Estava há poucos metros da cela, quando pôde reparar um corpo descansando sobre um leito de pedra. O coração dava solavancos, o estômago afundava a cada passo. Parou à grade e viu que o corpo mostrava sinais de respiração. Sentiu algo impelí-la pra frente. Olhou no bolso do casaco. Uma das varinhas brilhava. Pegou-a. Ela voou de sua mão e caiu dentro da cela, batendo com um baque surdo no chão de pedra.
Alicia recuou rápido quando o corpo movimentou-se. Tão apressada que pisou na capa e caiu, descoberta. A pessoa, agora, se levantava. Alicia arrastava-se pra trás.
Harry ouvia vozes exaltadas por todos os lados. A mulher ruiva, acompanhada de outro Comensal passou pela cela e deu-lhe outro vidro de poção.
- Você não vai ser salvo, Potter. Mesmo que você tivesse acordado para correr por aí. - Ela gargalhou antes de trancar a cela e sair, apressada, seguida pelo homem.
Harry esperou ter certeza de que os dois já estavam longe, para só então cuspir a poção. Levantou-se e estendeu a mão para fora da pequena janela gradeada, de onde tirou o potinho com água e tomou um longo gole.
Andava de um lado para outro da cela, murmurando qualquer coisa consigo mesmo, quando escutou passos leves pelo corredor. Deitou outra vez e esperou.
Por um momento, tudo o que ouvia eram os passos leves e a respiração acelerada de alguém. Silêncio. Um tilintar de pedaços de madeiras e, de repente, o barulho de um desses pedaços de madeira batendo no chão de pedra a seus pés. Alguém caindo.
Harry se levantou. Deu alguns passos até a varinha. Sorriu e pegou-a. Quando ergueu a cabeça percebeu que a pessoa se afastava, assustada. Olhou-a, tentando acostumar-se com a pouca luz.
- Espere! - Sua voz saiu rouca, quase sussurrada.
Alicia congelou ao ouvir aquela voz. Os pelos de sua nuca se arrepiaram. Arregalou os olhos e levantou-se, deixando a capa caída, mas com a varinha na mão. Tremia ligeiramente enquanto dava passos inseguros até a cela.
- Harry... Harry Potter? - Sua voz saiu mais segura do que imaginou.
Harry caminhou até colar-se nas barras de ferro frio. Olhava atentamente a garota se aproximando. Ouviu a voz dela. Sorriu.
- Você sabe quem eu sou, então? - Falou baixo, tremendo.
- Seria impossível não saber. - Alicia olhou com atenção os cabelos e a barba cumprida. - Mesmo debaixo desse pelo todo, sua cicatriz não deixa dúvidas. - Deu um meio sorriso.
- Você! - Ele exclamou mais alto. - Você!
Harry deu passos para trás, levando as mãos à cabeça. Depois de alguns segundos voltou a olhar a garota, abismado.
- Eu sou... Eu sou sua... - Agora a voz de Alicia saía como um sussurro.
- Minha filha! - Ele exclamou.
Alicia secou a lágrima que escorria.
- É melhor te tirar daí logo... Eles podem chegar a qualquer momento. - Apontava, insegura, a varinha para a fechadura.
- Eu faço isso. - Ele sorriu, seguro. - BOMBARDA!
Alicia não conteve um sorriso quando percebeu que usara o mesmo feitiço minutos antes.
Harry arrebetndou a fechadura e já saía quando decidiu voltar e pegar alguns frascos de poção. Olhou a menina.
- Será que temos tempo para um abraço?
Alicia parecia estar esperando aquele momento. Largou a varinha e, correndo, abraçou o homem à sua frente.
- Minha filha... - Ele murmurava com lágrimas escorrendo. Ela apenas o abraçava com força e chorava.
Passaram alguns minutos assim, até ele se recuperar.
- Temos de libertar Juliet!
- Você sabe onde ela está? - Alicia perguntou recolhendo a capa e a varinha.
- Ouvi a voz dela há alguns dias não muito longe. Acho que podemos encontrá-la.
Os dois saíram correndo, apressados, mas tomando cuidado para não serem vistos. Alicia ainda catava todas as varinhas que encontrava pelo caminho.
Juliet, agora, caminhava de um lado pro outro dentro da cela. Os pulsos sangrando ligeiramente de tanto forçar a corda. O barulho de batalha chegou aos seus ouvidos. O fato de não saber o que, exatamente, estava acontecendo a perturbava.
Tinha quase certeza que aquela confusão estava sendo causada por uma missão de resgate, mas queria mesmo era saber se daria certo.
- E então? - Alicia olhou Harry, agoniada. - Onde está minha mãe?
Harry fechou os olhos. Aquelas paredes de pedra eram enganadoras, o som poderia ter vindo de qualquer lugar.
- Eu não sei... - Ele abriu os olhos, cheios de lágrimas.
- Vamos pensar: você estava numa torre isolada. Olhando de fora, pude ver que existem mais quatro torres...
- Duas delas ficam no extremo oposto, seria impossível o som chegar até aqui...
- Logo, só existe uma. Só chegarmos até lá!
- Se eu soubesse em qual das quatro eu estava, seria fácil saber em qual ela está...
- O problema é só esse?
Alicia sorriu para ele. Talvez anos ali o tivessem feito esquecer coisas simples. Pegou a varinha e apoiou na palma da mão.
- ME ORIENTE! - A varinha rodopiou algumas vezes e parou. Apontava para uma direção imediatamente à esquerda. Confiando que, outra vez, aquilo a levaria até quem queria encotnrar, Alicia sorriu e seguiu, apressada, na direção indicada.
Andavam apressados pelos corredores. Um Comensal cambaleante os avistou e erguia a varinha, com dificuldade, quando Alicia foi mais rápida.
- EXPELLIARMUS! - A varinha do Comensal voou pra longe.
- Você tem talento... - Harry comentou, seguindo-a.
- Tive a quem puxar. - Ela deu um sorriso e continuou apressada.
O caminho até a torre estava inquietantemente vazio. Outra vez Alicia viu-se diante de um corredor estreito e com precária iluminação ao fundo. Avançou acompanhada de Harry até avistar, como antes, um cela isolada. Aproximou-se correndo.
- Mãe?
- Alicia? - Juliet virou-se para a cela. - O que você está fazendo aqui?!
- Isso não é importante. - Rapidamente a lembrança da grande mentira voltou à mente. - BOMBARDA!
Mais uma fechadura arrombada. Alicia parou à porta e olhou para a sombra. Harry aproximou-se.
Juliet parecia em choque. A boca abriu-se ligeiramente e as pernas tremeram. Muitas lágrimas vieram aos olhos. Alicia entrou, silenciosa, e rompeu as cordas das mãos da mãe com um feitiço simples. Bem a tempo de Harry correr na direção de Juliet e tomá-la nos braços, beijando-a.
Os dois beijavam-se com paixão. Alicia olhou-os por um momento e decidiu desviar o olhar. O barulho da batalha estava mais próximo. Ou era o eco nas pedras frias.
Alguns minutos tinham se passado e o casal ainda se beijava.
- Hum... Com licença... Eu estou aqui, sabe? - Alicia interrompeu, sem graça. Quando os dois a olharam, sorrindo, continuou. - Além disso não é bom ficarmos dando bobeira por aqui, alguém pode aparecer e...
Um som de palmas os fez virar na direção da entrada da cela.
Steve parou de bater palma e sorriu, sarcástico.
- Como é bonito ver a família reunida... |