Draco
O excêntrico jornalista nunca em toda sua vida (e isso era vergonhoso, já que alguns amigos de trabalho tinham casos de cobertura de conflitos e protestos ferrenhos na bagagem, para se gabarem), tinha escutado o som de uma arma disparando.
Nos filmes, o momento do estopim era plástico e embutido, editado para ser perfeitamente audível e apreciado com louvor numa sala de cinema sofisticada ou num bom home theater. Pessoalmente, cruamente, o som era estrondoso e truculento, porém mais intimidador do que uma coluna de água se formando no mar. Pelo menos, foi essa definição que Draco iria guardar para sempre com ele depois daquela experiência.
O cheiro de pólvora ainda estava impregnado em seu nariz quando começou a recobrar a consciência, e a primeira coisa que fez, antes de avaliar o que havia acontecido, foi se tocar para ter certeza de que não fora o alvo daquele tiro.
Com a cabeça extremamente dolorida pela pancada que sofrera, tentou ficar sentado e olhar tudo ao redor. Encontrava-se ao lado da grande piscina vazia. Forçou os olhos, ainda zonzo e foi recepcionado por uma escuridão intimidadora. Então viu, se aproximando rapidamente, uma luzinha pálida e frenética, tentou ficar de pé, preparar-se para o combate novamente, mas a voz de Ronald Weasley veio lhe tranquilizar.
— Ei, Draco! O que houve? — pegou em seu braço, ajudando-o a se levantar.
— Hermione conseguiu te soltar? — ele rebateu com outra pergunta.
— Não. — disse o outro, confuso. — Nem há vi.
Ele praguejou, com as mãos na cabeça. Fora de controle, tudo estava fora de controle.
— Ilumina a piscina ali. — pediu ao escritor, enquanto ia recobrando os fatos anteriores.
Rony apoiou-se sobre a borda e direcionou o celular para baixo.
— Caramba! Potter!
— Ah, merda... — o loiro teve vontade de chutar algo de raiva.
— O que aconteceu com ele? — Weasley já tinha pulado dois metros na piscina vazia, para acudir o acadêmico.
Draco viu uma poça de sangue crescendo ao redor do seu corpo. Ao ser virado de costas, seus óculos estavam quebrados, os olhos fechados e a pele com cor de gelo.
— Gina... Ela nos pegou de surpresa aqui em baixo. Atirou nele, a queima roupa, bem aí no meio do tórax... E, e... Me acertou com uma barra de ferro.
— Igual a esta? — perguntou Rony, mostrando a que levava nas mãos.
— Isso. — respondeu Draco, perplexo demais ainda para acreditar que a grande amiga da faculdade havia se tornado uma assassina possuída.
Rony tocou receoso no terceiro homem, mas endireitou o corpo iluminando-o por longos minutos em silêncio.
— Acho que ele morreu. — disse pesadamente, e começou a subir novamente por uma escada acessória. — Encontrei isso lá na garagem, os destroços do gerador de energia. — justificou enraivecido, mostrando a barra. — A vagabunda cortou a energia... Mas porque?
— Eu e a Hermione descobrimos umas coisas sinistras sobre ela.
— Eu também descobri umas coisas! — ele ergueu o braço, e Draco viu um pano ao redor do seu pulso, completamente vermelho.
— Você tá machucado?
— Não importa. Por um acaso, sabia que Alvo Dumbledore é parente dos Brandovick?
— Quê?
— A sua amiga lhe contou isso? — pressionou-o de forma insinuante.
— Para agora, cara! Eu não sabia de nada, não tenho nada haver com ela, tá legal? Ela tá possuída.
— Ela tá o que?
— Isso mesmo que escutou... e... Caramba, Alvo é um Brandovick...?! — agora que ele seu deu conta daquela informação — Ele quer reunir a família... mas, mas porque?
Rony o observava, atônito.
— Hermione e eu ligamos alguns fatos — começou a falar rapidamente — Temos convicção de que Gina é a reencarnação da filha da família que morreu aqui, e...
— Ei, ei! Onde está a Hermione afinal?
— Eu... Droga! Droga! Droga!— exclamou, angustiado.
— Que foi? — a voz do ruivo até falhou de preocupação.
— Eu lembrei, merda! Lembrei tarde, mas lembrei...
— Fala, porra!
— Tem haver com as minhas pesquisas antes de vir pra cá.Hermione está em perigo! A Gina foi atrás dela!