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1. OneShot


Fic: Segredos Revelados DM-HG OneShot


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Invadi a sala dela no Ministério. Sem palavras. Quando estávamos juntos, não precisávamos de muitas palavras. Sabia que era aniversário dela. Ela não sabia que eu sabia. Minha presença a surpreendeu. Beijei-a.


Na verdade, ela nem deveria saber que eu estava lá por causa do aniversário. Era comum eu entrar na sala dela sem ser convidado. Beijá-la sem ser convidado. Eu não precisava de convites. Por que ela era minha, mesmo quando dizia o contrário.


Hermione o afastou e limpou sua boca com as costas da mão. Não. Ele não estragaria aquele dia. Ela sairia com seus amigos. Afastou-o com raiva:


- Quem pensa que é para entrar aqui desse jeito?


- Draco Malfoy?


- Está mais para idiota – ela falou irritada. Ele jogou-se na cadeira e apoiou os pés sobre a mesa. Ela abriu a boca indignada e ele sorriu de lado.


- Não é a primeira e nem será a última vez que faço isso, Granger. Você geralmente não reclama.


Ela ficou sem resposta. Ele percebeu e sorriu mais ainda. Depois de alguns segundos ela pareceu se recompor.


- Acontece que você não deveria aparecer aqui depois da nossa última conversa. Não quero mais te ver. – ela cruzou os braços. Draco levantou-se e parou diante dela, que tentou se afastar, chocando-se com a mesa.


- Tudo bem. É só manter os olhos fechados enquanto nos beijamos e transamos em cima dessa mesa.


Ele sabia que corria grande risco de ser azarado ao proferir sua frase. Mas vê-la assim, envergonhada e desarmada era um vício que ele não poderia negar a si próprio.


- Você é um completo filho da puta, Malfoy. Vá embora. Tenho um compromisso.  


Ela empurrou-o novamente e começou a recolher suas coisas. Draco a observava. Jogou os fios loiros para trás. O divertimento brilhava em seus olhos cinza.


Hermione jogava suas coisas na bolsa, enquanto proferia frases parcialmente compreensíveis:


- Babaca... Aparecer aqui depois... Filho da puta... Deveria mandá-lo...


- Você, definitivamente, não combina com palavrões.


- Combino menos ainda com você – aquelas palavras o machucaram, mas ele não deixou transparecer. Ela passou por ele, indo em direção à porta. Draco a seguiu.


Andava atrás dela. Cada vez que ela apressava o passo, eu apressava o meu. Imaginei o rosto dela corando ao ver cabeças virando para nos observar. Não era uma cena comum. Não me importava com eles. Que todos fossem à merda. Provavelmente ela iria encontrar-se com o Santo Potter e com o Pobretão Weasley.


Granger estava brava. Pisava com força. Isso fazia com que seu rebolado se tornasse ainda mais atraente. Sabia que sorria de forma debochada e que, provavelmente, levaria um tapa no rosto se ela visse aquele sorriso.


- Hermione – ela parou de repente, mas os reflexos de Draco eram rápidos e ele parou rapidamente ao ver quem se aproximava. McLaggen. Seus punhos se fecharam.


- Cormaco. Tudo bem? – Draco viu que ele inclinou-se para um beijo. Demorado demais na opinião do loiro.


- Recebeu meu presente? – ele perguntou ajeitando as vestes, ainda sem dar pela presença do loiro que estava parado alguns passos atrás de Hermione.


- Sim, eu adorei – pela voz dela Draco percebeu que ela sorria – Nos vemos mais tarde?


- Claro, Mione – Draco sentiu suas unhas furaram sua pele. McLaggen havia colocado um cacho dela atrás da orelha.


Ele havia colocado um cacho atrás da orelha dela. Era um completo imbecil. Nem sabia que a Granger ficava muito mais bonita com o cabelo caindo-lhe rebelde ao redor do rosto. Nada de tranças ou rabo-de-cavalo ou cabelo atrás da orelha.


Meus dedos, involuntariamente, alcançaram a minha varinha. Parei milésimos de segundos antes de fazer a cagada de azarar um funcionário do ministério dentro do próprio ministério.


Estava a alguns passos de Granger e ele não percebia o que parecia ser claro para todos. Eu a estava seguindo. Mesmo que isso fosse contra todos os conceitos dessa e de qualquer época: um sonserino atrás de uma grifinória. Na verdade, fazia tempo que não me importava com aquela posição. Principalmente depois de saber o que ela era capaz de fazer naquela posição.


Eles despediram-se com um rápido beijo. Cormaco beijando o rosto dela. Fazendo com que a raiva apenas aumentasse no loiro. Posse. Ciúme.


Quando Cormaco foi embora ela virou-se e disse:


- Poderia fazer o favor de parar de me seguir?


- Não.


- Estou indo embora. Para minha casa. E você não está convidado.


- Realmente não me importo, Granger.


Ela voltou a andar e ele continuava a seguindo. Entraram no elevador com mais alguns bruxos. O loiro novamente jogou os cabelos para trás. Hermione estava impaciente e ele sabia disso. Sentia isso. Aquilo o divertia ainda mais, apesar de seu nervosismo.


Quando saíram do elevador, Draco a seguiu até a entrada da lareira. Onde ela parou mais uma vez e virou-se. Pela primeira vez, Draco identificou tristeza nos olhos castanhos e aquilo o desarmou por alguns instantes. Há muito tempo odiava saber que era causador daquele sentimento.


- Draco, pare com isso. Por favor.


- Não.


- Você fez sua escolha.


- Você não sabe das minhas escolhas, Granger.


Vi que os olhos entristecidos foram até minha mão direita. Pararam na minha aliança de noivado. Ela trocou o apoio do pé. Nervosa.


- Sim, eu sei.


E, mais uma vez, eu a tinha magoado. As coisas começaram como eu tinha planejado, só que estavam tomando outro rumo. Assim que a vi sumindo entre as chamas, entrei antes que ela tivesse chance de fechar a conexão. Eu já não podia aparatar na casa dela.


Hermione saiu da lareira e virou-se para lacrar a passagem, porém não teve tempo. Viu-se caindo, Draco por cima dela. Gemeu de dor.


- Malfoy! Saia de cima de mim!


Ela o olhou atentamente, no fundo, gostaria que ele ficasse assim. Tão perto de si. Os olhos cinza a olhavam com atenção. Desejo? Ela nunca conseguia interpretá-los.


A resposta irônica dele parou nos lábios, que apenas se curvaram em um sorriso. Ele levantou-se e estendeu a mão para ela. Claro que Hermione não aceitou.


- Faça o favor de ir embora. Tenho um compromisso e preciso me arrumar.


- Não vou embora.


Eu sabia o que viria agora: ela rolaria os olhos, bufaria e depois cruzaria os braços.


Hermione rolou os olhos, bufou e cruzou os braços.


- O que você quer afinal?


- Você.


- Não se pode ter tudo que se quer.


- Eu posso – os olhos dele foram para um pacote sobre a mesa.


McLaggen.


Andou até lá e pegou o presente. Um livro.


- Por que McLaggen te deu um presente?


- Porque hoje é meu... – ela interrompeu-se – Porque ele quis ser gentil. Apenas isso. Agora saia.


- Hum... Tem até bilhetinho? – ele pegou o pergaminho antes de Hermione. Ela tentou puxar da mão dele, mas Draco levantou o braço.


- Isso é particular. Faça o favor de me devolver?


- Depois que eu ler. Pelo menos ele sabe escrever, não?


Hermione,


Espero que goste desse livro que escolhi com tanto carinho. É um livro que gosto muito e tenho certeza que vai gostar também. Espero que hoje a noite possamos retomar o que aconteceu no seu sexto ano.


Espera. Espera. Espera. Retomar o que aconteceu no sexto ano? O que aquele filho da puta queria dizer com aquilo?


- O que esse filho da puta quer dizer com: retomar o que aconteceu no sexto ano? O que aconteceu no sexto ano?


- Nós ficamos juntos na festa do Slughorn.


Certo. Por aquela eu não esperava. Claro que eu sabia que ela havia ido com o Cormaco naquela festa idiota, mas eles terem ficado juntos? Aquele babaca, pomposo havia beijado Granger? O bolo em meu peito, meu estômago, em todo meu corpo pareceu crescer. Simplesmente pelo fato que ele tentaria de novo. E quantas vezes será que ele não teria tentado e ela não me contou?


- E você acha mesmo que vai sair com ele hoje?


- Sim. Com ele e com outros amigos. Já pedi que fosse embora.


- Eu já disse que não vou.


Peguei minha varinha e queimei o bilhete dele, sem me importar com a cara de indignação dela.


- Quer saber? Eu vou me arrumar antes que me atrase. Você sabe onde é a porta. – ela virou-se e sumiu pelo corredor.


Fui até a porta e a abri. Depois a fechei com um estrondo. Só que permaneci do lado de dentro. Insanidade. Era isso que controlara tanto eu quanto ela. Deixei meu corpo cair pesadamente no sofá e me permiti fechar os olhos enquanto ouvia o som do chuveiro. Usava todo meu autocontrole para não entrar no banheiro.


Lembrei-me da primeira vez que ficamos juntos. Foi conturbado como foi o resto do nosso... Relacionamento, se posso assim chamar o que tivemos...


FLASHBACK


- Seguinte, você será minha advogada.


Hermione olhava atentamente para o homem que entrara, sem ser convidado, na sua sala. E permaneceu calada. Ele jogou uma pasta sobre a mesa dela. Sobre os documentos dela. Depois, esticou as pernas sobre a mesa dela.


- Cai fora, Malfoy – ela disse pegando a pasta dele – E leve isso com você – e jogou-a de volta. O loiro pegou a pasta ainda no ar. Ajeitou-se na cadeira e abriu-a, tirando alguns documentos.


- Minha empresa importa ervas e algumas criaturas para Hogwarts e para algumas lojas de Hogsmead e Beco Diagonal. Todos meus negócios são lícitos. Todos. Acontece que alguns clientes estão querendo que eu diminua meu preço, alegando desvio de galeões.


- Espera, espera – Hermione o interrompeu.


- Tem algo que não entendeu? Achei que fosse mais inteligente, Granger.


Ela o olhou ofendida, porém ignorou o comentário.


- Eu não serei sua advogada. Saia da minha sala. Tenho coisas mais importantes para tratar.


- Como cuidar do direito de elfos e uivadores? – ao ouvir essas palavras, Hermione levantou-se e apoiou as duas mãos na mesa. Draco levantou-se também.


- Deixe de ser preconceituoso! Essa é uma das razões que eu não aceito pessoas como você como cliente.


- Pessoas como eu? Você me discrimina apenas por que eu tenho dinheiro, Granger.


- Tenho amigos ricos. Eu não quero ser sua advogada por que eu, ao contrário de você, realmente não faço negócios ilícitos.


- Estou trabalhando dentro da lei e posso provar.


Ela riu de forma debochada. Agora ele também estava inclinado sobre a mesa. A pasta e os documentos esquecidos.


- Claro, claro. Até hoje recebo denúncias de irregularidades no nome do seu pai.


- Do meu pai, Granger. Não do meu. Agora, sente-se que você apenas está me fazendo perder tempo. Temos negócios a tratar.


Ele sentou-se. Hermione deu a volta na mesa e abriu a porta, dizendo:


- Estou ocupada com outros clientes.


- Elfos? Uivadores? Chupadores de sangue? – ele virou-se para encara-la.


- Eles têm tanto direito quanto você.


- Muito me surpreende você defender um lobisomem depois de Greyback. Depois do que ele fez com um dos Weasley, com Brown... Depois do que ele quase fez com você.


Nesse momento Draco percebeu que havia cometido um erro que poria seu plano de tê-la como advogada por água abaixo.


- Saia.


- Eu não quis dizer isso – Draco falou simplesmente, levantando-se.


- Saia.


- Não. – ele enfiou a mão nos bolsos – Preciso da sua ajuda.


- Certo, Malfoy. Muito engraçado. Agora, saia.


- Estou falando sério.


Hermione rolou os olhos, bufou e cruzou os braços.


- Você está falando sério que precisa de mim? Por favor, Malfoy, você pode não ter o que fazer, mas eu estou realmente ocupada.


- Vai me fazer dizer, não é, Granger? Saiba que vai ouvir isso de mim apenas uma vez: você é a melhor advogada do Ministério e eu só trabalho com os melhores.


Ele sabia que não poderia convencê-la com o ótimo pagamento ou com promessas de ajudá-la a crescer profissionalmente com algumas indicações. Não. Isso não funcionava com Hermione Granger. Mas algumas palavras bonitas e que elogiassem a sua inteligência a fariam pensar. Draco fora sincero: ele só trabalhava com os melhores. E também fora sincero ao dizer que ela era a melhor advogada, apesar de ser um ponto que ele assumiu ao ver que ela não iria ajudá-lo. Porém... Havia um “porém”. Que ele, naquele momento, havia omitido.


Hermione ainda tinha a mão na maçaneta da porta. Aquelas palavras a deixaram desconcertadas. Todos já sabiam o blá blá blá sobre como Draco mudou de lado na batalha final. Sabiam como ele ajudara passando informações e traindo tanto seus antigos aliados como sua família. E todos sabiam que ele continuava a arrogante. E preconceituoso. Apesar de não gritar mais aos quatro ventos o que pensava realmente de nascidos trouxas como Hermione.


- Vejo que vai repensar minha proposta, não é? Por favor, Granger, eu não tenho o dia inteiro.


Ela fechou a porta e voltou calada ao seu lugar. Pegou os documentos e começou a lê-los.


- Alguns comerciantes dizem que estou desviando galeões e cobrando mais do que eu deveria.


- Sim, você já me disse isso – ela falou sem deixar de ler os papeis de finanças. Silêncio. – Se você tem as provas, qual o argumento deles? – perguntou sem tirar os olhos do papel.


- Dizem que estou favorecendo lojas mais antigas – ele respondeu, ajeitando-se na cadeira – Você vai realmente ler tudo isso? Trouxe apenas para mostrar a você que meus negócios estão limpos.


Ela, então, o encarou.


- Você deve ter muitos advogados na sua empresa. Advogados que não precisariam ler todos esses documentos, por já estarem familiarizados com suas finanças. Por que eu?


- Já falei o porquê e já falei que não vou repetir.


- Malfoy, há algo nessa história que não encaixa. Você também disse que só trabalha com os melhores. Por que precisa de mim, afinal?


Draco percebera que não poderia se livrar e desviar tão facilmente das questões de Hermione. É claro que ela perceberia algo acontecendo. Algo escondido. Algo que ele jamais revelaria.


- Agora é você quem está me fazendo perder tempo, Malfoy. Tenho certeza que tem advogados muito bons. Advogados particulares. Você não precisa recorrer ao Ministério.


- Não, não preciso. É uma escolha. Além do mais, é uma escolha política. Você como representante do Ministério está isenta de escolher lados.


- Se eu for te defender, estarei escolhendo o seu lado.


Draco revirou os olhos ao ouvir o “se”.


- Claro, Granger, isso é óbvio. Só que você estará analisando toda a documentação com um olhar imparcial. Além do mais, enquanto trabalhar para mim, será minha advogada particular.


- Não, Malfoy. Eu escolhendo atuar no seu caso será como representante do Ministério. Afinal, não é disso que precisa?


- Nossa, Granger, puta merda! Como você gosta de dificultar as coisas! – ele ajeitou-se novamente na cadeira e passou as mãos nos fios loiros – Estou dizendo apenas que será paga como minha advogada particular. Estará prestando um servido particular – ela abriu a boca para argumentar – E você sabe que pode fazer isso. Só não faz porque é irritantemente certinha para fazer uso de um direito seu, garantido pela lei. 


- Mas, esse direito, apesar de existir...


- Por favor, Granger! Que chatice! Leia os documentos, durma com os documentos, faça o que bem entender com eles. – ele levantou e ajeitou as vestes - Espero você amanhã no meu escritório, às 17 horas. Sem atrasos. – enfiou a mão no bolso e jogou um cartão sobre a mesa dela.


- E se eu não aceitar? – ela perguntou levantando-se.


- Você vai aceitar.


- E como pode saber disso?


- Por que você é muito nobre para ver uma injustiça acontecendo e não fazer nada – dito isso, ele saiu do escritório.


Hermione odiava admitir que outra pessoa tinha razão a não ser ela mesma. Gostava quando concordavam com ela, mas detestava ter certeza de algo e depois ver essa certeza desfazer-se bem diante dos seus olhos. Ainda mais quando ela tinha que dar o braço a torcer para Draco Malfoy.


Ele estava certo. Toda sua documentação estava, até aquele momento, correta. Nada desvios, favorecimentos,... Ele estava agindo dentro da lei. O que parecia ser novidade, vindo de um Malfoy. Eram esses pensamentos que enchiam a cabeça de Hermione enquanto ela esperava entrar no escritório de Draco. Sem atrasos. Ele realmente não a conhecia. Hermione sempre chegava cinco minutos antes do combinado. E ali estava ela. Sentada. Suas pernas cruzadas. A de cima balançando nervosamente. Sua mão direita tamborilava sem som sobre o braço do chique sofá.


A porta da sala dele foi aberta de supetão e uma morena saiu da sala. Parkinson. Ela ainda tinha os mesmo cabelos curtos. Usava uma roupa extremamente justa e decotada. Rebolava excessivamente e seus passos ressoavam pelo chão frio da sala de espera.


- Nossa conversa não está terminada, Draco – ela falou e depois empinou o queixo. Saiu sem perceber a presença de Hermione sentada no sofá. Logo em seguida Draco apareceu. A mão cobrindo o rosto que estava voltado para o chão.


Draco mentalizava diversos xingamentos. Azarações. Maldições. Livrara-se de tanta gente, mas Pansy era persistente. Persistente além da conta. Ela ainda garantiria que ele fosse enviado para a ala de lunáticos do St. Mungus. Após esfregar o rosto, nervoso, seus olhos focaram-se em um  perna que balançava para cima e para baixo. Seus olhos subiram até focar-se no rosto de... Granger.


Olhou para o relógio. 16h59.


- Vejo que já começou me obedecendo. Isso é um bom sinal, Granger.


Hermione usou todo  seu profissionalismo para não xingá-lo. Levantou-se, ajeitando a saia e o tailleur. Colocou a pasta em frente ao corpo e andou até a porta do escritório. Ele fez um gesto para que ela entrasse. Acompanhou-a até a uma cadeira e sentou-se do outro lado da mesa.


- Então,... – ele disse.


- Há documentos faltando. Mas pelo o que eu vi até agora – ela respirou fundo antes de continuar – Não há nada ilícito.


- Então você está do meu lado? Será minha advogada?


- Sim. Mas, para isso preciso ver as acusações. – ele abriu uma gaveta e passou um rolo enorme de pergaminho. Hermione não escondeu sua surpresa.


- Você está falando de quantos clientes com a mesma queixa, Malfoy?


- Pelo menos vinte.


- Vinte? Malfoy, são muitas acusações para eu analisar sozinha.


- Você será devidamente paga pelo seu esforço. Não quero outros envolvidos.


- Podemos ter ajuda. Sabe que há o sig-


- É claro que eu sei, Granger. Só que não quero outros envolvidos. É do meu nome que estamos falando. E sei que a mídia está interessada em sujar meu nome mais uma vez.


- Você faz por merecer também, não é?


- Ah é? – ele começou sem esconder sua irritação – Então me diga: nos últimos sete anos, o que eu fiz de ilegal? – ela desviou o olhar do dele – Você se remoer por não conseguir responder uma pergunta. Desde que eu me aliei à maldita Ordem, tenho andado na linha. Trabalhei dois anos para deixar todos, TODOS meus negócios lícitos.


Ele fez uma pausa, parecendo se recompor. Hermione voltou a olha-lo e viu a expressão séria. Ela observou atentamente o rosto dele. Os olhos cinzas eram de um tom profundo, ele tinha a testa franzida pela raiva e indignação. O cabelo loiro não era curto como na época de Hogwarts. Também não era longo como o do pai. Seria uma mórbida semelhança, na opinião de Hermione. Ele era bonito. Sempre vestindo preto, num contraste perfeito com sua pele clara. A mudança de cor nas vestes era rara e, quando acontecia, era sempre nesse tom mais sombrio: um verde petróleo ou um azul escuro. Sim, Hermione odiava admitir, mas Draco Malfoy era um homem muito bonito.


- Se você, como minha advogada, não acredita em mim é melhor nem começarmos a trabalhar... Juntos. Pode se retirar, Granger.


- Desculpe – ela falou e respirou fundo – É apenas difícil para mim lidar com esse novo... Esse novo você. – aquilo o surpreendeu, mas ele não deixou transparecer. – Foram muitos anos de humilhação, Malfoy. Muitos anos. Nunca vou te perdoar por ter permitido a entrada dos Comensais na Escola. E, apesar de você não ter dedurado Harry, você sabia quem eu era e não fez absolutamente nada para impedir que sua tia me torturasse.


Draco levantou-se para que ela não visse sua expressão. Aquilo tudo estava indo para caminhos que ele não queria, indo para lembranças que há muito ele tentava apagar. Estava de costas quando ela continuou:


- Só que isso está no passado, não é? E você tem razão sobre uma coisa: não posso deixar uma injustiça acontecer. Por isso, vamos no ater apenas aos negócios. À sua defesa e à forma como vamos rebater essas acusações. É possível que nem precisemos ir a julgamento, se usarmos a defesa correta. Só vou te pedir uma coisa – ele virou-se e sentou-se novamente, fazendo um gesto mínimo com a cabeça para que ela continuasse – Nunca mais fale de Greyback. Você não sabe o que realmente houve.


As semanas seguintes eles continuaram se encontrando no escritório de Draco e Hermione foi se inteirando do caso. Lendo todo o financeiro da empresa. Os pagamentos eram corretos e o valor que Malfoy cobrava pelos seus produtos era justo: cobria o seu gasto, impostos e o lucro da venda. Nada exorbitante. Apenas... Justo.


Ela mexia-se na cadeira mais do que o costume e Draco percebeu. Aquilo sempre o irritou. Na verdade, tudo nela era irritante. O jeito que ela vinha com o cabelo solto para depois prendê-lo num coque desajeitado. A forma como ela batia com a pena no queixo enquanto pensava sobre alguma coisa. Também o irritava como ela lia tão rapidamente. Os grandes olhos castanhos passavam pelo pergaminho. E também o irritava ver como às vezes ela parecia falar em voz baixa, para si mesma, os lábios mexendo-se e depois se curvando num breve sorriso.


- Você está com algum problema, Granger? - ele perguntou para impedir que seus pensamentos continuassem.


- Sim. Não sei como consegue passar horas sentado nessa cadeira. Eu não consigo. Não trabalho assim.


- Ah não? Quando entrei na sua sala você estava sentada em uma cadeira.


- Sim, pois eu estava lendo um documento. Olha isso – ela apontou para a mesa coberta de pergaminhos – Não me organizo dessa forma. – ele achou divertido a forma como ela parecia desesperada e novamente mascarou seus sentimentos.


- E como a senhorita se organiza?


- No chão – dessa vez, ele não conseguiu esconder sua surpresa.


- No chão? Isso é alguma brincadeira, Granger? Essa mesa e essas cadeiras são os melhores produtos do mundo bruxo. Apenas eu e mais quatro bruxos temos uma mesa como essa, você sabia? E essa cadeira que você está sentada foi fabricada e tecida com fios de ouro! Ouro, Granger.


- E você gasta dinheiro numa cadeira que tem fios de ouro para as pessoas colocarem a bunda? Por favor, Malfoy! – ela levantou-se e começou a juntar o material que estava trabalhando. Draco a olhava estupefato. Ela realmente sentaria no chão?


Hermione pegou uma pilha de pergaminhos, pena, tinteiro e foi até um canto do escritório onde havia alguns sofás, uma mesa de centro e um tapete. Tirou os sapatos e sentou-se ali. No chão mesmo. E sorriu. Estudar e trabalhar assim lembrava-a do Salão Comunal da Grifinória. Draco não entendeu aquele sorriso.


- Por que está sorrindo? Está apenas sentada no chão, Granger.


- Hogwarts. Ficar assim me lembra dos bons tempos de Hogwarts e do Salão da Grifinória, Malfoy.


Duas semanas depois, Hermione viu que algumas acusações continuavam a chegar. Então ela resolveu fazer uma lista dos queixosos. A empresa do Malfoy era de grande porte, não trabalhando apenas para lojas em Londres. Abrangia quase toda Inglaterra. Ele também estava iniciando algumas exportações, mas não havia queixa de outros países.


Enquanto dividia os clientes de Malfoy entre aqueles que prestaram acusação e os que não prestaram, um pensamento começou a se formar na sua cabeça. Havia algo ali que ela ainda não conseguira identificar, era como se...


- Granger.


- Diga, Malfoy – ela falou sem tirar os olhos do que fazia.


- Olhe para mim quando falo com você.


- Acordou mais mal humorado hoje, Malfoy. – ela viu a expressão séria – Aposto que teve um encontro espetacular com a Parkinson - Hermione riu ao vê-lo sem graça.


- Como sabe que estive com ela?


-Você sempre fica mais mal humorado quando encontra com ela.


- Mais mal humorado? – ele perguntou.


- Sim, você é o mau humor em pessoa. Rir faz bem, sabe? E não arranca pedaços.


- Tenho coisas mais importantes a fazer. Mas isso não vem ao caso. Sexta agora terá uma festa aqui. Será na cobertura. Traje a rigor. Às 20 horas.


- Sexta é amanhã, Malfoy. Já tenho compromisso.


- Desmarque.


- Você só pode estar brincando. Deveria ter me avisado antes. Não vou desmarcar nada.


- Sim, você vai. E não te avisei por que achei que não teria nada para fazer – Hermione levantou-se e ajeitou a saia.


- E por que achou isso?


- Oras... Porque... – e Draco, sem entender, se viu nervoso – Porque você é Granger, CDF,... essas coisas. Se for sair deve ser com Weasley e o Potter. Desmarque.


- Você é mesmo um idiota, Malfoy – com um floreio da varinha, ela organizou suas coisas.


- Aonde você vai? Ainda estamos trabalhando.


- Vou embora. Você nem percebe, não é? Você nem percebe quando ofende alguém.


Ele viu que o rosto dela estava levemente corado e os olhos úmidos. Estava acostumado com os gritos de Pansy, mas Hermione estava agindo diferente. A sua advogada apenas juntou seu material, falou de forma controla e estava saindo: sem escândalos ou gritarias. E ela estava enganada. Ele sabia muito bem quando ofendia alguém, mesmo quando o fazia... Sem intenção.


Ele abriu a boca para responder, mas ela já havia ido embora.


Ele olhou para a cadeira e viu que ela havia esquecido o casaco. Pegou-o. Automaticamente levou-o ao nariz. O cheiro dela. Até o cheiro dela era irritante. Irritantemente bom.


Draco não sabia por que estava tão nervoso. Não parava de olhar para o relógio.


- Está esperando algum convidado importante, Draco?


Ele apenas olhou para Pansy com uma sobrancelha erguida, demonstrando sua irritação. Ele sabia que estava nervoso por não saber se ela apareceria. Só que não entendia o por que isso o irritava tanto. Era apenas a Granger afinal de contas. E, afinal de contas, apenas a convidou por que ela trabalhava para ele.


Virou-se para falar com alguns funcionários. Precisava ser mais discretos em seus incessantes olhares para a porta. Ouviu um burburinho tomando conta do salão. As pessoas comentavam e apontavam discretamente para porta. Draco foi obrigado a olhar o que causou essa pequena comoção.


Primeiro ponto que ficou claro para ele: todos estavam falando e apontando para Vítor Krum que acabara de entrar.


Segundo ponto: ele não ligava para Vítor Krum. Ele apenas tinha olhos para Hermione Granger. Ela estava... Irritantemente linda.


Terceiro ponto: ele deveria ter sido claro que ela não deveria vir acompanhada. E por que ele não o fez? Porque em sua infinita estupidez ele não achou que ela teria um encontro naquele dia. Aquilo não deveria importar. Ele tinha apenas uma razão para tê-la contratado.


- Você realmente a convidou? – a voz esganiçada da Pansy o puxou para a realidade.


- Ela trabalha para mim. Venha – e Draco a puxou pela mão.


- Granger.


- Olá, Malfoy. Vítor Krum. – ela os apresentou.


- Prazer, Malfoy. Só nos vimos em Hogwarts, mas isso tem muitos anos.


- Eu sou Pansy Parkinson – Pansy falou de forma aguda estendendo a mão – Draco sempre lê sobre você no Profeta. Tem feito sucesso como técnico da seleção búlgara. Será que poder-


- Pare com isso, Pansy – Draco falou sabendo que ela pediria um autógrafo – Aquela é sua mesa, Granger. Vou pedir que coloquem mais um lugar ao seu lado.


Ele afastou-se, puxando Pansy consigo. Hermione encarou as mãos dadas. Ela odiava admitir, mas não gostou nada daquela cena. Krum envolveu-a pela cintura e foi até a mesa indicada. Draco olhava os dois. Lembrava-se de tantos anos antes quando Hermione surpreendeu a todos aparecendo acompanhada de Vítor Krum. Ouviu todos os comentários maldosos que fizeram sobre ela. De garotas invejosas. Ciumentas.


Aquele era um segredo muito bem guardado: Draco sempre odiou a origem daquele grifinória, mas ela estava linda aquela noite. Um anjo. Uma fada. Uma princesa. Não sabia que palavras usar para descrevê-la.


E agora tudo se repetia. Tantos anos depois. Só que agora eram adultos. Ele não a julgava pelo sangue. Só que mesmo assim... Gostar e desejar alguém como ela não poderia ser tão facilmente admitido. Viu quando eles foram para a pista e ignorou os pedidos de Pansy para dançar.


Krum era um poste. Duro. Não tinha jeito nenhum para dançar, enquanto Hermione mexia perfeitamente ao som da música. A cintura dela de um lado para o outro. A mão grosseira de Krum no corpo dela parecia errado. Viu pelo sorriso dele que Granger o estava excitando.


Virou o copo de uísque de uma vez. Precisava recobrar o controle.


Hermione voltou para a mesa sorrindo. Seus dedos entrelaçados com os de Krum. Sentaram-se e pouco depois, Draco juntou-se a eles.


- Gostando da festa, Granger?


- Sim, Malfoy. A comida estava deliciosa.


- Preparada por elfos. Elfos que não recebem pagamento. – ele falou provocando-a – Sabia, Krum, que a Granger aqui é a favor da libertação dos elfos? Só uma nascida trouxa para pensar numa besteira dessa, certo?


- Cale a boca, Malfoy! – Hermione disse.


- Apenas falando a verdade. O que você acha sobre a libertação dos elfos, Krum? Sei que você pertence a uma tradicional família de bruxos.


- Eu acho que cada elfo decide o que quer. – Vítor falou após alguns segundos analisando a troca de olhares raivosos que havia entre os dois. Hermione ergueu a sobrancelha, mostrando que tinha ganhado aquela. O rosto de Draco demonstrava desprezo.


- Vou pegar algo para bebermos – o búlgaro falou e levantou-se.


- Ele só disse isso, Granger – e Draco abaixou a voz antes de continuar – Porque está interessado em entrar dentro desse seu vestido.


A ofensa novamente. Intencional dessa vez. Hermione abriu a boca para responder. Mas voltou a fechá-la. Disse apenas:


- Vá à merda, Malfoy. – ela levantou-se e foi de encontro a Krum. O búlgaro ouviu o que ela dizia, olhou rapidamente para Draco, deixou os copos sobre a mesa e a seguiu para fora do salão.


Hermione não apareceu naquela semana. Nem na outra.


Por isso Draco gostava de ser racional. Dessa forma as coisas não saiam do controle. As coisas eram previsíveis. Calculadas. Ele sabia que tinha passado de todos os limites quando as palavras se formaram em seu cérebro e quando escolheu dizê-las. Só que precisava atacá-la. Não podia ser ela, Hermione Granger, que o faria perder a razão.


Ninguém poderia controlá-lo. Muito menos uma mulher. Muito menos uma bruxa nascida trouxa. Muito menos Hermione Granger.


Jogou o copo contra a parede.


Estava fodido.


Foi atrás dela no Ministério. Afinal, era o nome da sua empresa que estava em jogo. Seu nome. Ele não foi atrás dela por se arrepender de suas palavras. Tampouco por que sentia falta da presença irritante dela em seu escritório. Muito menos por que gostava de olha-la trabalhando, sentada no chão, cercada de pergaminhos. Claro que não.


Novamente, entrou no escritório sem ser convidado.


- Granger.


- Você aparecer aqui apenas vai poupar a viagem de uma coruja. Tome – ela disse entregando-lhe um pergaminho.


- O que é isso?


- Abra e leia.


Ele abriu e leu. Ela estava pedindo demissão. Não. Ele não poderia aceitar.


- Eu não aceito.


- Você me disse que eu aceitaria trabalhar com você por não permitir uma injustiça acontecendo. Verdade. No entanto, existem outros advogados capazes. Não sou obrigada a aceitar suas humilhações.


- Granger,...


Ela levantou-se e foi até a porta, passando por ele. Draco inalou o perfume dela. Estava realmente fodido.


- Estou terminando os relatórios e vou enviá-los até o fim da semana, dessa forma, seu novo advogado ou advogada poderá continuar de onde paramos. Agora, por favor, saia.


- Granger,... – Draco fechou a porta. E ficou parado, observando-a.


- Não me obrigue a te azarar.


- Você não está com sua varinha. Ela está em sua bolsa. E nem me pergunte como eu sei. Estamos trabalhando juntos há um bom tempo para eu conhecer certos hábitos seus, Granger. Eu não aceito sua demissão – ele amassou o papel e o jogou no chão – Espero por você no mesmo horário. Sexta-feira.


- Você tem algum problema de audição?


- Meu problema é não ter o que eu quero. E eu quero você – ela arregalou os olhos e Draco se deu conta do que havia falado – Quero você como minha advogada.


Então Hermione começou seu discurso, que Draco não ouvia. Estava atento ao modo como os cachos rebeldes se soltavam do coque, de como uma de suas mãos estava em sua cintura. Observava como os olhos castanhos brilhavam com fúria e como a boca mexia-se. Ela parava milésimos de segundos para respirar. A língua passando rapidamente pelos lábios vermelhos.


- Oh, Granger! Cale essa boca! – ele falou e puxou-a para si. Beijando-a com fúria. E desejo. Ignorou a forma como ela o empurrava. Apenas a beijou com mais força. Ela conseguiu empurra-lo. E Draco viu um misto de ódio e surpresa nos olhos dela. Os olhos dela foram para os lábios dele.


Um rápido, e sincero, sorriso surgiu em Draco quando ele percebeu que ela voltou a beijá-lo. Sua mão foi até a nuca dela, entrelaçando seus dedos com os cachos. A outra mão a puxava pela cintura. Começou a andar com ela, até alcançarem a mesa. Sentiu que ela percorria as suas costas sobre a camisa.


Draco tinha em seu pensamento cada curva que pôde observar enquanto ela usava o vestido. Agora podia sentir. Seus lábios abandonaram os lábios dela e percorreram o maxilar, o pescoço.


- Muita ousadia aparecer com aquele vestido na companhia de outro homem na minha festa, Granger. – Hermione arrepiou-se ainda mais – Ele queria, não queria? Entrar no seu vestido? Responda-me, Granger.


Draco tinha aquele poder. Desde que ele entrara na sua sala meses atrás ela se via fazendo as vontades dele. Trabalhando para ele. Aceitando o caso dele. Perdendo-se nele.


- Sim, ele queria.


- E por que você não deixou? – ele tornou a perguntar. Sua mão possessivamente na coxa dela. A outra ainda nos cachos, prendendo o rosto dela próximo ao seu. Palavras sussurradas. Dente. Língua.


- Como sabe se não deixei, Malfoy?


- Eu sei.


Rapidamente, ele desabotoou a blusa dela revelando um sutiã preto. Ele tocou-a.


- E Parkinson?


- Não tenho nada com a Parkinson.


- Você estava com ela na festa.


- E você estava com o Krum. Já pedi que se calasse, Granger.


- Você que começou a conversa... Afinal, qual o problema com o maldito vestido?


- O problema é você usando um vestido daquele, nesse corpo para outro homem que não eu.


Ela riu e Draco afastou-se o suficiente para encarar os olhos castanhos.


- Era para você, Malfoy.


Aquela frase foi o disparador para que ele voltasse a beijá-la. Dessa vez, terminando de arrancar a blusa que ela vestia. Levantou-a e colocou-a sobre a mesa. Puxou a cintura dela para a sua. Queria fazer com que ela sentisse o quanto já estava excitado. O quanto a calça já o incomodava. O quanto... a desejava.


E Hermione gemeu. Sentiu a mão dele percorrendo seu corpo e desabotoando sua calça. A mão dela percorria o corpo alto e esguio de Draco. Ele tinha perdido o controle. Hermione jamais vira Draco perder o controle. Aquilo a excitava. Tirou a gravata dele. A camisa.


- Hermione – ele falou. O nome saindo de forma sonora e sensual. Era um lindo nome a ser pronunciado – Hermione... – repetiu entre os beijos. As roupas foram sendo retiradas e jogadas no chão. Na mesa. Pela sala dela.


Até estarem despidos. De roupas. De preconceitos. De máscaras. De mentiras. E de verdades.


- Draco... – ela murmurou. E o loiro terminou de jogar o que havia na mesa pelo chão, abrindo espaço para deitar o corpo dela. Para tê-la. Ali. Dele.


Beijava-a. Encaixava-se nela. Não de modo perfeito. Claro que não. Precisava se ajeitar. Precisava ajeitá-la. Como poderiam ser perfeitos sendo quem eram? Sendo Malfoy e Granger. Só que perfeição não importava. Importava apenas a plenitude dos sentimentos. E ele a penetrou. Encarou os olhos castanhos. Que o olhavam atentamente. Os grandes olhos castanhos escuros de desejo por ele. Draco Malfoy.


O corpo dela arqueava sob o dele. A mão percorrendo o peito definido. Pelos claros. Marcando-o com seus arranhões. A mão percorria a barriga. E as nádegas. Aprofundava o toque. Aprofundava-o dentro de si. E gemia o nome dele. Um nome antes proibido.


Draco sentia sua perna fraquejar. Seu corpo arder em desejo. O corpo dela. De Hermione. Da Granger. Da impura. Era ela que causava essas estranhas emoções. Emoções conflitantes. Por isso a fúria no seu movimento. Sentimentos opostos. Que não se completavam. Suor. Desejo. Raiva. Luxúria.


Hermione Granger.


Sentia o corpo dela. O seio dela em sua mão. Em sua boca. Tirou-a da mesa. Jogou-a no chão. Precisava sentir mais dela. Mais do corpo dela no seu.


Hermione virou. Ficando em cima. E sorriu. E viu o sorriso dele. Quando Draco sorria sem malícia? Sem ironia? Naquele momento. Era um sorriso de desarmar qualquer mulher. Mexeu-se sobre ele. Cavalgando-o. Fazendo com que ele gemesse e clamasse por ela. Apenas ela. A sangue suja Granger.


Uma eletricidade invadiu seu corpo.


Ele virou-a novamente. Ficando por cima.


Ela não lutou contra isso. Apenas deixou-se levar. E sentiu o corpo explodindo. Gritou. Draco. O auge do prazer invadindo-a. Sentiu as mãos dele em sua cintura. Fazendo com que ela continuasse o movimento.


E foi a vez dele.


Hermione.


E Draco teve uma certeza ao sentir o corpo dela deitar ao lado do seu: ele estava completamente fodido.


E tinha razão. Hermione vinha trabalhar em seu escritório, mas os encontros entre eles não se resumiam mais apenas em trabalho. E não havia apenas o escritório dele. Era no dela. Na casa dela. Na mansão dele.


Insanidade.


Era essa a palavra.


Insanidade.


---


- Malfoy.


- Não é mais Draco?


- Não quando você faz cagada. O que está escondendo de mim? – ela disse fechando a porta e sentando na cadeira, à frente dele.


Ele gelou. E por alguns segundos teve medo. Pânico. Não seria possível... Seria?


- C-Como assim? Escondendo?


- Conversei com os advogados de alguns clientes seus. E eles me mostraram uma planilha bem diferente da que temos aqui. Sinceridade. Pelo menos no campo profissional, Malfoy.


- Mas de que merda você está falando?


- Há desvio de dinheiro.


Draco ficou mais lívido. Isso não era possível.


- Isso não é possível.


- Ah não? – ela jogou os documentos sobre a mesa. – Eu pedi que todos documentos fossem entregues.


Ele os analisou. Havia algo errado.


- Gran- Hermione, isso está errado. Eu não desviei o dinheiro.


- E por que eu tenho essa sensação, essa impressão de que você está escondendo algo?


Ele sentiu algo estranho. Remorso?


- Talvez porque você pensa em mim apenas como um Malfoy manipulador. Eu não estou roubando.


Ele percebeu que a expressão dela suavizou. Levantou-se e deu a volta na mesa. Apoiou nos braços na cadeira e falou:


- Não estou escondendo nada, Hermione.


- Mesmo?


Mesmo? Draco Malfoy você é mesmo um grandessíssimo filho da puta.


- Mesmo – e beijou-a.


---


Hermione revisou e trabalho até altas horas. Seus amigos já a julgavam por  estar trabalhando com Draco, se soubessem o que mais estava havendo entre eles, na certa Ron e Harry lançariam diversas maldições imperdoáveis no loiro.


E Hermione sabia que estava entrando em um terreno perigoso. Sabia tudo começara para aplacar um desejo de ambos, só que ela também sabia que havia algo mais. Algo que ela sentia. Ela sabia que estava se apaixonando e que aquilo só traria sofrimento.


E sabia que esse sentimento estava escondendo algo. Algo que meses atrás ela quase descobrira, mas sumira de seus pensamentos.


Ela conseguira convencer boa parte dos queixosos a retirar as acusações, mas alguns deles tinham em mãos documentos que provavam o desvio. E, mesmo assim, ela acreditara nas palavras dele.


---


- O que você quer saber, Granger? – ele perguntou após percebeu que Hermione o olhava a cada cinco minutos.


- Semana que vem tem o baile do fim da guerra. Você vai?


- Sim. Vou. Uma obrigação, não é?


- Claro,...


- Pansy tem me deixado louco com a escolha da porcaria do vestido.


Silêncio.


- Ah.. Você vai com ela?


- Granger, você realmente não achou que íamos juntos, não é?


Novamente. O insulto. Sem intenção, mas um insulto.


E ele percebeu, mas calou-se. Sempre era possível ler as emoções no rosto de Hermione. Ao contrário dele. E aquilo o irritava. E o irritava por que ele pensava demais naquelas feições: na forma como ela falava o nome dele na hora do sexo, como ela levantava a sobrancelha quando escrevia algo que o livraria de mais um processo, da forma como ela sentava de forma desleixada no chão, tantos detalhes que só de pensar ele sentia seu coração acelerar de maneira estranha. Diferente.


- Claro que não – ela mentiu. Ele percebeu. E culpou-se. E Draco nunca havia se sentido culpado.


Ficaram trabalhando por mais um tempo em silêncio. Ele a observava.


- Tem algo... – ela murmurou.


- Algo?


- Algo nessa lista... Algo que os une, sabe? Um fato em comum? Mas, não consigo enxergar o que pode ser.


Ele engoliu em seco.


Ela não percebeu.


- Que tal deixar o trabalho para lá por um tempo? – suas palavras transbordavam malícia, no entanto, quando ela o olhou, Draco percebeu que ela estava magoada.


- Não... Quer dizer... Sim, mas eu vou embora. Rony e Harry vão jantar lá em casa hoje. – Hermione juntou suas coisas de forma rápida e nervosa – Até o Baile, Malfoy.


Ele a impediu de abrir a porta e perguntou, bem próximo, uma proximidade que não se permitia se havia mais alguém na sala:


- Como assim “até o Baile”? Precisamos trabalhar nesses documentos na próxima semana.


- Farei isso do Ministério. Preciso averiguar algumas coisas. E aqui – ela disse disfarçando sua decepção – Você me desconcentra... – ela o beijou e se separaram – Pronto, agora pode abrir a porta. Não há mais o risco de saberem que estamos juntos.


Ela disse uma verdade.


Uma dolorida verdade.


E partiu.


E Draco ficou. Com sua culpa e seu remorso. Bagunçou seus cabelos. Hermione entrou na sua vida trazendo sentimentos novos e conturbados. Sentimentos nunca sentidos. Sentimentos que o amedrontavam, pois tiravam sua razão.


***


Seu maior medo era que Hermione aparecesse com Krum. Ou outro bruxo. Será que ela iria acompanhada? Olhava para todos os lados ao entrar sem dar atenção às besteiras que Pansy falava. Ele só olhou para a sua acompanhante quando ouviu a palavra “casamento”.


- Como é? Quem vai se casar?


Ela riu escandalosamente.


- Como assim quem? Nós dois, oras. Minha mãe e Narcisa vão começar os preparativos no próximo mês.


- Nós nem namoramos, Pansy – Draco disse bebendo de seu uísque, olhando para a porta, olhando para ela e para o salão.


- Você está procurando alguém?


- Não.


- Ótimo. Nós fomos feitos um para o outro, Draco. Sabe que em famílias tradicionais bruxas não é necessário namoro. Além do mais já namoramos em Hogwarts.


- Por Merlin, Pansy! Isso tem anos! Não vou me casar com você. Pode esquecer essa ideia.


- Você sabe que não vou esquecer. Sei que anda comendo alguém por aí. Dispense-a antes do nosso casamento. Não aceitarei traições.


- Eu não ando comendo ninguém. Que linguajar é esse? – ele disse irritado. – Não vamos conversar sobre esse não-casamento agora. Segunda-feira resolvemos isso. Você consegue me tirar do sério, Pansy! – ele disse nervoso – Eu já volto! Por favor, não me siga!


E saiu afastando a cadeira com raiva.


Viu Potter chegar acompanhado da mulher, Gina Weasley. Gina Potter. Rony e Gabrielle. Os outros tantos Weasley. E, mais atrás, Hermione Granger. Sozinha.


Ele sorriu. Seu coração acelerou. Por que estava tão feliz de vê-la sem acompanhante?


E desde quando sorria quando via Hermione Granger? Ou desde quando sentia o coração bater de forma descompassada?


Porém, aquela alegria durou pouco.


Instantes depois viu um negro alto aproximar-se por trás dela e envolvê-la pela cintura. Sussurrou algo no ouvido que a fez sorrir. Quem era ele? Draco sabia que era de Hogwarts, mas não conseguia lembrar-se do nome do imbecil. Claro que Pansy saberia, mas se perguntasse levantaria suspeitas. A última coisa que precisava agora era Parkinson sabendo do seu envolvimento com Hermione.


Seus olhos se encontram com os de Hermione. Ela poderia ser uma grifinória, mas sabia muito bem como provocar alguém. E Draco reconheceu a provocação ao vê-la com um vestido similar ao outro. Só que esse era verde. E prata. E não era ele que a abraçava ou murmurava palavras em seu ouvido.


Ele viu não o ódio, mas a mágoa nos olhos dela. E aquilo era pior que a raiva que ela dirigia a ele nos primeiros encontros. O grupo passou diretamente por ele. Draco seguiu-os com o olhar. O vestido tinha um grande decote atrás, onde a mão do acompanhante dela repousava de forma muito intima na opinião do loiro.


Aliás, para ele, qualquer toque em sua advogada era muito íntimo.


Ainda mais irritado, voltou para sua mesa.


- Não sabia que a Granger estava saindo com o Jordan.


- Quem?


- Jordan. Era locutor nas partidas de quadribol em Hogwarts, hoje faz isso profissionalmente. Achei que acompanhasse mais quadribol.


Lino Jordan.


- Eu não lembrava o rosto dele, Pansy – ele disse sem disfarçar seu mau humor. Os olhos fixos na mesa de Hermione.


***


- Obrigada pelo convite, Lino – Hermione falou.


- Imagina. Achei que alguém já teria a convidado. Quando os gêmeos me contaram que estava sem acompanhante eu não acreditei. Pensei que viria com Krum.- conversavam de modo que apenas eles se ouvissem.


- Krum é apenas um amigo. E ele está na Bulgária no momento. – Hermione na verdade tivera alguns convites, como o de Cormaco. Porém imaginou que se tivesse dito à Lino que recusara convites anteriores, mas aceitara o dele, o rapaz poderia ter a impressão errada sobre toda a situação.


E, na verdade, a errada era ela. Ela sabia que Draco não a convidaria, só que imaginou que ambos poderiam ir desacompanhados. Um acordo sem palavras. Só que as coisas não funcionavam dessa forma no mundo de Malfoy e ela deveria saber.


Propositalmente sentou-se de costas. Não queria vê-lo com Pansy. Não queria vê-lo.


- Está tudo bem? – a pergunta de Lino a trouxe para a realidade. Ela deu um leve aceno de cabeça – Quer beber alguma coisa? – ele perguntou um pouco mais alto.


- Vinho tinto seco – ela falou sorrindo. Lino Jordan fez um aceno e um garçom chegou.


- Ahh Linozinho e para nós? – Fred começou.


- Não vai oferecer nada? – Jorge completou. Hermione corou, mas Lino, acostumado com as provocações, apenas ignorou. Os gêmeos riram.


- Não ligue para eles – falou olhando Hermione e ainda ignorando os amigos – Só estão fazendo piadinhas por que Angelina e Katie estão no banheiro.


Após conversa, o discurso anual, as palmas, a comida e toda a burocracia que acontecia nessa comemoração, a pista foi aberta. E, novamente, Draco recusara-se a dançar com Pansy. E, novamente, ele viu Hermione seguindo para a pista.


Só que, dessa vez, ele não era o anfitrião. Nem ela sua convidada. O relacionamento deles era puramente profissional para os outros. E, na certa, não faltavam varinhas para azará-lo. Restava observá-la ao longe.


- Venha, vamos dançar, Hermione – Lino falou levantando-se e puxando-a pela mão. Ela o seguiu e, ao levantar-se, lançou um rápido olhar para Draco. Enciumado, mesmo que não assumisse, ele recostou-se na cadeira e passou a mão sobre o ombro de Pansy, pensando que, talvez, não fosse uma má ideia dançar.


E logo que Hermione chegou à pista com Lino, ele percebeu uma coisa: aquele cara sabia dançar bem. Muito bem. Sabia como conduzir Hermione. Acompanhar cada rebolada dela. Sabia como segurá-la e girá-la com segurança. Em alguns momentos, a mão dele segurava com firmeza na parte de baixo das costas, mantendo-a presa perto de si. Os corpos encaixados de forma sensual. Algumas pessoas ao redor afastaram-se para observá-los.


Nessa hora, Draco já estava em pé, arrastando uma Pansy aturdida. Mas ele queria ver melhor o que estava acontecendo naquela maldita pista.


Os corpos mexiam-se acompanhando perfeitamente a batida da música. Acompanhando perfeitamente um o corpo do outro. Lino a virou. Fazendo com que as costas dela encostassem com a frente de seu corpo. As mãos dele envolviam-na pela cintura, enquanto as dela estavam elevadas para cima, segurando a nuca dele. Um movimento erótico.


Draco fechou os punhos. E invadiu a pista.


- Granger – ele a puxou sem delicadeza nenhuma. Lino agiu rápido e o segurou pelo braço:


- O que pensa que está fazendo, Malfoy?


- Não crie nenhuma cena! Todos estão olhando! – Hermione falou.


- Todos estão olhando para você dançando dessa forma absurda com esse fulaninho!


- Fulaninho, não! Eu tenho nome! – Lino deu um passo para frente. Hermione entre eles.


- Parem com isso. Draco – ela falou o primeiro nome dele sem nem se dar conta – O que pensa que está fazendo?


A reposta lógica seria que Draco Malfoy não estava pensando, por isso agira.


Só que ele voltou a si. Ele estava parado. No meio do salão. Segurando Hermione com uma mão, a outra indo em direção à varinha. Vira que os amigos dela, Potter e Weasley, se aproximavam.


- O que pensa que está fazendo, Malfoy?


Ele sabia que resposta ela esperava. E ele sabia que ela também sabia que ele não poderia corresponder às suas expectativas. Ele era um completo idiota.


- Você agora representa minha companhia. Não pode ser vista agindo desse jeito... Como uma... qualquer.


A reação não veio dela. Mas de Jordan, que desferiu um soco no rosto do loiro. Ele foi ao chão com a força do impacto e, antes que mais danos fossem causados, os dois foram separados.


Ele olhou para Hermione achando que veria novamente o olhar triste. Chateado. Era um filho da puta. Tinha praticamente a chamado de... Vagabunda? Então por que ela o olhava tão... Intensamente?


Para variar, ignorou os protestos de Pansy dizendo algo como: “Você é bruxo, aparate”.


Precisava respirar. O ar estava frio do lado de fora. Respirou fundo. Uma. Duas vezes. O rosto latejava de dor. Seu peito também doía. Como podia ter falado aquelas coisas? Como podia ter perdido a razão...


Sentiu uma mão no seu ombro e virou bruscamente, gritando:


- AGORA NÃO, PANSY! – então ele respirou fundo. Sua expressão mudou. – Hermione...


Ele viu a varinha apontada para si e deu um passo para trás. Uma coisa que nunca duvidou e tampouco assumiu é que ela era uma excelente bruxa. O que será que escreveriam em sua lápide?


- Nem pense em dar mais um único passo, Malfoy. – ele parou.


Hermione andou até ele, segurou-o com firmeza e aparatou.


Draco fechou os olhos em algum momento. Quando os abriu, depois de sentir a sensação de aparatação, pensou que Hermione decidiu matá-lo sem deixar evidências por isso estava na casa dela.


- Você é um completo idiota, imbecil, babaca e filho da puta, Draco Malfoy!


Hermione dizia enquanto empurrava  e estapeava o loiro. A varinha ainda apontada para ele.


- Ei! – ele disse tentando se defender.


- Você daria um belo caso para Sigmund Freud, seu abestalhado! Você sofre de transtorno bipolar, por algum acaso?


- Quê? Freud? Bipolar? – Draco dizia sem entender enquanto caminhava para trás. Ela parecia não ouvi-lo, continuando a falar.


- Uma hora tem ciúme do Krum que, por acaso, é apenas meu amigo. Outra hora me atira na sua mesa e fazemos sexo loucamente. Depois parece esconder coisas de mim. Aí fazemos amor mais uma vez. Você sofre de esquizofrenia?


- Como? – ele perguntava sem entender. Ela continuava seu discurso. Draco nunca vira Hermione daquele jeito. E, aquilo, o estava excitando.


- Sei que não estamos namorando, mas poderíamos ir desacompanhados, mas nãoooo... Não o grande Draco Malfoy! – ela continuava com a varinha em riste e empurrando-o – Você chama a Parkinson! Parkinson, por Merlin! Novamente deve ter achado que eu iria sozinha e ousado pensar que me agarraria no banheiro, não é? – ela não parava de falar, ele parou quando sentiu a parede às suas costas – Já sei! Você é boderline? Sem dúvida deixaria um psiquiatra rico, Malfoy!


Draco não entendeu metade das palavras que ela falou. Não tinha ideia de quem era o tal do Freud, o que era um psiquiatra e nem sabia se sofria de todas aquelas doenças com nomes estranhos que ela falara, mas gostara muito daquele jeito que ainda não conhecia de Hermione.


- Você sabe que não entendi metade do que falou – ele afirmou o que pensava. Ela o ignorou.


- E aí você invade a pista! E começa uma briga com o Lino e depois fala aquela ofensa! Você é um ridículo, sabia?


Ele só entendia os xingamentos. Sorriu de lado. Ela continuou:


- É um ridículo covarde que não tem coragem de assumir que sente ciúmes de mim!


Draco olhou-a intensamente. Ela tinha razão. Ciúmes. Num movimento rápido, segurou o punho esquerdo dela, puxando-a para perto.


- Solte sua varinha. Agora. – ela abaixou a mão, mas ainda tinha o objeto entre os dedos – Isso mesmo, Granger. Sinto ciúmes de você. E você me provoca. Sei que me provoca. Esse vestido é a prova disso. Para mim novamente? – ele perguntou levantando uma sobrancelha.


- Não, Malfoy. Para mim – ela mentiu. Ele riu sonoramente. Risada irônica.


- Mentira. Verde e prata. – Draco desceu os olhos para o decote. – Foi para mim. Estou assumindo meu ciúme. Assumindo que quero ter você apenas para mim. Assuma que comprou esse vestido pensando em mim. Assuma que enquanto dançava com o Jordan imaginava que era eu tocando o seu corpo – a outra mão dele percorreu a lateral do corpo dela. Descendo. Depois subindo até parar na lateral do seio. – Assuma, Hermione – ele disse as últimas palavras num sussurro. Seu corpo inclinado. Seus lábios roçando os dela. Ele alcançou a mão dela e retirou a varinha. Jogando-a em qualquer lugar. Depois, girou-a, prensando-a contra a parede.


Hermione arfou ao sentir tal proximidade. Um gemido morreu em seus lábios. Os olhos cinza brilhavam de desejo. Agora, ambas as mãos percorriam seu corpo sobre o vestido. Tocando-a superficialmente. A boca dele distribuía beijos ao longo do maxilar, no canto dos lábios.


- Foi... por mim... Gosto de verde.


Ele soltou o ar no pescoço dela. Hermione sentiu as pernas bambearem. Depois, a língua quente dele passou pelo pescoço, chegando à orelha.


- Hermione,... Você é uma péssima mentirosa.


A mão dele foi rapidamente até o seio, pressionando-o. Ainda sobre o vestido.


- Foi... por mim...


- Sua teimosia é realmente irritante, Granger. – Draco falou numa voz arrastada. Rouca. Sedutoramente perigosa – Por enquanto, apenas por enquanto, vou fingir que acredito em você. – ele aproximou ainda mais sua cintura da dela. Hermione sentindo a excitação. – Apenas por que você conseguiu, mais uma vez, me deixar completamente fora de mim.


***


Draco acordou sem saber quando tinha realmente dormido. Ficou horas acordado. Seu corpo aninhado ao de Hermione. O cheiro dela o deixava inebriado. O corpo dela era uma perdição. Tudo nela era sinônimo de problemas para seu jeito controlado. Ele realmente já estava até o pescoço em problemas. Pansy era um deles. O caso era outro. Logo ela descobriria a verdade.


Não queria mexer-se. Sua mão estava repousada na cintura dela. Alguns feixes de luz entravam pelas frestas da janela. Sentiu-a mexer-se. Seu corpo congelou. Não queria que aquele momento acabasse. A mão de Hermione procurou pela sua e seus dedos se entrelaçaram. Aquilo era muito mais íntimo que sexo, na opinião de Draco Malfoy.


Ela murmurou algumas palavras incompreensíveis. Draco permitiu fechar os olhos mais uma vez. Queria apenas senti-la. Os corpos nus. A pele quente dela contra a dele.


- Você chegou a dormir? –a  voz sonolenta dela perguntou.


- Sim –  respondeu. Sentiu Hermione mexendo-se e queria impedir que ela saísse do seu abraço. Ela virou-se e o encarou.


- Eu usei o vestido para você.


Ele sorriu. Hermione gostava do sorriso sincero dele, por mais escassos que fossem. Draco percebeu que o olhar dela tornou-se sério. As sobrancelhas franzidas.


- Sabe por que eu tive tanto ódio de você por não ter feito nada na sua Mansão quando fomos capturados na época da guerra?


Ela revelaria um segredo. Ele já tinha revelado alguns, ao revelar-se tão impotente diante dela. Quer dizer, ela deveria achar que era um segredo. Lembrou-se da conversa de tantos meses antes quando ela pediu que ele não falasse de Greyback.


- Eu sei que Greyback quase te mordeu, Granger. Acho que não precisamos retomar isso aqui. Especialmente agora.


- Ele abusou de mim, Malfoy.


Draco sentiu o corpo enrijecer-se. Não se lembrava de sentir tanto ódio. Queria que ela se calasse.


- Quando você saiu para buscar Harry e Rony. Sua tia deixou-o comigo. Ele me tocou. Tocou... – ela respirou fundo – Ele não chegou a... – Hermione fechou os olhos – Só que as mãos dele...


Draco a calou, puxando-a para si. Se Fenrir não estivesse morto, teria o matado. Apoiou a cabeça em seu peito com a certeza que ela podia sentir seu coração batendo acelerado.


Sem segredos.


- Está sentindo meu coração, Granger? Apenas por você ele bate de forma tão descompassada.


Pena que ele não estava pronto para revelar todos seus segredos.


***


A porta abriu-se de forma repentina e Draco pulou de seu lugar.


- Veja, Draco! – ela disse mostrando-lhe um documento oficial – Mais três proprietários retiraram suas queixas!


- Sério? – ele perguntou animado.


- Sim. Eles tinham uma documentação não atualizada sobre as suas finanças. Eles tinham uma planilha. A empresa, outra. Aliás, você precisa falar com o responsável desse departamento.


Draco a beijou.


Não, o relacionamento deles ainda não era público. Só que a troca de carinho entre eles era feita de forma mais espontânea.


Ela sentou-se no chão, riscando da sua lista três nomes.


- Draco – Hermione perguntou após alguns instantes – Você nunca parou para pensar por que exatamente esse grupo de empresários resolveu processar você?


Merda.


- Não, não exatamente. Isso não tem importância.


- Claro que tem. O pior é que eu sinto que está aqui... Na minha frente e eu não consigo enxergar.


- Deixa isso para lá. O importante – Draco falou levantando-se e caminhando até ela – É as acusações estarem sendo retiradas. Obrigado por acreditar em mim.


***


- Só queria informar as senhoras – Draco falou após colocar o guardanapo de pano sobre a mesa – Que não vou casar com Pansy. – ele impediu que sua mãe continuasse a falar. Ou qualquer uma das mulheres – Somos sim duas tradicionais famílias bruxas, porém os tempos são outros.


- Isso é um insulto. Venha, minha filha – a senhora Parkinson disse levantando-se. Porém, Pansy não se levantou.


- Draco, tenha calma. Os Parkinson pertencem a...


- Mãe! O assunto está encerrado. Senhoras – ele fez um gesto exagerado e saiu. Logo, foi puxado por Pansy.


- Isso não acaba aqui, Draco.


- Sim, acaba – ele disse.


- Você acha que sou burra, não é?


- Na verdade, não. – ele respondeu sincero – Você é bem inteligente para manipulações.


Pansy riu.


- E você não? Acha que não sei a real razão por estar me dispensando.


- Eu já falei a real razão – ele virou-se e continuou a ir em direção à saída da casa dela, mas parou quando ouviu.


- Eu sei que é por causa da Granger – Draco pensou que o melhor seria ignorar. Por isso voltou a caminhar até ouvir – E sei qual a verdadeira razão para ter contratado justamente ela como advogada.


- Do quê está falando?


- Ahhh! Vejo que consegui sua atenção. – Draco diminuiu a distância entre eles e a pegou pelo braço, apertando-a


- Do que está falando? Você não sabe nada sobre isso, Pansy! Cale-se e não volte a me procurar – o loiro falou entredentes. A raiva percorrendo seu corpo.


- Sim, eu sei. Esqueceu com quem meu pai tinha negócios? Chegaram alguns boatos aos meus ouvidos.  Agora... Me diga uma coisa... Você já contou a ela?


Silêncio da parte dele. Ela riu.


- Você realmente se importa com ela, Draco! Que história meiga. Mas isso não é conto de bruxos e fadas. Isso não terá o final feliz que a sangue-ruim sonha – ele apertou-a ainda mais ao ouvir o xingamento.


- Está preparado para quebrar o coração dela? Como será que ela vai reagir quando souber o real motivo para a contratação? Acha mesmo que ela vai continuar com você?


Não, ela não ia.


Como ele poderia continuar com ela escondendo aquele segredo? Tudo começou pelo motivo errado, apesar dela ser uma ótima escolha como advogada. Naquela época jamais ela teria sido sua primeira opção.


Jamais.


E ele sabia que ela pensaria que tudo fazia parte do plano.


Afinal ele era um sonserino.


Ele era um Malfoy. O garoto que permitiu que ela fosse torturada sob seu teto. O garoto que permitiu que ela quase fosse estuprada. O homem que a manipulou com palavras apenas para ter seu nome limpo. Para alcançar seus objetivos.


- Quanto você quer para ficar calada?


Pansy riu.


- Você. Meu preço é você casado comigo. O caso terminou. Você está limpo, ela não descobriu a verdade. Termine com ela e a deixe feliz na ignorância. Case comigo.


Draco sentiu o chão abrir-se sobre seus pés. Pansy enfiou a mão nas vestes e tirou um par de alianças.


- Qual sua escolha, Malfoy?


FIM DO FLASHBACK


***


Você já deve ter imaginado a minha escolha ao saber que carrego uma aliança no meu dedo. E ao ver como Hermione tem me tratado. O barulho do chuveiro ainda se fazia presente. Sentei no sofá pensando se eu teria como resolver aquela situação. Tinha cerca de dois meses que estava sem ver Hermione.


Quando terminei com ela, explicando que não estava preparado para assumir um relacionamento com uma nascida trouxa e que pediria Pansy em casamento, achei que meu coração fosse parar de bater quando vi os olhos castanhos entristecidos de Hermione. Vi como, silenciosamente, as lágrimas escorreram pelo seu rosto. Vi como ela juntou as poucas coisas dela que havia em minha casa. Observei calado e mascarando todos meus sentimentos como ela procurava palavras para entender o que eu estava fazendo. E vi como ela partiu magoada.


Imaginei, enganando a mim mesmo, que eu a esqueceria. Impossível. A presença de Pansy me irritava. A voz, seus carinhos fingidos, o casamento de mentira. Como eu podia sair das garras do meu pai, de Voldemort e cair nas armadilhas de Pansy Parkinson?


Eu era Draco Malfoy. Por isso juntando toda minha (pouca) coragem invadi a sala dela. Eu sabia que a perderia novamente. Que novamente eu veria aquele olhar magoado. Só que eu não poderia continuar minha vida com Pansy, sabendo que minha vida era com outra mulher.


O barulho do chuveiro cessou.


Comecei andar de um lado para o outro. Esperei mais alguns minutos. Muitos longos minutos intermináveis. Ela deveria estar se arrumando. Encontraria com os dois amigos babacas. E Jordan. E McLaggen. Senti o ciúme percorrer meu corpo. Respirei fundo. Minha jogada era arriscada.


- Malfoy.


O tom dela era de surpresa.


- Não terminamos nossa conversa.


- Nós não temos nada para conversar – com um movimento rápido, eu já estava preparado, tirei a varinha dela com um feitiço.


- Se eu me atrasar, Harry e Rony virão ver o que aconteceu.


- Eles que venham, Granger – eu disse encarando-a. Lutava contra mim mesmo. Ficar no lugar ou beijá-la, mostrando que ela ainda é minha – Que apareça também Jordan e McLaggen – mostrando que eu ainda era dela.


- Malfoy – ela disse com o tom agora mais calmo, entristecido – Você fez sua escolha.


- Como eu disse, você não sabe da minha escolha. Das minhas escolhas. Eu cometi um erro, Hermione.


- Só um? – ela perguntou irônica.


- Muitos – confessei – Droga...- ela me olhava irritada. Triste. Apaixonada – Não vou fazer o discurso que você mudou minha vida. Você sabe disso.


- Não sei. Você me trocou pela Pansy no final.


- Esse não é o final – eu disse – Você mudou minha vida. Nunca tinha sentido o que senti... O que sinto por você. Está entendendo onde quero chegar?


- Não – claro, ela não facilitaria para mim.


- Eu me apaixonei por você.


- Não sabia que sonserinos demonstravam seus sentimentos por uma mulher, casando com outra.


Aquilo me irritou. Eu estava tentando me desculpar. Isso não é fácil para mim.


- Pode parar por alguns minutos com a ironia, Hermione? Estou tentando me desculpar aqui e explicar a história toda. Desde o começo. Desde... – passei a mão pelo cabelo – Desde o momento que decidi contratá-la como minha advogada.


Aquilo a fez sentar-se. Ela cruzou as pernas. Hermione estava linda. E, dessa vez, não era para mim. Sentei-me também mantendo uma distância segura (para ela). Seu pé começou a balançar. Sinal que ela estava nervosa. Tirei do meu bolso a lista que ela havia feito das empresas e entreguei para ela.


- Por que está me dando isso?


- Você sempre quis saber o motivo de algumas empresas me acusarem e outras não. Tantas vezes você chegou perto do motivo... E cada vez eu ficava feliz e triste por você não descobrir, pois eu fui muito covarde por não contar-lhe a verdade.


- Qual verdade?


- Eles me disseram informalmente, afinal algo que o Ministério vem combatendo é o preconceito.


- O que preconceito tem a ver com super faturamento, Malfoy?


- As empresas que me acusaram são empresas dirigidas, administradas e/ou com grande número de funcionários nascidos trouxas – eu vi que ela começou a compreender, mas continuei – Acredito que ao verem quem era minha advogada eles não ousaram usar isso como argumento. E foi por isso que a escolhi para me representar. Eu precisava de uma boa advogada. Mas precisava ser você. Hermione Granger defendendo Draco Malfoy. Minha escolha, a princípio, foi simplesmente política. – respirei fundo e disse a verdade. A verdade daquele passado babaca em que eu vivia – Apenas a escolhi por que precisava de uma nascida trouxa me defendendo.


Ela levantou-se. Eu também. Hermione aproximou-se de mim e me deu um tapa. Eu merecia. Sua mão tremia. Seu corpo tremia.


- C-como pôde...? Então tudo... Tudo...


- Não, Hermione! – eu a interrompi quando percebi o que ela queria dizer – Eu fiquei com você por que quis. Isso não teve nada a ver com sua contratação! Eu... Não conseguia parar de pensar em você, depois em beijar você,...


- Eu te perguntei tantas vezes, Malfoy! Tantas!


- Eu sei, Hermione! Eu sei! Por favor...


- Vá embora. Você veio aqui para quê?  Para dizer isso e depois se casar com Parkinson? É algum tipo de jogo me ver sofrendo?


- Não! – eu tentei me aproximar. Sentia falta dela – Parkinson me chantageou. Ela iria te contar a menos que eu me casasse com ela.


- Você poderia ter me contado. Simples, Malfoy – sentia falta dela falar meu nome.


- As coisas simples para você, não são simples para mim. Achei que não me perdoaria.


- Está certíssimo quanto a isso – vi que ela estava tentando se controlar – E por que apareceu hoje? Justo hoje para explicar-se?


- Porque não aguento mais ficar sem você. Porque não suporto esse peso. Essa culpa. E vim hoje – eu disse tirando a aliança do meu dedo – Para entregar isso a você. Eu não estou mais com a Pansy. Terminei. Terminei o que nem tinha começado. Eu vim hoje porque sei que é seu aniversário. Quero recomeçar com você. Hoje, Hermione.


Eu dei um passo na direção. Puxei-a pela mão e coloquei a aliança na mão dela.


- A aliança é sua – ela disse.


- Não é de ninguém. Queime-a. Jogue-a no lixo. Eu não quero isso em meu dedo. Não quero Pansy em minha vida – meus dedos seguraram o punho dela – Eu quero você de volta, Hermione.


- Draco,... – ela dizer aquilo era uma pequena vitória. – É muita coisa...


- Estou pedindo apenas uma chance. – puxei-a para perto – Sem segredos, Hermione – inclinei e sussurrei em seu ouvido – Estou apaixonado por você. E pode ter certeza de uma coisa: se você deixou de gostar de mim, eu vou te reconquistar novamente. A cada dia. A cada minuto.


O corpo dela relaxou.


- Eu ainda... Ainda não posso, Draco.


- Entendo – eu realmente entendi, mas aquilo doeu.


- Será que podemos conversar outra hora? Meus amigos estão me esperando no Knight Flying.


- Tudo bem. – eu disse sabendo que não estava tudo bem. Ela abriu a mão com a aliança. Depois, jogou na lareira. Sorriu. Eu tinha uma pequena esperança. Devolvi a varinha para ela.


- Eu mando uma coruja para você – ela fez um gesto com a varinha – Você pode desaparatar.


Acenei e sumi com um giro, mas não fui para casa.


***


Hermione chegou e encontrou seus amigos conversando, mas levemente preocupados.


- O que houve? – Lino foi o primeiro a perguntar.


- Nada. Apenas me atrasei com alguns documentos no Ministério. Desculpem o atraso – ela sorriu timidamente. Detestava mentir.


Todos começaram a cumprimentá-la, desejar os parabéns. Abraçá-la. Recebeu uma taça de Lino que ignorava os olhares mortais de McLaggen. Ela estava de costas para porta quando percebeu que seus amigos fizeram silêncio, olhando algum ponto atrás de si. Ela virou-se e quase derrubou a bebida:


- Malfoy!


- Feliz aniversário, Hermione – ele disse beijando-a no rosto bem próximo aos lábios. O corpo dela arrepiou-se.


- O-o que faz aqui?


Sem se importar com os amigos de Hermione, ele disse:


- Ué... Eu falei que te reconquistaria – Draco olhou sobre o ombro dela e viu que Harry e Rony eram contidos pelas mulheres. Sorriu ironicamente dando um leve aceno de cabeça, depois disse – Potter. Weasley. Boa noite.


- Acredito que você não foi convidado, Malfoy – Lino falou aproximando-se de Hermione.


- Hermione sabe que não preciso de convites para aparecer. Seu presente – ele puxou uma pequena caixa das vestes, com sua varinha fez com que ela aumentasse de tamanho.


Desconfiada, ela abriu o embrulho. Era uma edição limitada e comentada de “Hogwarts – uma história”. Edição que foi complementada por comentários de antigos diretores entrevistados em seus quadros. Poucas edições foram disponibilizadas e todas muito caras.


- Eu não posso aceitar – ela disse segurando o livro com força.


- Você não pode recusar um presente.  Quando lançou, semanas atrás, comprei para você.


- Espera! – Harry levantou-se, empurrando a mesa – O que está havendo?


- Harry, não posso explicar agora.


- Mas, mas...  Ele aparece aqui... Assim... – então Harry pareceu entender. Entendeu toda a alegria da amiga e depois toda sua tristeza. Ficou quieto e falou – Vamos dançar, Gina.


Realmente ele não estava bem chamando Gina para dançar. Ele nunca dançava. Rony foi atrás do amigo querendo entender o que se passava.


Jordan abriu a boca para convidar Hermione para dançar, mas Draco adiantou-se:


- Dessa vez não, Jordan.


Draco puxou Hermione para pista. Queria deixar um ponto bem claro: a partir daquele dia ele seria o único parceiro de dança da morena.


***


EPÍLOGO


Draco aparatou com Hermione direto no quarto. Jogando-a na cama e exigindo seu corpo. Ela não poderia fazer outra coisa senão obedecer. Deixou que Draco rasgasse seu vestido.


- Juro, Hermione, esses seus vestidos...


Ela riu de lado. Um sorriso muito Malfoyniano na opinião dele. Que ficava extremamente sexy nos lábios dela.


- Ainda bem que somos bruxos. Você sempre os rasga – Hermione falou ao ver que a peça estava sendo desfeita pelas mãos ávidas de Draco. Ele beijou-a, fazendo com ela se calasse. Sua mão tocando o seio dela, para pouco depois sua boca fazer o mesmo. Jogou-a na cama.


Tirou suas roupas rapidamente.


Hermione percorreu o corpo dele. Tocando-o. Sentindo-o. Suas pernas abriram-se para recebê-lo. Sentia a excitação dele sobre a calcinha. Molhada.


- Hermione... Olha o que faz comigo com um simples beijo...


- Parece que entre nós não existe um simples beijo, Draco.


- Entre nós nada é simples – ele disse. Ela concordou em silêncio.


Mais peças de roupa rasgadas.


Ela inverteu as posições.


- Eu por cima, Malfoy.


- No fundo é você quem manda, Granger.


Ela riu e sussurrou:


- Só você para ainda me chamar assim.


A sincronia que havia entre eles fez com que se movimentassem num ritmo único. Deles. Hermione apoiou a mão no peito de Draco. Sua cabeça pendeu para trás. Seus olhos se fecharam.


Draco manteve os olhos abertos. Gostava de observá-la.


Gozaram juntos. Ela caiu ao lado dele.


O sol já começava a lançar os primeiros raios sobre o quarto. Draco puxou Hermione para si. Mais perto ainda. Sua mão na cintura dela.


Não sabem quanto tempo adormeceram, mas foram despertados pelo melhor som na opinião deles. A porta quase vindo abaixo:


- MAMÃE!!! PAPAI!!! MAMÃE!!! PAPAI!!! MAMÃE!!! PAPAI!!!


- Dormimos o quê? Trinta minutos? – Draco falou procurando o relógio.


- Uns vinte...


 - MAMÃE!!! PAPAI!!! MAMÃE!!! PAPAI!!! MAMÃE!!! PAPAI!!!


Eles levantaram-se e colocaram rapidamente um pijama. Com um aceno de varinha, Draco desfez o feitiço que trancava a porta. Seus filhos entraram correndo.


- MAMÃE!!! PAPAI!!! MAMÃE!!! PAPAI!!! MAMÃE!!! PAPAI!!! – continuava a gritar ao pular na cama.


- Vocês deveriam arranjar em emprego de despertador – Draco falou puxando uma garota para seu colo.


- Não quero ser um despertador, papai – a bruxinha de quatro anos falou. As feições bravas com os olhos castanhos muito sérios. Ela arrumou os cabelos loiros cacheados e cruzou os braços, brava com a brincadeira.


- Você vai ser um despertador e vai ficar morando em cima de uma mesa – seu irmão a provocou. Ele tinha os olhos do pai, mas seu cabelo era castanho. Tinha sete anos e seu passatempo preferido era provocar a irmã caçula.


- Não vou, não! Não vou, não é, mamãe? Caleb está mentindo, não está? – ela perguntou fazendo bico.


- Claro que está – Hermione respondeu. Draco puxou o filho para seu colo também. Hermione sorriu.


- Por que acordam tão cedo? – Draco perguntou deitando com os dois.


- É a Brianna! Ela que veio me acordar!


- É culpa do Sol! – a menina falou – Bate sol no meu quarto.


- Então vou colocar um feitiço para deixar o quarto escuro até o meio dia! – Draco disse rindo.


- Eu acho uma boa ideia – Caleb disse. Mas só no quarto dela.


- Que tal um café da manhã? Alguém aqui está com fome? – Hermione perguntou.


As duas crianças começaram a pular na cama, Hermione pensou em impedir. Draco fez um sinal para que ela deixasse. Apanhara tanto do seu pai por pular na cama... Que mal fazia uma brincadeira como aquela?


Ela assentiu e viu os dois pularem para o chão e saírem correndo e gritando em direção à cozinha.


- Nada de dormir até o meio dia pelos próximos sete anos. – Draco falou beijando a esposa na testa.


- Na verdade... eu diria que pelos próximos 11 anos.


Os olhos dele se arregalaram, olhando para a barriga dela. Abraçou-a com força. Nunca tinha sido tão feliz.


---


N.A.: essa foi uma fic de presente de aniversário para minha grande amiga, Maris. Uma fic que ganhou forma, tamanho... Me deu vontade de fazê-la long, mas já tenho muitas em andamento... Espero de coração que ela tenha gostado! E as leitoras também!!!! Sei que em determinado momento a história se acelerou, mas já estava na hora de terminar!


N.B: Na verdade, eu ganhei dois grandes presentes: a fic e o prazer de beta-la. E sinceramente não sei o que dizer. Lembro-me quando comecei a betar a primeira fic da Artemis, Amor Improvável, meio que informalmente...Eu lia os caps que ela postava, ia anotando no Word os erros e enviava pra ela no e-mail que ela tinha cadastrado no site. E assim se começou uma grande amizade que ultrapassou as fronteiras da web. Já se vão 3 anos...E hoje betando Segredos Revelados vejo como ela se tornou uma autora fodástica capaz de nos enlouquecer com toda sua escrita. Eu só tenho que agradecer: tanto a fic como sua amizade.


Bjos


Maris


N.A.2: Obrigada, Maris.....


 

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Comentários: 16

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Enviado por RiemiSam em 17/04/2013

Diálogos criativos e um timming perfeito dos personagens. Desse casal tão contrário um bom escritor sempre consegue fazer algo inusitado. Parabéns.

Nota: 5

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Enviado por Nikki W. Malfoy em 23/03/2012

suas fics são pereitas, amei ela
parabéns vc escreve mt, sem tirar que Draco e Mione são o casal perfeito neh!
Adorei a história, interessante, sincera... simplesmente PERFEITA!!! 

Nota: 5

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Enviado por The Daily Doll em 17/01/2012

Adorei sua fic, muito legal, meio rápida, mas ficou boa rsrs, e a parte que eu mais gosto é essa:
" - No chão? Isso é alguma brincadeira, Granger? Essa mesa e essas cadeiras são os melhores produtos do mundo bruxo. Apenas eu e mais quatro bruxos temos uma mesa como essa, você sabia? E essa cadeira que você está sentada foi fabricada e tecida com fios de ouro! Ouro, Granger.

 

- E você gasta dinheiro numa cadeira que tem fios de ouro para as pessoas colocarem a bunda? Por favor, Malfoy! – ela levantou-se e começou a juntar o material que estava trabalhando. Draco a olhava estupefato. Ela realmente sentaria no chão? "

Euri d+ quando ela questiona ele, eu mostro esse trecho pra todas as minhas amigas q conhecem HP, muito hilário.
Adorei a fic, parabéns e continue assim srs. 

Nota: 5

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Enviado por Aylane Cristina Macedo em 11/01/2012

Que perfeita! E o epílogo super lindo *---* Adorei ^^

Nota: 5

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Enviado por Larii Malfoy em 05/12/2011

Êê dona Artemis,sempre fazendo meus dias mais felizes *-*

Nunca perca a essência de escrever,isso é um dom que poucos tem!

Vôcê sabe que eu adoro suas fic's né?! haha Precisou pra qualquer coisa,grita pra mim (:

beijos!

Nota: 5

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Enviado por carolinabroad em 30/11/2011

Amei a fic!!! Muito fofa!

Nota: 1

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Enviado por juliana vieira em 28/11/2011

amei, muito fofa a historia

Nota: 1

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Enviado por Srta. Rouge em 25/11/2011

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaadoreeeeeeeeeeeeeeeei muito fofa *-*

 

Nota: 1

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Enviado por maísa malfoy em 25/11/2011

 

Não tinha lido o epílogo, ficou tão fofo! Amei, como todas as oneshots que você escreve, Artie. <3 

Nota: 5

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Enviado por Katie Black em 12/11/2011

Ameeei, muito linda e perfeita e maravilhosa!!!! O epílogo ficou incrível, e a fic mostrando também os pensamentos de Draco durante ela ficou ótimaa! Adooro suas fics, são realmete maravilhosas! Bjss :**

Nota: 5

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Enviado por M R C em 11/11/2011

linda história !
ótima linha temporal !
bela escrita!
parabéns ! ameiii muito =]

Nota: 5

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Enviado por Tonks Fenix em 11/11/2011

Não tem como não gostar de alguma coisa q vc escreve!

E como já tinha comentado ctg, um Draco cafajeste ng resiste! rs

Amei a história! E parabéns pra Maris, ainda que atrasado!!

Bjinhus Flor!

Nota: 5

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Enviado por Maris em 06/11/2011

Vc é linda Ju!

E vc tbm, Artemis!

Nota: 5

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Enviado por jessica salicio da silva em 06/11/2011

linda, linda, linda demais! Ai morri com o epilogo*-* 

Quero falar que mesmo tendo recebido spoiler dessa fic, agora a lendo pareceu tudo novo pra mim. Tudo tão encantador que chega a brilhar de uma forma maluca e mágica. Eu simplesmente adoro tudo dessa Artemis linda. 

morri, morri e morri mais umas mil vezes!

Nota: 5

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Enviado por Ju Fernandes em 06/11/2011

Ai que linda fic! Que lindo que lindo que lindo! Amei, Artemis! Emocioneeeei! Não sei se com a fic ou se com o comentário da Maris! Isso me lembra da Criiis! Hihihi Embora nós duas nos tratemos um pouco menos cordialmente, tipo vagaba, lesada... hahahaha Mas é o mesmo caso, só que ainda preciso arrumar um dinheiro pra ir pra Manaus pq é chao! hahahaha Amo vcs, suas lindas! QUE FIC LINDA, DE NOVO! RS

Beijos

Nota: 5

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Enviado por Larissa do Amaral em 06/11/2011

O PRIMEIRO COMENTÁRIO É MEUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!
SIMPLISMESNTE ADOREI, FICOU LINDAAAA E ENVOLVENTE E TÃO TÃO TÃOOOOO TÃO! AHHH MAMIS VC É SENSACIONAL, FICO APAIXONADA EM CADA HISTORIA SUA!
MARIS SUA CRETINA DE SORTE!!! ADOROU NEH FLOR? VC MERECE PQ TAMBEM É UMA AUTORA E LEITORA PERFEITA!!
BJOSSS PRAS MINHAS FLORES

Nota: 5

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