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1. O reencontro


Fic: O REENCONTRO - R e Her - Completo.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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O tempo é estranho. Muito louco.
Harry olhou para o jardim de sua casa, nos arredores de Londres e imaginou o que mais o destino lhe reservava.
Primeiro descobrira que era bruxo, quando na sua tenra infância supunha que viveria uma vida triste e só de órfão maltratado. Então descobrira o amor e amizade em um mundo tão bom e encantador quanto o bruxo, mas também descobrira o perigo e a dor.
E agora, quase cinco anos após o fim da guerra, que culminara com a morte de Voldemort, aos vinte e dois anos, Harry sentia-se livre. Livre de amaras. Era feliz. Sentia muita falta de seu padrinho, de seus pais. De seu melhor amigo, Rony desaparecido desde os dezessete anos, quando caçavam as hercrux e Voldemort o aprisionara.
Mas mesmo assim, seguira em frente. Destruirá Voldemort, vingara seus pais e amigos, e casara-se com Ginny logo que passou o luto da família Wesley pela perda prematura de Rony.
-Tio Harry! – uma vozinha veio gritando dos fundos do jardim. – tio Harry!
-O que foi, princesa? – abaixou –se para pegar o furacão Victoria.
Era uma doce menina, de lindos cabelos cacheados, cortados curtos, e muito castanhos. Tinha olhos azuis, tão sinceros e arregalados que muitas fezes fazia Harry sentir um aperto de saudade. Era grande para a idade de quatro anos e tinha um sorriso fácil na face.
-A mamãe disse que posso ficar aqui se a tia Ginny não se importar! Eu posso ficar? – ela perguntou com aquele ar sério e compenetrado que ela usava às vezes, lembrando muito a mãe dela.
-Porque esta perguntando para mim e não para ela?
-Porque... – a menina baixou a cabeça e Harry já imaginava o motivo – Tia Ginny não gosta muito de mim, tio Harry... – disse com voz chorosa.
-É claro que gosta, Vick! Quem não gosta de você? Heim? – fez careta para que ela sorrisse e conseguiu. – Por mim, você fica. Agora, vai lá na sua tia e pede para ela.
Pôs a menina no chão e ela saiu correndo pelo jardim atrás de Gina.
Harry suspirou. Esse era outro problema. Gina. Desde a morte do irmão, Rony, ela não permitia aproximar da menina, a filha que rony não sabia que teria e que nasceu seis meses após seu desaparecimento.
Muitas e muitas vezes ele e ela haviam conversado sobre isso, e ela queria mudar, mas não podia. Era triste demais ficar perto da menina. Trazia muitas lembranças.
Graças a Merlim, Hermione, a mãe de Vick, não pensava o mesmo. Ela amava aquela menina com loucura e nunca se desgrudava dela, sem saber que estaria bem cuidada.
Harry queria que rony pudesse ver o que a mistura dele e Hermione produziram. Victoria tinha uma personalidade arteira e sorridente, que gostava de esportes e brincadeiras no jardim, mas tinha horas que nada a afastava de um livro e seu humor era tão ácido quando o de Hermione.
A única neta dos Wesleys, uma vez que os outros filhos ainda não lhes deram outros netos, era tudo o que poderia se imaginar de uma menina amada e feliz.
Harry ouviu barulhos na cozinha e entrou.
Gina lavava as mãos na pia e não vira a pequena Vick parada logo atrás olhando para ela.Harry esperou para ver o que Ginny faria.
-Tia Ginny... – a menina disse bem baixo e tímida.
-Oi, Victoria. – Gina evitou aproximar-se, mas Harry pode ver de longe seus olhos brilhando para a menina.
-A mamãe vai voltar para a casa da vovó, e ela disse que se eu quisesse ficar e você deixar, eu Posso dormir aqui. O tio Harry deixou. Eu posso?
-Ah, claro, claro que pode... – ela disse meio sem desajeitada.
-Obrigada tia! – a menina abriu um grande sorriso e correu para ela oferecendo os braços, e Gina a pegou no colo para um abraço apertado.
Quando a menina soltou seu pescoço pôs as duas mãozinhas no rosto de Ginny e disse ficando triste.
-Tia Ginny, porque você está chorando? Eu fiz alguma coisa errada?
-Não meu amor, você não fez nada errado.
Gina sorriu, olhando para ela com tanto amor que doía em Harry.
-é por causa do papai? – a menina perguntou com naturalidade.
-Porque diz isso, Vick?
-Às vezes a mamãe chora por causa do papai. Ela disse que eu lembro muito ele. Porque todo mundo chora quando lembra do papai? Ele era mau?
-Oh, não! – ginny sorriu, sentando numa cadeira com a menina no colo. – Rony era igualzinho a você. Doce, bom, arteiro...Ele deixou muita saudade. É por isso que estou chorando. De saudade.
-Eu sempre digo para a mamãe não chorar, que o papai não vai demorar...Mas ela briga comigo e diz pra mim não repetir isso...
-Como assim? – gina a olhou e então olhou para Harry que entrou na cozinha ao ouvir a frase. – O que você quer dizer com isso, Vick?
-O papai, ele não esta longe. Ele não vai demorar....
-Como assim? Você...Você...O vê? – arriscou Ginny.
-Não, - ela disse serena. – É claro que não, tia Ginny! Como poderia? O papai não esta aqui, né?
-Então porque você disse que ele vai voltar? – perguntou Harry abaixando-se na altura dos olhos da menina.
-Eu só sei. – ela disse confiante.
-Tudo bem, - Gina a colocou no chão – Agora vai dizer para Mione que você fica, está bem? Vai! – sorriu para ela, - Ah, e diz para sua mãe que quero falar com ela antes que ela vá embora!
A menina apenas acenou e saiu correndo.
-o que foi Gina? – Harry notou sua perturbação – Crianças as vezes sonham com as pessoas e confundem as coisas...
-Eu não sei, Harry...quando eu era pequena tinha uma ligação muito forte com meu pai. Entre os bruxos isso é chamado de Patrius Sangue. É muito raro, mas não incomum. Mesmo hoje, adulta, eu posso saber quando meu pai está bem, ou não. Perto ou longe. E se...E se Vick puxou a mim?
-então ela saberia do Rony...
Pararam de falar quando viram Hermione os olhando.
-Hermione... – Gina aproximou-se – Vick sempre fala do rony?
Ela ficou desconcertada mas afirmou.
-Todos os dias. – disse afastando-se de Gina – Como se já não fosse difícil, ela ainda precisa falar dele todos os dias.
-Porque nunca nos contou?
-Porque faz cinco anos, eu tenho uma filha e não consigo esquece-lo nem um segundo. Eu preciso ir em frente, Harry. Mas não consigo. E não ajuda muito que ela tenha essa obsessão na volta do pai.
-Talvez não seja obsessão, Hermione. Algumas pessoas realmente podem sentir pessoas muito próximas, e vivas. Talvez Vick realmente esteja dizendo a verdade! – os olhos de Gina brilharam.
-São apenas sonhos de criança, Gina – ela respondeu suspirando derrotada.
-Me deixe leva-la para falar com a mamãe sobre isso? Ela entende disso melhor que eu.talvez...talvez...
-Se você quer fazer isso, faça. – Hermione disse cortante – Eu preciso ir agora. Até amanha.
-Até amanha, Mione...
Harry se aproximou de Gina e disse suavemente para não irrita-la.
-Precisamos ir com calma, Ginny. Pode não ser nada demais. Vick é só uma criança, não se esqueça disso.
Gina se afastou irritada.
-Eu sei! Mas posso ter esperanças não posso?
-Eu apenas não quero que se machuque mais ainda.
Ela não pareceu querer ouvir e saiu indo atrás da menina.


Molly Wesley observava a neta brincando com cubos de montar bruxos. Ela movia sua varinha de brinquedo e fingia enfeitiçar os cubos.
-quando ele chega? – perguntou Gina pela milésima vez.
-Já deve estar chegando. – respondeu – Falei com Heldor que era importante. Ele consultou você quando era pequena sobre sua ligação com Artur. Se Vick tiver o mesmo, ele saberá. Agora acalme-se, Gina.
Ambas ficaram em silencio. Minutos depois a porta se abriu e Artur entrou com um homem velho logo atrás.
-Molly! – ele cumprimentou – Como está?
-Nervosa. Aqui, esta é Victoria. – pegou a menina do chão sobre protestos e a colocou no colo do homem.
-Olá Victoria.
-Oi. – ela disse bastante tímida.
-Pode nos deixar sozinhos, molly? – Heldor perguntou.
Ela quis negar, mas saíram.
Levou minutos, que pareciam horas, quando ele apareceu na cozinha com a menina pela mão.
-Você tem uma netinha muito esperta, Molly. – ele disse quando ela pegou a menina no colo quase com desespero. Vick se contorceu para fugir daquele excessivo ataque de carinho. Mas desistiu.
-E então? – gina perguntou ansiosa.
-Victoria não tem ligação de patrius sangue. – disse com voz cansada – Eu sei que esperavam por isso, mas não. Ela não possui esse dom.
-Ah, eu pensei... – lágrimas inundaram os olhos de Gina.
-Por outro lado eu descobri algo interessante. Ela está desenvolvendo telecomunicação. É muito raro numa idade tão pouca e não havendo casos na família, mas eu diria que em poucos anos terão problemas para controlar isso.
-Seria possível que ela estivesse tendo contato com alguém dessa forma? – Artur perguntou bastante sério.
-Apenas se esta pessoa estiver viva, Artur. – o velho homem disse sério.
Depois de sua partida, Molly e Gina ficaram sozinhas com Vick.
-Vick? Você faria uma coisa para sua tia?
-Hum-hum. – disse sonolenta, no abraço de sua avó.
-Da próxima vez que seu papai falar com você, você pergunta onde ele está?
-Porque, tia Ginny?
-Apenas pergunte, está bem?
-A mamãe não gosta que eu fique falando sobre isso...
-Mas ela não precisa ficar sabendo, precisa?
-Eu não minto para a mamãe...Isso é feio. –ela disse seria.
-Não será uma mentia. Será o nosso segredo. O que acha? O seu segredo com a titia e a vovó?
-Tá. – disse virando-se nos braços de Molly na busca de mais conforto. – mas a mamãe não pode saber...
Em segundos adormeceu.



Harry virou-se na cama, e acordou com um movimento a seu lado. A cama havia se mexido. Ligou a luz pálida do abajur e deu de cara com dois olhinhos azuis e límpidos mirando-o.
-Teve um pesadelo, Vick? – embora ainda não tivesse filhos, cuidar dela e conviver com a menina lhe dera uma certa experiência sobre pesadelos no meio da noite e invasões de quarto nas horas mais impróprias.
-Não. – ela disse baixinho, e séria – A tia Ginny pediu que eu avisasse quando eu soubesse do papai. – cobriu a boca com a mão e os olhos arregalados – Era o nosso segredo! Eu estraguei tudo!
Harry sorriu e a fez deitar a seu lado, entre ele e Ginny.
-Tudo bem, pode contar para mim. O que você sonhou?
-Eu não sonhei. – ela disse seria e brava – Eu perguntei para o papai onde ele estava. Foi o que a tia Ginny e a vovó pediram.
-E onde ele sta? – mesmo sem querer, parte de Harry desejava acreditar nisso, tanto quando Gina.
-Eu não sei o lugar exato, o papai disse que tem um cheiro de pinheiro velho no outono, e entre uma brisa pela janela todas as manhas. Que as pessoas são boazinhas, mas sussurram e ele não gosta que sussurrem.
-E o que mais? – perguntou com um nó na garganta.
-Tem montanhas por detrás das janelas, e são verdes no verão e avermelhadas no inverno e que ele imagina todos os dias como seria sobrevoa-las e sumir no horizonte... E...
-O que mais? – viu que ela estava sonolenta.
-Tem o som do apito do trem, mais isso é irritante e chato, porque sempre toca quando ele esta dormindo. Ele acorda e pensa em mim. Por isso só nos falamos à noite...Porque é quando ele acorda. Harry, o que é um Erfim?
-Erfim? – ele franziu as sobrancelhas – É uma espécie de fada, que acompanha os mortos até o céu, ou conduz os doentes na dor. Porque?
-O papai perguntou seu eu era um Erfim. Se por isso que ele podia falar comigo...Eu disse que me chamava Vick. Mas ele não entendeu direito. O papai parecia confuso...
-Tudo bem, Victoria. Agora durma. Durma e descanse...
Fez carinho nos seus cabelos até que ela adormecesse. Então saiu da cama e foi apressado até seu escritório no primeiro andar.
Com a varinha ascendeu as luzes e fez uma pasta guardada no fundo de um dos armários voasse ate sua mão. Era ali que guardava tudo sobre o desaparecimento de Rony.
Abriu-a e pôs todos os papeis sobre a escrivaninha. Remexeu-os até encontrar o que procurava.
Uma foto bruxa. Aquela era a cidade das montanhas vermelhas. Uma cidade bruxa onde o comensal que seqüestrara rony fora encontrado morto. Mas não encontraram nenhum sinal de Rony. Reviraram a cidade e nada. A menos...Uma idéia começou a se formar na sua mente. Voltou lentamente para o quarto e vestiu-se. Deixou um bilhete para Gina e aparatou.

Hermione acordou com um suave ‘crac’ na sala. Só que podia aparatar na sua casa, era Harry e ela mesma, por motivos de segurança. Levantou-se e vestiu o roupão.
-Harry? – chamou-o assim que sai para o corredor.
-Estou na sala.
Ele a observou andar até ele. Estava descalça e tinha olheiras muito fundas. Ele sabia que ela sempre chorava. Todas as noites. Mas ainda machucava ver a prova disso.
-Algum problema com a Victoria? – disse rápida e assustada.
-Não, ela está bem. Eu...eu fiquei pensando nunca coisa, Hermione...eu não pude voltar a dormir.
-Pensando no que?
-Aquela noite, nos reviramos a cidade de cabeça para baixo, e não o encontramos...
-Harry, não. Por favor, não faça isso comigo. – ela olhou-o como se implorasse – Já é tão difícil aceitar...
-Mas e se deixamos passar uma coisa, Hermione? – ele se aproximou dela meio frenético – Aquela cidade é dividida em bruxos e trouxas. Nos olhamos apenas o lado bruxo.
-Mas é claro, Alfonso Trut, o comensal que o seqüestrou não tinha nenhum contato trouxa. Eles só poderia estar na parte bruxa!
-Mas e se não estivesse?
-Porque isso agora, Harry?
-Vick me disse que ele está num lugar com montanhas vermelhas no outono e onde as pessoas sussurram para não incomoda-lo. Bruxos não sussurram, Hermione. Médicos, sim. Médicos trouxas.
-E o que você quer fazer?
-Eu deixei um bilhete para gina dizendo que nos dois vamos ter de nos ausentar. Ela cuida da Victoria. Agora, se veste, mione, a gente tem muita coisa para fazer!
-Harry... – ela tinha os lábios trêmulos e o olhar banhado – E se estivermos errados novamente? Eu não vou suportar passar por tudo isso de novo...
-Vai, você vai sim. – ele segurou sua mão dizendo convicto – Agora se vista e pegue sua varinha.


Eles aparataram na estação de trem da cidade Marathan. Do outro lado do portal, que era o quarto pilar a direita da estação, ficava a entrada para o mundo bruxo.
-Aqui estamos. – disse Harry. – Vick disse que ele houve o apito do trem. Esse é o único trem da cidade.
-Precisamos pegar um mapa da cidade. – ela disse como sempre pensando a frente – O som do trem é alto, e pode ser ouvido por alguns metros ao longo dos trilhos. Precisamos descobrir quantas casas, clinicas, hospitais existem nesse percurso. – aproximaram-se de um guichê de atendimento – Olá, eu gostaria de um mapa da cidade, por favor. – ela entregou dois dólares trouxas ao rapaz do atendimento e Harry pode notar que suas mãos tremiam suavemente.
-Aqui. – Harry a chamou para perto de um banco.
Abriram o mapa e o estudaram atentamente.
-Precisamos alugar um carro e percorrer todo esse caminho. – ela disse. Dirigiu-se novamente ao guichê – Você sabe me informar onde consigo alugar um carro?
O rapaz anotou um numero e ela agradeceu novamente.
De posse da informação, foram para um canto escuro e aparataram para lá.
Horas mais tarde de posse do carro alugado, Hermione dirigiu ao longo da via expressa onde a linha do trem começava.
-Vick disse que ele podia sentir uma brisa entrando pela janela – Harry disse, observando os grandes prédios ao seu redor – Me parece impossível isso, ao menos aqui com esses prédios.
-Abra o mapa, Harry. Vê se tem alguma região que não tenha área urbana.
-Tem, mas o trem não passa nem perto.
-Onde fica?
-A uns trinta quilometro de onde estamos.
Muitas horas se passaram e a decepção aumentava. Por fim, percorreram todos os hospitais e clinicas da cidade. Nada.
Harry conversava com um jovem medico, no ultimo hospital que ainda não haviam ido, enquanto Hermione olhava para fora, pela grande janela que dava para rua. A seu lado uma velhinha, a observava.
-Dia difícil, jovem?
-Hã? Bem, sim... – disse voltando a realidade.
-Está procurando algum conhecido?
-Um amigo meu...Que desapareceu a muito tempo... – disse e sem querer lagrimas vieram a seus olhos. Olhou a mulher envergonhada da própria fraqueza.
-Não se envergonhe, querida. Eu lido com isso todos os dias. As pessoas ficam desesperadas quando perdem entes queridos.
-A senhora trabalha aqui?
-Não. – sorriu – Minha filha trabalha. Eu e meu marido possuímos uma casa de recuperação para pessoas abandonadas ou perdidas. Amnésia, coma, doenças infecciosas...Às vezes é muito triste.
Hermione sentiu o corpo tremer.
-A senhora conhece alguém com essa feição? – estendeu uma das poucas fotos normais que tinha dele, uma que tirara para que seus pais, trouxas, pudessem colocar na estante de casa, sem que seus amigos desconfiassem.
-Oh, sim...- a mulher sorriu – Cuido dele há muito tempo!
O chão lhe faltou. O ar sumiu. Harry observou de longe a cor de suas faces sumirem e viu seu corpo escorregar. Hermione desmaiara.
Harry dirigia lentamente. A senhora a seu lado no banco da frente conversava sem parar. No banco de trás, Hermione estava calada. A mulher lhe dera seu endereço e eles a levariam para casa e aproveitariam para ver se aquele rapaz que ela falava com tanto carinho era o rony que procuravam.
-Faz uns cinco anos, eu acho – ela dizia – Meu filho mais velho o encontrou num estacionamento. Estava bastante ferido. Nos o levamos para o hospital, mas os meses se passaram e ficou obvio que ele não acordaria. Não tinha família, nem conhecidos. Então o levamos para nossa casa. Minha filha é especialista em coma. Mas nunca viu nada igual. Espero realmente que seja ele mesmo que procuram.
O carro foi estacionado em frente a casa, e eles deceram. Na porta um senhor bastante velho, os recebeu.
-Por aqui, entrem. O quarto doze é o dele.
Harry pôs a mão na maçaneta, mas não teve coragem de abrir. Hermione o afastou e abriu ela mesma.
A primeira coisa que viram, foi a grande janela aberta, onde viam as montanhas avermelhadas. A brisa fresca do fim do dia entrava pela mesma e a luz do sol de outono aquecia o aposento.
Havia pouca coisa. Uma mesinha de canto, uma cama, e uma pequena estante com toalhas, lençóis e um radio pequeno.
Hermione se aproximou do rapaz deitado. Não era preciso olhar uma segunda vez. Seu coração sabia desde a hora que a mulher falara com ela. Ele tinha os olhos abertos e olhava para a janela. Não pareceu notar a presença deles.
-Rony... – ela chamou baixinho, se aproximando. – Rony, sou eu. Hermione...
estendeu a mão para tocar na dele, mas perdeu a coragem. Era tão irreal estar ali com ele depois de acreditar na sua morte. Era como um sonho. E tinha medo de acordar. Ele virou a cabeça na direção do som da sua voz, mas apenas a olhou.
-Ele não se comunica. Sabemos que entende um pouco do que acontece a sua volta, mas não sabemos se tem consciência de quem é, ou porque está aqui.
Criando coragem ela tocou sua mão. A pele era quente. Como ela se lembrava. A pele mais macia que no passado. A cobriu a com a dela e disse com voz baixa:
-Harry?
-Estou aqui, Hermione. – ele se aproximou ainda incrédulo. A garganta apertada de emoção.
-Rony? Você sabe quem eu sou?
Ele apenas a olhava. Mas não importava, pensou. Se apenas pudesse vê-lo e tocar sua pele seria uma mulher feliz. Um sorriso nasceu no seu rosto e lagrimas correram no seu rosto.
-Eu quero leva-lo para casa, sra.Braxer.
-Sem problemas. Mas preciso que se identifique primeiro, só posso libera-lo com a presença de algum familiar.
-Isso não vai ser problema. – disse Harry – Vou avisar a familia. Os irmãos e os pais.
Hermione agradeceu que ele fizesse isso.
-Eu posso ficar aqui, sra.Braxer? cubro a estadia. – disse apressada, sem soltar a mão dele – Eu...não posso deixa-lo...
mordeu o lábio para conter o pânico e as lágrimas que ainda insistiam em vir.
-Certo... – a mulher disse bondosa – Vamos acertar isso lá fora, sr.Potter?
-sim,vamos... – ele não queria se afastar, mas precisava dar esses momentos para Hermione ficar com ele.
Aturdida ela sentou-se na poltrona ao lado da cama, sem soltar sua mão. Os olhos dele a emocionavam. Tão azuis. Tão serenos. Tão parecidos com os de Vick.
Não era o momento para falar sobre ela e tudo que Hermione desejava era toca-lo. E foi o que fez. Passou suavemente a mao pelos cabelos dele, sempre tão macios e brilhantes. Ele fechou os olhos, e abriu-os novamente.
-Você gosta disso, não é? Sempre gostou. – disse sempre muito baixo só para ele – Você sabe quem eu sou, Rony. Eu sei que sabe. Foi você quem nos trouxe ate aqui, não foi?
Havia uma veia pulsante no pescoço dele, aquela mesma que sempre pulsava quando ele ficava frustrado. Ele queria se comunicar. Ela tinha certeza.
-Não se preocupe. Trouxas não poderiam ajuda-lo. Mas vamos leva-lo para casa. Vamos curar você...e se não pudermos, não importa, vamos estar juntos, rony. Novamente. Não sabe o tamanho da saudade que senti esses anos todos...do medo de nunca mais vê-lo...do medo que sentia toda vez que pensava na sua morte. Eu não pude aceitar. Isso doía tanto. Eu...tem tanta coisas que precisa saber. Tantas. Eu...
estava quase contando de Vick quando a porta se abriu novamente. Era Harry.
-Eu liguei para Tonks. Ela é a única que tem telefone. Ela está indo falar com todos. Logo, estarão aqui e poderemos leva-lo.
Ela não disse nada. Olhou para Harry e viu em seus olhos o mesmo sentimento que havia nos seus.
-Ele esta aqui, Harry.
-Eu sei. Eu...Pedi que não contasse ainda para Gina...eu queria que ela fosse preparada primeiro. – tocou a mão de Rony e este o olhou. – Gina nunca desistiu de você, Rony. Nunca.
-Devíamos ter procurado mais, Harry.... –ela disse baixinho, se afastando de Rony e olhando para Harry com tanta dor e culpa no olhar que o machucou.
-Não faça isso, Hermione. Não se culpe.
-você não entende. Vick sempre falou sobre ele desde os três anos! Se eu houvesse ouvido, se eu tivesse pedido ajuda...eu...
-vick é só uma menina, Hermione. Se ela não fosse tão esperta para a idade seria bem provável que nem falasse do assunto. Alem do mais, não temos tempo para lamentações. – olhou para Rony e sorriu – Temos muito o que fazer.
Ela sorriu, limpando as lagrimas e voltou a sentar-se segurando a mãe de rony.
-Eu não vou sair daqui, Harry. Se importa de cuidar de tudo sozinho?
-Não. Claro, que não. Eu não devo demorar. – ele tocou a mão do amigo, junto com a mão dela, e com um ultimo olhar despediu-se.


Se alguém perguntasse a Hermione como havia sido os últimos dois dias ela simplesmente diria não saber. Não saíra um momento do lado de Rony e mal vira o tempo passar. Assistira emocionada a visita do sr.e da sra.Wesley, quando vieram busca-lo e ver o filho. Mesmo assim não participara de toda comoção. Mantivera-se de longe, afastada, apenas aguardando o momento que eles partiriam para que pudesse segurar novamente a mão dele e falar com ele. Mesmo que ele não respondesse. Tinha tanto o que contar. Precisava daqueles momentos junto dele depois de tanta saudade. De tanta tristeza.
Quando eles o decidiram levar embora, havia sido meio complicado, pois o sr.Wesley, Fred e Jorge, junto com Harry, haviam feito um roda a seu redor e aparataram. Restou a Hermione desfazer a memória do simpático casal que cuidara dele por tantos anos. Antes de aparatar ela decidira que ainda voltaria ali, pois desejava recompensa-los pela dedicação ao cuidar do amor de sua vida.
Aparatou diretamente na sala dos Wesleys, na Toca. Gina estava sentada, abraçada a Vick no sofá. Tinha o rosto marcado pelas lágrimas e apertava a menina contra ela.
-Mamãe! – vick tentou se soltar – Onde você estava?
Sentindo-se culpada por tê-la deixada sozinha durante dois dias, uma vez que nunca se separavam, andou até ela e a tirou dos braços de Gina, abraçando-a bem forte.
-Precisei me afastar, Victoria, mas estou de volta. Sentiu minha falta, bebe?
-Hummm... – ela fez cara de pensativa então abriu um enorme sorriso – Senti, mamãe! Senti muita!
-Eu também senti a sua. – olhou para Gina e disse – E você? Como está?
-Como eu poderia estar? – ela sorriu, limpando as lagrimas – Nem eu sabia o quanto amava meu irmão até vê-lo novamente...
-Eu sei o que quer dizer... – sussurrou.
-Harry foi buscar madame Polfrey e prof.Minerva. elas conhecem muito sobre feitiços e poções. Se houver algo para se fazer, elas saberão...
hermione apertou a filha nos braços e a menina se moveu sufocada.
-Mamãe...você está me amassando!
-Desculpe, querida...eu só queria sentir você. – sorriu.
A menina sorriu de volta, com aquele sorriso fácil e contagiante, igualzinho ao de Rony, e abraçou a mãe.
-Agora posso ir pro chão? Eu quero brincar...
-É claro que pode! – a pôs no chão. Vick resolveu sair para o jardim antes que sua tia, com aquela cara de carente, a abraçasse de novo.
Hermione andou até a janela, observando-a brincar com bichento, que corria atrás dos gnomos. Bichento era um bom animalzinho, quando Vick estava com ele, Hermione ficava tranqüila.
-Meus irmãos estão com o rony lá em cima, no quarto que sempre foi dele. Até Fler está um caco com a noticia. Você sabe, foi um choque para todos nos, depois de tanta dor.
-Você vem dizer isso para mim? – Hermione despencou sobre o sofá mordendo o lábio de aflição – E achei que fosse morrer quando descobri que esperava a Vick, três dias depois de saber que Rony havia...todos tínhamos certeza da sua morte. Foi duro demais. Eu achei que não conseguiria. Mas...quando ela nasceu eu tive esperanças de esquece-lo. Ela me enchia de alegria e me fazia querer acordar todas as manhas...mas o tempo passou e a saudade parecia cada vez maior e maior e só o amor que eu tinha por Vick não era o bastante para me fazer superar...eu...
-Não precisa me dizer essas coisas, Hermione. Se tem alguém que sabe o que você sofreu, esse alguém sou eu. – ela ergueu-se e sentou ao seu lado, abraçando-a – Você é como minha irmã. Sabe disso não sabe?
Ela concordou mais reconfortada.
Som de passos nos jardim e o gritinho empolgado de Vick anunciaram a chegada de visitantes.
-Vó Minerva!
Na sala, Gina sorriu e limpou as lagrimas, brincando:
-É incrível que prof.Minerva não estopore Vick por chamá-la assim!
-Elas se dão muito bem. – respondeu Hermione com naturalidade. – E você sabe que pra vick todo mundo é “vó” e “vô”.
-Sei. – desdenhou – E isso não tem nada a ver com ela ter livre aceso a sala da diretoria, tem? Eu nem sabia que Minerva era capaz de segurar uma criança no colo e olhe só: tem uma neta postiça!
-Você e suas brincadeiras sem graça – Hermione disse sem jeito.
Ainda tinha na mente o quanto a velha professora lhe fora bondosa em seu pior momento. Fora a ela que recorrera quando descobrira da gravidez. Ela que a aconselhara a dar tempo ao tempo e lutar para ser feliz.
As duas mulheres entraram, com Vick saltitante ao redor da velha diretora. Ainda mais sisuda que de costume.
-Ele esta lá em cima. – disse Gina apressada, sem dar tempo para conversas.
Hermione sentiu o olhar da diretora sobre ela e forçou um pequeno sorriso. Quando viu-se só na sala sentou no sofá, bichento vindo sentar em seu colo. Ela sentiu-se novamente adolescente, sensível e frágil.
Sentiu o movimento a seu lado e olhou para vick que a observava.
-Você está triste mamãe?
-Não, querida. Não estou triste. – mentiu.
-Está sim. Todo mundo está triste. Eu não sei porque....eu estou feliz pelo papai ter voltado...
-Quem te contou? – estranhou.
-O papai. Ontem a noite ele me disse que o haviam encontrado e ele estava voltando para casa.
-Ele..estava feliz? – arriscou.
-Sim.
Vick ficou dispersa, olhando para o outro lado, e Hermione tocou seus cabelos com carinho.
-O que foi, vick? O que não está me contando?
-Ninguém me deixa ver o papai... – lagrimas se formaram em seus olhos e cortou o coração de Mione.
-Isso porque você é muito pequena ainda. Sei que é muito inteligente para aceitar esse argumento, mas é assim que deve ser, meu anjinho...é muito difícil para todos nos, e menos esperta, você não pode entender exatamente por que. Mas um dia vai entender.
-Eu achei que...que o papai não quisesse me ver... – disse fazendo uma carinha que a fez sorrir.
-Victoria, rony não sabe de você. – disse de um fôlego só antes que perdesse a coragem – Eu só descobri que a esperava, alguns dias depois do desaparecimento dele. Por isso é melhor que ele não a veja agora. Você entende?
-Mas o papai vai gostar de mim quando me conhecer?
-É claro que vai! – disse sorrindo – Ele vai ama-la do mesmo modo que eu a amo. E sabe porque?
-Não, mamãe...
-Porque você é parte de nos dois. Nossos sentimentos criaram você, Vick, e são esses sentimentos que o fará ama-la, assim como eu a amo.
-O papai também ama você, mamãe? – ela perguntou inocente.
Essa era uma coisa que ela não se permitira pensar ainda.
-Sim. É claro que amo. Assim como ele ama Tia Ginny, Harry, seus a avós... – desconversou.
-E a gente vai ser uma família, mãe? Nos três?
A garganta dela apertou, mas não soube o que dizer. Talvez ele nem melhorasse, e caso um milagre acontecesse, talvez ele não sentisse mais o mesmo por ela. Ou talvez nunca houvesse sentido.
Eles se amavam como dois adolescentes. Enfrentaram perigos e as descobertas do amor juntos, mas nada além disso. Nunca falaram em casamento, ou em viver juntos.
-Nós não precisamos pensar nisso agora, Vick...temos muito tempo para isso ainda...
-Você não sabe, não é? Eu sei que esta confusa, mamãe... – Vick passou a mão no rosto de Mione e ela fechou os olhos fingindo morder sua mão pequena.
-Ai, mãe! – ela riu e se encolheu.
-Olha só que neném coceguento esse! – Hermione começou a lhe fazer cócegas na barriguinha e ela se contorceu.
-Vovó! – ela gritou vendo a sra.Wesley descer as escadas – Me salva, vovó! – disse rindo.
Hermione parou as cócegas e apenas olhou para a mulher. Mais séria que alguma vez a houvesse visto.
-É melhor você subir, Hermione. Eu fico com Victoria.
Com o coração acelerado ela subio as escadas.
Quantas vezes estivera naquele quarto? Perdera a conta. Primeiramente, como amiga, nas férias, para acorda-lo ou brigar com ele. Depois como amante, em noites roubadas de calmaria, depois que todos dormissem, e recentemente quando a saudade apertava seu peito e precisava de um lugar para chorar. Quantas e quantas vezes não subira aquelas escadas grávida, e sentara na cama dele, implorando para que aquele inferno passasse e ele voltasse????
E hoje, ele estava ali dentro, não como no passado. Cinco anos se passaram. Não eram mais as mesmas pessoas. Fisicamente ele estava igual. Eram jovens. Mas suas almas e corações passaram por muitas coisas.
Entrou lentamente. Ele dormia.
-Ai está você, Hermione. – disse Minerva – Como você está?
-Bem. – disse séria.
A mulher suspirou e olhou de relance para Polfrey.
-Nos já sabemos o que aconteceu. É um feitiço chamado “desalma”. É um milagre que ele esteja vivo, pois esse feitiço separa a alma do corpo. – vendo seu olhar apavorado explicou-se – Mas eles está bem, levando-se em conta tudo.
-Pode cura-lo? – sua voz tremeu ao perguntar.
-Achamos que sim. Mas não será fácil ou rápido.
Aquelas palavras demoraram a entrar na cabeça dela. Estava preparada para o pior.
-Madame Polfrey vira todos os dias ministrar o tratamento e...
-Não será necessário. Eu sou medibruxa, posso ministra-los desde que me oriente. – disse Hermione.
-É preciso dedicação total. Não pode sair da cabeceira dessa cama, Hermione, e isso pode demorar meses. Você tem uma filha, não pode fazer isso com ela e com você.
-apenas me diga como fazer. – disse decidida.
-Hermione... – Ginny tentou argumentar.
-Se eu precisar de ajuda, eu peço. – ela disse abrandando o tom da voz – Além do tratamento será necessário alguma sessão de memória? – perguntou rapidamente assumindo o tom profissional.
-Achamos que não – madame polfrey disse – Ele parece entender o que dizemos. Mas apenas quando se comunicar verbalmente poderemos ter certeza. Eu irei para a escola preparar o medicamento e amanha bem cedo estarei aqui para orienta-la.
Ela concordou e a viu sair com Minerva. Sozinhos no quarto, os três se entreolharam.
-Eu não sei nem o que dizer... – Ginny começou, sorrindo.
-Victoria já sabe do Rony. – Hermione confessou baixinho para não acorda-lo – Ela me disse que eles se comunicaram a noite...como das outras vezes.
-Eu andei pensando bastante nisso, Hermione. – Harry disse – Deveríamos deixa-la ter contato com ele. Pode ser uma forma de saber do que ele precisa, o que ele sente.
-Tenho medo que ele fique confuso sobre ela. Não posso pedir que ela minta sobre quem é. Eu...
-Eu falo com ela. – Harry pôs a mão em seu ombro – Vick é muito esperta. Ela vai entender.
-ele está acordando... – disse Ginny encantada.
Ela só o vira dormindo e levantou-se para ver seus olhos.
-Oi, mano. Quanto tempo...- passou a mão pelo rosto dele – Senti tanto a sua falta...
-Gina... – Harry protestou, não deveria chorar na sua frente.
Ela suspirou e levantou, abraçando Harry, sem saber como agir.
-Você está em casa agora, rony. E tem uma pessoa que vai gostar de conhecer. – ele disse se afastando em direção a porta.
Os olhos de Rony o acompanharam. A ele e Ginny. Sozinha com ele no quarto, Hermione, ficou subitamente tímida.
Ele apenas olhava para ela. Não havia nada demais na sua expressão, estava neutro.
Sentindo uma dor no coração, ela fingiu arrumar os lençóis sobre uma cadeira e buscou entre eles um cobertor fino a qual colocou sobre ele, até a cintura.
-Está esfriando... – disse afoitamente – Logo o inverno vai chegar de vez...Vamos precisar de mais cobertas e...- lagrimas correram por seu rosto e ela se sentou na beira da cama. - ...Você não quer saber do frio...não é? – olhou para ele – Você está em casa, é isso que está acontecendo. Vamos cura-lo, rony. Vai demorar e talvez nada seja igual depois disso, mas você vai estar conosco e isso basta. – olhou para ele e ouviu passos no corredor. Secou as lagrimas e levantou-se da beirada da cama quando a porta abriu-se.
Harry vinha com Vick pela mão. Ela olhou para a mão e então para Rony. Soltou da mão de Harry e andou até Rony, subindo na cama.
-Oi. – ela disse docemente, olhando para ele – Eu que sou a Vick. Agora você me conhecesse! – disse como se falasse com uma criança como ela.
Ficou em silencio longos minutos e então saiu da cama.
-Vick? – Harry a chamou quando ela andou até a mesinha perto da janela. – O que foi?
-Vou ler para o Rony. – ela disse como se fosse a coisa mais natural do mundo – O Livro do Século. Sobre Quadribol. A parte final. Faltou o ultimo capitulo. Ele ficou todo esse tempo querendo saber isso. – disse como se fosse uma grande coisa – Ah, mam... – parou antes de chamá-la de mamãe – Será que poderiam nos deixar sozinhos? Rony está cansado.
Hermione a olhou como se a desafiasse a manda-la sair novamente. Mas a mão de Harry no seu ombro a fez sair.
Antes da porta se fechar ela ainda tentou espiar os dois mais um pouco mas a mão de Harry em seu braço a guiou para a escada.
-Venha. Vamos tomar um café. Deixe os dois sozinhos um pouco.
Era bem tarde, quando Hermione subiu ao quarto novamente. Abriu a porta e sorriu. Rony olhava para a parede em frente a cama onde havia o pôster velho dos Chulders. Deitada na cama, Vick havia adormecido com o livro sobre o cobertor.
Hermione aproximou-se e acariciou os cabelos da menina, sentindo o olhar de Rony sobre ela. Teve vontade de dizer quem Vick era. Mas era melhor não. Não agora.
Jogou o livro sobre a mesinha ao lado da cama e pegou Vick no colo. Ela resmungou acordando e enlaçando seu pescoço.
-Boa noite, Rony. – disse baixinho, para que Vick não se sobressaltasse – Durma bem...
quis lhe dar um beijo de boa noite, mas não se sentiu confiante para isso. Fazia tanto tempo e ele sequer lembrava dela. Ou se lembrava, deveria estar confuso. Beijou os cabelos de Vick, como fazia todas as noites, imaginado ser os dele e saiu do quarto, abaixando a potencia da luz até estar agradável para que ele dormisse.
Quando madame Polfrey chegou, na manha seguinte, a encontrou de pé, vestida e pronta para trabalhar. Todo o constrangimento que sentia perto dele evaporou no memento em que a medibruxa dentro dela veio a tona.
Observou detalhadamente como deveria ministrar as poções e quais as reação esperadas.
Ficou amplamente contrariada quando ao meio dia apareceu uma mulher na casa, chamada Angélica. Ela faria exercícios regulares com ele, para fortalecer a musculatura das pernas e dos braços.
Por não ser uma área que Hermione dominasse ela aceitou sem fazer alarme. Mesmo assim, sentia-se péssima toda vez que saia do quarto e o deixava nas mãos dela. Mãos capazes, como diria Harry.
Ele havia contratado a melhor profissional da área. Isso ela entendia e agradecia a ele. Mas porque não podia acompanhar as cessões de terapia? Porque tinha que sair do quarto toda a vez que ela entrava? Será que ninguém entendia que ela o amava e não queria ser afastar nem um centímetro?
Que a saudade que sentira nesses últimos cinco anos apenas servira para aumentar seus sentimentos e torna-la mais e mais ligada a ele?
Os dias passaram rapidamente. Hermione praticamente não viu e nem falou com ninguém. Levantava antes do amanhecer e ministrava os remédios. Depois ficarias as primeiras três horas observando os efeitos. Então lhe daria o almoço e recomeçaria tudo de novo.
Lá pelas quatro da tarde, a sr.Wesley subia e pedia para que saísse para banha-lo. Hermione lembrava com clareza da discussão que tiveram da primeira vez, sobre isso.
-Porque eu tenho que sair? – exclamou chocada.
-Porque eu e Ginny vamos dar banho no Rony. – a senhora explicara como se fosse a coisa mais normal do mundo.
-Eu sei disso. Sou medibruxa. E já dei banho em muitas pessoas convalescendo. Alem disso, eu já o vi nu mais vezes que a senhora! – disse indignada.
Fora o estopim para ser expulsa do quarto. Ela tinha uma filha com ele. Como a sra.Wesley imaginava que vick havia sido feita? Heim????
Mais tarde Harry a censurara, mas ela não entendia. Nem queria se afastar dele.
-Harry, eu posso dar banho no Rony. Ela não precisa fazer esse drama todo! É...é...ridículo!
-Deixe ela, Hermione. A sra.Wesley tem idéias mais antigas que as nossas.
E assim os dias passaram.
Naquela manha, seis dias depois de encontra-lo, ela bebia uma xícara de café, sentada perto da cama dele, observando-o dormir. Havia ministrado a poção da manha e esperava para ver suas reações. Por hora, ele apenas dormia calmamente.
Estava tão distraída contemplando-o e decorando seus contornos, que nem notou quando Vick abriu a porta do quarto.
-Mamãe? – ela olhou de Hermione para Rony e se aproximou mais. – Eu posso entrar?
-É claro que sim, Vick! – sorriu, largando a xícara na mesa ao lado da cama, e estendeu a mão para ela – Vem!
A menina correu para seu colo, sentando-se nos seus joelhos. Hermione a abraçou muito forte, sentindo seu cheiro de bebe, de talco macio.
-Estava com saudade, mamãe...
-Eu também. Como tem sido ficar com o tio Harry e a tia Ginny?
-Eu gosto de ficar com eles. – ela disse bastante séria – Mas sinto falta de você, e do papai.
Hermione a abraçou mais forte, notando que Rony havia acordado. Ele as olhava insistente, e ela se perguntou o quanto ele poderia entender do que via. Vick era muito parecida com ela mesmo, a primeira vista. Miúda, pele clara e cabelos cacheados castanhos. Mas os olhos, o sorriso e o jeito era todo dele.
-Bom dia, Rony. – ela disse tentando soar neutra – Você adormeceu depois de tomar as poções. – ela sempre explicava tudo para ele, caso ele pudesse entender. Uma coisa que sempre o incomodara, desde a infância, quando se conheceram, era ficar por fora dos assuntos importantes – Deve estar sentindo um pouco de dormência e talvez seus olhos fiquem com manchas pretas, quando fixar o olhar, mas é normal e esperado....
-Mamãe, ele esta ficando confuso. – Vick disse naquele seu tom de enfadonho quando a mãe começava a falar como medica – Apenas diga que ele está tudo bem.
Em momentos como esse Hermione entendia o porque da sra.Wesley ter criticado tanto seu método de criar Vick. Independência demais, e regras não combinam. Por isso ela se achava no direito de contradizer a própria mãe. Mas não era uma coisa ruim. Ela era verdadeira e autentica.
-Posso ler para o Rony? -ela perguntou evitando o ‘papai’.
-Pode sim, querida. Vou lá embaixo, buscar o café da manha de Rony. – saiu da cadeira e do quarto.
Desceu contando os degraus. Milagrosamente a cozinha estava vazia. Apoiou-se na pia cansada. Era manha ainda, mas não dormira bem. Na verdade, não dormia a dias, desde que o encontraram vivo.
-Está tudo bem, Hermione?
-Harry! – assustou-se, mas tentou sorrir – O que faz aqui tão cedo?
-Vim falar com você. – ele disse sério. Tirou um papel dobrado de dentro do casaco e estendeu para ela.
Hermione desdobrou e leu rapidamente. Era uma passagem, para Berlim.
-O que é isso Harry? – disse ficando tensa.
-Todos nos conversamos muito, Hermione. O tratamento do Rony vai demorar meses. Você esta esgotada. Precisa se afastar um pouco...
-Me afastar??? – disse incrédula.
-Entenda, é para o seu bem. E do Rony. Quando ele acordar vai ser um golpe enorme para todos nos, mas principalmente para ele. Você esta tensa, cansada e apegada demais a ele. Todos nos entendemos a sua necessidade de ficar com ele. Mas não se isso a afeta. Até mesmo, Vick anda preocupada com você!
-Harry, eu não posso me afastar agora. Ele precisa de mim!
-Falei com seus pais. Eles estão esperando você, Hermione. Quanto ao tratamento, madame Polfrey pode dar conta. Não se preocupe. Fique uns dias com seus pais e quando voltar, Verá que foi o melhor para você e para ele.
-E a Vick? Vocês pensaram nela também? – retrucou com rancor.
-Mione, não me faça apelar para o seu lado medibruxa, por favor. Você sabe melhor que qualquer um que precisa de um descanso. Vick fica comigo e com Ginny. Você sabe, as duas estão inseparáveis, agora que Gina superou seu trauma pela perda do Rony. Acredite, eu jamais concordaria com isso se não fosse para seu bem. – ele disse pondo a mão em seu ombro.
E o que ela poderia dizer? Estava tudo decidido....

Uma semana tornou-se duas, e logo três meses passaram sem que Hermione visse o tempo passar. Havia embarcado para Berlim onde ficara com seus pais, que haviam se mudado para a Alemanha antes da Guerra contra Voldemort explodir. Era um lugar agradável.
Mas ela queria voltar. A casa segundo se implorava paciência. Andou pela sala inconformada. Nos primeiros dias ela sentira-se renovada e pretendia ficar apenas uma semana. Mas o destino a pegou de surpresa com uma simples gripe que atingiu seu corpo cansado e tornou-se rapidamente uma pneumonia. Como medibruxa, poderia facilmente se tratar. Mas não longe do seu material de trabalho. Sem condições para ir até a parte bruxa de Berlim e comprar o que precisava para as poções, e sem contato com outros bruxos, ficou a mercê do tratamento demorado dos trouxas. Apenas dias depois conseguira escrever a madame Polfrey que lhe enviara a poção necessária. Mesmo assim, levou algumas semanas para se recuperar.
Mas hoje, enquanto esperava seus pais chegarem do trabalho ela se pegava ansiosa, contando os minutos.
Iria aparatar para a Toca assim que eles chegassem veria a filha de quem sentia saudades terríveis e rever Rony.
Pelas cartas de Ginny e Harry ele estava sempre bem. Nada além. E sempre que reclamava saber os detalhes eles diziam que estavam sem tempo.
Ela temia que o tratamento houvesse falhado e eles a estivessem poupando.
Suspirou agoniada. Isso logo terminaria. Essa agonia. Essa dor. Logo estaria com ele. Poderia toca-lo. Sentir sua pele. Seu calor.
Fechou os olhos. O som dos passos e da porta sendo destrancada anunciou a chegada de seus pais. Mais uma vez diria adeus a eles.


Ela aparatou no jardim da toca. Havia mais gnomos que alguma vez houvesse tido. Obviamente todos estavam sem tempo para importar-se com isso.
Abriu a porta da sala com cuidado e entrou. Tudo estava silencioso.
Porém o som de vozes na cozinha a fez suspirar aliviada. A porta estava aberta, e pode ver Harry de pé perto do armário, ele sorria enquanto ouvia atentamente o que a sra.Wesley dizia. Perto dele, Gina olhava também para a mesa com olhos brilhantes. Espiando mais para dentro, viu sua Vick sentadinha na cadeira, junto da mesa, comendo seu lanche. Ela a viu e seus olhos brilharam, enquanto largava o sanduíche e gritava:
-Mamãe! – saiu correndo da cadeira e se jogou nos seus braços. Hermione a abraçou apertado, enquanto a porta da cozinha era mais aberta pela sra.Wesley.
-Ai, meu amor, que falta eu senti de você!
-Eu também, mãe! – Vick afastou-se, ainda em seu colo tocando o rosto da mãe com carinho – senti saudades, mamãe. Você demorou a voltar... – disse com voz frágil.
-Eu estivesse doente, querida, mas agora eu estou bem de novo e louca para ficar abraçadinha ao meu bebe, até essa saudade toda passar! O que acha?
-Eu te amo, mamãe! – a menina a abraçou novamente bem apertado, e Hermione aproveitou todo aquele amor. Era tão bom sentir isso. O carinho da filha.
Ouviu Harry pigarrear meio estranho, talvez para atrair sua atenção e soltou Vick, ainda a mantendo no colo, e olhou para ele.
-Oi, Harry. Oi, Ginny, sra.Wesley...como ele está? – perguntou direta. – As cartas foram tão vagas, por acaso...
-Hermione. – Harry a cortou – Não precisa perguntar para nos. Pergunte ao Rony – indicou a mesa, onde ela sequer havia notado a figura, sentada na cadeira
ele vestia uma calça jeans e uma camiseta, como nos velhos tempos.
Ensaiara tanto o que dizer, e agora não sabia o que pensar. Ele a olhava esperando e ela quis sair dali. O mais rápido possível.
-Mae? – Vick chamou sua atenção – Como está o vovô e a vovó? – ela quebrou o silencio.
-Estão ótimos querida, mandaram muitos presentes para você. – tentou se concentra na filha, mas só conseguia olhar para o seu Rony ali, parecendo como na ultima vez que o vira.
-E o tio Vitor? Ele mandou presentes também? – disse ansiosa.
-Sim, ele mandou. Eu não o vi, mas minha mãe esteve com ele... – respondeu mecanicamente.
-E a tio Sam? Ele vem me ver no meu aniversario?
-Acho que sim, Vick....
-E a tia Annn? Ela vai me deixar ser a dama de honra do casamento? Eu quero falar disso com o papai, posso?
-Que? – a palavra “ papai” ecoou no suas orelhas e ela olhou diretamente para a filha incerta do que responder.
Será que ele já sabia???
Vick se aproximou mais e colocou as mais no ouvido da mãe sussurrando apenas para que ela ouvisse.
-O papai ainda não sabe que quando digo, ‘papai’, estou falando dele.
-Ah....eu...não tive oportunidade de falar com Ann, e nem sei como anda os preparativos do casamento...mas ela vem para o seu aniversario. E mandou presente também. Porque não vai buscar lá no carro? – colocou a menina no chão – Estão todos no banco de trás...
-Mas mãe! – a menina protestou - Eu sou neném demais para mexer no carro, lembra? – reproduziu a frase que sempre usava para afasta-la do carro.
-O que acha de hoje a gente mudar isso, heim? Se você se comportar direitinho eu a deixou até dirigir, o que acha?
-Daqui a vinte anos? – a menina ironizou.
-Dezenove, se você for boazinha.
Vick riu aquele rizinho adorável e disparou para fora da cozinha.
-Estávamos preocupados, Mione. Seus pais não foram muito claros sobre como você estava – disse Harry se aproximando para um rápido abraço – Falei com sua mãe algumas vezes e ela me disse que você estava melhor.
-Sim...foi uma fatalidade. Eu não sei como pude esquecer minha varinha, quero dizer, desde os onze anos eu ando com ela para cima e para baixo e de repente eu preciso conjurar os medicamentos, e não a tenho comigo. Foi terrível! - procurou não olhar para ele, mas sabia que seus olhos a acompanhavam. Gina se aproximou e a olhou nos olhos. Não disse nada. Não era preciso.
-Eu...vou ver o Vick esta fazendo. – saiu correndo dali antes que eles dissessem algo. Mas não foi atrás da filha. Andou em direção ao lago. Sentou-se na margem e deixou toda a alegria de vê-lo escapar de seu coração num choro convulsivo. Nada elegante. Nada proporcional a uma mãe. Apenas o choro de uma adolescente que recuperou seu primeiro amor.
Não sabia se ele estava bem. Na verdade não ouvira uma só palavra dele. Talvez a fala estivesse abalada. Não. Eles a teriam avisado se algo de ruim houvesse acontecido.
Mesmo assim era um milagre.
Ficou alguns minutos ali pensando no quanto era triste não conseguir falar com ele. Seu amor. Seu sonho.
Sua vida.
Recuperou a coragem e voltou para a casa, decidida a aproximar-se. Mas perdeu a coragem. Ele estava sentado com Vick no sofá. Havia brinquedos por todos os lados. Vick usava uma varinha que brilhava na ponta sempre que ela a mexia.
-Olha só mãe! É magia trouxa! – ela disse pulando sobre o sofá.
-Não, bebe. É elétrico. Tem pilhas dentro. Sua avó comprou para você.
-então, foi o que eu disse, magia trouxa. – ela disse teimosa.
-Não adianta, mione, ela é mais bruxa do que trouxa. – disse Harry pegando a menina no colo e a virando de cabeça para baixo. – Olha só a minha afilhada!
-Ai, tio Harry! Para! – a menina começou a gritar enquanto ria.
Eles sempre faziam essa brincadeira, desde que ela nasceu. Uma vez ele se dera mal, pois Vick vomitara todo o leite bebido na roupa dele. Depois disso ele sempre se certificava de que ela não tivesse nada no estomago antes de fazer isso.
-Você quer voar, Vick?
-Quero!
-Quer??? – Harry começou a rir. – E aí, Rony? Ainda sabe defender?
Hermione o observou sorrir e levantar-se se posicionando. Eles não iriam joga-la? Iriam?
-Ei! – gritou, pegando Vick no colo e olhando feio para Harry – Isso não é brincadeira, Harry! Victoria não é um goles para ficar atirando por aí! – disse mal encarada.
-Mãe! Deixa de ser chata! – Vick protestou – O Tio Harry sempre me joga e o tio Rony sempre me pega.
-É mesmo? Pois de agora em diante essa brincadeira acabou! – sem saber porque a raiva a tomou – Vem, vamos embora!
-Mione... – Harry protestou – Foi só uma brincadeira...
-Uma brincadeira? E se ela caísse e batesse a cabeça? E se ela tivesse uma convulsão ou algo assim??? É brincadeira para você, Harry! Para mim é mais que isso! É minha vida que esta jogando de um lado para o outro!!!!
-Ela nunca confiou nos meus dotes de goleiro, Harry. – Rony se manifestou e ela perdeu a fala.
-Joguem com o que quiserem, menos com a minha filha. – a raiva que sentia aumentou ainda mais. Como ele podia sorrir – Se ela houvesse caído... – fechou os olhos pensando no que ameaçar – Eu nem sei o que faria!
-A mamãe acha que eu sou um bebe – disse Vick irritada também – Mãe, me solta!
-Não! – disse ficando histérica – Será que eu me afastou por alguns dias e quando volto eu não tenho mais autoridade com você, Vick?
Victoria revirou os olhos e disse:
-Sinto muito, mamãe. Mas você, também, né? Nem perguntou como o tio Rony esta!
-Se alguém quisesse que eu soubesse teriam me avisado e não me mandado pequenos bilhetes! E não teriam me mandado embora! Alem disso, eu....eu...Eu nem sei porque estou brigando!
-Ela nunca soube, na verdade – Rony disse com uma pontinha de humor. Se aproximou ate ficar de frente para ela – Eu estou bem, Hermione. Estou falando, andando, pensando. Meus reflexos estão ótimos. Minhas lembranças intactas. Eu pedi que não a aborrecessem com mais preocupação enquanto estivesse doente. Você não precisa ficar magoada. Nem assustada. Esta tudo bem agora. – deu mais um passo até que ela sentisse até mesmo o seu hálito de menta enquanto falava – se quer falar comigo, fale. Se não achar que esta pronta, então brigue, grite, eu espero.
-Vamos embora, Victoria. – se afastou como se ele fosse seu inimigo.
-Mamãe, eu vou poder ficar com o papai, não vou? – ela a olhou como se a desafiasse a dizer quem era seu pai.
-Outro dia, Vick. Outro dia eu a levo pro seu pai. – sua voz saiu baixa. Despeça-se de todos. Espero lá fora.
Demorou uns cinco minutos até Gui aparecer na área segurando Vick pela mão.
-Hermione, será que antes de ir você poderia dar uma olhada na Fler? Desde ontem ela não anda sentindo-se muito bem. Acabou de passar mal de novo.
-É claro que posso! Ela está no quarto?
-Sim, eu a coloquei na cama e vim chamá-la imediatamente!
-Ok. Espere aqui em baixo – disse a ele, enquanto a medibruxa dentro dela se manifestava. Ele estava tão pálido que temia que ele desmaiasse.
Passou por Harry e Rony e subiu para o quarto antigo de Guilherme, onde ele estava ficando desde que todos os seus irmãos decidiram passar um tempo na Toca. Obviamente, por causa de Rony.
Abriu a porta delicadamente e encontrou uma Fler com a face ligeiramente amarelada. Tentou sorrir.
-Hermione! – disse com seu sotaque pesado – Eu estar tão péssima! Meu estomago estar saindo pela minha boca! Você poder me ajudar?
-Eu acho que sim. – usando a varinha conjurou sua maleta medica e disse tentando parecer o mais otimista possível – Vamos fazer um checkap? O que acha? Não deve ser nada demais.
A francesa sorriu meio desconfiada e Hermione se colocou a trabalhar.


Uns vinte minutos depois, ela deixou uma Fler sorridente dentro do quarto enquanto descia a escada em busca de Guilherme. Era estranho dar uma noticia dessas. Gui estava sentado no sofá com a cabeça entre as mãos.
Harry de pé perto da lareira trocando olhares que iam de Gina para Vick sentada no colo de Rony. Ela estava quase adormecida, e ele acariciava seus cabelos crespos com carinho.
-Hermione! – quase gritou Gui ao vê-la – O que ela tem?
-Acalme-se, Gui. Fler está bem. Foi apenas uma indisposição. Eu prescrevi uma poção para acalmar os enjôos. Irei preparar hoje a noite e amanha eu trarei.
-Não seria melhor hoje? Quero dizer... – ele pareceu ainda mais pálido.
-Não há pressa, Gui. – sorriu se aproximando e tocando seu braço para que ele se sentasse – Fler ainda vai sentir muito isso nos próximos meses. A Fler está grávida, Guilherme.
A sra.Wesley que ouvia tudo do canto da sala quase pulou de alegria e correu até o filho que parecia sem ação:
-Ah, Merlim! Quanta felicidade! Serei avó novamente! – abraçou Gui, que para surpresa de todos começou a chorar como uma criança nos braços da mãe – Gui, querido, não chore – ela disse carinhosa – está tudo bem, é uma ótima noticia.
-Eu sei, mãe. – ele soluçou como uma criança – olhando para os irmãos em busca de apoio – Estou emocionado...
-A Fler está assim também. Ela já sabe. Eu disse que lhe contaria. – disse Hermione com um bolo na garganta. Deveria ter sido assim com ela também. Ela contaria do bebe e Rony se emocionaria. Mas não fora. Ao contrario, havia se escondido no quarto dele altas horas e havia chorado abraçada a uma camiseta dele por quase toda a noite, querendo aliviar de seu peito aquele desespero. Essa lembrança a fez tremer e olhar involuntariamente para Victoria.
-Eu...eu vou subir! – dizendo isso, ele saltou correndo para as escadas. Gina e Molly foram atrás.
Na sala, restaram apenas Hermione, Harry e Rony. Além claro de Vick.
-Eu não entendo. – disse Rony de repente, fazendo ambos olharem para ele – O que a minha mãe disse. Novamente? Não me disseram que eu tinha sobrinhos... – ele pareceu bem confuso.
Harry abriu a boca para responder, mas antes disse foi pego de surpresa por Hermione.
-E não tem. – olhou par a Vick – O seus irmãos tem. Uma sobrinha. – baixou os olhos. Sentia lágrimas picarem suas pupilas – Você tem uma filha, Rony.
Ele olhou imediatamente para a menina adormecida em seu colo. Parecia não acreditar. Mas era tão obvio. Eles eram tão parecidos. Fora o cabelo castanho e cacheado, todo o resto era igual a ele.
-Eu só soube dela depois que... – as palavras se perderam e ela sentou no sofá incapaz de continuar.
Harry se aproximou e tocou seu ombro.
-É isso, Rony. – ele disse – Três dias depois que perdemos você, e aquele comensal desgraçado confessou tê-lo assassinado, Hermione descobriu a gravidez e nos contou. Foi...foi muito difícil para todos nos. Você deve imaginar o quanto.
-Porque não me contaram logo que acordei? – ele foi direto e objetivo – Eu fiquei todo o tempo pensando em quem Victoria poderia ser...quero dizer, eu lembrava de tê-la visto com Hermione e ter notado que eram muito parecidas, mas ninguém me dizia nada. E quando acordei a única coisa que soube é que ela era realmente sua filha, Mione. Mais nada. Eu não sabia se queriam me poupar, por causa do seu casamento, ou se não havia nada para ser contado...eu...
-Eu não me casei, Rony. Como poderia? – disse achando abominável a idéia – Eu...
-Achamos melhor que a Mione contasse, Rony. – interferiu Harry – Não era uma historia nossa apenas. A mãe deve decidir a melhor hora para falar sobre a própria filha. Foi decisão dos seus pais, e nos aceitamos sem reclamar.
-E-Ela sabe? – ele passou a mão no rosto angelical da menina e Hermione maneou a cabeça.
-Ela sempre soube quem era seu pai, desde pequena. E...ela sempre falou de você. De um ano para cá ela sempre falava que ouvia e via o pai e eu... – lagrimas vieram a seus olhos e sua voz falhou brevemente – Achei que fosse porque ela via muito suas fotos, e seus irmãos e...seu nome era sempre presente em todos os lugares...mas Ginny foi atrás das respostas que não tive coragem de agir. Ela descobriu que Vick tem um grande poder de legivitinencia. Era assim que ela falava com você. Então...ela sempre soube de você e...
-Eu pedi a ela que não se identificasse, Rony – disse Harry, sentando-se ao lado de Hermione – Era um momento complicado. Espero que entenda.
-É....acho que preciso pensar em tudo isso. Eu...olhou para os dois e sorriu – Esses meses todos eu pensei em como gostaria que ela fosse minha filha. Em como...seria bom se eu não houvesse ficado longe e que talvez ela pudesse ter sido nossa e ela é nossa! Isso é...- ele pareceu perder as palavras.
-Incrível? – ela disse – Eu sei como é. Ela é incrível. – olhou para seu bebe, e se emocionou ao sentir o quanto era maravilhosa a sensação de não guardar mais nenhum segredo dentro de si. – Ela se chama Victoria Ann Granger. Tem quatro anos e já sabe ler e escrever. A dois anos ela demonstrou ter poderes mágicos, o que me deixou muito aliviada. Vocês sabem que é muito comum filhos de trouxas e bruxos nascerem aborto. Não que isso mudasse o que ela significa para mim, mas fiquei muito orgulhosa por ela. Ela é muito comportada e estudiosa, embora que seja difícil faze-la se aproximar de um livro – sorriu e ele sorriu abertamente em retribuição.
-Mas também, quando pega um livro, ninguém consegue tirar das mãos dela – completou Harry feliz em falar dela – Sou o padrinho dela. Eu e Ginny. Acho que precisa saber que foi muito difícil para Ginny aceitar Vick. Ela se parece muito com você e isso machucava muito a todos nós. Mas depois que o reencontramos, Gina tem se permitido esbanjar amor para a afilhada. Amor que ela sempre guardou consigo e não conseguia demonstrar.
-É bem o jeito da Gina. – ele disse ficando sério – Vai leva-la embora agora, Hermione? - ele perguntou esperançoso.
-E-Eu...Acho que não. Eu preciso ir para casa, tenho...umas coisas urgentes p-para fazer... – levantou-se completamente insegura –Posso deixa-la aqui e...
-Porque não me leva até sua casa? Gostaria de saber onde mora e não tenho saído desde que melhorei – ele sorriu, talvez para acalma-la – Assim fico um pouco mais com Vick.
-É uma ótima idéia, Rony. Não se preocupe, nos testamos a capacidade de aparatação do Rony, e continua aquela coisa que a gente conhece... – debochou, ganhando um olhar mortal dele – Ele pode voltar sozinho.
-Eu...tudo bem. V-vamos indo, então.
Hermione pegou Vick no colo e foi para a lareira. Rony a seguiu.


Rony saiu da lareira, surpreso por não ver sujeira nenhuma, nem em volta, nem no chão.
-Eu enfeiticei a lareira para não soltar ferrugem. – ela disse vendo sua surpresa.
A sala era pequena, com sofás claros e uma estante abarrotada de livros. Bem aconchegante com tapetes e cortinas suaves e aquele perfume de casa limpa.
Havia muitas fotos, deles três da época da escola e outras da família Wesley com Vick e dela mesma com a menina.
-Muito bonita a sua casa. – ele disse sincero.
-Na verdade não é minha. É dos meus pais. Eles a compraram para mim quando Vick nasceu, mas eu não aceitei. Pago aluguel todo mês. Mas a decoração é minha. – disse orgulhosa.
-Manhêêêêê!
Eles pararam de falar e olharam diretamente para vick que estava no sofá, onde a mãe a deixara assim que saíram da lareira.
-O que foi, bebe? – Hermione perguntou.
-Eu tô com fome! Vó Molly não me deu nada para comer! – reclamou, saltando do sofá, emburrada.
-Como não? – disse Rony indo até ela – E o bolo que você comeu a menos de um hora?
-Ah..... bem... – fez carinha de quem aprontou e correu para a mãe, agarrando nas suas pernas e se escondendo atrás delas, olhando para Rony com um sorriso arteiro.
-Victoria, o Rony já sabe que é seu pai. – disse baixo, como se tivesse medo que ela ficasse chorosa.
-Já? – ela saiu de trás da mãe e olhou para ele curiosa, mordeu o lábio como a própria Hermione costumava fazer quando ficava nervosa e olhou para o chão.
-Sim, eu já sei, Vick. O que você acha disso? – ele perguntou com olhos brilhantes – Quer ser minha filha?
-Hum-hum. – ela concordou, ainda meio tímida.
-Vick, você já sabia que Rony era seu pai. O que foi? está envergonhada. – estranhando a filha, Hermione a pegou no colo. A menina a olhou e abraçou seu pescoço com força, meio chorosa. –O que foi, Ursinha? Diz para a mamãe, diz.
Vick começou a chorar no seu ombro e Hermione olhou para Rony surpresa.
Sentou-se no sofá com ela no colo e a fez olhar para ela.
-meu amor, me diz o que foi. você queria tanto que Rony soubesse!
Vick olhou para Rony de relance e escondeu o rosto novamente no pescoço dela.
-Talvez eu devesse deixa-las sozinhas, Hermione... – disse meio inseguro do que falar.
-É uma idéia...porque não vai até a cozinha e pega algo para comer? É logo ali. – apontou um corredor que desembocava na cozinha.
Assim que ficaram sozinhas, Hermione afastou Vick e a olhou nos olhos.
-Estamos só nos duas, Ursinha. Vai me dizer o que a fez chorar?
A menina maneou os cachinhos concordando.
-então me diz. –incentivou.
-O papai gostava de mim quando não sabia que eu era sua filha, mãe...
-É claro que gostava! – Hermione arregalou os olhos chocada.
-Mas e agora? Ele ainda vai gostar? – disse bem baixinho.
Hermione quis sorrir, porque sentia uma grande alivio no coração. Então era isso.
-Vick, ele te adora. Rony ficou muito feliz quando soube que era seu pai, na verdade ele me disse que desejou isso desde que a conheceu, antes mesmo de saber quem você era. Ele te ama, assim como eu.
-Mesmo? – ela disse insegura.
-Mesmo. – respondeu convicta. – Então, o que acha da gente ir ver o que ele esta aprontando na cozinha? – levantou e estendeu a mão para a menina – rony e pratos nunca combinaram muito bem...e alem disso, acho que ele merece um abraço bem apertado seu, não merece?
-Sim! – a menina gritou e saiu correndo em direção da cozinha.
Hermione esperou um momento antes de ir atrás. Não sabia se queria vê-los juntos, como pai e filha. Isso a fazia lembrar tão claramente de toda a dor e medo que sentira naqueles anos todos, criando-a sozinha.
Claro que seus pais, e os pais dele a ajudaram. Não ficara desamparada; mas era nas horas mais tristes que seu mundo caia. Quando precisava dele a seu lado, na cama, depois de um longo dia de trabalho. Ou quando seu leite secara, e Vick com apenas três meses rejeitara todos os tipos de leites industriais. Ou quando descobriu que ela era bruxa assim como eles dois, e quisera ter a quem contar.
Tantos os momentos. Seus primeiros passos, solitários naquela sala de estar, depois do trabalho, quando chorando a abraçara imaginando como rony ficaria feliz de ver a cena. Ou quando a menos de seis meses, sua amiga de trabalho Ann a avisara que casaria, e Hermione ficou imaginando como teria sido seu próprio vestido. Talvez não branco, porque casaria grávida, mas com certeza seria inesquecível.
Tantos momentos perdidos. Tantos sonhos guardados.
-Mamãe! – Vick voltou aos gritos – O papai fez sanduíches! Vem, vem comer, mãe! – ela a pegou pela mão, com um sorriso de encher os olhos.
Contento a emoção ela sorriu e seguiu a filha.


Eram quase onze horas, quando finalmente depois de muita batalha, Vick se entregara ao sono e Hermione pudera a trocar e por para dormir.
Encostou a porta, deixando um feixe de luz iluminando o quarto da menina e desceu para a sala.
Rony bebericava uma xícara de café e olhava as inúmeras fotos. Em especial, uma de dois anos atrás, onde Vitor, Ann e ela sorriam para a câmera, enquanto Vick engatinhava aos pés de Vitor.
-Vitor e Ann são os padrinhos trouxas da Vick. – disse antes que ele tirasse suas próprias conclusões. – Ann é trouxa e Vitor vive com ela nos moldes trouxas a quase três anos. A propósito, ele não joga mais. Teve um problema no joelho e nenhum medibruxo conseguiu dar jeito. Trabalha como diplomata internacional no ministério em Berlim. ann é enfermeira, de um hospital trouxa. Quando me formei medibruxa, pouco antes de Vick nascer, eu fiz um curso trouxa de primeiros socorros, e a conheci. Daí os apresentei e o resto já deve imaginar. – sorriu nervosa.
-Ele superou...digo, ele não quis assumir Vick? – disse direto.
Pela no flagra, Hermione quase se engasgou.
-Não vou mentir. Ele propôs isso, rony. Éramos amigos, e ainda somos. Eu disse isso a ele e ele entendeu. Vitor é muito importante para Victoria. Ela o adora. Espero que isso não o incomode.
-Você disse que eles vão casar, não disse? – ela concordou com a cabeça e ele sorriu – sendo assim, eu acho que ele é bem vindo.
Ela não pode deixar de sorrir. Era o mesmo brincalhão de sempre. Com cinco anos entre eles, disse sua consciência e ela se afastou um pouco.
-Porque esta com raiva de mim, Hermione? – ele perguntou.
-Eu não estou com raiva de você, Ronald! – disse chocada.
-Mas tem fugido de mim. Achei que sentisse saudades de mim, como os outros...
-Eu não senti sua falta como os outros, Rony – disse direta.
Ele corou e pareceu realmente decepcionado, mas ela continuou – Todos choraram a sua falta e seguiram suas vidas. Mas eu fiquei seis meses com um bebe crescendo na minha barriga, me lembrando a cada minuto dos nossos planos. Dos nossos sonhos de ter uma família. E depois, quatro anos, sendo a primeira coisa que eu via ao acordar era os olhos de Vick, iguais aos seus, e a ultima coisa seu olhar doce, me dizendo boa noite. Como eu poderia sentir como os outros? Aos poucos era só uma lembrança, mas não para mim, que convivia com você todos os dias, me lembrando do que eu nunca mais teria...e...-fechou os olhos, sentindo as lagrimas queimando. – eu sinto muito – se afastou e secou os olhos – você deve estar querendo ir para casa descansar...eu vou ...
-Hermione. – ele segurou seu braço e a fez parar – Vem aqui, comigo, por favor. – a puxou para um abraço.
Foi menos que anda, disse a si mesma. Menos que um toque. Mas foi o bastante para agarrar-se a ele em prantos.
-eu estou aqui agora – ele sussurrou – tudo vai ficar bem.
Hermione não sabia como tirara coragem para isso, mas o beijara. Como no passado, com paixão e amor.
Um beijo, mais outro e outro.
E nenhum dos dois viu a noite passar...


O sol entrou lentamente pela janela, e perturbou seu sono. Hermione moveu-se querendo escapar dele. Foi então que sentiu o toque suave do lençol na pele nua de seu corpo e lembrou-se do porque não vestira sua camisola.
Lembrou-se também que não dormira sozinha aquela noite, na verdade, pouco dormira. Sorriu, o rosto ainda enterrado no travesseiro.
Fazia tanto tempo que não sentia aquela satisfação e languidez.
Tanto tempo que não sentia o cheiro de Rony na sua pele. Ou que o calor do corpo dele aquecesse o lado direito de sua cama.
Mas não era apenas ele quem dividia a cama com ela naquela manha.
Hermione ficou surpresa ao erguer a cabeça e ver Vick deitada entre eles. Rony aparentemente havia vestido seu jeans e se deitara sobre as cobertas, deixando Vick e ela ter bastante liberdade na cama.
Pelo visto algo aconteceu durante a noite e ela sequer acordara.
-Bom dia, Mione... – ele sussurrou olhando para ela com olhos brilhantes.
Ela corou ao lembrar-se de tudo que fizeram e mal conteve um sorriso ao responder.
-Bom dia, Rony...
-Vick teve um pesadelo, eu...acabei levantando e indo até o quarto dela. Não quis te acordar.
-Ela tem pesadelos, mas normalmente nem lembra deles depois... – como ele, também sussurrava para a menina não acordar – Você...dormiu bem, Rony? – baixou os olhos envergonhada dele entender mal sua pergunta.
Rony sorriu e apanhou sua mão de sobre o travesseiro, por sobre Vick, e a apertou com carinho.
-Foi a melhor noite que já tive com você, Hermione.
-Fiquei com medo que você não se sentisse dessa forma, já fazia tanto tempo...eu nunca esqueci, Rony...
-Nem eu. Como poderia? É a minha melhor lembrança, entre todas as nossas. – disse sorrindo malicioso – Não que nosso namoro não tivesse outros aspectos que me dão saudade, Hermione, mas esse sem duvidas, é o mais empolgante!
-Não diga essas coisas, Rony. – corou, erguendo-se na cama, e se sentando. Teve a decência de cobrir-se até quase o pescoço. Ele sentou-se também. Ela olhou para Vick e então para ele. – Rony...eu não quero que se sinta coagido ou pense que irei me magoar com sua resposta, mas eu preciso perguntar algo. Uma coisa em que eu pensei muito nesses dias que estive longe, que se você melhorasse, ou não, eu iria querer saber de você...
-Pode me perguntar o que quiser, Hermione. – ele colocou a mão dela, que segurava até aquele momento, sobre seu coração. Não vestira a camiseta e a pele quente, o ritmo de sua respiração a fizeram suspirar.
-Quando você estiver mais organizado...sobre sua vida...você talvez gostaria de...bem...morar aqui comigo? – gaguejou, querendo se enfiar sob o lençol e fugir da resposta.
-Não, Hermione.
Apesar de preparada para essa possibilidade, ela ficou sem ar. Ele não a amava como no passado. Deveria ter imaginado.
-Certo.. –se viu dizendo, os olhos molhados e a voz presa na garganta – tudo bem... – fez um movimento para sair da cama, mas ele ainda manteve sua mão presa.
-Eu não irei simplesmente morar com você. Não foi isso que planejei no passado, ou nesses anos todos, quando sonhava com o dia que voltaria a vê-la. Iremos casar, Hermione. Como manda as tradições e então, seremos uma família. O que acha?
-Eu não posso esperar, Rony. – foi sincera. – Por mim, você busca suas coisas na casa da sua mãe, e vem para cá hoje mesmo! Não me importo com convenções! Nunca pensei em casamento, ou festas ou...Me parece vazio perto de tudo que já passamos juntos! – foi sincera, seu coração acelerado ao ouvir dele a confirmação do amor que ele sentia.
-Eu sei disso. Eu também não me importo. Mas minha família se importa e a sua também. Sem falar, nessa mocinha dorminhoca, que adora ouvir a conversa do outros! – olhou para Vick que tinha um olho aberto e o outro fechado fingindo dormir.
-Bom dia, papai. – ela disse simplesmente, virando de frente para ele e para Hermione – Bom dia, mamãe.
Hermione entendeu que ela esperava uma explicação. Ela e rony na cama. Era demais até para Vick.
-Bom dia, Ursinha. – beijou sua testa e afagou seus cabelos bagunçados.
-Eu estava pedindo sua mãe em casamento, Vick. O que você acha disso? – Rony perguntou com naturalidade, e recebeu um sorriso igualmente simples de Vick. Bem, talvez a vida fosse mais simples do que Hermione sempre a fizera parecer.
De qualquer forma, rony sempre vira tudo com mais leveza que ela. E aparentemente, Vick puxara isso do pai.
-O que você acha, mamãe? – ela perguntou.
-Maravilhoso. E você, o que acha?
-Demais! – ela riu, e os dois acompanharam.
-As gírias dos gêmeos, de novo?
-Ah, mãe... – ela fez cara de quem foi pego aprontando. – Eu posso usar o espelho portal e contar para a tia Gina e o tio harry que vocês vão casar??? – perguntou empolgada.
-É claro que pode. – concordou Rony, sorrindo para sua alegria.
-E eu posso dizer que vou ser a dama de honra??? – sentou na cama quase pulando, de ansiedade.
-Pode! – ele concordou de novo.
-E eu vou usar um vestido igual o da mamãe?
-O que você acha? – ele perguntou para ela que sorriu e concordou com a cabeça – Pode sim.
-Tá. Legal! Demais! – saiu da cama correndo e logo ouviram sua vozinha empolgada falando sem parar, provavelmente no espelho-portal.
-Pronto. Estamos noivos, Hermione. – ele enlaçou as mãos nas suas.
-É... – ela sussurrou e lágrimas se formaram em seus olhos. – Estou tão feliz, Rony... –ela suspirou beijando-o nos lábios.
-Eu também. É tudo que sempre quis – secou sua bochecha com dedos gentis – Não chore mais, Hermione. Isso já não faz mais parte da nossa vida.
Ela sorriu olhando para ele, perdida em seus olhos azuis.
Lá embaixo no segundo andar Vick ainda tagarelava com a tia no espelho portal.
E a vida, parecia tão perfeita, que qualquer dor passada já não existia mais. Era passado.
Um passado para ser esquecido e substituído por um futuro repleto de amor e felicidade!

FIM

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Comentários: 3

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Enviado por talitah em 23/07/2012

perfeitoo, 00:45 hr e eu qki me derretendo nas fanfics da marjaa.. lindoo

Nota: 5

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Enviado por Victória Ribeiro Souza em 04/04/2012

Você devia ser autora de romances, que essa finc é simplesmente linda!!!!!!!!!!!!!!
 

Nota: 1

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Enviado por Babi Valerio em 26/09/2011

AAAAAAAAAHHHHHHHH EU ACHEI LINDO!!!!!!!!!!!!!!!1 AMEI 

MESMO <3

Nota: 5

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