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8. Destino


Fic: Perdendo o controle - SM & RW - EU VOOLTEEI CAPÍTULO 9 NO AR


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 8 - Destino


 


Os primeiros raios de sol entravam pela janela do quarto, brincando através da cortina, enquanto eu brigava com a vontade de continuar dormindo e abria os olhos vagarosamente. Estiquei-me preguiçosamente na cama de casal vazia e finalmente me sentei, observando o local. Eu definitivamente não conhecia aquele quarto, mas tinha a incrível sensação de estar em casa. Olhei ao redor com um pouco mais de atenção e, ao me deparar com um porta-retratos no criado mudo exibindo a foto de uma garotinha ruiva - que devia ter pouco mais de quatro anos - acenando sorridente para mim, desejei profundamente que aquela fosse minha casa.


 


Levantei-me, intrigado demais para continuar curtindo preguiça, e fui em busca de alguém que pudesse me dizer onde estava. Havia roupas femininas espalhadas pelo chão e um único pé de sapato de salto alto vermelho, mas esse detalhe ainda não me dizia nada além de que passara a noite com uma mulher. Procurei algo que pudesse vestir e encontrei uma calça listrada de pijama ao pé da cama, que serviu perfeitamente, e rezando para que não fosse de outra pessoa – uma marido ciumento, talvez -, resolvi sair em busca da dona do sapato vermelho.


 


Assim que abri a porta, um aroma deliciosamente inconfundível de tortinhas de abóbora recém-saídas do forno invadiu minhas narinas fazendo meu estômago roncar vergonhosamente. E mais uma vez aquela sensação de estar em casa tomou conta de mim. Caminhei cuidadosamente por um corredor amplo que acabava em um lance de escadas. Desci sem hesitar e quase levei um tombo ao pular o cercadinho que impedia a passagem no último degrau.


 


Decidi seguir o cheiro das tortinhas, que era ainda mais deliciosamente forte ali embaixo, e ao me aproximar do cômodo que devia ser a cozinha, ouvi duas vozes femininas conversando animadamente, uma delas era muito infantil. Havia uma criança na casa, o que explicava perfeitamente a foto no criado-mudo e o cercadinho na escada. Segui as vozes e parei à porta da cozinha.


 


Havia uma mulher de costas, os cabelos inconfundivelmente ruivos presos em coque embolado no topo da cabeça, tirando as cheirosas tortinhas do forno. Apesar de não estar certo sobre sua identidade, meu coração disparou alucinadamente frente a possibilidade de ser Rose. Mas não tive lá muito tempo para identificar a ruiva pois algo se agarrou em minhas pernas, desequilibrando-me levemente. Olhei assustado para baixo e meu coração parou. A garotinha ruiva da foto sorria para mim, abraçando minhas pernas, e senti que poderia morrer por aquela miniatura descabelada de olhos castanhos como os meus.


 


- Bom dia, papai! - ela cantarolou com sua vozinha fina, tentando escalar minha perna, toda serelepe.


 


Papai? Ela 'tá falando comigo?,pensei, sem conseguir esboçar qualquer reação, o desespero começando a se manifestar dentro de mim. Então, como se uma criança me chamando de pai não fosse suficiente, a mulher ruiva finalmente voltou-se para minha direção, confirmando as suspeitas sobre sua identidade. Era Rose. E parecia imensamente feliz em me ver.


 


- Bom dia, amor! - ela exclamou, com um daqueles sorrisos de tirar o fôlego de qualquer mortal. - Fizemos tortinhas de abóbora para o café...Que cara é essa, Scorp? Parece até que viu o Pirraça! - é, um pequeno segredo meu: até o terceiro ano em Hogwarts, não havia nada que me apavorasse mais que encontrar o poltergeist vagando pela escola. Ele infernizava a vida de todo mundo, mas tinha um carinho todo especial por mim e meu sobrenome.


 


Devido à comparação inteligente que a ruiva fizera, eu até podia imaginar meu semblante assustado naquele momento, mas a julgar pelo modo como Rose me olhava, devia estar um tanto pior. Sentia-me sufocado, como se acabasse de ser atingido por um balaço na boca do estômago. O pouco de chão que havia sob meus pés começara a se desfazer e tinha quase certeza que desmaiaria em poucos segundos.


 


- Mamãe, acho que ele ainda 'tá dormindo! - a menininha falou de repente, soltando-se de minhas pernas e correndo ao encontro de Rose, sussurrando para ela: - Ele é um sona...somã...solâmbudo, é...solâmbudo igual o tio Hugo!


 


Rose riu, divertida, e pegou a garotinha no colo, colocando-a sentada em uma cadeira ao redor da mesa redonda cheia de comida.


 


- Seu tio Hugo é sonâmbulo, amor. - ela corrigiu a menina, afagando carinhosamente seus cabelos fartos. Rose despejou um líquido amarelado em um copo com alças que pareciam duas asas e entregou maternalmente à ruivinha. - Fique aqui e tome seu suco. Vou acordar o papai.


 


Assim, ela caminhou em minha direção e segurou meu rosto entre suas mãos, delicadamente. De repente, todo o medo que sentia alguns segundos antes desapareceu completamente. Eu olhei dentro daquelas duas esferas azuis que eram seus olhos e entendi tudo: aquele era meu lar, aquela menina era minha filha e aquela mulher era o amor da minha vida; eu estava casado, tinha uma família e era feliz! Como que saindo do transe, abracei Rose com toda força e desejei ficar assim para sempre.


 


- Ah, finalmente você acordou! - ela brincou, correspondendo o abraço carinhosamente e, afastando-se um pouco, beijou-me os lábios docemente.


 


- Finalmente! - eu disse, contendo um sorriso abobado que insistia em querer se formar em meus lábios.


 


Rose segurou minha mão e me guiou até a mesa, de onde a garotinha observava tudo, bebendo seu suco no copo com asas. Ao ver que me sentava de frente para ela, a pequena ruiva voltou-se para a mãe e, ainda sussurrando, perguntou:


 


- Ele ainda está solam..como é mesmo o nome? - ela perguntou, fazendo uma careta de dúvida adorável.


 


- Sonâmbulo, querida. - Rose respondeu, paciente.


 


- Isso! Será que eu posso dar um beijinho de nele? - naquele instante, meu coração se derreteu como um sorvete no sol. Ela era tão linda e meiga que eu queria abraçá-la o mais rápido possível.


 


- Eu acho que você pode dar muitos beijinhos nele! - Rose respondeu, lançando-me um olhar afetuoso e divertido.


 


Ao receber o consentimento da mãe, a criança desceu com alguma dificuldade da cadeira alta demais para um serzinho minúsculo de seus quatro anos e correu em minha direção, pulando no meu colo. Ela jogou os bracinhos ao redor do meu pescoço e encheu minha face de beijos. Eu não tive outra reação senão abraçá-la e sorrir involuntariamente com aquele ataque de doçura. Embora estivesse assustado, muito assustado, sentia-me completo. Era ainda mais difícil querer me separar daquela miniatura de gente do que de Rose.


 


- Ok, vocês dois, estou começando a ficar enciumada, então podem parar com isso! - a ruiva ralhou conosco em tom de brincadeira, sentando-se na cadeira ao meu lado.


 


Eu e minha recém-descoberta filha nos encaramos e ela, muito sapeca, colocando as mãos ao redor do meu ouvido, sussurrou:


 


- Ela está merecendo um ataque de cócegas, não está?


 


Sem conseguir resistir ao encantamento que estava sentindo por ela, concordei com um aceno de cabeça e quase matamos Rose de cócegas. Quando nos cansamos de dar risadas e de parecer uma família de comercial trouxa de margarina, deixei que a pequena ruiva descabelada tomasse seu café da manhã em meu colo e conversei sobre coisas do dia a dia com a mulher ao meu lado, imaginando se ela fazia ideia de como estava me sentindo especial por ter tudo aquilo, por ter uma família.


 


Foi aí, depois de constatar que não poderia ser mais feliz, que as coisas ficaram estranhas. Ou muito mais estranhas.


 


De repente, Axl Broomwood, meu melhor amigo, materializou-se no meio da minha cozinha e não parecia nada contente. Ele me encarava com o olhar assassino, os olhos esbugalhados de cólera, o peito arfando de fúria, e apontava a varinha ameaçadoramente para meu rosto.


 


- Scorpius, seu traidor! - ele esbravejava, aproximando-se de modo quase psicótico de mim – Eu confiei em você minha vida inteira! Éramos amigos, porra!


 


- Axl, do que você está falando? - eu perguntei, confuso, entregando a menina para Rose segurar – Vamos conversar civilizadamente, abaixa essa varinha!


 


- Do que eu estou falando? VOCÊ COMEU MINHA IRMÃ, SEU MERDA! - ah, isso!, pensei, lembrando-me da noite passada com Ive.


 


- Você o quê? - Rose indagou, ofendida, quase magoada. Não havia mais criança alguma em seu colo e eu fiquei me perguntando onde ela estaria.


 


- Espera, eu posso explicar! - disse, tentando inutilmente me defender, olhando para todos os lados à procura da garotinha que não estava mais lá.


 


Mas o dois não queriam explicações, eles queriam gritar comigo até ficarem exaustos e depois arrancar todos os órgãos de dentro de mim com as próprias mãos. E quanto mais eles se aproximavam, ameaçando me matar e mandar o corpo para meus pais, mais eu procurava pela ruivinha, temendo que ela ouvisse todas aquelas barbaridades que estavam dizendo a meu respeito.


 


- Scorp! - a voz de Ive me chamou ao longe, mas ela não estava na cozinha conosco. - Scorp!


 


Então senti meu corpo ser sacudido abruptamente, enquanto Axl desaparecia, seguido por Rose, e a cozinha ia se desfazendo em cinzas ao meu redor, até sobrar apenas a voz distante e aflita de Ive chamando por mim.


 


Scoooorp!”


 


Scorpius, acorda!”


 


Abri os olhos e lá estava Ive ao meu lado, balançando meu corpo freneticamente. Eu suava frio e ofegava. Apalpei o tecido macio e constatei que estava na cama da morena, onde de fato deveria ter acordado, já que foi onde passei a noite. Foi só um sonho, pensei. Não sabia ao certo como me sentir, se aliviado ou desapontado por nada daquilo existir. Apesar de muito surreal, a ideia de ter um lar com Rose e aquela adorável criança era quase cativante.


 


- 'Tá tudo bem, Scorp? - Ive perguntou, despertando-me completamente dos devaneios anteriores.


 


Respirei fundo, deixando o ar espalhar-se por meus pulmões, e sentando-me na apertada cama de solteiro da morena, respondi:


 


- Seu...seu irmão estava prestes a me matar. - falei, omitindo todo o resto constrangedor com o qual estava adorando sonhar.


 


Ive encarou-me, esboçando um sorriso compreensivo, e disse:


 


- Isso explica sua inquietação. Fiquei preocupada que você estivesse convulsionando ou tendo um ataque do coração, sei lá.


 


- Não, era só meu melhor amigo destruindo meu casamento. - disse vagamente e Ive lançou-me um olhar curioso e inquisidor em seguida. - Nem adianta me olhar assim, não vou falar sobre isso.


 


- Casamento? Ok, você está pior do que imaginei! - ela disse, rindo maliciosa, e então sua expressão tornou-se um pouco mais séria e obstinada. - Sabe, estou surpresa que ainda esteja aqui. Tinha quase certeza que quando eu acordasse você já estaria bem longe dessa cama, muito provavelmente arrependido por ter sido tão orgulhoso e impulsivo. Achei que quando acordasse ao lado de uma mulher que não ama de verdade, colocaria um pouco de juízo nessa cabeça oca e correria para a ruiva.


 


- Eu tenho juízo de sobra, por isso não corri para a ruiva. - respondi, mal humorado. - Ao contrário do resto do mundo, eu não tenho esse instinto autodestrutivo. Convenhamos, Ive, correr atrás de Rose seria muita falta de amor próprio. Especialmente depois de ouvi-la dizer que não me quer por perto.


 


- Ela disse isso? - Ive perguntou, os olhos arregalados de espanto.


 


- Não exatamente, mas disse que precisava de um tempo, o que, na minha língua, significa o mesmo. - respondi, dando de ombros, começando a me irritar com o rumo da conversa, que despertava desagradáveis lembranças da noite anterior.


 


- Mas na nossa língua, a das mulheres, não. - a morena disse, arrogante. - Já parou para pensar que ela talvez esteja tentando não se machucar e esse foi o modo que ela encontrou para se proteger?


 


- Não, Rose não é assim. Ela é intensa, e quando gosta de alguém, se entrega de verdade. Por isso mesmo já se machucou mais vezes que nós dois juntos, Ive. Ela não teme o amor como eu. Se Rose não me quer por perto, ela simplesmente não quer, não existe absolutamente nada por trás disso, não existe uma explicação psicológica nas entrelinhas. É o óbvio e pronto.


 


- Se você quer pensar assim, tudo bem. - Ive disse, empertigando-se. - Só espero que deixe de ser tão cabeça dura logo e vá atrás dela antes que algum outro idiota o faça.


 


Será que Ive não entendia? Eu não lutaria por Rose, porque, para começo de conversa, eu nem ao menos queria estar apaixonado por ela. E depois, aquela batalha estava perdida desde o início. Não era para ninguém se envolver demais, não era para sentirmos nada um pelo outro. Era para ser só sexo por sexo. Não para eu sonhar com crianças ruivas e tortinhas de abóbora pela manhã...


 


- Ah, por Merlin, desculpe por me intrometer assim, Scorp. - a morena disse, despertando-me novamente de meus pensamentos, afagando minha mão fraternalmente. - Prometo não me manifestar sobre o assunto outra vez. Só quero que seja feliz; você sabe, não sabe?


 


- Sei disso. - respondi, passando a mão pelos cabelos compridos da garota, colocando uma mecha desobediente atrás da orelha. - Olha, eu sei que confessei estar apaixonado ontem e sei que você, assim como a maioria das pessoas, acha que isso é algo grande, mas eu não. Eu não quero que isso mude minha vida, não quero que isso mude quem eu sou. E não vou agir diferente só porque comecei a sentir algo, que nem sei se é verdadeiro, por uma mulher.


 


- Você já está agindo diferente, Scorp. - ela disse, sabiamente – Ou acha que teríamos transado ontem se você não estivesse tão desesperado para se livrar do que sente pela ruiva? Ou pior, você acha que teria passado a noite aqui se não fosse pelo mesmo motivo?


 


Por Merlin, ela estava certa. Se eu não estivesse tão completamente obstinado a tirar Rose da minha cabeça, jamais teria batido à porta dos Broomwood – que por sorte estavam viajando – procurando por consolo na cama de Ive. Engoli uma dose gigantesca de arrependimento ao pensar naquilo. Se eu queria tanto esquecer a Weasley, precisava, em primeiro lugar, parar de agir como se ela fosse um grande problema que eu não pudesse resolver sozinho. Quero dizer, era bobagem achar que poderia me curar e usar a irmã do meu melhor amigo pra isso.


 


- Agora sim estou arrependido por procurar você, Ive. - falei, tentando conter o embaraço.


 


- Oh, não, não fique! Não estou reclamando, afinal de contas, você me devia essa desde o casamento de Axl. Estou apenas constatando um fato. - ela tranquilizou-me, descontraída. - Na verdade, eu é que devia me arrepender, e pedir desculpas, por ter me aproveitado de seu momento de fraqueza para satisfazer uma fantasia sexual antiga e egoísta.


 


Eu ri de Ive. Se contasse, ninguém acreditaria. Uma mulher incrivelmente sexy, seminua, sentada ao meu lado numa cama estreita de casal desculpava-se por ter se aproveitado de mim, um cara com fama de cafajeste. Minha vida andava mesmo uma loucura.


 


- Está perdoada, srta. Broomwood. - brinquei, puxando minha amiga para um abraço.


 


- Então, acho que nossa história termina aqui. De acordo? - ela perguntou ao nos separamos, estendendo a mão para que eu apertasse.


 


Eu assenti com a cabeça e apertei a mão da morena, lembrando-me de pedir segredo sobre nossa noite.


 


- E o seu irmão não pode saber. Ninguém pode. De acordo? - disse com seriedade.


 


- Ninguém vai saber. Palavra de Sonserina.- Ive ergueu a mão direita na altura dos olhos, em juramento, e, muito devassa, disse: - Agora tire esse traseiro lindo daqui antes que eu mude de ideia ou meus pais cheguem.


 


Muito obediente, e lembrando-me de repente que tinha um emprego para o qual precisava ir, levantei-me e vesti minhas roupas numa velocidade quase absurda. Despedi-me de Ive, abraçando-a fraternalmente, e aparatei no jardim antes que qualquer um dos Broomwood chegasse de viagem.


 


Assumi meu posto no St. Mungus alguns minutos depois, de modo que não tive lá muito tempo para pensar na minha vida e em tudo o que acontecera naquele final de semana. E no dia seguinte, também não tive tempo para pensar em nada. Nem três dias depois. Nem na semana seguinte. A verdade é que o tempo era apenas a desculpa perfeita para não pensar em nada que me perturbava. Eu não tinha era paciência e coragem para pensar no que fazer a seguir. Passei quase duas semanas dormindo no hospital só para não ter que voltar para casa, porque corria o risco de encontrar minha vizinha do 13B.


 


Infelizmente, mais cedo ou mais tarde eu teria que encarar meu apartamento vazio. E quando o fiz, foi ainda mais doloroso do que imaginava. Eu tinha a sensação de que perdera tudo e não pertencia mais ao meu próprio lar. Uma onda depressiva se apoderou de mim e quando não estava no trabalho, passava o tempo livre jogando videogame e bebendo uísque de fogo como se fosse água. Havia deixado a barba crescer consideravelmente, ignorava as inúmeras tentativas de contato que meus pais faziam, não via mais Axl e raramente saia com alguma mulher. Quando percebi, um mês de quase completo isolamento social se passara.


 


Então, em uma noite solitária, como todas as outras desde Rose, alguém atreveu-se a incomodar meu merecido descanso. Uma, duas, três batidas violentamente insistentes à minha porta. Demorei alguns segundos decidindo se abriria ou não. Resolvi atender, mais por piedade da pobre alma persistente do que qualquer outra coisa. Vestindo a calça do pijama – sim, eu estava sem roupas em casa -, desajeitado, e segurando minha garrafa de uísque de fogo, destranquei a porta e me deparei com a última pessoa que imaginava ver ali. Rose estava parada à minha frente, a expressão entendiada na face, a varinha empunhada mantendo uma caixa flutuando ao lado de sua cabeça.


 


Ao me ver, a ruiva pareceu se assustar e até conferiu se aquele era de fato o número do meu apartamento. É, minha aparência não andava causando mesmo boa impressão.


 


- Por Merlin, Malfoy, há quanto tempo você não se olha no espelho? Está parecendo um mendigo. - ela criticou, sem nem ao menos dizer “oi”, adentrando minha casa sem cerimônia. Rose e sua caixinha flutuante pararam no meio da sala, observando atentamente o local com ar de desaprovação. Talvez minha casa estivesse mais bagunçada do que era capaz de admitir.


 


- O que você quer? - perguntei, com o humor irascível, fechando a porta atrás de nós. Meus batimentos cardíacos consideravelmente mais acelerados. Completamente atônito, tomei um longo gole direto da garrafa e enfrentei o olhar de desaprovação da ruiva, perguntando irônico: - Cansou de ficar sozinha?


 


Ela lançou um olhar arrogante em minha direção e fez a caixa levitar até mim, soltando no exato momento em que estendi as mãos para pegá-la. Mais um pouco e teria caído nos meus pés descalços, o que, com certeza, era sua intenção.


 


- O que é isso?


 


- Desaprendeu a ler do mesmo jeito que desaprendeu a fazer a barba? - ela perguntou, irônica.


 


Olhei com mais atenção desta vez e vi a caligrafia de Rose na tampa da caixa com a seguinte frase: Coisas do Malfoy.


 


- O que exatamente tem aqui? - perguntei, curioso e levemente amedrontado.


 


Rose revirou os olhos, impaciente.


 


- Encontrei essas suas coisas antigas na minha casa. Não preciso de nada disso por lá. - ela respondeu, sua voz estranhamente arrastada...como se ela estivesse bêbada.


 


- Você bebeu? - perguntei de repente, sem realmente me importar com o conteúdo da pequena caixa.


 


- Você também. - ela falou em resposta, acusadoramente, apontando para a garrafa em minhas mãos.


 


Eu tive que rir. Só mesmo estando bêbada para Rose me procurar em uma noite como aquela. Apesar de desapontado, uma parte muito imbecil de mim estava feliz com a presença da ruiva. Quando eu a vi caminhar até o sofá e se sentar, tirando os sapatos e cruzando as pernas sobre o estofado, meus batimentos cardíacos aceleraram, minha respiração tornou-se difícil de ser executada e minhas mãos começaram a suar desenfreadamente de modo que precisei ingerir um longo gole alcoólico para disfarçar as reações físicas que me corpo sofria.


 


- O que está fazendo? - perguntei, boquiaberto com a atitude da mulher.


 


Ela olhou para mim como se tivesse ouvido algo muito absurdo e respondeu, muito tranquila, como se fosse óbvio demais para ter que explicar:


 


- Estou relaxando. Por Merlin, você já foi mais esperto.


 


- Rose, não somos mais amigos, você não pode “relaxar” na minha casa. - ralhei com ela, irritado.


 


- É claro que ainda somos amigos, Scorp! Nós só não transamos mais, nem jogamos mais videogame, nem nos falamos mais...


 


- Você 'tá de sacanagem, né? - perguntei, indignado. Ela só podia estar brincando com a minha cara.


 


Rose me encarou, os olhos cheios de culpa, como se lesse meus pensamentos, e disse:


 


- Eu sei que não devia estar aqui...


 


- Não, não devia. - concordei, impedindo a ruiva de continuar seu raciocínio, tomando mais um gole de uísque. - Foi você mesma quem quis assim.


 


- Maaas...- ela disse, ignorando meu discurso ressentido, continuando a frase de onde tinha parado antes de ser interrompida por mim - por favor, não me peça para ir embora agora.


 


Rose me encarava com os olhos súplices e, pela primeira vez em muito tempo, eu vi a solidão novamente em sua face. Eu não tinha como negar um pedido daqueles porque também me sentia sozinho e, embora não quisesse admitir, estava morrendo de saudades daquela ruiva dos infernos. Caminhei vagarosamente e sentei-me ao seu lado. Sorrindo, ela roubou a garrafa de minhas mãos, tomou um longo gole e limpou a boca com a manga comprida da blusa que vestia. Rose agia como se jamais tivesse me mandando embora e eu estava muito pasmo para dizer qualquer coisa a ela.


 


- Está transando com alguém? - ela quebrou o silêncio de repente, perguntando como se fosse sobre o tempo ou o trânsito.


 


- Oi? - eu disse, surpreso demais para conseguir formular qualquer resposta àquela pergunta absurda.


 


- Você ouviu, tem transado com alguém? - ele repetiu, em um tom ainda mais despreocupado e trivial.


 


Encarei-a confuso, pegando a garrafa de volta e tomando um longo gole, para então responder:


 


- Não. - era apenas uma meia verdade, mas ela não precisava saber que de vez em quando tinha uma outra recaída com as enfermeiras atiradas do St. Mungus. - E você? - perguntei a ela, sem estar realmente interessado, já que a probabilidade de a resposta ser positiva era imensa e eu não estava lá preparado para isso, mas foi a única pergunta que me ocorreu para manter a conversa.


 


- Estou. Já dei para metade de Londres depois de você...- disse em um tom libertino, brindando-me com um riso sardônico.


 


Eu estava levando a garrafa à boca para me embebedar mais um pouco e não consegui completar o caminho. Abaixei a garrafa novamente e encarei a ruiva, boquiaberto com seu descaramento. Sem paciência, deitei a cabeça no encosto do sofá e fechei os olhos, contando até mil para não beijar aquela mulher e fazê-la parar de falar besteiras. Eu sabia que era só brincadeira, mas não tinha como controlar o monstro ciumento dentro de mim.


 


- Está com raiva? - ela perguntou, divertida.


 


- Estou. - grunhi, ainda sem vontade de olhar para ela.


 


- Ótimo. - Rose cantarolou, como se satisfeita por atingir seu objetivo na vida.


 


- Feliz?


 


- Muito. - ela respondeu, soltando uma daquelas gargalhadas bizarras.


 


Seu riso invadiu meus ouvidos e senti um solavanco doloroso no estômago. Eu queria continuar ouvindo aquilo todos os dias da minha vida, mas ela havia destruído todas as chances de isso acontecer.


 


- Por quê você me mandou embora daquele jeito, Rose? - perguntei de repente, surpreendendo até a mim mesmo. Não era para ter feito aquela pergunta, mas, aparentemente, o álcool já estava falando por mim.


 


Dessa vez foi a ruiva quem recostou a cabeça no sofá. Encarando o teto, ela respondeu, assumindo um tom menos irônico e divertido:


 


- Você sabe a resposta, Scorpius: não podíamos levar aquilo adiante.


 


- Por que não? Tudo estava certo, não estava? - perguntei, tentando enganar a mim mesmo. Eu devia ter parado de fazer perguntas, porque eu sabia a resposta de todas elas, mas simplesmente não conseguia.


 


- Tudo certo, Scorpius? Tudo certo para quem? Estávamos vivendo uma mentira. Mentimos pros nossos pais, mentimos pros nossos amigos, mentimos pra nós mesmos achando que aquilo teria um fim diferente, achando que a gente poderia controlar nossos sentimentos ou não sentimentos, sei lá...


 


- Você quer dizer que...que nós dois...que aquilo, que aquilo foi um erro? - perguntei, mais chateado que irritado. No fundo eu não queria que Rose me comparasse aos seus milhões de erros anteriores.


 


Ela então virou a cabeça para o lado, encarando-me docemente, e respondeu:


 


- O melhor erro da minha vida, mas um erro. - dizendo isso, a ruiva pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos.


 


Se aquilo era assim tão errado, por que diabos nossas mãos se encaixavam perfeitamente? E por que , então, parecia tão certo? Eu acariciei o rosto macio da ruiva com a ponta dos dedos da mão que ela não segurava e coloquei uma mecha de cabelos para trás de sua orelha. Rose fechou os olhos ao sentir meu toque. O homem apaixonado dentro de mim gritava para tomar aquela mulher em meus braços e não deixá-la escapar outra vez, mas eu precisava agir com a razão. Não era certo alimentar ainda mais sentimentos em nós. Não era saudável.


 


Antes que eu mudasse de ideia em relação a não me envolver novamente com a maldita Weasley, levantei-me, para manter uma distância segura entre nós, e lembrei-me da caixa que ela havia levado para mim. Peguei-a e decidi abrir sobre o balcão da cozinha. Rose só observava, calada. A caixa continha um bisbilhoscópio quebrado que havia emprestado a ela no colégio, meu de xadrez de bruxo edição de luxo, um baralho de Snap explosivo que nunca cheguei a abrir pois Rose, como monitora de Hogwarts, havia confiscado no quinto ano, um par de orelhas extensíveis – também confiscado por ela - e finalmente, jogada no fundo da caixa, uma foto de nós dois. Não pude evitar um sorriso ao ver aquela fotografia. Ela fora tirada por Lily Luna em uma festa regada a álcool e libertinagem, n'A Casa dos Gritos. Eu e Rose estávamos brigando, pra variar, e a menina Potter apareceu com a máquina na mão, registrando aquele momento para a posteridade. Aquele momento e nossas caras zangadas.


 


Peguei a foto e, balançando-a em minha mão, disse:


 


- Isso nunca foi meu.


 


- Agora é. - ela respondeu com simplicidade.


 


- Tem um motivo em especial? - quis saber, curioso.


 


- É pra você não se esquecer mais de mim. - ela disse, a voz ligeiramente melancólica – E para não se esquecer de como não damos certo juntos.


 


Desagradável. Ela podia ter parado de falar na primeira frase e tudo ficaria lindo, mas ele preferiu estragar o momento antes de mim. Percebendo meu desapontamento, a ruiva levantou-se e foi em minha direção. Parou ao meu lado, com uma expressão estranha e perguntou:


 


- Scorp, você se importa se eu passar a noite aqui?


 


- Sim, me importo. - é claro que me importava, já estava complicado me livrar do que sentia com ela longe de mim, imagina passando a noite ali. Não mesmo, Rose não podia ficar.


 


- Esperava que fosse dizer isso. - a ruiva aproximou-se excessivamente de mim, podia sentir seu hálito quente e levemente alcoólico, roubando a garrafa de uísque ao meu lado. Após ingerir um longo gole, sussurrou em meu ouvido: - Estou indo para o quarto, já que não me quer dormindo aqui na sala. Sei que não vai se importar se eu passar a noite .


 


Assim, sem reação alguma, vi Rose se distanciar em direção ao meu quarto. Eu não consegui dizer a ela para ir embora da minha casa, porque, por mais que insistisse no contrário, no fundo, eu não a queria longe. Era doloroso admitir a verdade. Havia um turbilhão de sentimentos brigando entre si dentro de mim naquele momento. De um lado, eu queria tocar o foda-se e dizer a ela que estava perdidamente apaixonado, como nunca estive antes – nem por Lindy, a insensível – , por outro lado, eu queria apenas não sentir mais nada, nunca mais.


 


Não sei ao certo por quanto tempo fiquei ali, bebendo meu uísque de fogo, solitário, encarando os dois adolescentes emburrados na fotografia que ganhara, com Rose trancafiada no meu quarto fazendo Merlin sabe lá o quê. Tudo o que me lembro do resto daquela noite foi de ver a ruiva caminhando em minha direção, vestindo uma camisa minha, sedutoramente. Ela pegou minha mão, entrelaçou nossos dedos e me levou para o quarto.


 


Eu a encarava, completamente maravilhado e terrivelmente perturbado. Meu corpo gritava por aquela mulher, mas algo – que ouso chamar de coração - gritava ainda mais alto dentro de mim. Eu queria tocá-la, mas muito além do seu corpo, queria tocar cada pequena parte de sua alma. Sem saber de meus conflitos internos, Rose me abraçou e sussurrou em meus ouvidos, eriçando deliciosamente os pelos em minha nuca:


 


- Dorme comigo?


 


Há um mês, eu teria respondido aquela pergunta com um beijo voraz e o “dormir” teria um significado completamente diferente para nós dois, mas eu sabia muito bem qual era meu limite. E sabia também que, uma vez ultrapassado esse limite, não teria como parar. Em resposta ao pedido de Rose, depositei um beijo carinhoso em sua testa e afaguei seus cabelos macios. Ela sorriu e, ainda de mãos dadas, deitamos juntos em minha cama. Assim, um de frente para o outro, os pés dela enroscados nos meus, meu coração batendo acelerado como se tivesse acabado de receber o melhor presente de natal da minha vida, adormecemos sem dizer uma única palavra.


 


Quando acordei, na manhã seguinte, no entanto, estava completamente sozinho. Minha única companhia era a garrafa de uísque de fogo vazia jogada sobre o travesseiro em que Rose devia estar recostada. Meio zonzo, procurei por toda a casa, mas ela não estava lá; não havia nem sinal dela, aliás. Sem pensar duas vezes, atravessei o corredor e parei diante do 13B. Bati à porta incansavelmente sem que uma única viva alma atendesse e quando me cansei de ser ignorado, apesar de saber muito bem que a casa de um auror é sempre muito bem protegida, lancei um feitiço para abrir a fechadura.


 


Então veio a primeira surpresa do dia: a porta simplesmente se abriu. Estranhando aquele fato, porque sabia que Rose era meio psicótica com sua segurança e havia lançado milhares de feitiços protetores que impediam um simples “alohomora” de destrancar aquela fechadura, entrei no apartamento. Foi aí que a segunda surpresa do dia destruiu toda a possibilidade de eu ficar de bom humor: não havia nada nem ninguém ali. O lugar estava completamente vazio. Era como se ela jamais tivesse morado ali.


 


Voltei sem ânimo algum para casa, me perguntando se a noite passada realmente acontecera ou se havia sonhado aquilo também. Então me lembrei da caixa que a ruiva levara para mim e corri até o balcão da cozinha para verificar se ela existia mesmo. Lá estava a caixa, com o todas as minhas bugigangas, e a foto com meu eu adolescente com cara de poucos amigos. Pelo menos eu não havia sonhado com aquilo também... Amaldiçoando a injustiça da vida, e a merda da dor de cabeça com a qual andava até acostumado, tomei um banho e fui para o trabalho. E era meu dia de folga. Fui trabalhar no meu dia de folga porque não aguentava ficar em casa. Não suportava a ideia de que Rose fugira outra vez de mim e que não podia fazer nada a respeito. Ninguém podia.


 


Aquilo devia ser um sinal, um sinal de que eu precisava, agora mais do que nunca, esquecer aquela mulher. Um sinal de que eu precisava voltar a ser o Malfoy de sempre. Simples e cristalino. Pela primeira vez , então, eu dei atenção a um sinal. Aquilo já tinha ido longe demais e precisava parar. Eu não ia sofrer pela Weasley e nunca mais deixaria que uma mulher entrasse daquela maneira no meu coração. Outra vez. No fim das contas, não ter mais a ruiva como vizinha seria uma boa maneira de começar a esquecê-la, já que, se não podia mais vê-la, então talvez pudesse fingir que ela não existia


 


Decidido a superar e esquecer, embrenhei-me na árdua missão de recuperar meu antigo modo de vida, o que, por um período ínfimo de tempo, deu muito certo. O problema é que existe uma coisa chamada “destino” para a qual eu não dava a mínima atenção à época. Mas o destino, o destino é uma coisa engraçada, não se pode fugir dele, não dá fingir que ele não existe e seguir achando que tem o total controle sobre seus planos...pelo menos não a vida inteira. E o meu destino estava prestes a me agarrar pelos calcanhares para terminar seu serviço sujo.


 


Deste modo, em uma bela tarde de verão, após atender meia dúzia de adolescentes intoxicados pela ingestão exagerada de uma substância não identificada, fui chamado na sala do Diretor Geral do St. Mungus. Confesso que estava um tanto quanto apreensivo, já que todas as vezes que alguém era chamado ali, cabeças rolavam. Fui o mais rápido que pude; a secretária recebeu-me cordialmente quando cheguei e logo me anunciou para o diretor. Entrei na sala temendo pelo meu lindo pescocinho e pelo fim do meu lindo salário.


 


No momento em que me viu, Dr. Robbson levantou-se e me cumprimentou com um aperto de mão amigável. Mau sinal. Ele nunca era amigável. E todas as vezes que se tornava cordial demais é porque esperava algo muito importante e praticamente impossível de você.


 


 


- Dr. Malfoy, não se preocupe, o que tenho para tratar com o senhor é rápido e não lhe tomarei ainda mais tempo de serviço. - ele começou, seco e objetivo, e senti meu sangue congelar - Como já deve ter ouvido falar por entre esses corredores cheios línguas afiadas, o St. Mungus em parceria com o St. Pietro, na Itália, está reunindo profissionais de todas as áreas da medicina bruxa para um congresso de dez dias em Roma. Quero que o senhor vá como meu representante, já que estou muito velho e não tenho a menor paciência para essas frivolidades políticas baratas, e porque é o único médico que parece realmente saber o que faz por aqui, de modo que quase consigo confiar no senhor. - o homem cuspiu todas aquelas palavras de uma vez, sem sequer respirar.


 


Fiquei paralisado por pelo menos uns trinta segundos, sem saber o que dizer. Primeiro me senti lisonjeado pelo reconhecimento e, em seguida, enjoado pelo mesmo motivo – e pelo fato de o congresso ser na droga da Itália, que aparentemente era a única cidade frequentada pelos malditos bruxos modernos. Quando consegui finalmente emitir algum som, disse que seria um prazer representá-lo e que não o desapontaria, embora, ambos sabíamos, aquilo fosse uma grande mentira. Se eu soubesse o que me esperava por lá...


 


Assim, uma semana depois, estava de malas quase prontas, prestes a deixar o conforto do meu lar em direção à Itália. Antes de partir, porém, precisei enfiar minha cabeça lareira - depois do pó-de-flu, é claro - e chamar pelos meus queridos e furiosos pais. Foi Draco quem me viu primeiro, já que estava conectado com a rede de seu escritório, e saltou da poltrona aconchegante do outro lado da sala, calçando suas pantufas massageadoras desajeitadamente, correndo para falar comigo.


 


- Oi pai! - saudei-o ao ver sua imagem por entre as chamas.


 


- Olha só quem resolveu dar o ar da graça. - ele disse, irônico. - Scorpius, sua mãe ainda está furiosa com o jeito que você foi embora da última vez.


 


- Sei disso. Mas ela não tinha nada que ficar perguntando da Weasley para mim...


 


- Scorpius, ela só perguntou uma vez. - ele disse, com simplicidade.


 


- Foi o suficiente. Não era para perguntar nenhuma vez. Mas eu não quero falar sobre isso, vim aqui avisar que vou viajar.


 


- Espere, vou chamar sua mãe, então!


 


- Não, pai, eu não tenho muito tempo. Ainda preciso terminar umas coisas aqui. Só...só avisa para ela que eu vou para Roma, participar de um congresso de medicina, e volto em dez dias. - eu disse, tentando me livrar logo daquela posição desconfortável e do possível interrogatório de minha mãe. - Ah, pai, diz também que eu a amo. E que estou bem...e que não bebo desde minha última visita.


 


- É verdade? Você não bebe há dois meses? - Draco perguntou, desconfiado.


 


- Não, bebi semana passada com uma garota, mas não deixe mamãe saber disso, por favor. - pedi, e apesar do olhar de desaprovação que lançou, meu pai concordou em sustentar a mentira. - Bem, preciso ir. Amo você, pai.


 


Draco encarou-me e, sorrindo paternalmente, disse:


 


- Também te amo, filho.


 


Confesso que antes de sair da lareira, dei uma boa olhada no rosto do meu pai, como se aquela pudesse ser nossa última conversa. Apesar da sensação estranha, finalizei a conexão e retornei aos meus afazeres restantes. Eu – o resto do mundo – sabia muito bem que esses congressos eram apenas desculpas esfarrapadas para dez dias de festas, bebedeiras e orgias com enfermeiras estrangeiras, mas, ainda que estivesse prevendo momentos épicos na minha vida, não deixei de ficar apreensivo.


 


Tudo estava planejado para sairmos diretamente do St. Mungus para o St. Pietro, viajando através da Rede de Flu, e assim, uma semana depois de ser chamado na sala do Diretor, eu e uma equipe de oito medibruxos partimos rumo à Italia. Chegando lá, fomos recebidos por uma secretária linda, morena de olhos verdes com um sotaque italiano adorável, que nos apresentou a programação do evento – cujo início seria marcado por um coquetel cheio de pompa naquela mesma noite – e indicou a direção do hotel em que nossas reservas foram feitas. Fiquei extremamente satisfeito ao descobrir que tinha um quarto só meu enquanto todos os meus colegas teriam de dividir sua privacidade com mais duas ou três pessoas. É, tinha lá suas vantagens representar o chefe.


 


Após dormir por uma ou duas horas na cama incrivelmente macia e espaçosa daquele hotel cinco estrelas, tomei uma ducha revigorante e me arrumei para o evento de abertura do congresso. Um pouco antes das 19h, desci para o hall de entrada onde encontrei o resto do meu grupo e saímos todos juntos para o salão em que aconteceria o coquetel. Por sorte era perto do hotel e fomos todos andando, apreciando a beleza de Roma. Por algum motivo infeliz pensei em Rose e em como seria incrível estar ali com ela. Mas na mesma velocidade que o pensamento surgiu, dei um jeito de espantá-lo. Não era para ela começar a me assombrar ali.


 


O evento começou pontualmente às 19:30h e, após um discurso enfadonho e gigantesco do diretor geral do St. Pietro, fui obrigado a dizer também algumas palavras. Um monte de blá blá blá do qual não me lembro. E então, finalmente, estávamos livres para beber até cair, comer até não aguentar mais e, quem sabe, dar em cima das médicas e enfermeiras desacompanhadas mais interessantes do lugar. Com esse pensamento, me dirigi ao bar e pedi uma dose de uísque de fogo ao mesmo tempo que uma voz feminina com sotaque italiano pedia um drinque estranho do qual jamais ouvira falar.


 


Virei-me para o lado instantaneamente, curioso para ver de quem era a fala que atropelei e me deparei com uma bela mulher: alta, esguia, de cabelos castanhos presos em um coque elegante no alto da cabeça. Ela sorriu para mim, simpática, apesar do ar esnobe com que me olhava, mexendo em um pingente brilhante pendurado em uma correntinha dourada, e perguntou em um inglês quase perfeito, exceto pelo sotaque carregado:


 


- Você é o diretor geral do St. Mungus, certo?


 


- Não, sou apenas o representante dele aqui. - respondi, retribuindo o belo sorriso da moça, estendendo minha mão ao me apresentar – Dr. Scorpius Malfoy.


 


- Muito prazer, Dr. Malfoy. - ela disse, apertando minha mão com entusiasmo notável. – Dra. Donatella Bertoli. A propósito, adorei seu discurso.


 


Donatella Bertoli. Até seu nome era peculiar e interessante. Bem, com toda certeza do mundo, aquela seria minha transa da noite, porque eu ia investir alto naquela italiana.


 


- Bem, preciso confessar que não fazia ideia do que estava falando. - brinquei, e ela sorriu para mim, compreensiva. - Gostaria de se juntar a mim para um drinque, Dra. Bertoli, ou seu acompanhante vai ficar muito irritado se eu roubá-la para mim por alguns minutos? - perguntei, fazendo charme, torcendo para minha intuição estar certa e ela não ter um acompanhante.


 


Ela sorriu mais uma vez, timidamente misteriosa, e respondeu:


 


- O que lhe faz pensar que estou acompanhada?


 


- E não está? - perguntei, fingindo-me indignado – Sempre achei que os italianos, com toda sua fama de sedutores, fossem mais espertos... Nós ingleses jamais deixaríamos uma mulher como você sair desacompanhada.


 


Ela sorriu novamente, entendendo o elogio, e agradeceu timidamente, a face levemente corada.


 


Aquela fora minha abertura para conquistar sua atenção por toda a noite. Donatella era uma mulher muito inteligente e estava desenvolvendo um projeto de pesquisas avançadas em poções dos mais variados tipos. Parecia muito interessada em me apresentar seu trabalho, talvez para estendê-lo aos médicos de Londres, e falou dele grande parte da noite. E eu prestava atenção a tudo o que ela dizia, porque estava muito interessado em levá-la para minha cama.


 


Depois de muito conversarmos sobre aquele assunto que apenas em parte realmente me interessava, ela decidiu que chegara a hora de dançar. Finalmente, eu pensei enquanto a seguia pelo salão abarrotado de médicos de todos os lugares da Europa. Começamos, então, aquele velho jogo de sedução, remexendo nossos corpos ao som de uma música que não fazia sentindo, trocando olhares quase selvagens e tão profundos quanto uma colher de chá; ela esperando que a tomasse em meus braços e eu esperando pelo momento certo para atacar. E quando ele chegou, sem hesitar, arrastei o corpo de Donatella para junto do meu e, passando uma de minhas mãos por sua nuca para aproximar nossos rostos, beijei-lhe com vontade. Apesar de nervosa, a mulher correspondeu com muito entusiasmo e me senti encorajado a continuar.


 


- Vamos para um lugar mais reservado, Dr. Malfoy? - ela perguntou sensualmente, sussurrando em meus ouvidos, após nos separarmos brevemente.


 


- Que tal minha suíte no hotel? - sugeri, sussurrando de volta nos ouvidos dela, acariciando suas costas com as pontas dos dedos.


 


Ela sorriu, encabulada, em resposta e disse, balançando a cabeça negativamente:


 


- Acho que por ora o terraço é mais adequado.


 


Mais uma vez, então, deixei que a italiana me guiasse. Subimos dois lances de escadas correndo pelos degraus de mármore, de mãos dadas. O lugar tinha uma bela vista, mas poucas pessoas circulavam por lá. Talvez quase ninguém soubesse da existência daquele ambiente, o que era uma pena para eles e uma maravilha para mim, que poderia beijar Donatella o quanto quisesse até conseguir convencê-la a ir comigo para o hotel.


 


- Então, você traz muitos médicos ingleses aqui, senhorita Bertoli? - brinquei, escorando os cotovelos no parapeito extenso.


 


- Só os que me interessam. - ela respondeu, lançando-me um olhar atrevido.


 


Antes mesmo que eu pudesse formular uma resposta adequada, uma voz surgiu às minhas costas levando embora minha concentração:


 


- Champanhe, senhores?


 


Virei-me abruptamente, assustado mas interessado na bebida. A garçonete sorria, ou melhor ria disfarçadamente de mim, que devia estar mais branco que o mármore daquele piso devido ao susto com sua aparição repentina. Peguei as duas taças que restavam na bandeja e vi a jovem sair com uma expressão satisfeita. Ofereci uma delas à Donatella, brindamos aos agradáveis encontros que a vida proporciona e, com a mulher apenas observando, beberiquei meu primeiro e último gole em sua companhia.


 


De repente, tudo ficou muito, muito confuso. Minha visão tornou-se turva e o ar fugiu de meus pulmões. Enquanto tentava afrouxar o nó de minha gravata, com dedos trêmulos e movimentos lentos, ouvi o barulho da taça de Donatella se quebrar ao cair no chão e em seguida o toc-toc de seu salto alto se afastando. Tentei gritar, mas não tinha forças nem para me manter em pé. Meus joelhos cederam rapidamente e todos os músculos do meu corpo, até aqueles que nem ao menos me lembrava de ter, se contraíam e repuxavam por debaixo da minha pele. A dor era tanta que já podia mais enxergar as cores ao redor. A escuridão tomou conta de tudo.


 


Lembro-me de tentar abrir os olhos uma ou duas vezes e ouvir uma voz suave e deliciosamente familiar chamar meu nome, firme e distante. Em meio ao breu que se formara, lutei arduamente contra a vontade de me render àquele sono mortificante que se abatera sobre mim e com muito esforço consegui separar minhas pálpebras pesadas por um breve momento. Então eu vi uma ruiva de olhos azuis agoniados sobre mim e me entreguei novamente ao breu, constatando que qual fosse o veneno naquela bebida, estava provocando alucinações cruelmente maravilhosas. Foda-se, eu pensei, se for pra morrer pensando em alguém, que seja nela. Foi assim que eu parei de lutar e esperei a morte chegar.


 


Reage, seu idiota!”


 


Reage!”


 


Vamos, eu sei que você consegue...”


 


Seja forte...por mim”


 


***


 



N/A:Heeey lindos! Voltei! *já posso ouvir o coro de aleluia*



E aí, o que vcs me dizem sobre o capítulo? Uma merda, eu sei, mas escrevi 3 versões dele e essa,


acreditem,foi a melhor.



Ah,sim, por que vocês odeiam tanto a Ive? Ela é praticamente uma cópia feminina do Malfoy, gente...menos interessante e menos complexa - não que o Scorp seja assim tão complexo, mas ele é meio perturbadinho da cabeça, convenhamos -, mas ainda assim!



Outra coisa, quem conseguiu ver a capa que eu fiz? Acho que tah em um formato não aceitável por aqui, pq ela nunca abre direto, já desisti ¬¬



Bem, acho que é só!



Não se esqueçam dos comentários, reclamações e xingamentos(sei que não vou escapar deles nesse cap) e, antes que eu me esqueça, SEJAM MUITO BEM VINDOS, NOVOS LEITORES!\o/


 


Agora acabou! xD



Até breve!


 


 


 

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Comentários: 4

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:: Página [1] ::

Enviado por IasminSRibeiro em 09/06/2013

Amei o capítulo. Nova leitora aqui !!!
Não demore pra postar o próximo, curiosa para saber o que aconteceu com o Scorp. 

Nota: 5

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:: Página [1] ::

Enviado por Luhna em 24/05/2013

Olha só, Nat, só não vou te xingar porque preciso de você vivinha para escrever o resto da fanfic! :) E, siiiiiiiiim, eu estou dando pulinhos de alegria aqui! *___________________* E te perdoo pela demora; pode ficar tranquila.

AMEI AMEI AMEI o capítulo, apesar de Rose e Scorpius estarem meio estranhos um com o outro e tals, mas a vida não é perfeita. E sim, eu odeio a Ive e vou começar JÁ o movimento "eu odeio a Ive". Alguma outra leitora aí apoia?

E o que foi isso, Rose e Scorpius só dormindo juntos? Que lindo. E o sonho do Scorp? OOOOOOOOOOOOOOWWWWWWWWWWWWWWWWWNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNN!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Pena que não tem o nome da filhinha dele. :/ E por que, Nat? POR QUE A ROSE FOI EMBORA? NÃO PODE ISSO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

E achei MUITO suspeita essa tal de Donatella, viu? E o Scorpius não tem jeito mesmo, né? Se ele não fosse tão atirado... Aposto que essa saída para o terraço foi providencial. Aposto que ela tentou envenená-lo. Com uma das poções malucas que ela mencionou. E aposto também que a Rose foi designada como a auror que ia cuidar dele na Itália. Que outro motivo teria para eçe escutar a voz dela ordenando que reagisse?

Anyway, AMEI o capítulo e quero o próximo para AMANHÃ! Sim, além de ser uma leitora intrometida eu sou exigente. :*

Nota: 5

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Enviado por Dani_Ela em 22/05/2013

Fiquei super feliz quando vi que vc postou! Achei super fofo o sonho do Scorpius, com a ruivinha linda, e tal. Mas fiquei brava com vc... Um final tão trágico e misterioso, só pode tá querendo que eu tenha um ataque de ansiedade!

Parabéns pelo capítulo! Beijos! 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Lays Mary em 22/05/2013

Voltooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo \o/ .
gostei muito do capituloooooo.
eu ate gosto da Ive .
coitado de Scorpius.
postar o proximooo logoooo.
beijos :*
 

Nota: 5

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:: Página [1] ::

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