
A Dama de Preto 9° Capítulo- As cartas na mesa
Os dois ainda estavam abraçados, Hermione tentava controlar o choro, Harry tentava ajuda-la a se acalmar. Depois de tantos anos talvez esta foi a única gentileza que fizera a ela.
- Acalme-se. Agora me diga, quem morreu?- Hermione ficara cabisbaixa, Harry já havia se levantado, e oferecera a ela sua mão para puxa-la.- Vamos diga-me, Hermione.- Hermione não havia prestado atenção quando ele falara pela primeira vez em vários anos seu nome.
- Ele... ele...- Ela tentava se conter, porém quando levantou-se abraçou-o novamente.- Ele, Harry...- Disse com voz chorosa.- Rony.
- Como?!- Ele olhou-a, incrédulo.- Como é que... ele... ele...- Harry separou-se da mulher, colocou as mãos nos bolsos da calça social, enrijeceu o maxilar e olhou para teto tentando esconder algumas lágrimas que caiam por sua face. Suspirou baixo e voltou a olhar para a mulher desamparada.- Ok, Granger, ok. Não faz muito sentido ficarmos aqui num momento como este. Você está deprimida e creio que minha mulher também deve estar à uma hora dessas.- Hermione confirmou cabisbaixa.- Avisaremos aos outros aurores que não poderemos ficar aqui para esta missão, depois pegaremos trocaremos as passagens e quando chegarmos à Londres, iremos de vassoura para a Toca.
- De forma alguma, Potter.- Disse ela aumentando o tom de voz.- Aparataremos direto para a Toca.
- De forma alguma digo eu.- Bradou ele aproximando-se da morena.- São regras, Granger, regras. O ministro disse-nos para não aparatarmos por essas áreas ou seremos descobertos por “eles”.- Hermione entendera o que ele quisera dizer com relação à “eles”, eram os comensais da morte.
A morena caminhou para longe do moreno, fincara as mãos nos cabelos e continuara a chorar. O moreno aproximou-se dela novamente e agachou à sua frente.
- Vai dar tudo certo, apenas confie em mim.- Os olhos dele estavam cheios de lágrimas. Hermione não conseguia se controlar, olhando para aquele rosto tão belo deu-lhe vontade de bater na face dele quando este citou a palavra confiar.
- É, funcionou tão bem na última vez.- Ela afastou-se dele e foi direto à bilheteria, onde trocou sua passagem, logo após foi a vez de Harry trocar a sua. Os dois não se falaram até entrarem no avião.
________________________________________________________________
O garoto estava sentado ao lado de um de seus primos, Luís. Os dois jogavam vídeo game animadamente, Arthur ficara fascinado com tal jogo trouxa, não desgrudara os olhos da tela da velha televisão trouxa.
- Vovô está quase babando, primo.- Disse Luís, brincalhão.- Olha só a cara do velho. Venha cá ‘vô, quer aprender a jogar, não é?- Arthur sem mais sentou ao lado dos dois, Luís entregara-lhe um controle do vídeo game e começara a mostrar o que cada um fazia.- Então esse aqui você o faz pular.
- Vamos vovô, duvido que ganhe de mim, eu sou um craque em Donkey Konga.- Disse Derek animado, iniciando o jogo.- Se você ganhar eu te levo ao Três Vassouras amanhã, mas se você perder...
- Tudo bem, se eu perder eu te levo ao lugar que você quiser. Mas pensando bem, eu não quero ir ao Três Vassouras... se eu ganhar eu quero ir ao centro de Londres para comprar mais jogos como este.- Disse o velho senhor.
Os dois começaram a jogar, Derek estava dando uma “sopa” em Arthur, eles ficaram jogando bastante, nenhum dos dois ganhara até então, quando um dos dois gritou:
- Ganhei, ganhei!- Arthur parecia uma criança correndo pela sala.- Está vendo?! Eu ganhei, você não e de nada, precisa treinar mais “Hermano”.- Estava claro que Derek havia deixado Arthur ganhar dele, certamente ele não perderia para um novato.
A barulheira de Arthur foi tanta que Molly teve de aparecer ali para apaziguar a situação.
- ARTHUR WEASLEY!- Chamou sua atenção. Arthur até chegou a tremer com o grito dela.- PARE JÁ COM ISSO!- Arthur cambaleou para trás ao ouvir Molly inflamada daquele jeito. O que todos não haviam percebido era que uma coruja acinzentada havia entrado no local, enquanto Molly continuava a discutir. Derek só depois de muito custo percebera o animal ali, a coruja carregava uma carta em seu bico e esta estava endereçada a ele. O garoto leu silenciosamente a carta, jogou esta no chão após lê-la e correu para seu quarto.
- Vovó, o Derek subiu... e olha só essa carta que ele jogou.- Molly pegou a carta das mãos do ruivo e tornou a lê-la, ela pensava que não era nada de mais, porém após lê-la correu para o quarto de Derek e bateu na porta, desesperada.- DEREK! Derek, ABRA JÁ ESTA PORTA!- Gritou ela, porém o garoto não o fez, então a muito custo ela teve de abrir a porta com um feitiço.- Derek.- Disse em tom choroso.
- Vovó.- Murmurou ele, chorando.- Vovó, isso não pode ser verdade! Não pode...- A velhota abraçou-o e beijou-lhe a testa.
- Vai dar tudo certo querido.- Sussurrou em seu ouvido.- Vamos, pegue suas coisas e nós iremos ao hospital.
__________________________________________________________________________
- Número 13... número 13...- Ela acabara de achar a poltrona a qual se sentaria, mas logo quando olhou quem estava sentado na poltrona ao lado da sua abaixou sua cabeça. Sentou-se.- Por que você sempre me persegue?- Perguntou ela olhando para a janela, já era noite quando embarcara e fazia frio ali.
- Recebi uma carta faz alguns minutos, Granger.- Disse o moreno no mesmo tom frio de sempre.- Quer saber o que estava escrito?
- Escuta aqui, você não respondeu a minha pergunta.- Disse ela cabisbaixa em tom baixo.- Anda, responda-me.
O moreno voltou-se para ela e sorriu meio tristonho. Hermione percebeu que havia um brilho diferente no olhar de Harry, este respirou fundo tentando encara-la. Harry parecia estar nervoso com a presença da morena ali.
- Está bem, Granger. Acho que já está na hora de saber.- Ele tentava falar, mas não sabia por onde começar mirou o chão e tomou coragem para encara-la. Hermione se perguntava o que que ele queria dizer com aquilo?- Lembra-se de quando começamos nosso namoro? Quando não sabíamos de nada sobre a vida, só sabíamos sobre...
- Voldemort.- A morena revirou os olhos inchados de tanto chorar.- Sim, por que?
- Bem... você sabia sobre os riscos de ficarmos juntos. Você sabia o que poderia nos acontecer...
- Aonde você quer chegar com essa conversa?- Perguntou ela em tom autêntico. Não era nada agradável relembrar sobre o passado dos dois juntos para Hermione, exceto pelo filho que tiveram.
- É... Hermione...- Desta vez ela havia reparado que ele havia dado ênfase ao dizer seu nome. Ele sorriu novamente para ela, com o mesmo sorriso triste e nervoso, além do mesmo olhar.- Você se lembra daquele talismã que você me deu quando... quando acabamos com Voldemort?- Perguntou ele suando frio.
- Como não lembrar daquele talismã?!- Disse ela em tom choroso, olhando para seus pés. Harry observava-a atentamente, este parecia estar um pouco deprimido também. Harry tirou um amuleto de seu bolso, puxou a mão direita de Hermione, abri-a e colocou o amuleto na mão dela.
- Aqui está ele. Nunca mereci tê-lo e nunca mereci ter sua dona também.- Harry tentava esconder seu rosto de Hermione, ele olhava para a aeromoça a qual estava muito próxima deles.
- Por que está dizendo isso agora?- Perguntou a morena voltando a encara-lo quando este virou seu rosto.
- Me desculpe por toda a dor que lhe causei, mas acredito que deve saber o porque que seguimos caminhos opostos.- Hermione olhava-o incrédula, ela mal piscava para ver se não era um sonho. Harry suspirou fundo antes de olhar nos olhos da morena.- Sei que sua vida não tem sido muito fácil desde que saímos da guerra contra Voldemort... não deve ter sido nada fácil criar um filho sem o verdadeiro pai por perto, e sinto por sua dor neste exato momento com a perda de Rony...
As palavras de Harry sangraram dentro de Hermione, um filme havia passado por sua mente, tudo o que haviam passado juntos até a briga a qual os separara, o casamento de Gina com Harry, o nascimento de Derek, seu casamento com Rony( o qual Gina e Harry não haviam comparecido). Hermione não conseguiu deixar de escapar uma lágrima em seu rosto, seu marido estava morto, seu filho já deveria estar sabendo da notícia, outra lágrima caíra no belo rosto da mulher.
- Vai ser difícil sem ele...- Murmurou ela limpando rapidamente algumas lágrimas que tornaram a cair de seus olhos. Hermione ainda não havia se acostumado com a idéia de que Rony fora assassinado.- Ele era tudo para mim...- Ela apertou o talismã com força e olhou para este.
- Acalme-se, vai dar tudo certo.- Disse o moreno tentando consola-la. Por um momento ele desejara abraça-la, mas decidiu que era um momento impróprio para tal.
- Tomara que sim.- Disse com voz trêmula. Hermione abraçou-o, Harry ficara estático com tal atitude, mas depois se deixou levar pelo abraço. – Coitado do meu filho, coitado...- Harry sentiu sua camisa molhada, passou suas mãos pelos cabelos da morena e acariciou-os.
- Você pode contar comigo.- Sussurrou no ouvido dela fazendo-a estremecer com tais palavras. “ Eu entendi direito?! Só posso estar ficando maluca... não vejo a hora de ir para a Toca” pensou ela.- Como eu mesmo disse naquele almoço contigo, quero que seu filho faça parte de minha vida também, Hermione.
- Isso não depende de mim, Potter. Isso depende do meu filho, se ele aceita-lo como pai, eu não tenho como interferir, mas se ele não te aceitar como tal... eu não tenho de interferir também.- Hermione se afastou dele e voltou a olhar a janela.- Não me disseram ainda como ele morreu...- Disse ela chorosa em tom baixo.
- Ele não morreu, Hermione.- Disse Harry com firmeza. Hermione voltou-se para ele novamente e balançou a cabeça negativamente. Harry querendo provar que não estava ficando louco, tirou a carta de suas vestes endereçada a Hermione.- Leia e depois tente se acalmar.
Hermione agarrou a carta com ferocidade e abriu-a, ainda chorosa. A morena começou a ler a carta, arregalou os olhos e depois limpou as lágrimas em seu rosto. As letras finas escritas levemente com uma pena, não deixaram dúvidas de quem escrevera a carta.
Cara Sra. Weasley,
Estou escrevendo para ti, pois gostaria de informar-lhe que seu marido passa bem.
Ele sofreu um ataque de comensais em Hogwarts.
Seu marido, Ronald Weasley, está internado no St. Mungus, ele sofreu ferimentos leves, porém bateu a cabeça e isto afetou sua memória.
Acabo de lhe dispensar de sua missão em Munique, por tais causas até que este se recupere.
Peço-lhe para que me desculpe por tal equivoco ao escrever-lhe esta manhã dizendo-lhe que seu marido estaria morto.
Atenciosamente,
Percy Weasley, Ministro da Magia.
- E agora, não acredita em mim?- Perguntou o moreno tentando ficar sério. Hermione passou uma mão em seu rosto e não conseguiu deixar de escapar um sorriso. Harry também sorrira, só que este tentava esconder o sorriso.- Disse a você... eu disse...
_________________________________________________________________________
O moreno estava sentado ao lado de um certo ruivo o qual dormia tranqüilamente na maca. O ruivo tinha o rosto pálido com alguns curativos no rosto o qual fora marcado por cicatrizes, o homem vestia um avental azul e estava coberto por um lençol branco, o soro entrava por suas veias e este respirava tranqüilamente. O moreno de olhos verdes ao seu lado afagava seus cabelos e admirava-o a cada instante.
- Até quando ele terá de ficar aqui doutor?- Perguntou o garoto que na mesma manhã ficara trancado em seu quarto rezando para que seu pai estivesse vivo depois de um ataque.
- Não sabemos ao certo, garoto.- Disse um homem atrás dele. O homem tinha cabelos grisalhos, seus olhos pareciam estar cansados, seu rosto mostrava que a velhice estava próxima e seu físico também. O doutor usava um avental verde musgo, usava luvas, óculos além da máscara que tapava sua boca.- Mas como eu já lhe disse, quando ele acordar, por favor, saia, pois ele não o reconhecerá como vimos a pouco.
O garoto confirmou com a cabeça, olhou para seu relógio que mostrava que já havia passado da meia-noite. Derek passara a tarde inteira ali sentado à frente de seu pai, o garoto provavelmente passaria a noite ali.
- Querido, eu e seu avô passaremos a noite aqui. Acredito que seus primos estejam lhe esperando lá na Toca, então...- Dizia a Sra. Weasley quando foi interrompida pelo marido.
- Está na cara que o nosso neto quer ficar ao lado do pai dele, Molly. – E foi isso o que aconteceu, Derek e Arthur ficaram a noite no hospital. Os dois dormiriam em um quartinho apertado que o hospital fornecera a eles.
Harry e Hermione haviam chegado ao destino final. Hermione parecia estar cansada, porém não escondia a felicidade que sentia ao saber que o marido estava vivo. Harry só ouvia-a dizendo que não via a hora de reencontrar Rony, isso o deixava com uma ponta de ciúmes, mas nada perceptível.
- Acho melhor nos hospedarmos em qualquer albergue próximo. Já está muito tarde e sabe lá Merlim onde estão aqueles malditos.- Disse a morena olhando para os postes com as luzes apagadas.
- É claro que não podemos vagar a noite aqui, Granger.- Harry acabara de voltar ao seu tom normal(grosso e cínico).- A nossa sorte é que eu conheço um albergue pelas redondezas.
Os dois andavam pelas ruas de Londres cautelosamente, eles andavam, pois não haviam encontrado um táxi vago na hora que haviam saído do aeroporto. Hermione já estava começando a sentir frio, pois estava usando um vestido. Percebendo que a morena sentia frio, Harry tirou seu paletó e colocou-o nos ombros de Hermione, após isso ele retirou sua varinha do bolso, pois o local o qual estavam era de certo “sinistro”. Hermione repetiu o mesmo gesto de Harry, o moreno passou uma de suas mãos por trás do ombro dela cautelosamente.
- Estamos chegando.- Sussurrou no ouvido dela.- Mais um quarteirão e estamos lá.- Os dois andavam cuidadosamente para que não dessem sequer um passo em falso.- Chegamos.
________________________________________________________________
N/A: OMG, MIL PERDÕÕÕES!!! Pessoal, me desculpa por não ter postado antes, sei que vocês devem estar com umas sete pedras na mão pra me apedrejar, mas de coração se eu pudesse att antes é lógico que eu atualizaria!!! De novo, DESCULPA!!! Muito obrigada pelos comentários, obrigada mesmo!!!
Comentários:
Melissa Craft: Obrigada por tudo Melissa, seus comentários serão sempre bem vindos, dedico este capítulo especialmente para você que vem comentando em todos os caps por demais!!!
=***
Nety_ Granger =]~: Olá Nety, obrigada por ter comentado novamente na minha fic. Bem, que eu estive pensando seriamente em matar o Rony, disso eu não vou negar, mas estive pensando melhor e lendo o seu comentário e o de mais algumas pessoas... que me fizeram voltar atrás. Porém com relação à situação a qual o Rony se encontra agora, acontecerá o mesmo que aconteceria no decorrer dos capítulos, mistérios e mais mistérios =P... espero que não me considere tão má, como no seu comentário xD
=***
Mione Malfoy: Olá Sra. Malfoy, xD... obrigada pelo comentário primeiramente. Acredito que o Harry necessitava de uma lição não só moral... sei que você tem raiva dele, como tantos... mas nesse episódio(8°cap.) têm algumas informações principais que serviram para o próximo capítulo, como esse próprio flashback do Harry. É isso aí... continue comentando...
=***
|
|