhe os punhos, jogando-os por cima da cabeça dela, deitando-se sobre a morena.


O peso dele apenas a deixou mais excitada. Os corpos novamente se encaixando de forma singular...


- Quero que saiba uma coisa. – o loiro disse, vendo-a piscar, um tanto confusa – Quero que saiba que eu não a considero uma qualquer. Não você.


- Draco... – Hermione engoliu em seco, não sabia o que dizer.


- Você é única, Hermione. Única. – enfatizou, seus rostos muito próximos.


A morena fechou os olhos, tentando controlar as lágrimas que surgiram em seu olhar. Algo dentro dela explodiu e Hermione teve medo. Medo, pois não saberia como lidar com aquele sentimento depois. Medo, pois há muito não queria se apaixonar...


Abriu os olhos, encontrou-o fitando-a. Sorriu ao ver que ele sorria.


- Podemos continuar? – ele perguntou, debochado como um sonserino – Ou vamos esperar o dia clarear?


Hermione riu, assentindo com a cabeça. Draco Malfoy também era único, apenas não sabia disso...


Draco a beijou de maneira profunda, sua língua brincando com a dela, fazendo-a gemer ainda com os lábios colados. Desceu suas mãos pela lateral do corpo, descendo os beijos consigo...


Hermione arqueou as pernas, ajudando-o a retirar a última peça de roupa que havia nela. Penúltima, pois ela ainda estava com sua gravata...


- Não, não, deixe ela aí! – o loiro ordenou, um dedo erguido – Você não sabe o quão sexy fica com a minha roupa. – alfinetou, vendo-a rir, gostando do som que ouvia.


- Vou passar a usar seu guarda-roupa então, ao invés do meu, antes de ir trabalhar. – a morena brincou, alegre.


Draco adorou ouvir aquilo...


- Vou cobrar uma taxa... – disse, fazendo a morena gemer alto assim que seus lábios encontraram a intimidade dela – ... Bom você ir se acostumando...


Hermione duvidava que conseguiria se acostumar com aquilo um dia. Não com Draco Malfoy. Jamais com ele...


O loiro atiçava todos os seus sentidos, provocando-lhe arrepios em lugares que ela jamais ousara imaginar. Draco Malfoy era, de longe, o melhor homem que já tivera na cama. Isso porque ainda sequer haviam consumado o ato...


Malfoy ergueu-se sobre ela, abaixou sua boxe preta. Hermione prendeu a respiração, antecipando o momento...


Draco deitou o peito largo sobre ela, mordiscou-lhe o lóbulo da orelha. A morena gemeu mais e mais, arranhando-lhe as costas de cima para baixo...


Malfoy ajeitou-se melhor, descendo lentamente seu quadril, penetrando-a devagar. Hermione mordeu o lábio inferior com força, sentindo de leve o gosto de sangue em sua boca. Ele era maior do que ela esperava. A morena soltou um longo gemido de prazer...


O loiro começou a mover de leve seu quadril, dando pequenas estocadas. Sabia que a morena estava quase no auge, mas queria prolongar mais aquele momento. Afinal, não sabia quando ela iria aceitar repetir aquilo...


Hermione sentia-o dentro de si, cada vez mais fundo, cada vez mais forte. O ar começou a faltar-lhe. A visão começou a ficar embaçada...


Draco aumentou um pouco a velocidade, fazendo-a gemer mais e mais. Aumentou mais ainda, vendo-a se contorcer em seus braços. A auror estava entregue, completamente sua...


Acelerou mais ainda, vendo-a arfar. Hermione começou a gemer mais alto, a chamar seu nome. Seu primeiro nome. Draco...


Malfoy experimentara uma onda de prazer maior ao ouvi-la chamar por si. Por si e ninguém mais. Começou a estocar com mais rapidez, indo mais e mais fundo. Transpirava pelo esforço. Mas seu prazer era inigualável...


Vê-la gritar ao chegar ao orgasmo apenas aumentou seu desejo e aproveitou para deixar-se satisfazer. Intensificou os movimentos ate não poder mais, liberando-se por completo dentro dela, desabando em seus braços em seguida...


Sentiu o afago nos fios ao pé de sua nuca, um arrepio percorreu-lhe todo o corpo. Jamais outra mulher fora carinhosa consigo. Não de verdade. Não por querer...


Olhou nos olhos amendoados da morena, um sorriso bobo nos lábios...


- Tive uma idéia. – disse, ainda em dúvida se ela aceitaria.


O sorriso que recebeu em troca afastou todos os seus medos.


- Acho que seremos suspensos por insubordinação. – a morena murmurou, beijando-lhe carinhosamente a ponta do nariz...”


[FLASHBACK]


 


Silêncio. Nenhum dos dois ousava pronunciar uma única palavra...


A chuva do lado de fora da prisão diminuíra, mas os ventos permaneciam fortes e inabaláveis. Os corredores permaneciam escuros e frios, os dementadores continuavam a passar nos demais andares...


Prisioneiros continuavam a gritar e choramingar. A tristeza e o desespero continuavam a reinar soberanos em Azkaban. Mas não ali, não entre eles...


Draco e Hermione sabiam exatamente o que sentiam. Sabiam exatamente o quanto desejavam um ao outro. Já haviam passado e muito da fase das palavras. Estas eram desnecessárias entre eles...


- Você voltou para o Escritório. – a voz dele era baixa, calma.


Hermione remexeu-se na cadeira, desconfortável.


- Achei que detestasse o lugar. – ele continuou, paciente, seus olhos presos na morena – Fora por isso que você havia pedido transferência para o Quartel General de Aurores.


- Não estamos aqui para falarmos de mim, lembra? – a jovem respondeu, fazendo-o sorrir brevemente – É sua entrevista, Malfoy, não a minha.


- Quero saber porquê. – Draco disse, vendo-a revirar os olhos, visivelmente perturbada – Por que você voltou se detestava tanto o Escritório Internacional de Direito em Magia?


Hermione soltou um longo suspiro, fitou os próprios pés. Estava cansada de estar ali...


Tudo o que queria era ir embora. Voltar para seu apartamento, para o conforto do seu lar. Queria imensamente esquecer o que estava sentindo, queria poder esquecê-lo e acabar com aquela agonia.


Jamais conseguira. Jamais conseguira tirá-lo de sua cabeça. De seu corpo, de seu coração. Mas Draco Malfoy estava preso e a morena sabia que tinha motivos mais do que suficientes para odiá-lo. Tantas mortes, tantas mentiras... Mas ela não conseguia. Jamais conseguira odiá-lo. Jamais conseguira deixar de amá-lo...  


Relembrar o passado apenas lhe trouxe mais dor. Dor por tê-lo perdido. Dor por saber como tudo terminaria...


- Não tive escolha. – explicou, por fim – Demming exigiu minha transferência de volta.


Draco a olhou profundamente, sem saber direito o que dizer.


- Quando voltamos... – murmurou, sorrindo, maroto – Depois de uma semana de suspensão...


A morena também sorriu. A suspensão fora recebida porque os dois haviam faltado ao trabalho, pois tinham decidido passar o dia inteiro na cama.


- Fomos realocados para o serviço interno por um mês. – continuou, pensativo – Sabe que Demming fez isso para nos impedir de ter contato com Rice e Cabot.


Hermione nada falou, pois partilhara da mesma opinião à época.


- E sabe bem o que aconteceu depois disso, não sabe? – o loiro murmurou, a voz fraca, baixa.


A ex-auror respirou fundo. Lembrava daquele dia como se fosse hoje...


 


[FLASHBACK]



- Alerta vermelho, alerta vermelho! – ouviam-se berradores por todos os lados, dentro do Quartel General dos Aurores – Alerta vermelho, alerta vermelho! Aurores nível um para sala de Matthew Demming. Aurores nível um para a sala de Matthew Demming!...


- Que, diabos, está acontecendo?! – Hermione perguntou, completamente confusa, sendo uma das primeiras a chegar à sala de seu chefe – Demming, que, diabos, é isso?!


Matthew Demming, porém, permanecera recostado ao batente da janela, os braços cruzados junto ao corpo, um semblante sério na face.


- Espere Luke e Brown, que darei as explicações. – disse, mas mal acabara de falar e os outros dois aurores nível um entraram em sua sala, sérios, querendo saber o motivo do chamado.


- Falta Draco Malfoy ainda! – a auror rebateu, firme – Ele também é... – mas calou-se assim que Matt erguera um dedo no ar.


- Temos um problema, senhores. – disse, firme, seu olhar percorrendo a face dos três aurores em sua sala – Temos um fugitivo à solta e precisamos capturá-lo o mais rápido possível.


- Quem? – Phillip Luke perguntou, pronto para trabalhar.


- O responsável por contratar Parkinson e Tate para assassinar Shawn McAndrews. – Demming disse, sério – Também responsável por invadir a sala do Ministro da Magia e roubar um precioso colar de opalas, um dos itens das artes das trevas mais perigosos que existem em todo o mundo.


- Quem? – Hermione quis saber, séria. Ela e Draco não haviam descoberto nada em sua investigação paralela...


Matthew Demming a observou, atentamente. A morena identificara um sorriso mal escondido no canto dos lábios de seu chefe.


- O nome do fugitivo é Draco Lucius Malfoy, destituído do cargo de auror esta manhã por mim. – disse, vendo o queixo dos três cair, principalmente o de Hermione.


- Impossível! – a morena disse, cruzando os braços junto ao corpo, visivelmente indignada – Demming, que palhaçada é essa?!


- Estou falando sério, Hermione. – o homem disse, tentando parecer mais condescendente. Ergueu uma pasta parda no ar, entregando-a à auror – Me surpreendo que você não tenha visto os sinais, sendo tão boa no que faz...


Os olhos da garota custaram a acreditar no que viam...


Relatórios, transcrições de escutas, interceptações de correios-corujas... Fotos do loiro conversando com Shawn McAndrews na Travessa do Tranco. Fotos do loiro com Parkinson e Tate na França...


A cada página virada, provas e mais provas surgiam do envolvimento do loiro naquele crime. A cada página que virava, Hermione Granger sentia mais e mais náuseas...


- Draco Malfoy não mais é um membro do Quartel General de Aurores. – Demming informou, sério – Ele é, oficialmente, um fugitivo do Ministério da Magia, que deve ser capturado e levado a julgamento. Quero os três trabalhando nisso. Hermione, você será a cabeça da equipe.


A auror ergueu os olhos, sem realmente ver seu chefe.


- Não posso. – disse, sua voz falhando – Draco... Ele... meu parceiro...


- Por isso mesmo. – o homem disse, de pronto – Ninguém melhor do que você para prendê-lo. E isso é uma ordem, auror Granger! – definiu, vendo que ela pretendia contradizê-lo.


Hermione apoiou a pasta sobre a mesa, saindo da sala. Precisava de ar...


Caminhou pelos corredores, ciente de que diversos olhares recaíam sobre si. Não sabia qual a sua aparência, mas pouco importava. Nada mais importava. Nada mais...


Entrou no banheiro feminino, trancou-o por dentro com um feitiço. Foi até o toalete mais próximo e vomitou...


Sentou no piso frio, suas mãos trêmulas, a fronte suada.


- Não pode ser verdade... – murmurava, agoniada – Não pode... Não pode...


Não sabia onde ele se encontrava. Sabia apenas que, depois de mais uma noite de amor que haviam tido, ele fora embora para seu apartamento. Haviam combinado de se encontrar no trabalho no dia seguinte. Mas ele havia se atrasado. E ele nunca se atrasava...


- Granger? – a voz de Luke soou do lado de fora – Hermione? – o homem murmurou, visivelmente preocupado.


Desfez o feitiço e a encontrou ao chão, lágrimas rolando silenciosas pela face pálida.


- Ele não fez isso, Luke! – disse, desamparada – Ele não seria capaz, eu sei disso!


O homem de pouco mais de cinqüenta anos agachou-se até ela e a abraçou, aninhando-a em sesu braços, como um verdadeiro pai e protetor.


- Também acho difícil de acreditar. – disse, atordoado – Eu treinei o Malfoy! – disse, meneando a cabeça para os lados – Mas, se estiverem armando para Draco, somente nós podemos descobrir a verdade. Temos de fazer isso, Hermione, por ele.


Hermione assentiu, chorando mais ainda. Pôs-se de pé depois de um tempo, pedindo licença para se recompor. Encontrou os dois aurores nível um no átrio do Ministério meia hora depois, pronta para começar sua investigação. Pronta para inocentar o homem por quem se apaixonara...”


[FLASHBACK]


 


- Eu jamais pensei que você pudesse fazer uma coisa daquelas. – a morena disse, a voz embargada.


- Hermione...


- Depois de tudo o que lutamos na guerra, de você mesmo ter nos ajudado! – ela continuou, ignorando as desculpas dele – Você não traiu somente a mim. – disse, ferida, toda a mágoa saindo em palavras – Você traiu ao Quinn. Ao Luke, que te treinou! – enumerou, vendo o olhar triste dele sobre si – Traiu aos seus companheiros do Quartel General, que sempre viram em você um modelo de auror!


- Hermione, por favor...


- Traiu os Weasley, que te acolheram como uma família depois que seus pais morreram na guerra! – a voz da morena era alta, mas ela não se importava de estar gritando. Lágrimas escorriam por sua face, sem cessar, molhando suas roupas – Traiu ao Harry, que lutou por você na audiência de reabilitação depois da queda de Voldemort. Você traiu tantas pessoas, Malfoy, tantas e que tudo o que fizeram foi te ajudar quando seus amigos do lado das trevas te abandonaram! Você virou as costas para tudo de bom que havia conseguido e por quê? Por ciúmes de Demming?!


Malfoy pôs-se de pé, irritado, batendo nas grades da cela.


- Eu não tenho motivos pra ter feito isso. – disse, sério – Eu jamais quis ocupar o lugar dele, por mais babaca e incompetente que eu achasse que ele fosse! – declarou, furioso – Nunca quis nada de Demming, jamais apreciei a vidinha pacata que ele levava. Estava muito feliz com minha vida, Hermione, e você sabe exatamente disso!


- Eu te prendi! – a morena berrou, indignada – Na sala dele, remexendo nas gavetas! Depois de semanas colhendo pistas que mostravam ser você o culpado do roubo do colar e da morte de McAndrews e Yates!


- Armaram pra mim! – ele retrucou, vendo-a negar com a cabeça – Eu revirei a casa de Demming e não achei nada! Fato que ele escondia algo no escritório. Ninguém mais além dele tem acesso a sala!


- Chega de mentiras! – Hermione vociferou, furiosa – Luke e Brown investigaram. Eu investiguei. E o que encontramos? Tudo o que achamos foram fotos suas com Parkinson. Fotos suas com McAndrews... Cartas e mais cartas dos seus contatos...


- Eu não enviei nada daquilo! – Draco estava desesperado.


- Checamos todo o trabalho de Rice e Cabot, eles não erraram! – Hermione respondeu, firme – Você foi o culpado. Você!


- Hermione...


- Chega!!!


Draco parou, respirou fundo. Estava sendo igual a sua audiência de julgamento. Aquilo estava errado. Precisava convencê-la, não discutir com ela...


- Eu jamais mataria os Weasley ou o Potter. – disse, paciente – Você sabe disso, basta você pensar. Você mesma disse, eu não teria motivos, então, por que eu causaria a explosão da chave de portal que eles usaram para ir ao jogo de quadribol?


- Malfoy...


- Por que eu explodiria o carro de seus pais quando eles decidiram fazer aquela viagem ao interior? – continuou, firme, sabendo que reviver aquelas lembranças apenas machucavam a morena – Por que? Ainda mais sabendo que isso só causaria sofrimento a você...


Hermione meneou a cabeça, negativamente.


Draco fechou os olhos, odiando-se pelo que iria dizer.


- Hermione... Não fui eu quem a atacou naquela noite... – murmurou, sua voz completamente embargada. Sentia-se um canalha por dizer aquelas palavras – Não fui eu... Foi Demming...


A morena deu um passo para trás, lágrimas descendo grossas por seus olhos...


- Eu estava inconsciente no St. Mungus e você sabe disso. – continuou, odiando-se por fazê-la sofrer – Você precisa parar e pensar, Hermione. Pensar friamente. Você sabe que não fui eu...


A garota fechou os olhos, sentindo seu corpo todo tremer.


Draco simplesmente esperou. Sabia que ela precisava de tempo...


- Se o que diz for verdade... – a morena mordeu o lábio inferior com força, um arrepio percorrendo sua espinha – Matt... Ele...


- Ele sabia que você descobriria. – o loiro assentiu, cabisbaixo – Mais cedo ou mais tarde...


- Malfoy... – a jovem murmurou, cansada.


- Por isso ele exigiu sua transferência. – explicou.


Hermione não queria acreditar...


- Se há alguém que pode descobrir a verdade, esse alguém é você, Hermione. – o rapaz definiu, confiante.


A morena sorriu, entristecida.


- Draco. – ela disse, pela primeira vez desde que entrara em Azkaban. Pela primeira vez, em pouco mais de um ano – Nada garante... – respirou fundo, indecisa – Nada garante...


Engoliu em seco. Precisou de um tempo para se recompor...


- Por que você acha que eu vou me importar? – quis saber, seus olhos fixos nas íris cinzas – Por que você acha que, depois de todo esse tempo, eu vou correr atrás? Vou procurar a verdade? Vou tentar...


- ... me inocentar? – ele completou, no que ela assentiu, um olhar triste e cansado. Draco sorriu, seu coração mais calmo, mais tranqüilo – Porque eu te conheço, Hermione, e você também me conhece. – viu-a virar de lado, tentando esconder dele um olhar marejado – Por tudo o que vivemos. Você sabe que tenho todos os defeitos possíveis e imagináveis, sabe que eu nunca fui a melhor das pessoas, que eu nunca fui o melhor dos namorados... – ela sorriu, diante da palavra usada – Mas você sabe que eu jamais faria algo desse tipo. Eu jamais trairia você. Eu jamais torturaria seus amigos. Eu jamais mataria as pessoas que você mais ama.


Hermione secou uma lágrima que deslizara pelo seu rosto, sem nada dizer. Sabia que ele dizia a verdade. Sentia isso. Em seu coração. Em seu ser...


- É sua palavra contra a de Matt. – Hermione arrumou sua bolsa, guardando nela a pena de repetição rápida e os pergaminhos com a entrevista. Parou de frente para o loiro, o olhar triste – De verdade, Draco, eu não sei em quem acreditar. Não sei...


O loiro assentiu com a cabeça, engolindo em seco.


- Apenas pense nisso. – disse, por fim, resignado – Pense nessa possibilidade. Afinal... Você me fez esperar um ano por essa entrevista! – ambos sorriram, sem jeito – Pense nisso, por favor...


Hermione assentiu, sem nada dizer.


Virou-se de costas, pronta para ir embora. Caminhou dois passos, parou. Respirou fundo, deu meia volta...


Aproximou-se da grade, tocou a face pálida do loiro. Draco fechou os olhos, sentindo o toque quente dos dedos dela contra sua pele fria. A maciez da pele dela contrastava com a aspereza da sua.


- Eu nunca... – a morena começou, mas sua voz se perdeu, um nó travando sua garganta.


Draco simplesmente sorriu, pacientemente.


- Eu sei. – assentiu, um sorriso bondoso nos lábios finos – Nem eu.


Hermione assentiu mais uma vez, uma nova lágrima escorrendo por sua face. Aproximou o rosto, recostou seu nariz no dele. Ficaram assim, perdidos no tempo...


Antes de se afastar, a morena contornou os lábios do loiro com a ponta dos dedos. Draco sentiu-se mais vivo do que jamais estivera desde que chegara a Azkaban.


Um beijo breve selou o encontro. O próximo, infelizmente, seria de um dementador...


************************************************************************************


Hermione chegou em casa, completamente arrasada. Abriu a porta, jogou a bolsa no sofá. Deitou-se, em seguida, no sofá maior, levando um braço ao rosto, cobrindo sua face, fechando os olhos...


Não queria pensar. Não queria ver. Não queria ouvir... Até mesmo respirar lhe custava...


Ouviu um choramingo, reclinou-se e puxou Dexter para si. Abraçou-o fortemente contra seu peito, vendo o labrador se aninhar em seu colo...


Ficou deitada, ali no escuro, sem saber precisar o tempo. Queria apenas sumir da face da Terra. Sumir e não ter que se preocupar com mais nada...


- Te disse. – a voz do ruivo a fez sorrir, e ela assentiu com um aceno de cabeça.


- Disse. – confirmou, vendo-o sentar-se na mesinha de centro, de frente para ela.


- E o que fará, então? – Fred quis saber, afagando as orelhas de Dexter, que abanou o rabinho, animado.


- Não sei. – foi a resposta sincera – Eu sinto... – respirou fundo, a voz embargada – ... que ele não é culpado. – explicou, abalada – Mas acusar Demming de tudo isso...


Fred pôs um dedo nos lábios da morena, silenciando-a.


- Não precisa achar um culpado. – murmurou, paciente – Basta provar que Malfoy é inocente. E você pode fazer isso, a pergunta que resta é: você quer?


Hermione choramingou, deixando as lágrimas escorrem mais uma vez.


- Quero... – assentiu, um aperto no peito – Mais do que tudo...


O ruivo sorriu, pondo-se de pé.


- Ainda tenho meus antigos contatos. – disse, indo em direção à porta, apanhando seu casaco no cabideiro – Cuido de Parkinson, Luke e Brown. Você, dos arquivos de Rice e Cabot.


- Fred... – a morena murmurou, apreensiva – São 04:30. A execução está marcada para as 18 horas de hoje...


- Então... – o ruivo disse, abrindo a porta, já de saída – Não temos mais tempo a perder...


A ex-auror soltou um longo suspiro, olhando de relance para Dexter.


O pequeno animal, cor de caramelo, a fitava com olhos grandes e brilhantes, o rabinho abanando de um lado para o outro.


- Você nunca gostou de Matt mesmo... – murmurou, beijando a face do animalzinho, pegando sua bolsa e saindo em seguida.


************************************************************************************


Hermione cansara de estudar a luz de vela enquanto estivera em Hogwarts, virando noites e mais noites para dar conta de todos os trabalhos e exames que tinha que prestar. Desta vez, a morena corria contra o temo para salvar a vida daquele que amava...


Não podia mais negar que seu coração sempre fora e sempre seria dele. Do loiro arrogante e zombeteiro. De seu eterno parceiro em missões. De Draco Malfoy...


Fora tola em pensar que poderia esquecê-lo com Matthew. Draco simplesmente não podia ser esquecido... Demming tentara, mas jamais conseguiria fazê-la mudar de idéia. De sentimentos... Gostava de Matthew. Ele era um bom homem, a fazia feliz, preocupava-se com ela... Mas era do loiro de quem ela precisava. Era do loiro de quem ela sentia falta...


A vela já quase extinta, Hermione verificava todos os arquivos escritos por Andrew Rice e Alicia Cabot durante a missão dada por Demming. Não encontrou nenhum erro, nenhuma falha, nada que indicasse serem os documentos falsos ou adulterados de alguma maneira... A caligrafia era mesmo a de ambos... Os dois aurores relataram, com precisão, todos os momentos da missão, desde as interceptações às cartas do loiro às vigias feitas aos lugares em que ele freqüentava...


Estalou o pescoço, suspirou demoradamente. Desesperar-se não a levaria a lugar algum... Olhou à sua volta, teve uma idéia. Saiu correndo de sua sala, preocupando-se apenas em não ser vista...


A sala de Matthew Demming estava vazia, afinal, eram apenas 6:30 da manhã. Sorte a sua conhecer os hábitos do namorado e, entre eles, ela sabia não estar incluído o acordar cedo.


Abriu a porta, começou a procurar. Olhou gavetas, documentos, dentro de livros... Não encontrou nada. Revirou tudo novamente. Nada...


Frustrada, sentou-se na cadeira, bufando sem parar. Olhou ao redor, pediu ajuda a Merlin em pensamento...


Pegou o porta-retrato que havia na mesa, viu os dois acenando, felizes, abraçados um ao outro. Hermione sorriu, entristecida. Matt a fazia feliz. Mas nunca fora o suficiente... Qualquer um que observasse com certa atenção veria que o homem estava mais animado, enquanto a morena sorria e acenava, mas seu sorriso jamais chegara a tocar-lhe os olhos... Estava longe de sentir-se feliz como se sentira enquanto estivera com Draco... Longe...


Respirou fundo, ergueu a varinha. Lançou todos os feitiços convocatórios e reveladores que conhecia. Nada de diferente aconteceu.


- Merda! – resmungou, batendo com o objeto na mesa.


A foto acabou por se desprender do porta-retrato, e Hermione amaldiçoou-se por dentro. Prendeu a foto com a mão, encaixando-a na base, retornando-a, em seguida, ao lugar a que pertencia.


 Olhou em frente, deparando-se com o quadro dos jogadores da seleção inglesa de quadribol que havia por detrás da porta. Sorriu. Sabia que Matt era apaixonado pelo esporte bruxo.


Analisou a pintura, pensando onde mais poderia procurar. Foi então que algo lhe chamara a atenção...


Aproximou-se e encontrou o nome dos jogadores, juntamente com os números de suas camisas, os times e as posições em que jogavam. Estreitou o olhar e percebeu que havia algo de errado...


- Milla... Cuusco... Fradoy?! – murmurou, um tanto confusa – Camisa 13, Harpias?! Batedora??? – não entendeu – Mas Rony me disse que o batedor da seleção de 1998 era Brad Smith, do Cannons!


Meneou a cabeça, visivelmente confusa. Admirou a foto por mais algum tempo, seus olhos se arregalando de repente...


Hermione prendeu a respiração, um fio de esperança crescendo e seu interior...


Manejou a varinha, proferiu um feitiço. Viu algumas letras se reordenarem, formando uma palavra. Um nome...


Hermione saiu correndo na direção do arquivo. Não tinha tempo a perder...


************************************************************************************


Fred sabia que aquilo fora arriscado, mas valera a pena correr todos os riscos. As informações que conseguira...


Reverter um feitiço da memória jamais fora simples, mas ainda bem que tinha experiência nesses assuntos. Com a morte de Phillip Luke e o sumiço de Brown em uma missão recente, a solução fora recorrer ao inimigo antigo. Antigo, porém valioso...


Sabia que Hermione jamais acreditaria se não visse por si mesma. Ela jamais acreditaria nas palavras de Pansy Parkinson...


Por isso, dirigia-se para o Ministério da Magia, precisava encontrara a morena o mais rápido possível... Ela precisava ver aquelas memórias que acabara de recuperar. Precisava...


************************************************************************************


Olhou para todas as caixas, procurou até encontrar a pasta que queria.


“Milla Cuusco Fradoy”...


- Você sempre amou quadribol! – Hermione murmurou, olhando todos os nomes – Jamais erraria algo desse tipo... A não ser que fosse de propósito...


Demorou uma meia hora, pois a pasta não se encontrava entre os artigos recentes. Novamente, nenhum feitiço convocatório funcionara no Arquivo Geral, o que a ex-auror achou por demais estranho, visto ser esse o meio usual de se encontrarem os arquivos, uma vez que mais rápido e eficaz...


Vasculhou, vasculhou, sem perder a calma. Sabia bem que o medo era o pior dos inimigos, e não poderia deixar-se desesperar agora que encontrara um fio de luz num túnel extremamente escuro...


Procurou e procurou, sem jamais se cansar. Finalmente, encontrou uma pasta com o nome de “Milla Cuusco Fradoy”, escondida entre diversos casos antigos, datados de antes mesmo de Cornélio Fudge assumir o cargo de Ministro da Magia...


Hermione revirou os documentos, completamente perplexa. Ali, em suas mãos, estava a prova de que Draco Malfoy era inocente...


Ergueu a varinha, produziu um patrono. Precisava de ajuda. E urgente...


************************************************************************************


Chegaram à casa do Procurador-Chefe do Escritório Internacional de Direito em Magia e Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia, prontos para agir...


Uma equipe avançava pelo sul, enquanto outra arrombava a porta da frente. Feitiços impediram a aparatação. Todas as defesas da casa foram postas abaixo...


Hermione foi a primeira a entrar. Aquela batalha era sua...


Vasculharam cada cômodo, encontrando Matthew Demming em seu escritório. O homem encontrava-se sentado em sua mesa, aparentemente aguardando.


- Sabia que me encontraria. – disse, e havia um sorriso em seu rosto. Um sorriso debochado, irônico.


Hermione teve de se controlar para não lançar um avada kedavra nele.


- Por que? – quis saber, enquanto os aurores que levara consigo, um grupo de 10, fora os que encontravam-se do lado de fora da casa, apontavam suas varinhas na direção do chefe.


Quinn Shacklebolt encontrava-se entre eles, a expressão dura na face negra.


O Procurador-Chefe simplesmente sorriu, dando de ombros.


- Nunca gostei do Malfoy. – murmurou, entediado – Digamos que foi divertido infernizar a vida dele...


- Hermione. – Quinn disse, segurando a ex-auror pelo braço da varinha.


A garota respirou fundo, buscando se controlar.


- Aqui! – disse, jogando na face de Demming a pasta que encontrara – Todas as provas da inocência de Draco.


O homem sorriu. Sabia que um dia ela descobriria... Sabia que ele a convenceria...


- Por isso que você insistiu para eu não ir vê-lo. – disse, firme, asco em sua voz – Sabia que eu investigaria. Sabia que eu encontraria a verdade!


- Se havia alguém que pudesse fazer isso, esse alguém era você. – Matthew murmurou, ainda sorrindo – Você jamais o esqueceu, não foi?


Hermione trincou os dentes, com ódio.


- Matthew Demming, você está preso. – Quinn disse, indicando que dois aurores se aproximasse de cada lado, as varinhas erguidas contra o peito de Demming – Conspiração, traição e genocídio. As mesmas acusações que Draco Malfoy recebera.  Agravadas, obviamente, pelo fato de ter responsabilizado um de nossos aurores, bem como...


Quinn olhou para Hermione de lado, mas a morena sequer pestanejou.


- Agravado pela tortura e estupro de uma das aurores do Ministério. – disse, e diversos olhares se voltaram para ela.


- As memórias de Parkinson já estão em minha sala. – Quinn disse, firme – Fred Weasley as tem segura com ele. Nelas, é você quem aparece a chantageando, depois de tê-la livrado da morte em Brentwood. Você quem organizou para que ela se livrasse do colar de opalas, colar que você mesmo roubou de minha sala e entregou para Shawn McAndrews como pagamento pela morte de Yates.


- Ele descobrira. – Hermione respondeu, fria – Que Parkinson não estava morta e foi até você e pediu para que investigasse. Você disse que sim e preparou a morte dele.


- Yates era um pé no saco. – Demming deu de ombros, indiferente – Fiz um favor à humanidade.


Hermione respirou fundo, furiosa.


- Passou-se por Draco Malfoy, com o uso da poção polissuco, e negociou com Pansy Parkinson, tendo tido o cuidado de fotografar o encontro para que tais provas fossem encontradas por Cabot e Rice. – Quinn continuou, visivelmente desapontado – Você quem matou McAndrews, com o intuito de recuperar o colar e devolvê-lo à minha sala antes que eu desse por falta. Encontramos uma falha na rede de flu naquela noite e um funcionário informou que você pedira para desbloquear o monitoramento da rede por conta de uma missão confidencial.  


 - Quem não confiaria no Procurador-Chefe do Escritório Internacional de Direito em Magia e Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia? – Hermione murmurou, enojada.


Demming sorriu.


- Malfoy jamais deveria ter saído vivo da batalha contra o Lorde das Trevas. – disse, paciente, as mãos cruzadas por sobre a mesa – A família bastarda dele assassinou meus pais e minha irmã em Leeds.


- Belatriz Lestrange assinou sua família. – Hermione disse, séria – Não o Draco.


Demming deu de ombros, indiferente.


- Sangue-ruim da mesma forma. – disse, de pronto – Por mim, eu teria ficado imensamente feliz se ele estivesse morto a mais tempo.


Hermione teve de ser contida novamente pelo Ministro da Magia.


- Então foi tudo por vingança. – a garota vociferou, irada – Tudo o que queria era desgraçar a vida dele?!


Demming sorriu, confirmando as suspeitas dela.


- Por que me envolveu?! – Hermione quis saber, ódio em seu olhar.


Matthew sorriu, um sorriso debochado e cruel.


- Estava na cara que ele queria você. – disse, calmamente – Pelo menos, isso eu tive antes dele... Mesmo que a força...


O corpo todo de Hermione começou a tremer. Quinn lançou um olhar para a varinha da morena, que tremia em sua mão. Temia que ela fizesse alguma bobagem...  


- Enviei uma carta para Azkaban, a execução será suspensa. – o homem disse, controlado como sempre – Draco Malfoy retornará ainda hoje para Londres.


Matthew Demming, porém, riu, baixinho.


- Acho que não. – disse, indicando um pedaço de papel em sua mesa.


Hermione tremeu mais ainda quando leu o que estava escrito.


- Quinn... – disse, a voz falha pelo desespero.


- Vá! – o ministro ordenou, e a morena saiu correndo do escritório, a face lívida.


- O que foi que você fez...? – Quinn questionou, mas Demming continuava a sorrir.


- Eu conheço bem a Granger. – disse, tranquilamente – Sabia que ela ligaria os pontos. Por isso mesmo, tratei de antecipar a execução do desgraçado para... – olhou o relógio – Oops... Daqui a quinze minutos...


Quinn deu a ordem para que prendessem Matthew Demming. Mas o homem não planejara tudo para terminar seus dias em Azkaban...


Ciente de que, entre os aurores, havia alguns ainda inexperientes, Demming avançou para um recém-formado na Academia. Sabia que o jovem não hesitaria em lançar um feitiço.


Suicídio por aurores... Esse fora o desfecho planejado por Matthew Demming todo o tempo...


************************************************************************************


Hermione chegou ao Ministério e correu para os elevadores. Precisava chegar ao último nível antes que a execução de Draco acontecesse...


Escancarou as grades, saiu desesperada pelos corredores. Parou em frente ao mural de informações, viu que a execução dele ocorreria na masmorra número 1. Dirigiu-se para lá o mais rápido que pôde...


Arrebentou a porta com um feitiço, lançou um patrono, afastando os dementadores que guardavam o local. Entrou na masmorra, Draco encontrava-se semi-consciente...


Ajoelhou-se ao lado dele, seu patrono atrás de si afastando o dementador executor. Bateu de leve em seu rosto, frio como pedra...


- Anda, Malfoy, não faz isso comigo! – disse, desesperada, vendo os olhos dele revirados – Por favor, não faz isso comigo, por favor!


Desamarrou as correntes que prendiam-lhe os braços e as pernas, viu-o pender para a frente. Segurou-o entre os braços, ainda desacordado.


Desesperou-se. Chegara tarde demais...


************************************************************************************


A ex-auror andava de um lado para o outro no saguão de espera do Hospital bruxo. Fred estava ao seu lado, sentado ao lado da mãe, que viera assim que soubera dos últimos acontecimentos.


Gui e Fleur também estavam presentes, assim como o pai de Luna. Todos queriam dar apoio à jovem, ainda mais agora que sabiam não ser ele, Draco Malfoy, o responsável por suas perdas...


- Mione! – a voz de Ronald Weasley ecoou pelo ambiente, e a morena correu até o amigo, abraçando-o e desabando em seu colo.


- Ele não pode morrer Rony, não pode! – murmurou por entre as lágrimas, completamente desamparada.


Rony não soube o que dizer. Sabiam bem que o beijo do dementador era uma sentença pior que a morte, uma vez que a pessoa não morria, mas perdia sua alma para sempre.


Fred e o irmão caçula se entreolharam. Nenhum dos dois sabia o que aconteceria à amiga se Draco não se recuperasse...


- Familares do senhor Malfoy? – o curandeiro-chefe chamou, e Hermione correu até ele.


- Como ele está? – quis saber, aflita como jamais estivera em toda a sua vida.


- Senhorita Hermione Granger? – o homem quis saber, no que ela assentiu – Venha comigo, por favor. O medibruxo Baker explicara tudo a vocês. – o curandeiro terminou, indicou o rapazinho que encontrava-se ao seu lado.


Hermione seguiu com o curandeiro pelos corredores, seu coração praticamente saltando pela boca.


Entrou na pequena enfermaria, encontrou Draco deitado numa cama, os olhos fechados, como se estivesse dormindo. Seu sangue gelou...


- Ele não está...


- Não. – o homem garantiu, paciente – O paciente não está morto, mas também não está plenamente vivo.


Hermione voltou-se para o curandeiro, desesperada.


- A senhorita chegou a tempo de impedir que o dementador consumasse o ato, mas algo da alma dele já havia sido sugado pelo monstro. – Hermione sentiu os joelhos cederem e teve de ser amparada pelo homem – Só iremos saber quando ele acordar.


- E... e quando será isso...? – a morena chorava, grossas lágrimas descendo por sua face pálida.


- Pode ser agora? – a voz do loiro a assustou e Hermione viu que ele sorria, um olho aberto, um enorme sorriso nos lábios.


- Seu filho da p*ta!!! – berrou, indignada, correndo para abraçá-lo – Desgraçado, desgraçado, desgraçado!!!


- Hei, hei, hei... Calma!!! – ele pediu, tentando evitar os tapas e socos que ela lhe dava por entre as lágrimas – Eu ainda estou acamado, não vê???


- Desgraçado!!! – Hermione continuou, mas dessa vez jogando-se sobre ele, chorando sem parar.


Draco a envolveu em seus braços, soltando um longo suspiro, inalando o gostoso aroma dos cachos dela.  Sentira falta dela. Como sentira...


- Vou deixá-los à sós. – o curandeiro disse, retirando-se do lugar, um sorriso nos lábios.


Hermione ainda precisou de quase meia hora para se acalmar.


- Achei que estivesse morto... – confessou, ainda abraçada a ele – Que tivesse perdido sua alma... Que eu tivesse chegado tarde demais...


O rapaz riu baixinho, abraçando-a mais forte contra o peito.


- Confesso que achei mesmo que iria morrer. – admitiu, sentindo um arrepio percorrer seu corpo – Quando vieram me buscar na cela, três horas antes do esperado... – estremeceu – E eu não sabia se você estava procurando, não sabia nada do que estava acontecendo...


- Depois de ter me feito ouvir tudo aquilo, você realmente achou que eu iria ficar de braços cruzados?! – a morena o fitou, um sorriso por entre as lágrimas – Depois de te ver, tendo se passado todo esse tempo, que eu simplesmente iria abandoná-lo à própria sorte? Que eu não iria sentir nada ao ver você???


Draco acariciou a face dela, paciente.


- Você não me esqueceu... – disse, maroto, um sorriso no canto dos lábios – Bom saber disso...


Hermione revirou os olhos, mas sorriu.


- E você não perdeu essa covinha! – devolveu, vendo-o franzir o cenho, sem graça – Quando poderá sair daqui?


- Hoje mesmo. – o loiro explicou, mais animado – Alex fez todos os exames, estou bem. Tenho uma leve anemia, estou magro demais, mas Azkaban costuma ter esse efeito nas pessoas. Mas, fora isso, estou bem.


- Bem demais até. – Hermione o repreendeu, ficando séria – Que brincadeira foi essa de se fingir de morto? Quer me matar do coração, é?!


Draco meneou a cabeça, sorrindo.


- Quando você me encontrou no Ministério, eu estava, mesmo, ficando inconsciente. – garantiu – Você chegou no exato momento em que o dementador começou a sugar minha alma... – um novo arrepio percorreu o corpo do loiro e ele estremeceu - Quando acordei e vi que estava... bem..., vivo! – riu, sentindo-se extremamente bem – Conversei com Alex, que eu conheço de anos, desde quando eu era criança, praticamente, e ele me explicou como tudo aconteceu e que eu teria que fazer exames pra ter 100% de certeza de que eu estava bem e que não ficariam seqüelas do quase-beijo.


Hermione ouviu a tudo, atenta.


- Quando ele teve certeza de que eu estava bem, eu pedi pra que você viesse me ver e quase tive que subornar ele pra que ele deixasse eu fazer essa pequena brincadeira contigo...


- Pequena...? – a morena murmurou, suspirando ao final.


Draco simplesmente riu.


- Queria ver sua reação, saber se ainda me amava e se ainda se importava comigo. – confessou, um tanto envergonhado.


Hermione deu-lhe um novo tapa.


- Seu trasgo montanhês! – reclamou, séria – Claro que te amo! – exclamou, vendo-o abrir um enorme sorriso – Idiota! Só você mesmo pra pensar o contrário. Ainda reclama de quando o Rony dizia que a água oxigenada afetou seu cérebro!


O loiro riu com gosto.


- Vou precisar de um lugar pra ficar. – murmurou, fazendo um biquinho com os lábios.


Hermione sorriu, paciente.


- Quinn irá desbloquear sua conta no Gringotes. – disse, vendo-o franzir o cenho – Seus bens voltarão para si, o que quer dizer que você terá de volta seu apartamento.


- É, mas eu preciso de alguém pra cuidar de mim! – explicou, tentando convencê-la – Não posso ficar sozinho, ainda estou muito fraco... Dói tudo...


- Vai gemer também? – Hermione alfinetou.


- Ai ai... Ui ui... – Draco fez, fazendo-a rir – Mas preferia fazer você gemer. – disse, vendo-a corar intensamente – Como nos velhos tempos...


A garota soltou um longo suspiro, deliciada com a idéia.


- Tem um probleminha. – disse, vendo-o olhá-la, sem entender – Não se esqueça que eu divido o apartamento com dois homens, agora.


Draco não compreendeu.


- Fred Weasley. – a morena ergueu um dedo, no que Draco meneou a cabeça, sem se importar – E Dexter.


Draco abriu um enorme sorriso, todo animado.


- Cadê meu cachorro??? – exclamou, sentando-se na cama num pulo – Cadê aquele pestinha? Morri de saudades dele!


Hermione gargalhou, sem se conter.


- Em casa. – explicou, vendo a alegria do loiro afundar juntamente com os ombros – Mas eu levo ele pra ficar conosco. Afinal... – e abaixou o tom, sussurrando bem próximo à orelha de Draco – Você não pode me fazer gemer com Fred dormindo no quarto ao lado...


O loiro sentiu uma explosão ao ouvir aquilo e, sem pensar duas vezes, segurou a morena pelos braços, jogando-a na cama, deitando-se sobre ela.


- Não perdeu a prática... – Hermione debochou, vendo-o sorrir, as íris cinzas escuras de desejo.


- Pelo visto não... – ele concordou, abaixando o rosto e colando seus lábios junto aos dela.


Hermione sentiu seu corpo todo estremecer com aquele beijo. Um beijo que a muito tempo não provava e que somente recordava em seus sonhos...


- Dá pra esperar eu te dar alta? – Alex resmungou, e Draco xingou baixinho enquanto a morena escondia a face rubra em seu peito.


- Pode ser já? – o loiro quis saber, deitando ao lado de Hermione, abraçando-a pela cintura.


O curandeiro revirou os olhos, mas tratou logo de providenciar toda a documentação.


Naquele final de tarde mesmo Draco Malfoy teve alta. Naquele final de tarde mesmo, eles foram para o apartamento de Hermione. Fred fora para um hotel com os irmãos, a cunhada e a mãe. Dexter fez a festa ao ver o loiro retornar depois de tanto tempo...


Draco e Hermione amaram-se como se fosse a primeira vez. Durante toda a noite. Madrugada a dentro...


O loiro tratou de ir no dia seguinte mesmo ao Beco Diagonal, para cumprir a promessa que fizera a si mesmo caso conseguisse sair vivo de Azkaban. Entrou na melhor joalheria, escolhendo o anel que melhor combinasse com eles...


- Não é um pedido de casamento. – disse, paciente, vendo a morena abrir a pequenina caixa de veludo após o jantar daquela noite – Ainda não... Mas eu quero que você seja minha namorada, pode ser?


Hermione riu diante da falta de jeito dele com as palavras.


- Claro que pode! – exclamou, entregando o anel de prata com um rubi no topo para ele – Faz as honras?


Draco assentiu, pondo o anel no dedo anelar direito dela.


- Perfeito! – ela murmurou, dando-lhe diversos beijinhos pela face – Simplesmente lindo!


O loiro sorriu, satisfeito consigo mesmo.


- Por mim, eu casava amanhã! – disse, prático como sempre fora – Mas quero fazer as coisas direito, um passo de cada vez. – explicou, vendo-a rir – Ainda mais porque eu sei que, se não houver festa de casamento, Molly Weasley é bem capaz de matar a nós dois!


- Ela e todos os Weasley. – Hermione corrigiu, ambos sorrindo – Mas concordo com você. Um passo de cada vez.


- Ótimo. – Draco anuiu, satisfeito - Mas já vou logo avisando que sou ciumento, por isso, nada de voltar a ser amiguinha de Ronald Weasley! – avisou, sério – Detesto que mexam no que me pertence e você, Hermione Granger, é minha!


A morena sorriu, paciente.


- O mesmo vale pra você? – ela quis saber, e o loiro sorriu.


- Sou todo seu... – sussurrou ao pé do ouvido, mordendo o lóbulo da orelha de Hermione em seguida.


Hermione soltou um longo suspiro, vendo-o ergue-la no colo.


Estavam prontos para mais uma noite de amor. Mais uma por todos os dias de suas vidas...


************************************************************************************


 


 


 


 

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Maris em 06/02/2012

Tomei vergonha na cara e vim ler Azkaban!!!!
Nossa, perfeita!!!
A estória me prendeu do início ao fim. E você escreve muito bem!!! 

Nota: 1

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por The Daily Doll em 05/02/2012

Q linduuu, por um momento achei q a Hermione não ia tentar (e/ou conseguir) tirar Draco d lá. E esse Matthew Demming é um louco neh, armou td só pra ver Draco sofrer por um tempo, pq ele msm disse q sabia q a Mione ia descobrir td, e se ia, ñ ia dar em nada a palhaçada dele, e ainda se suicidou-se rsrs. Mas a fic foi ótima, parabens.

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Ju Fernandes em 24/12/2011

Muito linda sua fic, Rêeeee!

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Josianne em 22/12/2011

Amei, é tão linda.

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Nana-moraes malfoy em 20/12/2011
Uau! Que historia. Adorei! beijos nana
Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 17) - Copyright 2002-2022
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.