A professora McGonagall andava de um lado para o outro explicando a matéria para os alunos do primeiro ano da Corvinal e da Sonserina.
- E então, com um toque da varinha em seus cálices vocês dizem o feitiço – apontou para o quadro onde continha uma palavra em tamanho garrafal e ela ficou luminosa – e ele se transformará em um rato. Lembram que semana passada fizemos o inverso? Transformamos esses pequenos roedores em cálices, agora reverteremos.
A porta se abriu e Tom entrou arfando e recolocando a mochila que caía de seus ombros.
- Tom...! – a professora ajeitou os óculos, surpresa.
- Desculpe professora! – sentou-se rapidamente em uma carteira dos fundos e retirou seu material e varinha da mochila com pressa. – Eu me atrasei.
- Sim, pude perceber. – ela piscou ainda com expressão de incredulidade.
Tom coçou os olhos vermelhos e com profundas olheiras e colocou seu cálice em cima da mesa.
- Já é o segundo dia que você chega atrasado. Sprout me contou que ontem foi a mesma coisa.
Alguns alunos invejosos soltaram risinhos. Tom ainda tentava voltar a respirar com normalidade.
- É que o zelador Pringle me passou detenções para serem cumpridas de madrugada, professora.
- Detenção?
- Eu estava estudando na biblioteca, perdi a hora e encontrei com ele no corredor.
- Ora que absurdo! Estava apenas estudando! E ainda detenções de madrugada? Isso prejudica todo o desempenho escolar. Falarei depois com ele.
- Obrigado, professora.
A aula de Binns foi a pior. A voz soporífera do professor de História da Magia, fazia com que todas as tentativas de Tom de acompanhar atentamente e anotar tudo, fossem infrutíferas. Volta e meia cabeceava, porém não poderia perder nenhum detalhe.
Finalmente a aula chegou ao fim, assim como o dia.
Foi em direção ao Salão para jantar e encontrou a professora McGonagall vindo em seu encontro.
- Falei com Pringle, Riddle. Você está livre do castigo.
- Obrigado, professora. – sorriu fracamente. Ela retribuiu e voltou para sua mesa.
Ele sentou e apoiou o queixo nos braços.
Estava livre para estudar e voltar a sua busca pelos ingredientes da poção. Entretanto, estava tão cansado que não aguentaria uma só linha dos livros.
Teria que recuperar os dias perdidos no fim de semana.
Comeu sem muita animação sua refeição e ao término do jantar, o diretor Dippet ergueu-se de sua cadeira.
Como de costume, toda a comida desapareceu e os burburinhos cessaram.
- Boa noite a todos. Espero que estejam satisfeitos. – fez uma pausa e prosseguiu: - Segunda-feira começaremos as nossas aulas de duelos. Infelizmente o professor Owen McGregor aposentou-se no ano passado, então esta será realizada por nosso novo integrante do corpo docente, que chegou noite passada: - apontou para um homem de rosto rude, mas bonito e jovem, no canto da mesa. – Jacob Benson.
Houve aplausos por um tempo. Não necessariamente por causa do novo professor, mas por causa das aulas.
- Para aqueles que não sabem, o que chamamos de Clube de Duelos, são aulas que ensinam aos alunos como proceder em uma batalha real. Usa-se todo o conhecimento de Defesa Contra as Artes das Trevas, mas é claro, sem intenção de machucar. Vocês serão divididos em duplas e duelarão, com o mesmo parceiro, o restante do ano. Escolham com cuidado seus parceiros, isso será decidido na hora, pois este tem que ser na mesma capacidade em magia que você, ou então irá sempre perder. Não é uma regra, mas uma decisão inteligente e individual. Obrigado pela atenção e boa noite.
Tom ficou excitado com a notícia. Clube de Duelos. Poderia treinar seus conhecimentos em pessoas e com permissão. Isso seria bom.
Rodolfo passou empurrando Tom com o ombro e riu.
- Você será meu parceiro, nanico. Vamos ver se consegue azarar alguém preparado.
- Ele não vai aceitar isso. Por acaso ele é besta? – um dos amigos de Rodolfo disse.
- Eu serei seu parceiro. – Tom respondeu sem expressar medo.
- É, ele é besta. – o mesmo garoto respondeu.
- Ótimo. Não vejo a hora de acabar com você.
Viraram-se e saíram pelas largas portas do salão.
Tom levantou-se e após algum tempo, retirou-se também. Não via a hora de poder deitar em sua macia e confortável cama e poder dormir até tarde no dia seguinte.
Antes, porém, que estivesse longe do umbral, olhou para trás e viu o professor Slughorn. Correu até ele e o chamou.
- Professor?
- Meu jovem! Olá! – Slughorn despediu-se dos outros colegas e sozinho no amplo cômodo com Riddle, perguntou em voz baixa: - E então? Achou o que procurava? Você sabe...sobre o bezoar?
- Ah sim senhor! Queria agradecer. Foi de ótima ajuda. Está sendo de ótima ajuda.
- Ora, de nada. – sorriu satisfeito.
- Professor? – repetiu.
- Sim?
- Posso fazer uma pergunta?
- Até duas, já que uma chance se foi. – gargalhou e Tom forçou o riso.
- Hum...Dumble...digo, o professor Dumbledore é velho?
- Ô! Você não faz ideia! Teve um ano que os alunos até fizeram um bolão para ver quem acertava a idade aproximada dele. – sentou em um banco da mesa de Sonserina e Tom o seguiu, sentando-se ao seu lado. – Só que, como ele nunca revelou, ninguém levou o dinheiro. Sem falar que fazer apostas dentro do colégio é proibido. – disse em tom severo para desencorajar qualquer espírito apostador que houvesse em Tom.
- Ah, tudo bem senhor. Odeio apostar. Não gosto de depender da sorte. Prefiro fazer a minha sorte.
- É uma excelente resposta!
- Então...há muitos bruxos como ele?
- Como o professor Dumbledore? – perguntou pensativo. – Acho que não existe um bruxo como o professor Dumbledore e nunca vai existir. – abaixou a voz. – Cá para nós, nem mesmo o diretor Dippet seria páreo para ele.
- Entendo – respondeu, escondendo a inveja. – Mas, eu quis dizer...de idade tão avançada.
- Ah sim. Bem, alguns. Conta-se que Merlin viveu 3 séculos.
- Merlin existiu? – Tom arregalou os olhos.
- Ora, mas é claro! Merlin foi o maior bruxo e ainda por cima com dons de clarividência e legilimensia do mundo! Acho que é o único que ganha de Dumbledore.
- Legilimensia?
- Menino, tenho muito o que te contar, não? Então se vamos fazer isso, vamos fazer de forma confortável. Venha. – Slughorn atravessou o salão e entrou por uma porta que dava para o porão. Desceu as escadas e parou em frente a um quadro de frutas. Fez cócegas na pêra e uma porta se abriu.
Milhares de bichos estranhos, com orelhas pontudas e gigantes olhos corriam de lá para cá pela cozinha.
- Professor! – guinchou um dos “animais”. Ou Tom achava que fosse isso. Animais falantes. Nada mais o impressionava.
- Olá, meus amigos.
- O que são essas...coisas? – Tom perguntou enojado e se encolheu quando um deles fez menção de tocá-lo.
- Não são “coisas”, Riddle. – falou sério. – São elfos-domésticos.
- E o que vem a ser elfos-domésticos? – ainda não confiava naqueles pequenos e esquisitos seres.
- São escravos da sociedade bruxa. Fazem tudo para nós. Binns ainda não deve ter falado sobre isso. – Tom fez que não. – Já falou sobre duendes? – confirmou. – Ah, menos mal.
Apanhou uma caneca de cerveja-amanteigada e sentou em uma mesa no centro da cozinha.
- Então, meu rapaz, onde paramos?
- Primeiro: o que é um legili...
- Legilimens é uma pessoa que pode ler pensamentos, em resumo é claro.
- Ler pensamentos? – Tom repetiu exasperado. E então compreendeu algo. – Dumbledore é um legilimens, não é?
- “Professor” Dumbledore. Sim, ele é.
Agora podia entender porque Dumbledore olhava concentrado em seus olhos e sempre pareciam enxergar dentro de sua mente. Tom sempre se sentia incomodado, como se estivesse exposto. Tudo o que pensava.
E estava exposto.
Dumbledore podia ler toda a sua raiva, sua vontade de ser poderoso, tudo o que sonhara até agora. Odiou-o ainda mais.
- Há alguma forma de evitar que alguém leia seus pensamentos?
- Ah claro, claro. É difícil e cansativo, mas bem possível. Você deve achar um livro explicando isso na biblioteca.
- Hum. – procurarei depois, pensou. – Mais algum outro bruxo aqui dentro tem essa capacidade?
- Ah não, não. É muito mais complicado ler mentes do que bloqueá-las. Tem que ser bem poderoso e ter força de vontade. Eu não tive interesse. Não quero sair fofocando pensamentos alheios.
- Hum. – respondeu novamente. – Ah professor! Quase esqueço minha pergunta principal e o motivo o qual me trouxe aqui, para conversar com o senhor.
- E qual seria?
- Dumbledore é imortal? Ou qualquer outro bruxo? Nós? – completou.
- Ah não! Ele só é bastante velho. Quer dizer, não tão velho. Suas barbas e cabelos ainda têm cor! – riu-se. – Mas não somos imortais. Nenhum ser vivo, dotado de magia ou não, é capaz de sê-lo.
- Entendo. – falou escondendo a decepção. – E nem mesmo há formas...?
- Essa conversa está ficando muito complexa para um menininho. – disse sério, analisando-o de cima a baixo.
Tom forçou um riso e abaixou a cabeça.
- Desculpe, professor. Curiosidades apenas. É que uma pergunta leva a outra, mas eu só queria mesmo saber se éramos eternos.
- Tudo bem. – tomou um grande gole de sua caneca e a bateu na mesa. – Então, boa noite. Estou morrendo de sono.
- É eu também. E não quero que Pringle me pegue fora da cama novamente. Boa noite, senhor. – saiu da cozinha. Sua cabeça quase explodia de tantas informações que estava recebendo.
Então, afinal, sua mãe poderia ter sido uma bruxa. Talvez uma bruxa não muito poderosa, mas poderia ter sido.
E ele então poderia ser um sangue puro.
Foi com esses pensamentos que deitou em sua cama e dormiu profundamente, coisa que não acontecia há três dias.
***
N/A: Vim para responder ao review da Ariadne LaSombra II. Adorei seu review, Ariadne (adoro esse nome. É uma personagem muito legal da mitologia grega e a arquiteta do filme "A Origem"). Mas como assim encontrar com os Marotos e o Snape? Quer dizer, depois de uns anos quando já estiver poderoso? Hum...quem sabe? :D Eu estava mesmo pensando em criar uma cena assim beeeeeeeeem mais lá pro fim da "saga" (audácia minha chamar de saga). Veremos rs
E sobre ele ser perverso para 11 anos, vou te explicar. De acordo com o que a JK descreveu no livro e mostraram no filme, ele era egocêntrico, cruel (pois machucava pessoas e animais), não mostrava reações fortes e guardava "lembrancinhas" das pessoas que machucava. Isso são características de psicopata e psicopatas já nascem assim ou se tornam por causa de algum trauma bem forte na época de sua formação moral. A parte do cérebro que transmite emoções não "funciona" rs (não é bem isso, mas não sei explicar de forma técnica). Ou seja: eles são crianças do mal, só não mostram sempre e para todos, porque não querem ser pegos.
Sugiro que veja Dexter *.* É muito legal. Só que ele é um psicopata formado e não de nascença rs.
Bem, é isso. Beijos e continue lendo \o/