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6. " A história de Lady Gwen"


Fic: Diamantes do Sol


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Na: Oi, aqui estou dando sinal de vida, porem ainda estou com problema no word e no computador então... Já viu, o futuro é incerto, kkk!


Boa leitura! 


 


P.S: Odeio o Wordpad, é muito chato de adaptar ou escrever nele, cruz credo! :D kkk!


 


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CAPÍTULO 6: " A história de Lady Gwen"




Luna acordou com o suave tamborilar da chuva e a vaga recordação de sonhos cheios de cores e movimentos. Sentiu-se tentada a aconchegar-se sob os cobertores e voltar a dormir, a fim de encontrar de novo aqueles sonhos. Mas isso parecia errado. Um excesso de indulgência. Seria mais produtivo, decidiu ela, criar e manter uma rotina. Uma manhã de domingo chuvosa poderia ser mais bem aproveitada em tarefas domésticas básicas. Afinal, ela não tinha um serviço de faxina em Ardmore, como acontecia em Chicago. Em algum nível secreto, até que aguardava com alguma ansiedade a tarefa de limpar o pó e varrer, assim como todos os outros pequenos afazeres domésticos, que fariam com que o chalé se tornasse seu.
Refletiu que não era muito sensato da sua parte, mas sentiu alguma satisfação ao encontrar o material de limpeza, os panos, as escovas e vassouras. Passou uma parte agradável da manhã a limpar o chalé e a arrumar as velhas quinquilharias que a velha Maude espalhara por toda a parte. Havia fadas pintadas, elegantes feiticeiras, intrigantes blocos de cristal em todas as mesas e prateleiras.
 A maioria dos livros era sobre a história e o folclore da Irlanda, mas havia também diversos romances populares. A velha Maude gostava de ler histórias românticas, descobriu Luna; e achou que a idéia era maravilhosamente doce.
Em vez de um aspirador de pó, Luna encontrou uma vassoura antiquada. Cantarolava acompanhando o seu progresso, aos rangidos, sobre tapetes e soalho. Esfregou um pano molhado na cozinha. Sentiu uma satisfação intensa e surpreendente, quando os cromados e porcelanas passaram a brilhar. Mas confiante a cada minuto, ela pegou no pano de polimento e foi para o escritório. Cuidaria das caixas do pequeno armário em breve, prometeu a si mesma. Talvez ao final daquela tarde. E despacharia para a avó qualquer coisa que parecesse ter bastante valor monetário ou sentimental. No quarto, tirou as roupas da cama, recolheu o resto das suas roupas sujas. Descobriu que era um pouco embaraçoso o fato de nunca ter lavado roupa antes, em toda a sua vida. Mas, com toda a certeza, não seria uma atividade tão complexa que não pudesse aprender sozinha.
Ocorreu-lhe que deveria ter lavado a roupa antes de começar a faxina, mas lembrar-se-ia disso na próxima vez. Na divisão pequena, ao lado da cozinha, ela encontrou o cesto de roupa. Compreendeu que deveria tê-lo levado lá para cima, antes de mais nada. Mas largou as roupas no cesto agora. Descobriu também que não havia máquina de secar. Se não estava enganada, isso significava que teria de pendurar as roupas num estendal. E, embora fosse agradável observar Miranda Granger pendurando as roupas no estendal, fazer isso pessoalmente seria um pouco mais problemático. Mas teria de aprender. E aprenderia, Luna garantiu a si mesma.
 Depois, limpando a garganta, examinou a máquina de lavar roupa. Não era nova. Várias manchas de ferrugem destacavam-se na superfície branca. Os controles eram simples. Usava-se água fria ou quente. Luna presumiu que se usava a água quente, em abundância, quando se queria uma coisa bem limpa. Leu as instruções na caixa do sabão em pó. Seguiu-as à letra. O barulho da água a cair no tambor deixou-a radiante com o feito.
Para comemorar, pôs a chaleira com água no fogo, para fazer um chá. Presenteou- se com um punhado de biscoitos da lata. O chalé estava limpo e arrumado. O seu chalé estava limpo e arrumado, ela corrigiu. Tudo no seu lugar, a roupa suja a ser lavada... Agora não havia mais desculpas para pensar no que vira na noite anterior. A mulher na janela. Lady Gwen. O seu fantasma. Não havia qualquer possibilidade razoável de negar que vira a figura duas vezes. A visão fora nítida demais. Tão nítida que ela sabia que podia, mesmo com as suas habilidades rudimentares, desenhar o rosto que a observara da janela.
Fantasmas... Não fora criada a acreditar em fantasmas, embora parte dela sempre adorasse a fantasia das histórias da avó. Mas, a menos que se tivesse tornado de repente propensa a alucinações, já vira um fantasma duas vezes. Poderia ter resvalado pela beira do colapso que tanto a preocupava quando deixara Chicago? Mas já não se sentia tão insegura.
 Há dias que não tinha a dor de cabeça da tensão, nem o estômago enjoado, nem o peso de uma depressão iminente. Não, desde que entrara pela primeira vez no Faerie Hill Cottage. Sentia-se... bem, concluiu Luna, depois de uma rápida verificação mental. Desperta, calma, saudável. Até mesmo feliz. Por isso, refletiu ela, ou vira um fantasma, e essas coisas existiam mesmo, o que significava que precisava de reajustar todo o seu pensamento, em larga escala... Ou sofrera um colapso e o resultado era o contentamento.
Mastigou outro biscoito, pensativa, e decidiu que poderia conviver com qualquer uma das duas situações. Ao ouvir alguém bater à porta da frente, limpou as migalhas da camisola e olhou para o relógio.
Não tinha a menor idéia do que acontecera com a manhã, e tirara da mente, deliberadamente, a prometida visita de Rony. Aparentemente, ele estava ali agora. O que era ótimo. Trabalhariam na cozinha, decidiu Luna, tornando a colocar os ganchos nos cabelos, enquanto se encaminhava para a porta. Apesar da sua... reação química inicial, o seu interesse por Rony era agora puramente profissional.
Um homem que lutava com bêbados na rua e fazia flerte de uma maneira tão afrontosa com mulheres que mal conhecia, não poderia exercer qualquer atração sobre ela. Era uma mulher civilizada, que acreditava no uso da razão, diplomacia e compromisso para resolver divergências. Só poderia compadecer-se de alguém que preferia usar a força e os punhos. Mesmo que ele tivesse um rosto tão bonito e músculos que pareciam ondular quando eram usados.
Ela era sensata demais para se deixar ofuscar pela aparência física. Registraria as histórias de Rony, agradeceria a sua cooperação. E ponto final. Abriu a porta, deparando-se com Rony, parado à chuva, os cabelos brilhantes, o sorriso radiante como o Verão e igualmente indolente. E Luna sentiu-se tão sensata quanto um cachorrinho.
- Bom dia, Luna.
- Olá.
Um testemunho do efeito de Rony sobre ela foi o fato de ter demorado pelo menos dez segundos a notar no homem enorme ao lado dele, segurando um ramo de flores na
mão imensa. Ele parecia angustiado, notou Luna, a chuva a pingar da pala do boné encharcado, o rosto largo pálido como o luar, os ombros enormes vergados. Ele apenas suspirou quando Rony deu uma cotovelada firme nas suas costelas.
 - Bom dia, Sra. Lovegood. Chamo-me  Neville Longbotton . O Rony disse-me que me comportei muito mal ontem à noite, na sua presença. Lamento muito por isso e peço o seu perdão. Ele estendeu as flores para Luna, com uma expressão lastimável nos olhos inchados. - Acho que bebi um bocadinho demais. Mas isso não é desculpa para usar uma linguagem forte na presença de uma dama... embora eu não soubesse que estava lá, não é mesmo?
 Enquanto falava, ele lançou um rápido olhar a Rony, ao mesmo tempo que comprimia os lábios num gesto de rebeldia.
 - Não, não sabia. - Luna manteve a voz firme, embora as flores molhadas fossem tão patéticas que enterneciam o seu coração. - Estava ocupado demais tentando acertar um soco no seu amigo.
- Tem razão... mas Rony é muito rápido para que eu consiga acertar-lhe em cheio, quando estou sob influências, por assim dizer. - Ele fez uma pausa. Por apenas um instante, os lábios contraíram-se num sorriso de surpreendente meiguice. Depois, ele tornou a baixar a cabeça e acrescentou: - Mas, apesar das circunstâncias, não havia desculpa para me comportar daquela maneira na presença de uma dama. Por isso, vim pedir-lhe que me desculpe, com a esperança de que não pense muito mal de mim.
- Pronto! - Rony deu uma palmada calorosa nas costas do amigo. - Muito, bem feito, Nevill. A Srta. Lovegood é bondosa demais para guardar ressentimentos, depois de um pedido de desculpas tão bonito. - Ele olhou para Luna, como se partilhassem uma piada adorável, e perguntou: - Não é assim, Luna Francês Lovegood?
 Claro que era, mas irritava-a ter sido envolvida com tanta habilidade. Por isso, ignorou Rony e inclinou a cabeça para Jack.
 - Não penso nada de mal a seu respeito, Sr. Longbotton. Foi muito atencioso ao vir até aqui, trazendo-me flores. Gostaria de entrar para tomar um chá?
O rosto dele tornou-se radiante. - É muito gentil da sua parte. Eu não me importaria...
- Tem outros lugares para onde ir, Jack.
O gigante franziu o rosto. - Não tenho, não. Nenhum lugar específico.
 - Claro que tem. Precisa de fazer isto e aquilo. Leva o meu carro e cuida de tudo. Deve estar lembrado de que eu te disse que tenho negócios a tratar com a Sra. Lovegood.
- Está bem, está bem... - murmurou ele. - Mas não entendo por que razão uma xícara de chá faria qualquer diferença. Bom dia, Srta. Lovegood.
 De ombros vergados, com o boné a pingar, Neville Longbotton  voltou para o carro, em passos pesados.
- Poderia deixar que ele entrasse para sair da chuva. - Comentou Luna. - Parece não estar com muita pressa para me convidar a sair da chuva. - Rony inclinou a cabeça, enquanto estudava o rosto de Luna. - Talvez tenha guardado ressentimento, afinal de contas.
- Não me trouxe flores. Mas Luna recuou, para o deixar entrar, todo molhado.
- Na próxima vez não me esquecerei. Andou nas limpezas. O chalé cheira a óleo de limão, uma fragrância doméstica e agradável. Se me der um pano, posso enxugar toda a água da chuva que estou  deixando na sua casa limpa e arrumada.
- Pode deixar que eu cuido disso. Tenho de ir lá cima agora, para ir buscar o meu gravador e pôr tudo pronto. Trabalharemos na cozinha. Pode esperar por mim lá.
 - Está bem. - Rony pegou na mão de Luna, que franziu o rosto. Ele tirou as flores dos seus dedos. - Vou colocar as flores numa jarra qualquer, para que não murchem depressa.
- Obrigada. - O tom rígido e cordial era a única defesa que ela podia ter contra mais de um metro e oitenta de charme masculino, todo encharcado, no seu corredor. - Volto num minuto.
Luna demorou apenas um pouco mais do que isso, mas quando voltou, encontrou já as flores numa das garrafas de Maude, enquanto Rony fazia um chá. - Acendi o fogo na lareira para acabar com todo esse frio. Está bem?
- Claro. - Luna tentou não se sentir aborrecida pelo fato de que demoraria três vezes mais para fazer as mesmas tarefas. - Sente-se. Vou servir o chá.
- Ainda precisa de estar em infusão por um pouco mais de tempo.
- Sei disso. - Ela abriu um armário, tirou xícaras e pires. - Também fazemos chá na América.
- Luna virou-se, pôs as xícaras na mesa e acrescentou, irritada: - Pare de olhar para mim desse jeito!
 - Desculpe, mas é muito bonita quando fica tão agitada e com os cabelos soltos.
A rebeldia aflorou nos olhos de Luna. Ela pôs alguns ganchos com força suficiente para que penetrassem no couro cabeludo. - Talvez eu devesse ser bem clara. O nosso acordo é intelectual.
- Intelectual... - Com a sensatez necessária, Rony reprimiu o sorriso, mantendo uma expressão séria. - Claro que é sempre uma boa coisa ter interesse pela mente dos outros. Desconfio que  você tem uma mente forte. E dizer que é bonita não muda isso nem um pouco, não é mesmo?
 - Não sou bonita e não preciso de ouvi-lo dizer isso. Podemos começar?
Rony sentou-se, porque ela se sentara. Tornou a inclinar a cabeça para o lado. - Acredita mesmo nisso, não é? Muito interessante... num nível intelectual.
- Não estamos aqui para falar a meu respeito. Fiquei com a impressão de que possui alguma habilidade como contador de histórias e conhece alguns mitos e lendas desta região.
 - Conheço algumas histórias.
Quando a voz de Luna se tornava tão séria, ele tinha vontade de beija-la, começando por qualquer parte. Por isso, recostou-se na cadeira. Se intelecto era o que ela queria, ele achava que poderiam começar por aí... e depois continuar. - Talvez nem seja novidade para você. A história oral de um lugar pode mudar aqui e ali, de um contador para outro, mas a essência permanece a mesma. A história é contada de uma maneira pelos nativos americanos, de outra pelos aldeões da Romênia, e ainda de outra pelos habitantes da Irlanda. Mas os mesmos fios entrelaçam-se.
Enquanto Luna franzia o rosto, ele pegou na chaleira, para servir o chá. - Temos o Pai Natal, Santa Claus e Kris Kringle... um desce pela chaminé, outro enche os sapatos com doces, mas a base da lenda tem as suas raízes no mesmo lugar. Por isso, uma época após a outra, país após país, o intelecto chega à conclusão de que o mito está enraizado no fato. - Acredita no Pai Natal.
Os olhos encontraram-se, enquanto ele voltava a largar a chaleira.
- Acredito na magia, e acho que a maior parte, a mais verdadeira, está no coração. Já está aqui há alguns dias, Luna Francês Lovegood. Não sentiu a magia?
 - A atmosfera. - Disse Luna, ligando o gravador. - A atmosfera neste país é sem dúvida propícia para a formação e perpetuação de mitos, desde o paganismo, com os seus pequenos santuários e sacrifícios aos deuses, ao folclore céltico com as suas advertências e recompensas, e ao acréscimo da cultura sedimentada pelas invasões dos vikings, normandos, e assim por diante.
- É o lugar. - Discordou Rony. - Não as pessoas que o tentaram conquistar. É a terra, são as colinas, os rochedos. É o ar. E o sangue derramado em tudo isso na luta para o manter como era. Foram os irlandeses que absorveram os vikings, os normandos, e assim por diante, não o contrário. Lá estava o orgulho que Luna compreendia e respeitava. - Persiste o fato de que essas pessoas vieram para esta ilha, uniram-se a mulheres daqui, deixaram uma prole, criada com as suas superstições e convicções. A Irlanda também as absorveu.
- O que veio primeiro, a história ou o contador da história? Isso é parte do seu ensaio?
Rony era rápido, pensou ela. Uma mente ágil e uma língua hábil.
 - Não se pode estudar uma coisa sem se estudar a outra. Quem conta e por que, tanto quanto o que é contado.
- Está certo. Contarei uma história que me foi contada pelo meu avô, que a ouviu de seu pai, remontando pelas gerações, tão remotas quanto se possa imaginar, pois sempre houve um Potter nesta costa e nestas colinas, há mais tempo do que o próprio tempo pode lembrar.
 - A história foi transmitida pela linha paterna? - Como Rony franziu as sobrancelhas, Luna explicou: - Na maioria das vezes, as histórias são transmitidas, de uma geração para a outra, pela mãe.
 - É verdade. Mas os trovadores e os contadores de histórias da Irlanda são tradicionalmente homens. Dizem que esta foi contada pela primeira vez por um Potter, que vagueou até aqui, contando as suas histórias por uma moeda e uma cerveja. Ele viu algumas das coisas que vou contar com os seus próprios olhos, e ouviu o resto do próprio Carrick, o príncipe das fadas. A partir daí, ele contou a história a todos os que a quisessem ouvir.
Ele fez uma pausa, notando o interesse divertido nos olhos de Luna, depois começou:
- Havia aqui uma donzela chamada Gwen. Era de origem humilde, mas uma dama no coração e no comportamento. Tinha cabelos tão claros quanto a luz do sol no Inverno, olhos tão azuis quanto o azul pela manhã. A sua beleza era conhecida em toda a região.
Embora assumisse uma postura de orgulho, pois tinha um corpo esbelto e atraente, era uma jovem recatada. Como a sua abençoada mãe morrera durante o parto, era ela quem cuidava do chalé para o idoso pai. Fazia o que lhe mandavam e o que esperavam que fizesse. Jamais se ouviu qualquer palavra de queixa da sua boca. As pessoas viam-na, de vez em quando, a passear à noite pelos penhascos, parando para contemplar o mar, como se desejasse criar asas e voar. Enquanto ele falava, um feixe silencioso de raios de sol tremeluziu através da chuva, passando pela janela e iluminando a mesa entre os dois.
- Não posso dizer o que havia no seu coração. - Continuou Rony - Talvez seja uma coisa que ela própria não soubesse. Mas arrumava o chalé, cuidava do pai e passeava pelos penhascos. Um dia, quando levava flores para a sepultura da mãe, enterrada perto da fonte de São Declan, ela conheceu um homem... ou alguém que pensava ser um homem.
Era alto e mantinha uma postura direita, com cabelos escuros a ondular até aos ombros, os olhos tão azuis quanto as campainhas-azuis que ela levava nos braços. Ele chamou Gwen pelo nome. A sua voz era como música na cabeça de Gwen, e fez o seu coração disparar. E tão depressa quanto um raio, eles apaixonaram-se, sobre a sepultura da sua querida mãe, com a brisa a suspirar ao longo da relva alta, como fadas a sussurrar.
- Amor à primeira vista. - Comentou Luna - É um artifício muito usado em fábulas.
- Não acredita que o coração reconhece o coração? Uma estranha e poética forma de exprimir a idéia, pensou Luna; e ficou contente por ter gravado a pergunta.
- Acredito na atração à primeira vista. O amor exige mais tempo. - Baniu da sua mente quase tudo o que era irlandês. - Murmurou Rony, balançando a cabeça.
 - Não tanto que eu não aprecie o aspecto romântico de uma boa história. - Luna ofereceu um sorriso, com a insinuação das covinhas. - O que aconteceu depois?
- Por mais que o coração reconhecesse o coração, não era uma simples questão de um homem e uma mulher a dar as mãos e a unir as suas vidas. Pois ele era Carrick, o príncipe das fadas, que vivia no palácio de prata que ficava sob a colina em que ficava o chalé de Gwen. Ela temia um encantamento, e duvidava dos corações de ambos. E quanto mais o seu coração ansiava, mais ela duvidava, pois fora ensinada a ter cuidado com os habitantes do mundo das fadas e os lugares em que se reuniam.
 A voz de Rony, a subir e descer como música nas palavras, levou Luna a apoiar os cotovelos na mesa, encostando o queixo nas mãos.
- Mesmo assim, numa noite de lua cheia, Carrick convenceu Gwen a sair do chalé e a montar o seu cavalo alado, a fim de voar sobre a terra e o mar. Queria mostrar as maravilhas que ele lhe daria, se ela o aceitasse. O seu coração pertencia a Gwen, e dar- lhe-ia tudo o que tinha.
Rony fez uma pausa.
- Mas o pai, ao acordar com dores nos ossos, viu a jovem Gwen a elevar-se até ao céu no cavalo branco alado, com o príncipe das fadas atrás dela. No seu medo e falta de compreensão, ele pensou apenas em salvá-la do encantamento em que tinha a certeza que a filha caíra. Por isso, proibiu-a de sair de novo com Carrick. Para garantir a segurança da filha, prometeu-a em casamento a um jovem respeitável, que ganhava a vida no mar.
 E Lady Gwen, com o maior respeito pelo pai, tratou de conter o seu coração. Já não saía para passear, e preparou-se para casar, como o pai queria.
Agora, o pequeno feixe de sol que dançava sobre a mesa, entre os dois, desapareceu por completo. A cozinha ficou na semi-escuridão, iluminada apenas pelo fogo tremeluzente. Rony não se desviava dos olhos de Luna, fascinado pelo que via ali. Sonhos, tristeza e desejos.
- A primeira reação de Carrick foi de fúria intensa. Descarregou a sua raiva, com raios e trovoadas, com um vendaval a soprar pelas colinas, agitando o mar. E os aldeões, lavradores e pescadores tremeram. Mas Lady Gwen permaneceu sentada no seu chalé, absorvida nas suas costuras.
- Ele poderia simplesmente tê-la levado para a cidade subterrânea - interrompeu Luna. - E mantê-la-ia ali por cem anos.
- Ah, então sabe como se faz! - Os olhos azuis de Rony faiscaram em aprovação. - É verdade, ele poderia tê-la seqüestrado. Mas Carrick, no seu orgulho, queria que ela o acompanhasse na sua livre e espontânea vontade. Sobre esse aspecto, os habitantes do mundo encantado não são muito diferentes das pessoas comuns.
 Ele inclinou o rosto para o lado, estudando Luna. - Preferiria ser seqüestrada e levada embora, sem opção, ou ser cortejada e conquistada?
- Como não creio que a Boa Gente vá aparecer e fazer qualquer das duas coisas comigo não preciso de decidir. E prefiro saber o que Carrick fez.
 - Está bem. Vou contar o resto.
Ao amanhecer, Carrick montou o seu cavalo alado e voou para o sol. Colheu chamas ali, que transformou em diamantes maravilhosos, guardando-os num saco de prata. Levou os diamantes flamejantes e mágicos para o chalé de Gwen.
Quando ela saiu para o receber, Carrick derramou os diamantes a seus pés, declarando:
 “Eu trouxe estes diamantes do sol. Representam a minha paixão por ti. Aceita-os e a mim, pois dar-te-ei tudo o que tenho, e ainda mais.” Mas Gwen recusou, dizendo que fora prometida a outro. O dever continha-a, e o orgulho reprimia-o quando se separaram, deixando os diamantes entre as flores.
 E, assim, os diamantes transformaram- se em flores.
Quando Luna estremeceu, Rony pegou na sua mão.
- Sente frio?
 - Não. Ela forçou um sorriso. Num gesto deliberado, retirou a mão e pegou no chá.
Bebeu devagar, para aliviar a palpitação na garganta. Luna já conhecia a história. Podia ver tudo, o cavalo magnífico, a mulher adorável, o homem que não era um homem, o brilho intenso dos diamantes espalhados pelo chão. Vira tudo isso, em sonhos.
- Estou bem. - Acrescentou ela. - Tenho a impressão de que a minha avó me contou uma versão dessa história.
- Ainda não acabou.
 -Tem mais? - Luna tomou outro gole de chá, fazendo um esforço para relaxar. - O que aconteceu em seguida?
 - No dia em que ela se casou com o pescador, o seu pai morreu. Era como se o velho se estivesse se agarrando à vida, apesar de todas as dores, até ter a certeza de que Gwen estava sã e salva. O marido foi-se instalar no chalé. Deixava-a antes de o sol nascer, todos os dias, para lançar as suas redes ao mar. E a vida do casal acomodou-se em contentamento e ordem.

Quando ele fez uma pausa, Luna franziu o rosto. - Mas isso não pode ser tudo.
Rony sorriu. Tomou um gole de chá. Como um bom contador de histórias, sabia como mudar de ritmo, para manter o interesse.
- Eu disse que tinha terminado? Tem toda a razão, ainda não acabou. Pois Carrick não conseguiu esquecê-la. Gwen permanecia no seu coração. Embora ela levasse a vida que todos esperavam, Carrick perdeu a alegria pela música e pelo riso.
Uma noite, no mais profundo desespero, ele tornou a montar o seu cavalo e voou até à lua. Colheu a luz da lua, que transformou em pedras da lua, guardadas no saco de prata. Mais uma vez, foi procurar Gwen.
Embora ela esperasse o seu primeiro filho, deixou a cama do marido para o receber. Depois de uma breve pausa, Rony continuou:
- “Estas são as lágrimas da lua”, disse ele. “Mostram o meu anseio por ti. Aceita-as e a mim, pois dar-te-ei tudo o que tenho, e mais ainda.” Mais uma vez, ela recusou, embora as lágrimas lhe escorressem pela face. Pertencia a outro homem, esperava a sua criança, e não trairia o seu juramento. Voltaram a separar-se, com o dever e o orgulho.
As pedras da lua que ficaram no chão tornaram-se as flores-da-lua. Rony sorriu. - Assim, os anos foram passando, com Carrick à espera, e Lady Gwen a fazer o que dela se esperava. Teve filhos, que lhe proporcionaram alegria.
Cuidava das flores e lembrava-se do seu amor. Pois, embora o seu marido fosse um bom homem, nunca alcançava os pontos mais profundos do seu coração. E ela envelheceu, no rosto e no corpo, enquanto o coração permanecia jovem, com os desejos melancólicos de uma donzela.
- É muito triste.
 - É mesmo. Mas ainda não acabou. Como o tempo é diferente para fadas e mortais, um dia Carrick montou o seu cavalo alado, voou sobre Ela tinha cabelos brancos e os olhos opacos. Mas o príncipe das fadas via apenas a donzela que amava e por quem tanto ansiava. A seus pés, ele derramou as safiras, dizendo:
“Estas pedras são o coração do mar. Representam a minha constância. Aceita-as e a mim, e dar-te-ei tudo o que tenho, e mais ainda."
Rony balançou a cabeça. - E dessa vez, com a sabedoria da idade, ela compreendeu o que fizera, rejeitando o amor pelo dever, simplesmente por não confiar uma única vez no seu coração. E compreendeu também o que Carrick fizera, oferecendo pedras preciosas, mas nunca dando a única coisa que a poderia ter conquistado.
 Sem perceber, Rony fechou os dedos sobre a mão de Luna, em cima da mesa. E, quando se ligaram dessa maneira, aqueles poucos raios de sol voltaram.
- E o que ela precisava eram palavras de amor... em vez de paixão, em vez de anseio, em vez de constância. Agora, porém, Gwen estava velha e encurvada. Sabia o que o príncipe das fadas, não sendo mortal, ignorava: que já era tarde demais.
E Gwen derramou as lágrimas amargas de uma velha. Disse-lhe que a sua vida acabara. E disse também que se Carrick tivesse trazido amor em vez de pedras preciosas, se falasse de amor, em vez de paixão, anseio e constância, o seu coração poderia ter prevalecido sobre o dever. Ele fora orgulhoso demais, disse Gwen, e ela cega demais para ver o desejo do seu coração.
Rony fez outra breve pausa. - As palavras de Gwen deixaram-no irritado, pois ele trouxera o seu amor, várias vezes, da única maneira que conhecia. E agora, antes de partir, Carrick lançou um encantamento. Ela vaguearia e esperaria, como ele fizera, ano após ano, sozinha e solitária, até que corações sinceros se encontrassem e aceitassem os presentes que ele havia oferecido.
 Três vezes para encontrar, três vezes para aceitar, antes que o encantamento pudesse ser rompido. Carrick montou e voou pela noite. As pedras preciosas a seus pés tornaram-se flores de novo. Gwen morreu nessa mesma noite. As flores brotam sempre na sua sepultura, enquanto o espírito de Lady Gwen, tão adorável quanto a jovem donzela, espera e chora pelo amor perdido.
 Luna sentia-se estranhamente comovida, quase com vontade de chorar.
- Porque é que ele não a levou embora naquele momento, dizendo que nada mais tinha importância?
- Não foi assim que aconteceu. E você não acha, Luna Lovegood, que a moral é confiar no seu coração, e nunca se desviar do amor?
Ela controlou-se, ao compreender que ficara muito absorvida na história. Apercebeu- se que Rony até segurava na sua mão. Apressou-se em retirá-la.
- Pode ser. Ou então que cumprir o dever proporciona uma vida longa e satisfatória, embora não exuberante. As pedras preciosas não foram a resposta, por mais espetaculares que fossem. Carrick deveria ter olhado para trás, a fim de ver as pedras transformarem-se em flores... flores que ela guardou.
- Como eu disse,  você tem uma mente forte. É verdade, ela guardou as flores. - Rony passou um dedo por uma das flores na garrafa. - Era uma mulher simples, de hábitos simples. Mas há um ponto mais importante na história.
- E qual é?
- O amor. - Por cima das flores, Rony fitou-a nos olhos. - O amor, qualquer que seja o tempo, quaisquer que sejam os obstáculos, dura sempre. Eles apenas esperam que o encantamento acabe. Depois, Gwen irá ao encontro do príncipe das fadas no seu palácio prateado, sob a colina das fadas.
Tinha de sair da história e entrar no raciocínio, lembrou-se Luna a si própria. Fazer a análise.
- Muitas vezes, as lendas têm condições inerentes. Buscas, missões, dispositivos. Até mesmo no folclore, o prêmio raramente é alcançado em troca de nada. O simbolismo nesse ponto é tradicional. A donzela sem mãe a cuidar do pai idoso, o jovem príncipe num cavalo branco. O uso dos elementos: sol, lua, mar. Pouco se diz sobre o homem com quem ela se casou, já que é apenas um instrumento para manter os apaixonados separados.
Ocupada em escrever as suas anotações, ela levantou os olhos de repente, para descobrir que Rony a estudava, com uma expressão pensativa.
- O que foi?
 - É muito atraente a maneira como você oscila de um lado para o outro.
 - Não sei do que está falando.
- Enquanto eu contava a história,você mantinha os olhos sonhadores, o corpo relaxado. Agora, senta-se empertigada e tensa, uma profissional, pondo os pedaços da história que a deixaram encantada em pequenos compartimentos.
- É justamente esse o objetivo. E eu não estava com olhos sonhadores.
 - Posso saber disso melhor do que você, já que era eu quem a olhava. - A voz de Rony era outra vez quente, parecia envolvê-la. - Tem olhos de deusa, Luna. Grandes, com um azul enevoado. Eu vejo-os na minha mente, mesmo quando não se encontra por perto. O que acha disso?
- Acho que tem muita lábia. - Luna levantou-se, sem ter a menor idéia do que tencionava fazer. Em falta de qualquer outra coisa, levou o bule de chá de volta para o fogão. - E é por isso que sabe contar uma história de uma maneira fascinante. Eu gostaria de ouvir mais histórias, para as coordenar com as da minha avó e outras.
Ela virou-se abruptamente. Teve um sobressalto ao descobrir que Rony também estava de pé, logo atrás dela.
- O que está fazendo?
 - De momento, nada. - Ah, consegui deixar-te atrapalhada, não foi? , pensou Rony. Ele manteve a voz descontraída. - Fico feliz pela oportunidade de lhe contar histórias.
-Num movimento suave, ele pôs as mãos na beira do fogão, ladeando Luna, enquanto acrescentava:
- E, se quiser, pode ir ao pub numa noite tranqüila, e encontrará outras pessoas que também têm histórias para contar.
- É uma boa idéia. - O pânico começava a contorcer-se no estômago de Luna. - Eu devia...
- Gostou da noite passada? O que achou da música?
- Hum... - Ele cheirava a chuva... e a homem. Luna não sabia o que fazer com as suas mãos.
- Claro que gostei. A música era maravilhosa.
- Conhecia as canções? Ele estava mais perto agora, bem perto. Dava para ver o aro de cinza entre o preto sedoso das pupilas e o azul enevoado da íris.
 - Algumas. Quer mais chá?
- Não me importaria. Então, porque não cantou?
 - Cantar? Luna sentia a garganta seca. Era agora um feixe de nervos.
- Fiquei de olho em você durante a maior parte do tempo. Não cantou em nenhum momento, nem mesmo nos coros.
- Não, não cantei... - Ele precisava de sair daquela posição, pois estava a deixá-la sem ar. - Não costumo cantar, a não ser quando fico nervosa.
- Isso é verdade? Rony adiantou-se, fitando-a sempre nos olhos. Encostou o corpo ao dela, num ajustamento surpreendente. Luna sabia agora o que fazer com as mãos. Levantou-as no mesmo instante, para empurrar o peito dele.
 - O que está a fazendo?
 - Quero ouvi-la a cantar. Por isso, estou deixando-a nervosa.
Ela soltou uma gargalhada meio trêmula. Mas quando se tentou esquivar, só conseguiu comprimir-se ainda mais contra ele.
 - Rony...
- Só um pouco nervosa. - Murmurou ele, baixando a boca para morder levemente o seu queixo. - Está tremendo toda. - Outra mordidela, leve, provocante, e ele acrescentou: - Calma, calma... Estou apenas a atiçá-la e não querendo deixá-la apavorada.
Ele fazia as duas coisas. O coração de Luna batia fortemente, ressoava nos seus ouvidos. Enquanto Rony continuava a provocá-la, com mordidelas leves ao longo do queixo, ela descobriu que tinha as mãos imobilizadas, contra aquele peito que era como uma muralha sólida.
 E sentiu-se maravilhosamente fraca e feminina. - Rony, você está... Isto é... Não penso...
 - É melhor assim. Não vamos pensar em nada, por um ou dois minutos. Ele apanhou o lábio inferior de Luna - largo, macio - entre os dentes. Ela gemeu baixinho, os olhos ficaram turvos. Experimentou uma pontada de desejo intenso e impetuoso.
- Ah, como é maravilhosa... Rony ergueu uma das mãos. Deslizou os dedos pela clavícula. E, com ela dominada, beijou-a na boca. De início a experimentar, depois a saborear, afundando-se nos seus lábios. E enquanto ela resvalava para a rendição, Rony usou os dentes para a fazer ofegar. E foi mais profundo do que tencionava.
Luna continuou a tremer, fazendo-o pensar num vulcão prestes a entrar em erupção, uma tempestade na iminência de desabar. As suas mãos permaneciam presas entre os dois, mas os dedos agarraram a camisa de Rony, apertaram com força.
Ela ouviu-o murmurar qualquer coisa, um sussurro contra a muralha de som que era o seu sangue a escorrer a toda a velocidade pelas veias. A boca de Rony, tão quente, tão hábil; o corpo, tão firme, tão forte. E as mãos, leves como asas de mariposa no seu rosto.
 Luna nada podia fazer, a não ser ceder, entregar-se, ao mesmo tempo em que alguma parte sua, irreconhecível, a exortava a resistir. Quando ele se afastou, foi como se o mundo de Luna se inclinasse, derramando tudo o que havia dentro dela.
Rony manteve as mãos no seu rosto. Esperou que ela abrisse os olhos, focalizasse. Tencionara apenas experimentar, aproveitar o momento. Para ver. Mas fora além das suas intenções, entrando em algo fora do seu controle.
 - Vais deixar-me ter-te?
Os olhos de Luna eram imensos, vidrados em confusão e prazer. O que quase deixou Rony atordoado. Era uma sensação que não lhe agradava.
 - Deixar... o quê?
- Anda vanos lá para acima e deita-te comigo.
O choque veio, uma fração de segundo antes de Luna balançar a cabeça.
- Não posso. Não é possível. Seria uma total irresponsabilidade.
- Há alguém na América que esteja ligado a ti?
 - Como? - Porque não funcionava o seu cérebro? - Ah, não, não estou envolvida com ninguém.
- O brilho súbito nos olhos de Rony fez com que ela se empertigasse. - Isso não significa que posso... Não vou para a cama com homens que mal conheço.
 - Neste momento, acho que nos conhecemos muito bem.
- É apenas uma reação física.
- Tem toda a razão. Rony beijou-a de novo, com ímpeto e paixão.
- Não consigo respirar.
- Também estou a ter alguns problemas com isso. - Era contra o seu instinto natural, mas Rony recuou. - O que vamos fazer em relação a isso, Luna? Analisar a situação a um nível intelectual? A voz de Rony podia ter a cadência musical da Irlanda, mas ainda assim era capaz de magoar.
Porque queria estremecer, Luna tratou de se empertigar.
 - Não pedirei desculpas por não ir para a cama contigo. E se prefiro funcionar no nível intelectual, não é da sua conta.
Rony fechou a boca antes que a resposta ríspida pudesse escapar. Enfiou as mãos nos bolsos, e pôs-se a andar de um lado para o outro da pequena cozinha. - Tem sempre de ser racional?
- Sempre. Ele parou, fitou-a com os olhos contraídos, depois inclinou a cabeça para trás e riu, o que a deixou completamente confusa.
-Ora, Luna, se gritasse ou me atirasse algo, poderíamos ter uma boa luta e acabar engalfinhados no chão da cozinha. E, pessoalmente, confesso que me sentiria muito mais satisfeito.
 Luna permitiu-se um suspiro. - Não grito, não atiro coisas e não luto. Ele ergueu uma sobrancelha.
- Nunca?
 - Nunca.
O sorriso dele veio rápido, desta vez, com um lampejo de humor e desafio. - Aposto que posso mudar essa disposição. - Rony deu um passo em frente, balançando a cabeça, enquanto ela recuava. Ele apanhou um grupo de cabelos soltos e puxou-os. - Quere apostar?
- Não. - Luna tentou um sorriso hesitante. - Também não aposto.
- Com um nome como Lovegood, e dizes-me que não gosta de apostar. É uma vergonha para o seu sangue.
- Sou um testemunho da minha criação.
- Eu aposto todo o meu dinheiro no sangue. - Rony balançou para trás, estudando- a. - Bem, é melhor eu voltar agora. Uma caminhada pela chuva vai desanuviar a minha cabeça.
 Luna respirou fundo quando ele tirou o casaco do gancho. - Não está zangado?
- Porque deveria estar? - Ele fitou-a de alto a baixo, os olhos brilhantes e intensos. - Tens o direito de dizer não, não é mesmo?
 - Claro. - Luna pigarreou. - Apesar disso, imagino que muitos homens ficariam zangados.
 - Então não figuro entre esses muitos homens, não é? E, além disso, tenciono fazer com que seja minha... e conseguirei. Não precisa de ser hoje.
 Ele ofereceu outro sorriso, quando Luna se mostrou aturdida. Encaminhou-se para a porta, acrescentando:
- Pensa nisso, Luna Francês Lovegood, e pensa em mim, até eu pôr as mãos em ti de novo.
 Quando a porta se fechou, depois de ele ter saído, Luna continuou parada no mesmo lugar. E, embora pensasse naquelas palavras, pensasse em Rony, pensasse em todas as respostas incisivas, vigorosas e brilhantes que deveria ter dado, pensou muito mais na sensação de estar nos braços daquele homem. 



(Fim do capítulo)

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Comentários: 1

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Enviado por Bethany Jane Potter em 06/11/2014

Atualizaa...estou com saudades dessa fic!!!!!

Nota: 5

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