Os dois aparataram novamente no jardim da Ordem assustando os aurores que estavam de vigia. Muitos deles, assim como foi treinado várias vezes, saíram de seus postos rapidamente e cercaram os dois com as varinhas em punho.
_Calma, calma. Somos nós: Hermione e Malfoy! – Hermione gritou colocando as mãos para o alto, sendo imitada por Draco.
_Como podemos ter certeza? – perguntou um dos aurores se aproximando mais um pouco. – Diga a senha!!
_Sorvete de limão.
Os aurores imediatamente baixaram as varinhas e retornaram aos seus postos. Hermione agradeceu a passagem que lhes davam e entrou na Ordem.
_Sorvete de limão? Que diabos é isso? – perguntou Draco, incrédulo.
_Era a sobremesa preferida de Dumbledore. É a senha para entrar na Ordem. – respondeu seriamente entrando rapidamente na Ordem e seguindo para a sala de Gui.
_Hermione! Finalmente vocês voltaram! – dizia a senhora Weasley que seguia pelo mesmo corredor que eles. – Meu Deus! O que houve com vocês? Foram atacados? – perguntou mais preocupada ainda.
_Não foi nada de mais, senhora Weasley. Apenas um acidente. Precisamos ver o Gui. Ele está?
_Claro querida. Servi um chá da tarde para eles, mas com certeza ele não se importará de interrompe-lo. Estávamos todos tão preocupados. – ela olhou severamente para Draco, mas como viu que ele também estava machucado se tranqüilizou.
Os três seguiram até a sala de reuniões onde estava acontecendo o chá. Naquela sala apenas os chefes da Ordem entravam e para falar de assuntos confidenciais, mas como a Ordem era formada por antigos amigos essa regra não era realmente respeitada e a sala era utilizada pra reuniões amigáveis, para relaxar um pouco.
Na sala estavam presentes Harry, Lupin, Tonks, Fleur e todos os Weasley, menos Gina. Eles estavam discutindo os últimos detalhes do casamento de Gui. Embora a guerra estivesse tão movimentada ninguém queria parar suas vidas por causa disso e todos estavam precisando de uma distração. O casamento seria uma cerimônia pequena, dentro da Ordem mesmo, apenas para parentes e amigos. Os membros da Ordem que não foram convidados terão o dia de folga e poderão ir para suas casas. Alguns entretanto ficarão de serviço vigiando a Ordem, para que não sejam pegos desprevenidos, caso aconteça alguma coisa.
Todos estavam muito entretidos em suas conversas que, pela primeira vez em muito tempo, tinham um tom leve e festivo. Rony foi o primeiro a notar a chegada de Hermione.
_Mione! – ele levantou-se rapidamente e se dirigiu a garota. – O que houve com você? Não me diga que ess...
_Ele não fez nada, Rony! Foi um acidente. – respondeu Hermione aliviada por estar em casa junto dos amigos. Harry e Gui logo se aproximaram também.
_Vocês estão bem? – perguntou Gui. – Me dêem isso, venham, sentem-se. – disse pegando as urnas das mãos de Hermione e fazendo sinal para que os dois se sentassem.
_Escuta, se você não se importar eu preferia tomar um banho antes. A casa estava completamente empestada e eu quero realmente me livrar de toda essa sujeira. – disse Draco abrindo os braços e olhando para si mesmo para contemplar a imundície em que se encontrava.
_Tem razão. Vão tomar banho e venham direto para cá. Aqui vocês tomam alguma coisa e nos contam o que houve, certo. – disse Gui compreensivo olhando penalizado para Hermione que parecia muito abalada.
_Preocupada com alguma coisa, Granger? – perguntou Draco acompanhando-a de longe pelo corredor que levava aos banheiros.
_Eu deveria? – respondeu sem olhar para ele.
_Não que eu saiba. – disse acelerando o passo para se aproximar dela. – Mas você parece preocupada.
_Não estou! Vê se me deixa em paz, Malfoy!
_Tenho minhas duvidas quanto a você querer realmente que eu te deixe em paz, Granger! – ele a ultrapassou e parou a frente dela fazendo com que ela tivesse que parar bruscamente para não trombar com ele. Os dois ficaram muito próximos.
_O que você quer de mim Malfoy? – perguntou incomodada afastando-se um pouco do rapaz.
_O mesmo que você quer de mim... – disse sorrindo maliciosamente para a garota.
_E o que você espera que eu possa querer com você?! – perguntou olhando-o firmemente tentando passar alguma confiança.
Antes não o tivesse encarado. Malfoy abriu mais ainda o sorriso e se aproximou mais um pouco dela. Ela, por sua vez, não se afastou. Não porque quisesse aquela aproximação, mas porque ficou sem reação diante do olhar do rapaz. Desde aquela manhã, na casa de Snape, Hermione havia percebido algo novo no olhar de Draco, e não podia negar que algo nele a atraia, só não sabia o que já que havia passado toda a vida odiando-o. De qualquer maneira ela não conseguiu desviar o olhar daqueles olhos cinzentos que a encaravam passando milhões de mensagens indecifráveis, ou que ela não queria realmente decifrar, por medo do que encontraria nelas. Ao mesmo tempo não pode deixar de notar no quanto Malfoy era bonito. Já tinha percebido isto no dia anterior, quando foi acorda-lo, mas não tinha parado para pensar no assunto. Agora estavam ali os dois no corredor deserto, sem ninguém a espera deles, já que ninguém nunca havia cronometrado quanto tempo eles demoravam para tomar banho. Hermione aproveitou para reparar bem em suas feições. Não era a toa que as meninas da Sonserina e, na verdade algumas das outras casas também, viviam babando por ele. Rico, bonito e, ela tinha que admitir, inteligente.
Draco percebeu a análise que ela fazia dele e se aproximou. Parecia que Hermione estava hipnotizada, pois não esboçava nenhuma reação àquela aproximação. Ele se inclinou um pouco para alcançar os lábios da garota. Ela apenas fitou os lábios dele, mas não se afastou. Draco tocou os lábios dela com os seus suavemente e nesse momento, foi como se o encanto se quebrasse, Hermione se afastou bruscamente olhando-o nervosa.
_O que pensa que esta fazendo? – perguntou passando a mãos pelos lábios como se quisesse limpá-los.
_Te beijando, ou pelo menos tentando. – disse um pouco espantado. Tinha certeza que conseguiria.
_Isso eu percebi! Mas por quê?!
_Porque me deu vontade, Granger! E pare de se limpar! Eu sei que você também quer e está longe de me achar nojento. – disse olhando-a desafiadoramente.
_Pelo contrário! Não só te acho nojento como muito convencido! – disse voltando a seguir caminho.
_Mentira, Granger! – disse segurando-a pelo braço. - Eu percebi o jeito como você me olhou ontem lá no quarto, hoje mais cedo e agora mesmo! – ele se aproximou mais dela.
_Vai sonhando! – ela soltou o braço bruscamente. – É melhor não encostar em mim de novo, Malfoy! – ameaçou.
_Ou o quê?! Vai contar pro Potter e pro Weasley? Faça-me o favor! – riu-se.
Ela não respondeu nada. Continuou seu caminho até o dormitório pisando firme. Chegou ao quarto totalmente transtornada. Sabia que na realidade o que Draco havia falado era verdade. Ela também sentiu vontade de dar aquele beijo.
_Que beijo?! Aquele idiota só quer se aproveitar! Só quer provocar Harry e Rony e está me usando para isso, tenho certeza! – ela levou a mão aos lábios novamente, dessa vez levemente, apenas para senti-los. – Se bem que...que mal haveria em ficar com ele? – pensou. – Um beijo não é nada de mais e depois, se ele está mesmo do nosso lado qual é o problema? – ela deitou-se na cama com a toalha de banho no colo. – Mas e o Rony? – sentou novamente. – Que se dane o Rony! Ele só quer saber da Lilá! Pois então que fique com ela. – falou em voz alta. Hermione se levantou e saiu decidida em direção aos banheiros. – Não vou fazer nada, mas se ele tentar de novo quem sabe? – ela levou as mãos a cabeça. – Ai! O que eu estou pensando?!
_Falando sozinha Mione? – alguém perguntou.
A garota se assustou virando-se rapidamente. – Que susto Neville!
_Desculpe... Algum problema? – perguntou acompanhando Hermione que recomeçara a andar.
_Não, não... Só pensando alto. – ela sorriu para tranqüilizá-lo.
_Como foi lá na casa?
_Mais ou menos, mas não posso comentar muito, você sabe. Ainda não falei com Gui, então...
_Entendo. Bom, nos vemos mais tarde. Tchau.
_Tchau. – Hermione finalmente chegou ao banheiro. – Tudo que eu preciso é de um banho e por as idéias no lugar... – ela se despiu, e entrou embaixo do chuveiro deixando que a água escorresse pelo seu cabelo enquanto ponderava os acontecimentos do dia.
Quando chegou a sala de reuniões metade dos que ali estavam já tinham saído. Draco já estava lá e a olhava fixamente. Ela tentou simplesmente ignorar, mas como poderia? A única cadeira vaga na sala ficava justamente ao lado dele. Na sala haviam ficado Harry, Rony, Gui, Remo Lupin, Tonks e Arthur Weasley.
_Finalmente! Estávamos imaginando se você não tinha se afogado, Granger! – disse Draco ironicamente.
Ela não respondeu. Se dirigiu até a cadeira ao lado dele e fez questão de balançar bastante a cabeça quando se aproximou fazendo seus cabelos ainda molhados baterem no rosto do rapaz.
_Desculpe a demora, Gui – ela enfatizou o nome do homem. – Mas eu encontrei Neville no caminho.
_Tudo bem, Hermione. Agora nos contem o que vocês encontraram por lá. Não quisemos abrir as caixas antes de vocês chegarem.
_Bom... – Hermione parou para ver o que havia no grande prato que surgira a sua frente. – Não havia muita coisa na casa. Encontramos o corpo do Perebas – Rony se mexeu na cadeira. – quer dizer, Pedro Petigrew, que estava na forma de rato. É ele quem está numa das caixas.
_Certo. E na outra? – perguntou o homem.
_Na outra há uma caixa com as iniciais, aparentemente do Snape. Achamos melhor trazê-la ao invés de tentar abri-la por lá.
_Vocês trouxeram uma caixa fechada?!! Sem verificar o que tinha dentro?!!- Gui falou um pouco exaltado.
Todos na sala se assustaram com a mudança repentina no tom do homem. Hermione olhou para ele espantada. Rony e Harry deram pulos nas cadeiras onde estavam. Arthur olhou meio bravo para o filho, mas não falou nada. Não podia desautorizá-lo ali. Os outros dois apenas se entreolharam preocupados. Draco nem se mexeu.
_Bem, a trouxemos lacrada! – Hermione respondeu com o garfo a meio caminho da boca e os olhos arregalados.
_Mas é perigoso, Hermione! – Gui se levantou impaciente. – Você mais do que ninguém sabe disso! Foi treinada para isso! Sabe muito bem que pode haver um feitiço rastreador na caixa! Poderia ser uma armadilha!
_Na verdade a culpa foi minha. – Draco interrompeu tranqüilamente, cortando um pedaço de bife. – Fui eu que a convenci a trazer. – disse levando o pedaço de bife a boca quando terminou de falar.
_Tinha que ser! Quem garante que não foi de propósito! – Rony exclamou de repente dando mais um susto em todos na sala.
_Rony! Por favor! – tentou o senhor Weasley.
_Mas ele tem razão senhor Weasley! Ele pode tê-la convencido de propósito, para ajudar os comensais a nos localizarem. – completou Harry.
_Rony, Harry, não podemos acusar ninguém sem provas. E eu pediria para que vocês apenas ouvissem, sem interromper. – falou Gui um pouco mais calmo. – Bom, tudo bem. Vamos mandar as caixas para o Ministério para que seja examinada pelos peritos de lá...
_Por que não fazemos isso aqui mesmo?! – perguntou Rony alterado. Ele não terminou a frase quando viu a expressão reprovadora que fez seu pai.
_No Ministério eles estão muito mais preparados para isso Rony! – e se virando de novo para Hermione e Draco. – E o que mais vocês viram lá?
_Mais nada. – respondeu Hermione com a voz fraca. Não gostava de levar broncas na frente dos outros. – Não tivemos tempo porque apareceram uns comensais e achamos melhor aparatar de volta.
_Eram muitos. – Draco completou indiferente.
_Vocês puderam reconhecer algum? – perguntou Remo entrando pela primeira vez na conversa.
_Os mesmos de sempre: meu pai, Bella, Macnair e mais dois que eu não reconheci. Apenas ouvi as vozes.
_Você também não viu quem eram, Hermione? – perguntou Tonks, dessa vez.
_Não. Eu tinha caído um pouco antes deles chegarem. Me levantei rapidamente quando ouvi vozes e só pude ver Bellatrix.
_E ela te viu? – perguntou Rony, preocupado.
_Viu...
_Algum deles te viu, Malfoy? – Gui indagou sentando-se novamente.
_Acho que não...
_Certo... Podem ir agora. Só decidiremos o que fazer depois que o Ministério descobrir o que há na caixa. Vão descansar. Falo com vocês amanhã.
Os quatro mais jovens foram os primeiros a saírem da sala. Sabiam que não adiantaria enrolar para tentar ouvir os comentários dos mais velhos pois eles só começariam a conversar quando tivessem certeza que eles já estariam longe.
_Poxa Hermione! Como você deixou esse idiota te convencer a trazer aquele negócio para cá? – perguntou Rony rudemente para ela.
_Ai Rony! Ele não me convenceu a nada! Ele até me falou para não trazer! – disse impaciente. Ainda não tinha entendido direito por que Draco a havia defendido.
_Como é que é?! – Harry parou bruscamente no corredor olhando incrédulo para Draco.
_Por que ele te defenderia? – perguntou Rony mais indignado ainda.
_Eu não sei! – Hermione estava alguns passos a frente dos amigos. Parou e se virou para Draco antes de continuar. – Mas obrigada, Malfoy. Só não faça isso de novo, cada um tem que assumir seus erros aqui dentro, OK?
_Não se preocupe, Granger. Já fiz minha cota de boas ações do mês, mas você tá me devendo uma. – disse olhando-a com o mesmo olhar e sorriso que a deixava desconfortável.
_Humpf! Vou dormir. Boa noite para vocês.
Nenhum dos três respondeu realmente. Draco limitou-se a olhá-la maliciosamente enquanto ela se afastava. Estava tão distraído que mal percebeu quando as mãos de Rony o agarraram pela gola da camisa.
_Escuta Malfoy: se você estiver aprontando alguma coisa para Hermione você vai se arrepender, ouviu?! – ele tinha as orelhas extremamente vermelhas e um brilho feroz nos olhos.
Draco apenas ria enquanto Harry tentava desvencilhar o amigo das roupas de Draco.
_Não se preocupe, Weasley. Não vou fazer nada... que ela não queira. – falou olhando desafiadoramente para o rapaz a sua frente.
Rony partiu para cima dele novamente, mas foi impedido por Harry.
_Fica calmo Rony! Não adianta ameaçar esse aí! Você conhece a Hermione, ele não vai poder fazer nada! - e se virando para Draco. – É melhor você ir dormir também, Malfoy! Antes que acabe nos metendo em encrenca!
_Ok, ok, Potter! Já estou indo! Afinal, tenho que estar descansado caso me mandem para mais alguma missão com Hermione, certo? – ele se afastava provocativamente. Não percebeu o esforço sobre-humano que Harry fazia para que Rony não voasse para cima dele de novo.
|