No domingo, pontualmente as 9:00 hs entrou no táxi do amigo e desembarcou as 10:15 na estação. Desembarcando um pouco longe da estação de embarque, descarregou suas bagagens e com seus poderes sondou a estação. Ficou tentado a voltar para o hotel e mandar à missão as favas.
Dezoito fotógrafos. Vinte e dois aurores, incluindo Rufus. Vinte e cinco repórteres. Treze “personalidades” do mundo bruxo, loucas para aparecer. Todos os alunos da escola. A família Weasley em peso. O ministro da magia. Narcisa Malfoy. Cinco comensais disfarçados. Até Harry Potter estava lhe esperando. “Só faltou Dumbledore e Voldemort, pelados, dançando uma conga no meio da estação. Com uma banda ao fundo.” - pensou chateado.
Aparatar ali não era possível. Feitiço de desilusão também não. Capa da invisibilidade, bem, não tinha uma. O negócio era improvisar.
Valendo-se de seus poderes, “transformou-se” num rapaz de uns 12 anos, gordo, que usava óculos, de cabelo preto e curto. Disfarçado assim, conseguiu a muito custo passar por aquela turba. Ao entrar no trem, encontrou Draco que estava desesperado olhando para o relógio a cada instante.
- Com licença, senhor Monitor? – perguntou disfarçando a voz.
- O que quer rapaz? – respondeu Draco preocupado com o atraso de seu amigo.
- Eu tenho um problema. – continuou Gabriel.
- Qual? – perguntou Draco o olhando com cuidado.
- Eu tenho fobia de repórteres. – falou Gabriel com sua voz normal.
- Cara. Eu não acredito. Você conseguiu entrar. Venha rápido. Separei a última cabine para você. – falou Draco.
- Merlin. Que loucura é aquela lá fora. – perguntou Gabriel se acomodando na cabine. – Parece uma festa de doidos.
- Acostume-se meu caro. Agora você é uma personalidade. Todos querem falar com você. Daqui a pouco eu volto, assim que o trem partir e os alunos estiverem devidamente em ordem em suas cabines. – falou Draco saindo rapidamente.
Gabriel ficou em silencio. Depois de alguns minutos, observou que o trem começava a se mover. Logo haviam saído da estação. Sentindo-se seguro, Gabriel voltou a sua aparência normal, no mesmo instante que Draco entrava.
- Bem melhor. Fique tranqüilo. Aqui dificilmente alguém virá nos incomodar. – falou Draco.
- Vai ser difícil assim. Eu devia ter escolhido outra varinha. - falou Gabriel chateado.
- Não se iluda meu chapa. É a varinha quem escolhe o bruxo. E não o contrário.
- Porcaria isso sim. Devia ter ficado com minha velha. Se pelo menos não tivesse quebrado. – lamentou-se Gabriel mentindo para manter o disfarce.
- São coisas que acontecem. – falou Hermione na porta da cabine que acabara de abrir.
- É. – confirmou Gina. – É muito comum de acontecer. – completou entrando e empurrando Hermione para dentro.
As duas haviam procurado em todo o trem, até encontrarem os dois.
- Olá Draco. – cumprimentou Hermione.
- Olá Hermione. Tudo bem? – perguntou Draco gentilmente.
- Tudo, obrigado. – respondeu a moça, enquanto olhava para Gabriel e sorria.
- Então Draco. – falou Gina olhando nos olhos dele. – Seqüestrou nossa nova celebridade somente para você? – perguntou divertida.
- Fazer o que? Trata-se de uma nova lei do trem. – disse Draco com os olhos brilhando.
- Que nova lei é essa que não conheço? – perguntou Hermione curiosa, desviando o olhar de Gabriel com muito esforço.
- A lei que determina que as pessoas mais belas da escola devam ficar nesta cabine. – falou Draco rindo.
- E a lei estava sendo cumprida? – perguntou Gina levantando o queixo irritada.
- Com a chegada de vocês, sim. – respondeu ele sorrindo.
- Vejo que a humildade não desapareceu junto com o restante de você. – falou Hermione rindo.
- Na verdade, foi a sinceridade que apareceu. – falou Draco sorrindo para Gina que o olhava com um olhar do tipo “esse não me escapa!”.
- Com licença, Hermione? – chamou Gabriel.
- Sim. – respondeu a morena olhando-o sorrindo.
- Poderia, por favor, me mostrar o restante do trem? – pediu Gabriel educadamente.
- Bem, não sei o que haveria para mostrar. – disse ela, mas emendou rapidamente, ao ver o olhar de Gina. – Mas ficaria encantada de lhe acompanhar.
- Por favor, primeiro as damas. – disse Gabriel abrindo a porta da cabine e seguindo Hermione ao mesmo tempo em que lançava um olhar do tipo “não se comporte” para Draco.
- Aqui temos a área de cabines, logo à frente os banheiros, a sala dos professores e depois a casa de máquinas. – respondeu Hermione rapidamente.
- Interessante. – falou Gabriel sorrindo para ela.
- O que há de tão interessante assim? – perguntou Hermione com um sorriso no rosto.
- Uma cabine vazia, bem aqui. – disse Gabriel abrindo a porta e entrando depois de olhar para Hermione. Imediatamente ela o seguiu. Quando entrou na cabine, Gabriel estava sentado, olhando para ela e sorrindo.
“Mérlin! ‘Que interessante!’ de onde saiu essa? Seja mais confiante, rapaz!” – reclamou seu Monstro Interior.
“Eu não sei! Estou assustado!” – responde Gabriel para ele.
“Fala sério! Você, assustado? Depois de tudo o que já fez na vida? Assustado com uma mocinha?” – perguntou de forma zombeteira seu Monstro Interior.
“É complicado. Você sabe o que já aconteceu! Eu tenho medo de estragar tudo com uma atitude impensada!” – fala Gabriel para seu Monstro Interior.
Hermione sentou-se em frente a ele, ela tentava de todas as formas pensar num assunto interessante, mas nada vinha a sua mente. E o sorriso dele a desarmava. Os olhos dele brilhavam para ela como dois faróis na escuridão. Ela não sabia o que fazer, o que dizer, como se comportar. Estava totalmente perdida.
- Hermione. – chamou Gabriel com a voz baixa quase um sussurro. – Por que não fala o que está pensando? – perguntou ele.
- Por que não sei se seria adequado. – responde ela.
- Jamais saberá se não tentar. – tornou ele a olhando e sorrindo ainda mais.
- Talvez possa ser meio... abrupto. – falou ela olhando para ele e pensando no que estava fazendo.
“Mérlin! Que loucura!” – pensava ela.
- Tente. – ele a encorajou.
“Tá aprendendo hein? Agora a agarre e tranque a porta da cabine.” – rosnou baixinho seu Monstro Interior.
- Bem eu queria sabe se você tem... – e neste momento a porta se abriu com violência. Entrando uma moça loira que informou praticamente aos gritos.
- Eis o Herdeiro de Salazar Sonserina. – falou a loira - Nem terminou de falar, mais de 10 meninas tentavam entrar na cabine, ao mesmo tempo. As que conseguiram, o olhavam atordoadas com a aparência dele.
Gabriel estava prestes a lançar uma maldição imperdoável naquela loira.
“O que diabos essa loira aguada estava pensando entrando daquele jeito? Estragou tudo.” - pesou furioso.
“A varinha! Rápido! Transforme-a num animal! Pode ser uma anta! Ou numa vaca!” – gritou seu Monstro Interior em sua mente.
Mas antes que Gabriel fizesse uma besteira, Hermione falou em voz alta e muito mal humorada.
- Pansy Parkisson! Poderia, por favor, sair daqui? Estamos conversando! – bufou irritada.
- Ora querida, podem continuar a conversa. Não queremos de modo algum interromper um assunto que deve ser tão interessante entre nossa Monitora CDF e o Herdeiro bonitão aqui, não é mesmo, meninas? – pediu e conseguiu várias risadas entre as meninas.
“Não perca a chance. Aproveite e transforme-a numa porca cor de rosa!” – berrava seu Monstro Interior.
Antes que Hermione se irritasse, Gabriel levantou a mão e falou calmamente.
- Pansy Parkisson. Casa Sonserina. 17 anos. Loira. Tem poucas amigas, nenhuma das quais é leal a ela. Sabe os segredos de muitas pessoas, mas esconde um segredo seu que é inconfessável. – falou com a voz gélida olhando para a loira. – Vai sair agora, ou devo contar para suas “amigas” aqui presentes o seu segredinho inconfessável? – perguntou Gabriel olhando diretamente para a loira.
Assustada, Pansy saiu dali quase correndo, sendo seguidas por algumas amigas, enquanto outras ficavam olhando para ele de forma apatetada.
- Vejo que mais alguém tem um segredinho por aqui. Se não saírem, agora, eu coloco no mural da escola. – falou Gabriel de forma dura.
Foi uma verdadeira retirada. Em um instante estavam novamente sós na cabine, e dessa vez Gabriel fechou a porta, e voltou-se a sentar em frente a Hermione. O encanto, porém já tinha sido quebrado.
“Você tem estilo. Admito isso. Agora ande rápido e beije a morena!” – sussurrava o seu Monstro Interior.
- Você é Legimente? – perguntou Hermione séria.
- Não. – respondeu Gabriel sorrindo.
- Como soube todas aquelas coisas sobre a Pansy então? – perguntou novamente curiosa.
- Observação. Veja só: O nome dela você disse. O uniforme identifica a casa dela, no caso, sonserina. A idade eu chutei, que é loira é só olhar. Que tem poucos amigos é óbvio. Que sabe segredos dos outros, bem, toda mulher sabe. – completou Gabriel sorrindo.
- E o segredo inconfessável dela? – perguntou Hermione sorrindo.
- E quem não tem o seu? – respondeu ele olhando-a nos olhos.
- Você tem? – ela perguntou divertida, perdendo-se nos olhos dele novamente.
- Sim. Alguns são tão inconfessáveis que até me assusto. – responde Gabriel se aproximando aos poucos, assim como ela.
- Vai me contá-los? – ela pergunta baixinho.
- Posso dizer apenas que a maioria deles envolve você. – ele responde com seus lábios quase se tocando.
Justamente neste instante, a porta é novamente aberta, por Rony que entra afobado.
- Hermione, tudo bem? – pergunta ele.
A cara que Hermione fez, iria apavorar Rony por muitos anos.
“Ah, não. Outra vez não. Use a varinha! A espada! Cara, você tem algumas das armas mais poderosas do mundo em mãos e não vai fazer nada? Rápido! Pegue-o pelo pescoço e jogue-o fora do trem! Pela janela. Depois alegue legítima defesa!” – urrava seu Monstro Interior.
Deixando um Rony com cara de pateta parado na cabine, Hermione furiosa e Gabriel chateado, retornam até a cabine onde Draco e Gina tinham ficado. Chegando lá, os encontram sentados comportadamente. Conversando tranquilamente.
Ao entrarem, Gina olha para Hermione e pergunta:
- O que aconteceu?
- Tire o seu irmão de minha frente ou eu vou transformá-lo num macaco. – responde Hermione, tremendo de raiva. Em seguida as duas saem da cabine e vão até onde Rony estava com Harry.
- O que aconteceu por lá? – pergunta Draco curioso.
- Não vou lhe contar. Você já riu da minha cara o suficiente por este ano. – respondeu Gabriel emburrado. – Mas pode ter certeza que vou dar o troco no Weasley. – fala Gabriel.
- Ah. Qual é. Eu jamais iria rir de você. – fala Draco sério.
Olhando para Draco, Gabriel conta o ocorrido e as duas interrupções que tinham acontecido. Draco até tenta, mas não consegue impedir a gargalhada no final da história.
- Muito engraçado. – fala Gabriel chateado. – E vocês, o que ficaram fazendo?
- Só conversando. – responde Draco rindo.
- Ta brincando? Qual é Draco. Te dei a maior chance da tua vida e você fica conversando? Você está doente? Com febre? Sente-se bem? Quer que eu chame um médico? - pergunta Gabriel rindo dele.
- Engraçadinho, “senhor quase consegui beijar a Monitora CDF!”. É sério. Apenas conversamos. Pedi-lhe desculpas, e conversamos civilizadamente. Acho que temos futuro, se não queimarmos etapas.
- Sorte sua. – responde Gabriel. – Eu com certeza vou queimar algo. Nem que sejam as roupas do Rony na lareira do salão principal.
As risadas dos dois ecoaram por todo o vagão, por alguns instantes. Dali a pouco o trem foi parando, indicando que algo estava acontecendo de estranho.
- O que será que está havendo? – perguntou Draco se levantando.
Logo que saiu, teve uma varinha apontada para seu peito, e sem opção, recuou para dentro da cabine. Segurando a varinha, estava Belatriz.
Logo depois dela, entraram mais dois comensais, cada um deles segurando um refém. Uma das Reféns era Gina, a outra Hermione. Draco até pensou em reagir, mas sabia que qualquer movimento que fizesse uma delas, ou ambas, seriam mortas.
- Olá, meu sobrinho. Aproveitando a vida? – perguntou Belatriz.
- Olá, titia. – respondeu Draco sorrindo sarcasticamente. – Ainda sendo escrava do mestiço?
- NÃO FALE ASSIM DO MEU MESTRE! Você é um traidor. Mas não se preocupe, vou cuidar de você e de minha irmã em breve. – cuspiu Belatriz irritada.
- Acalme-se Belatriz. Ainda não é a hora certa. – falou um dos comensais.
- Então este é o bonitão que tem a varinha que desejamos? – perguntou Belatriz com ódio na voz.
- Ele mesmo. – respondeu o comensal que segurava Hermione pelo pescoço com uma chave de braço.
- Muito bem bonitão. Levante-se e me entregue a varinha, e eu nós iremos embora, sem ferir ninguém. – falou Belatriz com um tom de voz que claramente indicava o contrário.
“É ela. Não acredito! Ao meu alcance! Agora sim vou mostrar como se mata alguém!” - pensa Gabriel irritado. “Mas antes, preciso salvar os reféns!” .
Gabriel tentava de todas as formas achar uma saída. Escutava neste momento, lutas em outras cabines. Parecia que na do Potter estava acontecendo uma delas. Precisava salvar as meninas, e Draco também, pois não tinha dúvidas que Belatriz iria matar a todos tão logo conseguisse o que queria.
Levantou-se lentamente e analisou a situação. Não podia usar feitiços, pois fatalmente atingiriam os reféns. O negócio era ganhar tempo. Mentalizando um feitiço, impediu aparatações na cabine. Assim não poderiam fugir. Agora o negócio era blefar.
- Tudo bem. – falou Gabriel. – Só não os machuquem. As meninas nunca lutaram e não as quero feridas.
- Não se preocupe lindão. Não queremos machucá-las. Apenas queremos a varinha. Entregue a varinha e iremos embora imediatamente. – falou o comensal que segurava Hermione.
Irritada com a demora de Gabriel, Belatriz encosta sua varinha na perna de Hermione que grita desesperadamente de dor, contorcendo-se como podia, uma vez que permanecia presa pelo comensal.
- Muito bem. – continuou Gabriel, retirando a muito custo, o ódio na voz. – A quem devo entregar a varinha? – perguntou calmo.
- Pra mim! – respondeu Belatriz. – Me entregue a varinha, agora!
- Claro. Claro.Vou entregar! Não se preocupe. O grande problema é que vocês não conseguem VER que o que fazem é errado. Mas espero que consigam VER o seu erro em breve.
Na segunda vez que utilizou a palavra ver, Hermione e Gina entenderam imediatamente e fecharam os olhos. Draco resolveu fazer a mesma coisa ao ver Gina piscar para ele e fechar os olhos.
Foi quando Gabriel, pegando a varinha com dois dedos apenas, fingiu entregá-la para Belatriz, desviando a varinha dela da direção de Draco, na ânsia de pegar a varinha que tinha pertencido a Salazar Sonserina. Foi neste instante que Gabriel fechando seus olhos, mentalizou.
- Solaris. – e imediatamente a sala foi preenchida com um clarão de luz tão forte que quem estava olhando ficou temporariamente cego.
Gabriel sabia que tinha cerca de seis segundos, antes que os olhos dos Comensais se acostumassem novamente com a claridade ambiente. Era tempo mais do que o suficiente. Movendo-se rapidamente e sem perda de movimentos, em seis segundos tinha desferido treze golpes, seis chutes e sete socos.
Quando o clarão atingiu a cabine, a única coisa que todos ouviram eram barulhos de golpes e gritos de espanto ou principalmente de dor. Mas não durou muito tempo. Quando Hermione conseguiu se levantar para olhar, embora seus olhos ainda estivessem se acostumando com a claridade ambiente, viram as mãos de Gabriel pingando sangue, dois comensais que só se emitiam pequenos sons parecidos com gargarejos e depois não se mexiam mais.
E viu Gabriel com a mão direita erguendo Belatriz uns 20 centímetros no ar, contra a parede da cabine, esmagando sua traquéia.
Verdade seja dita sobre Belatriz, ela ainda tentou erguer sua varinha para atingir Gabriel com algum feitiço, mas na metade do caminho, teve sua mão presa pela dele, e ele aplicando força, quebrou todos os ossos de sua mão, e a varinha que estava nela inclusive.
Belatriz, olhando para o rosto dele, ela não via mais a beleza, e sim a face da morte, que com um sorriso que crescia a cada instante, enquanto apertava mais forte ainda seu pescoço. Já não conseguia gritar, nem mesmo respirar. Foi ai que ele largou a mão dela e com sua mão esquerda, levou os dedos até seu olho direito, arrancando-o e sendo banhado pelo sangue dela, enquanto sorria prazerosamente.
Seus olhos já pareciam duas fornalhas, emitindo labaredas azuis que se espalhavam pela sua face. O último pensamento de Belatriz, é que a face dele estava parecida com a do seu mestre quando ficava nervoso.
Neste momento entra na cabine Rony, que preocupado com o que estava ocorrendo, veio ver onde se encontrava sua irmã. Quando viu o que Gabriel estava fazendo, apontou sua varinha para Gabriel e falou:
- Estupefaça.
Gabriel, irritado como estava, nem percebeu que sua espada, apesar de não estar em sua mão, o tinha defendido do feitiço. Continuou a apertar o pescoço de Belatriz, devagarzinho, pois queria vê-la morrer lentamente e sofrendo. Porém, entraram correndo na cabine Olho Tonto, Lupin e Harry, e juntamente com Rony apontaram suas varinhas e falaram novamente:
- Estupefaça!!
Desta vez a espada não agüentou defender totalmente os feitiços combinados e parte deles passou para Gabriel que se sentiu fraco. Olhou para onde eles estavam e contorceu seu rosto, que era uma máscara de ódio. Mas não soltou o aperto do pescoço de Belatriz. Que agora já revirara os olhos, ficando claro que estava próxima da morte.
Assustados, porém decididos, Olho Tonto, Lupin, Harry, e Rony gritaram novamente, desta vez com toda a força.
- ESTUPEFAÇA!!
Com a força dos feitiços combinados, Gabriel foi jogado até o fundo da cabine, atingindo a parede com força, caindo no chão e se mexendo lentamente. Ainda segurava Belatriz pelo pescoço.
- Por quê? – murmurou Gabriel baixinho antes de desmaiar. Belatriz caiu como uma boneca de pano, totalmente desacordada, quando Gabriel inconsciente a soltou, enfim.
- Puxa! – falou Lupin limpando o suor da testa. – Este foi difícil de derrubar.
- Seus idiotas! – gritou Hermione. – Por que fizeram isso com ele?
- Ele estava matando Belatriz. – respondeu Rony irritado.
- E quem se importa com ela? – tornou a gritar Hermione desesperada indo até onde Gabriel tinha caído e colocando a cabeça dele nos joelhos, começou a chorar baixinho, chamando-o. Gina estava neste momento abraçada em Draco soluçando alto. E Draco estava simplesmente nas nuvens com o abraço de sua amada.
- Verifiquem aqueles ali. – falou Olho Tonto para Harry e Lupin, enquanto olhava para o que foi um dia a Bela Belatriz.
- Nada a fazer neste daqui. – falou Lupin. – Está morto. Metade do peito dele está esmagada, falta parte da garganta também.
- Este aqui também. – falou Harry com a voz enojada. – Pescoço quebrado e a garganta arrancada por inteiro. Putz. Metade do rosto foi junto. – completou.
- Como está Belatriz, Moddy? – perguntou Rony.
- Viva. Sem o olho direito. Com a mão direita esmagada. Com fraturas expostas em ambas as pernas, duas costelas quebradas e um dos pulmões perfurados. A traquéia dela está toda esmagada. Respira, mas com dificuldade. – responde Moddy utilizando seu olho mágico enquanto assoviando baixinho. - O rapaz ai não brinca em serviço.
- Como ele está Hermione? – pergunta Draco aproximando-se com Gina nos braços.
- Eu não sei. Ele parece não respirar. Ajude-me. – pediu ela assustada com tanto sangue.
- Acalme-se. – responde Draco e aponta sua varinha para Gabriel, murmurando baixinho. – Enervate. – No mesmo instante Gabriel abre seus olhos e olha para todos eles.
- Quem foi o idiota que me atacou? - pergunta respirando fundo e com a voz calma enquanto tenta se levantar sozinho e não conseguindo. Hermione o auxilia até que consiga se erguer.
- Bem, o primeiro fui eu. – responde Rony com a voz alegre, sorrindo.
“Eu te avisei! Pegue-o pelo pescoço e jogue-o fora do trem! Pela janela. Depois alegue legítima defesa! Mas você me ouviu? Nãoooooo! Agora não reclame!” – reclamou seu Monstro Interior.
- Depois nós quatro precisamos te atacar ao mesmo tempo por duas vezes para te derrubar. – rosnou Moddy. – Do que você é feito para resistir tão bem? O que você tem que te faz resistir tanto assim?
- Eu tomo leite. – responde Gabriel se levantando e procurando se apoiar em Hermione até poder sentar-se na poltrona. Estava bem tonto. A cabine não parava de girar. – Deviam tentar um dia.
- Sem gracinhas, moleque. – rosnou Moddy. – Está na hora de algumas respostas. – falou apontando a varinha para o peito de Gabriel com clara intenção de intimidar.
Mas o que aconteceu a seguir seria lembrado por todos durante muitos anos. Gina, Draco e Hermione levantaram suas varinhas ao mesmo tempo e mirando a cabeça de Moddy disseram juntos.
- Fique longe dele! Agora!
- O que está pensando, Gina? Defendendo um assassino? – gritou Rony irritado.
- Cale essa boca, Rony. Ele nos salvou quando éramos reféns. Podia ter usado feitiços para se salvar, mas preferiu lutar sem varinha para nos proteger desta escória. Só por que você não gosta dele, não significa que os outros pensem igual. - gritou Gina. – Afaste-se dele, Moody, ou juro por Mérlin que arranco o que sobrou do seu nariz.
- E eu arranco a outra Perna! – falou Hermione igualmente furiosa.
- E se sobrar alguma coisa de você inteira depois que elas acabarem, eu arranco. – falou Draco com a voz dura. – Caso contrário eu junto tudo e começo de novo a separar.
- Muito bem. – falou Moddy com seu olho virando para todos os lados e percebendo que eles não estavam brincando. – Vamos nos acalmar. Eu vou guardar minha varinha, e vocês vão sair da cabine. Entretanto, ouve mortes aqui dentro, e, esta agora é uma cena para os aurores que serão chamados. Passem para a cabine ao lado, e os esperem lá até eles chegarem. Remo? – chamou Moody.
- Sim?
- Avise Dumbledore do ocorrido. Creio que Rufus estava na estação de Londres, e deve ser avisado também. Quanto a vocês quatro, vão para a cabine ao lado. Vamos ver se podemos salvar a Belatriz, ainda. – falou a Lupin. – Harry e Rony. Fiquem na porta da cabine deles. Ninguém entra ou sai. Por motivo nenhum, entendido? – os dois apenas confirmaram com um movimento de cabeça e acompanharam os quatro para fora da cabine.
Não tendo mais o que falar Gabriel, Hermione, Gina e Draco foram para a cabine ao lado. No entanto, com os gritos de todos na cabine, mais a saída de Gabriel com as mãos, rosto e o peito cobertos de sangue, seguidos por Gina, Draco e Hermione também com respingos de sangue, desencadearam a central de boatos no trem, pois alguns alunos ainda viram Gabriel e seus amigos. Olhavam principalmente para Gabriel, cujas mãos pingavam sangue.
Em poucos minutos todos no trem, do 1º ao 7º ano já sabiam que o Herdeiro de Salazar Sonserina tinha matado dois comensais e deixado outra às portas da morte. E em breve todo o mundo bruxo saberia, pois Rita Skeeter também estava na cabine, em sua forma Animaga.
Tinha pego carona no cabelo de Gina, quando ela embarcou, e quando esta foi pega de refém, refugiou-se num canto da cabine, no alto. Tinha visto todo o ocorrido. No momento, estava num canto da sala, observando os esforços de Lupin para salvar Belatriz. Era-lhe indiferente se Belatriz vivesse ou morresse, pois ela já tinha a manchete para o dia seguinte do Profeta Diário.
Mas numa coisa ela concordava com Moody. O rapaz era perigoso. Nunca vira ninguém fazer aquilo antes. E muito corajoso, também. Saiu voando e pousou nos cabelos de Gabriel. Afinal, ele era a notícia mais quente, no momento. No momento em que entraram na cabine, voou novamente e ficou escondida sobre a cortina, de onde podia ver e ouvir tudo.
Já fazia meia hora que o trem estava parado. Gabriel ouviu as ordens de Moody para que os demais Monitores e professores confinassem os alunos em suas cabines. Não queria ninguém nos corredores. Gabriel percebeu que alguns aurores haviam chegado. E depois Rufus, junto com Dumbledore. Mas já não se importava mais.
“Droga! Missão secreta? Tudo perdido! O jeito é utilizar suas outras armas e tentar resolver sozinho o problema. Mas deixar todos aqui morrerem? Não. Existe ainda a possibilidade de resolver isso.” – pensava Gabriel desesperadamente.
Logo depois de serem “escoltados” por Rony e Harry até a cabine, Draco e Gina ficaram abraçados, sentados num canto, com Gina chorando baixinho no peito de Draco. Gabriel estava com um nó na garganta, por causa do que as meninas tiveram que ver principalmente Hermione que fora torturada. Ficou olhando a paisagem lá fora, até que Hermione tocou seu ombro.
Virando-se, viu que ela tinha lágrimas nos olhos e teve vontade de abraçá-la para confortá-la, mas olhando para si mesmo, viu a quantidade de sangue que tinha em seu corpo e suas roupas. Percebeu que ela tinha chegado à mesma conclusão que ele e sorriram um para o outro, cúmplices.
- O que acha que vai acontecer agora? – perguntou Gina com a voz calma.
- Com vocês? Nada. – falou Gabriel que achava muito daquele choro de Gina era só desculpa para ficar abraçada em Draco. – Vocês não fizeram nada que possa ser considerado contra a lei.
- E com você? – perguntou Hermione séria.
- Provavelmente serei levado para o Ministério para dar explicações, depois uma temporada em Azkaban. – falou Gabriel sério.
- Escute! – falou Draco sentando-se melhor enquanto Gina se afastava um pouco dele meio a contragosto. – Minha família conhece os melhores advogados do mundo bruxo. Posso chamá-los aqui em poucos minutos. Podemos brigar contra isso.
- Draco. Draco. Draco. Escute-me. Da forma como o ministério anda operando, seus advogados não conseguirão nada. Só vou sair de Azkaban para conhecer seus bisnetos. – falou Gabriel triste.
- Na verdade, acho que vai ser o oposto. O ministério vai querer uma explicação para o acontecido, quer dizer, como é que comensais se infiltram num trem de estudantes e nenhum auror percebe? – falou Hermione.
- E quem vai contar a verdade à população bruxa? – pergunta Gina. – Por que na nossa palavra não vão acreditar. Afinal estamos envolvidos.
- Vamos esperar pra ver. – falou Hermione. – Mérlin me perdoe. Mas nestas horas, eu bem que gostaria de ver a Rita Skeeter, por aqui.
- Não sei não. Do jeito que o Profeta Diário anda publicando as histórias, iria parecer que eu me transformei numa ”besta assassina sedenta de sangue”. – falou Gabriel sério.
- Parece-me uma hipótese bastante plausível, em vista do ocorrido. – fala Dumbledore entrando, acompanhado por Rufus, ambos com expressões preocupadas.
- Dumbledore. – exclama Draco. – É impressão minha ou o Sr. está mais jovem?
- Oh. Sim. Fiz um tratamento de pele. – falou Dumbledore mentindo.
- Altamente eficiente. – completou Gina.
- Obrigado. Agora eu gostaria de saber o que aconteceu naquela cabine. – disse Dumbledore.
Os três tentaram falar ao mesmo tempo, mas Dumbledore levantou a mão e pediu.
- Um por vez, por favor.
- Por favor, vocês três, esperem lá fora. – disse Gabriel olhando para os amigos e pedindo com um olhar a autorização de Dumbledore.
- Por quê? – perguntou Hermione.
- Por que vocês já viram isto uma vez, e é mais que suficiente. – completou Gabriel baixinho. – Por favor, esperem lá fora. Façam isso, por mim. Vocês não precisam ver isso novamente.
Autorizados por Dumbledore, os três saem até o corredor, deixando Dumbledore e Rufus sozinho com Gabriel. Olhando para os dois, Gabriel fecha a cortina da janela da cabine e pede a Rufus que faça o mesmo com a outra janela. A seguir, pega a varinha e sob o olhar atento de Dumbledore e Rufus, a encosta na têmpora direita e retira um fio prateado, uma lembrança. Jogando-a no ar, mentaliza um feitiço e a imagem começa a aparecer como se estivessem dentro de uma penseira.
Os dois vêem Draco se levantar e voltar para a cabine, as ameaças de Belatriz, a tentativa de negociação, a tortura de Hermione, a falsa entrega da varinha, o ataque brutal, e os ataques dos quatro amigos até derrubá-lo.
Em silêncio, os dois se sentam e ficam parados por alguns instantes assim que a lembrança acaba. Logo Dumbledore olha para Gabriel que continuava encostado na janela, olhando para fora.
- Você se arrepende do que fez? – pergunta Dumbledore.
- Não. – responde Gabriel depois de alguns instantes de hesitação. – Arrepender-se é não fazer algo.
- Seus amigos poderiam ter se ferido com esta ação, sabia? – perguntou Rufus de forma calma.
- Claro que sabia. Mas o que acha que aconteceria com os reféns, depois que eu entregasse a varinha? – respondeu Gabriel.
- Eles seriam libertados. E tudo ficaria em paz. – respondeu Rufus.
Eles ouvem um som estranho, que se repete ritmadamente, ao levantar os olhos, Rufus descobre que Gabriel está rindo.
- Nem você acredita nisso! Nós sabemos que eles iriam matar todos, somente por prazer. – fala Gabriel rindo. – Vocês viram o que o comensal fez com Hermione, só por que eu tentei ganhar tempo. Se eu me arrependo de algo? Sim. Arrependo-me de ter demorado tanto para terminar o serviço em Belatriz. Por que sei que agora ela virá atrás de meus amigos de novo, e vocês não podem protegê-los, assim como não puderam fazer isso aqui no trem. Agora vou ter que dormir com um olho aberto, por que sei que ela vai voltar, o ou chefe dela, ou o marido dela, ou simplesmente alguém que ela mandar. Mas eu também sei que a próxima vez que eu a encontrar, eu vou matá-la, e a quem quer que esteja com ela.
Rufus e Dumbledore olham-se e pensam no que fazer. Depois de alguns instantes, decidem que os outros deveriam ser interrogados também. Gabriel sai e pede que Draco entre. Gabriel vai até o fundo do trem e senta-se no chão, em silêncio, sob os olhares de vários aurores que o olhavam curiosos para conhecer quem era o jovem que havia derrubado de mãos limpas, três comensais, inclusive Belatriz, que era considerada por muitos deles, a mais letal dos comensais, principalmente depois do que fizera com Sírius Black.
Depois de alguns instantes, Rony vai até lá e lhe oferece uma barra de chocolate. Gabriel o olha espantado e aceita um pedaço pequeno.
- Eu não sou bom em desculpas, mas pelo que minha irmã me disse agora a pouco, e pela força do novo tapa que levei de Hermione, creio que nunca fui tão mal educado com alguém como fui com você. E se você suportou sem me bater até agora, é porque tem algo em você que realmente vale a pena conhecer. – fala Rony. – Então, muito prazer. Meu nome é Rony Weasley e sou irmão da Gina Weasley, e gostaria de ser seu amigo.
- Não havia necessidade de desculpas, Rony. Mas como são sinceras, aceito-as. Espero que no futuro, sejamos bons amigos, embora ache que para me ver, deverá ir até Azkaban. – fala Gabriel o cumprimentando.
- Não sei não. – falou Lupin vindo ao lado de Harry. – Até onde vi, foi legítima defesa, e pelo que as meninas e Draco disseram você foi muito bem.
- É cara. Eu mesmo não conseguiria isso. – falou Harry tentando sorrir. – Até onde sei, o ministro vai é lhe dar uma medalha e não uma temporada em Azkaban. Você é um herói. E, desculpe, se eu tivesse visto que era Belatriz, talvez eu não tivesse te atacado.
"Eu, Herói? Cruzes. Se eles soubessem metade do que já fiz!" - pensa Gabriel sorrindo triste.
- Obrigado pelas palavras de vocês, mas realmente creio estar ferrado. E eu não sou um herói. – fala Gabriel com a voz triste.
Logo vários aurores se aproximam para ouvir o rapaz. Olho Tonto entre eles.
- Olha aqui moleque. – falou Olho Tonto sério. – Nunca vi alguém fazer isso. E tenho muitos anos de Combate as Trevas. Salvar os reféns e dominar os bandidos é uma das matérias do curso de Aurores. Mas lá são três aurores e um bandido. E bem poucos conseguem salvar o refém e dominar o bandido. – completa Olho Tonto, apoiado pelas palavras dos aurores ali presentes.
- Ai é que está o X da questão. – falou Gabriel esticando as pernas. E com a voz baixa continua. – Dominar os Bandidos. Eu optei por “Eliminar os Bandidos”.
- Você tinha opção? – perguntou Moody sério.
- Depois de tomar uma atitude, sempre vai aparecer alguém e lhe dizer o que deveria ter feito, ou lhe mostrar que você fez de errado. Mas na hora de tomar a atitude, você a toma e o que vier depois é conseqüência dela. – fala Gabriel sério.
Moody e Lupin se olham impressionados pelas palavras de Gabriel. Até que Rony não agüenta e pergunta:
- Falando sério, pra que você quis uma varinha? Por que pra mim, você causa mais medo com seu modo de luta que muitos comensais com varinhas. – fala sério.
- Se você vivesse onde vivi, saberia que uma varinha é útil, mas na hora da briga, saber se defender é muito mais importante do que agitar um pedaço de madeira e gritar feitiços. – responde Gabriel olhando para Rony.
- Observando seu comportamento calmo, após a luta, nada me tira da cabeça que você já matou antes, estou certo? – perguntou Lupin.
- Já. Já matei antes sim. – responde Gabriel depois de alguns instantes de hesitação. – E sei que voltarei a matar.
- Isto não assusta você? – pergunta Harry subitamente interessado.
- Já me assustou na primeira vez, depois, não. O que mais me assusta é que nada mais me assusta. – riu-se triste, e depois continuou. - Se vocês colocarem um bicho papão em sua frente ele lhe mostra seu maior medo, certo? – após a concordância de todos Gabriel continuou. – Já fizeram isso de brincadeira uma vez pra mim, sabem o que eu vi? – perguntou olhando para todos que o observavam, curiosos. – Eu ME VI. Ali parado, me olhando de volta. Só isso. O que eu me tornei, é meu pior medo.
- Você parece ter gosto por batalhas. – perguntou Harry. – Não gosta de seguir as regras?
- Potter, Potter, entenda que em uma luta, as regras não existem. É matar ou morrer. Você nunca deve entrar numa luta achando que vai vencer facilmente. Faça sempre um plano para cada eventualidade possível, e prepare um em especial que deve ser usado quando achar que não há mais chance de vitória possível e que a retirada é impossível. – responde Gabriel, tomando um pouco de água em um cantil que um auror lhe entregou. Agradeceu e devolveu o cantil. – Esse plano, eu chamo de “levar o maior número de inimigos comigo para o inferno” .
- Já teve que usar este plano alguma vez? – pergunta Moody sério.
- Uma vez. – responde Gabriel.
- Levou alguns? – perguntou Harry achando que era brincadeira.
- Trinta e sete. – respondeu Gabriel sério vendo a cara de espanto dos outros, depois de hesitar um pouco completa. – E um era meu amigo de infância, que tinha me traído, por dinheiro.
- Quer contar como foi? – pergunta Lupin e alguns aurores próximos já ouviam cada palavra do jovem, subitamente impressionados, alguns meio aterrorizados da forma tranqüila que o rapaz falava.
- Não. Certas coisas não devem ser lembradas. – falou Gabriel sério. – Mas posso lhe dizer Potter, ou Harry, ou o Escolhido como lhe chamam agora. Sei que você acha que entrar em uma luta pode ser emocionante, mas não é.
- Eu não quis... – começou Harry mas foi interrompido por Gabriel.
- Eu sei. Não há necessidade de se preocupar agora. Aproveite a vida. Mas saiba, que se entrar em combate, Estupefaça nem sempre é suficiente. – completou Gabriel apontando para a cabine onde os quatro precisaram derrubá-lo.
- Eu realmente gostaria de saber como agüentou todos os feitiços sem cair. – falou Moddy.
- Eu tomo leite. – respondeu Gabriel rindo pela primeira vez.
- Sei. Acho que com um pouco de Veritasserum, eu consiga uma resposta melhor. – falou Moddy sorrindo também.
Neste instante, a porta da cabine se abre, e Draco sai, chamando Gina e Hermione que entram juntas.
- E então, como foi? – pergunta Gabriel sentado de forma displicente no chão.
- Bem. Surpreendentemente bem. No início Rufus quis perguntar algumas coisas sobre você, mas Dumbledore não o deixou prosseguir e se ativeram ao acontecido na cabine. Mostrou a memória para eles? – perguntou Draco se sentando ao lado de Gabriel, também no chão. E com um aceno de confirmação de Gabriel prosseguiu. – Imaginei que faria isso. Expliquei para as meninas que você faria isso. Elas não gostaram nada de serem “excluídas” do interrogatório.
- Não queria que elas vissem o que aconteceu. – disse Gabriel baixinho.
- Não sei se você sabe, mas o seu Solaris foi tão forte que nos deixou meio cegos também. Consegui ouvir os golpes e os gritos, mas enxergar mesmo só enxerguei novamente quando Rony estava tentando deter você. – falou Draco.
- Eu perdi o controle. – falou Gabriel baixinho quase um sussurro. – Quando aquele comensal machucou a Hermione eu vi que era matar ou morrer. Nós seríamos todos mortos assim que eles pegassem a varinha. Então decidi que iria matar todos eles. Era só o que podia feito, e eu, o único livre para fazer.
- Muito nobre de sua parte, mas se quiser saber a verdade, caso fosse eu, acho que sairia correndo. – disse Draco envergonhado. – Eu não fiz nada para ajudar.
Depois de alguns instantes de silencio, Gabriel olha direto nos olhos de Draco e fala.
- Com a Belatriz apontando uma varinha para o seu peito, o que poderia fazer? – falou Gabriel olhando para Draco. – O erro foi meu. Eu devia imaginar que seria atacado, por causa da varinha, mas achei que seria na estação, não no trem.
- Neste caso, o erro é nosso também. – falou Rufus chegando com Dumbledore e as meninas. – Concentramos nossas forças na estação e não levamos em conta que poderiam entrar no trem com a poção Polissuco. Estuporaram cinco crianças para fazerem isso.
- Tudo isso, só por causa da varinha? – perguntou Gabriel incrédulo.
- É claro que não. Havia missões múltiplas. A primeira era tentar matar o Potter, coisa que tentaram, quando jogaram aquela muda de visgo do diabo dentro da cabine dele e usaram o Engórgio! Por sorte, eles pensaram rápido. A segunda era seqüestrar Draco e levar para Aquele-que-não-deve-ser-nomeado como aviso de que ninguém se afasta dele. A terceira era roubar a varinha e matar você, por causa do que fez na loja do Olivaras. Aparentemente Aquele-que-não-deve-ser-nomeado não gostou de ver seus comensais sendo ridicularizados por um garoto que nem armado estava. A quarta missão começaria assim que conseguissem a varinha e Draco.
- Que seria? – perguntou Hermione.
- Eles deveriam incendiar o trem e trancar as portas e janelas externas. Era pra todos vocês estarem mortos agora. – falou Dumbledore.
- E como eles fariam isso? – perguntou Moddy. – Afinal de contas, ainda haveria professores e alunos que poderiam defender o trem.
- Com isso. – falou Rufus, mostrando um artefato de metal do tamanho de uma bola de futebol americano.
- E o que é isso? – perguntou Gina olhando para o objeto, assim como todos os presentes.
- Napalm concentrado com C4, combinado com drogas psicotrópicas que causam desorientação e sonolência imediata. Ainda tem um temporizador para disparar após alguns segundos. – fala Gabriel mal olhando o objeto. – Basta ativar e jogar no chão, em alguns segundos ele libera as drogas, em forma de gás, que se espalham rapidamente e funcionam com base no contato com a pele da pessoa. Depois ele explode e espalha um líquido altamente inflamável em um ângulo de 360° que se incendeia que não apaga com água e queima furiosamente até destruir tudo que é atingido. - completa de forma didática. – Se ele ativasse um em cada vagão, a explosão iria desorientar a todos, as drogas manteriam todos quietos e calmos, enquanto o fogo começasse. Depois de ter começado, só sobrariam às ferragens do trem.
- Como é que você conhece este artefato? – pergunta Rufus muito curioso. - Somente agora tomei conhecimento dele.
- Por que já o vi sendo usado. Pelos trouxas. Numa das guerras deles. – responde Gabriel sério. – Foi banido, até mesmo por eles. Nem mesmo os piores terroristas usam isso. Não sabia que ainda fabricavam.
- Como fugiram do Visgo do Diabo? – perguntou Draco curioso para Rony.
- Glacius! Feitiço Congelante. - respondeu Rony sério.
- E pensou nisso sozinho? – tornou Draco rindo do ruivo.
- Na hora que a coisa aperta você tem que se virar né? – falou Rony sorrindo para Draco.
- Parabéns. Eu não teria pensado nisso. – disse Draco sincero. – Eu tentaria o fogo.
- Tentamos esse, mas não deu certo. – falou Harry sorrindo.
- Como descobriram tudo isso, Rufus? – perguntou Lupin.
- Depois de jogar o visgo na cabine de Potter e o aumentar, o comensal foi pego por alguns alunos e preso com alguns feitiços bem interessantes. Ao interrogarmos o Comensal com veritasserum, ele contou toda a história. Além disso, pegamos o que estava na sala de máquinas do trem e ele confirmou tudo.
- Então, dos males o menor. – falou Hermione.
- Concordo. – falou Dumbledore. – É um fato triste o ocorrido, mas pelo menos não tivemos muitos danos e apenas alguns feridos leves.
- Agora precisamos resolver o que fazer com você! – falou Rufus olhando para Gabriel.
- Azkaban? – perguntou Gabriel calmo.
- Só se eu fosse louco! – respondeu Rufus. – Depois do que iam fazer aqui, acha que eu vou chorar por que alguns comensais morreram? Deixe-me explicar melhor. Eu não dou a mínima para o fato de que 2 ou 50 Comensais morreram, entende? Mas eu tenho amigos e filhos de amigos neste trem e naquela escola. Eu sei que tentamos dar a melhor segurança possível para Hogwarts, mas sei que é praticamente impossível, pois temos mais locais para proteger e poucas pessoas para isso. Mas Dumbledore tem uma idéia que vai discutir com vocês em breve.
- Agora, estamos com mais de uma hora de atraso, vamos limpar isso aqui e colocar o trem para andar, pois temos um ano letivo para iniciar, e caso alguém precisar de maiores esclarecimentos, deixem por minha conta, certo? – falou Dumbledore para todos.
- Creio que é melhor vocês se banharem e trocarem de roupa, em umas duas horas chegaremos na escola, e temos um jantar para apreciar. – fala Lupin olhando para os quatro, principalmente para Gabriel. – Usem o banheiro dos professores, que lhe permitirá tomar um banho com mais privacidade e tranqüilidade. Draco e Gina, como vocês estão um pouco mais limpos, por favor, levem roupas para os dois. – completou Lupin apontando para Gabriel e Hermione.
- Sim senhor. – responde Gabriel meio arredio ainda, levantando-se do chão e não acreditando que a missão ainda continuava.
- E rapaz? – chamou Moddy.
- Sim? – respondeu Gabriel se virando.
- Onde consigo o leite que você anda bebendo? – perguntou rindo em voz alta, junto com todos os aurores dali.
Ninguém percebeu que Rita Skeeter estava na parede vendo e ouvindo tudo. Tinha manchetes para vários dias. Sorria tão feliz que nem percebeu quando Gabriel saiu rindo pelo corredor, ainda coberto de sangue, acompanhado por seus amigos. Ao passar pelas demais cabines, o que todos viam era ele e Hermione cobertos de sangue e rindo. Muitos alunos começaram a olhar para ele com respeito e até medo.
Antes de chegarem aos banheiros, Rita voou do cabelo de Gabriel e saiu do trem. Afastando-se um pouco retornou a forma humana e aparatou direto na sede do Profeta Diário. O dono do jornal tinha um filho que estava no trem. E ele precisava saber do ocorrido antes da reportagem ser escrita.
Ao chegarem ao banheiro dos professores, viram que poderiam tomar banho em duplas, pois cada chuveiro tinha uma porta. Gabriel foi primeiro, pois era o que mais precisava e Hermione, pois estava com muito sangue em suas roupas. Sujas, quando pegou Gabriel em seu colo. Ao entrarem no Box do banho, Gabriel não agüentou e perguntou para Hermione.
- Precisa de ajuda para lavar seu cabelo?
- Não, obrigado. E você precisa de ajuda com o seu? – perguntou ela rindo da piadinha.
- Mas é claro que preciso! Você me ajuda? – pergunta com um olhar de cobiça para ela.
- Não posso. – responde ela rindo. – Mas posso pedir pro Draco te ajudar, que tal? – devolvendo a piadinha.
- Muito Obrigado! – ele fala chateado. – Eu me viro sozinho, grato.
- Por nada! – responde ela rindo em voz alta.
“Se pelo menos fosse a mãe do Draco! Não o filho!” – geme seu Monstro Interior. – Gabriel riu e começou a se esfregar com força. Sangue humano era muito difícil de tirar. Sabia disso desde os três anos de idade.
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