Era esperado que acontecesse. Muitos diriam que havia demorado demais até. Mas certo, como dois mais dois são quatro, que Hermione Granger e Ronald Wesley jamais dariam certo.
Bem, o fato era que eles discordaram disso. Tanto que um ano depois da derrota de Voldemort, eles se casaram. Harry e Gina haviam assumido seu namoro e mantinham um noivado de três anos. Segundo os gêmeos, Harry estava com medo do casamento, mas a grande verdade era que Ginerva, era independente demais para depender dele. Enquanto não se formasse e tivesse seu próprio sustento, não lhe diria o tão sonhado sim. mas Harry não se assustava com isso, ela se formaria dali a alguns meses como medibruxa, e com seu talento, logo estariam casados e felizes. Ao contrario dos amigos.
Casados há um ano, morando em um apartamento alugado em Hosgmose, Rony ocupava um bom cargo no ministério, enquanto ainda realizava alguns textes como goleiro. Houvera um proposta para jogar pelos Estados Unidos, mas teria que deixar toda a família, e o salário nem era essas coisas. Sem contar que o time de lá estava na lanterna do campeonato de Quadribol. E começar uma carreira perdendo, não era sua meta de vida.
Meta essa que começara a ser realizada em 12 de agosto daquele ano, quando Voldemort fora derrotado. Aliviados e livres finalmente, tanto Rony, Hermione, quanto Harry ainda passaram alguns meses na procura de alguns desaparecidos durante a guerra, como Neville e Fred. Infelizmente, Neville não havia sobrevivido e Fred não se lembrava de quase nada do seu passado. Recomeçar a vida tornara-se a meta de todos os sobreviventes e entre as cinzas daquela guerra todos tentaram a sua maneira recomeçar suas vidas.
Ninguém sabia que os dois estavam namorando, na verdade fora uma surpresa para os dois também. Não pensaram. Não discutiram, pela primeira vez na vida, ambos apenas concordaram.
Ele fez o pedido no quintal da Toca, num domingo de sol, depois do almoço, quando toda a família estava reuinida. Depois apenas entraram e deram a noticia.
Ninguém os tentaram fazer mudar de idéia, como fizeram com Gui e fler. Apenas sabiam que os sentimentos eram verdadeiros.
Eles eram muito jovens, pensou a sra.Wesley, e mais tarde disse ao marido, não vão conseguir adminitrar as diferenças entre eles. Um casamento é tão sério. Rony é tão sonhador e otimista. E Hermione é tão séria e perfeccionista...tenho medo que eles sofram.
E ela estava certa, exatamente um ano depois, Rony arrumou algumas mudas de roupas dentro de uma mochila, e passou pela sala, onde Hermione estava sentada, o olhar perdido num ponto qualquer e saiu porta a fora para não mais voltar. O motivo? Nem eles mesmos sabiam.
As brigas se tornaram rotina.
O ciúme deles também.
Então, num acordo de quem ainda presa a amisade decidiram que ele sairia por um tempo. Sem prazo para volta.
Fora depois do café da manha, haviam passado a semana toda sem se falarem, conseqüência da ultima discussão da semana passada. Rony sentara na mesa do café e observo-a calado enquanto ela mexia seu chá com a colher.
-Eu tenho um teste com os Chulders na quinta. Vou ter que passar uns dois dias em Londres. – ele disse esperando que ela dissesse algo animador ou até se oferecesse para ir com ele. Ou quem, sabe, apenas encerassem aquela briga.
-Ok. – foi sua resposta curta ainda sem olhar para ele.
-Eu... – Rony não acreditou no que diria, mas era preciso, ou começariam a se odiar mais dia ou menos dia. – Talvez fosse bom que eu ficasse um tempo lá na casa do Carlinhos em Londres. Uns dias a mais para a gente dar um tempo.
-Também acho. – ela disse por fim olhando-o nos olhos – Sempre fomos amigos, Rony...não quero perder isso...
-E não vamos. – tentou sorrir mais não foi verdadeiro – Serão só alguns dias. Pra pensarmos.
-Certo... você vai quando?
-Hoje a noite. Vou até a Toca, e depois vou aparatar na concentração dos Chulders. – disse baixando os olhos dele, sem poder encara-la.
-Você falou com o ministro sobre isso, não falou? – ela perguntou – Sabe como ele é com seus aurores.
-Falei sim. por ele tudo bem. – sempre preocupada comigo, pensou Rony, que em momentos come esse sentia uma pontinha de esperança.
Mas eram esperanças que morriam toda a vez que dobrava uma peça de roupa e a jogava no fundo da mochila.
E ao fechar a porta atrás de si, sentiu-se como se perdesse uma parte da sua vida e seu melhor tempo ficasse para trás.
Na sala, muitas horas depois Hermione ainda estava naquele sofá. Deitada abraçada a uma almofada, enquanto as lágrimas silenciosas corriam por seu rosto. Perdera seu amor.
Perdera sua vida e seu futuro.
Em sua mente sempre racional, a certeza que a imaturidade de ambos os separavam.
Os dias passaram, e na quinta feira, Hermione não foi trabalhar, ficou em casa, e arrumou tudo. A casa estava um brinco e o jantar pronto, a mesa arrumada. Quando Rony chegasse, pois tinha certeza que ele viria nem que fosse apenas para lhe dizer do resultado do texte, ela pediria desculpas por seu comportamento. Pediria que ficasse. Que nada na vida era mais importante que os dois juntos.
Mas ele não veio.
Passava da meia noite quando recebeu um pequeno bilhete de Pichi. “Desculpe não ter mandado noticias antes, mas fui aprovado. Precisarei ficar aqui até o final de outubro para treinar. Acho que será um bom tempo para pensarmos. Rony.”
Tão pequeno, pensou Hermione. Tão formal.
Ele estava em outro ambiente, ela iludiu-se, Rony sempre fica assim sobre pressão em situações extremas.
Então setembro passou lentamente, e outubro agonizou no calendário sobre sua mesa no ministério.
Harry tentava faze-la falar, mas Hermione não queria. Já se passaram dois meses ela lembrava toda manhã. Dois meses sem vê-lo.
Haveria o jogo de estréia dele no Chulders naquela semana e ela iria. Harry, Gina e toda sua família também. Mas o mais importante ninguém sabia.
Hermione levava com ela a vontade de tocá-lo e dizer o quanto o amava. De contar o verdadeiro motivo de terem brigado a meses atrás. De sua implicância.
No dia do jogo, o sol nasceu no céu bem cedinho e as arquibancadas estavam lotadas. Hermione e os outros ficaram bem em cima, num, dos melhores lugares. Privilégios que Harry sempre conseguia.
O jogo começou meio sem graça, pois ambos os times não atacavam muito. Problemas de orçamento, dizia o técnico dos Chulders. Jogadores mal pagos eram o reflexo das constantes derrotas. Mas não hoje. Com dois jogadores novos, Rony na defesa e um tal de Dilan, como apanhador, tinham tudo para recuperar a liderança.
Lá pela metade do jogo, um balaço atingiu Rony. Foi um momento de pânico e no seguinte Hermione já estava lá embaixo,correndo entre os demais jogadores. Um muito apropriado intervalo e dois medibruxos o examinavam.
-Hei, você não pode entrar aqui! – um segurança na porta do vestiário do time barrou sua passagem.
-É claro que eu posso! Sou a mulher do seu goleiro, então saia da minha frente!
A determinação dela o fez recuar e Hermione entrou correndo. Havia alguns jogadores em volta de um Rony meio aturdido sentado no banco de madeira do vestiário, entre os armários. Ele tinha tirado a parte de cima do uniforme e a camisa. Segurava uma bolsa de água gelada contra a testa. Tinha os olhos fechados. Parecia bem.
-Rony? Você está bem? – correu até ele e tirou a bolsa de água da cabeça dele olhando o feio corte sobre a sobrancelha.
-Hermione? O que está fazendo aqui??? – sua surpresa a fez corar.
Ela tentou disfarçar.
-Toda a sua família veio ver o jogo, Rony. – pegou a varinha do bolso da calça.
-O que vai fazer?
-Você quer voltar pro jogo não quer? - ele concordou e ela sorriu – Eles já vão recomeçar o segundo tempo. – executou um feitiço sabiamente apreendido com madame Polfrey na época em que viviam na enfermaria praticamente. O corte se fechou e o sangue parou de correr – Vai incomodar um pouco, mas ao menos não vai ficar tonto...
-Ah...bem...obrigada... – levantou e pôs rapidamente o uniforme.
Nisso o técnico retornou ao vestiário.
-Ronald! Seu corte...você esta bem?
-Sim. estou pronto para jogar.
-Essa jovem fechou o ferimento. – disse um dos jogadores, aproximando-se do técnico – Muito ágil com a varinha por sinal.
-Ah, sim... – o técnico a olhou surpreso – E quem é você jovem?
-Hermione...Wesley. – disse incerta sobre o que deveria dizer. – Sou casada com o rony.
A surpresa deles a pegou desprevenida.
-Ora, ora... – disse o técnico num tom bem desagradável – Não sabíamos que era casado, Ronald.
Aquelas palavras a gelaram. Ele estava há dois meses treinando e não dissera que tinha uma esposa. Não havia se separado e mesmo que houvessem oficializado, ao menos eles deveria tê-la mencionado. Não era assim que as coisas funcionavam? Talvez ele não pensassem mais nela. Talvez... não quisesse que as pessoas soubessem dela.
Isso doeu.
Terrivelmente. Nem prestou atenção quando todos saíram e ela ficou sozinha no vestiário. Sentou-se no banco, com as pernas meio tremulas.
Acabou.
Demorara a entender. Mas havia acabado. Fora rony quem tomara a iniciativa de ir embora. Ela entendera como uma forma desesperada de conservarem o amor que tinham e tentarem por a cabeça no lugar. Mas não. Era um fim. Ao menos para os sentimentos dele.
Ferida, Hermione não ficou para ver o fim do jogo. Foi embora sem falar com ninguém.
Em casa também fez as malas. Mandou uma coruja para o ministro pedindo alguns dias afastada do trabalho por motivos pessoais e aparatou na casa de seus pais em Londres. Três dias depois embarcou com sua mãe para Berlin, na Alemanha onde sua tia morava. Ficaria um tempo com ela. Precisava ficar longe.
Precisava ficar só.
DOIS MESES DEPOIS
-Então hoje é o grande dia? – disse Gina rindo.
Rony arrumou a gravata e lançou-lhe um olhar sujo.
-Cala a boca Gina.
-Porque? Mamãe me contou. É hoje que Hermione volta com a mãe das férias. Ela me escreveu contando. Parece que vai apartar num apartamento que pediu pro Harry alugar. Um apartamento só dela. – frisou a última frase.
-Porque isso? – ele a olhou surpreso.
-Vocês estão separados, rony. Isso não é bem obvio para você? Você saiu de casa, não a procurou por dois meses e nem lhe escreveu enquanto ela esteve com os pais. Provavelmente ela não quer viver num lugar onde você também tenha as chaves. Sabe, refazer a vida e esses bobagens todas que temos que fazer depois de terminar um casamento.
-Nos não terminamos o casamento – ele disse seguro de si – Eu não escrevi porque não sou bom escrevendo. Nos concordados que daríamos um tempo. E quatro meses é um bom tempo.
Gina sorriu irônica.
-Qual é Rony? Você deixou bem claro a sua posição quanto a seu casamento. Mione me contou nunca carta que você não se deu nem ao trabalho de dizer que era casado! Isso é o mesmo que assinar um termo de divórcio.
Ele pareceu congelar na frente do espelho.
-Então é isso que ela está pensando?
-Você não sabia????
-Não. Eu estranhei que ela tivesse viajado. Nos iríamos nos ver logo eu só precisava conseguir um dia livre dos treinos, mas aí ela foi viajar e eu...
-Ficou com medo dela de dar o maior passafora se fosse atrás dela?
-É. – admitiu meio a contragosto.
-Bem, Hermione, não sabe disso. Eu...arisco dizer que ela ficou muito magoada com você, Rony. Eu sei que ficaria louca com o Harry se ele não contasse de mim para os colegas de trabalho.
Depois que Gina o deixou sozinho, Rony se fitou no espelho com desgosto, já não tão certo quanto a ir vê-la.
Hermione entrou na nova casa. Era um apartamento a duas quadras do seu antigo apartamento onde vivia com rony. Pedira ao Harry que encontrasse um lugar bom e mobiliasse para ela. Não tinha cabeça para isso. Sua cabeça estava muito confusa. Ele entendera e a ajudara.
Ela entrou e olhou em volta. Era um bonito lugar. Não como sua antiga casa, pensou. Lágrimas se formaram em seus olhos. Tentara esquecer, mas não podia.
Seu casamento acabara. Como??? Como puderam deixar isso acontecer?
Certa que logo teria sua crise de choro matinal, fechou a porta. Foi quando ouviu um barulho. Parecia vir da cozinha. Sacou a varinha e dirigiu-se para lá.
Havia uma luz fraca. Mas estava vazia. Voltou a sala e quase pulou de susto quando ouviu uma voz atrás de si:
-Gostou da nova casa?
-Rony! – gritou, indignada – Você quase me matou! – pôs a mão no coração sentindo o quanto estava acelerado. – O que esta fazendo aqui? – perguntou enquanto sentava-se no sofá, feliz de não ter tirado o pesado casaco de inverno, largo e preto.
-Eu? – ele sorriu – fiquei sabendo pelos outros que a minha mulher queria uma casa nova. Daí eu achei que pelo menos eu deveria dar uma olhadinha para ver se gosto também.
-A gente não esta mais juntos, Rony.
-É. Mas eu fiquei sabendo disso só ontem.
-Como? Foi você quem saiu de casa!
-Para pensarmos sobre nos. – completou sua frase.
-Sim. Foi o que você disse – retrucou amarga.
-Conversei com a Gina antes de vir para cá. Eu não sabia que você tinha se magoado por eu não ter dito nada sobre o nosso casamento para o treinador. – ele sentou-se ao seu lado e ela quis sair dali. Quis muito, mas não pode. Fazia quatro meses que não o sentia tão perto.
-Eu também precisei de um tempo. – confessou amarga.
-Eu não tinha entendido até hoje o porque. Achei que depois de ter ido no meu jogo a gente poderia sair para conversarmos. Ficar bem de novo.
-Como? – ficou frente a frente com ele. – Ninguém sabia, Rony. Você ficou com vergonha de falar de mim? – estava quase sussurrando, pois tinha medo de ouvir a resposta.
-Vergonha? -ele riu – Hermione! Você precisa se ouvir falando! Que é isso? Eu teria vergonha de você? Porque?
-Eu não sei...Eu só pensei que não quisesse que soubessem de mim... – um soluço escapou de seus lábios e ela se condenou por estar tão emotiva.
-Eu não tenho vergonha de você, - tomou coragem e pegou sua mão. Apertando com carinho – Eu não conhecia ninguém naquele time. Então de manhã levantava bem cedinho para treinar e caia na cama antes das oito morto de cansaço. E no fim de semana eu apartava na casa do Harry para ficar bebendo cerveja amanteigada e reclamar da minha solidão até de madrugada. Daí eu voltava para a concentração e ia tudo de novo. Por dois meses. Não tinha com quem conversar. Eu não fiz amigos lá. Não tão rápido.
-Eu...Eu...Não sei o que pensei... – confessou incerta de todo sofrimento ter sido em vão.
-Mas eu sei. E não importa mais. Eu trouxe todas as nossas coisas para cá. Esse apê é até melhor que o outro. – disse tentando faze-la sorrir – eu senti tanta saudade, Hermione.
-Eu também, Rony.
Ele sorriu e se curvou para beija-la. Ela queria, mas não podia ainda.
Afastou-se e soltou sua mão. Ele a olhou desconcertado.
-Tem mais uma coisa que precisa saber, rony. Eu deveria ter contado antes, mas estava muito magoada. Eu quero que me perdoe por isso.
-Pelo que? – havia um certo pavor na sua voz.
-Quando nos dois começamos a brigar meses atrás você disse que eu andava insuportável, lembra? E por isso ficamos uma semana sem nos falarmos. Você tinha razão eu estava fora de mim. Mas não era totalmente minha culpa. Eu só não sabia ainda. Descobri duas semanas depois que foi embora.Eu...
-O que foi, Hermione? Pelo amor de Merlim, o que você descobriu?
Havia medo nos olhos dele e desta vez quem sorriu foi ela.
-Meu mau humor, Rony. Minhas implicâncias sem motivos não eram falta de amor com você. Eu só estava fora de mim. Meus hormônios estavam a toda. – riu da cara confusa dele – Isso acontece e muito. Na minha situação atual.
-Que situação atual?
-Eu...- começou a desabotoar o casaco – eu estou grávida.
Ele pareceu realmente não entender até que ela despisse o casaco e sua barriga levemente arredondada aparecesse através da malha fina da blusa.
-Eu voltei assim que começou a aparecer. Não me pareceu certo esconder de você. Mesmo que nos separássemos. Mesmo que você não gostasse mais de mim. Um filho é sempre um filho e você tem direito a conhece-lo e acompanhar todos os seus momentos.
-Hermione... – ele começou a dizer com a voz bastante embargada. – Se eu soubesse eu nunca a teria deixado. Eu deveria ter sido mais compreensivo com você. Mais amigo. Eu...
-Você não tinha como saber que eu estava esperando um bebê, Rony. – disse sentando-se a seu lado de novo.
-Mesmo assim. Você é minha mulher. Minha companheira. Mesmo que eu tenha que ser seu saco de pancadas de vez em quando. Eu te amo.
-Rony... - mesmo sorrindo pela declaração ela ainda tinha uma pergunta para fazer – Eu preciso saber...você está feliz com o bebê? Nos não planejamos nada e nunca falamos muito sobre crianças.
-Se eu estou feliz? Você está brincando? – ele riu, a puxando para um abraço – Eu poderia conjurar o maior patrono do mundo nesse minuto!
Vindo de um bruxo, isso deve ser uma declaração, considerou Hermione. Mesmo sem palavras sua alegria era palpável.
Agora não era preciso ser adivinho para saber a festa que seria nove meses depois quando nascesse o primeiro neto homem dos Wesleys...
FIM
|