- Agora você acredita em mim? - Ele perguntou, segurando o rosto dela entre as mãos.
- Eu... Eu nem sei o que dizer... Eu nunca pensei que poderia virar realidade... E...
- Aly, só responde se você me desculpa por ter demorado tanto a perceber que é você a pessoa importante pra mim?
Ela sorriu, extremamente vermelha e com a mão latejando.
- Claro... Claro que sim... - Abraçou-o.
- É melhor nós irmos nos arrumar... Quero dizer, você vai na despedida dos times, não vai?
- Tinha até esquecido. - Ela sorriu. - Mas vou.
Sorriram e trocaram mais um beijo antes de saíre, lado a lado para o castelo.
- Ai, Merlin! Vamos logo, Aly! - Susan apressava a amiga. - Você tá dentro desse banheiro há quase duas horas!
Alicia ainda não havia contado nada para nenhuma das três. Abriu a porta e as amigas ficaram boquiabertas.
- Acha que o Tom vai gostar? - Sorriu.
- Você tá brincando? - Susa perguntou, incrédula.
- Na verdade, não. Estou falando bem sério. E aí?
- Você está incrível, Aly! - Katerine deu uma voltinha em torno da amiga. - Adorei! E essa parte de cima com as costas meio abertas e um capuz?
- Eu concordo! - Rafaela exclamou. - Mas achei que você tinha desistido de impressioná-lo.
- Ah, é... Esqueci de contar... - Alicia fingiu. - Nós ficamos hoje...
- O QUÊ?! - As três berraram, escandalosamente.
- Ouch, meu ouvido! - Alicia riu. - Vou resumir, ok?
E contou, brevemente o que aconteceu.
- Meu irmão é o máximo... - Susan concluiu.
- A-hã. - As outras duas concordaram.
- Agora podemos ir? - Alicia, rindo, perguntou. - Não quero deixá-lo esperando muito mais tempo.
Chegaram à Sala Precisa e, quando entraram, viram que estava lotada. Logo foram engolidas pela pequena multidão. Alicia perdera as amigas de vista.
Caminhava com um pouco de dificuldade por entre as pessoas quando viu uma figura conhecida vindo na sua direção. Revirou os olhos. Jack Cardigan.
- Como a nervosinha está bonita... - Ele olhava-a de cima a baixo.
E era verdade, Alicia usava uma calça escura com uma blusa-vestido verde-escuro por cima. Os cabelos soltos e ondulados, pouca maquiagem e um tênis combinando.
Já abria a boca para responder quando viu mais alguém chegando por trás de Jack e afastando-o com um empurrão.
- Cai fora, Cardigan. Não quero mais ver você perto da minha garota!
Jack olhara meio confuso e logo fora engolido pelas pessoas. Thomas olhou Alicia demoradamente e sorriu.
- Posso entender porque o Cardigan tava atrás de você...
- É? - Ela corou. - Eu gostei da parte do "minha garota", sabia?
- Ótimo. Era essa intenção. - Ele piscou pra ela e puxou-a pela mão até encontrarem o resto do pessoal.
Alicia não pôde deixar de notar o quão bonito ele estava dentro do jeans e da camisa de botão com as mangas dobradas.
Ficaram abraçados a noite toda, conversando. Mas o beijo tão esperado pelos amigos só veio horas depois.
Tocava uma música lenta no fundo. Alguns casais já dançavam.
- Vamos dançar, Aly?
- Claro! - Ela sorriu aceitando a mão que ele estendia.
Os corpos unidos, a música, o perfume gostoso que ele tinha... Alicia estava nas nuvens e esforçava-se para ignorar a dor na mão.
Ele brincava com os cabelos dela e ela apoiava a cabeça no ombro dele.
- Eu nem acredito que fui tão cego esse tempo todo...
- E eu nem acredito que isso tá acontecendo...
- Eu já tentei te mostrar hoje mais cedo que é verdade, mas se você não acredita...
Ele sorriu e olhou-a nos olhos, se aproximando. Ela sorriu de volta. Logo estavam beijando-se, apaixonadamente, no meio do salão.
No dia seguinte, era de conhecimento geral que Thomas Fletcher e a garota-Potter tinham - supostamente - ficado na festa.
Alicia tomava café tranqüilamente quando ouvira os cochichos aumentarem. Sorriu. Thomas havia sentado do seu lado e carimbado sua bochecha com um beijo estalado.
Dalí foram direto para o treino.
A semana passou e a rotina de revezamento se estendia. Um dia a Grifinória treinava de manhã, no outro treinava de noite. A Sonserina idem. As tardes eram livres e os capitães revezavam.
A expectativa era enorme e, enfim, o sábado tão esperado se aproximava.
Logo cedo os alunos já andavam de um lado pro outro divididos entre os que torceriam para a Grifinória e aqueles que torceriam para a Sonserina.
O time reunira-se no salão principal (junto com as respectivas namoradas) e faziam um lanche não muito pesado. Ao fim, Katerine e Rafaela despediram-se dos namorados, Susan arrastou Richard e se encaminharam para o camarote reservado para os convidados do time.
A equipe, junta, pegou as vassouras e foi para o vestiário.
- Eu acho que estou passando mal... - Alicia comentou enquanto caminhavam.
- Merlin, Aly! Não vai correr do jogo, vai? - Thomas perguntou, preocupado.
- Claro que não! Eu estava brincando! - Ela riu. - Mas você tá mais preocupado com o jogo do que comigo!
Ele corou.
- Não senhora... Eu só...
- Não precisa se explicar, Tom! - Ela abraçou-o. - Eu estava brincando, ok?
- Bobona... - Ele olhou pro resto da equipe. - Mais alguém tendo ataque?
Todos riram e, enfim, entraram no vestiário.
- Vamos destruir aqueles grifinórios! - Gabreel, apanhador e capitão da equipe, falava. - Eles tiveram sorte de chegarem até aqui...
- É isso aí! - Karla, uma das batedoras, concordou. - Vou destruir aquela apanhadora!
- E eu fico com o capitão! - Karina, a outra, acrescentou.
Doug, Connan e Arnold - os três artilheiros - apenas estalaram os dedos.
- Não vou deixar nada passar hoje... - Bern, o goleiro, falou ameaçadoramente.
- Assim que eu gosto de ouvir! Coloquem já os uniformes! - Gabreel ordenou.
Agora só Alicia, Stephanie e Thomas estavam sem uniforme. A artilheira entrara no trocador e Thomas tirara a camisa. Alicia corou instantaneamente e desviou o olhar.
- Só faltam vocês dois, agora. - Stephanie sentava no banco para colocar a joelheira.
Alicia dirigiu-se para o pequeno armário onde o capitão deveria ter colocado seu uniforme e acessórios e olhou do vazio de dentro para Thomas.
- E o meu, cadê? - Perguntou com a sobrancelha erguida.
- A McGonagall não me entregou, Aly... Disse que vinha aqui depois... - Ele encolheu ligeiramente o ombro e entrou no trocador.
- Eu mereço? - Alicia revirou os olhos, impaciente, e sentou no banco. Pouco depois Tom sentou-se abraçado à ela.
- Se ela não aparecer nos próximos cinco minutos eu resolvo, ok? - Ele falou, carinhoso.
- Tá, né... - O pessoal começava um debate acalorado sobre as jogadas que pretendiam executar quando alguém bateu à entrada. Continuaram a conversa e o visitante entrou.
O time boquiabriu-se e calou-se na mesma hora. Três pessoas entraram no vestiário. A professora McGonagall à frente delas.
- Boa tarde, grifinórios. - A professora sorriu. - Tomei a liberdade de trazer-lhes uma visita antes do jogo. Na verdade, é mais para a senhorita Brooke...
A professora saiu da frente Alicia piscou muitas vezes ao ver a mãe e o pai, lado a lado.
- Merlin! - Ela sorriu e saiu dos braços de Thomas direto para os braços dos pais. - Vocês vieram!
- Claro que sim! Não perderia essa final por nada! - Harry sorriu.
- Além disso você precisa do uniforme, não é? - Juliet riu e olhou o marido. - Querido?
Harry pegou um embrulho numa sacola e entregou-o a filha.
- Espero que goste... Fizemos com carinho.
Alicia sorriu e abriu o embrulho sob o olhar dos amigos. Seu queixo caiu. Número sete, "A. Potter".
- OH MERLIN! - Lágrimas vieram aos olhos dela. - Nem sei o que dizer!
- Então não diga, faça! - Juliet abraçou a filha.
- Não vai apresentar seus amigos? - McGonagall perguntou.
- Ah, claro! - Alicia ainda estava boba. - Stephanie, Johnson, Edward, Mitchel, Chad e Thomas. Ele é o capitão da equipe. Pessoal, minha mãe - Juliet Brooke - e meu pai, Harry Potter.
Todos apressaram-se em cumprimentar o casal.
Harry demorou-se no aperto da mão de Thomas.
- Boa sorte, estaremos torcendo.
- Obrigado, senhor.
Os três visitantes se foram e Alicia não coube em si de alegria. Correu para vestir o uniforme novo.
- E que tal?
- PERFEITO! - Todos exclamaram.
Alicia não podia esconder a felicidade, mas o nervosisto também a atingira em cheio.
Formaram na abertura que dava pro campo. Olhou de relance para Thomas e ele apertou-lhe a mão, carinhosamente.
Pouco depois estavam voando.
As quatro bolas já estavam no ar e Alicia concentrava-se em achar o pomo.
- E parece que a Grifinória tem reforços na torcida! Aquele que foi o mais jovem apanhador do século e vencedor por cinco vezes consecutivas da taça de quadribol... HARRY POTTER! - O narrador berrou no alto falante. - Agora a jogadora número sete do time assina como A. Potter, é torcer para que seja um dom de família!
Alicia não pôde deixar de sorrir ao ouvir o comentário. Iria provar que estava no sangue.
- 50 x 50, o jogo está disputado. Nem Gabreel nem Potter parecem ter visto o pomo ainda... Stone com a goles, ela passa pra Millano, que devolve pra Stone... Ela avança, Fletcher passa por baixo, recebe, gira e... PONTO DA GRIFINÓRIA!
Alicia ficara aliviada ao ouvir o gol de Thomas. O jogo estava realmente disputado. Quarenta minutos desde que começou e nem sinal do pomo.
Continuou sua busca varrendo cada centímetro do campo com os olhos. Estava começando a ficar aflita.
- AHÁ! - Edward berrara perto de Alicia, sobressaltando-a.
- Obrigada, Ed! - Ela sorriu e guinou a vassoura pro outro lado. Por pouco Karla não acertara um balaço nela.
- Mitch! Lança no Connan e eu cuido do Arnold! O Doug sozinho não faz nada! - Edward berrou pro irmão.
Mitchel concordou com a cabeça e, pouco depois, lançava um balaço na direção do artilheiro sonserino.
- 130 x 120 para a Sonserina. Pela primeira vez Grifinória está atrás no placar. Será que vamos ter que esperar pela salvação de sobrenome Potter? Gabreel Smith parece estar tão perdido quanto nossa jovem apanhadora!
Alicia bufou, irritada. Precisava achar o pomo LOGO. Smith parecia tão irritado e atento quanto ela. Por sorte ele teve de parar para berrar ordens quando a bolinha passou por trás de sua cabeça.
Atenta, Alicia sorriu e iniciou a perseguição.
- Opa! Smith se destraiu brigando com Karina, a batedora não consegue defender os artilheiros! A jovem Potter parece ter aproveitado a situação! Ou estará apenas enganando o adversário? AH! Mais um ponto para a Sonserina, gol de Doug.
A pequena parte sonserina do estádio comemorava. A torcida a favor da Grifinória decidiu incentivar o time e cantava uma músiquinha animadora.
- Fletcher parte com a goles, lança para Stone que joga pra Millano... Ele devolve pra Fletcher que finta e... Toca pra Millano de novo, ele prepara, lança e... PONTO DA GRIFINÓRIA!
licia passara veloz por Smith e, pouco depois, o rapaz a seguia. A narração ficou distante. A cantoria da torcida idem. Agora era ela, Smith e o pomo.
Gabreel emparelhou com a garota e ficavam esbarrando-se com força. Ela, coitada, sofria bem mais.
Duas ou três vezes perdera o equilíbrio, mas conseguira manter-se firme no último segundo.
Um balaço a fez desviar de sua rota. Perdera o pomo de vista. Gabreel, por sua vez, permanecia na mesma direção. Alicia esquadrinhava o ar e nada da bolinha dourada.
Quando Smith entrou num mergulho um leve desespero começou a se abater sobre ela. Já dava voltar, perdidas, no campo, quando um tilintar conhecido de asas passou perto de sua orelha esquerda. Sorriu e voltou a perseguir o pomo.
- 150 x 140 para a Grifinória! Gol de Fletcher! E os dois apanhdores estão entretidos com o pomo. Quem capturar leva a taça! Smith está num mergulho espetacular, Potter voando mais rápida do que nunca. Estão convergindo para o mesmo ponto? Quem será que vai agarrar a bolinha dourada? Façam suas apostas!
Alicia e Gabreel estavam quase se encontrando. Cada um vinha por um lado, mas pretendiam chegar no mesmo ponto. Ambos esticaram a mão. Ele levava vantagem por ser mais alto. Ela não desistiu. Agarrou-se à vassoura com a mão esquerda - latejando - e apertou os olhos na direção da bolinha. Smith abriu um sorriso de satisfação ao ver o esforço da garota e continuou na direção da bolinha.
- OH NÃO! Parece que Smith derrubou Potter da vassoura mas... Ele está olhando pros lados, perdido... Opa, Potter ergueu o braço... O que é aquilo na mão da jovem apanhadora? SIIIIM! É O POMO! E GRIFINÓRIA LEVA A TAÇA DAS CASAS NUMA VITÓRIA ELETRIZANTE DE 350 x 200! PARECE QUE A JOVEM POTTER PROVOU QUE ESTÁ NO SANGUE!
A garota era só alegria. Estava gargalhando no chão. Por um momento pensou que fosse perder, principalmente quando Smith aproximava-se perigosamente. O que o rapaz não esperava era que ela pegasse o pomo antes de cair.
Alicia ainda ria quando fora erguida no ombro dos alunos. Ela e o time eram só sorrisos ali do alto. Avistou Harry e Juliet entrando no campo; pediu para descer e, assim que pisou o gramado, correu na direção dos dois, dando um abraço paertado primeiro no pai e, depois, na mãe.
- Estou muito orgulhoso de você, Aly. - Harry sorria, emocionado. - Você foi o máximo!
- Parabéns, querida! Você merece!
- Foi por pouco... Mas eu consegui! - Não conseguia parar de sorrir. - Obrigada por terem vindo. Amo vocês!
Alicia voltou correndo para o centro do campo, onde o professor Flyte e a diretora McGonagall aguardavam para a premiação.
Todos comemoravam no salão comunal. O troféu estava ao centro e era reverenciado por todos. Perto das seis horas os alunos do sétimo ano - e seus convidados - subiram para se arrumar. A formatura seria diferente aquele ano. Os alunos escolheram uma coisa mais informal e estavam todos ansiosos para se divertir em Hogwarts pela última vez.
O salão já estava quase vazio quando Alicia, Thomas, Susan, Katerine, Chad, Rafaela, Edward, Sephanie, Johnson e Mitchel saíram para encontrar Richard e curtirem a festa.
Dançaram e se divertiram até altas horas da madrugada. Ninguém queria que aquilo terminasse, mas era impossível. Um ciclo chegara ao fim na vida daqueles formandos.
Na manhã seguinte, com os alunos ainda sonolentos, a escola estava toda reunida no salão principal. A diretora fazia o discurso de final de ano.
- ...E, para aqueles que se vão, que tenham sorte nesta caminhada fora do Castelo. Não esqueçam nunca que Hogwarts tem suas portas abertas para aqueles que dela precisarem. - Sorriu. - Agora, indo direto ao assunto que vocês querem... Pontuação final!
Os alunos remexeram-se nos bancos, curiosos.
- Em quarto lugar... Lufa-Lufa, com 886 pontos. - Uma breve salva de palmas. - Em terceiro lugar... Corvinal, com 991 pontos... - Mais uma salva de palmas. - Suponho que devam estar bem curiosos para saber a grande vencedora, não?
Mais uma vez os alunos se agitaram.
- A disputa do primeiro lugar foi apertada... O segundo lugar ficou com 1036 pontos, apenas 14 pontos atrás do primeiro... - A professora sorriu outra vez. - Em primeiro lugar, com 1050 pontos... GRIFINÓRIA!
Toda a mesa da Grifinória era uma festa. Os alunos pulavam se alegria e davam gritinhos histéricos, enquanto eram apalaudidos pelos demais - exceto os sonserinos, claro.
- Que no ano que vem possamos ter mais uma disputa limpa como esta. Muito me orgulho de minha casa, claro, mas nada me orgulha mais do que ver Hogwarts unida. Tenham boas férias e nos encontramos no próximo ano.
Os aplausos demoraram a cessar. Os alunos movimentavam-se em busca de suas malas. Uma hora depois estavam a caminho da estaçaõ de Hogsmeade. |