Escada
Autora - Ubiquirk
Tradução - Clau Snape
Beta reader – Fer Porcel
Degrau Quatro - Dele
30 de Agosto, 07:05 da noite
Eu bato na porta dela, e ela abre com um olhar de surpresa, ainda vestida em calças jeans rasgadas e uma camiseta excessivamente alegre como as que ela gosta de usar para trabalhar.
– Severo, você está adiantado. Eu não estou pronta ainda, então você terá simplesmente que esperar. – Ela tece um trajeto deliberado pela desordem do hall de entrada até a sala de estar.
Tonks já não é mais desajeitada. Ela não o fora desde a batalha final. É como se a parte tempestuosa que a permitia ser descuidada morresse com Lupin.
– Posso lhe oferecer uma bebida?
Com o meu assentimento, ela cruza até o aparador para servir whisky em um copo. A aparência dela é nova outra vez esta noite – um tanto baixa, mas pesadamente musculosa, com pele parda e o cabelo preto cacheado.
É como se ela já não quisesse ser ela mesma, e dada as suas habilidades especiais, ela pode manifestar fisicamente este desejo subconsciente.
Concomitantemente, ela já não se deixa experimentar emoção verdadeira. Ah, ela ainda ri e saltita, mas pouco disso toca o coração dela. Tendo feito o mesmo por anos, eu sou mais do que capaz de detectar tal fachada. Acredito que isso seja realmente porque ela está envolvida comigo – ela sabe que nunca me amará, nem eu a ela, e eu, conseqüentemente, não ofereço nenhum desafio a isolação emocional dela.
Shacklebolt, entretanto, parece mais do que desejoso em demolir as paredes do castelo dela – e de mais que uma maneira. Suponho que o meu afastamento lhe permitirá a abertura.
Que nobre. Como se isto não me livrasse também para outras buscas.
Ela gira, entrega-me a bebida, e move-se para sair da sala.
– Tonks.
Parando, ela me encara.
– Eu gostaria de falar com você.
– Isto não pode ser bom. – O sorriso dela é irônico enquanto estabelece-se ao meu lado no sofá.
Eu coloco a minha bebida de lado e viro-me apenas o suficiente para observá-la com minha visão periférica. – Tonks, o ano letivo em Hogwarts começa em dois dias, e o meu tempo será assim ainda mais limitado do que agora. De fato, será levará indubitavelmente um bom tempo até que eu tenha a habilidade de perseguir atividades recreativas.
Eu pauso; ela desvia o olhar.
Há algum benefício em enrolar? Vamos.
– Eu me sinto incapaz de continuar um relacionamento.
Olhando fixamente para o assoalho, ela permanece silenciosa. O tempo passa tão devagar quanto um medonho rastejo.
Bem, pelo menos ela abriu mão de chorar. .
Contudo mais silêncio. Eu mudo de posição a fim de encará-la mais inteiramente.
– Tonks?
Uma contração – a cabeça dela se levanta abruptamente, e o grande sorriso é completamente inesperado, como a resposta:
– Então, que tal mais umazinha pelos velhos-tempos?
Agora é a minha vez de permanecer silencioso embora eu levante uma sobrancelha.
Em um movimento reminiscente da nossa primeira vez, ela toma isso como um convite e monta no meu colo. – Qual é, Severo. Eu posso ser quem você quiser. Escolha um corpo – um favorito.
– Há um…
– Sim, continue. – Ela envolve os braços em torno do meu pescoço.
– O problema é que não é um que você já tenha usado para mim.
– Sem problemas. Sem problemas. Apenas descreva-o e eu posso ser ele.
– Ninfadora – eu digo, olhando nos olhos dela –, eu gostaria que você fosse você mesma.
– Eu mesma? – Um flash de confusão cruza o rosto dela antes que ela se incline para trás e desvie o olhar.
– Sim, você mesma. Seu próprio rosto, seu próprio cabelo, seu próprio corpo – você mesma.
– Eu… eu… – O rosto dela gira ainda para mais longe de mim.
O tempo passa – alguns momentos apenas, mas momentos esticados e desagradáveis.
Eu a pego e viro-a para encarar-me. Silenciosamente, lágrimas grandes rolam pelas bochechas dela.
– Ninfadora.
– Eu… eu… – Ela se metamorfomaga, e pela primeira vez em mais de dois anos eu vejo o rosto dela, o verdadeiro rosto dela: traços de duende emoldurados pelo cabelo castanho médio com olhos que estão assombrados. É menos exótico do que as criações dela, menos glamoroso, menos perfeito, contudo de certa forma mais bonito porque é real.
– Você é encantadora – eu lhe digo firmemente.
Desmoronando como se liberada de um grande peso, ela cai em meu peito chorando audivelmente. Ela murmura algo repetidamente enquanto esfrega o rosto para frente e para trás sobre a minha sobrecasaca. Finalmente vindo a se acalmar, os soluços continuam em um ritmo menos frenético, e eu posso determinar o que ela está dizendo. É:
– Desculpa.
Eu afago as costas dela e, quando ela se acalma mais, sussurro:
– Você não tem do que se desculpar.
– Mas nós íamos… e agora…
– Isso é secundário. – Eu uso o espaço de uma respiração profunda para considerar minhas próximas palavras cuidadosamente.
Faça direito, velho.
– Quando eu olhar para trás no nosso tempo juntos, você sabe em que eu pensarei? Você acha que serão somente lembranças do sexo vigoroso?
Um riso soluçado e ela se mexe um pouco contra o meu peito.
– Não. Será que você foi uma amiga quando eu necessitei de uma.
Após algumas batidas do tempo, ela me repele para encarar-me com um semblante que é tanto triste quanto aberto. – Obrigada, Severo.
Prendendo meus olhos por um longo momento, ela forma um pequena carranca e abre a boca.
Não querendo saber que insight do meu psique ela está a ponto de sondar, eu me mexo debaixo dela desconfortável. – Agora, eu realmente tenho que ir. Prometi a Minerva que estaria apenas um pouco rabugento na reunião dos funcionários amanhã de manhã.
– Claro. – Ela desliza do meu colo, acompanha-me até a porta, e beija meu rosto em despedida. A porta clica suavemente ao fechar atrás de mim.
Bem, lá se vai meu acesso à fodas regulares e sem complicação.
Eu balanço a cabeça e bufo em estranho divertimento.
Ainda amargo.
|