Wondering Eyes
“Pass the wondering eyes of the ones that were left behind.”
As montanhas não estavam amontoadas com medo. O mar deixou de parecer negro. Sem mais criaturas escondidas sob o convés. O rei esteve lá, e ele permanecia com ambas as mãos atadas ao seu Coração de Leão.
A estação de King's Cross jamais havia estado tão ocupada em toda sua existência. Havia bruxos e bruxas, magos e feiticeiros. Havia trouxas, garotos, garotas, adultos que tentavam ocupar seu espaço. A festa durou tanto tempo, e foi tudo tão, tão bonito... Era o estado da graça.
Entre a multidão de universos diversificados, encontrava-se um jovem. Um jovem de aparência singela e cabelos ruivos que movia-se lentamente. Em algum momento, quando um trouxa gigantesco lançou-lhe um olhar rude após quase deslocar-lhe um dos ombros, ele a avistou. A mais bela garota de todo o universo. Com cabelos castanhos enrolando-se por sobre suas costas, e sardas adoráveis que lhe chamuscavam o nariz. Seus olhos brilharam tanto.
— Mione! — gritou o rapaz, a plenos pulmões — Minha Mione!
E a menina virou-se, sorrindo como jamais havia sorrido em qualquer momento desde seu nascimento. Correndo, sentindo a brisa gélida de outono tocar-lhe as faces e permitindo que o pequeno lago formado sob seus olhos de chocolate despencasse, Hermione, com um salto de puro amor, deixou que seus braços delicados de bailarina repousassem sobre os largos ombros de seu eterno amor.
Os vagões do Expresso de Hogwarts estavam amontoados de alunos exageradamente felizes com a situação. Rony e Hermione, depois de certo esforço, conseguiram encontrar um vagão que não estivesse ocupado para que, assim, completamente à sós, dessem seu primeiro beijo desde o episódio ocorrido na câmara secreta. Entre curtos toques e lábios macios, o rapaz falava sobre como a amava. Sobre como faria o possível para que ambos continuassem em seus trilhos, juntos.
O trem chegou por volta das oito da noite. Puderam enxergar a travessia dos alunos novos pelo lago, ao pôr do sol. Hagrid estava lá.
— Lembra-se de quando éramos nós? Nós estávamos nos barcos, há oito anos. — Rony enfatizou, apontando-os com o queixo.
— Oh, é mesmo. Eu posso lembrar perfeitamente de seu nariz sujo.
Ambos sorriram.
A ceia foi tomada por gritos e assovios, para que, momentos depois, fosse entregue ao completo e pleno silêncio. O respeito aos que não estavam mais lá. Rony poderia chorar se Hermione não estivesse ao seu lado. Seu irmão foi um dos sugados pela morte, assim como vários amigos, quase familiares.
Como monitores, Rony e Hermione foram encarregados de levar seus novos membros ao salão comunal da Grifinória, e encaminhá-los aos seus quartos. Em seguida, os membros da Ordem sentaram-se em frente à lareira. Conversaram, sorriram, choraram. Lembraram.
Pela primeira vez, Hermione adormeceu em seus braços.
Quando o fogo crepitou, dando um último suspiro na lareira, Hermione abriu os olhos do sofá onde estava. Não restava um único indivíduo da Ordem, exceto Rony, que encontrava-se, curiosamente, sob seu rosto. A garota moveu-se lentamente, de modo que seus lábios tocassem parte dos cabelos ruivos e cintilantes do amado, e sussurrou baixinho:
— Ron...
Sua voz rouca e preguiçosa despertou o rapaz, que abriu os olhos lentamente.
— Sim? — Rony perguntou, docemente.
— Você acha que seria loucura ir à torre de astronomia agora?
— Bem... Seria.
Hermione curvou os lábios, desaprovando uma resposta tão aparentemente rude como aquela, e sentou-se. O garoto imediatamente aproximou-se de sua orelha esquerda e prosseguiu:
— Assim como tudo pelo que passamos ultimamente... Mas isto não quer dizer que não podemos fazê-lo.
E uma chama ardente de felicidade toldou os olhos da menina, que era coberta por beijos sutis e desesperados.
Os dois andaram por algum tempo, ambos em silêncio absoluto, a não ser por suas respirações ofegantes. A torre de astronomia, por mais cruéis que tivessem sido os momentos ali vividos, continuava espetacularmente bela, e tão, tão alta, e tão inspiradora...
Rony, tocando a face de Hermione com mãos quentes e gigantescas, contou-lhe sobre o quão melódica a respiração da garota podia parecer, assim como a menina contou-lhe sobre a canção entoada pelas batidas lentas e tranquilas de seu coração valente. E ali permaneceram até que o sol quase fosse descoberto pelas montanhas, espantando o frio com braços quentes, e abraços acolhedores.
O amor transforma a visão de pessoas que estão sentindo-o — seja doando o mesmo a outro, ou recebendo-o de alguém igualmente especial — tão bonita e poética, que é quase impossível representá-la com palavras. O Estado Da Graça é tão majestoso e esplêndido, que demonstrá-lo torna-se algo arduamente difícil. Rony e Hermione estavam tão felizes por estarem juntos, compartilhando algo gigantesca e esplendidamente especial como tal, que poderiam jurar que tudo aquilo seria para sempre.
~♥~
As aulas recomeçaram. Feitiços, poções e rolos gigantescos de pergaminho a serem escritos. Hermione tornou-se a principal aliada de Rony no salão comunal da Grifinória. Os dois costumavam estudar juntos até tarde e depois, quando o salão estivesse deserto, deitar juntos na poltrona que ficava em frente à lareira. Quando o fogo convertia-se em brasas, significava que era hora de dormir.
Hermione mostrava-se ativa e atenciosa como monitora. Os novos alunos a procuravam a todo instante, o que fazia Rony sorrir.
Então houve aulas de poções, e de feitiços, e Lilá Brown parecia ter desculpado Hermione. Malfoy sentou-se sozinho, e Rony chorou por Fred novamente. Harry e Gina conversavam defronte à lareira, e cada vez mais crianças procuravam pelos monitores. Hogwarts era decorada para o natal agora, e ninguém acreditava que tudo estivesse passando tão depressa.
Rony estava escolhendo peças para levar em seu malão. Era dia 23 de dezembro e a neve parecia um grande e felpudo pulôver que cobria toda a imensidão dos terrenos de Hogwarts. Duas batidas tímidas na porta do dormitório e o garoto sentou-se em sua própria cama.
— Está aberta. — resmungou.
— Olá... — Hermione adentrou o local, tímida.
— Ei! — Rony exclamou, animando-se instantaneamente — Oi!
— Como vai seu malão?
— Está tudo... Legal.
Hermione sorriu. A desorganização e falta de habilidade de Rony poderiam ser divertidas.
— Dê-me aqui. Vou ajudar você, Ron...
E em poucos minutos o malão estava pronto.
— Hermione... — o rapaz murmurou, exasperado — Você precisa me ensinar mais coisas como esta.
A garota riu baixinho, e ambos encaminharam seus malões ao salão comunal.
Nada substitui olhos brilhantes de amor, tampouco sorrisos apaixonados, e, menos ainda, beijos inocentes de quem esperaram por muito tempo antes de, finalmente, serem entregues. Rony parecia tão brilhante para ela... Mais do que qualquer estrela ou constelação. E aquilo era algo tão bonito.
~♥~
Esta é minha primeira fanfic por aqui =^-^= estou bastente ansiosa e muitíssimo feliz por finalmente ter reunido coragem suficiente para postá-la em algum lugar ♥ espero não me decepcionar com isso (comentários são sempre bem vindos... \o/).