FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

6. Capítulo 5


Fic: Tudo por Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Harry fez um esforço para tirar da cabeça a lembrança do acontecido na noite anterior e se instalou debaixo de uma árvore, de onde via tudo o que acontecia sem que ninguém o visse. Observou Cho entrar no trailer de Cedrico Diggory. Os noticiários da manhã tinham abundado em detalhes sensacionalistas da cena da suíte e da briga subsequente, detalhe que sem dúvida tinham sido proporcionados pelos hóspedes do hotel. E agora os jornalistas tinham caído sobre o lugar de filmagem e os agentes de segurança do estúdio lutavam por mantê-los na porta de entrada da fazenda, com promessas de uma posterior conferência de imprensa.


Cho e Cedrico já tinham feito declarações aos meios, mas Harry não tinha a menor intenção de lhes dizer uma única palavra. O assédio jornalístico lhe era tão indiferente como a notícia que recebeu essa manhã de que os advogados de Cho já tinham apresentado exigência de divórcio ante os tribunais de Los Angeles. O único que o angustiava era ter que dirigir essa última cena entre Cho e Cedrico antes de dar por terminado a rodagem. Tratava-se de uma cena de sensualidade violenta e não sabia como conseguiria digerir a situação, sobretudo diante de toda a equipe técnica.


Mas uma vez que passasse esse mau momento, tirar Cho de sua vida ia ser muito mais fácil do que acreditou na noite anterior, porque devia admitir que, fossem quais fossem os sentimentos que inspirou nele, três anos antes, quando se casaram, esses sentimentos desapareceram pouco depois. Depois, o casamento não foi mais que uma conveniência sexual e social para ambos. Sem Cho, sua vida não seria mais vazia, nem mais carente de sentido, nem mais superficial que durante a maior parte dos últimos dez anos.


Ante esse pensamento, Harry franziu a testa e se perguntou que motivo haveria para que com tanta frequência sua vida lhe parecesse tão frustante e carente de sentido, sem um propósito importante, nenhuma gratificação profunda. E entretanto, recordou que nem sempre foi assim... Quando chegou a Los Angeles no caminhão de Dédalo Diggle, a sobrevivência em si era um desafio e o trabalho que conseguiu com ajuda de Dédalo, como peão de carga dos Estúdios Empire, pareceu-lhe um triunfo enorme. Um mês depois, o diretor de um filme de segunda categoria decidiu que necessitava alguns extras mais em uma cena e recrutou Harry. O papel só exigia que ele se apoiasse contra uma parede de tijolos, com expressão dura e introvertida. O dinheiro que ganhou esse dia lhe pareceu uma fortuna. Vários dias depois o diretor mandou chamá-lo outra vez.


— Harry, rapaz, você tem algo que nós chamamos presença – disse. — Fotografa muito bem. Em celulóide é uma espécie do James Dean moderno, só que mais alto e mais bom moço que ele. Roubou a cena, com apenas estar ali parado. Se sabe atuar, o colocarei no elenco de um filme do oeste que começaremos a filmar.


O que entusiasmou Harry não foi a perspectiva de atuar no cinema, e sim o salário que lhe ofereceram. De maneira que aprendeu a atuar. Em realidade, não fora muito difícil. Para começar, antes de abandonar a casa de sua avó, fazia anos que "atuava", simulando que as coisas não lhe importavam quando, em realidade, lhe importavam muito; além disso tinha decidido obter uma meta; demonstrar a sua avó e a todos os habitantes de Godric Hollow que era capaz de sobreviver por seus próprios meios e que prosperaria em grande escala. Com tal de obter essa meta, virtualmente estava disposto a fazer algo, por difícil que fora.


Godric Hollow era uma cidade pequena e não lhe cabia dúvida de que o detalhe de sua inexplicável partida devia ser do conhecimento de todos. Depois da estreia de seus dois primeiros filmes, leu todas as cartas que lhe enviavam suas admiradoras, com a esperança de que alguém o tivesse reconhecido. Mas se assim foi, ninguém se incomodou em lhe escrever.


Depois, durante um tempo fantasiou com a possibilidade de retornar a Godric Hollow com dinheiro suficiente para comprar as Indústrias Dursley e dirigi-las, mas aos vinte e cinco anos, quando já tinha alcançado a fortuna necessária para fazer isso, também tinha maturado o suficiente para compreender que o fato de comprar a maldita cidade e tudo o que continha não modificaria nada. Para então já tinha ganho um Oscar, proclamavam-no um verdadeiro prodígio e o chamavam a "Lenda do Futuro". Podia escolher os papéis estrelares que quisesse interpretar, tinha uma fortuna no banco e um futuro que tudo fazia supor, seria espetacular.


Tinha demonstrado a todo mundo que Harry Potter era capaz de sobreviver e prosperar na escala mais fabulosa. Já não tinha nada por que lutar, não ficava nada que demonstrar e a falta de ambas as coisas o deixava estranhamente desentusiasmado e vazio. Privado de suas antigas metas, Harry procurou outras gratificações. Construiu mansões, comprou iates e conduziu automóveis de corrida; escoltou mulheres bonitas a ressonantes reuniões sociais, e depois as levou à cama. Desfrutava de seus corpos e muitas vezes também de sua companhia, mas nunca as tomou a sério, e elas tampouco esperavam que o fizesse. Harry tinha se convertido em um troféu sexual, procurado tão somente pelo prestígio que outorgava dormir com ele e, no caso das atrizes, muito procurado pelas influências e conexões que possuía.


Como todas as superestrelas e símbolos sexuais anteriores a ele, foi também uma vítima de seu próprio êxito. Não podia entrar em um elevador ou comer em um restaurante sem que suas admiradoras o perseguissem; as mulheres colocavam em sua mão chaves de suítes de hotel e davam generosas gorjetas aos zeladores para que lhes permitissem a entrada a seu quarto. As esposas de alguns produtores o convidavam a festas de fim de semana e se levantavam da cama de seus maridos para meter-se na sua.


Embora com frequência aproveitava o banquete de oportunidades sexuais e sociais que se desdobravam ante ele, uma parte de seu ser — sua consciência ou uma faceta latente de moralidade ianque — se sentia enojada ante tanta promiscuidade e superficialidade, ante tanto narcisismo e psicopatia, acima de tudo o que convertia a Hollywood em uma rede de esgoto, uma rede de esgoto prolijamente desodorizado para proteger a sensibilidade do público.


Numa manhã despertou e de repente já não pôde seguir tolerando tudo aquilo. Estava farto de sexo sem sentido, aborrecido de festas estridentes, cansado de acotovelar-se com atrizes neuróticas e estrelinhas ambiciosas, e completamente aborrecido com a vida que estava vivendo. Começou a procurar uma maneira distinta para preencher o vazio de seus dias, um novo desafio e um motivo melhor para existir. Como atuar já não lhe parecia um desafio, começou a pensar em dirigir. Se chegasse a fracassar como diretor, esse fracasso seria muito ressonante, mas até o risco de colocar em jogo sua reputação surtiu nele um efeito estimulante. Dirigir um filme se converteu em sua nova meta, e se propôs a obtê-la com a mesma decisão que o levou a triunfar nas anteriores. O presidente dos Estúdios Empire tratou de convencê-lo para que não tentasse, mas apesar de seus pedidos e de seus raciocínios, definitivamente não teve mais remedeio que aceitar, tal como Harry esperava.


O filme cuja direção lhe encarregaram era um filme de suspense de baixo pressuposto chamado Pesadelo e tinha dois papéis protagonistas: um para uma criança de nove anos e outro para uma mulher. Para o papel da criança, Empire insistiu no nome de Emily Snape, uma ex-estrelinha infantil que tinha as covinhas de Shirley Tempere e quase treze anos, mas que representaria nove e estava contratada pelo estúdio. A carreira de Emily já se desgastava, estava abaixo; o mesmo acontecia com a de uma oriental sugestiva chamada Cho Chang, a quem deram o outro papel. Em seus filmes anteriores, Cho Chang sempre tinha feito papéis secundários e nunca demonstrou muito talento.


O estúdio impôs a Harry essas atrizes com o transparente propósito de lhe dar uma lição; para que aprendesse que seu forte era atuar, não dirigir. Era quase certeza que o filme não devolveria o dinheiro que custasse, e os executivos do estúdio esperavam que com isso terminassem os devaneios de seu ator mais cotado e que Harry renunciasse a desperdiçar seu talento detrás das câmaras.


Harry sabia, mas nada o deteve. Antes de iniciar a produção, dedicou semanas inteiras para ver os velhos filmes em que haviam estado Emily e Cho, e sabia que havia momentos — muito breves — nos que Cho Chang demonstrava possuir certa dose de genuíno talento. Momentos em que a "graça" de Emily, que tinha desaparecido com a adolescência, era substituída por uma encantadora doçura que se notava em câmara pois era natural. Ao longo das oito semanas de filmagem, Harry conseguiu tudo isso e muito mais de suas duas protagonistas femininas. Conseguiu transmitir a ambas sua própria decisão de triunfar; sem dúvida, seu bom sentido do momento preciso e da iluminação foram uma ajuda, mas o mais importante foi sua maneira intuitiva de saber como utilizar melhor Cho e Emily.


A princípio, Cho se enfureceu por que a criticava e a fazia repetir inumeráveis vezes cada tomada, mas quando lhe mostrou as cópias da primeira semana, olhou-o com uma nova expressão de respeito em seus olhos negros.


— Obrigada, Harry — lhe disse com suavidade. — Pela primeira vez na vida tenho a sensação de que sei interpretar.


— Também é como se eu realmente, mas realmente, soubesse dirigir — respondeu ele em brincadeira, mas se sentia aliviado, e demonstrou isso.


Cho se surpreendeu.


— Quer dizer que duvidava? Eu acreditei que estava convencido de tudo o que nos tem feito fazer!


— Se quiser que eu diga a verdade, não dormi bem uma única noite desde que começamos a filmagem — confessou Harry.


E era a primeira vez em anos que se animava em admitir que tinha dúvidas a respeito de seu trabalho. Mas esse dia era muito especial. Acabava de comprovar que possuía talento para dirigir. Mais ainda, esse talento recém descoberto iluminaria o futuro de uma simpática criatura chamada Emily Snape quando os críticos tivessem oportunidade de ver sua esplêndida atuação em Pesadelo. Harry sentia tanto carinho por Emily, que o fato de trabalhar com ela o levou a desejar ter um filho próprio. Ao observar quão unida era com seu pai e a alegria que ambos compartilhavam, de repente Harry se deu conta de que queria ter uma família. Isso era o que lhe faltava na vida: uma esposa e filhos que compartilhassem seus êxitos, uma família com a que pudesse rir e pela que pudesse lutar.


Cho e ele celebraram essa noite com uma comida servida pelo serviçal de Harry. O estado de ânimo confidencial que se iniciou mais cedo quando ambos admitiram as dúvidas que tinham tido sobre seus respectivos talentos, conduziu-os a uma intimidade tranquila que, no caso do Harry, não tinha precedentes e resultava terapêutica. Sentados na sala de estar de sua casa, frente a uma parede de vidro que dava para o mar, conversaram durante horas, mas não sobre "negócio". Isso resultou numa agradável mudança para Harry, que se desesperava por conhecer alguma atriz que pudesse falar de outra coisa.


Terminaram na cama de Harry, onde desfrutaram de uma noite de amor prazeiroso e com uma enorme dose de criatividade. A paixão de Cho parecia autêntica, e não só uma forma de agradecimento por ter obtido seu brilho no filme, e isso também o agradou. Em realidade, enquanto permaneciam estendidos na cama, Harry se sentia contente com tudo: suas cópias, a sensualidade de Cho, sua inteligência e seu engenho.


De repente ela se apoiou sobre um cotovelo e se elevou para olhá-lo.


— O que é o que realmente quer da vida, Harry? – Perguntou. — Me refiro ao que quer de verdade.


Ele permaneceu uns instantes em silêncio e logo, talvez porque se sentia fraco depois de horas fazendo amor, ou possivelmente porque estava farto de simular que a vida que se forjou era o que queria, respondeu com um quê de zombaria.


— Uma casinha na planície.


— O quê? Está me dizendo que você gostaria de atuar em uma segunda parte do filme Uma casinha na planície?


— Não, quero dizer que isso é o que eu gostaria de viver. Embora a casa não tem por que estar em uma planície. Estive pensando em comprar uma fazenda nas montanhas.


— Uma fazenda! Todo mundo sabe que você odeia os cavalos e o gado — deitou-se de lado junto a ele e começou a acariciá-lo com o dedo pelo corpo, do ombro ao estômago. — De onde você é, Harry? E por favor, não me conte nenhuma dessas mentiras inventadas pelo estúdio de que cresceu só, que formou parte de um rodeio e depois se uniu a uma turma de motociclistas.


O estado de ânimo sincero de Harry não chegava até o extremo de confessar seu passado. Nunca tinha feito isso antes e jamais faria. Quando, aos dezoito anos, o departamento de imprensa do estúdio começou a interrogá-lo, ele lhes disse com toda frieza que inventassem um passado. Coisa que fizeram. Seu verdadeiro passado estava enterrado e essa conversa tinha seus limites. Seu tom evasivo não deu lugar a dúvidas.


— Não venho de nenhuma parte em especial.


— Mas estou convencida de que não é um menino vagabundo que cresceu sem saber que roupa usar em cada ocasião — insistiu ela. — Pedro Pettigrew me disse que já aos dezoito anos tinha muita classe, um grande "verniz social", como ele o chamou. Isso é tudo o que sabe a seu respeito, e trabalhou com você em vários filmes. E nenhuma das atrizes com quem trabalhou sabe nada de você tampouco. Glenn Close e Goldie Hawn, Lauren Hutonn e Meryl Streep... Todas dizem que é maravilhoso trabalhar contigo, mas que é muito reservado com respeito a sua vida privada. Sei porque perguntei.


Harry não tentou ocultar seu desagrado.


— Está equivocada se acredita que me adula com sua curiosidade.


— Não posso evitar minha curiosidade — riu ela, beijando o queixo dele. — É o amante ideal de todas as mulheres, senhor Potter, e também é o homem misterioso de Hollywood. Todo mundo sabe que nenhuma das mulheres que me precederam nesta cama conseguiu fazer você falar sobre algo pessoal. E como agora eu estou aqui, na cama com você, e que esta noite me contou uma quantidade de coisas que são pessoais, suponho que te peguei em um momento de debilidade ou que... Simplesmente talvez... Você gosta mais de mim do que das outras. Em qualquer dos dois casos, devo tratar de descobrir algo a respeito de você que nenhuma outra mulher saiba. Como entenderá, aqui o que está em jogo é meu amor próprio feminino.


Sua franqueza e sua desenvoltura transformaram a irritação de Harry em uma divertida exasperação.


— Se quer que eu continue gostando de você mais que das outras — disse com uma mescla de brincadeira e advertência —, não siga tratando de averiguar e fale de algo mais agradável.


— Agradável... — deitou-se sobre o peito de Harry, olhou sorridente nos olhos e enroscou os dedos no arbusto de pêlo de seu peito. Em conjunto com essa linguagem corporal, Harry esperava que dissesse algo sugestivo, mas o tema que Cho escolheu não pôde menos que fazer graça. — Vejamos... Já sei que odeia os cavalos, mas que você gosta de motos e de automóveis velozes. Por quê?


— Porque — brincou ele, entrelaçando seus dedos com os dela — eles não se reúnem em complô com seus amigos quando você os deixa estacionados, nem o criticam quando lhes dá as costas, mas sim vão para onde você quer.


— Harry — sussurrou ela, apoiando a boca contra a dele —, as motos não são quão únicas que vão para onde você quer. Eu também.


Harry sabia a que se referia. Observou. Ela se deslizou para baixo e inclinou a cabeça.


À manhã seguinte, Cho lhe preparou o café da manhã.


— Eu gostaria de participar de mais um filme, um filme importante, para demonstrar ao público que sou uma verdadeira atriz — disse enquanto colocava bolinhos no forno.


Satisfeito e relaxado, Harry a observou mover-se por sua cozinha. Sem vestir roupa sexy nem luzir uma extravagante maquiagem, parecia muito mais atraente e imensamente mais bonita. E além disso, já tinha descoberto que também era inteligente, sensual e esperta.


— E depois, o quê? — Perguntou.


— Depois eu gostaria de me retirar. Tenho trinta anos. O mesmo que você, quero ter uma existência verdadeira, uma vida com sentido, pensando em algo mais que em minha figura e em minhas rugas. A vida é muito mais que esta terra de fantasia, superficial e reluzente, em que vivemos e que infligimos ao resto do mundo.


Uma declaração sem precedentes como essa da boca de uma atriz converteu Cho em uma baforada de ar fresco para o Harry. Além disso, se pensava não seguir trabalhando, pelo visto tinha conhecido a uma mulher a quem lhe interessava como pessoa, não em função do que pudesse fazer por sua carreira. Estava pensando nisso quando Cho se inclinou sobre a mesa da cozinha e perguntou com suavidade:


— Meus sonhos se podem comparar de algum jeito com os seus?


Harry se deu conta de que ela estava fazendo um oferecimento, e que fazia com uma tranquila coragem e sem joguinhos. Estudou-a uns instantes em silêncio e logo não fez a menor tentativa de ocultar a importância que atribuía ao que estava por lhe perguntar.


— Há filhos em seus sonhos, Cho?


Ela respondeu com doçura e sem vacilar.


— Teus filhos?


— Meus filhos.


— Podemos começar agora mesmo?


Ante a inesperada resposta, Harry lançou uma gargalhada. Então ela se instalou em seus joelhos e a risada se converteu em ternura e em uma esperança vibrante, emoções que ele acreditava mortas aos dezoito anos. Deslizou as mãos sob a camisa de Cho e a ternura se transformou em paixão. Casaram-se quatro meses depois, no gracioso mirante do parque da propriedade de Harry em Carmel, na presença de um milhão de convidados, entre os que havia vários governadores e senadores. Harry estava sorridente. Era o dia de seu casamento, e o invadia uma sensação de otimismo ao imaginar cálidas veladas com filhos sobre os joelhos e o tipo de família que nunca tinha tido. Essa festa importante fora ideia de Cho e ele cedeu, embora tivesse preferido uma cerimônia singela com um par de amigos presente.


O padrinho do casamento foi o vizinho de Harry em Carmel, o industrial Sirius Black. Conheceram-se três anos atrás, quando um grupo de admiradoras de Harry subiu a cerca que rodeava a propriedade e em sua fuga fizeram soar o alarme em ambas as residências. Essa noite, Harry e Sirius descobriram que compartilhavam vários gostos, entre eles o bom uísque, uma tendência à brutalidade mais desumana, a intolerância para as falsas pretensões e, mais adiante, uma filosofia similar com respeito aos investimentos financeiros. O resultado foi que, além de amigos, terminaram sendo sócios em várias empresas.


Ao estrear, Pesadelo não ganhou um Oscar, nem sequer recebeu uma nominação para o prêmio, mas conseguiu juntar lucros, recebeu excelentes críticas e reviveu as cambaleantes carreiras de Emily e Cho. A gratidão de Emily e seu pai foi imensa. Entretanto, Cho descobriu que ainda não estava disposta a renunciar a sua carreira nem a ter o filho que Harry tanto desejava. Em realidade, a carreira que antes assegurava não lhe interessar se converteu em uma obsessão que a consumia. Não suportava faltar a uma festa "importante" nem ignorar uma possibilidade de receber publicidade, por mínima que fora, e mantinha em zelo os empregados de Harry, seu secretário, seu chefe de relações públicas, para que respondessem a suas exigências sociais e levassem a cabo seus ambiciosos planos publicitários. Desesperava até tal ponto sua necessidade de fama e de aplausos, que desprezava qualquer atriz mais conhecida do que ela e era tão insegura com respeito a seu talento, que sentia terror trabalhar em um filme que não estivesse sendo dirigido por Harry.


O peso da realidade demoliu o otimismo que Harry experimentara no dia de seu casamento. Tinha sido enganado por uma atriz inteligente e ambiciosa que estava convencida de que só ele possuía a chave que a conduziria à fama e a fortuna. Harry sabia, mas culpava a si mesmo mais que a Cho. A ambição a levou a casar-se com ele e, embora não gostasse dos métodos que ela tinha empregado, Harry compreendia os motivos que a impulsionaram, porque em uma época ele também teve necessidade de demonstrar o que valia.


Por outra parte, ele se casou movido por uma cândida ilusão que o levou a acreditar, embora por curto tempo, na imagem de uma parceira fiel, rodeada de crianças felizes de bochechas rosadas que lhes pediam que contassem contos na hora de dormir. Por sua própria infância e experiência, ele devia saber que essas famílias eram mitos criados por poetas e produtores cinematográficos. E, ante essa realidade, a vida voltava a se estender ante ele com uma monotonia insuportável.


Entre os habitantes de Hollywood afligidos por um problema similar, a solução proscripta ia da cocaína a uma variedade de drogas, legais ou não, ou ao consumo de uma garrafa de uísque por dia. Mas Harry sentia o mesmo desprezo que sua avó pela debilidade e não estava disposto a aceitar muletas emocionais. Assim solucionou seu problema da única maneira que lhe ocorreu. Cada manhã, mergulhava em seu trabalho, e seguia trabalhando até que, de noite, voltava a cair rendido na cama. Em lugar de divorciar-se de Cho, pensou que, embora seu matrimônio não fora idílico, era muito melhor que o de seus avós, e não pior que outros que conhecia. E assim fez uma proposta a sua mulher: podia escolher entre divorciar-se ou baixar ao nível de suas ambições e tranquilizar-se um pouco, em cujo caso a concederia seu desejo de dirigi-la em outro filme. Com sabedoria, e agradecida, Cho aceitou esta segunda possibilidade.


Depois do êxito de Pesadelo o estúdio estava ansioso por permitir que Harry protagonizasse e dirigisse o filme que quisesse. Ele adorou o guia de um filme de suspense e ação chamada "O ganhador fica com tudo", que tinha papéis de protagonistas para ele e Cho, e Empire investiu o dinheiro para produzí-la. Colocando em jogo uma combinação de paciência, adulações, acíduas críticas e uma ocasional demonstração de gélido mau humor, Harry conseguiu manipular Cho e resto do elenco até que renderam o que ele pretendia, e logo dirigiu as luzes e os ângulos das câmaras para que o captassem.


Os resultados foram espetaculares. Cho recebeu uma nominação da Academia de Ciências Cinematográficas por sua interpretação. Harry ganhou um Oscar como Melhor Ator, e outro como Melhor Diretor. Este último prêmio não fez mais que confirmar o que os magnatas de Hollywood já sabiam: que Harry era um gênio como diretor.


Os dois Oscar proporcionaram uma tremenda satisfação em Harry, mas nem a mais mínima paz interior. Embora ele nem sequer se desse conta disso. Harry já não esperava essa paz interior, e com toda deliberação se mantinha muito ocupado, para não a sentir saudades. Em sua necessidade de desafios, durante os dois anos seguintes dirigiu e protagonizou outros dois filmes: um filme erótico de suspense e ação que protagonizou com o Glenn Close e um filme de aventuras em que trabalhou com a Kim Bassinger.


Andava em busca de um novo desafio quando voou a Carmel para concretizar um negócio com Sirius Black. Essa noite procurou algo para ler e se topou com um livro que devia ter sido esquecido ali por algum convidado. Muito antes de terminar de lê-lo, Harry sabia já que Destino seria seu próximo filme. Ao dia seguinte entrou no escritório do presidente dos Estúdios Empire e lhe entregou o livro.


— Aqui tem meu novo filme, Gilderoy.


Gilderoy Lockheart leu a orelha do livro, apoiou-se contra o respaldo da poltrona e suspirou.


— Está bem. Falemos de negócios. Quando quer começar a filmar Destino? Já pensou em alguém para os papéis principais?


— Eu farei o papel do marido, e eu gostaria que, se estiver disponível, Bellatrix Lestrange interprete o da esposa. Cho seria excelente para a amante. Emily Snape para a filha.


Gilderoy elevou as sobrancelhas.


— Cho terá um de seus ataques de nervos se lhe oferecermos um papel que não seja de protagonista.


— Dela me encarregarei eu — assegurou Harry.


Cho e Lockheart se detestavam mutuamente, embora nenhum dos dois explicasse jamais o motivo de tanto ódio. Harry suspeitava que anos antes deviam ter tido uma aventura que terminou mau.


— Se ainda não se decidiu por alguém para o papel do segundo personagem masculino — continuou dizendo Lockheart, um tanto vacilante — tenho que te pedir um favor. Consideraria a possibilidade de dá-lo a Cedrico Diggory?


— Nunca! — Respondeu Harry diretamente. O vício de Diggory por álcool e drogas era tão legendária quanto seus outros vícios, e era um homem em quem não se podia confiar. Sua última overdose acidental, quando começava a filmar um filme para o Empire, obrigou-o a ficar durante seis meses em um centro de reabilitação, e outro ator teve que assumir seu papel.


— Cedrico quer voltar a trabalhar e ser colocado a prova — explicou Lockheart com paciência. — Os médicos me asseguraram que abandonou seus hábitos e que é um homem novo. Esta vez me inclino a acreditar.


Harry se encolheu de ombros.


— E no que diferencia esta vez das demais?


— Em que esta vez, quando chegou ao Cedars-Sinaí, já estava virtualmente morto. Conseguiram trazê-lo de volta a vida, mas a experiência o aterrorizou e está disposto a amadurecer e começar a trabalhar a sério. Eu gostaria de dar a ele uma possibilidade, um novo princípio. — Na voz do Lockheart apareceu uma nota piedosa. — É a única coisa decente que podemos fazer, Harry. Estamos todos juntos nesta terra. Devemos cuidar uns dos outros. Temos que dar trabalho a Cedrico porque está acabado e porque...


— E porque te deve uma montanha de dinheiro por esse filme que nunca terminou de filmar — adicionou Harry.


— Bom, sim, deve-nos uma quantidade importante de dinheiro por esse filme — admitiu Lockheart a contra gosto. — Mas veio me ver e me pediu que permitisse pagar sua dívida com trabalho, para poder demonstrar que agora é confiável. E já que pelo visto é invulnerável a um pedido piedoso, considere os motivos práticos pelos que nos convém utilizá-lo. Que apesar de toda a má publicidade que tem feito, o público segue adorando-o. Segue sendo o moço mau, equivocado e que todas as mulheres querem consolar.


Harry vacilou. Se Diggory realmente se reformou, era perfeito para o papel. Aos trinta e três anos, sua atitude loira e juvenil tinha as marcas da dissipação, coisa que de algum jeito o fazia mais fascinante para as mulheres de doze a noventa anos. O nome de Diggory era particularmente bilheteiro. O do Harry também; juntos teriam a possibilidade de estabelecer um verdadeiro recorde de venda de entradas. E dado que, como parte de seu cachê por dirigir Destino, Harry tentava obter uma importante percentagem ds lucros do filme, esse era um ponto que influía em sua decisão.


Também era o fato de que, até bêbado, Diggory era melhor ator que muitos outros, e pensando bem era perfeito para o papel. Por outra parte, o fato de utilizar Diggory nesse filme significaria fazer um favor ao Empire, e Harry estava decidido que, em troca, eles lhe fizessem concessões. Por esse motivo decidiu ocultar o entusiasmo que lhe produzia a ideia.


— Permitirei fazer uma prova, mas já advirto que não me entusiasma pensar em me converter na babá de um drogado, reformado ou não.


Lockheart se levantou para estreitar a mão de Harry. O projeto já estava em marcha e esse apertão de mãos iniciava a rodada de negociações contratuais.


Bellatrix Lestrange não pôde aceitar o papel de esposa de Harry porque tinha um compromisso anterior, de modo que Harry deu o papel a Cho. Algumas semanas depois, os planos de Bellatrix se modificaram, mas então Harry já tinha a obrigação moral e legal de permitir que Cho conservasse o papel de protagonista. Para sua surpresa, Bellatrix pediu o papel secundário da amante. Emily Snape aceitou fascinada o papel da filha adolescente, e Cedrico Diggory ficou com o do outro personagem masculino. Os papéis secundários se distribuíram sem dificuldade e Harry reuniu a todos seus técnicos prediletos para formar a escola do filme.


Um mês depois de iniciada a rodagem de Destino, começou-se a correr os rumores de que, apesar de que a filmagem estava infestada de acidentes e demoras, as cópias — as porções do filme que se enviavam dia a dia ao laboratório para ser processadas — eram fantásticas. Toda Hollywood começou a predizer que o filme ganharia várias nominações para os prêmios da Academia.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 17) - Copyright 2002-2023
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.