4.1
- Mamãe sua dorminhoca, quer levantar de uma vez?
Hermione abriu os olhos. Estava novamente no campo florido do sonho anterior. Procurou a dona da voz meiga que a despertara, mas não encontrou ninguém a vista. De joelhos contemplou a paisagem, o pólen das flores voavam no embalo de seus cabelos. De repente notou uma cabana além do campo, ficou de pé e caminhou até lá.
Ao chegar em frente à cabana notou que a aparência era pior de perto: era suja, velha, cinzenta e desabitada; aparentemente houvera um incêndio onde pessoas haviam quebrado as janelas para sair (ou entrar), metade da chaminé desapareceu e buracos nas paredes de madeira brotavam ali e aqui. Ela abriu a porta com um ranger, dentro a teoria de incêndio se confirmou, os moveis estavam destruídos e tostados alguns apenas o esqueleto do que um dia fora abajures, poltrona, enfeites etc. O espaço era grande, em cima um segundo andar, deveria ter sido aconchegante passar o inverno na frente daquela lareira de tijolos.
Hermione avistou no centro da cabana uma boneca de porcelana com metade do rosto derretido. Agachou, e no momento que pegou uma melodia ecoou no ar. Aparentava provir duma caixinha de musica de crianças na qual bailarinas rodam até a corda acabar, mas tinha...sim, uma voz cantava junto a melodia, voz de criança. Hermione não distinguiu a letra, as palavras fluiam misturando-se à melodia. E a musica estava se intensificando cada vez mais, ecoando grave, mudando a sinfonia para... "cirene de ambulancia?" distinguiu Hermione, quase tapando os ouvidos de tão alto o volume da cirene.
- Ela era minha. – falou tristemente uma voz às costas. Hermione virou bruscamente assustada. A garotinha do sonho anterior estava na entrada, aparentemente não ouvia o som ensurdecedor da cirene, e sua voz sobrepunha-se de forma clara e sem esforço.
- Gostava muito dela, era minha preferida. – falava da boneca.
A garota tinha cabelos castanho avermelhados e olhos vivos da mesma cor, era bonita com feições inocente como qualquer outra criança de sete anos. Usava um vestido branco perolado quase da cor da pele alva e delicada, de certa forma, parecia uma boneca andante. Era visível a amargura que sentia ao fitar a porcelana na mão de Hermione, como se quisesse pegar a boneca, mas não conseguisse. Alguma coisa naquele local a incomodava. Hermione mal abriu a boca para jorrar perguntas na ponta da língua e a garota correu seguida pelo termino da cirene.
Hermione desejava respostas. Fez menção de persegui-la, entretanto mal andou três passos empacou petrificada, alguma coisa rosnava atrás de si. Olhou por cima do ombro: um cachorro imenso (cuja cabeça batia no teto), negro, com olhos amarelos e dentes afiados rosnava com sede de sangue. Automaticamente Hermione tateou o bolso de trás e empunhou a varinha. Não sabia o que era mais assustador, aquele cão feroz ter surgido do nada ou as patas caminhando em sua direção.
Ela correu para sair daquela jaula, mas não fora rápida o suficiente, de um salto o cão pulou por cima dela tapando a porta de entrada e saída. Quase entrando em pânico uma luz iluminou sua mente: era um sonho não havia porque temer se morresse acordaria no máximo encharcada de suor. Contudo o cachorro gigante parecia tão real que estava sendo difícil relaxar, e ele tratou de demonstrar que não estava ali à toa. Avançou, Hermione saltou para trás, mas uma das garras do animal cortou-lhe a perna. Se não tivesse agido por instinto sua perna teria sido arrancada; a cada segundo de dor tornava-se claro não ser ilusão. Aquilo estava acontecendo realmente, mas como fora parir ali? Será que a garotinha andava freqüentando sua casa nas madrugadas levando-a para essa dimensão? Deixando o bolo de perguntas na mente, rolou veloz para o lado quando o cão pulou para cima de si. Levantou-se dolorosamente, o ferimento latejava, empunhou a varinha e gritou:
- Petrificus Totalus!
Nada. Não surtiu efeito algum no cachorro exceto deixá-lo mais furioso. Vendo agora a saída desimpedida Hermione mancou para a porta, mas no meio do caminho a casa ardeu em chamas. Tanto ela quanto o cachorro-monstro ficaram aterrorizados com as paredes, o telhado e o que restava dos móveis carbonizando.
- Oh meu deus, o que esta acontecendo? – choramingou ao ver a passagem bloqueada por altas chamas laranja, se aquilo não era ilusão iria desintegrar no local mesmo sem saber o que fazia ali. Mas não, não iria desistir sem lutar. Aproveitou a distração do animal e postou-se o mais perto que pode da porta cobrindo o rosto, maneou a varinha:
- Aguamenti!
Instantaneamente um jato de água jorrou da varinha para o portal apagando as chamas, Hermione pulou para fora sem pestanejar e a passagem foi tragada por fogo novamente.
Arfava a certa distancia da cabana, observou as chamas consumirem o resto do casebre e o cão (uivava cada vez menos). A fumaça subia em espirais para o céu noturno.
Enquanto engolia em seco, Hermione elevou a mão de forma a enxugar o suor na testa quando se deu conta de ainda segurar a boneca, mal sentia a porcelana nas mãos. Examinou-a, a cabeça era solta, dentro uma folha de papel, tirou e leu:
Querido diário, como vai você? Hoje foi um dia estranho, mamãe me trouxe para passarmos o final de semana na cabana de férias da vovó. Parecia estar sendo obrigada a vir por que não parava de chorar durante toda a viajem. Quando perguntava se tinha algum problema ela respondia que estava tudo bem, apenas emocionada pelas lembranças que a cabana trazia. Devem ser lembranças tristes, dessa cabana no meio do nada, se não teria sorrisos no lugar de lágrimas; não gosto de ver ela triste, meu coraçãozinho aperta e o ruim é que nas ultimas semanas toda vez que chego perto ela treme que nem um gato molhado. Será que o problema é comigo? Bem, de qualquer forma vou tentar animá-la mais tarde, mas bem que você poderia me dar uma dica, né diário? Claro que não pode, você não fala, onde tava com a cabeça!
Bem, tenho que descer, mamãe disse que tinha um presente pra mim! Estou tão ansiosa, o que será? Espero que seja uma roupa nova pra Tuti, a melhor boneca que já ganhei e minha melhor amiga. Até mais.
Beijos, Alessa.
Hermione pôs a mão na boca para abafar o assombro. Se seu raciocínio estivesse correto (e duvidava que a abandonasse no momento) a mãe pusera fogo na cabana com a menina dentro. Que tipo de monstro era aquela mulher para queimar a própria filha viva? Mas espere, isso significava que...
- Você está morta. – sussurrou para si mesma caindo de joelhos na grama.
Fechou os olhos para limpar as lágrimas e quando os abriu... O teto branco de seu quarto nunca esteve tão embaçado. A perna ainda latejava.
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- Bom dia, Sr. Potter, sou Evee Paterson. – cumprimentou apertando a mão de Harry que respondeu com aceno de cabeça. – Esse é meu parceiro de trabalho Fenrir Marback. – apresentou o homem grande, musculoso e antipático ao lado dela que, para demonstrar o descontento em ver o estrangeiro mais famoso do mundo bruxo, não lhe apertou a mão estendida.
Harry encontrava-se no Ministério Americano, uma replica menos do Britânico. Depois de despejar as instruções de como manter Draco acorrentado para Hermione viajou através do pó de flu. Contava os minutos apartir dali para retornar à sua casa e resolver as coisas com Gyna, angustiava-se por deixar pendente o casamento fracassado.
- Como vai o caso, poderiam passar as informações da pericia? – pediu Harry deixando a vida pessoal de lado, sentou na cadeira oferecida por Evee no escritório dos aurores. Fenrir o analisava furtivamente no intuito de encontrar um objeto das trevas em seus bolsos e prendê-lo legalmente em Azkaban.
- Sr. Potter, examinei o local e a vitima, concluímos que foi assassinato. – disse Evee sem rodeios, o olhar rigoroso cruzava o de Harry – A vítima adentrou na boate Broken Heart na Califórnia por volta de 3:30 a 3:40 da madrugada acompanhado por uma bela moça. Pediu uma das salar v.i.p’s, com proteção anti-som para uma noite reservada. Suponho que a moça que o acompanhava armara tudo, sabendo onde o encontrar e como ele agiria trancou-os na sala silenciosa e torturou a vitima até confessar o que ela queria ouvir, logo em seguida acabou com o serviço para não deixar nenhuma pista visível para trás lançando a maldição da morte no falecido. – pausou a espera de alguma pergunta.
- Descobriram o que essa tal mulher procurava? – perguntou Harry.
- Infelizmente não, quanto ao que ela queria não temos a menor informação; nem se já conseguiu. Contudo, espere um minuto. – ela revirou uma gaveta e pegou um caderno de desenho. – Conseguimos o retrato-falado dela, o retrato-falado é o desenho...
- Eu sei o que é. – interrompeu Harry calmamente - Vivi anos como trouxa e apesar de ter poderes mágicos ainda me considero um.
O comentário fez as linhas rígidas no rosto de Evee minimizarem, e Fenrir resmungar baixinho “duvido”.
- Então você se sente desinibido em falar publicamente que gosta de trouxas? – perguntou Evee lançando um olhar significativo para Fenrir. Seus pais eram trouxas, fora a primeira bruxa da familia e se orgulhava-se de nascer no mundo trouxa. Diferente de Fenrir que destestava especificamente trouxas, pra ele quem não tivesse um pingo de sangue mágico era igualável a uma topeira.
- Sim. – respondeu Harry confortável – Uma amiga trabalha na área dos direitos dos trouxas e concordamos na mesma opinião de que somos todos iguais independentemente de ter nascido trouxa ou bruxo.
Evee pareceu fascinada pelo que ouviu. Ia fazer outra pergunta pessoal mas se limitou a sorrir como concordância a resposta e prosseguiu com o assunto principal.
- Bem, continuando, como temos permissão para acessar seus bancos de dados somente uma vez por caso, por favor verifique se esta mulher esta registrada como inglesa. Seria bem mais fácil se você repassasse os rostos dos criminosos mentalmente e a reconhecesse, dê uma olhada. – passou o caderno de desenho a Harry.
Os olhos de Harry arregalaram-se e perdeu a voz para responder. O assombro ao ver o rosto de Hermione desenhado fez suas entranhas afundarem no estomago, os lábios tremeram. “- Só pode haver um engano, Mione nunca mataria alguém. Ou mataria?” pensou intimamente, e sua mente lúcida moveu as engrenagens dando-lhe a certeza de uma coisa.
- Então, você reconhece essa pessoa de algum lugar?
Harry a fitou claramente decidido pronto para sofrer as conseqüências, respondeu:
- Não, nunca vi essa mulher na vida.
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- Repasse novamente. – pediu Draco observando Hermione andar de um lado pro outro da sala lendo o manuscrito.
- É uma honra e grande alegria para o Departamento dos Direitos dos Trouxas... Não acha puxa-saquismo demais? – interrompeu-se
- É necessário puxar o saco às vezes, Granger. Continue.
- ...Tomar voz neste Conselho com relação a pauta em questão (Trouxas e Bruxos Unidos pela Magia). É do conhecimento de todos os bruxos presentes a separação entre o mundo bruxo e o trouxa, sendo que, de ano em ano entra-se em discussão o rompimento destas barreiras para um melhor tráfico humano, animal e outras raças mágicas... – prosseguiu até o fim do discurso.
Na semana imediata a viajem de Harry (o que, na opinião de Hermione, fora bastante conveniente), Draco passou 3 noites na casa dela para a formação do discurso na Conferência Internacional do Mundo Bruxo. Sendo assim, não houve azarações ricocheteando pelas paredes nem o teto explodindo em mil pedacinhos. Contudo, Hermione quase quebrou uma jarra de água na cabeça de Malfoy quando perguntou se a água que bebia era do vaso sanitário. Tirando as ofensas e bate-bocas chegaram finalmente a um consenso por escrito, lido por Hermione no momento.
Certas vezes, Draco entrava em monólogos quando dava sua opinião sobre determinados pontos ou mesmo xingava a decoração da sala, ficando desapontado por não surtir o efeito desejado em Hermione que flutuava em seus próprios pensamentos não lhe dando a menor atenção.
Ela gastava as horas que podia (e as que não podia) relembrando o pesadelo, com fracas correntes de eletricidade passando pela espinha encolhia-se ao lembrar dos dentes famintos do enorme cão selvagem querendo-lhe a perna como jantar. Na realidade a perna não havia sofrido todo o impacto do sonho, um corte não tão profundo (mas dolorido) ficara no lugar, curou-se após acordar (não era à toa que tinha conseguido a melhor nota do exame para curadores no St. Mungus) e depois de um dia mancando pouco voltou a andar normalmente. Perguntava-se frequentemente se era sonâmbula e aparatara a noite para algum lugar que lera em livros de conto de fadas. Perguntava-se se aquela garotinha (Alessa) que chamava Hermione de mãe (só Deus sabe o motivo) existia de verdade, se não, estaria realmente morta? E se fosse um fantasma, como a enviou para outro mundo se fantasmas não têm poderes mágicos apenas flutuam e vagam por ai? Indagava-se se estava ficando louca, mas como se a cicatriz na perna mostrava o contrario? Aquilo fora real. Real e perigoso. Podia a menina ser uma bruxa poderosa brincando com Hermione como se ela fosse substituta da boneca queimada? Não havia cabimento, se aquela folha de papel estivesse certa a menina estava morta, ou será que era tudo brincadeira? Alguém podia ter manipulado seus sonhos e entrado na casa e a machucado pra pensar que aquelas ilusões eram reais, mas quem e porquê?
- ... Cumprindo assim a legislação de Merlin 320 a.c, regido pelos princípios e deveres básicos dos bruxos para com trouxas em igualitária ordem social, política e geográfica. – terminou sem ouvir o que dizia. – Que tal?
- É o que temos em mão, e o nosso tempo pra criar algo melhor estourou, vai ter que ser [i]esse o discurso[/i]. – disse refletindo para incrementar algo mais.
- Não esnobe o trabalho que tivemos. Achei excelente a sua parte. – comentou.
- E grande parte, diga-se de passagem. Nem pra ajudar sua companhia serve, Granger, ficar olhando pro nada enquanto falo coisas importantes não vai te ajudar a se livrar da vergonha de não saber o nome de fulano e ciclano. Precisa conhecer a alta classe que frequentará o evento, se misturar (ou pelo menos tentar chegar) para fazermos aliados em prol da causa... Granger! – chamou a atenção de Hermione, ela não prestava atenção novamente.
- Perdão? – espantou-se.
- Vou pra casa, amanhã é a viajem e to pouco me lixando se você sabe ou não o discurso, quem vai pagar o mico de gaguejar na frente da multidão é você. – caminhou até a porta, mas Hermione tentou o impedir.
- Espere Malfoy, me desculpe!
- Desculpas não vão te ajudar na gagueira. – retrucou fitando-a mal-humorado – Passei a semana falando com as paredes, se esse assunto fosse realmente importante pra você prestaria um pouco da sua mínima atenção pra tratarmos dele, mas não é bem isso, você engana todo mundo dizendo que daria seu sangue pelos direitos dos trouxas, cantarolando em voz alta que tem orgulho de ser sangue-ruim, uma bosta de uma hipócrita é o que você é! – os olhos de Draco faiscavam.
Hermione ouviu calada, ele tinha razão. Não prestara atenção suficiente no assunto e estava recebendo a recompensa por isso. Porém Draco pegou pesado em dizer que era hipócrita, só estava desatenta ao assunto, não era motivo pra duvidar de sua paixão pelo mundo que nasceu, porém brigar com ele só iria piorar a situação.
- Você poderia sentar, por favor? – pediu ela educadamente.
Draco ponderou, mas resolve sentar para ouvir o lado dela, também sabia que tinha exagerado, estava cansado e não queria ter dito totalmente aquilo.
- Olhe Granger...
- Minha vez de falar. – interrompeu-o.
Ela sentou na poltrona ao lado do sofá e suspirou.
- Quero pedir desculpas, ando com a cabeças em outro mundo me esquecendo desse. Você fez a maior parte do discurso, mas lembre-se que serei eu a discorrer representando o Departamento, acho um equilíbrio justo. Quanto a gaguejar, sabe existi um feitiço de cordas vocais de tenor excelente, usarei na hora. - eles sorriram momentaneamente – Draco, saiba que vamos convencer o Conselho, seu discurso esta impecável e racional eles [i]terão[/i] de aprovar a pauta.
- Nosso discurso. – disse Draco menos enraivecido – Uma parte (minúscula!) é sua.
- Isso não importa. Vamos conseguir.
- É óbvio que vamos, com minha mente brilhante no meio o sucesso é garantido.
- Quanta modéstia. – ela revirou os olhos, ele voltou ao normal. – Por falar nisso, afinal de contas Malfoy, porquê está tão interessado na aprovação do projeto? – perguntou curiosa querendo confirmar sua tese. Ela cogitava a idéia dele ter mudado o conceito com relação aos trouxas e até se afeiçoara um pouquinho mais a ele, pois um bruxo gostar de trouxas era uma desonra que para Hermione significava escrever o nome no seu livro branco.
Draco ficou sério num piscar de olhos, a arrogância desaparecendo do rosto pálido. Conjeturou um minuto antes de responder:
- Se conseguir a aprovação desse projeto sairei do Ministério. – disse sendo direto e curto, não tinha entusiasmo para falar mais que o necessário. Levantou-se – Bem Granger, vou indo. Aconselho você a ir direto pra cama depois que eu sair, essas suas olheiras estão me dando arrepios parece que tem um vampiro na minha frente.
- Não seja exagerado, só não ando dormindo bem.
- Então é melhor se entupir de calmantes Srt. Estressadinha, você precisa estar apresentável amanhã. –aconselhou na porta da casa e soltando uma ultima afronta foi embora a tempo de Hermione quase bater a porta no nariz dele.
Hermione não teve pesadelos desde o ultimo, dormia hesitante em sonhar com beiras de penhascos e acordava aliviada ao sentir o corpo inteiro. Tratou de deixar a paranóia de lado ao menos nesse fim de semana, ficou momentaneamente animada com a idéia de Draco sair do Ministério, se o plano desse certo seus nervos agradeceriam muito. Contudo, de alguma forma não conseguia demonstrar a animação de ficar livre de Draco, tanto que na viajem mal respondera às reclamações de Draco dizendo que ela não seguira as instruções dele pois estava pior do que a noite passada e o cabelo tão rebelde que um leão teria inveja.
Quando chegaram ao hotel elegante da Conferencia, no centro de Londres enfeitiçado para os trouxas verem um prédio abandonado, o humor de Hermione melhorou ao deslumbrar seu quarto clássico contemporâneo. Passou a manhã no quarto repassando o cronograma sozinha, seu estomago revirava como se tivesse engolido um tornado, andava pra lá e pra cá sentindo-se diminuída porque haveriam grandes bruxos no local e ficara sabendo que a Conferencia não seria restrita aos membros do Ministério, jornalistas do Profeta Diário e outros jornais pelo mundo fariam a cobertura dos acontecimentos, e como se não bastasse, um jantar de despedida fecharia a noite. De repente alguém bateu a porta.
- Quem é? – perguntou caminhando para a porta.
- Camareira. – respondeu uma voz esganiçada e masculina.
Hermione riu, mas o desfez antes de abrir caminho.
- Que camareira com voz de ogro.
- São os seus olhos. – respondeu sarcástico – pois fique sabendo que quando bem entoada essa voz seduz até a mais frígida das mulheres.
Hermione riu do cinismo de Draco. Ele poderia até ser atraente, mas ela não era boba de cair nas garras dele, percebera que andava jogando muitas indiretas e apesar de odiar no começo estava começando a gostar.
- Então o que está fazendo de bom? – ele andava examinando o quarto e os pertences de Hermione jogados na cama, entre eles havia os pergaminhos do discurso, penas, maquiagem, vidrinhos de poções, livros pequenos, e o vestido da festa. – Pra alguém tão metódica no trabalho não imaginava que você fosse desorganizada, isso aqui ta uma zona. – pegou um vidrinho de poção – Espero que dê jeito nessa sua juba de leão. – Mas Draco não era cego, o cabelo de Hermione era sedoso e ondulado em linhas simétricas, só dizia aquilo para zoá-la.
- É. – sibilou pegando a poção da mão dele e apontando pra outra na cama – E espero que aquele vidrinho de um nó na sua língua quando colocar no seu jantar.
- Estarei ansioso para fazer você desenrolar minha língua. – retrucou com um sorriso malicioso.
- Quer parar de me cantar?
- Acredite, se quisesse algo com você já estaria em minhas mãos. – caiu na poltrona ao lado da cama, divertido com a brincadeira de bagunçar a cabeça de Hermione, afinal estava soltando muitas indiretas somente para ver a gostosa reação de embaraço no rosto dela – Abstinência é dureza mesmo, você fica paranóica pensando que todos os homens à volta querem te pegar.
- Malfoy, sua testosterona está me enjoando, quer se retirar por favor? – disse impaciente apontando para a porta. Estava ansiosa para que a noite caísse logo e pudesse fazer o bendito discurso dando o máximo de si acabando com o tomento, e voltasse para casa longe de Malfoy e perto de Harry que deveria voltar de viajem no próximo dia.
- Tudo bem, Granger, a diversão passou. Agora vamos direto ao assunto. – se levantou e passou por Hermione pegando-a descuidadamente pelo braço.
- Ei! o que pensa que está fazendo? – se desvencilhou no meio do corredor.
- O debate é hoje à noite. – respondeu puxando-a para o elevador.
- Quer. Parar.De. Puxar. Sei andar sozinha. – vociferou enquanto ele clicava no botão para descer. – Aonde você está me levando, Malfoy?
- A noite vai ser tensa, Granger, e você precisa estar apresentável, vi aquele seu vestidinho chinfrim e não vai usar aquilo para andar no meio dos bruxos mais importantes do planeta. E principalmente, se for me acompanhar tem estar à minha altura.
- Aquilo é o que tenho em mãos. E não vou servir de cachorrinha andando ao seu lado com o rabinho balançando. Nem deixarei você me vestir como uma qualquer igual sua secretária. Você não é meu dono, Malfoy, não sou sua cadelinha para impor o que quiser!
- Mas late como uma.
- Não sou seu brinquedinho!
- Se quiser podemos começar a brincar mais tarde.
- Já chega! - o elevador abriu e desceram no térreo, Hermione espumando furiosa. Draco a acompanhava divertido.
- Onde vai?
- Pra qualquer lugar longe de você! – rosnou saindo do hotel e caminhando para nem sabia onde.
- Olhe Granger, que tal aquela loja – apontou com a cabeça para um pet shop – Deve ter coleiras do seu tamanho lá.
- E ração pra galinhas, você adora, não é?
- Não tanto quanto te ver furioso. – retorquiu.
Hermione estacou no mesmo instante percebendo que cairá no joguinho sujo dele, sairá do hotel e andava em ruas desconhecidas, olhou para trás, para esquerda, para direita, não sabendo a direção de voltar, encarou Draco (que sorria vitoriosamente na frente dela). Conteve-se ao máximo para não puxar a varinha. Respirou profunda e raivosamente. “Expira. Inspira.” Repetia como mantra.
- Sabe aonde estamos? – perguntou, e o tom dele fez a têmpora de Hermione pulsar.
- Não faço a menos idéia. – respondeu seca, sai faíscas dos olhos.
Draco achou melhor ser direto com receio dela ter um A.V.C. no meio da rua.
- A loja do outro lado da rua é uma das preferidas da minha mãe, se você quiser voltar para o hotel que tal dar uma passadinha lá?
- Malfoy pare de joguinhos hoje é um dia importante tanto pra você quanto pra mim, um grande passou pode ser dado no avanço das relações mágicas se convencermos o Conselho mas pra isso precisamos estudar o caso, analisar as questões que implicam no...
- Exatamente! – exclamou interrompendo o seminário afoitado - Por isso nada melhor que se sentir confortável na ocasião, olhe Granger estou fazendo isso pelo seu bem.
- Meu bem? Se quisesse meu bem pararia de me importunar e me deixaria memorizar o que falarei na frente daquele monte de gente!
- Granger, você não tem outra saída porque não te levarei de volta pro hotel até comprar um vestido descente. – falou Draco pacientemente.
Hermione bufou e não tendo alternativa seguiram para a loja.
- Que tal? – falou com voz monótona.
- Parece que acabou de sair do convento.
Hermione pegava qualquer vestido, vestia-se no provador, e saia para Draco aplicar seu olhar critico e escolher o melhor para a ocasião, pois Hermione não estava nem um pouco interessada. Mas não demorou muito para seu humor melhorar, Hermione sentiu-se a vontade em pegar cinco ou seis vestidos de uma vez (se fosse para experimentar roupas chiques que não combinavam nadinha com seu estilo porque não se divertir se adequando a roupa?); fazia pose na frente do espelho rindo de si mesma, logo depois na frente do próprio Draco que não conteve a gargalhada quando Hermione imitou uma senhora gagá num vestido rendado que sua avó teria prazer de usar. Em seguida usou vestidos mais decotados e ousados, mexeu profundamente com a voz (e emoções) de Draco (soltava murmúrios que Hermione não entendia, mas segundo sua concepção deveriam ser resmungos de desaprovação como sempre). De fato Hermione não sabia o conflito interno emocional que Draco passava, engolia as criticas falsas para não soltar suspiros porque (O que diabos estava acontecendo com ele!) estava a desejando.
- Com certeza de muito mau gosto aquele. – comentou Hermione. Estavam no Café Booble ao lado do hotel saboreando o sorvete especial da casa contendo seis bolas de sabores desconhecidos.
- Sua interpretação foi pior ainda. – disse Draco tentando ser azedo, mas ainda sorria ao relembrar. A provação do vestido havia terminado (para alivio de Hermione), agora usavam os últimos minutos livres lanchando.
- Você gostou e se pudesse teria feito um dueto comigo no vestido country club que sei. – retrucou ela também rindo.
- Ah é, a melhor dupla country da Europa, que tal John and Mare?
- Brega. Se por pra formar dupla prefiro Tom & Jerry. Porque a gente briga como gato e rato.
- Obviamente sou o gato. – falou Draco cheio de si.
- Posso até ficar como Jerry, mas lembre-se que ele sempre vence no final. – sorriu, notou que tinha sorvete no queixo de Draco e se debruçou na mesa para limpá-lo. Ele ficou imóvel ligeiramente surpreso quando Hermione tocou-lhe o queixo com o guardanapo e recuou displicentemente.
- Porque fez isso? - perguntou ele, meio sem graça. Ela nunca tinha se aproximado tão perto dele e, para seu alivio, ela não notou seu rosto ruborizar minimamente.
- Isso o quê? – respondeu ela inocentemente enquanto lambia a colher de sorvete (ato que deixou Draco perturbado durante a caminhada de volta pro hotel).
- Boa noite, Comissário. – cumprimentou Malfoy antes de sentar-se na mesa designada ao Departamento dos Direitos dos Trouxas. Malfoy já estava no seu smoking feito sob medida na Conferencia, esperava Hermione descer ansioso pois estava atrasada.
“Será que ela desistiu e voltou correndo pra casa” perguntou-se tamborilando os dedos na mesa impaciente. Também sentia-se nervoso por Hermione, para representá-los na frente de toda aquela gente era preciso ser frio, controlado, ter nervos de aço e naquela tarde ele percebeu a mulher frágil e brincalhona que tomaria voz na audição; pensou em fazer o discurso ele mesmo para poupá-la da platéia critica “Mas no que estou pensando, é só a Granger a sangue-ruim que... que me fez sorrir como um boboca...” Começava a sentir repulsa de si mesmo por ter deixado-se levar pela personalidade de Hermione, sim, ela estava mexendo com os sentimentos dele.
- Olá. – cumprimentou alguém as suas costas, virou-se e deu de cara com uma mulher que nem em sonhos imaginaria existir.
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Leitores, queridos leitores que honra recebe-los em minha humilde residencia *-*
Bem, bem bom, quero dar boas-vindas a vocês pela coragem e paciencia de entrarem nessa fic, e hoje agradecer especialmente a Potter_Salter com seu comentário super gentil e instigante (valeu ai mano firmeza é nós!). Sério, muito obrigada, é de extrema importancia puxar o saco dos autores nos coments <3
E prometo não demorar a postar, ok?
Agradecemos a preferencia e tenha um bom dia. (◡‿◡✿)