Cap. 24 – sina
Enquanto que para alguns a noite terminava em um silêncio cômodo, em um quarto especifico de Hogwarts, Liane se mexia em sua cama. Há alguns dias seu sono estava agitado, mas nunca conseguia se lembrar de tudo que sonhava. Sabia que seus pesadelos estavam se intensificando, e essa seria uma noite atípica. Quem olhasse para Liane a veria em uma crise febril. Suava por todos os poros e se debatia em pequenas contrações, murmurando palavras inaudíveis.
Em sua mente, Liane via-se novamente em uma masmorra, porém esse local era diferente daquele com o qual ela sempre sonhava. Esse local havia mais luz, feitas por tochas de fogo mágico. Aparentemente não havia mais ninguém naquele local. Ouviu passos, e como por reflexo se escondeu. Olhou para o lado e viu novamente Navra, mais maltrapilha do que antes. Mas parecia diferente, deitada de lado no chão, parecia abraçar-se. Com a chegada dos visitantes, levantou-se, ficando ainda sentada no chão encostada na parede e olhando para todos que entravam em sua cela.
- Quanto tempo... Pensei que a encontraria já morta, mas tenho que admitir, realmente você se mostrou forte...
- Eu é que não esperava vê-lo mais... Pensei que já tinha virado pó! – disse Navra rindo.
- Mestre... – disse Bellatriz enfurecida, pedindo como olhar para dar uma lição em Navra pelo gracejo, sendo negado.
- Rodolfo... – Chamou Voldemort.
- Sim Mestre.
- Parece que cuidou bem de sua prisioneira nestes últimos meses.
- Eu nem a vi direito, mestre. Ordenei aos meus elfos domésticos que a alimentassem uma vez ao dia. E como nos mudamos muito, escondendo dos malditos aurores, não nos importamos com ela.
- Acho que seus elfos precisam ser melhores educados. Ou ela os encantou ou eles tiveram pena, desobedecendo à suas ordens.
- Se eles fizeram isso, Milorde, serão punidos com rigor. – Reagiu Bellatrix.
- Viu Bella, nem seus próprios serviçais te obedecem. – gracejou Navra, que quase recebeu um tapa de Bella, que foi impedida pela entrada de Snape.
- Milorde... – Disse fazendo uma reverência. - Perdoe-me o atraso. Problemas em Hogwarts... Perdi muita coisa?
- Meu caro Severo... Acho que ainda não perdeu nada de importante, a não ser que ver Bellatrix furiosa seja algo anormal para você...
Bellatrix o olhou com repulsa. Severo nem deu idéia.
- O senhor se importa de apenas observa, por enquanto?
- De modo algum...
- Só vai ficar me olhando, Severinho? Desse jeito não vai sobrar nadinha pra você fazer.
Ele riu, deu as costas e ficou ao fundo, observando tudo e todos.
- Muito bem, já que estão todos aqui chegou a hora de finalizar esse assunto. Você, minha cara Navra, não é mais, como posso dizer, útil para a nossa causa.
- Útil... – questionou Navra.
- Sim, útil. Não sei se você ficou sabendo, mas as busca por você se encerraram a quase duas semanas e, pelo que me consta, nem seu próprio pai a procura mais.
- Isso quer dizer que não tenho mais função.
- Funções eu teria muitas para te delegar, mais neste atual estado em que você encontra-se não me resta nenhuma, há não ser de servir de divertimento para meus comensais.
- Então só me sobrou a morte?
- Para ser mais exato, sim.
- Isso que eu carrego aqui... – Disse apontando com a mão o próprio ventre. – Não tem importância alguma?
Voldemort riu, e com isso provocou a risada de todos ali.
- Que criatura mais besta, milorde... Acreditar que um bastardo seria algo importante. – praguejou Rodolfo.
- Pelo que me consta, isso ai na sua barriga poderia ser de qualquer um... Até mesmo do Severo poderia ser. – Disse Voldemort.
- Infelizmente você não deixou que eu pudesse brincar com seus comensais...
- Você descobriu...
- Não... Eu simplesmente não tive mais ninguém... Quer dizer que colocou um feitiço em mim?
- Voldemort não respondeu, apenas a fitou com seu pior olhar.
- E você não estava grávida antes disso... – questionou Bellatrix.
- Não. Uma bruxa honrada nunca engravida antes de casar...
- Honrada, você? Não me faça ri. – Disse Belatrix. - Malditos adoradores de Trouxas, vocês não tem honra!
- Você é muito ordinária não é. Pensa que mesmo carregando esse bastardo na barriga conseguiria me dobrar, amolecer meu coração... Eu não tenho coração! Isso a cada dia me dá mais motivos pra saber que você é uma vagabunda de último escalão. Eu não tenho herdeiros, eu não tenho família, e nunca terei...
Voldemort a olhava com mais sede de sangue do que o normal. Os outros comensais em volta pareciam esperar apenas a permissão de seu Mestre para acabar com a vida dela. Snape estava no fundo da masmorra, apenas observando.
- Eu peço a Merlin que essa criança jamais ponha os olhos em você, seu maldito filho de Salazar... Quando meu pai destruir você pode ter certeza que eu sairei até do inferno pra ver sua destruição.
- Nossa como está bravinha hoje. E... Como adivinhou que você vai pro inferno? – disse rindo encarando firme o olhar em Navra. - Hoje você vai dormir e não vai mais acordar, sua bastarda cretina. Nem você nem esse bastardo que você espera... – Falou Voldemort como um caçador brinca com sua caça.
- Mesmo com a minha morte, você não vai conseguir nada do que você tanto almeja. Você vai ficar sozinho...
- Cale a boca sua vaca! – disse Belatrix dando um chute na cara de Navra.
- Obrigada Bela. Viu só, não vou estar sozinho nunca, e mesmo sozinho, eu destruirei seu pai e todos aqueles que você ama, todos os trouxas malditos, todos aqueles que ousarem se virar contra mim.
Navra tentou recuperar-se. Olhou para o fundo da masmorra e encontrou Snape a olhando. Desviou o olhar. Passou a mão pela barriga distendida e voltou a olhar o monstro a sua frente. – Eu pensei que você era mais homem do que seus comensais de araque, mas me enganei. Todos esses meses que você me teve, que você me manteve prisioneira só me mostrou que você é mais fraco do que eu achava...
- Cale sua boca maldita... – e outro chute foi dado em Navra, só que em sua barriga, e por Voldemort.
Navra riu. Fingiu que não sentia dor . – Será que não percebeu que eu não vou me cansar de dizer o que você não quer ouvir? Você me teve como sua escrava sexual, como seu saco de pancada, mas minhas verdades, minhas convicções, o nojo que eu sinto de você não vão mudar. A maldita poção que seu comensalzinho de merda ai atrás me fez tomar, não mudaram quem eu sou.
- Você me pertence sua bruxa insolente. E isso ninguém vai mudar. Se eu quiser que você morra, você vai morrer. A Imperius Magnus te fez ser minha serva...
- Mas eu nunca serei totalmente sua, nunca fui, nunca serei!
- Pelo contrario, você é minha. Somente eu posso ordenar que você faça alguma coisa, você só obedeçe a mim. Agora cale essa maldita boca e rasteje, até chegar aos meus pés, e o beije. Eu a ordeno! – ao dizer isso provocou um acesso de risos de Bellatrix, Rodolfo e Malfoy.
E foi como se o corpo não pertencesse a Navra. Ela, com muita dificuldade, rastejou até chegar aos pés de Voldemort. Sua barriga de oito meses passava no chão imundo. Ela beijou cada um dos pés de Voldemort. Todos riam alto, menos Snape, que não havia mexido um músculo até agora. E isso seu Mestre percebeu.
- Venha cá Severo. – Severo se aproximou de Voldemort, se colocando ao seu lado esquerdo. – Veja que piranha gorda nós temos aqui. – Severo a olhou por inteiro. – O que você acha que devemos fazer com isso? Não me serve de nada. Nem mesmo para conseguir Dumbledore ela me serviu e prazer, com essa barriga me dá até mais nojo.
- Talvez porque o próprio pai dela nem a ache tão importante assim, milorde.
- Talvez.
- Mas se o senhor me permite, seria uma afronta bem cordial a esse velho gaga que ela fosse encontrada morta na escolinha dele, não acha?
- É uma boa idéia, não posso negar...
- E quem sabe, talvez, com o bastardinho morto nos braços dela? – disse irônico. – Seria uma forma de mostrar que o mestre é único. Eles, nem os outros comensais, sabem da existência dela e desta gravidez indesejável. Seria uma grande surpresa para eles ver a notável filha de Alvo Dumbledore totalmente escorraçada nos portões de Hogwarts, à vista daquela miserável criançada. Ia ser até divertido.
- O milorde acha que não haverá retratação com essa afronta? – questionou Malfoy.
- O milorde não tem receio, Malfoy. – afirmou Snape. – Não devemos temer quem está por baixo, e ainda possível quase morto.
- Como você é um miserável Snape. – Disse Navra, chamando sua atenção. – Meu pai foi um idiota ao pensar que você estava mudando. – disse e cuspiu no chão próximo a ele.
- Concordo com você Navra. – Disse isso se aproximando mortalmente. – Ele é um grande idiota, um velho e patético bruxo que acha que todos têm um lado bom dentro de si. Nós não somos bons... Não queremos ser...
- Você é até pior que seu louvado mestre. Você engana pessoas que gostam e se importam contigo. Você vai pagar por essa traição.
Sem mesmo esperar, Severo despejou um tapa no rosto de Navra, fazendo-a colidir com a parede que estava atrás dela. Em seguida Voldemort a levitou e fez com que o corpo dela se contorcesse. Enquanto isso seus comensais aplicavam feitiços em seu corpo. Snape novamente se retirou ao fundo, apenas observando o divertimento dos demais. Quando Voldemort cessou a levitação e a deixou caída quase desacordada, se dirigiu a Malfoy.
- Me cansei. Terminem com isso. Façam como disse Severo. Entreguem esse presentinho a Dumbledore. Não quero que sobrevivam. Fiquem a vontade.
- Sim mestre. – Malfoy e os outros fizeram uma mesura a seu mestre enquanto este saia das masmorras.
- Muito bem. Não vou me sujar ainda mais com o sangue desta miserável. Você e Snape podem deixá-la sangrando nos portões de Hogwarts. – Disse Belatrix a Malfoy.
- Pensei num lugar melhor. Severo me acompanhe. Vamos voar um pouquinho. – disse Malfoy.
- Não gosto de vassouras Lucius. O que pensas em fazer? Jogá-la no campo de quadribol durante um jogo?
- Não. Algo mais divertido.
Então escutaram o grito de dor de Navra. Ela colocava a mão na barriga e se encolhia toda.
- Viu, vocês demoraram tanto que agora esse bastardo vai nascer bem aqui. – vociferou Bella. – Andem logo com isso! Matem-na agora. – Disse saindo das masmorras.
- Vamos. Me siga. – Disse já levitando o corpo contorcido de Navra e levando das Masmorras.
Liane não conseguia acordar, parecia estar presa naquele maldito pesadelo. Estava desesperada com aquilo tudo. Via a frieza, o descaso... Ela era uma coisa... E estava começando a dar a luz... Aquela criança não sobreviveria... Viu todo o deslocamento que fizeram até a chegada em Hogwarts. Estavam montados em tresálios. Navra estava junto de Malfoy já desacordada. Sobrevoaram o castelo até chegar a ponte que ligava o castelo até o rochedo das pedras, conhecido como a porte dos tresálios. Era final de tarde.
- Chegamos. Agora o que vai fazer? Deixá-la aqui? Daqui a pouco Minerva e os outros chegaram...
- Vou subir... A queda será digna de fotos...
- Malfoy! – Severo não teve tempo. Em seguida, Malfoy deixou o corpo de Navra cair no abismo da ponte. Eles apenas acompanharam o corpo desaparecer na penumbra que havia abaixo da ponte.
- Serviço completo Severo. – Vá rápido e veja como ficou o corpo... Certifique-se que ela esta morta... Depois desapareça daqui. Até ver! – Disse alçando vôo em direção a Floresta Proibida.
Viu Snape descer rapidamente com o tresálio abismo adentro. Quando o animal pousou, Snape procurou pelo corpo entre as rochas, mas ficou paralisado quando olhou logo mais a sua frente. O corpo de Navra estava envolto por uma luz, e estava flutuando, solto em pleno ar. Ela ainda estava desmaiada. Snape correu rapidamente na direção dela. Não viu ninguém por perto. Conjurou um feitiço ilusório em si. Quando ousou tocar em Navra a magia cessou, fazendo com que Snape segurasse seu corpo. Ele a olhou e a pôs sobre uma pedra. Conjurou algo com sua varinha e passou em volta de seu corpo, deixando por algum tempo sobre a barriga. Suspirou.
- Eu não acredito que você está viva e essa criança também... – Disse alisando a fronte de Navra. – Eu pensei que havia perdido os dois... – Vamos acorde... Olhe pra mim Navra, olhe pra mim.
Liane não entendia mais nada. Snape estava feliz por ela esta viva?
Snape tentou reanimá-la com um enervate, e outro em seguida. Quando viu que ela teve reação, a abraçou em seguida.
- Por Merlin e todos os magos! Você está viva e está comigo... Vou te tirar daqui.
Ela o olhou e sorriu. – Você conseguiu me tirar de lá...
- Shiiii, não fale. Deixe sua força voltar. Vamos pra minha casa. Vou buscar teu pai...
- Por favor, não me deixe Severo...
- Eu não vou. Venha. – Disse a pegando no colo.
Quando ele a pegou no colo Navra gemeu de dor. Em seguida se derramou um liquido entre as pernas dela. – Severo minha bolsa.... o bebê...
Num solavanco, Severo aparatou.
Apareceu num local escuro. Severo gritou “luminate”, e as velas que estavam apagadas acenderam de imediato. Ele a colocou sobre um grande sofá. Fez um afago em seu rosto.
- Já volto, não vou demorar.
- Tá. - Disse respirando descompassada.
- Agüente...
E voltou a desaparatar.
Liane ficou ali, observando o estado e o que acontecia com Navra. Ela respirava com dificuldade, segurava a barriga arredondada como se ela estivesse pesada. Navra era própria imagem das maldades daqueles homens... Mas um deles a estava ajudando... E a tratando bem... E ela a ele... Não estava entendendo. Ele era o comensal preferido de Voldemort, até deu a idéia da morte dela e agora ele a estava ajudando, salvando sua vida? Não teve muito tempo para pensar pois viu Liane se levantar e tentar andar até a lareira. Mas ela pareceu ter uma nova contração e caiu se contorcendo de dor. Logo depois, Snape aparatara de volta e logo atrás vinha Alvo Dumbledore.
- Minha querida, está tudo bem agora. Estou aqui. Nada mais vai feri-la.- Disse um Alvo Dumbledore que passava a mão entre os cabelos da mulher que sorriu ao encontrá-lo ao seu lado, mas que ainda sentia dores.
- Eu disse que a traria de volta, não disse Navra? Agora tudo ficará bem! – Disse Severo que limpava com um pano o suor e a sujeira do rosto de Navra.
- Eu lutei. – respirava com dificuldades. – Eu fiz o que pude, mas eles eram muitos. – um gemido. – Mas ... a impérium... não conseguia mais. Desculpem-me...
- Sshhh, minha querida, não fale mais tolices. - disse Alvo colocando seus dedos na boca da jovem. – Não se canse. Agora vamos levá-la para o quarto e ajudá-la a melhorar.
- Severo. Traga-me Anúbis prugis, Cravus córneo, Muns moscarel, Camelis e sangue de dragão.
Severo não esperou e saiu correndo da sala, enquanto Dumbledore levitava a jovem e a levava em direção as escadas. No tapete em que estava deitada, uma poça de sangue marcava o local.
Hermione seguiu Dumbledore. Com todo cuidado, ele a colocou numa larga cama. As luzes do quarto acenderam com o aceno da varinha do bruxo. Por mais maltratada que estava e pela dor que a afligia, a jovem Navra ainda mantinha os traços belos de uma jovem de vinte e pouco anos. Olhos claros, azuis profundos, pele alva e cabelos pretos.
Severo chegou rapidamente com as poções pedidas por Alvo, que ofereceu para que Navra as bebesse. As dores pareceram aumentar.
- O bebê...Está vindo....Dói muito.....AHHHHHHHHH. – era o grito que Navra lançava, o único som que se escutava não quarto.
Severo não falava nada. Ele estava de guarda, mas seus olhos mostravam que desespero queria tomar de conta. Alvo então se posicionou para receber a criança que nascia naquele momento. Severo então pegou alguns panos e tentou ajudar. Escutou-se o choro de um bebê.
- É uma bela menina, Navra. Uma linda menina. – disse Alvo que já a limpava e enrolava nos panos que Severo havia pego. Levando-a para junto da pobre mulher disse. – Tome. Veja como ela é linda, tão rosinha. Pegue-a. É sua filha.
Navra estava suada, cansada, mas ao ver aquela coisinha fofa chorando seu coração deu forças para segurar a trouxinha de gente. Seus olhos ficaram fitando aquele pequeno ser que se acalmavam com o som da voz da mãe. Alvo estava sentado ao lado sorrindo como que satisfeito de presenciar toda aquela cena. Parecia que tudo estava bem, que tudo ficaria bem. Navra pediu que Severo a ajudasse a ficar sentada na cama. Ela pegou novamente a criança e a colocou nos braços.
- Olhar pra ela é como olhar para um milagre. – disse Navra. – Ela é tão calminha.
- Agora que parece que tudo vai ficar bem, eu vou voltar. Devem estar querendo saber onde estava. – disse Severo indo em direção a porta.
- Espere, Severo. Quero falar com você rapidamente. – Falou Alvo dando as costas para a cama onde estava Navra e o bebê.
Naquele mesmo instante, Severo saiu em direção a cama de Navra. Navra estava caindo para o lado e deixando a criança cair de seus braços. Severo conseguiu segurar ambos. Alvo ajeitou Navra na cama, pegou a criança e a entregou a Severo, que meio sem jeito a pegou nos braços.
- Minha querida o que foi, o que esta sentido, fale Navra. – questionou Alvo que a arrumava na cama.
A respiração de Navra piorava, não conseguia falar direito, seu corpo contraia de dor. Alvo tentava inutilmente, posicionando sua varinha no corpo da mulher, fazer alguns feitiços que pareciam não fazer efeito algum no sofrimento da enferma. Severo balançava a criança tentando fazê-la para de chorar e estava conseguindo. Mas seus olhos não desviavam do que acontecia na sua frente. Colocou a criança num berço transfigurado e foi tentar ajudar. Navra estava sucumbindo. Seu olhar já era como o de um vidro. Sua respiração era longa e ruidosa.
- Severo! – Chamou como um sussurro.
- Estou aqui. Fale. – Disse segurando uma das mãos de Navra.
- Eu....Eu preciso que você jure .... jure pra mim. Jure que irá proteger nossa menina. Por favor, jure pra mim.... Que não deixará que ela se machuque.... jure pra mim Severo...- disse Navra tossindo
- Sim, Navra.....Eu juro. Juro que darei minha vida pra mantê-la segura. – disse com a voz embargada. Beijando do dorso da mão de Navra, que segurava dentro das suas.
- Então..... Eu acredito....eu confio em você Severo. ....Eu acredito em você, meu amor. – disse com lágrimas que teimavam em sair dos olhos azuis quase fechados.
- Por favor, Navra, lute, não me deixe assim, novamente sem nada, sem ninguém.
- Eu te deixo minha filha.......ela é a melhor coisa que eu posso deixar pra você de mim..- tossiu de novo.
- Alvo.....
- Estou aqui, minha criança!
- Cuide, como sempre cuidou de mim, pra que ela seja feliz!(tosses) Promete ....promete pra mim, pai!
- Sim, minha menina. Sabe que isso não precisa pedir. – disse repousando um delicado beijo na testa da filha.
- Pai.....
- Fala Navra, o que quer?
- Não deixe “ele” chegar perto dela, nunca!
- Farei o impossível, minha filha. Agora fique tranqüila.
A respiração de Navra foi diminuindo. Seu olhar buscou o de Severo ao seu lado. E fazendo um ultimo esforço disse.
- Me beije, Severo.... Quero me lembrar de você pela eternidade......
Severo se aproximou. Com uma das mãos limpou as lágrimas do rosto de Navra e a beijou ternamente, sentindo e expondo tudo que sentia naquele momento. O rosto da jovem se desviou para o lado. Severo em seguida, afundou sua cabeça nos ombros de Navra, parecia chorar.
Alvo estava estático. Havia lágrimas em seus olhos, mas seu rosto não manifestava qualquer sentimento. Estava ali com sua única filha, morta, e sua única neta. Jamais imaginou ver ambos daquele jeito. Não tinha mais reação. Viu Alvo deixando a mão que segurava em cima do colchão arrumando os lençóis, cobrindo o corpo. Severo ainda mantinha sua mão presa a de Navra.
- Eu vou destruí-los Alvo! Isso eu te prometo! Eu acabarei com todos eles.
- Não é hora pra pensarmos nisso Severo, eu quero um pouco de paz. Paz para mim, paz para você, paz para essa criatura linda que ganhamos de presente.....
- Paz? Alvo isso, se você não percebeu, é uma guerra onde eu acabei de perder a única pessoa que amei na vida. A única coisa que era importante pra mim não respira mais. – Disse Severo já de pé quase gritando nas costas de Dumbledore.
- Eu sei o que você sente, mas não vai adiantar. Precisamos esperar para termos nossa vingança. Com a cabeça quente e com os nervos a flôr-da-pele não iremos racionalizar direito. Por nós e pelos outros, Severo, vamos esperar.
Liane acordou em meio a lagrimas. Suava e chorava ao mesmo tempo. Resolveu levantar-se e ir ao banheiro. Lavou o rosto com água fria, tentou se acalmar.
- Por Merlin e Morgana..... Eu não quero ver mais nada!!! Chega de tanto sofrimento.......
Por que eu? Por que? Harry, me ajude, eu não agüento mais! – disse em meio a lágrimas. Seu coração doía, sua alma clamava por justiça.
Resolveu que teria que voltar pra cama. Não adiantaria continuar se remoendo. Respirou fundo, lavou mais uma vez o rosto e voltou para o quarto. Aparentemente ninguém havia percebido nada. E ainda por cima, teria o primeiro jogo da sonserina contra os corvinais. Deitou-se, tentando relaxar, fechou os olhos, demorando a dormir, pensou em Harry e a tranqüilidade voltou a sua mente.
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