Raios de luz verde voavam por toda parte e poeira caía nos ombros de Hermione. Podia ver Fenrir Greyback avançando contra a professora Sibila Trelawney e Lupin e Dolohov duelando ali por perto. Suas pernas doíam de cansaço e sentia fuligem em seus olhos. Podia sentir a mão de Ron apertando a sua, trêmula, suada... antes que uma voz irrompesse de algum lugar:
- NÃO INTERESSA QUE O PROFETA QUER UMA ENTREVISTA! - A Sra. Weasley gritou, sobressaltando Hermione que abriu os olhos e sentou-se na cama. Ron continuava dormindo, roncando com a boca aberta e seu braço estava passado pela sua cintura quando levantou. - SAIA DA MINHA CASA!
- Ron! - Hermione deu uma pequena sacudida no amigo que abriu os olhos sonolento e se apoiou com os cotovelos na cama.
- Mione... Que foi...? - começou ele com uma voz engrolada e rouca, tentando manter os olhos abertos, mas a Sra.Weasley gritou de novo:
- EU JÁ DISSE SUA IMPERTINENTE, FORA DAQUI! - Hermione se levantou e Ron arregalou os olhos, completamente desperto. Parte do seu cabelo estava grudado na testa e o resto encontrava-se levantado e apontando para todos os lados.
- Mas o que por Merlin está acontecendo?
- Não sei, mas boa coisa não é. - Hermione apanhou a varinha e saiu do quarto, com Ron nos calcanhares. - Gostaria de não ter que descer de pijamas, mas não vejo outra alternativa. - ela resmungou, coçando os olhos, e tomou a dianteira. Ela e Ron desceram os degraus o mais rápido que puderam tendo em vista que haviam acabado de acordar e irromperam na sala com um estardalhaço quando Ron tropeçou na beirada do tapete e teria caído de cara se Harry e Hermione não o tivessem segurado pelos braços. Ele também estava de pijamas.
- Oh, aí estão os outros heróizinhos... - Hermione sentiu seu estômago se encolher de desagrado. Então era Rita Skeeter a razão do escândalo. Já devia ter imaginado.
A bruxa havia trazido sua pena de repetição rápida que já encontrava-se pousada em um bloco de papel e escrevia rapidamente enquanto ela exclamava:
- Como estão se sentindo? Aliviados? Preocupados de que os Comensais da Morte venham se vingar de vocês? Desolados pela morte de Fred?
A Sra. Weasley sacara a varinha. Seu rosto estava inchado e cheio de dor. Provavelmente, chorara a noite toda.
- Sua mulher horrível! Suma da minha casa ou eu te faço sair á força! - Fagulhas vermelhas voaram da ponta da varinha de Molly e quase acertaram o rosto de Skeeter que recuou um passo e murmurou:
- Está bem, está bem. Estou só querendo ajudar. - ela deu um sorriso amarelo para Harry, Ron, Ginny e Mione e continuou. - Estarei lá fora esperando até que vocês se troquem. - ela piscou um olho e saiu com seu fotógrafo gordo e desajeitado atrás. A Sra. Weasley se jogou em uma poltrona e o marido foi acudi-la.
- O que ela quis dizer com "os outros"? - perguntou Ron soltando-se das mãos de Harry e Mione que ainda seguravam seus braços e encaminhando-se para a janela. Harry e Mione o seguiram, Ginny ajoelhou-se ao lado da mãe.
No exato momento em que olharam pela janela, dezenas de flashs atingiram seu rosto, fazendo-nos perder momentaneamente a visão.
- HARRY POTTER!
- O QUE EXATAMENTE ACONTECEU NA FLORESTA?
- COMO ESTÁ SE SENTINDO APÓS TER MATADO VOLDEMORT?
- VOCÊ ACHA QUE OS COMENSAIS ESTÃO ATRÁS DE VOCÊ?
- COMO VOCÊ O MATOU?
- AGORA QUE OS PAIS DE TEDDY LUPIN MORRERAM VOCÊ CUIDARÁ DO GAROTO?
- É VERDADE QUE VOLDEMORT O MATOU? MAS VOCÊ RESSUSCITOU?
Dezenas de repórteres cobriam o jardim dos Weasley, alguns ao lado de tendas, outros carregando máquinas fotográficas e alguns ainda não carregando coisa alguma. Hermione se perguntou se estes não seriam apenas curiosos. Antes de Harry puxá-la para baixo ela pôde ver Xenophilius Lovegood e Luna no meio da multidão, fazendo tchauzinho pra eles.
- Pelas calças de Merlin! Puta mer... - Ron exclamou, de olhos arregalados. - Quantos repórteres tem lá fora? 100, 150?
- Não deve chegar a tanto. - Hermione retrucou, mordendo o lábio nervosamente. - O que faremos? Oh, droga, o que faremos Harry?
Ele tinha um ar pensativo e quando Ginny juntou-se a eles, sentando-se no chão e agarrando a mão do namorado ele disse:
- Daremos a entrevista.
- Como? - Ron exclamou arregalando os olhos enquanto Hermione quase gritava:
- Pra... toda aquela gente??
- Não. Não pra todos eles. Eu não quero que Skeeter tenha sequer uma frase nossa para publicar naquele imundo Profeta Diário. - os outros concordaram com a cabeça e ele prosseguiu. - À menos que...
- À menos que o que, Harry?
- À menos que eu concorde em dar a entrevista apenas se ela tirar de circulação "A vida e as mentiras de Albus Dumbledore".
- Harry!
- Se ela aceitar daremos a entrevista, se não aceitar não daremos.
- Se dermos a entrevista ela vai distorcer cada palavra que dissermos... - Hermione continuou, contrariada.
- E o que importa, Mione? Você-sabe-quem já está morto mesmo. - Ron murmurou ao que Hermione virou-se severa contra ele.
- È, já está morto e você continua sem dizer o nome dele!
- Bom, você sabe, é difícil me habituar á idéia...
- Diga Voldemort.
- Não. - Ron fez uma careta.
- Diga.
- Não vou dizer.
- Ron, isso é tão...
- Ei, eu não terminei de falar! - Harry exclamou fazendo com que os dois se virassem pra ele, Ron de cara fechada. - Eu acho... que devemos deixar o Sr. Lovegood nos entrevistar.
- QUÊ? Não, não, não, Harry. O cara tentou nos matar, ele...
- ... Estava tentando recuperar a filha.
- Mesmo assim! Ele mandou os malditos Comensais atrás da gente, á essa hora estaríamos embaixo da terra com a boca cheia de malditas formigas se dependêssemos del... - E de repente ele emudeceu, olhando para a direção aonde o corpo de Fred estava enterrado, como se pudesse vê-lo através da parede de pedra. Hermione chegou mais perto dele e segurou sua mão. Seu olhar era doce, mas Harry não fraquejara.
- Se fosse pra salvar quem você ama você não faria o mesmo? - ele perguntou, ignorando os olhares exasperados que Ginny lhe lançava. Ron ergueu os olhos e encarou Harry por um longo tempo antes de responder.
- Sim, eu faria. - Seu rosto era duro. Hermione mordeu os lábios.
- Então está resolvido. Vamos nos trocar e chamar Xenophilius Lovegood pra vir aqui.
Durante o banho, Hermione se surpreendeu mais uma vez com a magreza em que se encontrava e observou atentamente seu corpo na frente do espelho, esquecendo-se momentaneamente que Ginny estava esperando para tomar banho logo em seguida.
Cortes, arranhões e marcas roxas cobriam algumas partes de suas pernas e braços, além de certas marcas de queimaduras que a Essência de Dittany não conseguira curar logo após terem invadido o cofre de Bellatrix Lestrange.
Mais uma vez, Hermione analisou-se completamente no espelho. Sua aparência era péssima. Sempre fora magra, mas encontrava-se num estado bem perto de ser considerada esquelética, isso sem mencionar as feridas e marcas e as olheiras roxas embaixo dos olhos. Seu próprio cabelo, que nunca fora encaixado nos padrões de "beleza", encontrava-se em um estado deplorável, chamuscado em algumas partes e tão comprido que se ela o esticasse, poderia chegar a alcançar os quadris.
Quanto tempo tinha se passado desde que haviam partido? Quase um ano, achava. Um ano. E depois de ter sido torturada por Bellatrix e ter passado por aflições inimagináveis, tudo estava bem. Pensando assim, ela entrou embaixo do chuveiro, uma tesoura nas mãos.
Cortara os cabelos na altura dos seios e aparara as partes que estavam chamuscadas e desfiadas antes de sair, completamente vestida. Estava definitivamente melhor assim. Era como se cortando um pouco dos cabelos, tivesse aberto espaço para a nova Hermione desprender-se da velha e sofrida garota e virar uma mulher feliz.
- Você demorou. - Ginny murmurou quando ela entrou no quarto, enxugando os olhos dos quais caíam lágrimas. - Que bom que cortou os cabelos... Está bem melhor assim, é como se...
- Como se eu voltasse aos poucos a ser como era.
Ela sorriu de leve para a amiga quando essa se levantou, apanhando a toalha.
- È. Acho que todos desejamos voltar a ser o que éramos antes disso tudo acontecer. - A garota abaixou a cabeça e saiu do quarto, deixando Hermione novamente sozinha com seus pensamentos.
Voltaria a ser a velha Hermione? Achava que não. Talvez a Hermione sorridente e
feliz que costumava ser, jamais voltasse. Talvez tivesse se tornado alguém infeliz e sofrida, amarga. Não se lembrava da última vez em que rira. Em que rira de verdade. E o que era pior, não se lembrava da última vez em que ELE rira. E isso doía mais que tudo. Ron nunca mais riria e ela nunca mais seria feliz.
Não se espantou ao sentir que lágrimas escorriam de seus olhos. Estava chorando de novo e achava que ia chorar pra sempre. Enterrou o rosto nas mãos e ficou ali, soluçando até seu peito explodir em prantos.
- Gin... Você pegou a... - Hermione ergueu a cabeça ao ouvir a voz, e viu Ron parado na porta de olhos arregalados, os cabelos molhados caídos sobre o rosto. - ... minha suéter? Hermione, o que foi?
Ele atravessou o quarto rapidamente e sentou-se ao lado dela, passando seus braços em volta do corpo da garota para confortá-la. - Aconteceu mais alguma coisa?
"Mais alguma coisa". Até Ron via como os últimos tempos não tinham sido nada luminosos. "Mais alguma coisa" apenas provava o quanto "coisas" ruins haviam acontecido.
- Nada. - Hermione fungou, enxugando os olhos e erguendo a cabeça para encará-lo. - È só que... Passamos por tantas coisas ruins que... Não consigo colocar a idéia na minha cabeça de que coisas boas virão.
Ron encarou-a por alguns segundos, seus olhos sérios e pensativos e então ele falou, uma mão enxugando uma lágrima que escorria do olho de Hermione.
- È. Está sendo mais difícil recomeçar do que eu pensava. Achei que...
- Ficaria tudo bem depois que Voldemort fosse derrotado. - completou Hermione observando-o atentamente.
- Bem... é. Mas o problema é que não está sendo assim... Fred morreu... - ele desviou o olhar para os próprios pés. - E Lupin e Tonks também, deixando um bebê sozinho por aí. È só que, tive a ilusão de que com a morte de Você-sabe-quem tudo acabaria, não teríamos mais com o que nos preocupar.
- Mas não acabou, não é? - Hermione sentiu os olhos encherem-se de lágrimas de novo e afundou o rosto no peito dele, que a abraçou forte.
- Não. Comensais ainda estão por aí, mas eu acho que esse não é o problema maior. Acho que... Acho que o problema maior é mesmo recomeçar. Nós... perdemos tanta coisa.
- Mas também ganhamos. - Mione levantou a cabeça, fungando e enxugando os olhos com as costas da mão. - Só que... acho... que ainda não percebemos isso. Ou não sabemos lidar com isso. Por enquanto.
Sorriu. Estava se sentindo bem melhor. Talvez fosse porque via um fio de esperança em sua vida, ou talvez porque Ron a segurava nos braços tão firmemente, um doce perfume desprendendo-se da pele limpa dele. O garoto encarou-a por um tempo, então abriu um leve sorriso:
- Você tem razão. Ganhamos coisas. Algumas vezes são coisas que sempre estiveram com a gente... - Hermione deu uma risadinha lacrimosa e sentiu-se enrubescer. - Mas que são essenciais para um recomeço. Talvez o Começo. - ele inclinou-se mais pra ela, segurando seu rosto entre as mãos.
- Concordo. - sorriu Hermione e eles se beijaram. Foi um beijo breve, mas intenso, que a fez sentir os joelhos tremerem. Separaram-se e ficaram abraçados por um tempo em silêncio, até que ela disse:
- Ron...?
- Hum?
- Acha que vai ficar tudo bem? De verdade? - ela se inclinou pra ele, ainda apertada em seus braços. O garoto pareceu pensar, então levantou as sobrancelhas e ergueu um dos lados da boca em um meio sorriso:
- Espero que sim. Afinal... não é possível que exista tanta bosta de dragão no mundo para caírem em nossas cabeças!
Tomaram um café rápido com bolachas e pãezinhos antes de decidirem como chamariam Xenophilius até dentro da casa.
- Eu faço isso. - Ginny disse, levantando-se depois de muito tempo discutindo quem seria o responsável. - Afinal, eu não vou ser entrevistada. Nem mesmo fiz parte disso tudo.
- Claro que fez! Você lutou do nosso lado! - Harry exclamou, indignado. - Não me venha com essa de que não fez nada...
- Ah, qual é, Harry. - Ginny cruzou os braços. - Não é hora pra isso. Vou lá.
Ela saiu pela porta da cozinha. Instantaneamente ouviram gritos e flashs de luz iluminando o lugar e Hermione murmurou:
- Espero que o Sr. Lovegood não tenha ido embora.
- Espero que tenha, não estou nada a fim de falar com ele... - Ron retrucou, esticando o pescoço para tentar olhar pela janela sem se expor.
- Não seja bobo. - Ela fez uma pausa. - Espero que tenha encontrado ele.
- Supondo que ela tenha sobrevivido á multidão... - brincou Ron dando um leve sorriso para Harry, que retribuiu. - Se acontecer algo á minha irmã, te jogo porta afora para ser devorado pelas feras.
Os três ficaram em silêncio por alguns segundos e então explodiram em risadas.
- Oh, Merlin, tomara que a Gin tenha saído viva dessa... Não posso imaginar nada pior do que milhões de repórteres tentando me entrevistar... Isso faz a missão de matar Voldemort parecer brincadeira de criança, não é? - Harry disse, o que aumentou as risadas. Hermione nem se lembrava da última vez que haviam rido assim juntos. A sensação era ótima. Quase nostálgica.
- Rita Skeeter faz aquele dragão de Gringotes parecer um gato mansinho. - começou Ron, rindo mais. - E tem um cara que vi lá pra perto das árvores que parece um Trasgo das Florestas, talvez mais feio... Ginny! - ele interrompeu-se, olhando para as 3 pessoas paradas ali na porta. - Oi, Luna.
- Oi, Ron. Oi, Harry. Oi, Hermione. - A garota sorriu levemente e então virou-se para o pai. - Papai...? Se lembra do que você me prometeu que faria?
- Ah, sim, querida. - Os olhos vesgos do Sr. Lovegood voltaram-se para a filha para depois focalizarem-se nos garotos sentados no sofá ali perto. - Luna gostaria... Eu gostaria também... De lhes pedir desculpas sobre aquele dia em que foram me perguntar sobre os 3 irmãos e as Relíquias Mortais. Eu fui sujo, traiçoeiro, mas fiz isso somente pelo bem estar da minha...
- Esqueceu de "babaca". - Ron retrucou, interrompendo-o ao que recebeu um chute na canela de Hermione.
- Ron! Está tudo bem, Sr. Lovegood. Nós entendemos. - O rosto pálido de Xenophilius corou-se com um sorriso e ele tirou uma pena do bolso, acompanhada de um longo pergaminho.
- Bem, bem... Sei que entendem o que passei. - ele tornou a olhar para a filha. - Perder minha Luna.
- Não se preocupe mais com isso, Sr. Lovegood. - Harry disse. - Escolhemos o Sr. e somente o Sr. para nos entrevistar. Pode começar se quiser. Estamos prontos.
Ginny encostou-se no sofá oposto olhando para os 3 com o cenho franzido. Hermione achou que a garota estava ansiosa para saber todos os detalhes da perigosa jornada.
- Claro. Está bem... Luna, meu anjo... Será que poderia tirar as fotos deles pra mim?
- Claro que sim, papai. - Luna apanhou uma enorme máquina fotográfica e começou a bater rápidas fotos dos 3, que estreitaram os olhos com o poder do flash. - Continue com essa pose, Ron. Seu cabelo está muito bonito.
- Han... obrigado. - Ron murmurou, muito sem graça enquanto Hermione franzia as sobrancelhas.
- Certo. Será que podíamos começar com... quando vocês decidiram que iriam atrás de Você-sabe-quem?
Falaram por horas. Começaram contando como Harry descobrira através da Profecia que era O Escolhido e suas visitas ao escritório de Dumbledore para descobrir sobre as Horcruxes até a morte do diretor. Ron e Hermione o ajudaram no resto da história, contando como tinham decidido ir com ele e cada um tomara suas próprias providências para manterem suas famílias a salvo (Hermione omitiu o fato de que seus pais estavam na Austrália para manter os dois protegidos de possíveis Comensais vingativos), como haviam partido no casamento para a Casa dos Black e descoberto quem era R.A.B.
Certas vezes, era difícil para um ou outro continuar ou encontrar palavras para expressar o que passara, mas felizmente era sempre socorrido por um dos amigos, dispostos a contornar uma situação constrangedora ou mesmo triste.
Contaram sobre a Batalha em Hogwarts, a tiara perdida, e Harry contou sobre o pomo que se abrira e quando descobrira que deveria morrer pois era de certa forma a última Horcrux. Nesse ponto, Ron e Hermione ficaram espantados, pois ainda não haviam tido tempo para conversar sobre esse assunto. O resto da história até o final foi contada por Harry e era tão incrível que os surpreendia a cada minuto.
Quando chegou na parte em que vira o espírito de seus pais, Sirius e Remus o guiarem pela floresta e ficarem junto dele até sua "morte", Ginny e Hermione choravam livremente e Ron encarava os joelhos, as mãos passadas em volta do ombro da garota. O próprio Harry sentiu a garganta fechada ao falar sobre aquilo, mas agüentou firme e continuou. Contou como fingira estar morto depois de voltar de um estado de semi-consciência (resolvera omitir a parte em que conversara com Dumbledore, era algo muito íntimo que deveria ser contado somente para Ron, Ginny e Mione depois) para finalmente chegar ao desfecho da morte de Voldemort. Assim que terminou, fez-se silêncio até Xenophilius dizer:
- Garoto... È a história mais incrível que já ouvi.
- Não sei se vão acreditar, mas é a verdade e essa é a única entrevista que vou dar.
- Por que não acreditariam? È tudo perfeitamente plausível, meu rapaz... E existe prova maior do que o fato de Voldemort estar morto? - ele acariciou o braço da filha ao lado. - Temos tanta sorte, não é querida? A oportunidade de uma história dessas na nossa revista!
- Temos sim, papai. - Ela sorriu. - Harry é muito corajoso.
- Obrigado, Luna. - sorriu ele achando graça no modo como Luna sempre dizia o que pensava.
- Por nada. Se não fosse por você, talvez eu estivesse morta. Talvez todos nós morrêssemos.
- Tive ajuda. - ele sorriu para os amigos, que retribuíram.
- Ah, sim. Todos vocês foram muito corajosos. - ela olhou para o teto, sorrindo. - Acho que foi uma sorte ter conhecido vocês.
Xenophilius Lovegood apanhou suas coisas, sendo ajudado pela filha.
- Muito gentil. Foram muitos gentis, obrigado. - ele fez uma reverência com o chapéu laranja que usava, quase raspando o assoalho com ele e apertou a mão de cada um. - Foi um prazer, uma honra... Ser o primeiro a saber a verdadeira história de Harry Potter.
- Não foi nada. - disse Harry. De repente parecia muito cansado. - Apenas... Nos mande uma cópia da revista quando for publicada.
- Claro, claro que sim, querido amigo! Mandarei... - ele piscou um de seus olhos vesgos e virou-se para ir embora.
- Tchau, Harry. Tchau, Ron. Tchau, Mione. Tchau, Ginny.
- Tchau, Luna. - responderam todos juntos, enquanto ela virava as costas e saía atrás do pai. Os cabelos balançando com algumas folhas presas nas mechas.
- Oh. - Xenophilius virou-se quase na saída. - Eu gostaria de dizer que sinto muito quanto ao chifre do Bufador de Chifre Enrugado. Sabe, quando estiveram em minha casa e eu causei aquela imensa explosão. Poderíamos ter morrido, todos nós. Agora, no entanto, penso que não era realmente um chifre de Bufador.
- Jura? - Ron exclamou, sarcasticamente, levando outro pontapé de Hermione.
- Sim. Mesmo assim, era uma coisa fascinante, não? - e com um último aceno de cabeça ele e Luna saíram pela porta.
- Eu vou mostrar pra ele o Bufador de Chifre Enrugado... - Ron resmungou enquanto Hermione revirava os olhos.
- E então, Harry? Vamos falar com Skeeter? Sobre ela tirar o livro de circulação?
- Vamos. È melhor fazer isso logo, enquanto ela está desesperada por notícias... - Harry ergueu os olhos para a namorada e Gin resmungou:
- Ok, ok... Já estou indo. Já vou. - e saiu pela porta. Ron virou-se para olhar Harry e perguntou:
- Você já pensou em como essa entrevista pode se tornar a coisa mais desastrosa que já foi feita no mundo bruxo?
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