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16. FELIX FELICIS


Fic: Harry Potter e o Príncipe Mestiço 2.0


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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FELIX FELICIS


 


 


Cátia Bell continuava no Hospital St. Mungus sem perspectiva de alta, o que significava que a promissora equipe da Grifinória que Harry andara treinando com tanto carinho desde setembro perdera um artilheiro. Ele adiava a substituição da garota na esperança de que ela voltasse, mas a partida de abertura contra a Sonserina se aproximava, e ele finalmente teve de admitir que a garota não voltaria em tempo de jogar.


Harry achava que não aguentaria outro teste geral. Com uma sensação de desânimo que não combinava com o quadribol, ele encurralou Dino Thomas depois de uma aula de Transfiguração.


A maior parte da turma já havia saído, embora vários passarinhos amarelos pipilantes ainda voassem pela sala, todos criações de Hermione – ninguém mais conseguira conjurar coisa alguma além de uma pena.


— Você está interessado em jogar como artilheiro?


— Quê...? Claro que estou! — exclamou Dino agitado. Por cima do ombro do garoto, Harry viu Simas Finnigan enfiar violentamente os livros na mochila, de mau humor. Uma das razões por que Harry teria preferido não convidar Dino para jogar é que sabia que Simas não ia gostar.


Por outro lado, precisava fazer o que era melhor para a equipe, e Dino tinha voado melhor que Simas nos testes.


— Bem, então você está na equipe — disse Harry. — Temos um treino hoje à noite, às sete horas.


— Certo. Valeu, Harry! Caramba, nem posso esperar para contar a Gina.


Ele saiu correndo da sala, deixando Harry e Simas sozinhos, um momento de mal-estar que não ficou melhor quando um dos passarinhos de Hermione sobrevoou os dois e deixou cair uma titica na cabeça de Simas.


Simas não foi o único descontente por Harry ter escolhido dois colegas da própria série para a equipe. Já tendo suportado falatórios muito piores em sua carreira escolar, Harry não se sentiu particularmente incomodado, mas, ainda assim, crescia a pressão para ganharem a partida contra a Sonserina dali a alguns dias. Se a Grifinória ganhasse, Harry sabia que a casa inteira esqueceria as críticas e juraria que sempre acreditara que tinham uma grande equipe. Se perdesse... bem, Harry concluiu ironicamente, ele já tinha suportado falatórios piores...


Harry não teve razão para se arrepender de sua escolha quando viu Dino voando naquela noite; ele se entrosou bem com Gina e Demelza. Os batedores, Peakes e Coote, melhoravam a cada treino.


O único problema era Rony.


Harry sempre soubera que o amigo era um jogador irregular, que sofria dos nervos e de falta de confiança e, infelizmente, a perspectiva iminente do jogo que abria a temporada parecia acentuar todas as velhas inseguranças. Depois de deixar entrar meia dúzia de gols, a maioria deles marcados por Gina, sua técnica foi piorando, e por fim ele meteu um soco na boca de Demelza Robins quando ela se aproximou.


— Foi um acidente, lamento, Demelza, eu realmente lamento! — Rony gritou para a garota que ziguezagueava de volta ao chão, pingando sangue pelo caminho. — Foi só que eu...


— Entrou em pânico — disse Gina com raiva, aterrissando ao lado de Demelza e examinando seus lábios carnudos. — Seu retardado, olhe só o que você fez!


— Posso dar um jeito nisso. — Harry pousou ao lado das duas garotas, e apontando a varinha para a boca de Demelza, disse: — Episkey. E, Gina, não xingue o Rony de retardado, você não é o capitão da equipe...


— Bem, pelo visto você estava ocupado demais para xingá-lo de retardado, então achei que alguém devia...


Harry fez força para não rir.


— Voando, todo o mundo, vamos...


De um modo geral, foi um dos piores treinos que fizeram naquele trimestre, embora Harry não achasse que a franqueza fosse a melhor política quando estavam tão próximos da partida.


— Bom treino, pessoal, vamos arrasar a Sonserina — disse para incentivá-los, e os artilheiros e batedores saíram do vestiário parecendo razoavelmente felizes consigo mesmos.


— Joguei como uma saca de bosta de dragão — exclamou Rony com a voz sumida quando Gina saiu e a porta se fechou.


— Não, não jogou — retrucou Harry com firmeza. — Você é o melhor goleiro da Grifinória, Rony. Seu único problema são os nervos.


Harry sustentou um fluxo incansável de encorajamento a caminho do castelo e, quando finalmente chegaram ao segundo andar, Rony estava parecendo um pouco mais animado. Mas quando Harry afastou a tapeçaria para tomar o atalho habitual para a Torre da Grifinória, depararam com Dino e Gina, enlaçados em um apertado abraço, se beijando vorazmente como se estivessem colados.


Ele ouviu a voz de Rony muito longe.


— Oi!


Dino e Gina se separaram e viraram para olhar.


— Que foi? — perguntou Gina.


— Não quero encontrar a minha irmã se agarrando em público!


— Estávamos em um corredor deserto até você se intrometer! —retrucou Gina.


Dino pareceu constrangido. Lançou um sorriso evasivo a Harry.


— Ah... vamos, Gina — convidou Dino —, vamos voltar para a Sala Comunal...


— Vai indo! — respondeu Gina. — Quero dar uma palavrinha com o meu querido irmão!


Dino foi embora, parecendo não lamentar sua saída de cena.


— Certo — disse Gina, jogando os longos cabelos ruivos para trás e encarando Rony, aborrecida —, vamos entender de uma vez por todas. Não é da sua conta com quem eu saio e o que faço, Rony...


— É, sim! — retrucou Rony no mesmo tom zangado. — Você acha que eu quero que as pessoas digam que minha irmã é uma...


— Uma o quê? — gritou a garota, puxando a varinha. — Uma o quê, exatamente?


— Ele não quis dizer nada, Gina — interpôs Harry automaticamente.


— Ah, quis, sim! — explodiu ela com Harry. — Só porque ele ainda não se agarrou com ninguém na vida, só porque o melhor beijo que ele já ganhou foi da tia Muriel...


— Cala essa boca! — berrou Rony, o rosto passando de rosado direto para o castanho avermelhado.


— Não calo, não! — gritou Gina, fora de si. — Vejo você com a Fleuma, esperando que ela lhe dê um beijo na bochecha toda vez que a vê, é patético! Se você saísse por aí dando uns amassos, não iria se importar tanto que os outros fizessem isso!


Rony também puxara a varinha; Harry se meteu rapidamente entre os dois.


— Você não sabe o que está dizendo! — rugiu Rony, tentando acertar em Gina pelos lados de Harry, que agora se interpunha aos dois de braços abertos. — Só porque não faço isso em público...!


Gina gargalhou debochadamente, tentando tirar Harry do caminho.


— Andou beijando o Pichitinho, foi? Ou tem uma foto da tia Muriel guardada embaixo do travesseiro?


— Sua...


Um lampejo laranja voou por baixo do braço esquerdo de Harry e por centímetros não atingiu Gina; Harry empurrou Rony contra a parede.


— Não seja burro...


— Harry deu uns amassos na Cho Chang! — berrou Gina, que parecia à beira das lágrimas agora. — E, Hermione, no Vítor Krum; só você se comporta como se isso fosse feio, Rony, porque você tem a experiência de um garotinho de doze anos!


E, dizendo isso, retirou-se enfurecida. Harry soltou depressa Rony, que tinha no rosto uma expressão homicida. Os dois ficaram parados ali, arquejando, até que Madame Nora, a gata de Filch, entrou no corredor, rompendo a tensão.


— Vamos — disse Harry, ao ouvirem os passos arrastados de Filch. Eles subiram, apressados, as escadas e seguiram pelo corredor do sétimo andar.


— Oi, sai da frente! — falou Rony com rispidez para uma garotinha que se assustou e deixou cair no chão um vidro de ovas de sapo. Enquanto Ron seguia resmungando Harry mantinha-se quieto, se sentindo estranhamente distante de tudo.


— Você acha que Hermione deu uns amassos no Krum? — perguntou Rony, subitamente, ao se aproximarem da Mulher Gorda.


Harry teve um sobressalto, pensando que esse era o tipo de coisa mais desagradável de se imaginar do que a cena presenciada por eles de Gina e Dino.


— Quê... — exclamou confuso. — Ah... ãh...


A resposta franca seria "acho", mas não quis dá-la. Rony, contudo, pareceu ter entendido o pior, pela expressão no rosto de Harry.


— Sopa da coroação — disse mal-humorado à Mulher Gorda, e eles passaram pelo retrato e entraram na sala comunal.


Nenhum dos dois tornou a mencionar Gina nem Hermione; de fato, quase não se falaram aquela noite e foram dormir em silêncio, cada um absorto nos próprios pensamentos.


Harry ficou acordado durante muito tempo, contemplando o dossel da cama.


Mas, por volta do meio-dia, Rony não somente estava dando um gelo em Gina e Dino, como ainda estava tratando Hermione, magoada e perplexa, com uma indiferença mortal e desdenhosa. E mais, Rony parecia ter se tornado, da noite para o dia, sensível e pronto para agredir como um explosivim. Harry passou o dia tentando manter a paz entre Rony e Hermione sem sucesso: por fim, a garota foi dormir amuada, e Rony se retirou para o dormitório dos garotos depois de xingar enraivecido uns calouros apavorados, só porque olharam para ele.


Para desânimo de Harry, a nova agressividade de Rony não abrandou nos dias seguintes. E, pior, coincidiu com uma queda no seu desempenho como goleiro, o que o deixou ainda mais agressivo, fazendo com que, no último treino de quadribol antes do jogo de sábado, ele não conseguisse defender um único dos gols que os artilheiros lançaram contra ele, e berrasse tanto com todos que reduziu Demelza Robins às lágrimas.


— Cala a boca e deixa a garota em paz! — gritou Peakes, que tinha dois terços da altura de Rony, embora fosse incontestável que segurava um pesado bastão.


— CHEGA! — berrou Harry, que vira o olhar feio de Gina para Rony e, lembrando-se de sua reputação de talentosa azaradora de bichos-papões, voou até lá para intervir, antes que as coisas fugissem ao seu controle. — Peakes, vai encaixotar os balaços. Demelza, não fique nervosa, você jogou realmente bem hoje. Rony... — Ele esperou os demais jogadores se afastarem o suficiente antes de continuar: —você é o meu melhor amigo, mas continue a tratar os outros assim e vou expulsá-lo da equipe.


Harry realmente pensou, por um instante, que Rony fosse bater nele, mas aconteceu coisa muito pior: Rony pareceu murchar em cima da vassoura; toda a agressividade abandonou-o, e ele disse:


— Estou fora. Sou patético.


— Você não é patético nem vai desistir de nada! — contestou Harry ferozmente, agarrando Rony pela frente das vestes. — Você é capaz de defender qualquer coisa quando está em forma, você tem é um problema mental!


— Você está me chamando de maluco?


— É, talvez esteja!


Eles se enfrentaram por um momento, então Rony balançou a cabeça, deprimido.


— Sei que você não tem tempo para arranjar outro goleiro, por isso vou jogar amanhã, mas se perdermos, e vamos perder, vou me retirar da equipe.


Nada que Harry dissesse faria a menor diferença. Ele tentou reforçar a confiança do amigo durante todo o jantar, mas Rony estava ocupado demais fazendo desfeitas a Hermione para notar.


A noite, na sala comunal, Harry insistiu, mas sua afirmação de que a equipe inteira ficaria arrasada se Rony saísse foi prejudicada pelo fato de que os demais jogadores ficaram agrupados a um canto distante, visivelmente cochichando sobre Rony e lhe lançando olhares irritados. Finalmente, Harry tentou se enfurecer mais uma vez na esperança de instigar Rony a adotar uma atitude de desafio que redundasse na defesa de gols, mas sua estratégia pareceu não dar melhor resultado do que a de encorajamento; Rony foi se deitar mais abatido e desesperançado que nunca.


Deitado no escuro, Harry ficou acordado um longo tempo. Não queria perder a partida que se avizinhava; não somente era a sua primeira como capitão, como também ele estava decidido a vencer Draco Malfoy no quadribol, ainda que não conseguisse comprovar suas desconfianças a respeito do colega. Contudo, se Rony jogasse como nos últimos treinos, as chances de vencerem seriam mínimas.


Se ao menos ele pudesse fazer alguma coisa para Rony se reanimar... para fazê-lo jogar em sua melhor forma... alguma coisa que garantisse a Rony um dia realmente bom...


E a resposta ocorreu a Harry em um súbito e glorioso acesso de inspiração.


******************************


Na manhã seguinte, Hermione andava pelos corredores da escola com uma expressão de preocupação estampada no rosto. Acordara com Edwiges bicando sua orelha delicada e insistentemente no intuito de fazê-la perceber um pequeno pedaço de pergaminho amarrotado largado em sua mesa de cabeceira. Quando terminou de ler o recado amassou-o novamente e foi para o banheiro se arrumar.


Quando chegou ao local marcado, alguns minutos atrasada, Hermione encontrou um Harry aflito a sua espera. Assim que chegou perto o suficiente do garoto, começou a interrogá-lo.


– Certo, Harry, o que fez você me “convocar” a uma hora dessas?


– Bem, é sobre o Rony. Ele anda muito inseguro sobre a sua vaga no time de Quadribol – a simples menção ao esporte fez Hermione revirar olhos – Hermione, não comece... Mas enfim, tive uma ideia para fazê-lo jogar normalmente no próximo jogo, sem todo esse nervosismo...


– E isso, por um acaso do destino, envolve a minha colaboração, certo? – Harry fez uma careta, deixando claro que a resposta era sim. Ao ter a confirmação que queria, a morena o encarou por alguns segundos com o cenho franzido.


– E porque, exatamente, eu o ajudaria? Estamos falando daquele jumento que passou a semana toda distribuindo adoráveis coices em todos, inclusive em você... – ela sorriu amavelmente – E você quer que eu o ajude a ganhar um jogo? Arranje outra pessoa. – disse em tom definitivo, virando-se para sair, ainda incrédula com a cara de pau do amigo.


Harry ficou estático por alguns segundos, saindo do torpor momentâneo ao vê-la chegar à porta, segurou a colega pelo braço, impedindo-a de sair da sala e arruinar sua estreia como capitão da Grifinória. Mesmo segurando-a pelo braço, tomou alguma distância dela, o tapa não-intencional após a aula do diretor voltando em sua mente. Sabia que agora teria que escolher muito bem suas palavras.


Ele pigarreou, tomado coragem – Talvez você entenda melhor minha situação se entender como o novo comportamento de Rony veio à tona...


A morena a sua frente o encarava seriamente, mas assim que o moreno se predispôs a explicar tudo, uma centelha de curiosidade apareceu em sua expressão controlada. Harry se aproveitou da brecha que ela lhe ofereceu sem nem mesmo notar, para relatar o encontro infeliz na passagem do terceiro andar.


Enquanto seu relato progredia, a morena ia ficando estarrecida. – Quer dizer que toda essa babaquice é fruto, mais uma vez, de ciúmes do Rony da Gina? Ele sempre soube do namoro dela com Dino! – argumentou intrigada, soltando-se do agarre do moreno e andando apressada pela sala.  – E porque logo agora, isso foi incomodar tanto assim Rony? – perguntou com os olhos fixos nos do amigo.


Harry trocou o peso do corpo, voltando a pesar todas as palavras. Tinha atenuado um tanto a história, mas não ao ponto de não sensibilizar Hermione. Corou levemente ao lembrar-se da mancada que dera. Pigarreou para limpar a garganta e ganhar tempo, o olhar da morena não se desviava um segundo do seu, o deixando incomodado, como se ela pudesse saber que ele estava numa cruzada agora.


– Bem, Gina trouxe seu nome na mistura. – começou meio incerto, fazendo com que a expressão da morena mudasse de astuta para chocada. Sentiu o rosto esquentar e passou as mãos no cabelo, querendo a todo custo evitar aquela conversa. – Ela falou algo a respeito de Vítor e você, sabe, no Baile e tudo isso... Rony, bem, Rony não hã... gostou sabe? E depois ela falou em mim e na Cho, e isso foi a cereja do bolo. – sem encarar a amiga, ele foi tentando explicar o que é que tinha dado errado. – Se eu não me engano, a expressão que ela usou para descrever o irmão foi: você é um garotinho de 12 anos. E a impressão que ficou, foi que bem, eu e você tínhamos uma vasta experiência no assunto...


Definitivamente, a sala estava quente e não era ele mesmo que estava corando daquela forma. E também Hermione não estava ali, parada, chocada demais para dizer alguma coisa, tentando controlar uma tosse meio engasgada com o seu mais novo relato.


Enquanto estava quase pronto para admitir que aquele constrangimento todo não valia sua fama de capitão, Hermione pigarreou, chamando sua atenção. Já mais composto, e de certa forma, consciente que seria responsável pelo fracasso iminente da Grifinória, ele voltou sua atenção para a colega, que agora estava sentada no parapeito da janela. Seus cabelos esvoaçavam levemente com a brisa que entrava ali.


– Bem, é impressionante a memória seletiva dele. – comentou por cima – Sabe, ano passado você me acusou, e todas as garotas, diga-se de passagem, de sermos complicadas. Mas vou te dizer, Harry, os da sua espécie tem nem comparados conosco! – enquanto ela ostentava um ar intrigado, como se ela estivesse quase entendendo a situação, Harry a encarou chocado demais para tentar entender o porquê de Rony ter uma memória seletiva.


– Não acredito que vou dizer isso, mas Mione, talvez você tenha parado para pensar que Rony acha que está perdendo? – isso fez com que a morena saísse do mundo de devaneios e o encarasse surpresa e sem entender. Harry suspirou pesadamente e se deixou cair numa cadeira meio torta dali. Agora mesmo que a conversa iria ficar divertida. – Rony tem todos aqueles irmãos competindo com ele em casa, foi o argumento que você usou no nosso quarto ano para justificar o modo que ele agiu depois que o meu nome saio do Cálice, aqui ele tem ficar na sombra da minha fama, foi o que você também disse, mas ainda tem você com toda essa inteligência e sabedoria. – ele parou por um segundo sem saber como continuar e atenuar o um pouco o que queria dizer, sem fazer com que os dois tivessem um ataque qualquer ali.


– Harry o que...? – a morena parecia perdida com o discurso em progresso do garoto.


– Me dê um minuto! – pediu erguendo um dedo e reorganizando os pensamentos, definitivamente, Hermione estava certa, não era bom com palavras. – Olha só, ano passado você apontou que as garotas tem toda essa coisa emocional e que tem um monte de sentimentos conflitantes e tudo isso. Garotos não são diferentes, mas são diferentes em um modo mais básico. Veja bem, eu me meto em confusão todos os anos. Aliás, nós nos metemos. Metade do ano todos no castelo viraram as costas pra mim, mas entenda, ainda assim eu saí com uma garota, não importa o desfecho disso, eu saí com uma. E ele não. E tem você. Certo, você é garota, mas ainda assim, se mete nas mesmas confusões que a gente, todos ficam sem falar com você e com ele, da mesma forma que comigo, só pelo fato de vocês acreditarem em mim. Mas isso não impediu que alguém te chamasse pra sair e que você se interessasse romanticamente por alguém. – desviou o olhar dela e sentiu que mais uma vez corava, não precisava olhá-la para saber que ela estava vermelha do mesmo modo. Nunca haviam falado sobre ela e Vítor. Quase um acordo mudo.


“Então vem a Gina e saí gritando isso na cara dele. Acho que ele nunca percebeu isso, achou engraçado quando eu contei que tinha beijado a Cho e tudo, mas ainda assim a ficha não havia caído. Garotos são tapados mesmo, você vive nos dizendo isso. – ele deu um meio sorriso com a fala – Mas daí não foi legal a contribuição da Gina. Ele sabia que Dino namorava com ela, é claro que sim, mas uma coisa é saber e outra bem diferente é ver. Simas está de rolo com uma menina da Lufa-Lufa, e ele e Dino não falam de outra coisa. Então vem a parte ligeiramente problemática. Eu saí com a Cho, Simas tem a Lufa-Lufa, Dino a Gina, até mesmo Neville aproveitou o Baile de Inverno com a Gina, mesmo que não de uma forma romântica. E então Gina aparece e grita que ele tem a experiência de um garotinho de 12 anos. – Harry parou e bagunçou os cabelos ainda mais, dando tudo para que aquela conversa desse certo, ou ele teria que se trancar no quarto e nunca mais sair de lá – Num modo mais simples: ele acreditou no que ela disse...


– O Baile...


– Foi uma droga, logo antes de você aparecer na nossa mesa, Padma tinha ido se juntar com a irmã e um amigo, então… er… fiasco é uma palavra perfeita para a situação. – ele respirou fundo e a encarou seriamente – Você vê aonde eu quero chegar!? – questionou meio desesperado.


Hermione suspirou ligeiramente, saindo do seu acento e o encarando seriamente: – Ok, eu faço o que você quiser. Desde que não desrespeite as regras da escola. – Harry piscou perplexo e a morena riu, apontando um dedo arrogantemente para ele – Só vou aceitar qualquer coisa para não ter que ouvir mais nada sobre complexos masculinos juvenis por hoje!


**************************


Na manhã do jogo, o café da manhã foi aquela excitação de sempre; os alunos da Sonserina vaiavam alto cada jogador da Grifinória que entrava no Salão Principal. Harry olhou para o teto e viu um céu claro e azulado: um bom sinal.


A mesa da Grifinória, uma mancha compacta vermelha e ouro, aplaudiu quando Harry e Rony se aproximaram. Harry sorriu e acenou; Rony fez uma espécie de careta e agradeceu com a cabeça.


— Anime-se, Rony! — gritou Lilá. — Sei que você vai ser genial! – grito que Rony fingiu não ouvir.


— Chá? — ofereceu-lhe Harry. — Café? Suco de abóbora?


— Qualquer coisa — respondeu Rony, infeliz, mordendo a torrada de mau humor. Alguns minutos depois, Hermione, que, de tão cansada com a antipatia de Rony nos últimos dias, nem descera para tomar café com eles, parou a caminho da mesa.


— Como é que vocês dois estão se sentindo? — perguntou, hesitante, com os olhos na nuca de Rony.


— Ótimos — respondeu Harry, que estava se concentrando em passar para Rony um copo de suco de abóbora. — Pronto, Rony. Beba.


Rony tinha acabado de levar o copo à boca quando Hermione falou com rispidez.


— Não beba isso, Rony! – os dois olharam para ela.


— Por que não? — perguntou Rony.


Hermione agora encarava Harry como se não conseguisse acreditar no que via.


— Você acabou de pôr alguma coisa nesse suco.


— Que foi que você disse?


— Você me ouviu. Eu vi. Você acabou de virar alguma coisa no copo de Rony. O frasco ainda está em suas mãos!


— Não sei do que você está falando — disse Harry, guardando depressa o frasquinho no bolso.


— Rony, estou avisando-o, não beba isso! — repetiu Hermione, alarmada, mas Rony apanhou o copo, virou-o de um gole e disse:


— Pare de ficar mandando em mim, Hermione.


Hermione afastou-se bruscamente para a outra ponta da mesa. Harry observou-a ir contendo a satisfação ao ver seu plano se realizando na sua frente só faltava, mesmo, o desfecho e tudo certo, ninguém bateria a Grifinória, ao menos não naquela manhã. Virou-se, então, para Rony, que estalava os lábios.


— Quase na hora — comentou, descontraído.


Na descida para o estádio, a grama congelada rangia sob seus pés.


— Que sorte o tempo estar bom, eh? — falou Harry.


— É — concordou Rony, que parecia pálido e nauseado.


Gina e Demelza já tinham vestido os uniformes de quadribol e aguardavam no vestiário.


— As condições parecem ideais — comentou Gina, ignorando o irmão. — E sabem da última? Aquele artilheiro da Sonserina, Vaisey, levou um balaço na cabeça ontem durante o treino, e está machucado demais para jogar! E melhor ainda: Malfoy também não vai jogar, está doente!


— Quê! — exclamou Harry, virando-se para olhar para Gina. — Está doente? Que é que ele tem?


— Não tenho a menor ideia, mas é ótimo para nós — respondeu ela animada. — Vão jogar com o Harper; ele está no mesmo ano que eu, e é um idiota.


Harry retribuiu com um sorriso distante, mas, ao vestir o uniforme vermelho, seus pensamentos estavam longe do quadribol. Uma vez Malfoy alegara que não podia jogar por causa de um ferimento, mas naquela ocasião conseguira que a partida fosse remarcada para uma data mais conveniente à equipe da Sonserina. Por que agora estava deixando um substituto jogar?


Estaria mesmo doente ou era fingimento? Seu cérebro fervilhava atrás de uma resposta plausível para a mudança gritante no comportamento do Sonserino.


— Suspeito, não é? — comentou em voz baixa para Rony. — Malfoy não jogar?


— Chamo isso de sorte — respondeu Rony, parecendo ligeiramente mais animado. — E Vaisey está fora também, é o melhor artilheiro da equipe, eu não queria... ei! — exclamou de repente, parando de calçar as luvas de goleiro e olhando espantado para Harry.


— Que foi?


— Eu... você... — Rony baixou a voz; ele parecia sentir ao mesmo tempo medo e excitação. — Minha bebida... meu suco de abóbora... você não...


Harry ergueu as sobrancelhas, agora realmente contendo um riso de pura satisfação, mas disse apenas:


— Vamos começar em cinco minutos, é melhor calçar suas botas...


Eles entraram em campo sob gritos e vaias. Uma parte do estádio era totalmente vermelho e ouro; a outra, um mar verde e prata. Muitos alunos da Corvinal e da Lufa-Lufa também tinham tomado partido; entre berros e palmas, Harry podia distinguir o rugido do famoso chapéu-leão de Luna Lovegood.


Ele se dirigiu a Madame Hooch, a arbitra, que estava em posição para soltar as bolas do caixote.


— Capitães, apertem as mãos — disse ela, e Harry sentiu a mão esmagada pelo novo capitão da Sonserina, Urquhart. — Montem suas vassouras. Quando eu apitar... três... dois... um...


Soou o apito, Harry e os outros deram impulso do chão congelado, e partiram.


Harry sobrevoou o perímetro do campo procurando o pomo, de olho em Harper, que ziguezagueava muito abaixo dele. E então ouviu uma voz de locutor que destoava da que estavam habituados.


— Ora, começou a partida e acho que todos estamos surpresos com a equipe que Potter reuniu este ano. Muitos acharam que, pelo desempenho desigual do goleiro Rony Weasley no ano passado, ele não retornaria à equipe, mas é claro que uma forte amizade pessoal com o capitão ajuda...


Essas palavras foram recebidas com vaias e aplausos do lado do estádio ocupado pela Sonserina. Harry se esticou na vassoura para ver o pódio de transmissão. Um rapaz alto, magricela e louro, de nariz arrebitado, estava em pé ali, falando para o megafone mágico que no passado fora de Lino Jordan; Harry reconheceu Zacarias Smith, um jogador da Lufa-Lufa por quem sentia grande antipatia e que era um dos integrantes da AD; talvez o menos querido deles.


— Ah, e aí vem a Sonserina em sua primeira tentativa de marcar um gol, é Urquhart que mergulha em direção ao campo e...


O estômago de Harry embrulhou.


— ... Weasley defende bem, todo o mundo tem o seu dia de sorte, suponho...


— Isso mesmo, Smith, hoje é o dia dele — resmungou Harry com um sorriso, mergulhando entre os artilheiros com os olhos atentos à procura de um sinal do ilusório pomo.


Decorrida meia hora de jogo, a Grifinória estava ganhando por sessenta pontos a zero, Rony tendo feito defesas verdadeiramente espetaculares, algumas com as pontas das luvas, e Gina tendo marcado quatro dos seis gols da equipe. Isto realmente fez Zacarias parar de perguntar em voz alta se os dois Weasley estavam ali porque Harry gostava deles, e passar a implicar com Peakes e Coote.


— É óbvio que Coote não tem realmente o físico de um batedor —comentou Zacarias com arrogância —, em geral eles têm mais força muscular...


— Manda um balaço nele! — gritou Harry quando Coote passou disparado, mas o garoto, dando um largo sorriso, preferiu mirar o balaço seguinte em Harper, que ia cruzando com o capitão. Harry ficou satisfeito ao ouvir o baque surdo indicando que o balaço atingira o alvo.


Parecia que a Grifinória não podia errar. Repetidamente a equipe goleava, e repetidamente, no extremo oposto do campo, Rony defendia com visível facilidade. Estava até sorrindo agora, e quando a multidão saudou uma defesa particularmente boa com um coro crescente daquele velho refrão Weasley é o nosso Rei, ele fingiu regê-los do alto.


— Ele está se achando muito especial hoje, não é? — disse uma voz debochada a Harry, que quase foi derrubado da vassoura quando Harper se chocou violenta e intencionalmente com ele. — O seu amigo traidor do sangue...


Madame Hooch estava de costas, e, embora a torcida da Grifinória nas arquibancadas gritasse enraivecida, quando ela finalmente se virou, Harper já tinha se afastado velozmente. Com o ombro doendo, Harry saiu no encalço dele, decidido a revidar...


— E acho que Harper da Sonserina avistou o pomo! — anunciou Zacarias Smith pelo megafone. — Sim, senhores, ele decididamente viu alguma coisa que Potter não viu!


Smith era realmente um idiota, pensou Harry, será que não tinha reparado que os dois tinham colidido? Mas, no momento seguinte, sentiu seu estômago desabar das nuvens — Smith estava certo e ele errado; Harper não disparara para o alto à toa; vira o que Harry não vira: o pomo estava voando em alta velocidade acima deles, brilhando intensamente contra o claro céu azul.


Harry acelerou; o vento assobiava em seus ouvidos abafando o som do comentário de Smith e o da multidão, mas Harper continuava à frente, e a Grifinória tinha apenas cem pontos de vantagem; se Harper chegasse ao pomo primeiro, Grifinória perderia... e agora Harper estava bem perto, com a mão estendida...


— Oi, Harper! — berrou Harry desesperado. — Quanto Malfoy lhe pagou para jogar no lugar dele?


Não sabia o que o fizera dizer isso, mas Harper deu uma parada; se atrapalhou com o pomo, deixou-o escorregar entre os dedos e, na velocidade em que estava, ultrapassou-o: Harry abriu o braço em direção à bolinha esvoaçante e agarrou-a.


— PEGUEI! — berrou Harry. Fazendo a volta, mergulhou em direção ao solo, erguendo o pomo no alto. Quando a multidão percebeu o que acontecera, subiu um grito das arquibancadas que quase abafou o som do apito sinalizando o fim da partida. — Gina, aonde você está indo? — perguntou Harry ainda berrando, que se viu preso, ainda no ar, por um abraço coletivo dos jogadores da equipe, mas Gina passou veloz por eles, indo colidir, com um baita estrondo, contra o pódio do locutor.


Entre gritos e risos da multidão, a equipe da Grifinória aterrissou ao lado dos destroços de madeira sob os quais Zacarias se mexia debilmente; Harry ouviu Gina dizer descaradamente à furiosa professora McGonagall:


— Me esqueci de frear, professora, desculpe.


Rindo, Harry se desvencilhou da equipe e abraçou Gina, assim que a soltou, avistou o amigo, e deu tapinhas nas costas de um Rony aos gritos; esquecendo as desavenças, a equipe da Grifinória deixou o campo de braços dados, dando socos no ar e acenando para a torcida. A atmosfera no vestiário era de intensa alegria.


— Comemoração na sala comunal, o Simas falou! — berrou Dino exuberante. — Vamos, Gina, Demelza!


Rony e Harry foram os últimos no vestiário. Quando estavam prestes a sair, Rony parou na porta, a alegria parecia ter diminuído e ele estava inquieto, como se quisesse dizer algo, mas não sabia por onde começar. Antes que ele pudesse se decidir sobre o que falar, Hermione entrou.


Rony a encarou seriamente e se aprumou dentro do casaco com as cores do time. – Nem vem, Hermione! Você não pode, mesmo, vir aqui e achar que a gente vai entregar o jogo por causa de uma poçãozinha! Além disso, você lembra-se do que o Slughorn falou: é proibida em competições esportivas! Iriamos ser expulsos, e o pior, a Grifinória perderia!


A morena o encarou surpresa, voltando seu olhar do ruivo para Harry. O moreno parecia achar graça na atitude do amigo. O comportamento dos dois não agradou o ruivo, nem um pouco.


– O quê? Porque vocês estão se encarando assim? – questionou intrigado com a troca de olhar entre os morenos. Harry deu de ombros para Hermione, como se eles tivessem tido uma longa conversa. – Harry...


– O que você acha que aconteceu? – perguntou o moreno, cortando o amigo. Ele tinha a cabeça jogada de lado e o encarava atentamente. Rony franziu o cenho sem entender nada.


– Como assim “aconteceu”? Você trapaceou bonito e colocou Felix Felicis na minha bebida hoje cedo! – comentou achando que o amigo tinha levado um balaço na cabeça sem que ninguém tivesse visto. Mas isso não explicava a atitude calma de Hermione, que apenas observava tudo tranquilamente; e essa versão não combinava com a atitude politicamente correta da garota.


Harry sorriu gentilmente para o amigo. Tirou a mão do bolso, com um frasquinho lacrado com cera, o mesmo que ganhara de Slughorn na primeira aula de Poções daquele ano. Rony arregalou os olhos, pregando-os ao frasquinho na mão do moreno.


– Eu não pus nada no seu suco, Rony. A Felix está intacta, não tenho planos para ela, mas certamente não usaria com quadribol, não sou tão louco assim. – ele repôs o frasquinho no bolso e balançou a cabeça – Só fiz um pequeno teatro com a Mione, você deveria ser mais confiante...


– Rony, você tem ideia de como tem se comportado nos últimos dias? Tem noção do quanto tem sido agressivo com todos e o pior, por nada? – pergunta calmamente, continuando antes que ele retrucasse – Você esteve esse tempo todo investindo sua energia de forma errada. Ao invés de ficar despejando-a em forma de raiva por aí, deveria tê-la investida aqui. – diz apontando para a cabeça dele – Veja bem, o que o Harry fez durante o tempo todo foi acreditar no seu potencial e te dar força! Ao invés de ver isso como um combustível, você preferiu encarar como um fardo, preferindo pensar nas suas atuações ruins, do que quando nos garantiu a Taça das Casas no ano passado. Olha só o que você fez hoje achando que estava sendo ajudado pela Felix! Até mesmo Zacarias não teve do que repreendê-lo, e você o conhece bem demais pra saber que ele sempre acha alguma coisa para criticar. É uma babaquice esperar ajuda externa, Rony. Você tem potencial, só não acredita em si mesmo... O primeiro passo para intimidar o adversário é ter confiança em si mesmo, você sabe disso, deixa todo mundo intimidado quando vai jogar xadrez com alguém, é só fazer o mesmo com o quadribol. Não, não só com o quadribol. Com as garotas, por exemplo, você acha que alguma garota vai sair com um cara que nem acredita no que está fazendo? Se for assim, pode esperar que alguma caia aos seus pés, porque vai cansar de esperar. Não adianta sair por aí cantando todas elas e esperando que elas venham correndo atrás, em vez de gastar energia assim, deveria escolher uma e ir firme. Ter confiança que consegue conquistar ela até que a tenha onde quiser. Ou você acha que o Harry fez o quê ano passado com a Cho? Acredita mesmo que se ele não tivesse arriscado ela iria atrás dele? – ela levantou uma sobrancelha aborrecida, os braços cruzados e o encarando fixamente, o pé batia num ritmo certo no piso – Por que em vez de ficar se lamuriando pelos cantos não abre os olhos e olha ao redor? Ou você não reparou que tem garotas interessadas por você? Desde que os treinos começaram Lilá vem lhe atirando indiretas até onde não deve, mas você reparou nisso? Aposto que não, achou que era mais uma coisa de amiguinha querendo ser legal. Você reparou que Luna sempre te ajuda e tenta te apoiar na medida do possível e que parece estar se interessando seriamente por você? Por Merlim, Rony, use os olhos e observe em volta! – terminou a morena, com o fôlego no fim e o olhar penetrante no garoto, que já ultrapassara todos os tons de vermelho possíveis.


Harry deixou a amiga recuperar o fôlego e decidiu que era hora de dar alguns conselhos. Mesmo que inexperientes. – A Mione está certa, Rony, como sempre. Acho que você deve deixar de lado o que as pessoas dizem, principalmente Gina. Mas numa coisa ela está certa, ninguém tem nada a ver com a vida dela, e o mesmo com a sua. Você faz o que quer; pra melhor ou pra pior. Se você escolher uma coisa e quebrar a cara, ótimo, aprenda onde errou e de cabeça erguida vai pra próxima. Mas com vontade, se não nem adianta tentar. Se não quer que a Gina ou qualquer outra pessoa volte a falar com você da mesma forma de novo, não dê motivos, mas esteja certo que é isso que quer. – terminou convicto do que dizia, as mãos ainda nos bolsos. Hermione parecia mais calma e Rony ainda estava ali, de queixo caído, a cara do mesmo tom dos cabelos, bestificado. 


O trio ficou em silêncio por um tempo, Rony abriu a boca para falar algo, quando uma batida na porta soou pelo ambiente silencioso. Harry riu um pouco, enquanto Hermione ia abrir a porta.


– Sabia que não ia demorar muito mais para vir alguém nos procurar... – e de fato era isso mesmo. Collin estava ali, parado em meio a brisa gelada, as maças do rosto coradas de excitação pela grande missão que recebera. Ainda estava empolgado com a vitória da Grifinória.


Assim que a porta foi aberta, entrou sem cerimônia, observando o local atentamente. – Vamos logo, todos estão esperando para a festa começar! – exclamou quase dando pulinhos, Hermione levantou uma sobrancelha incrédula pela festa ainda não ter iniciado. Collin não parecia notar que tinha interrompido uma conversa séria.


Sabendo que o momento de conversas sérias havia passado, Harry bateu palmas e mandou todos para fora, decidindo que já haviam terminado ali e que uma comemoração os esperava.


Assim que chegaram a Torre novos gritos e palmas saudaram sua chegada, e logo ele foi cercado por uma multidão que o cumprimentava. Na tentativa de se desvencilhar dos irmãos Creevey, que queriam uma análise da partida, lance a lance, e o numeroso grupo de garotas que o rodeava, pestanejando e rindo até dos seus comentários menos engraçados, transcorreu algum tempo antes que ele pudesse procurar Rony. Por fim, Harry se livrou de Romilda Vane, que insinuava abertamente que gostaria de ir com ele à festa de Natal de Slughorn. Quando ia se esquivando em direção à mesa de bebidas, deparou com Gina, com Amoldo, o Mini-Pufe encaixado no ombro, e Bichento, raiando esperançoso aos seus calcanhares.


— Procurando Rony? — perguntou ela, rindo bobamente. — Está ali adiante, o hipócrita nojento.


Harry olhou para o lado que ela apontava. Lá, à vista de toda a sala, estava Rony enroscado de tal forma em Lilá Brown que era difícil dizer que mãos eram de quem.


— Parece que está devorando a cara dela, não é? — disse Gina sem emoção. — Mas presumo que precise aprimorar a técnica. Boa partida, Harry.


Ela lhe deu uma palmadinha no braço; em seguida ela se afastou para se servir de mais cerveja amanteigada. Bichento saiu atrás, seus olhos amarelos fixos em Amoldo.


Harry deu as costas para Rony, que aparentemente não ia voltar à superfície tão cedo, bem em tempo de ver o buraco do retrato se fechando.


Desanimado, ele julgou ter visto uma juba de cabelos castanhos desaparecendo por ali. Correu, então, desviando-se mais uma vez de Romilda Vane, e empurrou o retrato da Mulher Gorda. O corredor parecia deserto.


— Hermione?


Harry a encontrou na primeira sala de aula destrancada que experimentou abrir. Estava sentada em cima da escrivaninha do professor, sozinha. Ao ouvir o barulho da porta, ela ergueu a cabeça rápida, se empertigando toda. Relaxou ao ver que era apenas Harry.


– Você está bem? – pergunta achando estranha a reação dela. A garota balançou fracamente a cabeça.


– Ficarei bem assim que me disser que McLaggen não viu que a gente veio para cá...


O moreno parou de chofre, franzindo o cenho. – Porque ele em específico? – seu cenho franzido se acentuou – Ele não está te importunando, está? – inquire, procurando lembrar do garoto que encontrara no vagão do Clube do Slugue no Expresso; procurando por algum sinal que perdera.


– Nem tanto, posso lidar com isso. – ela deu uma pequena risada, virando-se para ele, que ainda a encarava. – Então, agora que o Rony tem uma namorada, você bem que podia ir às reuniões do Clube. Não é chato, sério! – comentou antes que ele pudesse ter chance de se opor a ideia.


Antes que pudesse responder, Rony entrou na sala, rindo e puxando Lilá pela mão.


— Ah — exclamou ele, parando imediatamente ao ver Harry e Hermione.


— Opa! — disse Lilá, recuando com um acesso de risinhos, mas ainda sem soltar a mãos do ruivo.


Um breve silêncio tomou conta do lugar, parecia que nenhum dos quatro sabia o que dizer. Lilá deu mais uma risadinha ao notar o quão próximo os morenos estavam, então se agarrou ainda mais ao braço de Rony e comentou, com uma pontada de malícia:


– Acho que a sala já está ocupada, Won-Won...


Rony, que tinha um riso preso aos lábios inchados, perdeu-o na mesma hora, estreitando os olhos e prestando atenção ao jeito que os dois estavam. Hermione deu um leve pulo de susto com a insinuação da loira. Harry apenas a encarou com descrença.


– E desde quando, Lilá, este é um local para se ficar aos amassos por aí? – exige a morena, o tom seco e o olhar estreito. Estava totalmente em sua forma monitora. E a loira percebeu tarde que Hermione não se esquecia das suas responsabilidades.


– Qual é Mione, se quiser punir alguém, porque não começa por vocês mesmos? – questionou Rony, com um sorrisinho vencedor nos lábios, Lilá riu da esperteza do namorado. – Afinal, chegaram aqui antes da gente!


Hermione saiu lentamente do acento, os olhos pregados no ruivo, que parecia notar que algo saíra errado.


– O quê, exatamente você está insinuando, Ronald? – seu tom de voz era baixo e sua expressão séria. Lilá deu um passo para trás, ficando semiescondida pelo corpo do namorado. Harry, por precaução, tirou as mãos dos bolsos. A amiga ainda estava com raiva pela forma tapada que Rony podia agir vez ou outra, e sua irritação com ele pelo mais recente fiasco, ainda não estava toda dissipada.


– Ué, você querendo nos dar uma detenção por algo que nem aconteceu, enquanto está aí com o Harry? – insinua sonsamente o ruivo, olhando de forma despreocupada para a morena, fora a confirmação que Lilá esperava ouvir. Riu enquanto arquivava a notícia para mais tarde.


– E agora eu fico me agarrando pelas salas vazias? – a morena ia se adiantando, mas Harry a segurou pelo braço, fazendo-a parar.


– Vamos, Mione, deixe os dois. Vamos voltar para o salão. Antes que mais alguém apareça por aqui... – Harry a puxou gentilmente em direção à porta da sala – Na próxima vez que encontrar Rony numa sala de aula você dá uma detenção a ele, hoje dê uma folga, vai...


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N/A: E aí, gostaram da nova versão do capítulo? Achei muito mais fiel aos personagens do que a versão da JK! Méritos da nova colaboradora: Punkeeslaw Potter!


Resposta aos comentários no próximo cap, dessa vez, garanto!

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Comentários: 9

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Enviado por Jonathan em 22/09/2011

muito bom, voce esta de parabens.

esperando atualização

Nota: 5

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Enviado por Tito Shacklebolt Finnigan em 13/09/2011

Eu tava pensando aqui se eu deveria cobrando capítulos, afinal eu sei da situação do seu pulso Nay e sei que você ta aguardando a menina Punk dar as caras... mas como eu sou cara de pau, eu resolvi vir e implorar pra vc atualizar o quanto anteeeeeeees!! =) Não ta vendo a ansiedade de todos pra saber o que vai rolar?? Eu ia até falar coisas a mais aqui... mas eu vou segurar minha língua!! =) cara... como isso é difícil! =) bjuuuuuuu

Nota: 5

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Enviado por Jéssica J em 07/09/2011

muuuito bom esse capitulo! tanto a briga com Gina, quanto a falsa poção mostram o quanto Rony é influenciável e impressionável. Mas, preciso saber... ele não pareceu com ciúme de Harry e Hermione, o que achei estranho! O que será que vai rolar agora, depois de Lilá? Huumm... mal posso esperar! Outra coisa, gosto muito da Gina dessa fic, pois sempre soubemos que Gina tinha SIM personalidade, que, infelizmente, nunca foi mostrada nos livros de Jk.

Nota: 5

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Enviado por Tito Shacklebolt Finnigan em 05/09/2011

Punkeeslaw Potter!! =) que capítulo extraordinário! Rola demais de encaminhar esse capítulo pra JK... acho que você escreveu de um jeito perfeito pra quem é H²! É muito bom ler fics que o autor te prende na leitura e vc fez isso muito bem! A conversa da Hermione com o Harry... putz!!! LoL gostei demais!!! =) precisamos de mais att!! bjuuuu

Nota: 5

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Enviado por Shadow Guy em 04/09/2011

"Me dê um minuto!" , eu vejo o Harry mesmo assim , ele precisa de tempo para respirar, são demasiadas coisas nos ombros dele . Adorei , continuem o bom trabalho :D

Nota: 5

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Enviado por Roberts em 04/09/2011

Nuss, ficou muito boa a versão do cap.


Nunca gostei daquele ataque de ciúmes q a Mione deu com o Rony, essa nunca foi uma atitude dela. Mas bem que ela podia ter soltado os passarinhos em cima da Lilá, pq ela é muito chata. kkkkkk


Bem q a Mione e o Harry podiam ir juntos na festa de natal (já que ela deve estar querendo se livrar do McLagen).
E tb ficou muito legal a Mione ter ajudado o Harry a fingir q tinha colocado a poção no suco do Rony.


Esperando anciosamente do próximo cap.

Nota: 5

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Enviado por Jair Jr em 03/09/2011

PERFEITOOO AMEI DEMAIS....PARABENSS....SHOWWW....SHOWWW KKKKKKK

cara realmente muito bom, não ver Hermione com ciumes do Rony foi um sonho, me deliciei li mais de uma vez e isso é fato hehehe

 

então amei isso que estão fazendo! se precisarem de um novo colaborador podem me convidar que aceitarei demais hehehe

até o proximo

Nota: 5

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Enviado por Angeline G. McFellou em 01/09/2011

srrsrsrsrsrrs Cara ficou muito perfeito.

E dessa vez niguém ficou ferrado com ninguém, Mione não soutou uma revoada de passarinhos no Rony, e o Harry esteve tão fofinho, no capítulo todo *.*

rsrss Amei o capítulo, curiosa pela continuação, att assim que der, por favor.

Beijos...

Nota: 5

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Enviado por rosana franco em 01/09/2011

A conversa do Harry e da Hermione foi fantastica,mesmo tendo problemas o Harry conseguiu mostrar muito bem para ela oq se passava com o Rony.Agora ele e a Gina não tem jeito mesmo falam sem pensar.

Nota: 5

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