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8. Hooked on a Feeling


Fic: Born For This - Scorpius e Rose - COMPLETA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Hooked on a feeling


 


Acho que foi no segundo ano, numa aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Estávamos aprendendo a duelar. O professor Inaldo, que até hoje leciona essa matéria, foi um dos poucos professores novos que ficou por mais tempo dando aula. As pessoas diziam que o cargo era amaldiçoado, mas já não tínhamos tanta certeza. Ele era um daqueles professores imprevisíveis. Em um momento está dando a aula mais chata do mundo... e de repente, quando voltamos a nos sentar a sua frente para ouvir mais chatice, o cara tem a idéia brilhante de nos ensinar a duelar. E nossa turma nem era a melhor para conseguirmos tal privilégio.


Claro que usamos feitiços simples. Não éramos espetaculares, mas o professor queria que alguém fosse. Ou melhor, queria que Albus fosse. Por isso o convocou para ser o primeiro a duelar. Albus, porém, estava tentando se esconder entre os nossos colegas, quando o professor o viu e sorriu:


“Sr. Potter, aproxime-se, aproxime-se, por favor.”


Ele fez que não com a cabeça várias vezes. Até que Natalie o empurrou e ele não teve outra escolha.


“Vamos, Al, você consegue”, outros amigos o encorajavam, mas Albus estava bastante hesitante quando, segurando a varinha, encarou o professor.


“Vai borrar as calças”, o garoto perto de mim caçoou, e Albus o mandou calar a boca de um jeito nada educado. O professor tentou procurar quem havia falado aquilo para o filho do Potter e seus olhos se encontraram com os meus.


“Você, Malfoy, também se aproxime! Fica aí zoando os outros... venha, também irá duelar.”


Ninguém me empurrou. Mesmo não tendo debochado Albus, um silêncio se formou na classe enquanto eu caminhava para ficar de frente a ele. Não me encarou. As pessoas evitavam me encarar nos olhos, mas nunca me incomodei com isso.


O professor ditou as regras e enfim nos deu a chance de duelar. A maioria dos nossos colegas torcia para Albus, mas isso também era algo que não me incomodava. Eu não sabia o que estava fazendo, e tenho certeza que Albus também nunca soube, mas pelo menos acertávamos um ao outro. Ganhei o duelo com cinco pontos a um e ao final, Albus estava caído no meio da passarela coçando a cabeça, enquanto seus amigos olhavam para ele meio decepcionados. É, Malfoy ganhou de um Potter.


“Levanta daí, Potter!”, exclamava Natalie e mais um tanto de outros Grifinórios aborrecidos. Apesar de Albus pertencer a Sonserina, ele tinha toda a torcida daquela casa, diferente de mim. Logo proclamaram mais uma partida, para darem a chance de Albus conseguir pelo menos empatar os pontos. Eu dei passos na direção do corpo sentado de Albus e estendi minha mão.


Quando se levantou, ameaçou:


“Se me deixar ganhar, te dou uma surra depois.”


Ri com desdém.


“Quem disse que vou te deixar ganhar?”


“Ótimo” aprovou olhando de esguelha para o pessoal que torcia para ele. “Porque não sou espetacular.”


“Deu pra notar.” Apesar da minha presunção, depois daquele dia ele pareceu ter algum outro respeito por mim, como se o fato de eu não achar que ele era espetacular o fizesse me considerar alguém a quem pedir lição de casa e anotações emprestadas, quando sua prima não o fazia.


Sua prima. Rose Weasley. E aí que entramos no assunto. A garota inteligente e adorável, porém mandona e, conseqüentemente, um pé no saco. De vez em quando, pelo menos. É difícil entender ou me lembrar do dia ou da hora que começamos a nos falar. Isso foi ocorrendo ao longo dos anos, assim como passei a considerar Albus um amigo. Não há data ou registros que comprovem o exato momento em que passamos a fazer parte da vida um do outro. Tiveram um ou dois momentos que pareciam ter mudado alguma coisa, mas naquela época eu não tinha vontade de ficar reparando nisso.


Não que de repente eu começasse a reparar, mas foram precisos dois minutos para que isso passasse pela minha cabeça. Dois minutos. Poderiam ter sido mais, se Albus não tivesse comido Sapos de Chocolates naquele dia e tirado uma figurinha estúpida que ele queria tanto compartilhar comigo.


Quando passei pela sala comunal e vi Albus e Natalie se beijando no sofá, tive a vontade de interrompê-los só para contar que minha avó havia me mandado docinhos por correio. Eu me vingaria, ao certo. Mas para ele seria fácil reatar o beijo com Natalie, então qual seria a graça de uma vingança como essa?


Para mim? Eu precisaria seguir um roteiro para conseguir beijar Rose de novo. Eu não podia chegar para ela e dizer: “E aí, vamos terminar o beijo?” Devia ter a cena, o clima, tudo. E, claro, um motivo. Além disso, chegava perto dela e não conseguia dizer nada esperto. Acabávamos discutindo ou sobre os jogos internacionais de Quadribol que começaram naquele mês, ou sobre um livro estúpido, como naquela vez em que estávamos fazendo rondas, uma semana antes dos N.O.M’s:


– Eu não entendo porque você gosta desse livro – eu falava. – O final é idiota, e você tem que concordar que as idéias desse cara eram superficiais.


Era nessa parte que ela começava a me dar aula. Dizia datas que eu esquecia no segundo seguinte e me apresentava todos os argumentos possíveis para que eu chegasse a concordar com seu ponto de vista. Mas, mais uma vez, achava sem-graça admitir que, tantas vezes, ela me convencia de coisas que outras pessoas jamais conseguiriam.


– E o que saber sobre como Arispóteles morreu vai te ajudar nos N.O.M’s? – alfinetei.


– É Aristóteles. E não vai me ajudar em nada nos N.O.M’s, mas me ajudou a ganhar essa discussão.


– Isso parece ser muito importante para você – reclamei. – Ganhar uma discussão. Devia entrar no grupo de debates assim.


– Eu já participei do grupo de soletração – ela me contou, estufando o peito, cheia de orgulho.


– Soletração?


– É. Sabe, o cara te dá uma palavra e você tem que soletrá-la.


– Eu sei o que é soletrar. – Eu passei a mão na testa. – É que isso soa a coisa mais entediante do mundo.


– Ah, é? Bem, soletre a palavra Abscesso e tenta ficar entediado.


– Isso é fácil.


– Com sete anos?


– Você teve que soletrar essa palavra com sete anos? Duvido que tenha vencido.


– Eu posso te mostrar a medalha – desafiou.


– De participação? – comecei a rir.


– Idiota. Não, de ouro! – ela me deu um empurrão no braço. – Eu venci aquele negócio em primeiro lugar. Lembro até hoje. Meu pai comprou três livros para mim de presente.


– Só isso? Meu avô tem uma biblioteca na Mansão.


– E que tipos de livros ele tem por lá?


– Você sabe, o básico da família. Magia Negra. Receitas para Envenenar.


Ela não riu.


– Isso não tem graça.


– Se alguém fizesse essa mesma pergunta e eu desse a mesma resposta, não ia duvidar.


– Eu acho que se você tem opinião sobre o Mundo Encantado de Mu, é porque já o leu uma vez. Então acredito que sua biblioteca seja enfeitada de livros infantis, e não mortais.


Quando ela disse isso de um jeito ironicamente ingênuo, quis rir, mas estava pensando em outra coisa. Eu acabei admitindo com a voz baixa:


– Sabe, eu não estava brincando. Tem livro de magia negra por lá. Mas meu pai nunca me deixou colocar os pés na biblioteca.


– Nunca teve curiosidade de invadir?


– Curiosidade? É claro que tive. Mas eu acho que eu nunca quis desobedecer ele ou sei lá.


– Entendi. Não se pode desobedecer aos pais.


– Mas é inevitável algumas vezes.


– É – ela concordou, e foi quando eu percebi que estávamos conversando, e não discutindo. Era nessas horas que eu pensava no beijo. Não tinha certeza sobre o que ela pensava, mas quando a encarei, ela estava me olhando nos olhos.


Uma das únicas pessoas que me encarava diretamente nos olhos. Reparei novamente. Formou-se um silêncio no qual eu não soube o que fazer. Por que não estava tendo a mesma coragem que tive antes? Acho que era porque eu não saberia explicar minha vontade de terminar o beijo, se ela me perguntasse ou entrasse no assunto, ou quisesse entender o que me parecia inexplicável nesses últimos dias.


A única coisa que me veio à cabeça foi puxar outro assunto:


– Slughorn já começou a organizar a festa para nós, não é?


Depois de praticamente um mês – senão o ano inteiro – estudando arduamente para os testes mais temidos pelos alunos, o professor de Poções resolveu fazer uma festa no intuito de nos relaxar diante dos estresses. Ainda mais com a volta de Binns, tínhamos mais matérias de História da Magia do que o habitual. Slughorn só queria nos fazer rir, principalmente depois de notar que ninguém estava com paciência para aturar nada. Todo mundo parecia de mau humor naquela época. A melhor solução para isso era uma festa com comida, bebida e música, para relaxarmos. Eu duvidava que isso fosse acontecer. Eu achava que uma festa com música só ia nos deixar mais irritado ainda.


E foi o que aconteceu quando perguntei:


– Você vai com alguém?


Perguntei aquilo para poder dar o embalo no meu próprio convite, o que era ridículo, mas algo que eu estava mesmo cogitando em fazer. Só que Rose parou de andar e colocou o cabelo atrás da orelha para dizer, baixinho:


– Andrew Smith me convidou há um tempo e...


– E você disse sim?


Ela fez que sim. Não sei o que me deu, mas eu estava irritado quando perguntei:


– Ah, então está afim dele agora?


– Scorpius-


– Porque para mim está ótimo. Não foi como se aquele beijo tivesse significado alguma coisa, foi, Rose? Não sei nem se posso contar aquilo como um beijo. Talvez uma réplica. – Minha frieza e desdém saíram antes que eu as controlasse. No momento, me pareceu justo dizer aquelas coisas. Mas eu sabia que me arrependeria depois.


Minhas palavras atingiram Rose porque ela fechou a cara, olhando-me com um jeito estranho, zangado, magoado, como se eu estivesse sendo injusto.


– Para a sua informação, Malfoy – sua voz era amargurada –, Andrew já havia me convidado muito antes de você ter decidido enfiar a língua na minha boca. Eu não vou desfazer o convite, muito menos agora que você diz que isso não significou nada!


Ela havia aumentado o tom de voz e estava cada vez mais zangada. Não me deixou falar, empurrou meu peito com o ombro para ir embora de lá, apertando o pé a cada passo apressado e irritado que dava para o mais longe de mim. O horário das rondas não havia terminado e ela não deveria ter saído assim, mas eu sabia que era por minha culpa, de modo que fiquei quieto. Olhei para o chão, finalmente sentindo que não deveria ter falado a mentira de que o beijo não tinha significado nada.


Além disso, somente mais tarde raciocinei que Andrew Smith não era ameaça para ninguém. Apenas um amigo de Rose que teve coragem de pedir sua companhia na festa muito antes de mim. Apenas um cara que ia dançar com ela e que ela não ia dar o fora. Ou ficar sem olhar na cara os próximos dias seguintes, pois foi isso o que ela fez comigo.


Eu deveria conhecer Rose o suficiente para entender que, quando alguma coisa a deixava zangada, não era nada fácil chegar perto dela para se desculpar. Eu tentei não continuar merecendo aqueles olhares fulminantes que me lançava durante as aulas, apenas para que Albus não chegasse a me fazer perguntas do tipo: “Por que vocês estão brigados?” Mas eu acabei reparando que, na verdade, eu não sabia quase nada sobre Rose.


– Então, por que vocês estão brigados? – Albus fez a pergunta quando Rose negou sentar-se a nossa mesa para dar últimas revisadas nas matérias para os N.O.M’s.


– Não sei – respondi, verificando minhas respostas com a dele.


– Ela parecia bem zangada com você.


– Impressão sua.


– Talvez. Ei, acredita que vou com a Natalie para a festa? Nem precisei convidar, ela já foi logo pedindo para que eu a buscasse na sala da Grifinória e-


– Quem quer saber de festa agora? – eu crispei e me levantei. Agarrei minha mochila e sem dizer mais nada deixei Albus falando sozinho. A aproximação dos N.O.M’s e o fato de que eu ainda não fazia a mínima idéia do que queria fazer – embora estivesse tentando a ambição de auror por falta de escolha e porque meu avô queria – estavam deixando aqueles dias ficarem ridiculamente estressantes. Sem contar o fato de que Rose parecia achar a idéia de me ver com a cabeça na privada muito tentadora.


Estou exagerando. Mas Rose é mesmo exagerada. Sendo assim, decidi que não ia me importar mais com isso pelo menos até acabar a droga daqueles N.O.M’s. Estava até pensando em não ir a festa do Slughorn, mas eu não podia achar que o motivo de Rose estar acompanhada por Andrew Smith fosse me deixar fora de alcance. Ainda havia muitas garotas que queriam ter acompanhante, e uma delas nem perdeu tempo.


– Scorpius – chamou Erin Mason enquanto saíamos da sala. Ela era da Grifinória e sempre sorria quando me via. – Você e eu podíamos ir juntos, o que acha?


Eu dei de ombros, mas depois sorri. Ela era bonita, até. Morena de olhos verdes, e grandes.


– Claro – falei. – Eu não estava pensando em ir, mas...


– Como não? Vai ser legal. Todo mundo parece tão estressado ultimamente.


– Acho que uma festa não vai ajudar em nada – dei minha opinião. – Só mesmo quando acabar tudo.


– O intuito não é esse. E você está com cara de quem quer socar alguém, isso não é simpático – sorriu.


O único problema de Erin era que Albus já havia ficado com ela uma vez. Mas depois disso acabou decidindo parar com o que estavam fazendo, porque Erin não via Albus como nada além de amigo. Lembro que ele havia ficado chateado por um tempo, como se realmente gostasse da garota. Os dois não se falavam como antigamente, mas tinham consideração pelo outro. O problema que ela tinha, então, se dissolveu, ainda mais com Albus muito animado em sair com Natalie. Então aceitei e fui com ela para a festa.


Slughorn tinha os gostos mais estranhos e exóticos para enfeites de festas e se não havia tema para uma, ele mesmo inventava. Eu não soube decifrar qual era, mesmo vendo figuras de peixes, sereias e mexilhões pregadas nas paredes. Tentei tirar sarro com Erin quando chegamos a salinha particular de festas do professor, mas ela olhava fascinada para os enfeites e para as comidas das mesas como se não houvesse coisa mais linda.


– Uaau – sussurrou. – Meu signo é Peixe, e o seu?


Eu não esperava conversar com ela sobre signos, mas a pergunta parecia lhe interessar, por isso não fui grosso nem nada. Antes de responder, no entanto, ela apertou meu braço e disse brincando:


– Só não vale dizer que é Escorpião!


– Sou Capricórnio, na verdade.


– Legal – foi o que só disse. – Vamos sentar numa mesa. Oh meu Deus – exclamou quando viu o mesmo que eu. No momento Rose e Andrew entravam na sala. – Eles estão ficando?


– Não – eu disse rispidamente. Eles passaram por nós como se não existíssemos.


Mas ninguém nunca passava por Erin como se ela não existisse, porque cumprimentou:


– Olá, Andy. Poxa! Que camiseta incrível – elogiou.


Andrew parou de andar e olhou para Erin piscando.


– É sério?


– Muito sério. Eu sou fascinada por extraterrestres.


– Achei que eu fosse o único! – falou empolgado. Afastou-se de Rose para se aproximar de Erin. – Querem se juntar a nós na mesa? Acho que Albus e Natalie não vão deixar vocês acompanharem ele. – Apontou para os dois se agarrando ali no fundo da festa.


– Não é uma boa idéia. – Rose e eu nos entreolhamos quando dissemos em uníssono.


– Bem, se vocês não quiserem... – Erin não insistiu. Mas Andrew não foi tão piedoso.


– Qual é, gente! Vamos. Eu ainda tenho que agradecer você por ter me ajudado no Halloween ou ia morrer sufocado, Malfoy.


– Não, não sou um cara de-


Erin puxou meu braço.


– Não seja anti-social, Scorpius – disse enquanto me levava até a mesa de Rose e Andrew.


Vou contar como foi essa festa. Estávamos eu, Erin, Andrew e Rose sentados ao redor de uma mesa redonda, com a música tocando e alguns casais dançando ali perto. Havia convidados de outras séries, mas a maioria era da nossa. Eu esperava que Erin continuasse conversando comigo sobre signos ou algo parecido, e provavelmente Rose também estava esperando ser ocupada por Andrew, mas os dois se entretiveram demais com as coisas em comum que descobriam ter, para nos dar alguma atenção.


Em nossa mesa, a coisa estava mais ou menos assim:


– Eu adoro filmes trouxas – exclamava Erin apoiada à mesa. Cruzei minhas pernas. Rose tirou o cabelo dos olhos.


– Sério? Achei que fosse o único! – respondia Andrew.


Ou:


– Imita o pato Donald de novo – pedia Erin. Andrew obedecia, deixando Erin vermelha de tanto gargalhar.


E não pararam por aí. Ficaram falando sobre todos os tipos de coisas entediantes do mundo e imitavam as coisas mais entediantes do mundo. E não só desse mundo. Eu estava quase dormindo na cadeira, quando os dois anunciaram que iam fazer um experimento com o ponche que estava sendo distribuído, e se levantaram, deixando-me sozinho com Rose.


Experimentei olhar para ver se ela iria sair, mas dessa vez isso não aconteceu. Eu estava balançando a minha cadeira com o peso do meu corpo para trás, segurando-me na cadeira vazia antes ocupada por Erin. Voltei a olhar para os dois e bufei quando vi que estavam dançando animadamente ao som da música agitada.


Eu pigarreei e soltei, ainda balançando-me na cadeira:


– Está me devendo uma dança, Weasley.


– Por que você me chama de Weasley?


– Não é esse o seu sobrenome? Ou descobriu que foi adotada ontem?


– Quer parar? – exclamou se levantando tão abruptamente que seus joelhos empurraram a mesa. O efeito me levou junto. Eu caí de costas com a cadeira que meu corpo balançava, emitindo um estrondoso som capaz de despertar a atenção dos meus colegas. Ouvi risadas e massageei as costas ao me levantar depressa. Encarei Rose, zangado, como se tivesse sido sua culpa. Ela apenas deu as costas e se afundou contra os alunos que dançavam lá perto.


Eu os empurrei para segui-la.


– Rose – chamei. – Rose, espere.


Eu apenas via seus cabelos e ela estava saindo da sala. Tive que dar uma corrida para alcançá-la. Quando estávamos no corredor ela finalmente se virou para mim.


– Como consegue ser tão desprezível?


– Eu não quis ofender você, está bem? – eu rebati no mesmo tom de voz. – Eu sou idiota, achei que já soubesse disso!


– Não estou me referindo ao que acabou de dizer.


– Então está se referindo ao quê?


Ao em vez de responder, ela deu uma risada gélida.


– Scorpius, não se faça de sonso. Você é mais esperto que isso.


– Eu não me sinto assim tão esperto agora. Olha, não é legal ver você zangada nem nada. Queria que soubesse, tem coisas que eu falo que eu não... você sabe, que eu não quero dizer.


– Eu sei – ela falou depois de um tempinho calada. Sua voz havia voltado ao normal e não parecia mais zangada. – E é isso que me deixa nervosa.


– Acho que não agi com você de forma justa. Foi mal – acrescentei colocando as mãos no bolso.


Ela estava com os braços cruzados embaixo das costelas e admitiu também:


– Foi mal por ter feito você cair.


– Todo mundo achou engraçado – eu disse dando de ombros. – Devem estar rindo ainda.


– Só um jeito de descobrir.


Quando voltamos para a festa, Albus cutucou meu ombro e eu me virei para ele. Natalie o abraçava pela cintura, como se estivessem dançando literalmente agarrados – ela até tinha os olhos fechados – quando ele perguntou:


– Que tombo foi aquele?


Dei um empurrão em seu braço, para fazê-lo parar de rir, mas acabei rindo também enquanto me afastava para pegar um copo de ponche. A música agitada mudou para uma mais lenta e foi naquele momento que encarei Rose ao meu lado.


– Quer um pouco?


– Vamos – disse de repente, segurando meu pulso, e me levando para perto dos outros casais que dançavam.


Mesmo com Albus e metade de nossa turma olhando, Rose me fez parar bem em frente a ela. Com um movimento nos braços, ela apoiou as mãos em meus ombros. Eu olhei para os lados, para me certificar se ninguém estava reparando. Mas quando segurei sua cintura e me aproximei mais dela, acho que isso foi o que menos importou. Até a música de repente virou apenas um zunido na minha cabeça.


Eu quis dizer alguma coisa, mas eu não sabia o que. Então optei por ficar calado. Enquanto a gente dançava, Rose também não disse nada. Uma ou duas vezes ela levantava os olhos para encarar, mas depois os desviava quando eu decidia encará-la também. Então subia o canto dos lábios num sorriso acanhado, preferindo olhar meu peito.


Finalmente eu disse:


– Estava me referindo ao copo de ponche.


– O quê?


– Quando perguntei se você queria um pouco, eu estava me referindo ao copo. E não a uma dança.


– Está reclamando, sr. Malfoy? – perguntou Rose com uma voz trocista. Eu sorri, nos movendo sem saber o que fazíamos, mas parecia certo já que não pisamos no pé do outro até aquele instante.


– Não chega nem perto disso, srta. Weasley.


Começamos a rir.


Aquilo não foi tão chato assim. Quero dizer, em meio a tanto estresse, ter dançado com Rose fez meu humor voltar ao lugar e eu senti que podia aturar mais algumas horas ali. E mais um grande teste que poderia definir nosso futuro, na próxima semana.


 


 


 


 


 


 


Corri contra o fluxo dos alunos do terceiro ao sexto ano, quando a avistei. Ela havia acabado de se afastar de Natalie já que as duas não teriam as mesmas aulas.


– Rose – exclamei, trombando em outra garota com a mochila. Rose ainda estava longe demais para escutar, por isso andei mais apressado. Aquele horário era o mais movimentado do dia. Fui passando pelos meus colegas até conseguir chamar o nome dela e ela se virar para mim. Alcancei e andei ao seu lado.  – Oi – falei e percebi que eu estava ofegante, como se tivesse corrido das masmorras até ali. Bem, foi quase isso.


– Você se inscreveu na aula de Aritmancia agora? – perguntou com uma sobrancelha erguida. – Porque eu estou indo para lá agora e-


– Não – eu afrouxei minha gravata, tirando o cabelo da testa. Fiquei um tempo em silêncio e depois perguntei imediatamente: – Vamos estudar ainda hoje, certo?


Ela abriu um sorriso e olhou para os lados.


– Eu disse que já vamos – respondeu, franzindo a testa ao me analisar ofegante. – Não precisava ter corrido até aqui para ter certeza, nem nada.


– Certo – falei para mim mesmo, achando-me patético.


– Às cinco horas – falou. – Vou estar lá. Agora você não deveria ter aula de Herbologia com a Grifinória?


Olhei meu relógio e xinguei. Estava atrasado.


– Porra. – Sem dizer nada, voltei a correr para o lado contrário. Lembrei-me de uma coisa e me virei para dizer: – E não se atrase. E não leve Albus! Na verdade, não diga nada a ele!


Ela levantou o polegar para mostrar que havia escutado. E entendido.


Estava fácil me livrar de Albus, porque ele vivia se grudando em Natalie. Então, basicamente, não tive que dar explicação alguma quando me levantei do sofá e saí da Sala Comunal para ir até a biblioteca, naquele fim de tarde.


Rose já estava com todos os livros abertos na mesa. Ela ia mesmo estudar. Bem, eu não podia deixar na cara a minha outra intenção, ainda mais com os N.O.M’s daqui dois dias. Ela já estava nervosa e não ia dar atenção para coisas como me beijar ou algo assim.


Eu me sentei a sua frente. Ela olhou e me estendeu o livro cinco de Transfiguração.


– Podemos começar com esse. Não está tão difícil – começou a dizer. Suspirei.


Ela me explicava o que eu não havia entendido, mas durante suas explicações eu ficava pensando: “Cara, se eu quero beijar ela, não devia ter sugerido a biblioteca. Ela abomina beijos na biblioteca. Por que não a convidei para dar uma volta no jardim ou... Não, muita gente olhando.” Apoiei meu queixo na mão, ouvindo-a, mas não realmente escutando o que ela estava dizendo. “Que nerd”, abri um sorriso involuntário.


– Entendeu? – perguntou, dando por encerrada a explicação.


– Sim – menti.


Ela vasculhou a bolsa por um tempo e franziu a testa.


– Acho que esqueci o outro livro. – Se levantou e foi procurar na estante ali perto. Eu me levantei, para ajudá-la assim que notei que ela estava demorando um pouquinho demais.


– Qual é o título do livro? – perguntei, enquanto me afastava até o fundo, dando uma olhada nos outros livros. Rose se abaixou e pegou um. Folheou durante um tempo. Bufou, fazendo essa expressão irritada, mas ainda concentrada.


Percebi que estávamos completamente sozinhos e o lugar parecia expelir pessoas, porque era a seção mais entediante da biblioteca. Ninguém ia passar por lá. Eu me aproximei dela, que ainda lia algumas coisas do livro. Foi virar a página, mas eu me inclinei rapidamente, antes que perdesse a coragem.


Colei nossas bocas. Rose ainda segurava o livro aberto quando eu movi meus lábios sobre os dela. Dessa vez, quando ela correspondeu, apressei-me em fazer com que nossas línguas se entrelaçassem. O contato foi inesperado, a reação também, porque eu segurei seu rosto com as duas mãos e continuei, não querendo parar, sentindo seu gosto novamente.


Ela enrolou os braços em meu pescoço, e percebi que havia deixado o livro cair em algum canto perto de nossos pés. Eu tinha minhas mãos em sua cintura o tempo todo que nossas línguas se tocavam, e não ousei movê-las dali. Mais porque estávamos dando uma atenção inevitável para nossos lábios.


Ouvimos um barulho e ela tirou a boca da minha, assustada, mas não nos soltamos. Olhamos ao redor. Não havia ninguém.


– Acho que isso não é uma boa idéia, Scorpius.


– Tem razão, deveríamos estar estudando – falei, inclinando meu rosto para perto do dela de novo.


– É sério, Scorpius – disse, desviando o rosto, de modo que beijei sua bochecha, quase perto de sua boca. Foi bem em sua covinha. Ela reprimiu um riso e eu senti que também tinha ficado meio arrepiada. Voltou a me encarar, explicando: – Alguém pode descobrir e estaremos ferrados.


Afastei-me para ver se tinha alguém ao redor. Só Madame Pince abanando um pano com aquele olhar que era capaz de desconfiar até dos livros que ela vivia limpando freneticamente. A mulher estava espantando mosquitos.


E olhando para mim como se dissesse: “Deixe suas calças onde estão!”


Rose estava verificando outro livro quando me aproximei dela de novo. Cochichei:


– Madame Pince tem contato com seus pais?


– Como vou saber?


– Se não tem, podemos continuar “estudando”. Não há ninguém aqui.


– É sério? – perguntou, virando-se para mim e encostando-se a estante, com as mãos escondidas nas costas. – Quero dizer... por que está fazendo isso?


Era a pergunta que eu não queria que ela fizesse. De início, uma pergunta sem resposta, mesmo não sendo retórica. Então devolvi na mesma proporção, rebatendo:


– Por que está correspondendo?


Ela só ficou olhando para mim. Se nem Rose sabia... Talvez não precisássemos de nenhuma resposta naquele instante. Se isso aconteceu de repente ou por algum motivo, parecia ser o que menos importava... ao mesmo tempo que deveria ser o mais importante. Mas tendo a boca dela movendo-se com a minha e eu gostando bastante daquilo, quem precisava de motivos?


– Não é certo – falou um tempo depois, afastando-se de mim. – Sabe, ficar fazendo isso antes dos N.O.M’s. Posso me desconcentrar ou algo assim.


Eu não deixei de sorrir, limpando a poeira de um livro com o dedo indicador.


– Então quer dizer que te deixo desconcentrada.


Ela parecia um peixe fora d’água, até que saiu uma voz tentando admitir:


– Eu não disse isso.


– Seus olhos piscam rapidamente quando você está mentindo. Isso é meio transparente em você – falei, ultrapassando-a para chegar à mesa. Ainda sorria de lado, enquanto ela cruzava os braços de forma orgulhosa, porém nada misteriosa. Sentei na cadeira e coloquei as mãos atrás da nuca, olhando enquanto ela voltava a se sentar também.


– Estou piscando freneticamente enquanto digo que você me desconcentra.


– Claro, não sou eu que te deixo desconcentrada. São meus olhos azuis.


– Sim, lindos como o oceano mais belo do mundo – ironizou, encarando-me. – Fala sério, Scorpius, você se dá créditos demais.


– E você acha que não me esforço para merecê-los?


– Os créditos devem ser dados por outras pessoas, e não por você mesmo.


– Então que bom que acabou de dizer que meus olhos são lindos, não acha?

No momento que disse aquilo, Madame Pince se aproximou e exclamou um “shhh” alto e irritante, então Rose não teve como retrucar. Preferiu só me lançar um olhar que parecia dizer “vamos voltar a estudar, porque é mais interessante do que te ouvir tendo razão”. Voltamos a estudar, mas não voltamos a prestar muita atenção. Bem, ela não voltou, já que eu não estava prestando atenção desde que cheguei por lá.




Esse capítulo deu mais enfoque a Rose e Scorpius do que a outros acontecimentos da fic, mas foi essa a intenção. Logo os outros conflitos retornarão, mas por enquanto estava louca para escrever mais cenas entre os dois. Éé, amo tanto eles :) Tanto que não consigo expressar isso em um capítulo, portanto só digo que estamos no começo dessa relação! 

Obrigada pelos comentários, meus amores! Todos eles me animam a escrever... obrigada mesmo... continuem lendo e acompanhando e comentando! Beijão e até o próximo :)

Curiosidade: escrevi a cena em que eles dançam, escutando "Make You Feel My Love" na voz da Adele. Linda, linda. *-*

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Comentários: 11

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por REJI em 12/03/2012

Amei o capítulo, sério. Por mim eu ficaria lendo capítulos inteiros apenas sobre Scorp e Rose pelo resto da fic *-*

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Ana CR em 05/02/2012

(: 

Ah, que demais!!!! 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Lana Silva em 30/10/2011

Nsssa o clima esquentando entre os dois kkk *-------------* ahhh tô amando...Pérfeiiita demais!

Nota: 5

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Enviado por MarianaBortoletti em 26/10/2011

Que coisa linda! Adoro essa narração do Scorpius, é tao jovem, tão masculina e ele tem uma personalidade irritante certas vezes, mas que dá um brilho especial ao humor dele, adoro! Essa atração que um sente pelo outro é tão humana, tão instintiva, que torna a coisa muito real, carismática. Adoro ler o romance, adoro ler como os dois se sentem perto do outro. Aii, to cada dia mais apaixonada por essa fic, pela simplicidade e pela profundidade com que ela me toca *-*

Nota: 5

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Enviado por LoPotter em 25/10/2011

Heey *-* Acabei de ler Money Honey hoje, e vim correndo ler Born For This. E tenho que te falar, viu? Também é perfeita! Ao contrário de Astória e Draco, Rose e Scorpius sempre foram um dos meus casais preferidos, quer dizer, como não se apaixonar por eles?
Eu ameei Born This Way, e prometo que vou me esforçar ao máximo pra acompanhar a fic... Mas geralmente tenho pouco tempo e sou um pouco ausente. Mas saiba que mesmo que eu demore pra comentar, sempre vou ler essa fic, tá?
Quanto ao capítulo, QUE PERFEITO! Sério, Scorpius muito lindo sempre! ~sou apaixonada por ele rs~ Quero que o Scorp continue tendo esses surtos de coragem e atitude, hein? HAHAHA. Sou tão apaixonada pelo casal que até as brigas deles me fascinam, sério.
Já te falei que amo sua forma de escrever? Acho que comentei isso em Money Honey, mas tenho que falar de novo: Você escreve muito bem. Sério! E essa fic é simplesmente apaixonante *--* To morrendo de curiosidade pra saber o que vai acontecer no próximo capítulo! Não demore pra postar ok? To anciosa! Beeijos ;*

Nota: 5

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Enviado por Vivian Souza em 23/10/2011

Queria um capítulo por dia! xD Muito perfeita essa fic *___*

Nota: 5

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Enviado por alana_miguxa em 23/10/2011

esses dois sao tudoooo de bom!!!! adoroooo!! tua fic eh maraaa!

Nota: 5

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Enviado por Carolzinha Gregol em 22/10/2011

SEGUNDO BEIJO DELES! QUE LINDO. quero mais. foi lindo de toda a forma possivel(?) gente, esse capitulo ficou divino, pode continuar *-* que lindo o Scorpius com ciumes da Rose e principalmente quero ver a reação da Familia Weasley e a Malfoy souberem que eles estão juntos, vai ser chocaaaaaante. quero mais.

Nota: 5

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Enviado por Lívia G. em 22/10/2011

Meu dia estava uma bosta completa até eu ler esse capítulo. Como eu amo essa fic e esse casal, ai! Rose e Scorpius são tão... ai, não sei explicar hahahahahaa. Mas olha, esses beijos deles conseguiram me alegrar! To muito ansiosa, como sempre, pelo próximo!

Nota: 5

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Enviado por Nikki W. Malfoy em 22/10/2011

ahhhh
adoro o fato de um Malfoy estar com uma Weasley
ainda mais sendo o Scorpius e a Rose
amo eles, e adoro sua fic...

Nota: 1

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Enviado por Louyse Malfoy em 22/10/2011

Seus olhos piscam rapidamente quando você está mentindo. Isso é meio transparente em você, essa fic fica cada vez melhor! Posta mais *O*

Nota: 5

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