Scorpius fez questão de analisar seu bolso antes de começar o jogo. Apenas alguns feijoezinhos de todos os sabores que ele havia guardado em um saquinho naquela manhã, caso sentisse fome. Deixara ali mesmo.
A partida iniciou-se agitada naquela manhã de quinta feira. Os artilheiros voavam com uma tamanha agilidade para marcarem pontos enquanto os batedores fracassavam na tentativa de rebater os balaços. Albus rodeava o quintal a procura do pomo, Scorpius por sua vez parara em um ponto alto analisando a partida. Por não saber jogar quadribol, Charlie se perdia a cada jogada, deixando a bola cair constantemente.
Do alto do gramado, Scorpius viu Albus voar apressadamente para uma região distante.
-Ele só pode estar tirando com a minha cara. -Scorpius cochichou para si mesmo, voando em direção do garoto que desaparecia dentre as árvores.
Antes mesmo de chegar próximo ao local, viu algo minúsculo vindo em sua direção. O pomo de ouro passou raspando em seu ombro e Scorpius quase caiu da vassoura ao tentar agarrá-lo. Sentiu um vento forte e desiquilibrou-se no momento em que Albus passou em uma alta velocidade ao seu lado.Ele se posicionou novamente e voltou a voar.
Albus se sentia um pouco aliviado. Podia voar com mais calma do que o normal devido à fraquesa de seu adversário. O pomo estava a poucos quilometros dele, e nada parecia impossível. Ao ver Scorpius se aproximar, ele aumentou a velocidade. O pomo havia virado, mas não para Scorpius, pois pelo jeito que ele não diminuia a velocidade, pensava que o pomo continuava a voar reto.
Albus esperou o garoto loiro chegar mais perto e continuou seu caminho prosseguindo reto, até que Scorpius chegasse ao seu lado. E obviamente era o que estava em sua mente. Quando Scorpius encostou sua vassoura na dele, Albus deu uma curva numa velocidade inacreditável, fazendo seu adversário deslizar sobre o ar e cair no chão.
-Scorpius, você está bem? -Hugo pousou ao seu lado, estendendo a mão.
-Sim. -Ele murmurou, estranhando a atitude do garoto, mas mesmo assim aceitando sua ajuda. -Não precisava parar de jogar para me ajudar.
-Sem problemas. - Ele montou em sua vassoura e voltou na tentativa de rebater seus balaços.
O sangue fluia rápido pelas veias de Scorpius. Sabia o motivo de sua queda, mas prometera a Rose que não arrumaria mais confusão com seu primo. Suas forças já estavam acabando, mas decolou novamente.
Albus podia se achar, mas estava péssimo. O pomo passava em frente à seus olhos, e o mesmo parecia nem perceber. Scorpius esperou que o pomo passasse em sua frente e quase no mesmo momento voou para cima, se chocando com Albus. Sentiu agarrar algo por um milésimo de segundo, mas ninguém acreditaria.
Sentiu sua cabeça se chocar contra o gramado e ao olhar para o lado, viu Albus deitado no chão. A maioria havia parado o jogo para ver o que havia acontecido, principalmente Vic, Teddy e Ben.
-Você está bem Albus? -Ben ajoelhou-se ao lado do amigo, ignorando totalmente a Scorpius.
-Sim, estou só um pouco tonto. -Ele massageou a cabeça e fechou os olhos com força, expressando dor. -Eu peguei o pomo? Senti que havia agarrado algo antes da queda.
Scorpius levantou as sombrancelhas e olhou para sua mão cerrada.
-Acredito que sim. -Ben sorriu. -Sua mão está fechada, segurando algo.
Albus olhou para Scorpius como se quisesse provocar inveja e deu um último sorriso para Rose antes de abrir as mãos. Ele abriu seus dedos, um por um. Pôde ver-se algo transparente rebater-se com o vento, preso em sua mão.
-Acho que talvez seja uma de suas asas. -Albus analisou enquanto o resto de sua equipe vibrava. -Sua testura anda meio diferente, acho que amassei.
Ao abrí-la por completo, Scorpius soltou uma gargalhada ao reconhecer seu saquinho de feijoezinhos de todos os sabores.
-Foi você quem sabotou o pomo? -Albus olhou para o garoto loiro que ria constantemente.
-Claro que não. -Ele parou de rir. -São meus a propósito, devo ter deixado cair do meu bolso quando me choquei contra você.
-Se Albus não pegou o pomo, então quer dizer que o jogo ainda não acabou? -Louis perguntou.
-Acredito que tenha acabado sim. -Scorpius abriu suas mãos, fazendo o pequeno garoto sorrir de felicidade.
-Como assim? -Albus levantou irritado. -Como você pegou o pomo?
-Do mesmo jeito que você pegou meus feijoezinhos. Parabéns, aliás. Fez um bom trabalho protegendo-os. Agora, se não se importa, vou pegá-los de volta e ir embora.
-Espere! -Rose agarrou seu braço. -Não precisa ir embora.
-Acho bom eu ir. E Charlie pode me acompanhar, não é Charlie?
-Sim, posso. Foi bom ter vindo, mesmo jogando mal.
-Tudo bem. -Rose olhou cabisbaixa. -Tchau.
-Espere Rose, quero apenas me despedir. -Scorpius falou e olhou para todos. -Em privacidade.
Ben pareceu irritado ao ouvir a palavra "privacidade", mas continuou adiante como todos os outros.
-Então, até dia primeiro de Setembro. -Scorpius falou, estendendo os braços.
-Até lá. -Falou ela, sem dar nenhuma resposta ao abraço.
-Vamos Rose, o que há de errado?
-Nada. Não precisa ouvir Albus, tudo bem?
-Eu sei Rose, mas eu preciso ir mesmo.
-Tchau. -Ela lhe deu um abraço rápido e foi caminhando de volta para a casa.
-A propósito. -Scorpius falou em um tom em que ela pudesse o ouvir. -O que você fez para Hugo agir tão educadamente comigo?
-Nada de mais. -Ela sorriu. -Só disse que se ele agisse ao contrário, devia se cuidar nas noites de lua cheia.
E rindo, Scorpius montou em sua vassoura e foi embora com um sorriso no rosto.