Após bater educadamente na porta, aguardou.
- Entre. – ouviu a voz gélida vindo de dentro da Masmorra.
Abriu a porta e entrou, fechando-a em seguida. A sua frente estava Snape.
- Fico encantado que nossa nova celebridade tenha nos dado a honra de sua presença. – falou Snape com a voz desdenhosa.
- Rogo-lhe que aceite minhas desculpas. Infelizmente ainda não conheço bem o castelo e temo ter tomado o caminho errado. Naturalmente isto não vai mais ocorrer. – respondeu Gabriel da forma mais educada possível.
- Não. Tenho certeza de que não. – falou Snape, com um olhar gélido que lhe lembrava uma cobra olhando para a presa indefesa. – Naturalmente crê que devemos esperá-lo antes de dar inicio a aula, uma vez que é uma celebridade, não é mesmo?
- Existe alguma resposta que eu lhe possa dar que não implique a minha contínua humilhação perante o restante da turma? – perguntou Gabriel calmo.
- Não. Creio que não. – respondeu Snape olhando-o divertido. – Tome seu lugar junto a classe. Creio haver um lugar junto ao Potter, desta forma todas as celebridades ficarão juntas, não é mesmo?
- Agradeço-lhe humildemente a oportunidade concedida de participar de sua aula, Prof. Snape. Com sua licença, me sentarei. – falo Gabriel ainda calmo.
Desde a chegada de Gabriel, a turma toda estava apreensiva. Todos esperando a reação que ele teria com as palavras de Snape. Alguns, incluindo Rony, torcendo para que Snape acabasse desmaiado no chão, ou talvez com alguns ossos quebrados, mas nenhum deles imaginava um Gabriel tão calmo e educado, conseguindo convencer Snape apenas com palavras.
- Desculpe o atraso. – falou baixinho para Harry.
- Sem problema. Mas já viu o que vai acontecer caso se atrase novamente. – respondeu Harry rindo baixinho.
Enquanto isso, Snape apontava sua varinha para o quadro e começava as explicações, da matéria do dia.
- Como é a primeira aula do 6° ano, e tendo em vista que a direção da escola, contra minhas recomendações, abriga novamente um Lobisomem entre os professores, acho aconselhável revermos alguns itens dos anos anteriores. Sr. Gabriel? – chamou Snape.
- Pois não Prof. Snape? – responde Gabriel calmo. Sabia que hoje seria o saco de pancadas de Snape. Fora avisado quanto a isso por Hades .
- Quantas maneiras existem de se eliminar um Lobisomem? – perguntou Snape.
- De forma Mágica ou Não-Mágica? – perguntou Gabriel.
- De forma Mágica. – respondeu Snape com um sorriso desdenhoso.
- Com feitiços ou devo incluir as poções possíveis, e as opções de Herbologia, também, Professor? – perguntou Gabriel calmamente.
- Separe-os por tipo se desejar. Mas responda minha pergunta. – falou Snape elevando a voz, irritado.
- De forma Mágica. Feitiços: 1) Avada Kedavra; 2) Destrinchus; 3) Solaris Maximum; 4) Bombarda e outros feitiços explosivos, de preferência lançados a distância; Utilizando Poções: 1) Venenos de vários tipos, especificamente os derivados de animais peçonhentos; 2) Poção do Morto Vivo; 3) Poção Mata-Cão preparada com substrato de Anilina. De Forma Não-Mágica: 1) Remoção da Cabeça, que é o método mais rápido; 2) Impactos com força em seu peito, objetivando o coração para causar parada cardíaca; 3) Danos aos órgãos internos vitais; 4) Destruição da Coluna Cervical; 5) Desmembramento parcial do indivíduo; 6) Armas banhadas em prata tem extrema eficácia, mas os danos se dão apenas no local atingido. 7) Quebra do pescoço, devendo antes eliminar seus olhos para maior segurança. Utilizando Herbologia: 1) Visgo do Diabo, acompanhado do feitiço Engórgio, 2) Diversas plantas paralisantes dentre as quais se destaca a planta carnívora Maltus Amoeba Periculom; 3) o Salgueiro lutador, no entanto só é útil em locais específicos por sua óbvia falta de mobilidade e alcance além de ser necessário ter uma idade já considerável. – completou Gabriel de forma didática, deixando todo mundo na sala, inclusive Snape de boca aberta.
- Hmm...vejo que... tem um bom conhecimento nestes assuntos. – completou Snape depois de alguns instantes.
- Obrigado. – respondeu Gabriel sério. – No entanto existe mais uma maneira. Mais rápida e certa.
- E qual é? – perguntou Snape.
- Curar a maldição. – falou Gabriel com voz tranqüila como se dissesse que não havia janelas naquele local.
- É fato amplamente conhecido que não existe cura para a maldição. – falou Snape já com voz desdenhosa.
- Lamento discordar, professor, mas existe uma cura. – completou Gabriel.
- Não existe cura. – falou Snape elevando ainda mais a voz.
- Professor Snape. – disse Gabriel colocando pela primeira vez ênfase na voz. – “Existe” uma cura para maldição do Lobisomen.
- Abra bem seus ouvidos, Senhor Gabriel. NÃO. EXISTE. CURA!! – já quase gritando respondeu Snape.
- Se o senhor diz. Obviamente posso estar enganado, embora não creia nisso. – respondeu Gabriel com o mesmo tom de voz que Snape adorava usar.
Draco reconheceu o que Gabriel estava fazendo. Era um jogo parecido com o que fazia com sua mãe. Ele estava levando Snape a tomar um caminho que ele queria, mesmo que o outro ainda não percebesse. Foi neste momento que Draco reconheceu, ali estava um mestre em manipular as pessoas.
Além de Draco, todos na sala olhavam ora para um, ora para outro, parecendo um jogo trouxa chamado tênis. Rony torcia para que Snape irritasse Gabriel o suficiente para que Snape passasse alguns dias na enfermaria.
- Muito bem. Então nos diga como é possível uma cura para a maldição do Lobisomem, já que você tem ampla e completa experiência nestes casos. – falou Snape voltando a voz desdenhosa.
- Pois não, professor. A cura se dá por meio de uma.... Poção. – falou Gabriel espaçando a ultima palavra, para aumentar o efeito de sua declaração.
- Creio que não vai dizer a mim que sabe preparar a “Poção Fantástica do Senhor Gabriel Para Cura da Maldição do Lobisomem?” – perguntou Snape arrancando risinhos de alguns alunos.
- Claro que sei. Já a preparei antes, várias vezes, todas com eficácia inquestionável. – respondeu Gabriel calmo.
Silêncio na sala. Pela primeira vez, desde que tinha começado a dar aulas, Severus Snape não tinha um comentário maldoso para dizer. Após alguns instantes de silêncio a magia se desfez.
- Já que sabe fazer tal poção, não vejo por que não ensinar a seus colegas, não é mesmo? – perguntou Snape com a voz calma.
- Bem. – respondeu Gabriel com a voz doce como o mel. – Eu até a prepararia e ensinaria como fazer, mas como bem observou segundo suas próprias palavras “já que você tem ampla e completa experiência nestes casos”, fico me perguntando se deseja mesmo que eu faça isso, ou talvez prefira o senhor mesmo prepará-la.
- Creio que possa ter me excedido neste caso. Agora eu me pergunto se realmente SABE fazer o que diz. – falou Snape cético.
- Duvidando de minhas habilidades? – perguntou Gabriel divertido.
- Obviamente! – responde Snape agora sorrindo.
- Que tal uma aposta, então? – pergunta Gabriel sério.
Pronto. Era aí que ele queria chegar. Draco tinha certeza que ele iria dobrar Snape, agora sabia como, embora achasse que tinha escolhido uma maneira perigosa de fazer isso. Desafiar Snape não era para qualquer um. Exigia muito conhecimento e astúcia sem limites. Agora ele tinha Snape onde queria. Como era a expressão trouxa, mesmo? Tinha algo a ver com peixes. Ah, sim. “Anzol, linha, e isca!”
- De que tipo de aposta está falando? – pergunta Snape.
- Nós temos mais – Gabriel olha no relógio – três horas e quarenta minutos de aula. Eu posso preparar e testar a poção durante a aula de hoje. Como amanhã é lua cheia, ficará fácil de descobrir sua eficácia, não é mesmo? Desde que obviamente algumas coisas sejam... Acertadas antecipadamente.
- Quais coisas? – pergunta Snape agora realmente curioso e querendo levar este jovem a pagar a maior detenção de sua vida.
- Certos itens essenciais para o preparo da poção, obviamente. – responde Gabriel.
- Entendo. – disse Snape e apontando para o armário de ingredientes responde. – Por que não verifica se tudo está ali?
- Com sua licença. – falou Gabriel para Snape e se levantou indo até o armário olhar todos os ingredientes. Depois de analisar detidamente todos os itens existentes, declarou. – Realmente todos os itens necessários estão aqui, com exceção de um.
- É mesmo? E qual seria? – perguntou Snape prevendo que ele diria faltar um ingrediente.
- Falta-me um lobisomem em quem testar. É obvio. – respondeu Gabriel.
- Creio poder providenciar isto facilmente. Basta chamar o Prof. Lupin. – disse Snape triunfante.
- Ótimo. Agora só falta detalharmos os itens da aposta. – falou Gabriel.
- Muito bem. Quais seriam? – perguntou Snape.
- Caso ninguém atrapalhe, e deixo o senhor como responsável para impedir isso, eu proponho terminar a poção dentro de no máximo três horas e meia. O indivíduo a ser curado deverá estar aqui presente para que possa ser ministrada a poção, e precisarei que ele me conceda algumas gotas de sangue, nos instantes finais da preparação. Necessitarei ainda do auxílio de três ajudantes que eu escolherei dentre os membros desta turma. Concorda até aqui? – perguntou Gabriel.
- Concordo. Até aqui tudo bem, ninguém irá impedir ou atrapalhar sua poção. – respondeu Snape. – Quanto a Lupin, creio poder fazê-lo vir aqui até o final de sua poção.
- Fabuloso. Agora precisamos concordar com os termos da aposta, não é mesmo? – perguntou Gabriel sorrindo.
- Naturalmente. Se me permite, estabelecerei os meus primeiro. – falou Snape. – Caso não consiga, os senhor deverá: 1) cumprir detenções por todas as noites dos próximos 60 dias comigo. 2) deverá ficar um mês sem utilizar sua varinha e 3) me permitir utilizar um feitiço Silêncio no senhor pelo mesmo período de tempo para não precisarmos ouvir sua voz. – fala Snape rindo de forma mordaz. – De acordo?
- Desde que concorde com os meus. – responde Gabriel calmo. – Caso eu consiga, o senhor deverá: 1) publicar em um jornal a poção, dando como criador um grupo desconhecido de estudos, sob sua responsabilidade. 2) O senhor também deverá cortar seu cabelo, segundo as tendências da moda, no estilo que eu definir. Nada muito escandaloso. 3) No próximo baile que houver na escola, o senhor deverá sentar em uma mesa comigo e quem mais estiver comigo e beber até cair. Não se preocupe, eu pago e escolho as bebidas; 4) Concederá 500 pontos para Grifinória 5) Determinará minha liberação das aulas de reforço e 6) Não mais usará roupas pretas por um ano. Sendo que providenciarei roupas adequadas, sem custo para o senhor – De acordo? – pergunta Gabriel sorrindo. – Termos duros de lado a lado, Professor.
Depois de pensar por um instante, Snape respira profundamente e concorda.
- Pois bem, faremos do seu jeito. Espero para seu bem que realmente possa fazer a poção, caso contrário, poderei me divertir muito nos próximos 60 dias. Saiba que tenho uma IMENSA coleção de potes com poções preparadas por anos e anos, que precisam ser limpas manualmente. – fala Snape rindo maldosamente. – Escolha seus ajudantes.
- Eu escolho da casa Sonserina, Draco Malfoy e da casa Grifinória, Harry Potter e Hermione Granger.
“E o peixe engole isca, anzol e linha.” – pensou Draco sorrindo se levantando.
- Muito bem. Faremos da seguinte forma. Colocarei um caldeirão aqui no meio da sala, bem como uma mesa com os ingredientes necessários. E vocês me ajudarão a preparar a poção. Tudo bem? – perguntou Gabriel aos seus ajudantes num canto da sala onde se reuniram.
Todos concordaram de imediato.
- Pois bem, um de vocês irá escrever os detalhes da poção, bem como seus ingredientes e tempo de cozimento. Também deverá controlar o tempo de entrada das poções. Aviso que é extremamente importante que sejam seguidos os tempos corretos, caso contrário não funcionará corretamente, Hermione, seu trabalho será esse.
- É Srta. Granger para você, ou Monitora Granger, se preferir. – respondeu Hermione de forma dura.
Risinhos foram ouvidos na sala, inclusive alguns comentários maldosos. Gabriel apenas olhou-a nos olhos e viu que tinha deixado passar algo que a ofendera ou a magoara. Não sabia o que tinha sido e não tinha tempo para descobrir agora.
- Pois bem, Monitora Granger. – falou Gabriel com a voz seca. – Está ciente de seu trabalho? Ótimo. Deve sempre avisar com antecedência de um minuto antes de colocarmos os ingredientes. Os tempos são sempre em intervalos de três minutos. Está claro? – perguntou com voz dura.
- Sim, senhor. – respondeu ela no mesmo tom, mas claramente magoada.
- Draco e Potter, a função de vocês será preparar os ingredientes da forma que eu pedir, e sem falhas. Quando eu disser 20 gramas, deve ser 20 gramas, não 19 e nem 21. E moído quer dizer pó. Fui claro?
- Sim. – responderam os dois sorrindo.
- E antes que um de vocês ache engraçado me fazer pagar a detenção, quero deixar claro que posso facilmente ficar 30 dias em silêncio, mas duvido que percam a chance de ver o Snape totalmente bêbado no salão principal na frente de toda a escola e com o cabelo raspado, vestido de bailarina. Não é? – perguntou Gabriel sorrindo.
- Realmente – falou Harry. – Isso seria inesquecível.
- Concordo. – comentou Draco.
- Então vamos começar, a menos que a Monitora Granger tenha algo mais a acrescentar? – falou Gabriel de forma educada, mas seca, cutucando a ferida.
- Não tenho nada mais a acrescentar. – falou com a voz sumida Hermione.
- Então vamos começar. – falou Gabriel voltando até o centro da sala.
Neste instante entra Dumbledore, que avisado por Snape vem acompanhar o preparo da poção, e se senta ao lado deste. Enquanto isso, um aluno conta a Dumbledore os termos da aposta. Ele apenas sorri.
Levando uma mesa com os ingredientes que já separara, e um caldeirão para o centro da sala, Gabriel começou.
- Muito bem, começaremos agora a criação da “Poção Fantástica do Senhor Gabriel Para Cura da Maldição do Lobisomem” , nome que me foi sugerido pelo Professor Snape.
Risinhos na sala que sumiram assim que Snape olhou para a turma.
- Monitora Granger, já anotou o título? – perguntou Gabriel. – Então comecemos. Encher um caldeirão com 8 litros de água, acender o fogo, mantendo-o lento, e começar incluindo o primeiro item. Monitora Granger, por favor, inicie a marcação do tempo. Após o primeiro item, teremos que seguir um cronograma de tempo extremamente precisa. Caso não seja seguido, não dará certo. Portanto, se pretendem prepara-la um dia, estejam cientes disso.
- Primeiro item. 10 gramas de bosta de dragão, moída. – falou Gabriel e Draco lhe passou o item, que foi colocado no caldeirão.
– Potter, 15 gramas de raiz de Mangdrágora picadas bem finas. Rápido.
- Malfoy, meça 15 ml de bile de tatu. Rápido. Não quero limpar as poções do prof. Snape. – disse Gabriel rindo e a sala junto com ele. Dumbledore ria baixinho.
- Um minuto. – avisou Hermione.
- Rápido Potter! – Estou louco para cortar o cabelo do Professor. – Risos na sala, agora mais altos. Dumbledore acabava de dar uma gargalhada abafada.
Nisto Harry entrega o item necessário e a um sinal de Hermione ele coloca no caldeirão.
- Potter! 25 gramas de besouro australiano pretos. – pede Gabriel. - Malfoy, cadê a bile de tatu?
- Ta na mão. – fala Draco entregando.
- Um minuto. – avisou Hermione.
- Draco. Preciso de 100 gramas de vermes verdes, ali, no terceiro vidro a esquerda.
- Tempo. – avisou Hermione e Gabriel colocou o item.
- Muito bem. – falou Gabriel. – Espere só pra ver as roupas que vou lhe comprar professor. – As risadas na sala subiram de tom. Snape consegue sufocar um pequeno sorriso. Dumbledore gargalhava abertamente.
- Um minuto. – avisou Hermione.
- Potter! Cadê os malditos Besouros?
- Aqui. Pronto. Que mais? – perguntou Harry.
- 100 ml de essência de alho. – Putz. Espero que eu consiga as bebidas que estou pensando. Ei, Snape. Nada de tomar a poção para curar bebedeiras depois da festa, hein? – A turma toda já ria sem parar. Dumbledore acabava de cair da cadeira gargalhando histericamente. Snape até ria agora.
E assim foram minuto a minuto, por duas horas, colocando os itens e fazendo piadinhas com Snape. Depois do último item, Gabriel que ainda não tinha parado de mexer o caldeirão, ri baixinho fala para a classe.
- Se depois de fazer tudo da maneira correta, você notar que sua poção ficou verde escuro, saiba que... Hein, o que foi Professor Snape? – pergunta Gabriel pois Snape se mexeu em sua cadeira.
- Sua poção está azul claro. – falou ele.
- É claro que está azul claro. – responde Gabriel. – Como eu dizia se depois de tudo você notar que sua poção estiver verde-escuro saiba que você errou em algum lugar. Jogue fora e comece de novo. – fala Gabriel rindo, enquanto alguns alunos estão rindo mais alto ainda.
- Vejo que tem uma veia humorística. – falou Snape.
- Professor Snape. Eu não tenho uma veia humorística eu tenho várias.
E a seguir começou a contar piadas de vários tipos, levando os alunos ao delírio. Dumbledore estava sentado, pedindo para ele parar, pois precisava respirar.
Quarenta minutos depois, Gabriel sério pediu a Snape.
- Preciso do Professor Lupin, agora.
No mesmo instante, Dumbledore envia seu patrono, dali a cinco minutos, Lupin aparece um tanto quanto cansado, uma vez que ainda não havia tomado sua poção Mata-Cão.
- Bem vindo professor Lupin. – cumprimentou Gabriel e o chamou até onde ele estava. – Por favor, venha até aqui.
- Pois não? O que deseja? – perguntou ele.
- Preciso de 5 gotas de seu sangue. – falou Gabriel sério.
- Para que? – pediu Lupin.
- Sem perguntas, estamos sem tempo. Dê-me sua mão, rápido. – falou Gabriel e pegando a mão que lhe era estendida, cortou a palma da mão e deixou caírem 5 gotas de sangue dentro do caldeirão que fervia sem parar. Imediatamente a poção mudou para vermelho sangue e Gabriel sorriu satisfeito. Ninguém falava nada. Silêncio total.
Depois de mais dois minutos, a poção mudou para uma cor vermelho claro, e Gabriel conjurou uma caneca de ferro que encheu até a borda. Esperou um instante e entregou para Lupin, que a olhou desconfiado.
- Beba logo. Caso contrário não fará efeito. Rápido. – orientou Gabriel apressando-o.
Lupin olhou para Dumbledore que anuiu concordando que bebesse. Bebeu todo o conteúdo da poção e olhou de volta para Gabriel, com lágrimas nos olhos. A poção estava quente.
- O que é que isso faz? – perguntou.
- Poção de mudança de sexo. – respondeu Gabriel sério.
- O que? – berrou Lupin desesperado.
- Sabe que você ficou uma gracinha? – perguntou Gabriel para Lupin. Snape gargalhava abertamente. A sala toda ria que se acabava. Dumbledore socava a mesa rindo sem parar.
- Mas o que pensa que está fazendo? – urrou Lupin que imediatamente conjurou um espelho e se olhou não vendo mudança nenhuma.
- O que bebeu é uma poção nova, que se chama “Poção Fantástica do Senhor Gabriel Para Cura da Maldição do Lobisomem.” Parabéns, professor Lupin. O senhor está curado. Pague na saída! Agora por favor, o próximo paciente. Ahá! Sr. Weasley. Venha até aqui. Vamos fazer a “Horrível poção que arranca as sardas”. Ou podemos ainda fazer para o senhor a “Intragável Poção do Empata Beijo!”. Ou então para a Srta. Pansy Parkisson faremos a “Terrível poção eu não devo me meter na cabine dos outros.” .
Risadas gerais. Nem mesmo os que estavam sendo feitos de bobos paravam de rir. Rony de fato chorava de tanto que ria. Dispensando seus “ajudantes” Gabriel fez a mesa e o caldeirão sumir, após ter devolvido os frascos com o restante dos ingredientes para o armário. Olhou para todos e disse:
- Obrigado! Obrigado! Apresento-me aqui até sexta. Provem a vitela! Está uma delícia. E não, não vou ensinar a fazer a poção de mudança de sexo! Não adianta insistir, Goyle.
E retornando para sua carteira, limpou suas mãos suadas e sentou-se. Estava cansado demais. Aquela poção era muito trabalhosa. Mas era engraçado pacas.
”E tinha cumprido uma parte de seus objetivos.” - pensou Gabriel sorrindo.
Recuperando-se de seu ataque de risos, Dumbledore levou Lupin para fora, enquanto lhe explicava o que tinha acontecido e que poção era aquela que tomara. Snape ainda sofria alguns tremores de riso. De repente ele olha sério para Gabriel.
- Mesmo que a poção funcione ainda temos que discutir seu comportamento durante a aula de hoje, Sr. Gabriel. – falou sério. Reclamações foram ouvidas de todos os lados. Snape ergueu suas mãos e conseguiu silêncio. – Certas atitudes não são toleradas em sala de aula. Muito menos na minha. Apresente-se às oito horas na minha sala. Parabéns Sr. Gabriel, creio que bateu todos os recordes. Um dia de aula e a primeira detenção.
- Sim senhor. Mas, professor permite-me uma pergunta? – falou Gabriel.
- Claro. – responde Snape.
- Não vou limpar suas poções, não é mesmo? – pergunta Gabriel preocupado.
Risadas gerais na sala, novamente. Percebendo que a aula se aproximava do fim, e que não conseguiria ensinar nada mais naquele dia, Snape dispensa a turma.
- Cara. - disse Rony quando estavam caminhando no corredor em direção a sala da Grifinória. – Você é meu herói. Nunca me diverti tanto na vida.
- Realmente. Hoje foi uma aula especial. – comentou Harry rindo ainda.
Naquilo Hermione passa por eles de cara fechada, sem nem olhar para Gabriel. Estava muito brava.
- Caraca! O que aconteceu? – perguntou Rony estranhando a atitude de Hermione.
Gabriel balançou a cabeça e falou sério.
- Não faço a mínima idéia. Estava tudo bem enquanto estávamos no trem, depois virou a cara pra mim. Devo ter ofendido-a de alguma forma. Paciência. Uma hora dessas ela toma uma atitude de adulta e tenta conversar racionalmente. – fala Gabriel desanimado.
- Você também não pegou leve com ela lá dentro. – falou acusador Harry.
- Fiz o que ela pediu. – respondeu calmamente. – Lembra-se? “É Srta. Granger para você, ou Monitora Granger, se preferir.”
- Cara. Essa tua memória e realmente incrível. – falou Harry.
- Infelizmente ela não me deixa esquecer certas coisas. – falou Gabriel triste.
Chegaram ao quadro da mulher gorda e entraram. Gabriel foi tomar um banho e se trocou. Logo a seguir desceu com os outros para jantar. Neville estava radiante. Acabava de receber uma carta da Luna, o convidando para um encontro.
- Boa sorte, cara. – falou Gabriel sorrindo, apoiado pelos outros.
Gabriel sentou-se e em seguida começou a comer. Novamente preferiu um café bem forte e frutas. Enquanto comia, uma moça apareceu a sua frente. Sorriu para ele e sentou-se em sua frente.
- Boa noite. Meu nome é Cissy e sou da Lufa-Lufa, 6° Ano. - falou ela.
- Boa noite. Meu nome é Gabriel e sou da Grifinória, 6° Ano. – respondeu ele sorrindo.
- Eu sei bobinho. Quero lhe fazer uma pergunta. – riu ela.
- Pode perguntar, só não garanto responder. – disse ele olhando para ela enquanto bebia um gole de café.
- Você tem namorada? – perguntou rápida.
Gabriel ficou olhando para ela, que era bem bonitinha, mas muito avoada. Parecia uma patricinha, bem maquiada, belos olhos azuis, mas sem nada dentro da cabeça.
- Não sei Cissy. – respondeu ele com a voz cansada. – Não entendo o que chama de namorada. Esta palavra pode ter muitos significados.
- Não sabe o que é uma namorada? – perguntou em voz alta incrédula.
- O que eu disse é que não sei o que você entende com a palavra namorada. – responde ciente de que muitas o olhavam agora.
- Ah, você sabe. Alguém para ficar beijando, fazer carinho, passear de mão dada, dar uns amassos, essas coisas. – responde ela com o rosto corado de vergonha.
- Entendo. Bem Cissy, esta resposta é importante para você? – perguntou ele curioso, ciente de que Hermione acompanhava a conversa atentamente sentada ali perto com Gina.
- É claro que é importante. – responde ela com voz seca.
- Bem Cissy, a resposta a sua pergunta é... Não sei. Gosto muito de uma pessoa, e cheguei a pensar que poderia ter algo com ela, mas infelizmente, fui expulso de sua vida, sem explicações, então Cissy, não sei o que lhe responder. Agora se me dá licença, tenho uma detenção para cumprir, e acredito que saiba que Snape não perdoa atrasos. – fala ele com a voz extremamente cansada e se levanta sem olhar para os lados.
Caminhava lentamente em direção a sala de Snape. O que quer que tivesse acontecido de errado entre ele e Hermione, ele tinha piorado tudo naquela tarde.
“Idiota! Cretino! Deixou a morena escapar! Deixou a Narcisa escapar! Deixou até a loirinha escapar! Você pretende ter filhos um dia??” - perguntou seu monstro interior.
“Cale-se! Cale-se! Cale-se! Cale-se! Cale-se! Cale-se! Cale-se! Não acredito que estou brigando comigo mesmo!”. Caminhou mais rápido até chegar à sala de Snape, onde bateu na porta educadamente.
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Este Capítulo foi um dos que mais me diverti escrevendo. Espero que goste, e claro, postem comentários. Agradeço aos comentários sugerindo um filme. Um abraço. Posto mais capítulos assim que tiver mais comentários. hehehehehe
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