Prólogo
Chovia muito forte. Mas o vulto encapuzado, solitário, parecia não se importar com isso. Ele andava numa rua deserta, decidido. Parecia ser a única coisa em movimento naquele local. Mas ele sabia que não estava sozinho.
Ao dobrar uma esquina, que dava para uma rua fracamente iluminada, ele tirou a varinha do bolso e passou a andar de forma mais cautelosa.
Chegou a um beco, igualmente vazio, e se escondeu atrás de uns caixotes. Só precisava esperar um pouco. A qualquer momento ela apareceria ali. O plano estava todo em sua mente.
Cerca de vinte minutos depois, o homem já sentia seu corpo gelado por causa das vestes encharcadas. Mas não dava atenção a isso. Precisava focar em sua missão.
Antes de repassar mais uma vez o plano em sua mente, ouviu passos, abafados pela chuva, se aproximando.
Outro vulto, igualmente encapuzado, vinha em sua direção. Este era pequeno e magro. Sabia que era ela. Só podia ser ela.
A poucos centímetros de distância, ela parou e virou as costas para onde ele estava.
O momento parecia perfeito. Mas tinha que esperar. Não podia ser precipitado. Ele continuou agachado atrás dos caixotes, esperando o momento certo.
Um terceiro vulto se aproximou do local.
- Trouxe?
- Está aqui. – Ela estendeu um frasco pequeno, com um líquido vermelho, e um pergaminho para o terceiro vulto, que tinha uma voz masculina.
- Ótimo. Agora volte para a sede. É perigoso ficar por aqui. Vá.
Assim que ele terminou de falar, aparatou.
Era esse o momento pelo qual ele esperava. Antes que ela movesse qualquer músculo, ele lançou um feitiço, paralisando-a. Em seguida, conjurou cordas para atar seus pulsos e suas pernas. Ela não podia se mexer. Não podia gritar. Apenas mexia os olhos freneticamente, tentando achar aquele que a atacou.
Tão rápido como atacou, o vulto segurou seu braço e desaparatou, levando-a consigo.