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17. Capítulo 16


Fic: Tudo por Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Instalado no assento traseiro do automóvel, Tom Riddle colocou as notas de sua conferência na pasta, afrouxou-se a gravata, estirou as pernas e exalou um suspiro de satisfação ao ver os dois presidiários que iam no assento dianteiro.


Longbotton não era mais que um trombadinha, um tipo que não valia nada. O único motivo de que o tivesse a seu serviço era que algum de seus parentes devia ter conhecidos dentro do sistema, e tinha chegado a ordem de que Neville Longbotton devia receber um trato especial. Longbotton não proporcionava diversão nem prestígio; não obtinha o menor prazer atacando-o. Ah, mas Potter era outra história!


Potter era um ator de cinema, um símbolo sexual, um magnata que antes tinha avião próprio e limusines conduzidas por chofer. Potter tinha sido um tipo importante e agora servia a ele. Existe justiça neste mundo, pensou Riddle. Verdadeira justiça. E o que era mais importante, embora Potter tratasse de ocultá-lo, às vezes Riddle conseguia transpassar sua grossa pele, fazendo-o retorcer-se e sofrer pelo que já não podia ter, mas não era fácil. Nem sequer estava seguro de lhe infligir uma dor quando o obrigava a ver vídeos dos últimos filmes ou das entregas de prêmios da Academia. Com esse prazenteiro pensamento na mente, Riddle procurou o tema indicado e decidiu falar de sexo. Quando antes de chegar ao destino, o automóvel se deteve ante um semáforo, perguntou com tom amável:


— Bonito, rico e famoso, as mulheres lhe rogavam que se deitasse com elas, não é certo Potter? Alguma vez pensa em mulheres, no que se sente ao tocá-las, ao cheirá-las? Mas é provável que você não goste tanto de sexo. Se fosse bom na cama, a chinesa com quem estava casado não teria andado com esse homem, Diggory, verdade?


Pelo espelho retrovisor pôde ver que Potter endurecia o queixo e supôs que o tinha afetado esse tema de sexo, não o nome de Diggory.


— Se alguma vez reduzissem a pena... E em seu caso eu não contaria com que eu o recomendasse... Quando sair terá que conformar-se com prostitutas. As mulheres são todas umas putas, mas até as putas tem escrúpulos e não gostam de deitar-se com sujos ex-presidiários, sabia? — Apesar de seus desejos de manter uma fachada de urbanidade em todo momento ante a porcaria que eram os presidiários, Riddle sempre achava difícil conter seu temperamento, e nesse momento o sentiu surgir. — Responda minhas perguntas, filho da puta, se não quiser passar o resto do mês em confinamento solitário! — Então se deu conta de que havia ultrapassado, e prosseguiu com tom quase amável. — Em suas boas épocas até tinha chofer próprio, não era? E agora olhe-se: você é meu chofer. É uma prova de que Deus existe. — Ao ver o edifício de vidro ao qual se dirigiam, Riddle se ergueu em seu assento e se ajustou a gravata. — Alguma vez se perguntou o que aconteceu com todo seu dinheiro, quer dizer, o que ficou depois de pagar os advogados?


Em resposta, Harry cravou os freios e deteve o automóvel com um chiado frente ao edifício. Lançando maldições em voz baixa, Riddle juntou os papéis que se deslizaram ao piso e esperou em vão que Harry baixasse para abrir sua porta.


— Filho da puta insolente! Não sei o que está acontecendo com você hoje, mas já me encarregarei de você na volta. E agora, tire seu traseiro desse assento e me abra a porta de uma vez!


Harry desceu do automóvel, sem prestar atenção ao vento gélido que fazia ondular a leve jaqueta branca, mas preocupado pela neve que tinha começado a cair com força. Cinco minutos mais e iniciaria a fuga. Abriu a porta do automóvel com um ar zombador.


— Pode descer por seus próprios meios ou necessita que o eleve?


— Asseguro que é a última vez que me provoca — advertiu Riddle, descendo do automóvel e pegando a pasta. — Na volta aprenderá uma lição. — Conteve seu mau humor e olhou para Longbotton, que tinha a vista cravada no vazio, em uma tentativa por parecer dócil e surdo. — Você tem suas obrigações, Longbotton. Faça de uma vez e volte em seguida. E você — ordenou dirigindo-se a Harry —, vá até esse armazém da rua da frente e compre um bom queijo importado e um pouco de fruta fresca. Depois espere no automóvel. Terminarei dentro de uma hora e meia. E tenha o motor quente e em marcha!


Sem esperar resposta, Riddle se afastou pela rua. A suas costas, os dois sentenciados o olharam, esperando que entrasse no edifício.


— Que filho da puta! — Disse Longbotton em voz baixa. Em seguida se voltou para Harry. — Chegou o momento. Boa sorte. — Levantou a vista para olhar as nuvens carregadas de neve. — Isto tem todo o aspecto de um verdadeiro temporal de neve.


Ignorando o problema do tempo, Harry falou com rapidez.


— Já sabe o que tem que fazer. Não se separe do plano, e pelo amor de Deus, não modifique uma palavra de sua versão! Se fizer exatamente tudo o que te disse, terminarão te considerando um herói em lugar de um cúmplice.


Algo no sorriso preguiçoso de Longbotton e em sua postura inquieta alarmou Harry. Com claridade e em poucas palavras repetiu o plano que antes só podiam falar em sussurros.


— Nev, quero que faça exatamente o que decidimos. Deixe a lista de compras de Riddle no piso do carro. Faça seus deveres durante uma hora, e logo diga à empregada da loja que se esqueceu a lista no automóvel e não está seguro de que comprou tudo o que devia. Diga que vai procurar a lista, então você volta para o carro. O encontrará fechado com chave. — Enquanto falava, Harry tirou das mãos de Longbotton a lista e a jogou dentro do carro; depois fechou a porta e jogou a chave para ele. Com uma calma que interiormente não sentia, pegou Longbotton pelo braço e o empurrou com firmeza para a esquina.


Quando tiveram luz verde, cruzaram a rua sem pressa; eram dois homens como tantos, só que vestiam calças brancas e jaquetas brancas com as letras PEA escritas nas costas. Quando se aproximavam da loja, Harry continuou falando em voz baixa.


— Quando chegar ao carro e descobrir que a porta está fechada, vá até o armazém da loja em frente, espere um momento e depois pergunte ao empregado se ele viu alguém parecido a mim. Quando disserem que não, se dirija à livraria e à farmácia e faça a mesma pergunta. Quando voltarem a dizer que não, vá diretamente ao edifício onde entrou o diretor da penitenciária e pergunte onde se realiza a reunião em que ele deve ditar uma conferência. Diga a todo mundo que o deve informar de uma possível tentativa de fuga. Os empregados de todos os negócios que entraram antes, verificarão sua história, e dado que você vai avisar ao diretor que não estou aqui meia hora antes de que ele saia e descubra por si mesmo, convencerar-se de que é tão inocente como um recém-nascido. Até é provável que te deixe sair antes para assistir ao casamento da Lucy.


Em lugar de um apertão de mãos, Longbotton sorriu e levantou ambos os polegares.


— Deixe de se preocupar por mim e se coloque em marcha.


Harry assentiu e começou a afastar-se. De repente se virou.


— Longbotton? — Disse com tom solene.


— Sim, Harry?


— Vou sentir saudades.


— Sim, eu sei.


— Dê lembranças a sua mamãe. Diga a suas irmãs que sempre serão minhas protagonistas preferidas — adicionou, antes de voltar-se e afastar-se a passo rápido.


O armazém se encontrava na esquina, com uma entrada que dava à rua do edifício onde estava Riddle, e outra na rua lateral. Harry fez um esforço por não desviar um ápice de seu plano original e entrou pela porta principal. Se por acaso Riddle o estava observando, coisa que às vezes fazia, deteve-se junto à porta e contou até trinta.


Cinco minutos mais tarde se encontrava a várias quadras de distância, com a jaqueta da prisão dobrada sob o braço, caminhando com rapidez para seu primeiro destino: o banheiro de homens da estação de serviço da rua Court. Com o coração batendo rapidamente de medo e de tensão, cruzou a rua Court com semáforo vermelho, entre um táxi e um caminhão reboque que tinha reduzido a velocidade para dobrar à direita, e então viu o que procurava: um carro negro, com placa de Illinois, estacionado na metade da quadra. Apesar de que chegava dois dias atrasado para buscá-lo, o automóvel ainda estava ali.


Com a cabeça inclinada e as mãos nos bolsos, começou a caminhar a uma velocidade normal. Começava a nevar com força quando passou junto à Corvette cor de vinho estacionada frente aos fornecedores de nafta, e se encaminhou ao banheiro de homens localizado a um lado da estação de serviço. Segurou o trinco e tratou de fazê-lo girar. Estava fechado com chave! Resistiu a tentação de jogar-se contra a porta e tratar de abri-la com o ombro, e em troca agarrou o trinco e o sacudiu com força. Uma furiosa voz de homem gritou de dentro:


— Paciência um pouquinho, amigo! Não baixe as calças ainda! Já saio.


Alguns minutos mais tarde o ocupante do banheiro finalmente saiu, abriu a porta e se encaminhou para a Corvette vinho que estava junto aos fornecedores. À suas costas, Harry saiu do esconderijo onde se refugiou, entrou no banheiro de homens, fechou com cuidado a porta com chave atrás dele, com o olhar cravado no balde transbordante de lixo que havia dentro do banheiro. Se alguém o tinha esvaziado nos últimos dois dias, sua sorte se acabava.


Derrubou seu conteúdo. Saíram umas toalhas de papel e algumas latas de cerveja. Sacudiu, e depois — do fundo — saíram duas bolsas de náilon que foram cair sobre o piso de linóleo. Abriu a primeira bolsa com uma mão enquanto com a outra começava a desabotoar camisa. Tirou um par de jeans de seu tamanho, um suéter negro pouco chamativo, uma jaqueta, um par de botas e um par de óculos escuros de motociclista. A outra bolsa continha um mapa de Colorado com sua rota marcada em vermelho, uma lista de direções escrita a máquina até seu destino final — uma casa isolada nas montanhas de Colorado —, dois envelopes marrons, uma pistola automática calibre 45, uma caixa de balas, uma navalha e um jogo de chaves que sabia que seviria para arrancar o carro negro estacionado na rua da frente. A navalha o surpreendeu. Sem dúvida Longbotton considerou que um prisioneiro bem vestido não podia deixar de ter uma.


Interiormente, Harry tinha grandes dúvidas de que o engano durasse muito tempo, e também duvidava de poder chegar a seu primeiro destino antes de que o matassem. Mas nesse instante, nada disso tinha importância. No momento o único importante era que estava em liberdade no caminho para a fronteira entre o Texas e Oklahoma, situada a cento e quarenta quilômetros ao norte.


Portanto, nesse momento o único com que tinha que se preocupar era cruzar as fronteiras de dois estados, chegar à segurança dessa casa sem ser visto por ninguém, e, uma vez ali, controlar sua impaciência enquanto esperava que se aplacasse o furor inicial causado por sua fuga, para poder embarcar-se na segunda etapa de seu plano.


Tomou a pistola, carregou-a, revisou o seguro e a meteu no bolso junto com um punhado de cédulas de vinte dólares; depois pegou as bolsas e as chaves do automóvel e abriu a porta. Iria conseguir, estava a caminho.


Dobrou a esquina do edifício e baixou à calçada, encaminhando-se a seu carro. De repente se deteve em seco, sem poder acreditar no que via. Nesse momento, o caminhão de reboque com o que tinha cruzado na rua rumo à estação de serviço alguns minutos antes, rebocava o carro negro com placa de Illinois.


Durante uns segundos Harry permaneceu imóvel, observando-o afastar-se entre o trânsito. A suas costas, ouviu que um dos empregados da estação de serviço dizia a outro:


— Disse que esse automóvel estava abandonado. Faz três dias que o deixaram ali.


Essas palavras tiraram Harry de sua momentânea paralisia. Ficavam duas opções: voltar para o banheiro dos homens, colocar novamente a roupa de presidiário e deixar o plano para outra oportunidade, ou improvisar a partir dali. Em realidade, não existia alternativa. Não pensava voltar para a cadeia; antes morto. Uma vez que decidiu, fez o único que ficava para fazer: correu para a esquina em busca do único meio seguro de sair da cidade. Um ônibus se aproximava pela rua. De um papeleiro tomou um diário usado, parou o ônibus e subiu.


Segurando o jornal na frente do rosto, como se estivesse entretido na leitura de um artigo, avançou pelo corredor, passando junto a um grupo de estudantes que conversavam sobre o próximo jogo de futebol, e se instalou na parte traseira do ônibus. Durante os vinte minutos que transcorreram com agônica lentidão, o ônibus ziguezagueou entre o trânsito, baixando passageiros em quase todas as esquinas; depois dobrou à direita, rumo ao caminho que conduzia à rota inter-estadual. Quando a inter-estadual esteve à vista, no ônibus não ficavam mais que meia dúzia de ruidosos estudantes, e todos ficaram de pé para descer em um lugar que pelo visto era uma cervejaria a que iam habitualmente.


Harry não teve outra alternativa; desceu pela porta traseira e começou a caminhar para um cruzamento, a um quilômetro e meio de distância, onde sabia que a rota inter-estadual e o caminho se uniam. A única opção que tinha era pedir carona com o dedo, e essa opção só duraria um máximo de meia hora. Quando Riddle se inteirasse de sua fuga, todos os policiais que se encontrassem em um raio de setenta e cinco quilômetros estariam procurando por Harry e fixariam sua atenção em todos os que se achassem fazendo dedo no caminho.


A neve lhe pegava ao cabelo e formava redemoinhos ao redor de seus pés; inclinou a cabeça para defender do vento. Vários caminhões passaram rugindo a seu lado, mas os condutores ignoraram seu polegar levantado. Harry lutou contra a premonição do fracasso. Na rota, o trânsito era pesado, mas era evidente que todo mundo estava apressado para chegar a seu destino antes de que se desencadeasse a tormenta, e ninguém se detinha para recolher um pedestre.


Na intercessão das rotas havia uma antiga estação de serviço com um café onde viu dois automóveis na ampla área de estacionamento: um Blazer azul e uma caminhonete marrom. Harry se aproximou, carregando suas bolsas, e ao passar junto às vidraças do café olhou com cuidado a seus ocupantes. Em uma das mesas havia uma mulher só e em outro uma mãe com dois filhos pequenos. Harry amaldiçoou em voz baixa ao comprovar que ambos os automóveis pertenciam a mulheres, pois não era provável que nenhuma delas aceitasse levá-lo. Sem cortar o passo, continuou caminhando para o final do edifício, onde estavam estacionados os automóveis, perguntando-se se algum teria a chave posta. Mesmo assim, sabia que seria uma loucura roubar um desses automóveis, porque para sair do estacionamento teria que passar frente às janelas do café. Se o fazia, a proprietária do automóvel chamaria à polícia por telefone, descrevendo tanto o veículo quanto o ladrão até antes de que conseguisse afastar-se dali. E para pior, ali de cima poderiam ver para onde se dirigia pela inter-estadual.


Talvez pensasse algum meio de obter que uma das mulheres o levasse quando saísse do café. Se com dinheiro não conseguisse convencê-las, convenceria-as com a arma. Deus Santo! Devia haver uma maneira melhor de sair dali.


Frente a ele, os caminhões passavam rugindo pela inter-estadual, levantando neve com as rodas. Harry olhou seu relógio. Tinha transcorrido quase uma hora desde que Riddle chegou a sua reunião. Já não se animava a tratar de pedir carona na rua. Se Longbotton tivesse seguido suas instruções, em pouco mais de cinco minutos Riddle estaria dando o alarme. E como chamado por seu pensamento, de repente apareceu o patrulheiro de um xerife local, que reduziu a velocidade e entrou no estacionamento do café, a quarenta metros do lugar onde Harry se ocultava, e se aproximou.


Instintivamente, Harry se escondeu, simulando observar uma roda do Blazer e nesse momento teve uma inspiração... Muito tarde, possivelmente, mas talvez não. Tirou a navalha da bolsa de lona e a cravou no pneu do Blazer. Pela extremidade do olho viu que o patrulheiro se detinha detrás dele. Em lugar de lhe perguntar que estava fazendo rondando ao redor do café com um par de bolsas do gênero, o xerife tirou a conclusão lógica.


— Parece que tem uma roda murcha...


— É claro que sim! — Respondeu Harry batendo na roda, mas sem olhar para trás. — Minha mulher me advertiu que esta roda perdia ar... — O resto da frase foi abafada pelo frenético alto-falante do automóvel da polícia e, sem dizer uma palavra mais, o xerife arrancou, acelerou e saiu do estacionamento com a sirene apitando. Instantes depois Harry ouviu sirenes que soavam desde todas as direções e logo viu uma série de patrulheiros que avançavam a toda velocidade pela rua, com as luzes vermelhas girando.


Harry soube que as autoridades já estavam inteiradas de que havia um sentenciado fugitivo. Acabava de começar a caçada.


Dentro do café, Gina pegou sua carteira e tirou dinheiro para pagar a conta. Sua visita ao senhor Vernon tinham sido mais bem-sucedida do que esperava, e aceitou o convite de ficar para passar mais tempo do previsto com ele e sua esposa, coisa a que ela não pôde negar. Esperavam-na cinco horas de viagem, talvez mais com essa neve, mas tinha um cheque volumoso na carteira, e estava tão excitada que os quilômetros voariam. Olhou seu relógio, pegou o recipiente térmico que tinha levado para que o enchessem de café, sorriu para as crianças que acompanhavam a sua mãe na outra mesa, e se encaminhou ao caixa para pagar sua conta.


Ao sair do edifício se deteve surpreendida ao ver que de repente um carro de patrulha correndo frente a ela e saía a toda velocidade rumo à rua acionando a sirene. Distraída pelo patrulheiro, não notou a presença de um homem de cabelo escuro, escondido junto à roda traseira de seu carro do lado do condutor, até que praticamente tropeçou com ele. O homem, muito alto, ficou de pé abruptamente, e ela retrocedeu com cautela, falando com voz alarmada e cheia de desconfiança.


— O que está fazendo aqui? — Perguntou, franzindo a testa ante sua própria imagem que se refletia nas lentes espelhadas dos óculos de motociclista do desconhecido.


Harry conseguiu esboçar algo parecido a um sorriso, porque sua mente voltava a funcionar e agora sabia exatamente como ia obter que se oferecesse para levá-lo. Imaginação e capacidade de improvisação tinham sido duas de suas grandes virtudes como diretor cinematográfico. Indicou com a cabeça a roda, que estava obviamente murcha, e disse:


— Pensava trocar a roda, se tiver um macaco.


Gina se arrependeu de sua rudeza.


— Lamento haver falado nesse tom, mas me assustuou. Estava distraída olhando a o carro da polícia que saiu a toda velocidade.


— Aquele era Joe Loomis, o policial local — improvisou Harry com tom amável, falando como se o policial fosse amigo seu. — Joe recebeu um chamado urgente e teve que ir, se não me teria dado uma mão com sua roda.


Desaparecido todo temor, sorriu.


— É muito amável de sua parte — disse, abrindo a mala do Blazer em busca do macaco. — Este carro é do meu irmão. O macaco deve estar aqui, em alguma parte, mas não sei onde.


— Aí está — disse Harry, que localizou o que procuravam em seguida e o tirou da mala. — Isto só tomará uns minutos — adicionou. Estava apressado, mas já não sentia pânico. A mulher acreditava que era amigo do xerife e portanto digno de confiança, e depois de que trocasse a roda, teria o dever moral de oferecer-se a levá-lo. Uma vez que se achassem em caminho, a polícia não prestaria atenção, porque estariam procurando um homem que viajava só, e se alguém os via, dariam a impressão de que era o marido trocando uma roda enquanto sua mulher olhava. — Para onde vai? — Perguntou-lhe, enquanto tirava a borracha cravada.


— Para o Leste, rumo a Dallas por um longo trecho, e depois ao sul — respondeu Gina, admirando a habilidade com que o desconhecido trocava o pneu. Tinha uma voz agradável, suave e profunda, e um queixo forte e quadrado. Seu cabelo era escuro, e muito abundante, mas mal cortado, e Gina se perguntou que aspecto teria sem esses pesados óculos de motociclista com lentes espelhadas. Parecia um bom moço, decidiu, mas não era sua atitude o que a impulsionava a olhar seu perfil, e sim outra coisa, algo que não alcançava a definir. Deixou de pensar no assunto, e abraçando o recipiente térmico de café iniciou uma amável conversação.


— Trabalha por aqui?


— Não mais. Supunha-se que amanhã deveria começar um novo trabalho, mas tenho que estar ali às sete da manhã se não quiser que o deem a outro. — Terminou de levantar o automóvel e começou a afrouxar as porcas do pneu; depois assinalou com a cabeça as bolsas que Gina não tinha visto porque o carro ocultava. — Supunha-se que um amigo passaria para me buscar faz duas horas para me levar parte do caminho – adicionou —, mas imagino que deve haver acontecido algo que o impediu de vir.


— E faz duas horas que o espera aqui fora? — Perguntou Gina. — Deve estar congelado!


Harry manteve o rosto voltado para o outro lado, concentrado em sua tarefa, e Gina teve que conter uma repentina urgência por inclinar-se a olhá-lo desde mais perto.


— Quer uma taça de café?


— Eu adoraria.


Em lugar de beber o que estava no recipiente térmico, Gina se encaminhou de volta ao café.


— Irei pegar. Como gosta?


— Puro — respondeu Harry, lutando por conter sua frustração.


A mulher se dirigia ao sudeste de Azkaban, enquanto que seu destino se encontrava a seiscentos quilômetros ao noroeste. Olhou seu relógio e começou a trabalhar com maior rapidez. Já tinha transcorrido quase uma hora e meia desde que se afastou do automóvel do diretor do cárcere, e o risco de que o capturassem crescia a cada minuto que permanecia perto de Azkaban. Era necessário que viajasse com essa mulher, não tinha importância para onde fosse. Agora o único que importava era colocar alguns quilômetros entre ele e Azkaban. Podia viajar uma hora com essa mulher e depois voltar por algum outro meio.


A garçonete preparou o café, e quando Gina voltou com uma xícara fumegante, seu salvador quase tinha terminado de trocar a roda. Já havia quase cinco centímetros de neve no chão e o vento gélido, cada vez mais forte, abria o casaco de Gina e a fazia lacrimejar. Viu que o homem se esfregava as mãos e pensou no novo trabalho que o esperava ao dia seguinte... Se conseguisse chegar. Sabia que no Texas havia escassez de trabalho, e considerando que esse indivíduo não tinha automóvel, o mais provável era que estivesse sem dinheiro. Quando ele ficou de pé, notou que tinha jeans novos, pelo corte perfeito que ostentavam. Possivelmente os tivesse comprado para impressionar bem a seu futuro empregador, decidiu Gina, e ante esse pensamento a percorreu uma onda de simpatia por ele.


Até então, Gina jamais tinha se oferecido para levar a um desconhecido a alguma parte em seu automóvel, pois os riscos eram muito grandes, mas decidiu que essa vez o faria, não só porque tinha trocado a roda para ela, ou porque parecia um homem agradável, mas também por um simples par de jeans, novos e imaculados, obviamente comprados por um homem sem trabalho que colocava toda sua esperança de um futuro melhor em um emprego que não se materializaria a menos que alguém o levasse pelo menos parte do trajeto para seu destino.


— Pelo visto já terminou — disse Gina, aproximando-se. Estendeu a xícara de café que ele pegou com mãos tremendo de frio. Tinha um ar de dignidade que a impedia de oferecer dinheiro, mas se por acaso preferia isso a que o levasse, o ofereceu de todas maneiras. — Eu gostaria de pagar por haver trocado a roda. — Ao ver que ele negava com a cabeça, adicionou: — Nesse caso, quer que o leve? Vou tomar a rota inter-estadual Leste.


— Agradeceria se me levasse — disse Harry com um meio sorriso, enquanto levantava as bolsas que estavam junto ao automóvel. — Eu também viajo para o Leste.


Quando subiram ao automóvel, disse que se chamava Alan Aldrich. Gina se apresentou como Gina Weasley, mas para assegurar-se de que se desse conta de que estava se oferecendo para levá-lo e nada mais, a outra vez que falou, dirigiu-se a ele como senhor Aldrich. A partir desse momento ele a chamou senhorita Weasley.


Depois disso Gina relaxou por completo. A formalidade disso "senhorita Weasley" era completamente tranquilizante, assim como a imediata aceitação da situação por parte dele. Mas ao notar que o desconhecido se mantinha silencioso e distante, Gina começou a desejar não ter insistido em tanta formalidade. Sabia que não era hábil para ocultar seus pensamentos e portanto ele deve ter compreendido em seguida que estava colocando-o em seu lugar... Um insulto desnecessário, considerando que só a tinha demonstrado bondade e galanteria ao trocar a roda de seu automóvel.


 

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