No mesmo dia da reunião de Draco com Dumbledore, Gabriel foi acordado quando a manhã já ia bem avançada. Uma coruja que trazia um pergaminho amarrado na perna estava batendo no vidro de seu quarto no hotel. Abrindo o pergaminho, viu que era da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Lembrava-se de que havia enviado um pedido de informações sobre quais materiais deveria levar já que não possuía nenhum, e havia indicado o quarto atual como sendo seu endereço temporário. Faltando ainda duas semanas para o início do ano letivo, recebeu a relação de materiais e livros necessários, além do uniforme necessário, bem como os locais onde poderia encontrá-los.
“Serviço de primeira! Bem organizados!” – pensou Gabriel vendo que a carta era assinada por Minerva.
Como tinha que falar com Milt, deixou para ir ao Beco Diagonal a tarde. Alimentou-se, tomou um banho e trocou-se, saindo a seguir.
Utilizando o telefone da esquina vizinha ao hotel, ligou para Lando, pedindo informações de Milt. Descobriu que já tinha comprado e dado início nas obras em 12 locais, e esperava concluir as compras dos locais restantes dentro de um ou dois dias. Estava neste momento em viagem para o Peru e depois Bolívia. Parecia bem animado.
Com isto pronto, resolveu caminhar um pouco para se distrair. Estava ficando muito ansioso. O tempo não parava.
Ainda tinha que ter mais um encontro. Mas para este, precisaria ainda de informações. Ficou pensando se Draco já estava na reunião com Dumbledore. Provavelmente estava.
Após o almoço, dirigiu-se ao Beco Diagonal, começando suas compras. Na loja de roupas, pediu cinco conjuntos de uniformes, completos. Ficariam prontos no dia seguinte. Na loja de livros, solicitou o material do 6º ano e recebeu vários livros. Sua parada seguinte foi na loja de poções, mas desta vez que o atendeu foi uma mocinha muito educada. Depois foi até a loja de animais, pois precisava manter uma linha de comunicação com o mundo exterior enquanto estivesse na escola, para passar instruções para Milt, por intermédio de Lando.
Mas nada do que lhe foi mostrado o agradou. Achou as corujas muito lentas e facilmente interceptáveis. Foi quando o dono da loja lhe mostrou um Gavião Real, jovem, mal tinha um ano, treinado e muito feroz. Comprou-o na hora, bem como todo o material necessário para cuidar dele. Chamou-o de Apollo. O gavião o olhou e bicou de leve seu queixo, aprovando o novo nome.
Colocando tudo num carrinho, pois era tanto material que por mais que quisesse não conseguiria levar nos braços. Depois foi em direção a Gemialidades Weasley.
Já que seria um aluno igual aos outros, era melhor comprar algumas coisas que os outros também compravam. Vagarosamente, aproximou-se da loja e olhou pela janela. Estranhou o fato de que a loja estava quieta. Abrindo a porta e entrando foi logo rendido por um Comensal encapuzado, que lhe apontava a varinha de modo ameaçador.
Caso desejasse, poderia ter matado o comensal ali mesmo, mas algo lhe dizia que era melhor aguardar mais um pouco. Observando melhor a loja, viu mais dois comensais mantendo vários reféns sentados sobre as mãos, enquanto gritavam com um dos Gêmeos.
- Eu sei que você é amiguinho do Potter. Isto é só um aviso. O próximo será ele. – vociferava um dos comensais que apontava a varinha para o peito de Fred.
- Somos mesmo amigos dele, covarde. E não pense que isto ficará assim. – falou corajosamente o ruivo.
- É, cara feia. Em breve vocês vão desejar estar mortos quando ele os pegar. – completou corajosamente Jorge, o outro gêmeo.
- Ele nos pegar? – riu o comensal. – Ele tem medo de qualquer coisa que lembre nosso mestre. E caso vocês se achem os maiorais, vou lhe dar algo para que se lembrem de nós com mais respeito. Crucio!.
Enquanto os gêmeos se contorciam com a dor, os outros comensais começaram a rir. Gabriel que já vinha utilizando seus poderes para ler a mente deles já tinha descoberto o que queria. Precisava resolver aquilo logo, e de preferência, sem magia.
Aproveitando-se da distração do comensal que o mantinha sobre vigilância, girou o corpo rapidamente e o socou com força no nariz. Não forte o suficiente para matar, o que atrapalharia seu plano, mas o suficiente para esmagar o nariz do Comensal. A seguir, agarrando-o pelo braço direito, com um golpe de Judô, jogou-o por sobre os outros dois, fazendo com que os três caíssem embolados.
Enquanto tentavam se levantar, Gabriel se aproximou e chutou o rosto de um deles, arrancando vários dentes, a seguir socou o estômago do terceiro que teve ânsias de vômito.
Movendo-se rapidamente voltou-se para o primeiro comensal que havia atingido e segurando seu braço esquerdo com um movimento rápido quebrou seu antebraço um estalo seco, ao mesmo tempo em que ele deixava a varinha cair no chão, enquanto
ouvia um berro de dor do comensal que segurava seu braço quebrado, tentando entender como alguém poderia se mover tão rapidamente.
Os outros dois comensais ainda tentaram atingi-lo com feitiços, mas jogando-se e deslizando pelo chão, Gabriel acertou os genitais dos dois com chutes bem colocados que deixaram os comensais meio sem ar. Vendo que não conseguiriam resistir ao rapaz, optaram por bater em retirada, juntamente com o que estava com o braço quebrado.
Vendo que não tinha mais inimigo algum no local, Gabriel aproximou-se dos gêmeos e murmurou um contra feitiço, que os aliviou dos efeitos da maldição.
- Vocês estão bem? – Perguntou Gabriel sorrindo.
- Estamos. – responderam juntos os gêmeos. – Caraca, como é que você fez isso? – perguntou Fred visivelmente impressionado.
- Fiz o que? – pediu Gabriel.
- Ora! Você colocou três comensais pra correr. E sem varinha. Quem é você? – perguntou Jorge.
- Ninguém importante. Só fiz o que tinha que fazer. – respondeu Gabriel sorrindo.
- Até pode ser, mas com este estilo, você vai longe. – falou Fred rindo.
- Acho melhor vocês atenderem seus clientes, que estão bem assustados. – tornou Gabriel sorrindo. – Eles sim podem ir longe e até nunca mais voltarem.
- O que? Isto nunca! – falou Jorge se levantando rapidamente. – Atenção todos os clientes. Só pelos próximos três minutos, 50% de desconto. Começando a partir de agora!
Assustados pelos comensais ou não, com 50% de desconto, os clientes viraram uma turba desesperada, pegando sacolas de produtos e indo diretamente para o caixa, onde Fred se desdobrava para atender a todos, rindo sem parar.
Assim que todos foram atendidos e saiam falando do que tinha ocorrido, impressionados com a atitude do estranho jovem bruxo, Fred fechou a loja, ficando somente os gêmeos e Gabriel lá dentro.
- Bem, meu amigo. Agora é hora de falar sério. Quem é você e o que deseja conosco? - perguntou Jorge sério.
- Não sou ninguém importante. Desejo apenas comprar alguns produtos seus. – respondeu Gabriel sorrindo. – Sabem umas vomitilhas, talvez umas varinhas falsas, essas coisas.
- Faça de conta que acreditamos em você. – falou Fred mais sério ainda. - Nunca vimos ninguém derrubar três comensais tão rapidamente e sem magia. Abra o jogo. QUEM É VOCÊ?
- Lamento que pensem algo assim a meu respeito. – falou Gabriel após alguns instantes, dando a entender que estava ofendido com o tom de voz usado pelos gêmeos. – Se não querem me atender, por mim tudo bem. Com licença. – falou educadamente.
E voltando-se, saiu da loja. Imediatamente os gêmeos ficaram estupefatos com sua decisão. Quando tentaram ir atrás de Gabriel ele já estava na porta, e, mal colocou os pés fora da loja, aparatou para seu hotel, levando suas compras.
- Cara! Que atitude mais estúpida tivemos agora. – fala Jorge.
- De fato. O cara nos salva e agradecemos desta forma. Precisamos nos desculpar da forma correta. – concordou Fred. – Mas como? Nem o conhecemos.
- É, mas reparei na quantidade de materiais que ele estava levando. Obviamente é um bruxo novo na cidade, e deve estar indo para Hogwarts pela primeira vez, pois até um caldeirão ele estava levando. Podemos tentar descobrir algo sobre ele e apresentarmos nossas desculpas da forma adequada. – completou Jorge.
- Além de que alguém como ele, certamente chamará a atenção, por seu porte físico. – concordou Fred. – Aqueles cabelos compridos presos em uma trança não são comuns por aqui, não é mesmo?
- Sim, são bastante incomuns. Mas quem nós conhecemos que poderá nos ajudar a identificá-lo? – questionou Jorge.
- Alguém que estuda em Hogwarts, que seja pelo menos Monitor. E inteligente também. – completou Fred.
- HERMIONE! – falaram os dois juntos.
Fechando a loja em definitivo por aquele dia, aparataram diretamente na Toca, pois era lá que Hermione estava, desde a última semana. Dois minutos depois, Harry e Arthur chegaram. Aquele seria o dia das novidades.
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- Como é que é? – perguntou Rony incrédulo. – A doninha loira pediu desculpas? Repete novamente para eu poder acreditar.
- Isso mesmo. – falou Arthur, apoiado por Harry.
- Deve ser um plano muito elaborado. – teimou Rony.
- Não. Não é um plano. – falou Harry enquanto jantavam.
- Puxa Harry, logo você acreditando nele? Depois de tudo o que ele te fez? – perguntou Rony sem poder acreditar.
- Você fala isso, por que não viu as cicatrizes dele. Sinceramente não sei se vou dormir hoje à noite. – completou Arthur.
- O que mais aconteceu? – perguntou Hermione calmamente.
- Ele se colocou a disposição, e, entregou todos os dados que tinha sobre Voldemort. – falou Arthur. – Sinceramente, acredito nele.
- Por mim tudo bem. – falou Molly. – Sempre acreditei que seria igual ao pai, mas se está mesmo tentando mudar, vamos respeitar e apóia-lo, no que pudermos. – falou olhando para todos da mesa. – Isso inclui especificamente você, Rony.
- Mas... Tudo bem. Só que se ele sair um pouco da linha, vai se ver comigo. – disse Rony.
- Muito bem. – falou Fred. – Então foram dois milagres num único dia.
- Qual foi o outro? – perguntou Gui.
- Bem, é embaraçoso falar disso, mas o que aconteceu foi o seguinte... – disse Jorge e narrou os fatos acontecidos na loja, desde a entrada dos comensais até a saída do estranho.
- EU NÃO ACREDITO! Ele os salva e vocês o tratam desta forma? Onde foi parar a educação que eu lhes dei? – gritou Molly para os gêmeos.
- Mamãe, nós sabemos que erramos, e estamos tentando encontrá-lo para nos desculpar. Só que parece que ninguém o conhece. Perguntamos em todo o beco e ninguém nunca o viu antes. – explica Jorge.
- Bem, isto não é inteiramente verdade. – falou Gina olhando para Hermione que acabava de ficar vermelha de vergonha.
- Como assim? – perguntou Harry curioso.
- Eu e Hermione o encontramos no dia que fomos ao beco. Na saída de sua loja. – falou Gina rindo baixinho.
- Expliquem-se mocinhas. – falou Molly séria olhando para as duas.
Enquanto Gina explicava o acidente, e a conversa que tiveram depois, e o delicado beijo na mão ganhado por Hermione, todos perceberam que Hermione ficava cada vez mais envergonhada.
- Então, ele educadamente despediu-se e disse que iria para Hogwarts este ano. Portanto, se querem achá-lo, é lá que devem procurar. – concluiu Gina.
- Mas não disse nem o próprio nome? – falou curioso Rony.
- Ele disse que não era importante. E, de mais a mais, estávamos preocupadas olhando outra coisa, ao invés de descobrir o nome dele. – sentenciou Gina de maneira sapeca piscando para uma Hermione envergonhada.
- Ora, ora. Então nossa monitora Hermione Granger ficou olhando descaradamente para um estranho. Curiosa a vida, não é mesmo? – questionou Rony sorrindo.
- Minha vida pessoal é problema meu. Pra quem eu olho ou deixo de olhar é meu problema. Não foi isso que você disse para mim e para o Harry no passado quando estava com a Lilá? – perguntou seca Hermione.
- É mano. Deixa de ser mala. O cara até que é bem apresentável. – completou Fred e Jorge concordou. – E muito educado. Não perdeu a paciência em nenhum momento.
- Bem, meninos. Espero que o encontrem e o agradeçam de forma clara e respeitosamente. – disse Arthur.
- Sem dúvida. – responderam os gêmeos ao mesmo tempo.
- Harry. – chamou Rony. – Que tal um Quadribol amanhã?
- Desculpe cara. Vou sair cedo com o Lupin. – respondeu Harry. – Acho que só vamos nos encontrar no trem.
- Puxa, nem bem chegou já vai sair de novo? – falou Gina.
- Depois eu explico pra vocês. No momento não sou uma boa companhia. Se me derem licença, vou dormir um pouco. Até amanhã. – falou Harry e acompanhado por Rony, foram para o quarto.
- O que deu nele? – perguntou Gina para o pai.
- Ainda não aceitou a morte de Sirius. Durante a reunião, Dumbledore tentou falar algo pra ele, e ele quase atacou Dumbledore. Ele também jurou que se Snape continuar lhe incomodando, vai dar um jeito nele de forma definitiva. Lupin vai tentar conversar com ele nos próximos dias. É melhor deixar que passe a raiva, antes que volte pra nós. – respondeu Arthur.
- Tudo bem, mas bem que ele podia lembrar que tem amigos. – falou Hermione. – Nunca o deixaríamos passar por isso sozinho.
- Ele sabe. Mas preferiu assim. Tem mais alguma coisa errada nisso tudo. Talvez algo com a famosa profecia que se quebrou. Não sei. Mas Dumbledore está bem preocupado com ele. – falou Arthur. – Deixem-no em paz. Na hora certa ele falará com vocês.
- Acho que nem se alimentou nestas férias. – falou Molly preocupada. – Está praticamente um cadáver ambulante. Nunca o vi tão magro. Nem tão abatido.
- Depois que voltamos da reunião, eu o levei para caminhar um pouco. Ele me contou que quase matou seu tio ontem à noite por causa de algo que falaram de Sirius. Algo a ver com fazer uma festa para comemorar a morte dele.
- Pois eu no lugar dele, teria amaldiçoado os tios. Que falta de respeito. – disse Gui.
- Concordo. Bem acho melhor irmos dormir. – falou Fred olhando para Jorge que com um movimento de cabeça concordou. - Acho que vamos sair mais cedo amanhã. – disse Jorge – Temos uma visita a fazer. - falou com um sorriso que era sinal de que iriam aprontar alguma coisa.
- Nem pensem nisso. Qualquer coisa que acontecer com os tios dele, será considerado como se fosse ele que tivesse feito. Entenderam? Deixem aqueles idiotas em paz. Sinceramente, não vale a pena. – falou Arthur de forma clara. – E depois, Olho Tonto disse que iria dar uma passadinha por lá, hoje ou amanhã. – completou rindo baixinho.
Todos riram baixinho, pois sabiam que a passadinha de Olho Tonto seria lembrada por muitos e muitos anos.
Depois de terminarem de jantar, jogaram um pouco de Snap Explosivo e em seguida foram dormir. O dia seguinte seria complicado, para muitos deles, mas de maneiras diferentes.
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Após sair do beco diagonal Gabriel aparatou em seu quarto no hotel, e preparou-se mentalmente para sua visita noturna. Encontrar com os comensais tinha facilitando muito as coisas. Depois de ler a mente dos comensais, sabia onde estavam alguns itens que lhe interessavam, bem como algumas pessoas. Ligando para a recepção, pediu que o chamassem dentro de quatro horas. Em seguida começou a meditar.
Quatro horas depois foi interrompido pelo telefonema da recepção que o estava chamando. Agradecendo a telefonista, tomou um banho e trocou-se, colocando uma calça Jeans e uma camiseta, ambas pretas. Colocou ainda um, sobretudo preto. Completou com botas de estilo militar. Prendeu bem seus cabelos em uma trança e aparatou para um determinado bairro de Londres, onde estava seu objetivo da noite.
Chegando a cerca de 200 metros de uma grande casa que tinha a aparência de abandono, de onde se encontrava, quando percebeu a movimentação de algumas pessoas.
Utilizando levemente seus poderes, rastreou a casa e descobriu que existiam 17 pessoas lá dentro. Aprofundando a pesquisa descobriu que 15 eram comensais e 2 eram reféns. Dos comensais, eram de diferentes funções. Analisando um a um descobriu 2 que lhe interessavam, os outros eram descartáveis. Prestou atenção nestes dois até descobrir tudo o que queria. Dali em diante, foi só se preparar um instante e analisar a situação.
Depois de observar por alguns minutos a movimentação dos presentes, aproximou-se da casa e “pediu” a ajuda da espada. Imediatamente a tatuagem veio a sua mão direita, e um instante depois Gabriel empunhava a “Cortadora de Almas”. Sorriu, levemente quando sentiu o toque da arma em sua mão. A espada cantava em sua mente, antigas canções de batalha. Canções de fúria e ódio. Canções de dor e morte. Movimentando-se em silêncio e fundindo-se as sombras aparatou nas costas dos comensais que estavam de vigia. Atacou os 3 guardas da porta rapidamente. Gabriel decapitou o primeiro comensal e com o mesmo movimento cortou o segundo pelo meio do corpo, aproveitando o movimento inicial, e movendo a espada para a esquerda e para cima, dividiu o terceiro verticalmente. Os três morreram sem perceber sequer que tinham sido atacados.
Depois disso, entrou na casa e foi de sala em sala atacando e matando todos eles. Foi uma surpresa atrás da outra. Nem sequer chegavam a vê-lo.
A maior parte era decapitada, enquanto outros eram cortados em duas partes. Quando chegou até a sala onde os reféns eram mantidos, observou que estavam desacordados, porém, vivos. Soltou-lhes as correntes e deixou-os ali mesmo. Mesclando-se novamente as sombras, foi em direção aos dois únicos comensais restantes.
Encontrou o primeiro deles num ambiente que lembrava levemente uma cozinha, empanturrando-se de comida. “Típico de um Rato!”. – pensou Gabriel enojado. Com sua mão esquerda, num movimento que lembrava o “toque vulcano” , deixou-o desacordado. A seguir, dirigiu-se para a sala maior, onde estava o último comensal Ao abrir a porta viu Rodolpho Lestrange.
Rodolfo até tentou se defender, mas Gabriel não permitiu tempo suficiente para isso. Acertou-lhe um chute nos genitais, seguido por um soco no queixo que o deixou desacordado.
“Não é tão durão, não é mesmo?” – perguntou Gabriel mentalmente. – “Acho que você só é bom torturando criancinhas!”
Rapidamente vasculhou a escrivaninha e encontrou o que esperava. Um livro que registrava todos os envolvidos em falcatruas e chantagens além de conter toda a movimentação financeira do grupo de Voldemort, incluindo duas chaves que reconheceu como sendo do Gringotes. Olhou o livro detalhadamente e encontrou a relação de dezenas de espiões de Voldemort, bem como fotos dos mesmos e o local onde eram tatuados. Sorriu satisfeito. A noite prometia. Colocando o livro e as chaves no bolso interno do sobretudo dirigiu-se até os comensais sobreviventes.
Pegando Lestrange e Rabicho, foi arrastando-os até a porta de entrada, onde utilizando a varinha de um dos comensais mortos, lançou para o céu um “Periculum!”. Menos de um minuto depois, quando os aurores chegaram, Gabriel já havia aparatado com seus acompanhantes, para a um lugar deserto próximo ao rio Tâmisa.
Conjurando grandes e grossas correntes de ferro, envolveu com elas o corpo de Lestrange, e depois de um olhar de desprezo, lançou-lhe ao rio, ainda vivo. Para garantir que continuasse no fundo do rio, conjurou um grande bloco de pedra, amarrado as pernas dele. Naquele local a profundidade do rio era cerca de 50 metros, o que garantia que ninguém encontraria seu corpo. Satisfeito, pegou Rabicho e aparatou até as proximidades da Toca. Era hora de conhecer Harry Potter. Como era educado, estava até levando um presente. Aproveitou e escreveu um bilhete para ele e colocou no pescoço de Rabicho.
Ao chegar à toca, usou seus poderes e descobriu o quarto em que Rony e Harry dormiam, levitou com sua carga silenciosamente e em seguida, jogou rabicho pela janela.
Acordar com um barulho de janela quebrada, nunca foi o sonho de Rony. Pior ainda era ter jogado em cima de si, o peso de um homem inconsciente. O grito de susto foi tão forte quanto o de dor, causado pela quebra de seu braço esquerdo com o impacto.
Harry, que tinha o sono bem leve, mal acordou já pegou a varinha e os óculos. Ficou pronto para lutar, mas só o que precisou fazer foi conjurar uma tala para o braço de Rony. A seguir, foi ver quem era o homem que tinha sido jogado dentro do quarto.
Ao constatar que era Rabicho, Harry levou sua varinha para o peito dele e lembrou-se de todo o mal que ele já causara. A delação da casa onde seus pais moravam, a espionagem em forma de rato que por anos ele fez, a recuperação do corpo de Voldemort, a responsabilidade sob a prisão de Sirius.
Mantendo sua varinha apontada para Rabicho, Harry não percebeu a chegada de todos os Weasley e de Hermione, que parados na porta o olhavam assustados. Foi quando Hermione falou, com sua voz calma.
- Vale a pena? – perguntou ela calma.
- Ele me deve mais do que poderá pagar, em toda sua vida. – retrucou Harry nervoso.
- Sim. Ele deve. Mas vale a pena? – tornou a perguntar Hermione.
- Ele causou a morte de meus Pais! – gritou Harry.
- Sim. Ele causou. E deve ter feito muitas coisas tão ou muito mais terríveis do que isso. Mas vale a pena? - tornou a perguntar Hermione calma.
- É cara. – falou Rony gemendo de dor por causa do braço quebrado. – Não vale a pena. Pensa nisso. Você o entrega pro Ministério e no interrogatório, ele é obrigado a contar a verdade. Você pode limpar o nome de Sirius.
- Não é suficiente. Ele fez Sirius sofrer por 12 anos. – Gritou Harry, e sua aura negra se manifestou. – Ele tem que pagar!
- Azkaban vai fazê-lo pagar, Harry. – disse Molly com os olhos cheios de lágrimas. – Não destrua sua vida por ele.
- É Harry. – disse Gina. – É como Hermione falou. Não vale a pena.
- Ele é tão ou mais culpado que Voldemort. Ele tem que pagar. – gritou Harry chorando.
- Ele vai pagar. – falou Fred acompanhado por Jorge. – Deixe-o vivo. O que ele vai passar em Azkaban será mais terrível do que simplesmente matá-lo. Deixe-o sofrer com sua vergonha e maldade.
Do lado de fora da Toca, Gabriel via, ouvia e sentia a aura negra de Harry crescer, praticamente sem controle. Precisava estar por perto. Tinha que saber se este Harry tinha coragem para tomar uma decisão. E a decisão certa. Caso contrário precisava tomar outras medidas.
Depois de alguns instantes mantendo sua varinha apontada para o peito de Rabicho, Harry a baixou e sentou na cama chorando desconsoladamente, até que Molly o abraçou e o embalou como se fosse um bebê. Enquanto isso, Fred, Jorge e e Gui retiravam Rabicho do quarto e conjuravam grossas correntes e cordas, amarrando-o. Quando chegaram a sala, viram seu pai chamando por Dumbledore em sua lareira.
Gabriel parado flutuando no ar, balançou a cabeça, incrédulo com a atitude de Harry.
“Praga! Fui avisado que ele poderia reagir assim, mas sinceramente não acredito!” – pensou irritado.
Levaram Rabicho para a sala acompanhados por todos, menos Harry e Molly que ficaram no quarto. Foi quando Hermione viu o bilhete no pescoço. Rapidamente antes que alguém a impedisse, Hermione leu:
“Caro Potter. Você tem que tomar uma decisão que afetará a sua e muitas outras vidas. Se tiver cabeça fria, ficará mais fácil. As emoções nem sempre são as melhores conselheiras. Palavra de quem já passou por isso. APOLLYON.”
- Muito bem. – falou Hermione com a voz calma. – Agora, qual de vocês vai me explicar quem é esse cara?
- Bem... sabe...acho que por enquanto é melhor não saberem de nada. – falou Arthur meio sem jeito, ignorando o protesto dos outros. – Perguntem a Dumbledore quando ele chegar. Se ele achar que deve contar, tudo bem, caso contrário, eu é que não vou contar.
- Como é que esse tal de APOLLYON, como ele conseguiu jogar este....lixo em nosso quarto? – perguntou Rony. – Foi o próprio Dumbledore quem reforçou os escudos e defesas da nossa casa.
- Bem. - disse Dumbledore saindo pelo lareira e limpando as vestes cobertas de fuligem. – É por que o poder dele é muito maior que o meu.
- Como é que é? – perguntou Gina e Carlinhos espantados. – Maior que o seu?
- Na verdade, acreditamos que é maior que os de todos os Magos do mundo, juntos.
- Impossível. – falou Hermione. – Um poder dessa magnitude afetaria até o ambiente a sua volta. Seria impossível sequer pensar, sem que acontecesse. É muito poder para uma pessoa suportar.
- No entanto é um fato. Exige um controle extremamente forte. Um fato alarmante, mas sem dúvida real. E sinto que ele ainda está perto daqui. – disse Dumbledore pensativo. – Bem perto. Observando.
Saindo da casa, olhou pela varanda até ver o que parecia um rapaz, totalmente oculto por um sobretudo preto, que parado no ar observava a cena onde Molly abraçava Harry que chorava baixinho. Delicadamente, tentou um contato com a mente de Gabriel, que já o tinha percebido.
Um instante depois de conseguir o contato com a mente de Gabriel, Dumbledore caiu de joelhos gritando como se estivesse sendo comido vivo, ao mesmo tempo em que Gabriel aparatava para seu quarto de hotel, sem ser identificado ou reconhecido.
- Dumbledore. – gritou Arthur. – O que foi que aconteceu?
- Água! – pediu Dumbledore.
Fred rapidamente conjurou um copo e Jorge o encheu usando a varinha. Entregando em seguida para Dumbledore que bebeu desesperadamente. Após terminar, levantou-se agilmente e sob os olhares curiosos de todos explicou.
- Ele me mostrou uma cena terrível. Um corpo nu, num deserto. Sendo comido vivo por formigas vermelhas, sempre que o corpo estava morrendo, alguém o restaurava e depois o cobriam de mel, para as formigas começarem de novo. – falou Dumbledore. - Foi terrível.
- Conseguiu identificar quem era o torturador? – perguntou Gui.
- Rodolpho Lestrange. – respondeu Dumbledore.
- Como é que este cara conseguiu ficar aqui fora da casa e ninguém o percebeu? – perguntou Gina.
- Por que ele não quis ser percebido. – falou Dumbledore.
- Mas você o sentiu. – teimou Gina.
- Não. Não o senti. Ele me chamou. Mas acho que não gostou do que tentei fazer. Talvez se eu tivesse aguardado, e tentado conversar, pudesse dar certo. Mas fui afoito demais e perdi a chance. – lamenta-se Dumbledore.
- Acha que ele se irritou? Por isso este ataque? – perguntou Arthur.
- Se ele estivesse atacado, eu já estaria morto. Acho que me mostrou uma de suas próprias lembranças, apenas para que eu soubesse que não era bem vindo ali. – respondeu Dumbledore. – Acho melhor levarmos Rabicho para o Ministério. Rufus deve estar louco pra por as mãos nele. Creio que pelo menos o nome de Sírius será limpo hoje. – fala Arthur.
Enquanto Gui e Arthur se trocavam, Hermione foi até Rabicho e o examinou atentamente.
- Não usaram magia nele, não é? – perguntou a Dumbledore que agora o examinava também.
- Não. Creio que não. Parece estar dormindo. Não percebo marcas de socos ou outros golpes. Quem o pegou, sabia o que estava fazendo. – respondeu Dumbledore pensativo. – Ah, ai estão vocês. Vamos?
E enquanto Arthur pegava Rabicho por um braço, Gui pegava por outro, aparataram diretamente no Átrio do Ministério. Na chegada, já viram uma movimentação muito grande de aurores e também de repórteres por ali. Entrando discretamente em uma sala com o prisioneiro, Arthur atendendo um pedido de Dumbledore, conseguiu trazer discretamente Rufus até ali.
- Boa noite Rufus. – Dumbledore cumprimentou. – O que está acontecendo?
- Dumbledore, meu velho! Voltei a acreditar em Merlin, hoje à noite. – falou Rufus tão alegre que nem parecia o mesmo de sempre. – Alguém invadiu um esconderijo de partidários de Voldemort e chacinou, veja bem o termo, chacinou treze comensais. Não sobrou nenhum vivo.
- Alguma pista de quem foi? – perguntou Dumbledore preocupado.
- Nada. Quem fez isso, fez sem magia. Só com uma arma, pelo visto. – respondeu Rufus. – Analisamos os cortes, e tudo indica o uso de uma espada. E agora, o que os traz aqui?
- Ele. – disse Dumbledore apontando para o fundo da sala onde Rabicho dormia.
- Mas como você o pegou? Onde estava? – perguntou Rufus surpreso.
- É mais complicado do que parece. – respondeu Dumbledore e relatou o ocorrido na Toca, desde o momento em que Rabicho fora jogado pela janela, até a tentativa de contato fracassada.
- Bem. – falou Rufus mais calmo. – Acredito que já sabemos quem atacou os comensais hoje à noite. Se o alvo era Rabicho, creio que é um rato de sorte, por que todos que estavam lá morreram. Menos o Sr. Olivaras e o vendedor de sorvetes que eram prisioneiros no local.
- Como vocês souberam do ataque? Conseguiram rastrear alguma maldição imperdoável? – perguntou Gui curioso.
- Nós atendemos a um pedido de socorro com o Periculum e os encontramos mortos. Magia feita lá fora do esconderijo, e com a varinha de um deles mesmo. Pelo visto, ele fez o que fez e depois nos chamou para limpar a bagunça, por que ninguém, ouçam bem, ninguém naquele local conseguiu fazer qualquer magia. Entendeu? Se for APOLLYON que atacou, fez de uma forma que ninguém conseguiu sequer erguer a varinha. Embora, agora acredito que ele esteja do nosso lado. – confirmou Rufus.
- Por causa do massacre? Creio que não. Se o objetivo foi o de prender Rabicho, ele só demonstrou que não se importa em matar qualquer um para atingir seus objetivos, e isso é alarmante, pois é como Voldemort atua não como nós. Além disso, acho que foi um teste para Harry. Você sabe tudo o que este homem causou na vida de Harry, não é mesmo?– falou Dumbledore sério apontando para Rabicho.
- Sei, e é por isso que vou colocá-lo sob interrogatório agora mesmo. Com uma boa dose de Veritasserum. Quero ver o que ele conta sobre a responsabilidade de Sírius na morte dos Potter. E sim, Dumbledore, se quiser acompanhar, vou permitir com prazer. Vou pedir ao Ministro e os cinco Juízes do Supremo Tribunal Bruxo para assistirem o interrogatório. Creio que devemos resolver isso de uma vez por todas. E quero informações sobre o que Voldemort anda fazendo.
Quatro horas depois, ao amanhecer, a manchete principal do Profeta Diário era: Sirius Black Inocentado! – juntamente com uma foto de Rabicho entrando em Azkaban esperneando. Nas páginas interiores do jornal, toda a verdadeira história, contada pelo próprio Rabicho no interrogatório foi reproduzida no jornal. Em uma pequena nota na penúltima página, um comentário sobre o fato de que treze comensais tinham sido mortos em um combate com os aurores do ministério. E a prisão de Rabicho, que segundo a reportagem havia sido encontrado no banheiro da casa, onde havia se rendido. Era Rufus, puxando a glória para seu lado e encobrindo a existência de APOLLYON da imprensa.
Ao acordar, bem mais calmo, Harry recebeu de um Rony muito feliz e sorridente, acompanhado por Hermione e Gina, uma cópia do jornal. Ao ler a manchete gritou de alegria.
- Tá vendo? É por isso que eu disse que não valia a pena. – falou Hermione no seu tom sabe-tudo.
- É Hermione. Você estava certa. De novo. – falou Harry sorrindo feliz.
- Agora se apronte. Vamos tomar café, depois tem uma... pessoa... doninha loira...que te enviou um pacote. – falou Rony.
- Malfoy me mandou um pacote? Não tinha uma bomba? – riu Harry.
- Acho que vou abrir para verificar. Só por garantia. – disse Rony sorrindo.
- Você é um idiota, Rony. E você também Harry. Como podem pensar algo assim do Draco? – perguntou furiosa Gina.
- E desde quando você o defende? - pediu Rony espantado.
- Desde que ele pediu desculpas. Tá lembrado? – falou Gina saindo irritada com a atitude do irmão e de seu amigo.
- Não sei o que está acontecendo com ela. – falou Rony. – Depois que papai falou sobre a reunião de vocês, ele fica feliz só de falar o nome do Dr...da doninha loira.
- Coisas da vida, Rony. Coisas da vida. – falou Hermione olhando para Harry que também já havia entendido a súbita mudança de Gina.
“Parece que as brigas constantes de Draco e Gina escondiam algo mais!” – pensa Hermione e decide conversar com Gina depois.
Depois do café, Harry abriu o pacote e descobriu uma pequena carta, além de várias fotos de Sírius. Abrindo a carta, Harry leu.
“Fiquei feliz com o fato de que finalmente seu padrinho foi inocentado. Minha mãe achou estas fotos dele aqui no álbum de família. Creio que você vai gostar de vê-las. Faça cópias e me devolva os originais. Até. Draco. Ps: Abraços para os Weasley e a Granger!”
- È. Parece que a mudança é pra valer mesmo. – comentou Hermione.
- Tomara. – completou Harry tranqüilo. – Tomara.
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