Prólogo
“Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram. Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro. Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.”
Mateus 25:1-13
Liz Carmichael despiu o véu, orgulhosa, que cobria seu rosto de traços finos repousando-o na penteadeira. Fitou com calma sua imagem no espelho e sorriu ao constatar que era bonita embora aquilo não tivesse qualquer relevância para ela. Escovou os longos cabelos dourados diversas vezes lembrando de coisas que hora a fazia sorrir, hora a fazia derramar algumas lágrimas. Viver era uma aventura e contraditoriamente Liz se preparava para a maior delas.
Abriu uma caixa na qual reunira seus pertences mais íntimos e olhou-os uma última vez. Ali estava toda uma vida. Quinze anos para ser mais exata. Mas nem isso a fez se arrepender do que estava prestes a fazer. Releu a carta que escrevera há poucos minutos e tornou a sentir orgulho de si mesma. Liz Carmichael se preparava para um momento glorioso naquela noite. Liz Carmichael decidira morrer.