Pan foi direto ao DM, tanto porque estava no mesmo andar como mal podia esperar para ver uma pessoa. Hope, sua melhor amiga, estava de pé, em frente a um gráfico confuso, fazendo anotações numa planilha. Havia movimento a sua volta, mas ela parecia não notar. Usava uma roupa estranha, que parecia bem maior do que deveria ser, o que diminuía ainda mais seu tamanho. Estava pálida e abatida.
-Hope?
Ela virou-se ao som da voz da amiga. Deixou as planilhas caírem e lançou-se a Pan. Abraçaram-se com força. Hope tremia e gaguejava.
-Nunca... Nunca mais desapareça... Eu precisei tanto de você, eu...
-Shhhh...
-Pan... Ele se foi.
-Sim. -Pan disse com a voz entrecortada
-Eu passei muito tempo até me convencer disso... Passei muito tempo estudando aquela sala... Quando conclui que não havia nada mais que eu pudesse fazer pra mudar isso... senti uma vontade imensa de me jogar através daquele véu.
-Amiga...
-Mas algo me impediu de fazer isso. -e ela sorriu- Eu achei que estivesse grávida.
Pan recuou alguns passos.
-Como? -perguntou em falsete- Você...? Oh, Merlin...
-Calma...
-Me dê um minuto. -Pan pediu e apoiou-se na parede para respirar- O que você estava esperando para me contar isso?
-Eu esperava você aparecer...
-Você vai ter um filho. -Pan sorriu- Um filho do meu pai!
-Não... -Hope disse caindo na gargalhada
-Isso é realmente inusitado, mas... -ela estendeu a mão e tocou o ventre da amiga- É maravilhoso!
Hope segurou Pan pelos ombros e a sacudiu.
-Eu achei que estivesse grávida. -ela reiterou- Mas foi um alarme falso.
-O quê? Então você não...? -Pan perguntou desalentada, seu lábio inferior tremendo- Oh... -e desabou no choro.
-Pamela... querida... -Hope a abraçou
-Isso teria sido genial, teria sido a melhor coisa que...
-Sim, teria sido, mas não foi. E, querida... Eu sinceramente acho que Sirius não merecia ter outro filho crescendo longe dele... Quero dizer, ainda que ele não esteja mais aqui e um bebê fosse ser a coisa mais incrível que... -ela abaixou os olhos e calou por um instante- Não seria o suficiente pra preencher sua ausência, e eu sei que ele está vendo tudo isso e... Ele saberia que foi, de novo, violentamente afastado de um filho antes mesmo que ele nascesse.
Pan respirou fundo e afastou as lágrimas dos olhos.
-Eu estou realmente uma pilha de nervos. -comentou
-Eu também estou. Mas estou tentando reagir. Sirius espera isso de nós, principalmente de você.
-Todos esperam.
No inicio da noite Pan voltou para casa. Severo lia na sala, enquanto Meredith era alimentada por Brom.
-Olá, meus amores. -ela disse curvando-se sobre ele e beijando-o, recebendo um abraço de Meri.
-Você foi ao Ministério? -Severo perguntou.
-Sim. -ela disse sorrindo- Eu estou de volta ao trabalho.
-Isso... -ele sorriu sentindo algo entre orgulho e alivio- ... é realmente uma boa noticia, meu amor!
-Eu sei... me sinto bem melhor. Acho que já estava na hora de reagir.
-Sim... -ele a puxou para o colo e a beijou, esquecendo o fato de que Meri observava tudo atenta, com um sorriso encantado nos lábios.
-Tenho que ir ao Outro Ministério esta noite. Vim trocar de roupa.
-Vá tranqüila. Eu cuido de Meredith.
-Bom. -e beijou-o de novo- Espero não demorar.
Aprontou-se, considerando que deveria estar com uma aparência bem trouxa, e aparatou para o Ministério da Magia, onde foi recebida novamente por Valerie que passou as instruções ao quadro que tinha conexão com o gabinete do Outro Ministro. Um feio homenzinho a ouviu atentamente e desapareceu.
-Pensei que você tivesse declinado da decisão de ir ver o Ministro. -comentou a secretária
-Por quê?
-Cornélius acabou de sair daqui.
-Mesmo? -Pan ergueu uma sobrancelha inquisitiva- O ministro não disse que Fudge me acompanharia nessa missão. E recebi os relatórios diretamente dele.
-Bom, esse é a nova função dele. -Valerie disse com um sorriso amarelo- Desde que o destituíram do cargo.
Pan não precisou fingir que lamentava o ocorrido, já que o homenzinho voltou dizendo que o Ministro Inglês a receberia imediatamente. Valerie indicou a lareira, mas Pan preferiu aparatar.
Surgira numa sala elegante, onde um homem de quarenta e tantos anos a esperava de pé, ao lado da janela. Ele usava um terno bem trouxa, com uma gravata bem trouxa e sapatos indiscutivelmente trouxas. Pan abriu um sorriso, divertindo-se com a imagem tão incomum aos olhos de alguém que cresceu dentro do universo da magia.
-Sou Pan McGonagall. -ela estendeu a mão- É um prazer conhecê-lo, Sr. Thompson.
-Bom... Eu diria o mesmo, caso meu tapete não estivesse em chamas. -disse ele num tom agradável.
Pan olhou para baixo e viu que realmente tinha deixado uma grosseira marca onde aparatara.
-Desculpe-me... -ela disse corando- Reparo! -ordenou ao tapete, e ele logo se pôs como novo.
-Agora sim, muito prazer em conhecê-la, Senhorita.
-Senhora. -ela corrigiu, observando uma leve sombra de decepção passar pelos olhos do ministro.
Era um homem bonito, Pan já tivera a oportunidade de ver uma foto sua nos jornais trouxas. Tivera uma grande aceitação entre o eleitorado feminino e era sabidamente um homem solteiro e cobiçado. Mas ela não tinha o menor interesse nisso, estava bem e feliz ao lado do marido, apesar de não poder deixar de notar que ele era realmente tão bonito como se anunciava por ai.
-Pensei que encontraria Fudge aqui. Ele saiu antes de mim do Ministério. Certamente está vindo de lareira.
-Oh, sim, a lareira. -ele disse fingindo estar confortável com toda aquela magia que o cercava, apesar de ter um inegável pavor nos olhos oblíquos e verdosos.- foi quando brilhantes chamas verdes explodiram em sua vida dentro da lareira vazia, abaixo de sua abóbada de granito.
Eles assistiram um distinto homem aparecer por entre as chamas girando rápido até o topo. Fudge saiu da lareira escovando a cinza e longa manga listrada de sua capa, segurando um velho chapéu coco verde limão amassado.
-Ah... Outro Ministro... - disse Cornélio Fudge, caminhando, com a mão estendida a frente- É bom, vê-lo de novo.
-Acho que você não pode dizer o mesmo. -Pan cochichou para o austero Jean Thompson.
Certamente que ela estava coberta de razão. O Primeiro Ministro não poderia honestamente estar satisfeito em ver Fudge, que em suas ocasionais aparições trazia más noticias. Além disso, nesta ocasião, Fudge estava lançando um olhar distintamente ansioso. Ele estava mais magro, mais calvo e grisalho e sua face tinha uma enrugada expressão. Pan imaginou se ele estava dormindo ou comendo e sentiu um pouco menos de antipatia por ele.
-Como eu posso ajudá-lo?- disse o primeiro ministro apertando a mão de Fudge brevemente gesticulando em direção a uma das cadeiras em frente a mesa e indicando outra cadeira a Pan, que apenas cumprimentou Fudge com um aceno de cabeça.
-Difícil saber por onde começar- murmurou Fudge, arrastando a cadeira, sentando e depositando o chapéu em seus joelhos- O que diabos foi essa semana...?
-Tive uma péssima semana também, e você? -perguntou o Primeiro Ministro com rigor, esperando conduzir a conversa que ele já entendia por encerrada e apanhou um objeto na mesa já sem nenhuma expectativa de ajudar Fudge, muito embora seu olhar estivesse se demorando demais na figura de Pan. Ele claramente preferia que aquela conversa ocorresse entre os dois apenas.
-Sim, é claro. -disse Fudge, esfregando seus olhos cansadamente e olhou de forma impertinente para o Primeiro Ministro- Eu tenho tido a mesma semana que você teve, Primeiro Ministro. A ponte de Broakdale...os assassinatos de Bonnes e Vance...sem mencionar a desordem em West Country...
-Você - er - seu - eu quero dizer, alguns do seu pessoal estiveram - estiveram envolvidos com estes - estes acontecimentos, não é? -Fudge fitou o Primeiro Ministro com um especial carrancudo olhar.
-Claro que eles estiveram. -ele disse- Certamente, você percebeu o que vem acontecendo?
-Eu... -hesitou o Primeiro Ministro. Isso era precisamente um tipo de comportamento que o fazia apreciar muito menos, as visitas de Fudge. Ele era, apesar de tudo, o Primeiro Ministro e não apreciava ser feito de ignorante, como um garoto de escola.
Percebendo isso Pan interveio, descobrindo naquele momento o motivo que levara Scrimgeour a pedir sua intervenção neste caso.
-Como ele deveria saber o que anda acontecendo, Cornélius? Ele não é uma vidente. E é para isso que estamos aqui, para lhe por a par dos fatos do modo mais diplomático possível.
-Eu tenho um país para fazer andar e eu estou carregado de problemas agora! Não tenho a obrigação de saber o que se passa na... er... comunidade bruxa! -estourou o Primeiro Ministro.
-Nós temos os mesmo problemas. -Pan explicou- A ponte de Brockdale ainda não apareceu. E aquela não foi somente uma tempestade. Aqueles assassinatos não eram feito de trouxas. E a família de Herbert Chorley estaria melhor sem ele.
-Nós estamos, no presente momento... -interrompeu Fudge, incapaz de manter-se calado- ...fazendo acordos para que ele seja transferido para o Hospital St. Mungus para Doenças e Danos Mágicos. A transferência deve ser feita essa noite.
-O que você...eu receio...eu...o que?- rosnou o Primeiro Ministro.
Fudge respirou longa e profundamente e disse:
-Primeiro Ministro, eu sinto muito ter de lhe dizer que ele voltou. Aquele que não deve ser nomeado.
-Voltou? Quando você diz "voltou"...ele está vivo? Eu quero dizer...
-Sim, vivo... -disse Fudge- Isso é, eu não sei, há um homem que não pode ser morto? Eu não sei realmente explicar isso, e Dumbledore, provavelmente, não irá explicar isso, mas de qualquer forma, ele certamente conseguiu seu corpo de volta e está andando, falando e matando, eu suponho, o motivo dessa nossa discussão, sim, ele está vivo.
-Isso, devo dizer, poderia ter sido minimizado caso o nosso Ministério não tivesse tão veementemente negado seu retorno após o Torneio Tribruxo. -Pan não se conteve, lançando um olhar de furiosa superioridade a Fudge.
O Primeiro Ministro não sabia o que dizer quanto isso, mas um persistente hábito de querer se parecer bem informado em qualquer assunto, o obrigou a se lembrar de alguns detalhes das conversas que tivera anteriormente com Fudge.
-Sirius Black está com ele? -perguntou, fazendo com que Pan olhasse desalentada para ele por um segundo.
Fudge abaixou os olhos, sentindo que não poderia suportar o olhar acusativo de Pan.
-Black? -disse Fudge distraído, girando seu chapéu repetidas vezes em seus dedos- Sirius Black, você quer dizer?
-Black está morto. -Pan disse.
-Digamos que nós... ah, estávamos enganados a respeito dele.
-Ele era inocente. -disse Pan- E ele não era um partidário do Lorde das Trevas.
-Eu quero dizer... -Fudge acrescentou defensivamente, girando o chapéu muito rápido- ...todas as evidências apontavam para ele, nós tínhamos mais de 50 testemunhas oculares! Mas de qualquer forma, como Pan disse, ele está morto.
-Assassinado, se quer saber. -Pan informou, não conseguindo ficar quieta- Dentro do Ministério da Magia.
-Isso será investigado. -Fudge apressou-se a dizer- Evidentemente...
O primeiro ministro olhava de Pan para Fudge tentando descobrir qual dos dois estava mais abalado. Certamente o olhar perdido de Pan era mais dolorido do que o histérico de Fudge. Teve um estalo de que quando Pan o corrigira em relação ao seu estado civil e à forma de tratá-la, referia-se a ele. Sorri consigo mesmo.
-Mas esqueça Black por agora. -disse Fudge numa tentativa desesperada de mudar de assunto- O fato é: nós estamos em uma guerra, Primeiro Ministro, e ações têm que ser feitas.
-Uma Guerra?- repetiu o Primeiro Ministro nervoso- Certamente isso é um exagero?
-Aquele que não deve ser nomeado tem se unido aos seus seguidos que escaparam de Azkaban em Janeiro. -disse Fudge, falando mais e mais rapidamente, e rodando seu chapéu tão rápido que ele transformara-se em um borrão verde e distorcido -Desde de que eles tiveram a liberdade, eles tem trazido a destruição. A ponte de Broakdale, ele fez isso, ele pôs em risco uma grande quantidade de trouxas.
-Que sujeira, então isto tudo é sua culpa, todas essas pessoas estão sendo mortas e eu estou tendo que responder sobre cordames enferrujados e ligações corrompidas e eu não sei o que mais? -disse o Primeiro Ministro furiosamente.
-Minha culpa! -disse Fudge, ruborizado. -Você está dizendo que você teria pego o maior bruxo das trevas que o bruxo já viu?
-Talvez não. -disse o Primeiro Ministro, levantando-se e caminhando lentamente pela sala- Mas eu teria colocado todo o meu poder para pegar o facínora antes que ele cometesse qualquer outra atrocidade!
-Você realmente acha que já não está sendo feito todo o possível? -perguntou Pan- Todo auror do Ministério estava, e está, tentando encontrá-lo. A ele e a todos os seus seguidores. Mas nós estamos falando sobre um dos mais poderosos bruxos de todos os tempos, um bruxo, o qual, tem nos iludido sobre a sua posição por quase três décadas. Não é uma batalha fácil, Primeiro Ministro.
-Então, eu suponho que você irá me dizer que ele causou o ciclone no West Country, também? -disse o Primeiro Ministro, seu temperamento se elevando a cada vez que respirava.
-Aquilo não foi um ciclone. -disse Fudge miseravelmente.
-Desculpe-me! -gritou o Primeiro Ministro, agora positivamente andando de um lado para o outro- Três árvores desraigadas, pedra arrancadas, postes de rua quebrados, horríveis danos...
-Isso foi feito pelos Comensais da Morte. -disse Pan- Comensais são os seguidores do Lorde das Trevas.
-E...e nós suspeitamos de um enorme envolvimento.
O Primeiro ministro parou de caminhar como se houvesse colidido com uma parede invisível.
-Que envolvimento?
Fudge fez uma careta.
-Ele usou gigantes da última vez, quando ele queria causar um grande efeito. O Escritório do Departamento de Mistérios está trabalhando contra o relógio, nós tivemos times de Obliviadores tentando modificar as memórias de todos os Trouxas que viram o que realmente aconteceu, nós tivemos todo o Departamento de Regulamentação e Controle de Criaturas Mágicas rondando Sumerset, mas nós não conseguimos encontrar o gigante. Isso é um desastre!
-Não diga isso! -falou o primeiro ministro furiosamente.
-Eu não direi que a moral está inabalada no Ministério... -disse Fudge.
-Depois... depois de tudo isso, nós ainda perdemos Amélia Bonnes. -Pan disse com um nó na garganta.
-Perderam quem?
-Amélia Bonnes. -ela reiterou- Chefe do Departamento de Aplicação das Leis Mágicas. Nós pensamos que o Lorde enfureceu-se com ela, porque ela era uma talentosa bruxa e... e todas as evidencias eram de que ela se meteu em uma terrível briga.- Pan limpou sua garganta.
-Mas os assassinos estavam nos noticiários. -disse o Primeiro Ministro momentaneamente divertindo-se com sua fúria- Nossos jornais. Amélia Bonnes...apenas disse que ela era uma mulher de meia-idade que vivia sozinha. Fora um asqueroso assassinato, não é? Isso tinha uma nota especial de publicidade. A polícia está perplexa...
Fudge suspirou.
-Bem, claro que eles estão. Morta em uma sala que fora trancada por dentro, não é? Nós, por outro lado, sabemos exatamente quem fez isso, não que isso nos auxilie a pegá-lo.
-E então houve Emmelina Vance, talvez você não tenha ouvido sobre isso. -Pan arriscou.
-Oh sim, eu ouvi! -disse o Primeiro Ministro -Aconteceu apenas há uma quadra daqui, como você deve saber. Os jornais tinham uma manchete como essa: Quebra de Leis e Ordem no jardim do primeiro ministro.
-E como se não bastasse... -disse Fudge, dificilmente ouvindo o primeiro ministro- ...nós temos Dementadores por todos os lados, atacando pessoas a seu bel prazer...
-Eu pensei que os Dementadores guardavam a prisão de Azkaban. -ele disse cuidadosamente.
-Eles guardavam. -disse Pan- Mas não o fazem mais. Eles deixaram a prisão e se aliaram ao Lorde.
-Eu não pretendia levar essa bofetada. -murmurou Fudge para si mesmo.
-Mas... -disse o primeiro ministro, com um senso de profundo horror- Não são eles aquelas criaturas que sugam a esperança e a felicidade das pessoas?
-Está certo. E estão se proliferando. E é o que está causando toda essa neblina. -disse Pan realmente penalizada com a situação de estupefação do Primeiro Ministro.
O primeiro ministro, por sua vez, afundou-se, com os joelhos bambos, na cadeira mais próxima. A idéia de invisíveis criaturas descendo pelas cidades a caminho do campo, dispersando tristeza e desesperança em seus votos, o fizeram se sentir completamente fraco.
-Agora veja aqui, Fudge - você fez tudo isso! Isso é sua responsabilidade como Ministro da Magia!
-Primeiro Ministro... -murmurou Pan ficando de pé e indo até ele repousar uma mão condoída em seu ombro trêmulo- Você não pode honestamente pensar que ele ainda é Ministro da Magia depois de tudo isso. Ele foi demitido há três dias.
-Toda a comunidade bruxa gritou pela minha destituição por uma quinzena. Eu nunca os vi tão unidos em todo o meu período como Ministro!- disse Fudge, miseravelmente.
O primeiro ministro ficou momentaneamente sem palavras. Despistada sua indignação a posição que lhe foi dada, ele ainda sentiu-se particularmente mal com o olhar contraído do homem sentado a sua frente.
-Eu sinto muito. -ele disse finalizando- Se houver algo que eu possa fazer? A não ser que você seja a nova Ministra? -perguntou ele referindo-se a Pan.
-Não, ela é uma auror importante, mas apenas isso. -disse Fudge- Em todo caso é muito gentil da sua parte, Primeiro Ministro, mas não há nada que você possa fazer. Eu fui enviado essa noite para contar-lhe sobre os recentes eventos e introduzi-lo a meu sucessor, além de trazer Pamela até aqui. Scrimgeour certamente se valerá dela para estes encontros. Ele deveria estar aqui agora, mas é claro que ele está muito ocupado no momento com tudo o que vem acontecendo.
Fudge olhou a sua volta parando em direção ao quadro do pequenino homem feio. Capturando o olhar de Fudge o quadro disse:
-Ele estará aqui em um momento, ele só está terminando uma carta para Dumbledore.
-Eu desejo-lhe sorte. -disse Fudge, soando amargurado pela primeira vez- Eu estou escrevendo a Dumbledore duas vezes por dia desde a última quinzena, mas ele não mudou sua opinião. Se ele apenas se preparou para persuadir o garoto, eu devo ainda ser...bem, talvez Scrimgeour terá melhor sucesso...
- Do que está falando? -Pan perguntou aborrecendo-se - Quem está tentando persuadir, Cornélius? Harry?
Fudge afundou-se num temeroso e ferido silêncio, que foi quebrado quase imediatamente pelo quadro, que repentinamente falou rapidamente em sua voz oficial, deixando Pan sem sua resposta.
-Ao Primeiro Ministro dos Trouxas. Requerimento a uma reunião. Urgente. Por gentileza responda imediatamente. Rufus Scrimgeour, Ministro da Magia.
-Sim, sim, ótimo. -disse o primeiro ministro distraído, e lentamente as chamas da lareira tornaram-se verde-esmeralda, levantaram-se e revelaram outro bruxo.
Fudge ficou de pé, e depois de alguns momentos de hesitação o primeiro ministro fez o mesmo, assistindo a nova entrada. Scrimgeour afastou o pó de sua longa capa preta e olhou a sua volta. Pan, como boa auror, recuou para um dos cantos e observou em silencio.
-Como vai você? -disse o primeiro ministro polidamente estendendo sua mão.
Scrimgeour a agarrou brevemente, seus olhos varrendo a sala até puxar a varinha de dentro de sua capa.
-Fudge e Pamela lhe contaram tudo? -ele perguntou, encaminhando-se até a porta e espremendo sua varinha dentro do buraco da fechadura. Ouviu-se um clique.
-Er... sim. -disse o Primeiro Ministro- E se você não se importa, eu prefiro que a porta permaneça aberta.
Pan sorriu. Scrimgeour era neurótico em alguns pontos.
-Eu prefiro não ser interrompido. -disse Scrimgeour de imediato- Ou assistido. -ele acrescentou, apontando para as janelas então as cortinas se arrastaram por ela- Certo, bom, eu sou um homem muito ocupado, então vamos aos negócios. Antes de tudo, nós precisamos discutir sua segurança.
O primeiro ministro afastou uma mecha de cabelo e respondeu:
-Eu estou perfeitamente feliz com a segurança que eu já tenho, muito obrigado.
-Bom, nós não. -Scrimgeour o cortou- Pamela, a especialista em segurança aqui é você, portanto...
-Sua segurança pode ser eficaz para protegê-lo em casos comuns, ataques trouxas e atentados simples, mas dada a situação e utilizando uma informação que o DM colheu em conjunto com a Ordem da Fênix, há um plano para que o senhor seja dominado por uma Maldição Imperius.
-Uma o quê? -ele arregalou os olhos alarmado
-Uma Maldição Imperdoável que consiste em obter o seu controle mental e fazer com que você tome atitudes de acordo com as vontades do bruxo que o enfeitiçou. Isso seria realmente um problema para a população trouxa.
-O novo secretário no seu escritório...
-Eu não me livrarei de Kingsley Shackebolt, se é isso que você está sugerindo! -bradou o primeiro ministro para Scrimgeour, que recuou um passo, deixando que Pan tomasse conta da situação -Ele é muito eficiente, faz duas vezes o trabalho que fazem os outros...
-Isso porque ele é um bruxo. -disse Pan com um sorriso tranqüilizador- Embora muito eficiente, ele não dará conta de protegê-lo sozinho. Vários aurores treinados e valorosos estão dispostos a protegê-lo, e...
-Agora, espere um momento! -berrou o primeiro ministro sendo indelicado com Pan pela primeira vez -Você não pode colocar o seu pessoal no meu escritório. Eu...
-Eu pensei que você estivesse satisfeito com Shackebolt? -disse Scrimgeour sem cordialidade.
-Eu estou... eu quero dizer, estava!
-Então não há problema, há? -perguntou Pan como se pedisse permissão ao primeiro ministro. Homens acostumados a mandar e desmandar apreciam isso.
-Eu...bem, se o trabalho de Shackebolt continuar a ser...er...excelente... -disse o primeiro ministro fracamente, mas Scrimgeour dificilmente pareceu ouvi-lo.
-Agora, sobre Herbert Chorley, seu assessor Junior. -Rufus continuou- Aquele que vem entretendo o público como um impressionante pato.
-O que tem sobre ele?
-Ele tem evidentemente uma medíocre desempenho de uma Imperius. -disse Scrimgeour- Estragaram seu cérebro, e isso pode torná-lo perigoso.
-Ele só está grasnindo! -disse o primeiro ministro fracamente.
-Ainda assim eu acho que é melhor nós o removemos da sociedade Trouxa por um tempo.
-Eu...Bem...ele ficará bem, certo? -disse o primeiro ministro ansioso. Scrimgeour somente deu de ombros, já se movendo em direção a lareira.
-Bom, isso é tudo o que eu tinha para dizer. Eu manterei contato sobre o desenrolar dos fatos, primeiro ministro. Na realidade, é isso que Pan fará. Eu sinceramente ficaria mais satisfeito se ela ficasse responsável pela sua segurança, mas ela será realmente muito útil agindo na captura dos Comensais. Em todo caso, poderei mandar Fudge vir aqui. Ele aceitou permanecer no Ministério tendo uma capacidade consultiva.
Fudge forçou um sorriso, mas sem sucesso. Ele apenas olhou como se estivesse com dor de dente. Scrimgeour já estava procurando em seu bolso por pó de Flú. O primeiro ministro contemplou esperançoso os dois homens e depois Pan por um momento, então as palavras foram mais fortes e a pergunta explodiu.
-Mas vocês são bruxos! Vocês não podem fazer mágicas? De repente vocês podem ordenar, bem, qualquer coisa!
Scrimgeour virou lentamente até um ponto e trocou um olhar duvidoso com Fudge, que realmente obteve sucesso em um sorriso naquele momento e disse gentilmente:
-O problema é o outro lado que pode fazer magia também, primeiro ministro.
-Você não vem, Pamela?
-Vou aparatar para casa, Ministro, se não se importar.
E com isso, os dois bruxos caminharam um após o outro para dentro das chamas verdes e sumiram. Pan encarou o Primeiro Ministro por um segundo.
-Bom... isso é tudo.
-Espere! -ele disse estendendo a mão como se quisesse segurá-la ali.
-Sim?
-Você poderia... Bom, quero dizer... Você é auror e...
-Ministro, eu não posso me encarregar da sua segurança. Quim está aqui para isso.
-Mas você parece que tem certa... autonomia...
-Longa história.
-Aliás... Fale-me sobre esse tal... Black. Eu ainda não entendi esse pedaço.
Pan, respirando fundo, contou rapidamente toda a história de Sirius, mas sem mencionar o fato dele ser seu pai, já que julgava que isso seria pouco relevante para a história.
-E qual o seu envolvimento com ele?
-Como assim? É tão aparente? -Pan sorriu debilmente.
-Bom, não é comum que alguém fale tão doloridamente de outro alguém caso não haja nenhum envolvimento...
-Ele era meu pai.
-Oh. -o Ministro gemeu esquadrinhando o rosto de Pan- Por um instante eu... eu pensei que...
-Que?
-Que ele fosse seu marido, mas esqueça... Eu sinto muito por sua perda.
-Obrigada. Senhor, agora eu devo ir. Já está ficando tarde e eu preciso colocar meu bebê para dormir. Foi um prazer. -e apertando a mão do Ministro por um breve instante, aparatou.