Scorpius Malgoy chega em casa finalmente, ou assim lhe pareceu. Ele olha em volta e sua cabeça gira, por isso ele ri alto. Suas pernas estão bambas e sua visão embaçada. Ele vê vultos à sua volta. Sua mente esta desconexa e ele sabe que está delirando, mas pouco se importa. Scorpius cai no chão e vomita no tapete.
O loiro começa a gargalhar histéricamente ao visualizar a fúria de seu pai se descobrir que ele sujou um tapete persa tão caro. Ele não se importa. Sabe que tem problemas maiores para enfrentar.
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Status social: delinquente.
Astoria Malfoy estava sentada na poltrona da biblioteca de sua casa, em frente à lareira. Uma xícara de chá repolsava na mesinha de centro, já fria pelo tempo em que lá estava. Ela olhava diretamente para o fogo que a lareira guardava, como se esperasse que algo surgisse de lá. Mas nada aconteceu.
De tempos em tempos, a mulher apurava os ouvidos, na esperança de ouvir a porta da frente se abrir. Estava tarde e seu filho, Scorpius, ainda não havia voltado. Ela estava preocupada e isso bastava para que a insônia se instalasse em seu organismo.
Havia tempos que ela recebia cartas de Hogwarts, reclamando do comportamento inadequado do filho. O que era no minimo estranho. Ele nunca havia dado tanto trabalho assim.
Astoria suspirou pesadamente. Ela havia deixado de conhecer o pequeno menino loiro que corria pela casa, alegre. O que havia acontecido? Ela não sabia. E Scorpius também nada dizia à ela ou ao marido. Draco nunca se dera bem com o filho.
Ouviu-se um estrondo no andar de baixo da Mansão Malfoy, fazendo Astoria se levantar correndo de onde estava e correr para a porta da biblioteca, chegando às escadas e descendo-as rapidamente. Ela chegou ao saguão de entrada e encontrou Scorpius.
Ele estava todo sujo, deitado no chão e rindo histéricamente de algo desconhecido. O tapete persa estava sujo de vômito. Draco ficaria furioso se soubesse. Mas isso não era o maior dos problemas.
Astoria encarou o filho, por um momento sem reação. Estava assombrada. Seus olhos se enxeram de lágrimas quando ela correu desenfreadamente até o garoto, se ajoelhando ao seu lado. Ela hesitou um momento antes de tocá-lo no rosto.
- Mãe?! - exclamou Scorpius ao sentir a mulher tocar-lhe o rosto.
- Oh, meu Deus! - dizia ela, enquanto abraçava o filho. - Onde você estava?
- Sabe que eu não sei? - ele respondeu e gargalhou alto. Sua risada escandalosa se transformou em um choro desesperado, como se ele tivesse se lembrado de algo muito triste.
- Shh... - dizia ela. - Tem que fazer silêncio, ou vai acordar seu pai. Sabe-se lá o que ele vai fazer se te ver assim.
- Dane-se ele! - gritou Scorpius se levantando e escapando dos braços da mãe. - Ele que se foda! Eu odeio ele e aquele maldito cargo dele no Ministério. Eu quero que todos se se fodam! - berrava.
Astoria observava o filho cambalear pelo saguão de entrada da sua casa, como se estivesse bêbado. E ela finalmente chorou. Scorpius caiu no chão com um baque surdo e começou a se contorcer, deixando a impressão de estar tendo um ataque epilético. A mulher finalmente se levantou indo ajudá-lo a se levantar.
- Vamos... - dizia ela, limpando as lágrimas e ajudando o filho, que tinha o corpo mole, a se levantar. - Vamos... eu vou te levar para o quarto. - completou, levando o filho com dificuldade escada acima.
Quando eles finalmente chegaram ao terceiro andar da Mansão, Astoria deixou o filho deitado na sua cama, dentro do quarto, e voltou ao corredor para ver se o marido havia acordado. Mas Draco ainda dormia. Ela suspirou aliviada e voltou para o quarto do filho.
- Mãe... - Scorpius chamava.
- Estou aqui, estou aqui... - ela disse, enquanto levava o garoto para o banheiro, para dar-lhe um banho.
A mulher tirou a roupa do filho com todo o cuidado, enquanto enchia a banheira. Depois ajudou Scorpius a entrar na água. Ele mantinha os olhos fechados e a cabeça pendia para trás, cochilando de leve na banheira de água quente.
Astoria dobrou as mangas do seu roupão de seda preto, e começou a limpar o filho com uma esponga macia. A água logo estava marrom pela sugeira que se desprendia do corpo do filho. Ela molhou os cabelos loiros do garoto com certa devoção, lavando-lhe o rosto e a boca, tirando os últimos indícios de vômito dos seus lábios.
Durante todo o processo, a mãe deixou cair algumas lágrimas pelo canto dos olhos. Era a primeira vez que ele chegava em casa neste estado deplorável.
Ao terminar, ela secou e vestiu o filho com uma camiseta cinza e uma calça listrada de verde. O garoto caiu exausto na cama, os cabelos molhados lhe caindo sobre os olhos verdes fechados. Astoria acariciou o rosto do filho com carinho, antes de descer as escadas e acordar um dos elfos para limpar a bagunça do saguão de entrada. Tinham que tirar o vômito do tapete antes que Draco visse.
Astoria voltou ao quarto do filho e o olhou uma última vez. Mas não chegou a sair do quarto, pois a voz de Scorpius a parou na soleira da porta:
- Mãe? - chamou. Scorpius arregalou os olhos ao ver que a mulher estava saindo do quarto. - Mãe! - chamou mais alto. - Não me deixa aqui!
O garoto estendeu a mão debilmente para a mãe e esta fechou a porta do quarto e sentou na beira da cama do filho.
- O que foi?
- Não me deixa sozinho... - pedia.
Astoria fungou e limpou uma lágrima.
- Não vou deixar. - respondeu, puxando a cabeça do filho para que ele deitasse em seu colo.
Houve um pausa, em que Scorpius fechou os olhos novamente e agarrou a mão da mulher com força. Astoria limpou as lágrimas com a mão livre.
- Mãe? - chamou Scorpius, abrindo os olhos novamente.
- Sim, querido? - respondeu.
- Me desculpa... - ele pediu, afundando a cabeça na barriga da mãe e chorando.
- Pelo quê, amor? - perguntou ela, acariciando os cabelos do filho.
- E-eu... não queria ter te decepcionado. - Scorpius dizia, com a voz embargada. - Eu não sei o que deu em mim quando comecei a usar aquelas coisas...
Astoria fungou, confusa.
- Que coisas? - perguntou.
- Cocaína...
- E o que mais? - ela conteu um soluço.
- Crack e... maconha, às vezes. - ele ainda chorava, com o rosto escondido na barriga da mãe.
- Oh, meu Deus! - exclamou Astoria. Então, era isso. Seu filho estava perdido no mundo das drogas. Aquelas porcarias que só servem para acabar com a vida das pessoas.
- Sinto muito, eu sinto muito... - soluçava Scorpius contra a barriga dela.
- Shh... - ela dizia. - Tudo bem, tudo bem. Vai passar. - Astoria garantia à ele, embora nem ela acreditasse nas prórprias palavras.
- Me ajuda!
- Vou ajudar, vou ajudar...
Astoria ficou acariciando os cabelos do filho até que ele adormecesse em seu colo. Quando isso aconteceu, ela o ajeitou na cama, cobrindo-o com as cobertas e saindo em silêncio do quarto, fechando a porta atrás de si.
A mulher entrou no seu próprio quarto e deitou-se ao lado do marido adormecido.
A insônia, novamente, assolando seu sono.
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N/A: nossa, estou com uma inspiração para fics dramáticas que dá até medo. Enfim, achei que um daqueles muitos problemas que tenho na minha família pudesse ser um acontecimento que também atormentasse o mundo bruxo. Dedico esta fic ao meu primo, que me garante ter deixado de usar estas merdas que cítei na história, mas eu sei que não.
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