Eram cerca de 9:00 hs quando Gabriel foi acordado por Apollo, seu gavião. Com leves bicadas no queixo, ele reclamava de fome e tédio. Afinal, por mais que Gabriel o tivesse deixado livre da gaiola ele estava entediado de voar somente pelo quarto.
Com um muxoxo de reclamação, Gabriel abriu a janela de seu quarto para que Apollo pudesse voar lá fora um pouco, pedindo-lhe que voltasse logo. Depois fez sua higiene matinal, tomou um longo e demorado banho e pediu seu café, sendo prontamente atendido pelo hotel. Tomava seu desjejum, quando Apollo retornou mais calmo. Lembrando-se de Lando, escreveu uma mensagem em um pergaminho e amarrando na pata de Apollo, enviou-o para Lando, com a instrução de lhe trazer a resposta assim que a obtivesse.
Enquanto Apollo não voltava, vestiu-se de maneira apurada e aparatou até o Beco Diagonal. Precisava pegar seus uniformes, além de uma visita até o Gringotes. Ao entrar no banco, aguardou um pouco e foi atendido por outro duende. De forma educada, Gabriel solicitou para que fosse atendido pelo mesmo duende de sempre. No que foi informado que ele não trabalhava mais no banco.
- Desculpe, mas onde posso encontrá-lo? – perguntou delicadamente Gabriel.
Depois de alguma insistência, descobriu o endereço de onde o duende estava e foi para lá imediatamente.
Chegando num bar escuro não muito apresentável, descobriu o duende sentado num banquinho, chorando de forma inconsolável.
Aproximando-se lentamente, Gabriel sentou-se a sua frente e esperou alguns instantes até que o duende o viu. Quando percebeu a presença do jovem que havia sido tão educado com ele no passado ficou espantado.
- Olá Sr. – falou com voz triste o duende. – Desculpe-me por ter me encontrado neste estado.
- Não tem problema. Fui até o banco e não o encontrei. Só me disseram que tinha sido demitido. Não quiseram dizer o motivo, mas acho que tem algo a ver comigo. É verdade? – perguntou Gabriel sério.
- Não, Sr. A culpa é minha. Eu falei para todos que você tinha sido muito educado comigo e que seria bom se todos nos tratassem com educação. Acho que meus comentários chegaram até o Conselho Diretor que não gostou muito. Depois disso o gerente me demitiu. – falou com a voz sumindo.
- Bem. Realmente é uma pena. Como fará agora? – perguntou ao duende. – Onde vai trabalhar?
- Vou tentar um emprego de lavador de pratos, ou mesmo de limpador de banheiro. Sabe, quando um duende é demitido do banco, e foram muito poucos até hoje, ele é considerado como não sendo mais de confiança e é repudiado por todos.
- Besteira. Nunca ouvi tantas besteiras. Pois bem. Vamos fazer o seguinte: - disse Gabriel, enquanto o duende o olhava assustado. – Preciso de um Assessor Financeiro. Alguém que encontre ótimas oportunidades de investimento, no mundo bruxo. E que administre o meu dinheiro de forma inteligente e segura. Não vou deixar todo aquele dinheiro parado mofando. Quanto você ganhava por mês no banco? – pergunta curioso.
- Cerca de 50 galeões, Sr. – respondeu o duende com a voz se alegrando.
- Muito pouco! Seu salário acaba de aumentar para 500 galeões mensais. Aqui, tome isso. – disse Gabriel entregando uma bolsa cheia de moedas de ouro. – Tome um banho e compre umas roupas novas e elegantes. Espero você na sorveteria do Beco em uma hora. Precisamos ir até o Gringotes.
- Jamais me deixarão entrar lá novamente. Eu fui demitido. – respondeu triste o duende.
- Quero só ver se não vão aceitar. Agora você não trabalha para eles, lembra? Você trabalha para mim. Uma hora. Apresse-se. – falou Gabriel saindo e uma vez fora do bar, aparatou na porta da Floreios e Borrões, onde tinha comprado seus livros escolares.
Entrando na livraria, pediu a última edição de Hogwarts uma História e após pagar foi até a sorveteria esperar seu Assessor Financeiro. Depois de alguns minutos ele aparatou em sua frente, vestido de forma muito elegante.
- Bem melhor. – falou Gabriel sorrindo calmo para o duende. – Desculpe, conversei bastante com você e até hoje não sei ou seu nome.
- Snit, Sr. Ah! A propósito. O Ouro que sobrou de sua bolsa. – o duende fez uma tentativa de lhe devolver, gesto que Gabriel recusou prontamente.
Olhando em volta e não vendo ninguém, mas querendo garantir privacidade, lançou um feitiço de imperturbabilidade e outro de silêncio absoluto ao redor deles. Ninguém conseguiria ouvir nada do que dissessem, nem se estivessem a meio metro deles.
- Considere um bônus de produtividade. Agora vamos acertar alguns detalhes. Além de seu salário, para cada 100 galeões que ganhar em investimentos que fizer com meu dinheiro, 5 deles serão seus. Seja prudente, mas ousado. Seja conservador com os investimentos, mas não bitolado. Não negocie ou invista em nada que tenha a mínima suspeita de ter participação de qualquer forma com os partidários de Voldemort. Invista em coisas úteis e práticas. Essas sempre garantem um bom retorno. Certo? Qualquer dúvida, por favor, me envie uma mensagem, mas com cuidado, pois elas podem ser interceptadas. Utilizará um código que depois eu lhe explico, certo? – pergunta Gabriel sorrindo para o duende.
- Sim senhor. – respondeu o duende animado. – Mas por que ganhar 5 dos seus galeões a cada 100? Parece-me muito!
- Chame de Participação sobre os Lucros. – disse Gabriel com uma risadinha. – Quero sinceridade, honestidade e sigilo absoluto. Preciso que me diga sempre o que é preciso que eu ouça sobre os investimentos, mesmo que sua opinião seja diferente da minha. Em alguns casos eu direi o que fazer ou não. Mas normalmente a decisão final é sua. Entendeu?
- Sim. Sr. – respondeu o duende sorrindo feliz da vida.
- Primeiro, para de me chamar de Sr. Meu nome é Gabriel. Chame-me pelo nome. Mas não o fique repetindo por ai, ainda. Segundo. Preciso que me ajude com um negócio meio estranho. – falou Gabriel pegando duas chaves do bolso de sua camisa. – Eu “encontrei” digamos assim, essas duas chaves que creio que pertencem a cofres no Banco. Preciso de acesso ao conteúdo desses cofres, mas de forma que não fique público o fato de que seja eu que as possuo, entendeu? – pergunta Gabriel preocupado.
“Já que tenho as chaves dos cofres de Voldemort, vou roubá-lo!” – pensa Gabriel sorrindo perversamente. – “Ah, Hades! Essa você gostaria de ver!”
- Entendi perfeitamente. Não haverá nenhum problema. Lembra-se que eu lhe disse que a posse da chave determinava seu dono e acesso ao conteúdo? Basta apresentar as chaves e terá acesso imediato. Quanto à privacidade, é fato conhecido que nada nem ninguém fariam um duende falar algo sobre negócios dos seus clientes. É uma magia própria de nossa espécie. – completou o duende sorrindo.
- Muito bem então Snit. Vamos ao banco. – disse Gabriel, que após pagar o café, saíram em direção ao Banco Gringotes.
Na entrada, vários duendes os olhavam com estranheza, tendo como base o fato de que Snit havia sido demitido há pouco tempo. Vários deles nem sequer olhavam para o duende que ficava cada vez mais abatido. Indo diretamente até a mesa do Gerente, que olhava um de seus maiores e melhores clientes em companhia de um ex-funcionário, ficou alerta.
- Bom dia. – cumprimentou Gabriel educadamente.
- Bom dia Sr. O que posso fazer pelo Sr. Hoje? – perguntou o gerente muito solícito.
- Gostaria de apresentar a você, meu novo Assistente Financeiro, com acesso total a minha conta de investimento e ou cofre pessoal. Qualquer ordem que ele lhe der, por favor, cumpra como sendo minha. Quero que seja atendido como se fosse eu, e, caso isso não ocorra, bem... Talvez eu tenha que retirar minha conta de vosso estabelecimento por, digamos, ter tido um péssimo atendimento, o qual farei questão de exibir na primeira página de todos os jornais do mundo bruxo. Acredito que isso causará alguns inconvenientes para vocês também. – falou Gabriel com a voz gélida. Estava chateado com o que tinham feito com Snit, e já que ele seria seu contato mais importante aqui fora, era hora de mostrar confiança absoluta nele. E que melhor lugar do que ali, num dos mais importantes bancos do mundo bruxo?
- Pode ter certeza Sr., de que tudo o que estiver ao nosso alcance para melhor atendê-lo, o a seu representante, será feito. – respondeu o gerente de forma muito solícita, e tremendo um pouco por dentro, com medo de perder aquela conta.
- Ótimo! Snit, o que devíamos fazer aqui hoje? – perguntou Gabriel como se tivesse esquecido.
- Queremos acesso aos cofres. Imediatamente. E em sigilo absoluto! – falou Snit com voz de comando. Depois de ouvir o que Gabriel tinha falado, e a atitude do gerente, ele se sentiu no céu dos duendes. Então é assim a sensação de ter poder. Curioso.
- É claro. – disse o gerente. – Por favor, me acompanhe, eu mesmo os levarei. Tem a chave do cofre?
- Obviamente! – respondeu Snit pegando duas chaves e entregando para o gerente que após verificar os números das chaves, os acompanhou no carrinho de transporte.
Seguindo o caminho habitual, logo estavam em frente ao cofre 6. Após abrir a porta, Gabriel ficou pasmo. Não havia praticamente nenhum espaço livre dentro do cofre. Pilhas e pilhas de galeões de ouro. Pelo menos 20 vezes mais do que Gabriel possuía em seu cofre.
- Vê Snit. – disse Gabriel se recuperando rapidamente. – É por isso que é bom receber herança. – fala Gabriel rapidamente inventando uma desculpa para terem acessado o cofre de outra pessoa.
- Concordo Sr. – disse Snit olhando incrédulo para tal quantidade de dinheiro. Até o gerente, acostumado a trabalhar com grandes cifras, olhava aquilo assustado.
- Vamos ao outro cofre? – perguntou Gabriel.
- Claro. Imediatamente. – falou o gerente trancando a porta e subindo no carrinho novamente. Ainda sentia suas mãos tremerem levemente pela visão de tanto dinheiro. Dirigiram-se até o cofre 8 e pararam.
Novamente o gerente abriu a porta e a cena se repetiu. Desta vez, além de dinheiro aos montes, também havia alguns objetos de arte no local. Olhando para aquilo, Gabriel pediu aos duendes que ficassem na porta e deixassem-no sozinho por um instante. O gerente concordou e disse-lhe em tom de segredo que era normal ficar admirado com tal quantidade de dinheiro.
Fechando a porta, e ficando sozinho dentro do cofre, Gabriel se concentrou. Não era a visão do dinheiro que o tinha deixado assustado, e sim a Magia Negra que sentia vindo de algum objeto naquela sala. Depois de verificar cuidadosamente o que exalava tanta Magia Negra, percebeu uma pequena taça de ouro, colocada bem protegida sobre uma pilha de objetos iguais.
“Cara! Essa missão é demais! Uma horcrux aqui! Ao meu alcance! Isso é demais! “
Não acreditava em sua sorte. Aquilo era um bônus maravilhoso. Trocaria todo o ouro recém encontrado, só por aquela taça.
Conhecendo o que era aquilo, e temeroso de armadilhas presentes, Gabriel analisou nitidamente a situação. Estranhou o fato de que não tivessem nenhuma armadilha presente. Devia ser porque eventualmente tivesse que ser mudada de lugar dentro do cofre. Conjurou então uma pequena caixa de ferro, com o interior acolchoado e com um pequeno feitiço de levitação, colocou a taça dentro da caixa, selando-a com feitiços que impediam sua saída. De qualquer modo mágico. Colocou na caixa, ainda, um feitiço de proteção, para que não ficasse exalando Magia Negra. Em seguida, reduziu o tamanho da caixa, até que ficasse do tamanho de uma caixinha de anéis e colocou-a em seu bolso. Depois disso, saiu do cofre e dirigiu-se até os duendes.
- Snit. – chamou Gabriel. – Quero uma relação de cada coisa nestes cofres. Refiro-me especialmente as obras de arte. E quanto dinheiro tem aqui. Se possível, providencie um outro cofre, mais seguro ainda e coloque o dinheiro lá. No outro cofre coloque as obras de arte e demais itens, entendeu? – pergunta Gabriel calmo.
- Certamente, sr., começarei ainda hoje. Espero ter uma relação nas próximas horas, e...- ia falando Snit, quando Gabriel falou suavemente.
- Calma Snit. Não tenho tanta pressa. Só que a relação das Obras de Arte deve ser a mais completa possível. Quero saber sobre cada objeto nesta sala, se é mágico ou não, o que faz, qual o seu poder, qual o seu valor, entende? Serviço completo. Se precisar de ajuda, creio que o banco poderá fornecer alguns funcionários para ajudá-lo, estou certo? – falou Gabriel e em seguida olhou para o gerente, que não acreditava na maneira educada como aquele homem tratava seu ex-funcionário.
- Sem dúvida! Colocarei a sua disposição alguns de nossos funcionários imediatamente. Eles poderão auxiliar nas pesquisas sobre os objetos. Como deseja que seja feita a pesquisa? – perguntou o gerente diretamente a Gabriel.
- Combine com Snit. É com ele que irá tratar de agora em diante. Obviamente o conteúdo destes cofres é de sua responsabilidade a partir de agora Snit. – falou Gabriel calmamente, como se dissesse que o dia estava ensolarado ou que a chuva era molhada. – Certo?
- Sem dúvida. Tudo será providenciado.– responde Snit, parecendo crescer alguns centímetros com sua autoridade reafirmada perante o gerente que o olhava embasbacado.
- Ótimo. Naturalmente os investimentos que você deverá providenciar incluem o valor do meu cofre particular também. – completou Gabriel entregando a Snit a chave de seu cofre particular. – A partir de agora, quando eu necessitar de algum dinheiro, pedirei a você, por isso, tenha sempre algum em reserva. Nunca invista mais de 50% do total do capital ao mesmo tempo. A possibilidade de precisar de dinheiro será grande nos próximos meses, por isso fique atento a oportunidades.
- Naturalmente, Sr. - falou o duende rindo da cara do gerente. Snit tinha agora pelo menos 500 vezes mais dinheiro para investir do que o próprio gerente tinha.
- Ah! A propósito. Preciso de algum dinheiro. Talvez uns mil galeões. – falou Gabriel para Snit, que imediatamente pegou a bolsa que Gabriel havia lhe dado e aumentou com magia seu interior, colocando o dinheiro dentro dela. Enquanto anotava em um pequeno diário, a saída do dinheiro.
Gabriel recebeu a bolsa e atendendo ao pedido de Snit, fez uma pequena assinatura ao lado da retirada que acabara de fazer. Feliz pelo trabalho meticuloso do duende e desejoso de mostrar ao gerente que prestigiava seu Assessor Financeiro, Gabriel falou calmamente.
- Snit. Creio que por seu trabalho desta manhã, provou minha escolha em você. Portanto seu salário acaba de ser dobrado. A partir de hoje você ganha 1.000 galeões mensais, além é claro da participação sobre os lucros. – fala Gabriel sorrindo para Snit.
- Ora, obrigado sr., mas não creio que mereça tanto assim. – falou o duende sentindo-se no céu dos duendes novamente, enquanto o gerente pensava desolado: “Mil galeões mensais? Eu ganho somente 250. E o que era esse negócio de Participações nos Lucros? Será que... não. Ninguém no mundo bruxo fez isso até hoje. Este bruxo não faria isso. Pensando bem, ele era louco o suficiente para fazer isso sim. Dividir lucros, com um funcionário? Não! Definitivamente Não! Embora...”.
Ainda pensativo, trancou o cofre, entregou as chaves para Snit, e saíram até a portaria, onde Gabriel assinou alguns papéis referentes à autorização de Snit para movimentar seus valores. Tudo o que Gabriel assinou foi antes lido e conferido por Snit, que aprovou a assinatura de Gabriel.
Uma vez fora do banco, Gabriel falou para Snit, discretamente.
- Quero que verifique dentro de alguns dias o mercado imobiliário bruxo. Quero comprar uma casa para mim. Uma mansão. De preferência um tanto afastada do centro da cidade. E não desejo muitos vizinhos por perto também. Quero muito espaço livre, um grande jardim com muitas árvores. Seja discreto. Mande-me os dados das residências que considerar adequada, de preferência com um desenho da propriedade e do imóvel. – falou Gabriel.
- Sim senhor. Como faremos para nos comunicar? Corujas? – perguntou Snit.
Como se tivesse sido chamado, Apollo voou por cima da cabeça de Gabriel e em seguida pousou em seu ombro direito.
- Olá Apollo. Tudo bem? – perguntou fazendo um carinho no bico do falcão que lhe estendia a pata direita, com uma mensagem impressa em computador.
- Snit esse é Apollo. Apollo esse é Snit. – apresentou-os. Snit aproximou-se de Apollo e delicadamente acariciou a ave que lhe olhou calmamente e pareceu aprovar o carinho, pois deu um piado baixinho.
– Ele será nossa linha de comunicação. Precisamos ainda discutir um código. – falou Gabriel enquanto lia a mensagem de Lando: “Original até no correio, hein? He he! Por aqui tudo bem. Milt informa que as compras foram todas feitas, e que as construções estão sendo providenciadas de acordo com o pedido. Informa ainda que vai acompanhar todas as obras para certificar-se de que seguirão o melhor padrão de qualidade. Um abraço, Lando”.
- “Bom” , pensou Gabriel. - “Isto também está praticamente resolvido. Acho que vai dar tempo suficiente para ver tudo antes de começarem as aulas.”
- Algo mais para ver-mos hoje, Snit? – perguntou Gabriel curioso.
- Creio que não Sr. Se me permitir, voltarei ao banco e começarei a pesquisa. –falou o jovem duende.
- Fique a vontade, mas lembre-se. Não trabalhe demais. Aproveite a vida, enquanto pode. – respondeu Gabriel, e olhando para seu relógio viu que já eram quase 3 da tarde. Com fome, convidou Snit para almoçar, mas este recusou, dizendo que preferia começar o trabalho. Sozinho, Gabriel voltou até a lanchonete e pediu uma pequena refeição que comeu com prazer. Depois de almoçar, bebia um copo de suco, e lia o livro que havia comprado pela manhã.
- “Mais um dia de trabalho duro completo!” – pensou Gabriel sorrindo enquanto lia sobre os Fundadores da Escola. – “Ou quase completo. Preciso fazer ainda duas visitas hoje!” . A primeira seria até agradável, a segunda muito difícil. Mas precisava fazer. Antes que fosse tarde demais. Com algum tempo livre e nada urgente para fazer, pediu outro suco e degustava agradavelmente, quando alguém parou na sua frente, dizendo:
- O que vejo? Alguém estudando fora da Escola? – disse uma voz com alegria.
Gabriel levantou sua cabeça e olhou para a pessoa recém chegada. Abriu seu melhor sorriso ao ver que era Hermione Granger.
- Então nos encontramos novamente? – perguntou ela.
“Mérlin! O que eu faço? E por que meu coração parou? Controle-se, por Mérlin! Será que eu devo....NÃO! Controle-se!” – xinga-se mentalmente Gabriel enquanto sorria para ela.
- É sempre um prazer encontrar alguém tão bela. Aqui ou em qualquer lugar. – falou Gabriel charmosamente, ao mesmo tempo em que se levantava e puxava uma cadeira para que Hermione se sentasse a seu lado, enquanto escutava os risinhos de Gina que chegava neste instante, junto com Rony e Harry.
- Esses são meus amigos. – falou Hermione um pouco corada pelo elogio recebido e pelo fato de ele ter colocado a cadeira delicadamente ao lado da dele, bem pertinho, quase colada a sua. “Que educação! Mérlin! Que músculos! Que Sorriso!!” . - pensou sentindo-se tonta. – Este é Harry Potter e este é Rony Weasley, além é claro da Gina que você já conhece.
- Muito prazer em conhecê-los. – cumprimentou Gabriel de forma simpática. – E é claro é sempre um prazer revê-la, Srta. Weasley. Por favor, sentem-se. Gostariam de me acompanhar bebendo algo?
- Eu gostaria de um suco, se me permite. – falou Gina olhando-o diretamente de forma avaliativa. Harry e Rony pediram o mesmo, enquanto Hermione disse não querer nada.
Gabriel levantou sua mão e quando o atendente chegou, fez o pedido. Enquanto aguardavam o pedido, Hermione olhou para o livro e pediu enquanto sorria provocativa.
- O que está achando da leitura? – pergunta ela.
- Interessante. Sem dúvida até onde li fica claro a intenção dos Fundadores em educar os jovens. Espero terminar de ler antes de ir para a Escola. – respondeu Gabriel educadamente, olhando para Hermione como se só ela existisse no mundo. Fato que não passou despercebido por ninguém da mesa. Especialmente Gina que sorria divertida.
“Esses estão fisgados!” – pensa Gina sorrindo.
- Não sabe nada sobre Hogwarts? - perguntou incrédulo Rony.
- Não. Quer dizer, quase nada. Como vou para lá terminar meus estudos, devo pelo menos me familiarizar com a história do local. – mente Gabriel.
“O que eu conheço de lá, não é algo que eu queira compartilhar, ruivo!” – pensa Gabriel sem lhe dar muita atenção.
- Acho estranho. – disse Rony enquanto bebia um gole do suco que acabava de chegar.
- Estranho, como, desculpe? – perguntou Gabriel educadamente desviando o olhar de Hermione com muito esforço.
“Mas que mala! Quem disse que eu quero falar da escola agora?” – pensa Gabriel furioso. - “Hermione está aqui! Ao meu lado!”
- Como é que você vai para um lugar que não conhece? Aliás, já que estamos falando em conhecer, como é seu nome? – perguntou seco, recebendo um olhar de raiva de Hermione e Gina.
- Meu nome não... – não conseguiu acabar.
- “Meu nome não é importante!”– falou Rony de forma grosseira. – De onde você vem?
“Vou bater nesse moleque!” – pensa Gabriel.
- De um lugar nada especial. – respondeu de forma calma Gabriel, não gostando nada do que estava acontecendo, o sorriso sumindo de seu rosto.
Gina que estava sentada ao lado do irmão lhe deu um cutucão por baixo da mesa, mas ele não se importou. Queria tirar aquela história a limpo e seria agora.
- Deve ser muito especial. Afinal depois do que fez na loja de meus irmãos, deve-se reconhecer que para alguma coisa esse lugar servia, afinal de contas. – falou Rony com voz ofensiva. - E o que faz da vida? Trabalha? Mora em algum lugar? – Rony continuou pressionando.
- Rony! – falaram Hermione e Gina ao mesmo tempo. Harry limitava-se a observar Gabriel com os olhos semi-cerrados.
- Então eles são seus irmãos. – disse Gabriel com a voz lenta. Enquanto pegava sua bolsa e colocava cinco galeões sobre a mesa, pagando o consumo. Levantando-se a seguir e dizendo com a voz controlada:
- Aparentemente a cortesia e a educação com estranhos não é um sentimento nutrido pela ala masculina de sua família Srta. Weasley. Com a vossa licença, me retiro. – falando diretamente para Hermione, e aparatou imediatamente para a Rua onde ficava a mansão de Draco. Para piorar, esquecera o livro que estava lendo.
- Rony, seu idiota retardado. O que você pensa que está fazendo? – pergunta Hermione levantando-se e se apoiando na mesa, com a voz irritada.
- Ora, eu só queria saber sobre ele. – responde Rony tentando se defender se levantando da cadeira para impor sua opinião.
- Como, ofendendo o cara? – pergunta Gina furiosa levantando-se também e apoiando Hermione. – Seu palerma. Seu idiota. Nem acredito que seja meu irmão. - fala furiosa com ele.
- Olhem aqui! Eu me preocupo com um cara estranho e vocês me agridem? O que estão pensando? Só por que ele é bonitinho? – pergunta de forma desdenhosa.
PLAFT! O tapa que Hermione desferiu em Rony foi ouvido em toda a praça de alimentação. Enquanto Rony levava a mão até o rosto, Hermione e Gina saiam pisando duro. Hermione ainda teve presença de espírito para pegar o livro do rapaz misterioso antes de se retirarem em direção à loja dos gêmeos.
- Você viu só isso? – perguntou Rony incrédulo para Harry.
- Vi. E acho que você mereceu. Também acho que há algo estranho sobre o rapaz, mas acho que a forma que você se comportou foi errada. – falou Harry.
- Não acredito. Até você está a favor dele? – perguntou Rony.
- Eu não disse isso. Disse? – falou Harry calmo. – Esqueça isso. Daqui a pouco as meninas voltam e tudo se acertará.
- Acho que a Hermione é que me acertará, de novo. – riu Rony acompanhado por Harry. – Cara, que braço pesado a Hermione tem.
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