O Segredo de
Draco Malfoy
O dia havia amanhecido calmo e sereno. O sol que brilhava no céu não era o bastante para aquecer e proteger do árduo frio que viera junto com a geada da noite. Os alunos do sexto ano estavam extremamente bem agasalhados com seus blusões, a capa e o cachecol das suas casas. Os alunos da Grifinólia, mais cansados que nunca, em vista que houvera na noite anterior a festa de comemoração da vitória do time.
Mesmo o monitor chefe tendo tentado interromper a festa as dez, como mandava as normas, foi impossível conter tantos adolescentes agitados.
Todos ainda conservavam um ar cansado e grandes olheiras. Talvez por isso ninguém notara as de Hermione. Mas as dela, não era por causa da festa. Era por causa de outra coisa.
E essa “coisa” estava parado bem a sua frente, ao lado da sua nova namorada, Lilá Brown.
Hermione tentou não prestar atenção nisso e concentrar-se nas palavras do novo professor de defesa contra a arte das trevas. Por algum motivo que ela era incapaz de lembrar, ele achara importante leva-los até ali fora naquele frio insuportável, apenas para ensina-lo coisas estúpidas que jamais os salvariam contra Voldemort.
“sim, estou irritada e amarga”, pensou Hermione “Se não gosta, não me deixe entrar na sua mente!”. Ela falava com sua amiga, Gina.
Fazia vários meses que descobriram, juntas, que ela podia se comunicar telepaticamente com pessoas. A pedido dela, Gina mantivera segredo. Algo sobre sua tataravô ter sido bruxa em segredo, e na sua árvore genealógica ter um telepata, numa época onde pouco havia de relação, mesmo entre bruxos. Bem, na verdade isso já não importava mais. Ela tinha o dom, não tinha?
Não queria nem que Harry soubesse. Isso seria seu segredo, seu trunfo, quando a Guerra estourasse.
No momento certo contaria a Harry.
Mas por hora, Gina sempre tentava se comunicar nas horas mais impróprias.
Era sempre o mesmo. Hermione concentrava seus pensamentos e podia mandar uma mensagem a quem desejasse. Só então conseguia se comunicar. Não era como se pudesse ler mentes, coisa que adoraria, era diferente. Estranho.
“Ele não fez por mal. Você sabe como ele é.” – a voz de Gina lhe respondeu.
“Pretendo prestar atenção na aula, Gina. Posso?”
“Pode. Mas pelo menos desfaz essa cara de assassina louca e cruel. Esta dando medo.”
Hermione lançou um olhar mortal na direção onde gina estava, do outro lado do jardim, com algumas meninas do quinto ano, fazendo deveres. Ela começou a rir, dando-lhe um tchauzinho com a mão.
Provocadora. Igualzinho ao irmão.
Desgostosa olhou para frente. Idiota. Panaca. Ogro sem cérebro. Trasgo ridículo. Filho de uma...ops, isso não, meditou. A sra.Wesley não merece.
Nem eu mereço. Como ele pode? Como ele pode?Comooooooooo?
Essa pergunta martelava na sua mente desde a noite passada, quando cansara de chorar e finalmente se permitira pensar no fato.
Acordou de seus pensamentos quando sentiu Neville ser empurrado para o lado e alguém ficar ali. Olhou e não gostou. Draco Malfoy.
Ah, maravilha. Era tudo que eu precisava hoje. Malfoy me enchendo.
-Olha, olha...Parece que alguém andou chorando por aí. – ele sussurrou para o que professor não ouvisse.
-Não me enche, Malfoy. Não estou com paciência para você hoje! – respondeu ficando escarlate de raiva.
Mais a frente, ela percebeu que rony moveu-se inquieto e até deu uma olhadinha para trás discretamente. Ele sempre detestava quando Malfoy a humilhava. Ela sustentou o olhar de Rony um minuto como se o desafiasse a se meter e ele se endireitou, sem esconder um bufo, que a fez ficar exultante. Sabor amargo de ser rejeitado pensou.
Bem, na noite passada, ele fizer muito bem o trabalho de Malfoy.
-Nosso! Quanta braveza! Isso tudo por causa do panaca do Wesley? – ele riu.
-Não é da sua conta! Esquece-me!
-Não dá; - ele sussurrou.
Ela olhou para ele ao notar um tom diferente. Um olhar diferente.
-Eu já tentei. – continuou ele – Mas não consigo...
-Vá se ferrar, Malfoy! Eu não quero falar com você! Não deu para perceber ainda?
-Eu que pergunto, Granger: não deu para perceber ainda?
Ela olhou para ele. Seu olhar era diferente. Nada desdenhoso, ou malicioso. Era quase sincero. E intenso. Um brilho sedutor.
Se ele não fosse o patife que é, claro.
Ficando furiosa com a ousadia dele, moveu-se para trás de todos e fez a volta ficando do outro lado da roda de alunos que se formara em volta do professor.
Péssima idéia. Agora ficara praticamente de frente para o casalzinho apaixonado.
“Gina” pensou desesperada.
“O que foi, Hermione?”
“Eu quero morrer!”
“Hum... você já disse isso ontem, lembra? E eu torno a repetir: não pode morrer ainda. Harry precisa muito de você na luta contra Voldemort.” Ela respondeu tirando saro da sua cara.
“Não brinca. Eu estou mal.”
“Eu sei. Senti o mesmo quando o Harry ficou com a Cho. Quero dizer, o mesmo não, porque nos não tínhamos nenhum compromisso.”
“Nem eu com o seu irmão. Mas eu achei que a gente...bem...você sabe...na festa do Slug...”
“É. Eu também pensei.mas não esquenta. A Lilá é só passa-tempo...não vai durar.”
“Não me importa. Eu não quero mais saber dele. Nunca mais na minha vida eu quero...”
-SRTA GRANGER!
Um grito a fez interromper sua comunicação com Gina e olhar assustada na direção da voz. Era o novo professor.
-Ah...professor, me desculpe eu estava...distraída.
-Sim, eu notei. Perguntei a todos se sabem para que serve o veneno de coral. Você sabe?
-Protege contra o calor excessivo e torna a pele insensível ao fogo. – respondeu enfadonhamente.
As vezes era cansativo ser tão esperta.
-Ótimo! Cinco pontos para grifinólia. Fico feliz em ver que sua distração não a impede de saber mais que qualquer um aqui desta sala – disse com desprezo – Mas me diga, irá se formar Auror, não é?
Ela ficou surpresa com a pergunta.
-Desculpe professor, eu não entendi? O que isso tem a ver com a aula?
-Dumbledore me pediu que falasse um pouco sobre professores com os alunos do sexto e sétimo ano, srta.Granger. e vendo uma aluna que com toda a certeza terá aptidão para qualquer profissão que desejar, achei que pudéssemos começar por você. O que acha?
Sentiu-se corar pelo elogio.
-Tudo bem.
Ele sorriu e voltou a perguntar:
-Tem alguma preferência?
-Ah, sim. Eu pensei bastante na medicina bruxa. Isso me interessa. Mas não para agora. De imediato me sinto inclinada a ser auror.
-Foi o que imaginei. O professorado não a interessa? A Escola ganharia muito com uma professora tão inteligente e culta.
Amplamente corada ela disse que não.
-o que a faz pensar em ser auror? Seria importante que nos falasse um pouco. Para motivar seus colegas.
Corada, ela olhou em volta. Todos a encaravam. Respondeu segura de si.
-Eu quero prender comensais e ajudar a destruir Voldemort. Libertar o mundo dessa opressão e que ele causa. Não suporto viver como se uma bomba fosse explodir a qualquer minuto só porque alguém insignificante como ele acha que é o dono de todos!
-Insignificante?- o professor arregalou os olhos – Ele é o maior bruxo do século, srta.Granger!
-apenas por que tem pessoas tolas o bastante para morrer por ele. Tire os comensais e o medo que ele causa, o que sobra? Um patético mestiço incapaz de vir a tona e encarar toda comunidade bruxa de frente. É isso que ele. Apenas outro covarde escondendo-se atrás da varinha de outras pessoas.
-Sabe que dizer algo assim, na situação que vivemos é muito perigoso, não sabe, srta.Granger? a muitos ouvidos em todos os lugares...
-E daí? Ou cada um de nos toma uma postura frente a Voldemort, ou seremos todos servos sem cérebro celebrando a morte e a dor. Eu sou contra ele. Serei auror e prenderei quantos comensais eu puder. E espero, que quando Voldemort estiver morto, possamos todos ter apenas uma postura: a paz. Ou acha que estou errada, professor? O senhor é a favor de voldemort?
Ela o olhou diretamente. Ele olhou para baixo e então a encarou com a sombra de um sorriso.
-Não. Mas até a pouco seria incapaz de dizer isso em voz alta.
-Bem, acho bom que como professor seja capaz de mostrar a seus alunos o lado certo e não apenas instigar o medo, como muitos bruxos fazem.
Ela calou-se por um momento. Então ergueu uma sobrancelha intrigado.
-Será uma ótima auror tenho certeza, srta.Granger. gostaria de falar mais sobre isso após as aulas. O que acha?
Surpresa disse a primeira coisa que lhe veio a mente:
-Não acho necessário. Não é algo para se debater, professor, mas para se feito. Como mestre na arte das trevas deveria ajudar a Armada, um grupo que formamos para aperfeiçoar nossos conhecimentos. Se é realmente contra Voldemort, apareça na reunião hoje a noite e nos auxilie juntamente com Harry.
-E-E quem mais participa? – ele perguntou curioso.
-Bem, tirando o Malfoy e seus amigos que são a favor de Voldemort, todos os demais participam.
Houve um burburinho geral na turma, sobretudo em varias pessoas que se afastaram de Malfoy.
O prof. Sorriu e disse amplamente satisfeito.
-Bem, além de inteligente é corajosa. Será uma grande auror, srta. Granger.
-Obrigada – respondeu arrogante.
Olhou para Malfoy que a encarava. Ele a olhava e havia uma espécie de sorriso malicioso e provocador. O tolo medonho achava mesmo que ela cairia nessa? Jamais ficaria com Malfoy!
“Rony se morderia se eu fizesse isso, Gina. O que você acha?”
“Acho que você enlouqueceu!”
Hermione olhou na direção dela e sorriu para a sua cara feia.
“É claro que eu jamais faria isso! Ele é um idiota!Além disso, eu tenho os meus princípios!”
Olhou para a frente, e notou que Rony a olhava estranho, e olhava para a irmã do outro lado do jardim que os olhava de longe. Havia uma ruga na testa dele que dizia que ele não estava entendendo alguma coisa.
Baixou a cabeça esperando que ele não continuasse prestando atenção nela ou em Gina.
“O trasgo do seu irmão está olhando para a gente!”
“Relaxe, ele levaria um século para entender o que estamos fazendo!” – ela riu.
“Eu espero mesmo. Seria terrível se ele descobrisse!”
“Porque? O que rony poderia fazer com essa informação? Hermione, ele esta do lado do Harry! Não deixaria essa informação vazar!”
“Eu não sei. As vezes eu acho que ele me odeia.” – disse triste.
“Rony não odeia ninguém. Acho que ele é incapaz disso, Hermione. Mamãe sempre diz que ele é o filho mais doce que ela tem” – brincou.
“Certo, agora não me apresente o mais azedo, por favor”
“Mamãe diz que o lado azedo ficou comigo, por causa dos genes das mulheres Wesleys” – disse pesarosa.
“De qualquer forma, eu não quero mais pensar nele. Irei me concentrar nas aulas e na minha vida. Ele que se dane!!!”
“É mesmo?”
“É!!!”
“Pena mesmo. Eu já sonhava em sermos cunhadas. Mas desde que Rony soube do seu beijo...”
“Ah, me poupe, Gina! Não venha me fazer sentir culpada!”
“Porque não tenta se reaproximar? Rony é burro, mas é orgulhoso. Mas se você der o primeiro passo ele cederia.”
“Seu irmão não é burro. Já pedi que não dissesse essas coisas. Ele apenas não se dedica como deve! E você, falando assim, o incentiva a ser relaxado com os estudos!”
“Deveria dizer isso a ele. Rony considera muito a sua opinião” – Gina confessou.
“Ah, tá, eu acredito!” – pensou incrédula.
“Verdade, nas férias ele fica falando coisas que aprendeu estudando com você, e quando alguém pergunta onde ele aprendeu, ele sempre diz que tem a melhor professora de todo o mundo!”
“Eu já disse, esta exagerando!”
“Não mesmo. Vocês brigam demais. Por isso ele não concorda com você em nada, mas isso não quer dizer que ele não a ouça. Além disso, os garotos sempre implicam com as meninas que eles gostam. Foi a mamãe quem me disse isso. Se um garoto for grosso com você sem motivos é porque ele está interessado e não sabe dizer”
“Será?” – olhou longamente para ela, que concordou com a cabeça de onde estava.
Olhou novamente para Rony e ele olhava para a irmã, provavelmente desconfiado. Lilá a viu olhando e sustentou o olhar.
“Lilá morre de ciúmes de você, Mione”
Ela corou com esse comentário de Gina e sorriu. Era incontrolável. Será? Será mesmo....?
“Ele esta a toda esses dias, Mione. Porque você não aproveita? Rony quando esta no limite sempre se entrega! Se você o provocar um pouquinho, quem sabe ele não se entrega? Ou pelo menos dá uma pista?”
“A gente vai acabar brigando ainda mais...”
“Ou talvez não”
Pensando sobre essa possibilidade ela olhou novamente para Rony. Ele prestava muita atenção onde ela estava e fugiu os olhos correndo quando a viu olhando. Vendo Malfoy tão perto ela resolveu jogar. Mediu o loiro, e nesse sentido até era interessante. Olhos mesquinhos, mas inegavelmente astutos e intensos. Pele suave e pálida, mas de uma forma tentadora. Ele tinha ombros menores que os de Rony e era mais baixo, mas para ela, baixinha, ele era alto o bastante para fazer um belo casal.
Sem contar que ele lhe sorriu um sorriso sedutor que a fez sorrir sem querer.
“Está sendo má. O Rony vai dar um show desse jeito.” – disse Gina.
“Não posso fazer nada se Malfoy esta a fim de mim. Rony deveria saber que eu jamais ficaria com ele!”
“Ele sabe. Mas o ciúme fala mais alto”
“Bom, o que não mata, cura. Ele que prove o próprio veneno.”
Prestando tanta atenção a aula quanto um trasgo em um recital de poesias, Hermione, disfarçadamente continuou olhando Malfoy. Lábios cheios. Convidativos. Deveriam ser quentes e firmes. Ele não era o tipo carinhoso, ou tímido como Vitor, e provavelmente teria beijos avassaladores como vira Rony trocar com Lilá. Daqueles de deixar as pernas bandas e aquele olhar terrivelmente satisfeito que Lilá exibia desavergonhadamente por todo o castelo.
Distraída não viu um pequeno bilhetinho, em forma de pássaro voar até ela. Hermione apanhou-o no ar, antes que o professor o visse. Olhou acusadoramente para Malfoy, notando que toda a turma os olhava, inclusive Harry, amplamente curioso.
Abriu-o e leu, e sentiu-se inegavelmente quente:
“Quero-te”.
Com o desejo inflamado de quem quer guerra e não paz
Quero-te com a devoção de um louco contrariando sua própria loucura
Beijo-te em pensamento como pudesse te sugar o ar e ter no teu prazer o prazer da tua morte
Por isso quero-te e não te amo
Quero-te até ter as pernas cansadas de me levar longe e de me trazer de volta a teu lado
Quero-te!
Mas te amar, não te amo não!”
Hermione sorriu quieta. Cafajeste! Indigno! Sedutor barato!
Era uma linda poesia, e gostaria de poder lê-la para Rony, mas não o desejava dessa forma. O queria com loucura, mas também o amava com devoção, de quem ama pela primeira vez.
Repetiu mentalmente para Gina e esperou.
“Uau. Isso mexe com uma garota.” – ela disse simplesmente.
“Não é que o idiota é bom nisso?”
“Por isso a Pansy anda por aí com aquela cara de alegria...”
“Alegria por alegria, Rony vai adorar essa”
Disfarçadamente escreveu no pergaminhos: “Acha que sou tão fácil?” e o fez flutuar na cara de todos até Malfoy que o apanhou no ar.
Sorriu satisfeita com o olhar espantado dele. O professor virou-se a tempo de vê-lo fazer outro bilhete flutuar, mas ela o apanhou antes que ele dissesse algo. Aparentemente ele não tinha muita coragem de enfrentar a própria aluna e tirar-lhe o bilhete.
“Vou te beijar até faze-la perder essa língua acida.”
Ele estava pedindo, ela pensou. Lá se ia outro bilhete. A simples palavra: “Tente”
Ponto para mim, Malfoy. Ele não esperava por essa. Realmente, não esperava. Depois desse ‘quase’ convite teria de se esconder pelo castelo se não quisesse um confronto.
“Não me tente, ou terei de ir até aí e faze-la chorar de emoção” – ele escreveu no próximo bilhete.
“Estou até sem fôlego” – ela ironizou no próximo bilhete.
“E olha que eu nem comecei ainda”. Dessa resposta ela teve que rir.
“Acha mesmo que eu ficaria com alguém como você, Malfoy???” – enfeitiçou o bilhete o lançou no ar, sem desgrudar o olhar do professor.
Mas quem o pegou no ar, antes do Malfoy foi rony. Ela segurou o ar, vendo-o abrir.
Ambos estavam escrevendo no mesmo primeiro bilhete que ele escrevera, ele agora ele leria tudo. Todas as provocações. A poesia. Tudinho.
“Tá ferrada, Mione. O Rony vai te matar” – disse Gina.
Ele lhe lançou um olhar tão magoado que ela sentiu-se péssima.
Viu que ele escreveu algo e mandou na sua direção. Pensou se deveria ler, o bilhete flutuando ao redor dela e cedeu, com um olhar de ódio. Agarrou o bilhete no ar e leu:
“Não tem vergonha???????????????????”
boquiaberta, ela escreveu e mandou de volta.
“Não é da sua conta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”
lá vinha o bilhete e novo:
“Ah, é sim! O que você acha que ele quer com você, heim?????”
“Pode deixar, que quando descobrir, eu te conto!!!!!!!!!” – ironizou.
Lilá tentou ler, mas ele não deixou e vermelho escreveu alguma coisa que ela se apressou a ler quando caiu na sua mão.
“você que tente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”
“E o que vai fazer? Me impedir? eu fico com quem eu quiser!”
“Não tem nada melhor? Vitor está ocupado?????”
“Eu estava apenas brincando com ele. Mas agora, eu vou ficar sim. E quer saber mais? Vai ser hoje!”
“Há-há”
incrédula, ela escreveu novamente, mas esse bilhete foi para Malfoy.
Rony a fitou incrédulo, certo que ela marcava algo com Malfoy.
“O que você fez?”
Ela rasgou esse ultimo bilhete que ele mandou e o jogou na grama. Um olhar vitorioso e a aula havia acabado.
Apressada sai do jardim em direção a Torre da Grifinólia. Basicamente, por ser a última aula da tarde, todos os alunos subiam para suas casas. Ela viu que Rony apurava o passo, com Harry, Lilá e Gina logo atrás. Gina estava com uma cara assustada que a fez olhar para Rony e praticamente correr em direção as escadas. Infelizmente, não havia como passar enquanto os primeiros não entrassem na grifinólia.
Sentiu alguém puxar seu braço e quase caiu do degrau.
-O que pensa que está fazendo? – Rony gritou com ela.
-Me solta! – ela rugiu para ele, tentando soltar-se.
-O que esta acontecendo? – Harry se meteu, e Gina puxou-o pela camisa, indicando com os olhos que ele não se metesse.
A fila começou a andar e ela se soltou, correndo dele.
-Isso, fuja! – ele continuou logo atrás dela. – Sempre ignorando os outros! Acha que vou esquecer o que você fez?
-Não estou nem aí para o que você acha, ou deixa de achar! Deixa-me em paz, Ronald!
-Paz? Paz? - ele riu irônico – Eu achei que você quisesse Guerra, Hermione! Trocando bilhetinhos apaixonados com aquele...Aquele...!
-Eu não fiz isso! – ela parou no meio da escada e o fitou com ódio.
-Ah, não? – ele subiu um degrau e ficou apenas um abaixo dela, mas o suficiente para ficarem olhos a olhos, o que normalmente não acontecia por ele ser mais alto - “Quero-te
Com o desejo inflamado de quem quer guerra e não paz...” – ele começou a dizer e ela ficou chocada.
-Pare!
-Porque? Ninguém pode saber que Malfoy te escreve poesias???
-Eu não pedi que ele fizesse isso! – lágrimas se formaram em seus olhos – Eu nem sabia que ele queria ficar comigo, como eu saberia? Ele sempre me odiou!!!
-Mas bem que gostou quando soube! Vai negar?
-É claro que eu gostei! – disparou furiosa – Mas nunca ficaria com ele!
-E o bilhete que mandou? Marcando o lugar? Acha que eu não sei? Que sou tão idiota assim?
-Sim! Você é! O maior e mais idiota de todos!
Dizendo isso ela recomeçou a subir.
-Ele sempre te humilhou! Sempre espezinhou Harry! Sempre! Eu esperava mais de você, Hermione!
-Esperava? – ela parou novamente – Esperava o que? Que eu virasse as minhas costas para todos os garotos que gostem de mim? Que eu o espere decidir-se? Que eu o espere até quando? – gritou de volta, ficando chocada com a própria coragem.
Deu-lhe as costas e recomeçou a subir, com lágrimas prestes a correr.
-Esperar??? Você beijou Vitor Krum!!!!
Todos os alunos que os assistiam em silencio começaram a sussurrar, finalmente entendendo a briga.
-E? – ela virou-se para ele provocando.
-E o que? – ele rebateu.
-Me diga você, já que parece ter pensado mais nisso do que eu!
Ele se calou, entendendo finalmente o papelão que fazia. Ela tinha razão.
-Eu apenas... – ela começou a falar assim que notou que ele não sabia mais o que argumentar. - ...escrevi dizendo que ele não deveria mais dizer aquelas coisas. Que eu não ficaria com ele. – confessou – Eu estava só provocando o Malfoy. Nunca olharia para ele. Seria como me trair. Trair todos que eu gosto. Meus amigos, meus pais que sempre ofende. Deveria saber que eu não faria algo assim....
-E sei. Eu só...- ele gaguejou assim como ela – Já não sei mais nem o que eu faria, quanto mais o que você faria. O que...aconteceu com a gente, Hermione? – ele perguntou desconcertado.
-Eu não sei. – lágrimas queimaram seus olhos – Você começou a me odiar. Acho que foi isso. Nossa amizade acabou, rony. – sussurrou.
-Não. Eu...Só fiz idiotices de novo. Ainda somos amigos, só...Brigamos de novo.
-E pela última vez, Ronald. – ela disse decidida. – Sejamos amigos. Ou então, nos ignoremos. Mas não quero mais essas brigas sem fim...
-Certo...Seremos amigos então. – ele disse com olhos brilhantes.-Hermione... – ele começou a dizer e lembrou-se de algo que o fez olhar para trás e confirmar que Lilá estava logo ali a seu lado com olhos arregalados – Eu tomaria coragem agora, se fosse possível.
De uma forma estranha fazia sentido. Hermione sentiu-se emocionada. Não era a confissão dos sonhos de uma menina, mas a deixava em brasas.
-Certo... – sorriu – Então tome a coragem. Agora! – ordenou.
-Mione... – ele corou loucamente e olhou novamente para Lilá.
-Você começou isso, Ronald. Você!
-Rony... – a frágil voz de uma chorona Lilá os fez olhar para ela – Hermione tem razão. A gente não pode continuar. Eu preciso terminar com você depois disso tudo que ouvi e...Você quer terminar comigo?
Ele concordou com a cabeça, aliviado em parte por ela ter tomado a dianteira.
-Vocês vão...- Lilá gaguejou – vocês vão namorar? – perguntou aos dois.
-Se a Hermione quiser, sim.
Lilá afastou os olhos e se afastou deles, descendo por entre os outros alunos de volta aos jardins.
-Se você fizer algo assim, comigo, no futuro, eu juro, que estoporo você – Hermione disse com olhar mortal.
-Ótimo. Brigue comigo de novo. Se eu não faço o que quer, você briga. E se eu faço, você briga também! – ele disse revoltado.
-Porque será? Porque não pode ter sido mais sensível e não a ter envolvido nisso? Heim?
Os dois começaram a subir as escadas, e chegaram em frente a sala comunal. Entraram na sala ainda discutindo.
-E porque não pode ser como qualquer menina e ficar calada?
-O que? – ela perguntou horrorizada.
-Hermione! Como acha que vou conseguir beijar você, se você não cala a boca???? – ele disse amplamente indignado.
Sem palavras ela se calou. Rony entendeu que era esse o raro momento de deixar de falar e agir. Antes que ela se recuperasse e o enxovalhasse de novo, ele a puxou pela cintura e a beijou.
Hermione nem soube o que a atingiu. O beijo dele era incomum e doce. Quente e molhado. A fez lembrar de cerveja manteiga descendo pela garganta, queimando e ascendendo o calor dentro dela. Virou-se abraçando os ombros dele e acariciando seus cabelos, enquanto ele segurava sua cintura como se ela fosse de borracha. Teria caído se ele não a segurasse.
Sempre que lia coisas assim nos livros, ela ria. Mas agora, lhe fazia sentido como aquelas musicas melosas que a Sra.Wesley tanto gostava. E nesse momento, quem desejava guerra era ela.
Quando o ar faltou e ele se afastou, ela teve vontade de morder aquela boca carnuda que lhe sorriu vitorioso.
-Não sorria desse jeito– ela sussurrou.
-Porque não? – ele riu ainda mais.
-Porque me faz querer brigar com você...
-E o que não te faz querer brigar comigo? – ele provocou.
-Isso... – ela sussurrou se aproximando e o beijando.
Não viram a sala cheia. Ou os alunos sorrindo e cochichando. Muito menos viram Gina e Harry abraçados felizes por finalmente terem se entendido.
Na verdade dali para frente, sempre que se beijasse, Rony e Hermione, não veriam nada, alem daquela deliciosa magia que os envolvia e faria um casal para todo o sempre...
Fim
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