Cap 25 - Perdas e danos
Algo estava errado. Voldemort estava aprontado alguma coisa contra ele, mas ele não tinha certeza. Mesmo assim sabia que deveria ter mais cuidado. Não poderia ficar escondendo as respostas que tinha sobre a maldita profecia. Agora tudo estava mais claro. Suas conversas com Andrômeda esclareceram duvidas sutis e primordiais no se quebra-cabeça. Não havia mais tempo, a profecia estava cada vez mais próxima. A data, o aniversário do Potter, não poderia ser pior.
Severus estava sentado em sua escrivaninha já havia algumas horas. As aulas haviam terminado e quase todo o castelo já estava jantando no salão principal. Seus pensamentos estavam a mil. Parecia que as coisas começam a se encaixar. Sua grande busca havia terminado. Sabia agora onde estava a filha de Navra, tão próximo de suas mãos, e ele não havia notado as semelhanças. A marca que ela carregava, o símbolo da profecia. A união com o Potter... Mas seus instintos não o deixavam quieto. Certamente algo iria acontecer, algo grande. Olhou então para a marca à fogo que existia no dorso de sua mão esquerda. - Merloc! – Chamou. Sentiu suas vistas cansarem e quando voltou a abrir os olhos já estava na caverna, com o olhar do dragão a fitá-lo.
- Saudações Guardião. Demorou a me procurar novamente.
- As coisas se complicaram. Você sabe o que está acontecendo? – Questionou Severo.
- Eu as sinto, mas não consigo definir algumas coisas. Por que me procurou?
- Disse que se eu não enxergasse um futuro era porque eu estava de mão atadas, não foi isso que me disse?
- Sim, foi. Mas você se preocupa com o que Guardião: com Harry Potter, com Voldemort, com Liane ou será a pequena Granger que o preocupa?
- Como sabe sobre ela?
- Eu sei tudo o que sabe, e o que pensa Severo. Não lembra que minha mente está ligada a sua e a de Potter?
- Anda me vigiando... sabe que não gosto de ser controlado...
- Não estou fazendo uma coisa ou outra... O seu juramento te prende a mim e a ele. E se quer minha opinião...
- Não quero nada dragão...
- ...E mesmo assim eu a dou. Foi uma coisa grande você se apaixonar por ela, assustador, mas muito bom.
- Não vou e não vim falar disso com você...
- Mas ela agora faz parte de você...
- Já disse, dragão...
- Muito bem então...
- Andrômeda me contou tudo...
- Então sabe de quem a profecia fala...
- Liane.
- Pensei que quando olhasse para ela veria Navra.
- Pensei que ela estaria longe, escondida. E eu não fico olhando minhas alunas.
- Sei..., então não considera mais a Srta. Granger como sua aluna.
- Dragão... – disse nervoso. – Não vou avisar novamente.
- É quase hilário vê-lo desse jeito.
Sem dar muita bola para as palavras de Merloc, Severo continuou. - Eu espero que a qualquer momento ela vai mostrar quem é. O aniversário de Potter se aproxima. Voldemort está me cercando, daqui a pouco não vou conseguir esconder mais nada. Ela corre perigo, ainda mais por estar ao lodo de Potter. Sinto que algo está para acontecer e que não será muito bom.
- Sinto isso vindo de você. E não consigo enxergar muito além. Tome cuidado. Você sabe que só quem pode libertá-lo de seu compromisso é Harry. O seu segredo estará seguro mesmo com uso de qualquer magia ou poção. Não se preocupe se ele vai descobrir sobre nós.
- Isso me tranqüiliza. O que posso fazer?
- Não seja precipitado. Ela está protegida. Quem você acha que salvou a mãe dela na queda do abismo?
- Você... Eu devia ter imaginado... E quanto ao Potter? Ele continua com medo do seu poder?
- Ele teme quem seja o Guardião. – Severo riu. – Teme que não consiga salvar as pessoas que acreditam nele. Teme perder quem ele ama.
- Então ele continua fraco.
- Eu diria sensível. Mas seu poder tem aumentado assim como o dela.
- Você vai treiná-lo...
- Ainda não chegou a hora.
- Vai treiná-la...
- Ela não precisa, ela já nasceu sabendo o que fazer. Só precisa saber se controlar.
- Eu não posso perdê-la do jeito que perdi a mãe dela , Merloc. Simplesmente não posso.
- Ela já escolheu de que lado ficar. Confie nela.
- Confiar numa criança com o sangue dele, você deve star brincando comigo. O que faço em relação a você-sabe-quem?
- Não ignore-o. Sinto que ele não confia tanto assim em você. Mas ele ainda tem duvidas. Só peço que tenha cuidado. Não quero perder meu companheiro de conversas assim tão rápido.
- E caso eu morra, o Potter vai precisar de um novo Guardião.
- Você ainda não vai morrer, meu caro.
- Existem coisas piores do que a morte...
- Sim existem, mas como já te disse, seu futuro é incerto. Não consigo ver além de Hermione em seu caminho.
- Ela não pode estar em meu futuro... Eu já decidi...
- Mas ela está. E por decisão dela. Não adianta mais afastá-la.
- Não há nada que eu possa fazer... Ela não merece...
- Não se menospreze Severo, há coisas em você relativamente boas. E ela viu isso através das suas mascaras. Todas elas.
- Ela não gosta de mim, ela gosta de Norton.
- E por acaso vocês são a mesma pessoa.
- Ela vai me abandonar quando eu mostrar a verdade de quem eu sou.
- Isso é de se esperar, mas ela dormiu nos seus braços. Ela vai entender. Ela é diferente Severo.
- Chega dessa conversa. Preciso tomar uma decisão. Preciso me concentrar para que eu não seja desmascarado.
- Vejo que tenho que te mostrar algo, para tranqüilizá-lo. Venha guardião, me siga.
Caminharam por alguns metros até a saída da caverna. Era noite.
- Que lugar é esse Merloc?
- Isso é Avalon, as Terras preciosas de Merlin. – Merloc mostrava um grande vale, cercado por várias cadeias de montanhas. Alguns locais mostravam iluminação, o resto era mostrado somente pela luz que a lua cheia irradiava.
- Eles viram...
- Se quisserem, sim. Essa é a casa deles, sempre foi e sempre será.
- E quanto a mim...
- Venha por aqui.
Ambos desceram a montanha e entraram na floresta. Poucos metros a frente viram uma pequena fonte de águas cristalinas que era banhada pela luz da lua.
- Vá até lá Severo. Isso te dará a coragem que você precisa.
Quanto mais próximo Severo estava daquela fonte, mais apreensivo ficava. Havia muito poder emanando daquele lugar. - O que isso vai fazer comigo dragão?
- Essa é a fonte de Nimue ou como dizem por aqui a fonte do amor maior. Nimue foi o maior amor de Merlin e foi dela que nasceram seus filhos. Eu a construi para que os maiores medos daqueles que bebessem dela se tornasse coragem, que aos maiores perdas se tornassem dádivas, que o amor mais puro se tornasse eterno. Mas nunca alguém teve a coragem de beber dela.
- Porque?
- Porque parte daquilo que se quer transformar ficara aqui, assim como parte do que se transforma.
- E porque me trouxe aqui?
- Para proteger o que você mais ama e manter sua alma a salvo das maldades de Voldemort. Parte de sua verdadeira alma ficará aqui para sempre.
- Eu sei incompleto, assim como ele.
- Sim e não. Isso não é magia das trevas, mas te deixará difícil de matar.
- Um imortal com tempo de validade.
- Um presente.
- Isso parece mais uma maldição. Não tenho como recuperar a minha alma depois?
- Há um jeito, mas alguém deverá perder a alma por você. Uma troca.
- Não está pensando nela, não está?
- Pra falar a verdade, não.
- Ótimo. – Severo então se aproximou da fonte e a tocou com os dedos, sentindo a intensidade da magia. Com as mãos juntas bebeu alguns goles da água e se afastou. – Só isso!
- Só. Você perdeu sua alma quando a tocou e pensou em Hermione.
- Agora preciso voltar.
- Se decidiu então a afastá-la.
- É o melhor.
- Até mais, guardião. Espero vê-lo vivo ou pelo menos respirando.
- Digo o mesmo. – Severo fechou seus olhos novamente. Ao abri-los estava sentado em sua escrivaninha novamente. Levantou e foi até o laboratório. Escreveu em um pedaço de pergaminho, colocou na perna de sua coruja.
- Entregue a ela, espere a resposta. – A coruja partiu silenciosa. Severo respirou fundo. Realmente o dragão estava certo. A dor do que faria a seguir estava eminente, mas parecia estar controlada. Agora ele podia ser novamente o Comensal.
Alguns minutos depois a coruja pousou, estendendo a pata com a resposta. “Estarei lá. Posso demorar alguns minutos, problemas com a AD. HG”
Foi tomar seu banho, ainda teria meia hora antes de encontrá-la.
Hermione estava ansiosa. Não esperava receber uma mensagem dele hoje. Logo no meio do treinamento da AD. Todos ficaram olhando para ela depois de receber a coruja negra e grande. Ela não comentou com ninguém e isso deixou quase todos curiosos, menos Liane, que já imaginava o que era.
Liane chegou perto de Mione enquanto ela observava seus aprendizes nas execuções da série de exercícios. – Era ele. – Liane afirmou. Mione apenas a olhou. – Vá. Eu cuido disso.
- Eles estão com dificuldades...
- Eu cuido disso. Deve ser algo importante.
- Por que diz isso?
- Eu sinto... Não sei te explicar... Ele nunca te incomodou durante nosso treinamento.
- Acha que alguém...
- Não... Mas agora vá. Vou esperar por noticias suas. Vou deixar Edwiges te esperando do lodo de foram do quarto.
- Desde quando você começou a “sentir “as coisas?
- Desde que minha mãe chegou. Vá logo. Eu falo com Harry. Vai...
Hermione nem pensou de novo. Saiu da sala e correu para a ala leste. Desceu os lances de escadas e pegou o atalho do quadros das fadas e centuriões. Já estava a alguns metros da sala de Snape.
- Não precisa correr, Srta Granger. – Disse a voz que surgiu a sua frente assustando Hermione.
- Desculpe Professor. Pensei que tinha dito que era importante.
- Mas é. Só não preciso que a Srta quebre uma perna durante o percurso, isso não me facilitaria as coisas. Bem, me acompanhe. – Disse estendendo a mão, dando passagem.
Eles entraram na sala de Snape rapidamente. Do nada Hermione se virou e abraçou Norton.
- Estava com saudades... – Mas quase em seguida ele desfez o abraço se afastando de Hermione que ficou a olhá-lo descrente.
- O que foi?
- Sente-se Stra Granger. – Disse seco.
- E por que eu deveria me sentar. Por que me afastou? Você nunca fez isso quando estamos sozinhos.
- E isso não vai mais acontecer, Srta. – Disse cuspindo as palavras.
O coração de Mione gelou com aquelas palavras. Ela respirou como se o ar pudesse fazer sumir aquela sensação.
- Eu fiz algo, alguma coisa...
- Nós fizemos algo, Srta. E isso não vai se repetir, nunca mais. É por isso que te chamei aqui.
- Pode parar com isso. Não vou ficar escutando essa baboseira de novo Norton. Já chega!
- Eu concordo. – Disse se virando e ficando de frente para ela. – Não vai ser preciso falar isso novamente, pois não vai acontecer de ficamos sozinhos novamente ou coisa parecida. O que ocorreu ontem passou, acabou. Não vou deixar se repetir. Fui irresponsável. Mas como foi consentido, não quero prejudicá-la ainda mais e, conseqüentemente, dar espaço a falatórios. Não quero isso para mim nem para a senhorita.
- Me diz que você não tá falando sério. – questionou boquiaberta.
- Mais sério impossível. Daqui em diante seremos aluna e professor. E caso seja problemático, suas notas são excelentes, não é necessário que assista minhas aulas até o fim do ano. Passo trabalhos valendo nota e isso...
- Cale a boca! – Gritou.
- Não comece...
- Não comece o quê? Eu não estou acreditando que você está fazendo isso!
- Eu já fiz, Srta, isso acabou! Não existe mais nada que me ligue a Srta.
- Por que isso? Foi porque eu me entreguei a você ontem?
- Não. Se você não percebeu, ontem eu ia terminar, mas você meio que não me deixou.
- Você não tá fazendo isso Norton, não depois de ontem.
- E quando eu faria, quando você ficasse grávida ou quisesse casar comigo?
Hermione silenciou. Sua respiração era profunda. Parecia que tentava se acalmar.
- Se você quiser contar a diretora Minerva sobre isso, eu não vou reclamar, é seu direito.
- Você pensa que eu vou expor minha vida assim?
- Eu não penso nada.
- Me fale apenas o verdadeiro motivo... Não minta pra mim outra vez dizendo que é errado. Fale porque não me quer.
Norton riu abafado. Ela não poderia me pedir isso – pensou. Mas se ela quer e ela precisa se afastar, por que não.
- Você tem certeza que quer ser mais escorraçada do que foi? Você deve ser masoquista...
- Deixe que eu decida isso. Agora fale!
- Bem, lembre-se que foi você que pediu a verdade...
- Fale...
- Será que em nenhum dos dias aqui em Hogwarts passou pela sua cabeça oca que eu sou parecido demais com o seu antigo professor de Poções? Os mesmo hábitos, o mesmo estilo, a mesma impaciência com os alunos, o jeito de andar, o mesmo cheiro...
- Você foi aluno dele, adquiriu isso... – Disse Hermione tentando fugir do assunto.
- Ninguém em sã consciência e com o mínimo de respeito por si adquiriria tais hábitos.
- Acontece. Agora, pare de rodeios e diga a verdade.
- Muito bem. Não quero que exista mais nada entre eu e você por que eu sou, na verdade, Severo Prince Snape, chefe da casa Sonserina, Mestre e professor de Porções, também conhecido como Comensal da Morte, só que usando a porção polissuco pra tentar me infiltrar em Hogwarts. Satisfeita, maldita sabe-tudo?
- O quê? Que história mais sem pé e cabeça é essa? Que brincadeira mais ridícula é essa?
Snape respirou fundo, viu que iria ser difícil convencê-la da verdade. – Sabia que a sua inteligência era restrita a livros e questões em sala de aula. Acorde Granger! Seu príncipe se transformou em sapo!
- Então... – Disse enfezada. - ...Essa é a única desculpa esfarrapada que te ocorreu?
Ent’ao Norton explodiu. - Deixe de ser criança, Hermione Granger! Será que com todo o seu conhecimento em magia, não conseguiu ver o obvio. Eu sou sim Severo Snape. Você pensou que eu, com meus poderes, com o meu posto, com meu charme, com a minha inteligência, acha mesmo que eu iria querer algo com uma aluna simplória, CDF, trouxa e ainda por cima amiguinha do Potter. Olhe no espelho, você não é nada, ouviu bem, nada. E uma mulherzinha chinfrim que deveria se colocar no seu lugar. Há, e obrigada por tudo o que fez, apesar de ter sido prazeroso, foi um pouco, como eu poderia classificar, nojento conhecê-la como mulher. Agora, faça um favor a minha pessoa, suma daqui!!!
- Você não pode estar falando sério. Sou eu, Norton, Mione, sua Hermione. Pára com esse teatro. Pára com esse joguinho cretino. Você é Norton, professor de Hogwarts, meu Norton. Você não é Severo Snape. Não pode ser. Isso é mentira. Não precisa mentir pra mim. – Hermione tocou então o lado do rosto de Norton fazendo-o fechar os olhos. Queria sentir pela última vez seu carinho. Foi então que a transformação começou.
Hermione se afastou com o susto. Norton estava mudando suas formas físicas, e ela conhecia aquele tipo de transformação: Polissuco. Viu a figura de Severo Snape se formando a sua frente, desaparecendo com o homem que amava. Aquilo foi enchendo-a de ódio, fúria, mágoa, decepção...
- Seu mostro, cretino... - Hermione o encarava furiosamente, batendo em seu peito como que se aquele esforço fosse amenizar sua dor. O que aquele professor estava pensando, ele era louco. – Você não tem noção do que fez? Porque isso? Por que eu? Porque você me escolheu? Era pra me castigar por não ter conseguido o que queria? Essa maldade é só comigo? – Ela tentava tirar a verdade de dentro dos olhos de Severo, que não se mexia ou fazia qualquer movimento.
- Hermio... – Foi o que saiu antes do tapa que Mione lhe deu.
- Não diga mais meu nome seu hipócrita! Sujo! Cafajeste! Mentiroso! Não chegue perto de mim! – Silêncio. – Eu não precisava disso. Foi uma das coisas mais baixas que já vi alguém fazer até hoje.
Ela estava caminhando para longe dele, ele sentia o coração um pouco mais aliviado, mas então por que ele se sentia incompleto, por que tudo aquilo não parecia certo. Ele via cada passo dela e a cada passo era como se ele estivesse cometendo um erro terrível e sem saber o que fazia, ele a alcançou em dois passos largos e a puxou para um beijo completamente cheio de desejo. Ele tinha que mostrar que ele a amava, mas que não poderia acontecer. Precisava dela, mas tinha que mantê-la a salvo. Ela parou o beijo, não quis se deixar levar pelo sentimento. Hermione elevou a mão para o rosto de Snape com a maior força que tinha naquele momento.
Ele se deixou bater. Apenas esfregou o local onde Mione acabava de tê-lo batido. - Eu preciso que você saia daqui agora. – Falou ríspido. Isso tinha que acabar. “Não porque eu queira, mas preciso de você viva, pensou” – Ele a olhava de frente, em seus olhos. - Eu precisava que você soubesse de tudo agora. Eu manipulei tudo, mas eu também fui surpreendido. Não sabia que você cairia tão perfeitamente em minhas mãos como acabou acontecendo. Queria usar sua influencia para com o Potter, tentar de alguma forma ajudar a Ordem como Alvo queria que eu fizesse. Mas acho que me deixei levar pelo lado fraco do homem. Você é muito bonita, Hermione, e eu senti necessidade, de... de sua companhia. Achei que conseguiria me controlar, mas às vezes ficava humanamente impossível.
O silêncio tomou o local. Snape estava de costas, enquanto Hermione olhava para o chão. Aquelas palavras eram como uma faca no coração de Hermione. Parecia que o destino não queria que ele saísse de seu caminho, mas o levava embora ao mesmo tempo. Ele não poderia fazer isso com ela, não podia bagunçar sua vida e sair como se tudo aquilo fora apenas um lapso de memória, um segundo em um dia inteiro. Ela amava o homem que ele havia se tornado enquanto estava como Norton e respeitava o homem que ele era, Severo. Mas ele não estava sendo aquilo que Alvo mostrara. Só poderia ser mais um teatro. Tudo começava a vir a sua mente. Todas as conversas que tivera com o quadro de Alvo Dumbledore, as visões na penseira, as atitudes com Harry, todo o passado como seu professor. Suas mãos tremiam. Era um absurdo ele ter mentindo para ela. Não podia tê-la enganado. Norton a amava, isso era sua certeza, seu coração mostrava que sim, mas como agora o quase mesmo homem vem dizer para o esquecer. A surpresa de estar apaixonada por Severo Snape e não por outro homem a deixo desnorteada, a mentira sobre sua identidade real a deixara furiosa, não suportava ter sido enganada por ele. Ela era só ódio.
- Sabe. Você tem razão. Toda a razão! Não podemos, não devemos manter isso. É a coisa mais certa a fazer, principalmente agora que eu sei quem você é e como você se sente em relação a mim, principalmente ao que sinto. Não posso, não tenho o direito de colocá-lo em perigo aos olhos do “Seu” Lorde e nem aos olhos do resto do mundo bruxo. Tudo isso é para um bem maior, Sr. Snape, mais do que uma garotinha sabe-tudo, como o Sr gosta de me chamar, amando pela 1° vez na vida, possa... Possa... – Hermione não queria falar mais. Mas as palavras vinham e queriam sair. – Possa ser amada, respeitada, possa ser... – Não conseguia terminar. Respirou fundo. Não queria mais olhá-lo. - Adeus, Snape. Obrigada por me mostrar que realmente não há explicações para você ter amado alguém na vida, e que infelizmente, o que existe no seu coração é uma pedra de gelo ou qualquer outra coisa que não tenha vida. Tenho pena da pobre mulher que achou que você a amasse. – Disse virando as costas. Parou novamente e sem se virá, falou: - Eu te amei, mas vou, com toda certeza, matar você e suas malditas mentiras dentro de mim, e te mostrar que você perdeu uma grande oportunidade de ser amado, profundamente. E, por favor, me evite. Vai ser melhor e mais fácil assim. Pelo menos pra mim. E não se preocupe, por enquanto, seu segredo está seguro comigo! – Saiu sem mostrar as duas lágrimas que teimaram em cair de seus olhos. Aquelas seriam as últimas por ele.
(música: Ain´t no sunshine)
Quem olhasse para Severo Prince Snape naquele momento veriam a realidade em suas feições. A dor que causou foi tanta que ele estava percebendo que ele havia feito o mesmo consigo próprio. Não tinha somente ferido Hermione, mas estava dando em seu coração a última facada. A partir daquele momento Severo mataria todos os sentimentos dentro de sua mente e de seu coração. Era o certo a ser feito, o necessário para salva a vida da segunda mulher que ele havia amado na vida, e que naquele momento morria gritando em seu peito.
Arrumou suas veste. Levou a mão ao lado do rosto onde havia recebido o tapa que ainda ardia, tomou sua postura e se revestiu com a máscara de comensal. Tinha que ver o Lorde das Trevas. Parecia, naquele momento que o mundo tinha a tendência a tirar, novamente, tudo que ele mais desejava. Sua marca queimou em seu braço. Seu Lorde queria vê-lo, e pelo jeito. Não estava muito feliz.
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Em meio a uma névoa negra Severo saiu, com seus trajes de Comensal, ajoelhando aos pés de Voldemort, fazendo seu cumprimento mais vigoroso do que realmente queria.
- Bem vindo Severo! Até que fim você apareceu. Pensei que havia esquecido de nós, ou até que havia se arrependido e voltado para o lado daquela corja.
- Posso perguntar ao senhor por que pensa isso de mim? Apenas estava aproveitando o tempo que tenho para me dedicar a decifrar a profecia. A buscar um meio para conseguir elucidar esse quebra cabeça do pergaminho.
- Hum. Foi somente nisso que você ficou a procurar, Severo? Você tem certeza?
- Sim mestre. Tinha minhas obrigações como professor e durante esse tempo me dediquei ao estudo da profecia e manter meu disfarce.
- Sabe, é curioso a mente de um homem. Principalmente de nós bruxos, A mágica que corre em nossas veias muitas vezes faz com que achemos que podemos tudo. Observe Severo. Desde que voltei tenho observado o comportamento de todos vocês comensais e de alguns bruxos. E sabe o que eu concluí? Que quando há medo ou temor, qualquer um dos dois, sendo comensal ou não, se deixam levar pela situação. Falam o que não querem ou não podem falar, muitas vezes traem a confiança de certo grupo ou de uma pessoa determinada. Você não acha que isso é verdade Severo?
- Penso que dependendo da pessoa isso pode ser aplicado, senhor.
- Pois bem, concordo com você. E sabe mais o que descobri?
- Não sei meu senhor.
- Descobri Severo, que sua mente anda te traindo. Anda mais concentrada em outras coisas que não deveria.
- Como assim, meu Lorde? – Severo ficou receoso.
- Simples. - Pediu a Nagini, em pensamento, que esta ficasse de prontidão próximo de Severo. – Você é um traidor!
- Mas mestre!...- Nagini surgiu atrás de Severo tirando sua atenção de Voldemort.
- Impérius!- Gritou atingindo Severo pelas costas.
Severo tentava resistir ao feitiço, mas a força e vontade de Voldemort pareciam sufocá-lo. Em sua mente apenas o rosto cheio de lágrimas de Hermione aparecia. Voldemort usava sua melhor arma e parecia querer enlouquecer Severo. Ele também estava usando legiminencia.
- Infelizmente, a marca que lhe dei quando aceitou ser um dos meus comensais abre portas das quais eu mesmo desconhecia, e jamais pensei que poderia existir num voto deste tipo. – depois de um silêncio onde ficou andando em volta de Severo, como uma serpente pronta para dar o bote, ele se aproximou por trás de Severo, que se mantinha de pé e olhava para frente, apenas acompanhando Voldemort com os olhos. - Eu a vi Severo, e a vi como você a vê, com o seu olhar. - Ele deu uma breve risada e continuou. - Deixe-me ser mais claro. – Disse voltando a andar até ficar de frente para Severo. - Você estava diferente e eu queria saber o por que. Pensei que poderia ser alguma coisa com relação ao Malfoy Junior, sei lá, poderia ter amolecido um pouco o seu coração, fazendo-o não participar das nossas festividades e reuniões como antes.
- Mas senhor...
- Deixe-me terminar! Não lhe dei permissão para falar
Então, na última vez que te chamei aqui, aproveitei para usar um antigo feitiço que aprendi, e me aproveitei da ligação que tenho através da marca negra, e que foi feita seguindo parte do ritual que você bem conhece. Pois bem, precisava de um sacrifício e sangue para terminá-lo e isso foi usado naquela noite. E para minha surpresa funcionou perfeitamente. Por poucos segundos todos os seus pensamentos passaram a ser os meus e eu os guardei. E lá estava a doce e inocente bruxinha. E que por ela e pelo maldito voto que você fez com Alvo você estava me traindo. Você me traiu Severo! Com a cara mais lavada e sórdida. Fazendo-me lhe confiar segredos, ambições, lhe dando votos de confiança que ninguém era merecedor. -
A mente de Severo foi a mil. Estava encurralado. Sabia que não sairia dali vivo, mas não tinha mais controle sobre si para tentar alguma coisa.
- Belatrix! Malfoy! Rabicho!
Os três saíram das sombras do salão encapuzados. Na mão de um deles estava um cálice. Severo o reconheceu.
- E agora, meu doce Severo, você vai pagar por ser um traidor, por mentir para mim, por me enganar de modo tão vil e repugnante, trocando uma vida de sucesso e prestigio ao meu lado, por um velho senil e por uma trouxa imunda, ainda por cima amiga do maldito Potter!
Severo assistia a satisfação no rosto de cada um dos comensais. Suas chances de sobreviver eram mínimas. O feitiço Imperius havia conseguido paralisar todas as suas vontades, e por mais que ele quisesse reagir seu corpo não era seu, era como se ele visse tudo e não pudesse controlar nada. Seu agir agora pertencia e dependia somente da vontade de Lorde Voldemort.
- Dêem a ele a poção!
- Mestre...
- Adeus Severo! – Disse um dos comensais.
Um dos comensais ficou a frente de Severo enquanto os outros dois o seguraram.
A voz de Belatrix veio ao seu ouvido.
- Beba por bem ou vai me dar o prazer de vê-lo beber por Mal?
O cálice foi colocado na boca de Severo que bebeu parte do conteúdo. Aquilo desceu como ser o cortasse por dentro e o gosto de sangue o veio a boca.
- Imperius Magnus! – Gritou Voldemort.
Severo sentiu-se estranho. Sua vontade também começava a mudar A vontade de escapar, de ver-se livre, de enfrentar Voldemort sumia de sua mente, como se fosse apenas uma lembrança.
- Agora que você realmente me pertence, eu o ordeno que me diga a pura verdade. O que você descobriu sobre a maldita profecia?
Parecia que vivia num sonho e agora desperto, tinha a inteira vontade de servir ao seu senhor. Buscou em sua mente tudo o que estava relacionado à profecia. Mas sentia uma certa dificuldade em lembrar. - Meu senhor, a profecia fala do retorno de dois inimigos na imagem de um só ser. E que nele está as chaves para o bem maior e o supremo mal. Para achá-los deve-se eliminar um dos dois lados que estão em harmonia neste ser.
- E o que mais?
- O poder antigo é guardado por este ser. Quem tiver o controle sobre este Ser será o senhor de tudo.
- Agora, você descobriu quem é esse tal ser?
- Não, meu senhor, ainda não. Infelizmente não há dados suficientes que eu consegui juntar para tirar conclusões. A única coisa que sei é que esse tal ser possui uma marca e que ela é a união dos dois inimigos. Tenho algumas dúvidas.
- E que raios de inimigos podem ser esses?
- Eu pensei que poderia achar alguma coisa procurando na história da magia, coisas sobre guerras e batalhas mágicas do passado. Pode ter alguma coisa.
- Pois bem, procure mais sobre isso. Ache estas respostas rápido!
- Sim Mestre. Mais alguma coisa?
- Sim, sim é claro. Tome! Beba isso olhando para mim!
Severo bebeu do cálice novamente. Seu corpo fraquejou, Caiu de joelhos no chão. Manteve os olhos fechados.
- Severo, eu quero tanto a trouxa quanto a menina Weasley. Uma das duas deve ser o tal ser que estamos procurando. Traga-as para mim.... Mas... Vamos ver o que você pensa sobre tudo isso?
- Realmente não sei, meu Lorde.- Disse respirando fundo. - A menina Weasley não apresenta alterações compatíveis. O próprio Malfoy não observou nada. Mas por ela ser a 7º filha, e a única mulher em gerações na família Weasley, pode ser que ela venha a apresentar algo, a Magia acha meios para quebrar as rotinas.
- E a trouxa?
- Extremamente inteligente senhor. Penso que se for neutralizada fará falta para o Potter.
- Uma grifinória, Severo, apaixonada por um sonserino. Lembre-se: Dois inimigos, a marca...
- Talvez senhor. Mas ela não apresenta grandes poderes. A inteligência e a astúcia são suas maiores marcas.
- Mas conseguiu te seduzir, não foi?
- Sim, mas isso não importa mais. Somente o que importa e que seja feito a sua vontade, meu senhor.
- Sim, muito bom! Mas eu a quero aqui!
- E assim será!
- Você tem certeza que o castelo estará vazio no dia em que concordamos realizar a invasão?
- Possivelmente. Quando há jogo, um ou dois professores ficam por lá.
- Você sabe se há alguma coisa protegendo o castelo ou as salas?
- Que eu saiba há apenas os encantamentos de localização, anti-aparatação, camuflagem, de passagens secretas e senhas para locais reservados.
- Alguma coisa na sala dos troféus?
- Não que eu saiba.
- Ótimo! Belatrix cuidará disso!
- Do que senhor?
- Nada demais. Esqueci de algo há muito tempo e quero que Bela pegue de volta pra mim.
- Suponho que deva facilitar a entrada dela.
- Claro. Mas sem levantar suspeitas.
- Tenho carta branca para eliminar algum empecilho?
- Você decide, mas o Potter é meu! O resto é resto. Não deixe que percebam quem você é realmente e de que lado está finalmente lutando.
- Senhor. – Disse fazendo uma reverência.
- Decifre a profecia Severo. Quanto antes descobrirmos com certeza quem é essa pessoa, mais rápido destruirei Harry Potter.
- Mas e a namoradinha dele?
- O que tem ela?
- O senhor não quer saber nada?
- E o que tem para saber. Ela é uma bruxinha ordinária que nem pai e mãe têm.
- Mas é uma sonserina, e que também namora um grifinório. Conversei com a irmãzinha querida de Bellatrix sobre a garota. Ela me confiou um pequeno segredo...
- E qual seria esse tal segredo?
- Foi Dumbledore que entregou a menina para ser criada por ela. Meu senhor, ela é a menina nascida da maldita filha de Dumbledore.
- Você está me dizendo que aquela maldita sobreviveu ao abismo e ainda conseguiu fazer nascer aquela aberração? – Voldemort pareceu perguntar com uma calma estranha.
- Infelizmente, meu senhor, eu fui o responsável por isso... Eu consegui, junto com Dumbledore, salvar a maldita criança.
- Então a filha de Andrômeda Black Tonks é a aberração nascida de Navra?
- Infelizmente... Meu senhor... – disse de cabeça baixa.
- A namoradinha do Potter, a sonserina maldita é minha......minha.....É meu sangue!! – Disse gritando. – CRUCIUS!!!!!!!!!!!!! – Voldemort soltou o feitiço em cima de Snape com todo o ódio que poderiam ter naquele momento.
Snape gritava agonizando. Voldemort começou a mudar suas punições. As lesões que apareciam no corpo de Snape multiplicavam-se. Snape quase estava desacordado quando Voldemort o abandonou, foi até um armário no final da sala, retirou de lá um frasco de cor púrpura e o trouxe.
- Abram a maldita boca dele. – Ordenou.
Mesmo sem querer e sem conseguir, Snape tomou boa parte do frasco.
- Eu jamais pensei em fazer alguém tomar essa poção, mas você, Snape, conseguiu me tirar do sério. Vou adorar ver o que ela pode fazer.
Quase ao mesmo tempo, Snape começou a ter espasmos. Todo seu corpo tremia e se contorcia. Seus olhos estavam brancos. Então gritos. Eram os mais horripilantes. Malfoy estava logo atrás de Voldemort e observava incrédulo com as feições de Snape.parecia não haver punição maior para ele naquele momento, ou até em qualquer momento. Snape se contorcia, gritava como se sua carne estivesse em chamas, se seus piores pesadelos estivessem sendo visto pelos seus olhos agora totalmente brancos, e depois nada. Ele estava estático.
- Meu senhor, desculpe importuná-lo, mas isso o matará? – perguntou Malfoy.
- Porque me pergunta isso? Ainda quer que ele viva depois de tantas vezes esse maldito ter me traído durante tanto tempo?
- Não meu senhor, não desejaria menos como punição. Apenas pergunto.
- Ainda não, mas agora não vou questionar sua lealdade. Eu tornei Severo imune a qualquer sentimento bom que exista. Ele agora é como eu, só não possui os mesmo poderes. Não há mais alma em Severo, ele é um ser totalmente das trevas.
Severo então se moveu. Seus olhos se fecharam e quando voltaram a se abrir estavam normais, negro e profundos. Estranhamente ele começou a murmurar algumas palavras e suas feridas estavam sendo curadas, desaparecendo uma a uma. Ele se permitiu levantar, ainda na presença de Voldemort, mas permaneceu com a cabeça abaixada. Ninguém ousou tocá-lo.
- Desta vez, será que você aprendeu alguma coisa Severo?
- Algumas coisas meu senhor.
- Devo ter alguma coisa à temer em relação a sua fidelidade a mim?
- Não.
- Se voltara contra mim.
- Não.
- Será meu inimigo.
- Somente se o senhor for o meu inimigo. Só se me atacar novamente e duvidar de minha fidelidade.
- Você está me enganando novamente?
- Não.
- Sabe que está sob voto de lealdade a mim, não sabe?
- Sim, sei.
- Sabe o que te acontecerá se estiver me traindo?
- Morte, uma dolorosa morte.
- Sabe que poção era essa?
- Tentei imaginar, mas não estou com vontade de saber, não me importa mais. – A voz de Severo era fria, seca e sem qualquer tipo de sentimento.
- Ótimo. Quero que continue em Hogwarts, tente parecer o mesmo, minta, faça o que tiver que fazer, mas mantenha sua posição. Monitore e destile seu veneno entre eles. Temos que desestabilizá-los. Ainda quero que lidere e comande os ataques, mas fique na retaguarda, mas permaneça do lado deles. Finja bem.
- E a aberração? Devo exterminá-la?
- Não, ainda não. Deixe-a lá, devo eu mesmo dar um fim em sua maldita vida. Quero observá-la e depois se não puder usá-la, vou destruí-la. Não sei o que posso ganhar com isso, sabendo desta novidade. Muito estranho.
- Talvez se a matarmos desestabilize o maldito Potter ainda mais.
- Pode até ser! Mas não por enquanto. Se ela não interferir em nada nos meus planos...
- Mas me parece que ela é importância para eles
- Mas não é para mim. Não agora. Se quiser tê-la como refém, você decide. Tenho coisas mais importantes, Severo. Tem carta branca.
- Sim, mestre. Com sua licença. Vou providenciar o ataque.
- Há. Chame Belatrix para mim.
- Sim. – E saiu levando todos os outros, menos Malfoy.
- O que quer, Lucius?
- Confia no que fez, mestre? Podemos ter certeza plena na maldade do coração de Snape?
- O que se pode esperar de alguém que perdeu sua alma, Lucius?
- Um desalmado, a maldade em forma de homem.
- É isso o que eu o tornei. E a magia da poção me protege dele.
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