Capítulo 28 – Alma
Já em casa, Harry e os outros foram encaminhados para seus quartos para descansarem, ficando Sírius, Remus, Tonks conversando. A guerra tinha sido declarada e Hogwarts não era mais segura. Minerva, Alastor, Sprout e os outros professores, com a ajuda de alguns aurores retiravam os alunos da escola, mandando-os de volta para casa.
- Então Sírius, agora que você está vivo, vai aparecer em combate ou vai ficar como o novo comensal em cima do muro? – questionou Tonks.
- Dora não acho prudente ainda que Sírius apareça. – Disse Remus.
- Eu também acho. Sou ainda uma carta na manga. Se eles não souberem de mim, como vão se prepara pra minha aparição.
- E será que Norton conseguirá manter Hermione a salvo? – perguntou Tonks novamente.
- Não tenho idéia se veremos Hermione novamente, mas tenho esperança. Norton é muito bom no que faz e tentará dá um jeito. Mas acredito que ela vai sofrer muito nas mãos deles. Só quero que ela agüente. – falou Sírius.
- Se ele for parecido com Snape talvez consiga, ainda mais que você falou que ele é o braço direito de Voldemort. Isso deve ser algo bom para nós. – Disse Remo.
- Mas ainda ele me dá arrepios. – Falou Tonks. – Ele parece uma cópia um pouco melhorada do Snape, até o jeito de falar parece.
- Eu sei. Deve ter sido a convivência. Mas, eu não me preocupo tanto com ele, mas sim com aquelas crianças lá em cima e as outras que estão voltando pra casa agora. É possível que agora, desprotegidos, sejam alvos para os comensais.
- Eu penso que isso vá acontecer fatalmente, mas não vamos conseguir salvar a todos. Mas temos que treinar aqueles que estão sob nossos cuidados. Quando Harry estiver cara a cara com Voldemort ele teve ser capaz de se defender.
- Não só ele, meu caro Remo, todos eles são alvos fortes, escolhas obvias, principalmente Liane. – Disse Sírius.
- Eu não queria que ela tivesse se apaixonado por Harry. Ela sempre foi tão frágil, desde pequena. Tenho medo que ela morra tentando salvar o que não pode. Eu a amo tanto. – Disse Tonks.
- Mas ela fez uma escolha Dora assim como você, e ela gosta muito do Harry. Não duvide que ela fará qualquer coisa por ele, até mesmo morrer. Eu o faria, assim como é certo que qualquer um de nós daríamos a vida por ele. Só ele vai acabar essa guerra. – Falou Remo.
- E o que vamos fazer então para amanhã? Vocês ouviram Alvo, temos um treinamento pesado pra começar. – Questionou Sírius.
- Vamos abusar. Não temos tempo. – Disse Tonks com um sorriso de canto bem cínico.
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Dumbledore não poderia estar enganado, ela não podia ter se apaixonado por um assassino. Hermione chorou, como que seu choro pudesse cruzar todas as barreiras e reabrir o coração do seu amado. Voldemort havia feito algo terrível com Snape, era sua certeza. Severo estava enfeitiçado e ela estava disposta a sofrer para trazer a tona o Severo Snape que amava.
...
- Então vamos ver do que você é capaz. – disse cinicamente. – Mas terá que fazer da forma trouxa, pois é o que você realmente é.
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A partir daquela noite Severo mostrou inúmeras vezes a Hermione porque era tão temido. Ele cortara seu corpo com feitiços variados, alguns que ela nem lembrava o nome. Usou sua força física para bater em seu rosto, jogá-la de um lado para outro. Quando não levantava era chutada nas costelas e no abdome, mas os ossos quebrados eram consertados para que a violência continuasse. Devido às séries de agressões Hermione desmaiava. Isso durou algum tempo, o qual ela não conseguiu determinar. Quando ela acordava sozinha, ficava quieta para não ser notada, mas prestava atenção em tudo a sua volta. Mas quando era acordada por baldes de água gelada ou por gritos ameaçadores, sabia bem que o que iria acontecer.
Para Severo aquele era o sétimo dia após o seqüestro da trouxa. A presença dela em seus aposentos o incomodava absurdamente. E por isso descontava seu descontentamento todo em sua carne. Mas aquele dia seu humor estava pior do que antes. Tinha que voltar a Hogwarts no dia seguinte. Não podia ficar tão longe dos esquemas que seriam montados agora que Voldemort estava disposto a se revelar publicamente. Potter teria que ser caçado e destruído antes do ritual de Origem, e ele sabia bem quem era importante para o ritual. Sua mente fervilhava. Liane era o poder que Voldemort queria. A filha da maldita Navra, filha de Voldemort, era o Ser que guardava a magia original. Andrômeda não poderia ter confiado um segredo tão grande a ele... Ele enganara a mãe e tinha conseguido confundir a filha... Realmente ele era bom, muito bom.
Agora tinha que pensar e repensar como administraria tudo isso. Não poderia dar a Voldemort um poder tão grande e desconhecido. Isso deveria ser dele por direito e merecimento. Moldaria a situação a seu favor. Continuaria a mostrar sua total devoção ao Lorde das trevas até que pudesse ser ele mesmo o mestre de todos os mestres. Voldemort o havia libertado, não só do amor a Navra e a Hermione como também da mente do próprio Voldemort; ele era senhor de si.
Mas naquele momento estava cansado. Não dormia há mais de quarenta horas, maquinando e preparando todas as estratégias possíveis para conseguir o poder antigo. Merecia os braços de Morfeu.
Mas não seria uma noite tranquila como gostaria. Severo dormia em seu quarto só, mas seus pensamentos, seu sonho fazia-o reviver o primeiro beijo em Hermione. Seus grandes olhos castanhos fixados nos seus mostrando surpresa, o cheiro de sua pele quente próxima a dele, o gosto de sua boca, o toque de suas mãos em seu rosto. Toda a necessidade que ele tinha dela naquele dia veio à tona. O jogo de sedução que ambos jogaram, as vontades que se despertaram mostravam o desejo mútuo. Severo revivia cada olhar, cada parte daquele beijo, cada palavra dita quando a reencontrou na sala. Quando percebeu estava em seu quarto nas masmorras, quando ela havia se entregado a ele, sua primeira e última noite de amor com Hermione. A sensação de tê-la em seus braços, de senti-la por inteiro o perturbava. Se viu acordar novamente com ela ao seu lado. O jeito suave que sua respiração estava, a tranqüilidade de seu rosto, a quentura de seu corpo grudado ao seu, percebeu o quando sentia falta daquilo.
Despertou. Não agüentava mais dormir muito menos sonhar. Estava suado e excitado com aquele sonho. Não era para sonhar, não era para se sentir atraído por aquela fedelha, não era para lembrar-se de nada, principalmente, porque aquele pensamento lhe doía. Se levantou e foi buscar o que lhe incomodava.
A sala estava na penumbra, mas conhecia o local de olhos fechados. Sabia que, o que procurava, estava em um canto da sala de seus aposentos próximo a lareira. Naquele canto Hermione dormia encolhida, voltada para as chamas que crepitavam a sua frente. Sua respiração era baixa, silenciosa, seu rosto machucado ainda mantinha a beleza que sonhara há alguns minutos. Aproximou-se, sabia que ela estava exausta e não iria perceber sua chegada. Fitou seu corpo, seu rosto, queria tocá-la, senti-la, deixou-se tomar por aquele clima. Estendeu sua mão e tocou suavemente os cabelos bagunçados e sujos com o dorso da mão. Fechou os olhos. Voltou seus carinhos ao ombro nu e arranhado, que ainda se mantinha suave e macio. A sentiu suspirar profundamente. Aproximou seu rosto para sentir o cheiro da jovem mas não conseguiu reconhecer outro cheiro a não ser o de sangue. Ele sabia que ela tinha sido maltratada, fora ele que fizera tudo isso, e seu coração doeu.
– Merlin! O que esta acontecendo comigo - Ele levanta e se senta-se numa poltrona de frente a ela, coloca as mãos sobre a cabeça, parecia que seu mundo estava rodando e ele não tinha mais controle de nada. Ele tentava se forçar a parar de pensar naquilo e, de repente em sua mente, começou a lembrar novamente do rosto de Hermione dormindo junto dele no chão dos aposentos da masmorra. O rosto sereno, tranqüilo e feliz. Não queria mais resistir há tudo aquilo.
- Granger! – chamou enérgico. – Acorde!
Hermione se movimentou.
Severo foi até ela e a tocou. – Acorde. Vamos!
Com o toque mais forte Hermione despertou assustada se esquivando de Severo. Ele voltou a fica de pé, andou até ela e estendeu uma mão, sem dizer nada. Ela o olhou surpresa e não aceitou tocá-lo. Levantou sozinha e continuou a não olhá-lo. Segurava um de seus braços e o outro abraçava a própria cintura, estava com medo. Ele andou até ficar atrás dela. A tocou nos ombros, bem de leve, fazendo-a tremer. Subiu as mãos pelo pescoço e a tocou com suavidade nas laterais do rosto.
- Não vou te fazer mal, relaxe. – Disse Severo tocando com os lábios na orelha da jovem, que já se arrepiava e tremia com a proximidade. - Eu quero você, aqui, agora, quero sentir que você ainda é minha.
- Eu sempre fui, sempre vou ser. – Disse com voz trêmula e embargada. Fechou seus olhos. Só podia estar sonhando ou havia morrido.
- Você me faz falta... – Severo sussurrou.
- A mim também...
Severo a virou, deixando-a de frente para ele, tomou seu queixo e o levantou, fazendo-a olhar dentro de seus olhos. Olhos castanhos o olhavam úmidos, brilhantes e amorosos. – Você me pertence Hermione Granger, você é minha. Diga que é minha...
- Não posso ser de mais ninguém, Severo, de ninguém mais.
O beijo foi inevitável.
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Hermione pensava: “Ele não me quer, foi apenas um momento de luxuria.” Um momento... - Ela suspirava mentalmente. - "Mas um momento que vou guardar para sempre". – E voltou a dormir. Não sabia se aquilo seria uma recaída ou apenas seu Severo voltando dos mortos.
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Não apenas desejava aquele beijo por prazer, desejava de todo o coração. Como poderia forçar ela a esquecer, mesmo sabendo que ela amou cada momento daquilo? Como ele se sentiria se alguém levasse embora uma lembrança dessa... Beijou seu ombro antes de levantar, pois ela ainda dormia e não se moveu com aquele gesto. Não soube por que fizera aquilo, e se apresou. Vestiu sua calça e andou em direção ao banheiro. Estava confuso.
Parou na porta e olhou para trás. Voltou à sala de seus aposentos. E lá estava ela, dormindo, no mesmo lugar que a havia deixado. Nua e deitada de bruço, abraçada a um dos travesseiros que caíram do sofá. Suas costas mostravam os arranhões recém feitos, poucos cortes cicatrizando, alguns hematomas novos, outros mais antigos. Seu cabelo estava armado e encaracolado, caindo pelo chão e pelo meio das costas. Se não fosse por isso ela estaria realmente mais bela naquela situação.
Ele a encarava por longos minutos, uma parte desejosa pelo que iria fazer ao mesmo tempo que estava se odiando internamente por vê-la novamente infeliz. Como ele resistiria aquele olhar? Antes de tudo acontecer, ele havia desejado que o sonho dele virasse realidade. A contradição em sua mente e em seu corpo o atormentava. Seus olhos não demonstravam sentimento algum, não podia mostrar sua fraqueza. Tinha que destruí-la, não havia mais escapatória, ou tudo em que se tornara seria perdido. Ele voltaria a ser o fraco professor, pau mandado de Dumbledore, amante de trouxa, mestiço, impuro, lixo... e apaixonado.
- De onde veio isso? Como consigo desejar isso aí? - Começou a andar de um lado para o ouro da sala. - Você viveu anos sem uma mulher... Como pode estar com um desejo assim, de uma hora para outra? Estar apaixonado por esta garota? Isso é impossível! O Lorde das Trevas eliminou qualquer espécie de sentimento bom de dentro de mim. Eu sou Severo Prince Snape! Chefe dos Comensais da Morte, poderoso, sábio, inescrupuloso, mau... Não há espaço dentro de mim há não ser para odiar essa trouxa imunda...
- Maldição!! – Esbravejou. – Por que eu estou pensando desse jeito? – Indagou-se. – Pro inferno com isso tudo! Isso só pode ser resquícios de memória que vieram assombrar-me. Definitivamente. – Pegou sua varinha e retirou aquela imagem de sua mente, mas não sabia o que fazer. Destruir ou guardar? Transfigurou uma pena num pequeno frasco de vidro e depositou aquela lembrança dentro dele. Não poderia deixar que ninguém tivesse posse daquilo, sua fraqueza. Guardou entre poções que tinham pouca utilidade. Sua mente estava livre novamente. Poderia voltar e maltratar novamente sua prisioneira. O seu Ser comensal estava de pé novamente.
Foi ao armário de seu laboratório e pegou dois frascos de polissuco e retornou a sala. Ela havia acordado, o olhou por sobre o ombro e baixou seus olhos. Foi até ela e arrancou alguns fios de cabelo dela sem protesto e colocou dentro dos frascos. Sacudiu e cheirou cada um dos frascos, a poção estava pronta.
- Por que fez isso? Pra que Polissuco? – Questionou Hermione.
- Você não é mais necessária... – Cuspiu as palavras. Virou e retornou a seu laboratório. Guardou os frascos e retornou a sala com sua varinha em riste, fazendo Hermione se assustar e se afastar.
Ela tentava vestir os trapos que estavam pelo chão. - Como assim não sou mais necessária? Seu Lorde vai me matar por nada?
- Não, sua trouxa idiota, você não é mais necessária para mim. Você já era repugnante e agora se tornou insuportável. Como disse ao milorde, acidentes acontecem e... eu tenho polissuco o suficiente para dois dias. Entendeu? Você não fará falta e além do mais estou enjoado de sua presença nos meus aposentos. O seu cheiro podre está em quase tudo. É asqueroso.
- Mas... – falou respirando descompassada. – Nós... E... Agora a pouco... Não sentiu nada?
- Claro que senti. Uma vontade enorme de mostrar para que você realmente presta. E você já está usada demais.
- Mas o senhor foi o único...
- Exatamente. Já conheço seu corpo. Não há mais atrativo. Já vi o que tinha que ver, provei o que tinha pra provar, usei você do jeito que eu quis... E cansei.
- Não há nada em você... Mais nada...
- Se você está falando de amor... Eu não amo. Não há espaço para amor.
- Você nem sente pena?
- Pena? - Riu.
Então Hermione ousou se aproximar de Severo. Não havia lágrima em seus olhos.
- Nada?
- Porque haveria de sentir alguma coisa por você? Me diga?
- Agora eu sei, não só por que vou deixar de existir, mas porque não consigo odiá-lo. Meu amor por você vai ultrapassar a morte. Eu vou morrer pelas suas mãos, mas meu coração sempre vai estar com você... Para onde eu for, Severo... Eu vou te proteger com meu amor. – disse com a voz embargada.
Silêncio. Severo não falou ou fez algo. Hermione continuou a olhá-lo. Ele apontou novamente sua varinha para Hermione. Ela não desviou o olhar.
- Que os Santos, sábios e até mesmo Deus possa perdoá-lo por isso, como eu te perdôo. Pois eu sei, aqui dentro... – Disse colocando a mão sobre o coração. - ... Que não é você, que é o mal de seu mestre que o prende, e que não te deixa ser meu. Eu te perdôo meu amor, por que eu te amo.
Riu cinicamente. - Seja feliz no inferno, Granger... – Então um estranho raio esverdeado atingiu Hermione bem no peito, jogando-a longe. Seu corpo caiu escorado pela parede a qual bateu. O corpo de Severo estava imóvel. Sua varinha caiu no chão próximo a seus pés. Escutou-se um barulho pesado. Severo estava ajoelhado no chão, seu rosto inexpressivo normalmente, mostrava agora lágrimas de sangue percorrendo seu pálido rosto, seus olhos brilhavam e duas palavras foram ouvidas saindo de seus lábios em agonia: Minha alma...
N/A: Hi peaple... como podem ver tudo desmoronou.... Desculpe a demora, mas o próximo cap vai demorar pakas. Vou ficar escrevendo o fim de semana pra ver se consigo fazer e adaptar o que já escrevi. Espero que vc´s entendam que agora são duas fins q escrevo, e futuro insólito foi uma necessidade já que precisava colocar algumas coisas pra fora... e essa fic não comporta tais pensamentos. À aqueles que são leitores desde o inicio, agradeço a paciência, aos novos ... bem vindos! Estamos chegando na parte final da fic. Em mais 4 ou 5 caps os destinos serão traçados e definidos...
bjos e até mais.... não esqueçam de comentar...
Obrigado a quem comentou....vc´s são uma graxinha!!!!
amodoro tudo isso.... E por vc´s que essa fic continua....