Relatos de um Comensal da Morte:
A vida e a morte são coisas terrivelmente próximas, que se funde em algo não compreendido pela maioria das pessoas. Do nascimento ao fim da vida, há uma coisa chamada viver dentro de cada um. Isso é um fato.
A vida é uma simples sombra que passa; é uma história contada por um idiota, cheia de ruído e de furor e que nada significa.
Toda vida tem um fim, sendo ele bom ou ruim. Não há alternativa, pois tudo o que tem inicio, sempre tem um final. Isso pode ser desafiado pelos mais corajosos e simplesmente aceitado pelos mais fracos. Mas não deixa de ser um fato.
Os conceitos que existem em cada mente, são diferentes, mesmo que se trate de uma mesma coisa. Ainda aqueles que dizem não seguir conceitos, vivem todo o seu tempo acreditando que sua rebelião em não segui-los não tenha virado nada em especial, mas estão errados.
Aqueles que sabem que suas filosofias de vida são diferentes colocam-nas para funcionar diante de uma sociedade aberta às alternativas.
Porém, nunca se passou pela cabeça de um bruxo, que aquilo que Voldemort nos mostrava de si mesmo, eram apenas uma série de conceitos que ele insistia em deixar claros. Sua mente era aberta a todos, mas as pessoas temiam suas idéias demais para explorá-las.
Nós, Comensais da Morte, éramos a exceção de toda aquela sociedade, e soubemos como penetrar e acreditar nos conceitos que o Lorde das Trevas nos apresentava. Nunca fomos verdadeiramente compreendidos. Posso garantir que foi por isso que demoraram tanto para nos pegar. Não se pode derrotar algo que não se compreende.
Eram nos dado trabalhos para executar. Para sobreviver aquele trabalho, era necessário muito sangue frio e lealdade ao que chamávamos de novos conceitos, que para muitos ainda eram assustadores.
Nossa visão era limitada, nossas alternativas eram poucas. Depois que se esta dentro de uma nova mente, não fica fácil escapar dali. Isso pode ser um problema para certas pessoas, mas eu discordo.
Sempre pensei que tudo tivesse um começo e um fim, mas parei de acreditar nisso depois que me tornei um Comensal. Não me arrependo nem um pouco pelo lado que adotei na guerra, mesmo estando preso em Azkabam por tê-lo feito ao olhar critico e errado dos muitos que julgam aos outros, mas esquecem de julgar a si mesmos.
Talvez a vida tivesse sido um pouco mais fácil se nunca tivesse entrado pela mente do Lorde e não tivesse ousado penetrar em conceitos ocultos por uma mente com lembranças ruins e dolorosas. Mas se não o tivesse feito, eu estaria do lado de que todo mundo estava e eu nunca fui o que pudesse ser denominado por ‘todo mundo’.
Talvez a vida fosse mais leve agora, se no passado eu tivesse tido coragem de sair da mente do Lorde e parar de pensar como ele. Mas a covardia teria me perseguido durante o resto de meus minutos, e eu não passaria os preciosos anos de minha vida me corroendo de culpa por ter traído e abandonado o lado que escolhi apoiar.
As pessoas talvez me julguem dizendo o porquê, então, de eu escolher passar minha vida perseguindo e matando nascidos trouxas e traidores de sangue, mas a verdade é que eu não fazia por que queria, fazia por que eu seguia um conceito.
Era acolhedor sair pelas ruas de qualquer bairro bruxo, com uma lista procurando pessoas cujo nome se encontrava nela. Era interessante ver o brilho de terror que pingava em forma de lágrimas dos olhos de quem encontrávamos. E esses sangues-ruins achavam que poderíamos poupá-los. A decepção deles era o alimento de cada dia nosso.
Se eu tinha sangue frio para fazer o que fazia? Não, nunca tive.
Eu simplesmente acreditava que a morte era a conseqüência natural para traidores de sangue e sangues-ruins. Se não o fizéssemos, eles pagariam de outro modo, em outra hora. Essa era apenas o fim mais fácil para eles. Mata-los.
Simples e fácil, como respirar.
A única coisa que me assustava era que, na maioria das vezes, eles eram corajosos o suficiente para receber o feitiço de olhos abertos que assim ficavam depois de mortos. Abertos e vidrados, olhando para nada em particular.
E apara aqueles que achavam que éramos maníacos, digo que não éramos. O que fazíamos era um meio de vida, para o qual trabalhávamos com esmero e paciência.
Os gritos causados pela nossa presença, muitas vezes prevendo o que faríamos a eles, eram retirados das gargantas de sangues-ruins sem nenhum esforço. Nos olhos o terror dominava as cores que haviam existido quando o mundo ainda era considerado um lugar em que todos tinham direitos e segurança. Eu nunca acreditei em nada disso.
As coisas começaram a ficar ainda melhores quando Voldemort dominou o ministério. O pânico finalmente se instalou na sociedade bruxa e todos os nascidos trouxas, mestiços e traidores de sangue começaram a fugir. Persegui-los era ainda melhor.
Ouça, pois não fomos nós que começamos a matança preconceituosa que é o meu trabalho. Muitos bruxos e bruxas de antes da época do Lorde já tinham preconceito contra os sangues-ruins, mas nenhum deles se manifestava abertamente por esse fato.
Alguém finalmente teve que faze-lo. Por isso não considero Lorde Voldemort uma mente maligna, mas sim um homem de coragem por mostrar no que acreditava e sofrer as consequências, mas ainda assim se reerguer e continuar o que começou, sendo morto alguns anos depois.
Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez.
Não levo aquilo que fazemos como pecados, mas sim como opiniões que foram mal vistas e não compreendidas.
Nunca tentei me explicar a ninguém, pois eu nunca tentaria indicar minhas crenças como certas. Eu sei que não são. Mas assim eu também acho de igrejas e religiões.
Nenhuma crença é a certa e isso sempre foi um fato consumado, por isso acredito nos meus conceitos e respeito aquilo que não compreendo. Não se pode derrotar aquilo que não se compreende.
O Lorde não crê nem na possibilidade, nem na utilidade de uma paz perpétua. Só a guerra leva ao máximo de tensão todas as energias humanas e marca com um sinal de nobreza os povos que tem a coragem de afrontá-la.
Para nós, Comensais, a vida é um combate continuo e incessante. O Lorde é também educador. Deseja refazer o homem, o caráter, a fé. E para atingir esse fim, exige uma autoridade de uma disciplina que penetrem nos espíritos e aí reinem completamente.
O principio essencial da doutrina de um Comensal é a concepção de Voldemort. Tudo esta em Voldemort, nada esta contra o Lorde das Trevas, nada esta fora do Lorde. O individuo esta subordinado às necessidades dele e, à medida que a civilização assume formas cada vez mais complexas, a liberdade do individuo se restringe cada vez mais. Nós representamos a antítese nítida dos imortais princípios de Voldemort.
Draco Malfoy, Relatos de um Comensal da Morte (29/04/2011). Inglaterra, Londres.
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N/A: escrevi essa fic baseada em principios que não encontrei em nenhuma outra fic. Não sei exatamente se a resolução dos fatos ficou clara, ou se a fic ficou realmente boa, mas espero que tenham entendido a maior parte. Gostaria de alguns comentários retratatando a opinião da maioria, o que me parece adequado. Para quem não gostou, peço criticas para poder analisar melhor meu texto e ideias para uma fic futura.
Comentem!!