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1. MEDO DE AVIÃO


Fic: SÉRIE VOCÊ E EU 5 Medo de avião - T- R e Her


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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MEDO DE AVIÃO

Eu fui o responsável.
Eu e somente eu. Eu que detestei saber que ela namorava escondido. Eu que pressionei minha esposa a investiga-la e segui-la até o lugar que ela estaria aquela noite.
Eu que quase morri ao vê-lo de cuecas no meio da sala. Eu que lhe dei um sono no olho e senti-me perto de matar alguém pela primeira vez.
Como eu poderia gostar dele? Ele deflorou a minha menina! Sou estúpido, eu sei disso. Um dia aconteceria. O infernal garoto ainda teve a audácia de querer casar com ela!
Como se eu fosse permitir que ela se enterrasse novamente nesse mundo de bruxos. Quero netos que não passem o ano fora, numa escola estranha. Que não sejam como eles são.
Sei, sou egoísta, eu sei. Mas eu ainda tenho esperanças.
Quem sabe, os forçando a morar próximo a trouxas, minha filha esbarre em alguém melhor que ele e se apaixone?
Deveria saber que não aconteceria. Eles estão juntos a sete meses. E felizes. E o pior, ela fez questão de se mudar para aquela idiota cidade bruxa. Nos víamos pouco, e agora, quase nunca.
Em parte é minha culpa, eu sempre invento uma desculpa para não vê-los e faze-la sentir-se culpada. E consigo.
Deveria ficar feliz, pois segundo o que ela dissera a mãe, o tal super goleiro, andava bem desgastado com aquele tipo de vida. Tinha entendido finalmente porque eles não podiam dar certo. Eu quase consegui. Não a fosse ter tido essa péssima idéia de se mudarem de lá!
Bem, o que eu esperava? Eu criei uma filha decente e honrada. Ela não abandonaria o marido, só por causa de uma briga. Marido não, ‘conjugue’, penso amargo.
Isso por minha causa, já que o talzinho parece meio desesperado para casar-se.
O que importa é que foi tudo minha culpa.
Tudinho.
Eu sabia que ele cairia no meu plano, como um peixinho num anzol. Liguei para ela pedindo que buscasse um velho amigo meu, Henrique, no aeroporto de Nova York. Não seria difícil, afinal ele tinha jogo nessa cidade e teria de voltar para casa no mesmo dia. Ela chegara a negar, mas bicudo como ele era, aceitou na hora.
Pois, bem, há exatamente três horas atrás eu estava rindo com Henrique no telefone, de como ele era tolo. Que esse seria o estopim. Ele jamais conseguiria pegar aquele vôo como qualquer outra pessoa normal!
Ele sentiria-se humilhado e eles brigariam. Talvez até se separassem por algum tempo. Então, era aí que eu entraria. Uma viagem com minha filha. Nada mais justo, já que quase nunca nos vemos. Talvez uma semana na Itália, onde tenho alguns primos.
Eu a faria ver como a vida normal também é bonita. Como todos somos melhores que esses bruxos e suas varinhas. Com sorte ela se apaixonaria por algum italiano bonitão e me daria netos com sotaque!
Ah, que erro! Que grotesco erro!
E cá estou eu. Esperando que eles digam alguma coisa.
Há uma hora atrás, fui surpreendido por um telefonema da companhia aérea informando da queda do vôo 3058. Sim, o avião caiu. 259 pessoas. Nenhum sobrevivente.
Eu me livrei dele. Tudo bem perdi meu grande amigo, Henrique, mas só consegui pensar, com aquela enorme satisfação, de que ele explodira e me deixara em paz. Levaria algum tempo e ela superaria.
Eu seguraria sua mão com amor, e a levaria para bem longe deles todos.
Simples, não? Quem dera. Há uma hora, ela chegara acompanhada de seu amigo, Harry Potter. Ele me dissera rapidamente, que eles não contaram nada ainda, nem para a irmã dele, Ginnny, nem para os demais familiares. Queriam confirmar ou não, antes.
O rapaz absurdamente pálido tremia. Havia lágrimas nos olhos dele e eu puxei uma cadeira para que ele se sentasse. Ainda demoraria até que confirmassem a lista de passageiros.
Não sei porque, mas não lembro de como ela parecia. Acho que porque ela não disse muita coisa. Perguntou apenas o numero do vôo e saiu da sala.
Eu deveria ter imaginado, que como sempre ela tomaria a dianteira de tudo. Meia hora depois todos fomos levados para uma sala reservada, onde dezenas de pessoas sentaram e esperaram que lessem a lista oficial.
Ela sentou-se ao meu lado e eu olhei para ela. Expressão dura. Testa franzida. Não havia sofrimento ali. Havia esperança.
Seu amigo, Potter, ao contrario, bebia um copo com água e estava irrequieto na cadeira. Minha esposa me lançava olhares preocupados e depois olhava para a filha com temor.
Eu gostaria de ser cara de pau a ponto de dizer que tudo ficaria bem e que ela logo encontraria alguém melhor. Mas acho que é melhor esperar. Aquela definitivamente não é uma boa hora.
E foi com um suspiro demasiadamente alto da minha parte que notei o baixo homem que andava entre as pessoas em direção ao microfone, no pequeno auditório. Ele se apresentou brevemente como sendo alguém responsável pela companhia e que leria os nomes dos mortos em ordem aleatória, pelo chequim.
Demorou bastante. Entre muitos gritos e histeria, varias pausas emocionadas, o homem chegou ao numero 241. Ronald Wesley.
Pronto. Confirmado. Vamos para casa, pensei. E olhei para ela.
Eu deveria saber que ela não choraria. Eu ate esperava por isso. Seu amigo havia dobrado o corpo, tentando conter o impulso de chorar, e era possível ver que ele soluçava, apesar de tentar esconder isso. Ela o olhou.
E olhou em volta, para as pessoas que choravam. Para aqueles que ainda esperavam os nomes seguintes. Havia uma mulher que chorava descontroladamente.
Mas não minha filha. Ela não se emocionaria. Bem, melhor para mim. Vejo que minha esposa chora, e quase não acredito. É um dia de festa, será que ninguém nota????? Sinto a perca dos outros, mas eu havia ganhado! Ganho minha filha de volta!
Ou não.
Eu levanto e estendo a mão para ela. Ela não pega. Levanta-se sozinha e vira as costas para mim e para todos os outros. Eu a vejo andar para longe. Ombros retos, passos firmes. Ela olha para gigante janela de vidro, por onde se via a pista de pouso e os aviões que ali estavam esperando suas rotas.
E então eu vi. Pelo reflexo do vidro. Eram lágrimas discretas, quase secas. Mas seus olhos...Havia tanto neles. Um brilho e uma profundidade que não sou capaz de entender e eu me envergonho de comemorar.
Eu não acredito no que eu fiz.
O que eu via em seu olhar era apenas uma fração do que deveria estar ali. Era apenas um reflexo. E por isso ela se afastara. Para que não víssemos sua dor. O tamanho de sua dor. Era tanto e tão profundo que ela sequer consegue chorar de verdade.
Eu desabo sobre a cadeira. Tiro meus óculos e cubro meu rosto com as mãos. O que eu sou? Um monstro! Eu fiz minha filha sofrer o horror apenas por egoísmo! Eu o levei aquele vôo! Eu!
Quando consigo parar de me sentir um fracasso a vejo abraçada ao tal Potter. Na verdade, era ela quem o abraçava e consolava.
Ele parecia uma criança desamparada. Assim como todas as outras pessoas.
Foi então que sobre o barulho da sala, ouviu-se gritos vindos do aeroporto. Eram gritos dos vigias, prendendo alguém. Eu saí de lá, depois de dizer brevemente ao responsável do aeroporto que continue falando com os parentes das vitimas. Eu posso ver o que está havendo e é até um alivio não precisar ficar ali vendo o olhar sofrido dela.
Ando até o balcão de informações.
-Hei, o que está acontecendo? – pergunta á um cara que via tudo.
-Sei lá, tem um doido gritando. Alguma coisa sobre ter que falar com o responsável pelos vôos...O ministério dos vôos! Dá pra acreditar? Tem louco pra tudo! – ele me diz rindo baixinho.
Alguma coisa me intriga. Não sei ao certo. Ando entre as pessoas que se aglomeravam para ver. Chego a sala de segurança. Alguma coisa me leva a dizer ao segurança:
-Eu conheço o homem que prenderam.
Ele me deixa passar e me dou de cara com um contrariado Rony Wesley algemado.
Eu quero dizer o quanto ele é estúpido por não ser capaz nem de conversar com as pessoas, mas por algum motivo só consigo pensar em como é bom vê-lo.
Ele me olha intrigado enquanto eu falo com os seguranças e explico que é meu genro, que ele não está acostumado a viajar de avião, e que possivelmente é o único sobrevivente da queda do avião.
Mais que depressa, eles o soltam.
Obviamente, que em meio aquela crise, eles não querem mais problemas.
-Olha, eu sinto muito, mas não deu para viajar ontem com seu amigo... não precisava ter vindo até aqui só para ver se eu vim ou não! – ele me diz emburrado assim que saímos da sala – Eu deixei que levassem minhas bagagens! Eu não sabia que tinha que pagá-las depois! – ele move a cabeça inconsolável! Derrotado.
Bem eu o fiz sentir-se assim. Péssimo por meses, apenas por não viver no meu mundo.
-Porque não entrou naquele avião, Ronald? – eu pergunto o levando para a sala onde está minha filha, barrando sua passagem.
Ele me olha ainda mais envergonhado.
-Eu...Eu não queria voar naquilo. Não me parecia seguro...Que aquele peso todo pudesse ficar no ar... – ele corou absurdamente –eu sei que é ignorância. Mas eu...Aparatei discretamente daquela sala que eles trancam a gente...
-A sala do chequim?
-É isso. Eu acho...Hermione já sabe? – ele me diz meio horrorizado – Ela me disse que talvez eu não devesse vir de avião! Mas eu achei que não tinha problemas... – disse desconsolado. – Parece que eu nunca vou aprender mesmo...
-O avião caiu, Ronald. – eu digo simples e direto e ele arregala os olhos – Todos os passageiros morreram queimados. Você foi o único sobrevivente.
Ele fica um tanto verde. Eu poderia apostar que ele queria a mãe dele naquele momento. Infelizmente eu sou incapaz de gostar desse garoto! Mas sinto pena. Ele está tremendo.
-Hermione, Ela...sabe?
-Sabe. Ela está aí dentro... – saiu da sua frente para que ele entre.
Eu o sigo. Era inevitável que um homem de dois metros, com cabelos vermelhos e roupas espalhatafosas, praticamente arrombando a porta não chamasse atenção.
Eu vejo o exato momento que ela nota. Ela está de pé, ouvindo algo que a mãe lhe diz. Então seus olhos ficam fixos nele, que a olha também.
E agora sim, eu vejo minha filha de uma forma que nunca vi. Não controlada. Não segura.
Ela desaba numa cadeira, chorando. Tantas lágrimas que ela nem o vê se ajoelhar a sua frente. E duvido que ela ouça o que ele diz.
Mas eu ouço.
–Hermione, está tudo bem, eu não entrei lá...Hermione, eu estou aqui, amor. Eu te amo, tanto.
Ela ergue as mãos e acaricia seus rosto e seu cabelo como se quisesse decorar seus traços e o abraça. O abraça sem ossos. Sem compostura.
O abraça como se o mundo fosse acabar. E não é o único. Seu amigo, Potter também se aproxima, emocionado e os abraça.
Eu deveria ter sabido desde o começo que estava me metendo numa guerra perdida.
Ela o ama. E o que eu posso fazer, se sou incapaz de entender o porque? Só posso me conformar e esperar que seja para sempre.
Minha esposa se aproxima de mim, e me abraça pela cintura, e me sorri.
Eu a abraço também e a olho com carinho. Acho que na verdade, posso entende-la sim. Eu conheço esse sentimento. Amor. Eu o tenho na minha vida.
Os três se separam e os dois amigos se abraçam fortemente, com tapas de homem nas costas. Eles falam coisas que a fazem rir e limpar as lágrimas.
Infelizmente ali não era um bom lugar para comemorar. Havia muita gente sofrendo.
Os três vêem em nossa direção e ela solta-se dele e me sorri, me abraçando.
-Tudo está bem agora, Hermione – eu lhe sussurro.
-Obrigado pai. Obrigada por estar aqui comigo... – ela me sussurra de volta e me sorri antes de se afastar e colar nele de novo.
Bem, talvez eu tenha que aceitar.
E talvez, nem seja tão difícil como parece...

FIM



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Comentários: 2

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Enviado por Samantha Gryffindor em 06/11/2012

Crêdo,que são esses pais da Mione?São completamente egoístas.
Nossa que tenso esse capítulo. Graças a Merlim,ele não morreu. 

Nota: 5

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Enviado por Mi Granger em 10/01/2012

Nossa, esse capítulo foi pura tensão. Que bom que o Ron não morreu ><

Nota: 5

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