Cap. 22 - Retorno do Rei, quer dizer, do Ron
Ambas da casas fizeram um abaixo-assinado para que fossem realizados novamente os jogos de quadribol. Fora quase impossível não permitir. Todas as casas fizeram campanha a favor da permissão, espalhando por todo o castelo faixas, lembretes, balões, tudo o que se poderia imaginar, todos os dias. Isso já durava um mês. Durante o jantar de terça-feira a diretora McGonagall pediu a palavra, antes de servir o jantar.
- Caros alunos e professores. Depois de tanto pensar, conversar, discutir e planejar, averiguando se não seria um grave erro permitir que fosse realizado o torneio de Quadribol intercasas em Hogwarts, tenho que, por ter sido voto vencido, dar a permissão para que seja realizado o torneio...
Quando se escutou a palavra “permissão” o salão principal tornou-se um centro de gritaria e algazarra. Todos comemoravam, sendo que até mesmo alguns professores batiam palmas. A bagunça só foi reorganizada quando Minerva, com a ajuda de um “sonorus” gritou um agudo “silêncio”.
- Até que enfim! Obrigada! Bem, voltando, o campeonato será organizado pelo professor Lupin, que selecionará as datas dos jogos. Os treinamentos serão vistoriados por mim, quando possível ou pelo professor Norton, e que deveram ser marcados com antecedência de três dias. Também foram feitas a seleções para os capitães dos times, sendo eles: Para a Lufa-lufa, Willian Scolt; para a Corvinal, Brianna Tillneet; para a Sonserina, Eric Brian Bolt e para a Grifinória, Ronald Bilius Weasley. Meus parabéns capitães, e bom apetite a todos! – E o jantar foi servido.
Todos os alunos da mesa da Grifinória olharam para Ron, que estava boquiaberto. Ter escutado seu nome como o novo capitão do time tinha deixado estático. Liane abraçou Eric, assim como alguns alunos sonserinos. Alguns outros permaneceram em seus lugares. Liane e Eric foram para a mesa de seus amigos.
- Nossa, mano, que máximo! – Gritou Gina dando um grande abraço no irmão.
- Cara que bom! Não podiam ter escolhido melhor. – Bagunçando o cabelo ruivo. - Se tivesse sido eu, o time ia virar uma zona só! – Falou Harry. – Parabéns Eric. – disse apertando as mãos.
Todos deram os parabéns. Liane, Luna, Eric (com uma cara de rabugento, fazendo careta), Neville, e muitos outros da grifinória. Foi quando Ron sentiu que faltava alguém. E ali estava Hermione, de pé, a sua frente. Ele sabia que para ela aquilo não deveria está sendo fácil. Mal se viam, não tinham se falado normalmente desde o ocorrido. Então foi ao encontro dela, ficando frente a frente. Foi ela que quebrou o gelo.
- Parabéns Ronald. – Ela estendeu a mão direita. Em seu rosto estava um leve sorriso.
- Obrigado. Respondeu meio sem jeito.
Cumprimentaram-se com um normal apertar de mãos. Hermione então, se virou indo na direção de onde estava sentada, um pouco mais distante, quando sentiu uma mão em seu ombro, e a voz de Ron vindo por trás de suas costas.
- Mione, espera!- Chamou Ron.
Ela se virou e deu de cara com Ron, que já tinha tirado sua mão.
- Mione, me desculpa! Por favor, Mione, me perdoa!
A maioria das pessoas no salão ainda continuava com a comemoração, mas para aqueles dois e para o grupinho de amigos que estavam logo atrás, aquele era o momento certo, a hora certa para os dois se entenderem finalmente.
Hermione olhou para Ron como se quisesse ler sua mente, como se quisesse saber se era verdadeiro aquele pedido. Então surgiu novamente dos lábios de Hermione aquele meio sorriso discreto.
- Claro, Ron, claro que eu te perdôo, seu chato.
Ron surpreendeu-se com a reação tão simples, mas tão carinhosa da amiga.
- Sério! Você me perdoa mesmo Mi?
- Sim, eu te perdôo. Eu não ia conseguir ficar tanto tempo sem te atazanar. Ron lembra, a sabe-tudo aqui tem que ter alguém pra pegar no pé. E sem você, sem a sua amizade, eu não estaria completa. Mesmo você sendo, às vezes, um babaca desligado, você ainda é importante pra mim, como um bom amigo.
- Bem, fui ofendido, mas tô no lucro! Obrigado, Mione. Mas, será que eu posso te abraçar, só pra acabar com essa briga de vez? – Perguntou fazendo um careta.
Hermione, meio que sem jeito, abri os braços para receber um abraço daqueles, a la Ronald Weasley. Fora realmente um abraço desleixado, com direito a tapinha nas costas, mas ambos se sentiam felizes por terem acabado com o distanciamento.
- Enfim vocês decidiram parar com essa lengalenga. –Disse um Harry zombeteiro.
- Vocês não iam conseguir viver um sem o outro. – Zombou Gina.
Todos riram. Ron fez questão de sentar-se ao lado de Mione, que também ficou ao lado de Harry. O trio de ouro estava novamente de pé e firme como nunca. Porém tudo aquilo não passou despercebido. Norton observava o grupinho, principalmente Hermione e Ron. Ao vê-los abraçados sentiu que ele estava a abraçando demais, e Hermione estava rindo demais. Quis que ela o olhasse, visse que ele não estava gostando muito daquilo, mas teve que se conter. Tinha que raciocinar. Resolveu olhar para o resto do salão e percebeu que Eric o observava e que possuía um olhar de dúvida, de questionamento. Para tentar despistar qualquer coisa que ele pudesse ter imaginado caprichou bem, colocando muito ódio em seu olhar, mandando direto para o garoto, fazendo sinais para que ele saísse rápido depois do jantar. Eric respondeu com um aceno afirmativo.
Norton abriu as portas de seu alojamento e encontrou Eric olhando para os lados.
- Entre. – Abrindo espaço para que o garoto entrasse e fechou imediatamente a porta.
- Ninguém te seguiu?
- Penso que não. Peguei alguns atalhos pra despistar, como faço todas às vezes.
- Siga-me. – Disse seco.
Minutos depois, Eric e Norton já estavam no laboratório particular do professor de poções. Norton abriu uma reserva especial dentro do armário, retirando de lá uma pequena caixa. Mesmo sem olhar para o aluno atrás de si, começou um dialogo.
- Muito esperto você. Quem diria que estaria agora como um dos amigos dos grifinórios. Não estou te reconhecendo mais.
- O que você queria que eu fizesse? Que ficasse de cara fechada durante todo o tempo? Que os tratasse como lixo ou coisa parecida? Como tinha que me infiltrar, tinha que fazer com que minha presença fosse valida e até querida por eles.
- Mas não acha que você exagerou neste quesito de “presença querida”?
- Não acho não.
- Deve está achando interessante essa convivência?
- Às vezes é suportável, mas tenho que dar meu braço a torcer, eles muitas vezes são divertidos. Poderia dizer que poderia ser uma pessoa mais, como eu posso dizer isso... Mais...
- Sociável, talvez.
- Não. Mais humano. Isso! Acho que essa é a palavra.
- Não deve estar sendo fácil então ser mais humano do que você nunca foi.
- Não é questão de facilidade. Sabe aquela história de que o momento faz o ladrão. Então, me aproveito de tudo o que eles podem me oferecer, sem me delatar e sem criar alarde. Se a Liane me aceitou tão rapidamente, era questão de tempo está mais próximo do Potter.
- Bem, como você disse a inocente Liane Tonks te aceitou facilmente, sem te cobrar nada, sem esperar nada. E é por isso mesmo que te chamei. O mestre nos deu algumas ordens para que fossem cumpridas o mais rápido possível. Temos que desestabilizar o casal Tonks e Potter. Você terá que seduzi-la ou fazer com Potter perca toda a confiança que ele tem nela.
- Você só pode tá de sacanagem comigo. Eu disse que não queria fazer mal a ela. Com o Potter eu não tô nem aí, mas ela não fez nada. O que aquele psicopata pode querer com ela. Ninguém sabe se ela é sangue puro ou não. Ela não tem nada que ele queira... – Nisso o rosto de Eric foi sumindo dando lugar a um rosto alvo como um papel, cabelos se transformavam num tom quase que branco, e os olhos clareavam até o tom de azul celeste.
- Já chega! Você tem que fazer isso Draco. Não pode querer que o Lorde veja em sua mente que você é realmente um traidor, assim como eu. Você tem que cumprir com sua missão, fazer, ser, na maioria do tempo, o espião que ele ordenou que você fosse. Oclumência você já está praticando e se saindo muito bem. Mas não pense que só isso é suficiente. Você tem que ser convincente.
- Eu não posso e não quero fazer isso, Snape. Liane é uma pessoa que não merece passar por isso, o Potter até que merece, pra largar de ser orgulhoso. Mas isso também vai fazer com que eu ferre tudo com a... Merda, Snape! Não vou fazer!
- Hum, então é verdade que você está meio que jogado pra Weasley mesmo! Realmente você saiu da linha por completo, Draco Malfoy. Mas, infelizmente, você vai ter que ser um cafajeste, um filho da mãe, mesmo que isso venha a atrapalhar seus planos. A união desses dois pode atrapalhar os planos de Dumbledore e até mesmo afetar alguma coisa nos planos do Lorde.
- Eu não posso...
- Você deve fazer isso, se ainda quer ter a sua ruiva depois, pra tentar organizar as coisas.
- Eu não tenho nada com a pobretona da Weasley, Snape. Ela só é um dos meios pra eu me manter no grupo, nada mais, nada a menos. Pare de pensar atrocidades.
- Evidente Draco. – Disse ironicamente. – E mudando de assunto, como estão os treinamentos da Armada?
- Que isso, como você sabe que eles voltaram com isso? Cara me passa os teus contatos. Pra fazer parte daquilo foi bem suado. Uns não queriam, outros, como a Gina, a Liane e a própria Hermione fizeram votos a favor da minha entrada. Ainda por cima, não se pode falar da Armada sem ter um castigo daqueles. Ei peraí, tem alguma coisa escrita na minha testa?
- Não, por quê?
- Por que isso só pode ser falado com pessoas que fazem parte da Armada. Droga Snape! Você não faz parte. Então eu deveria estar sendo punido neste momento! E porque não estou?
Snape então retirou a moeda do bolso e mostrou a Draco.
- Realmente, eu preciso dos teus contatos! Como você conseguiu?
- Como você próprio afirmou: eu tenho contatos!
- Então pergunta pra eles o que acontece lá.
- Já perguntei. Preciso de outras opiniões. Vamos, fale. Você não é um espião iniciante.
- E daí?
- E daí que eu quero saber que tipo de treinamento vocês estão tendo.
- Está bem. São dois grupos. Avançados e o básico. O Potter cuida dos avançados e a Hermione dos básicos. A maioria consegue fazer patronos semi-corpóreos e alguns sabem desarmar e se proteger bem. È só isso que quer saber?
Bom, me avise sobre essas aulas, principalmente quem são os alunos
- Isso é pouca coisa.
- Bom, tome. – Disse entregando uma pequena caixa de madeira. – Porção para a semana. E não se esqueça dos horários. Ela é mais duradora que a Polissuco original. São de três em três horas e...
- Snape. - Disse cortando o professor. – Você repete isso toda semana, não dá pra virar o disco não.
- Não. E pare com essas zombarias. Tome cuidado. Se alguém te pegar, estamos perdidos. Agora vá.
- Sim, senhor. - Prestando continência.
- Saia daqui logo, Malfoy!
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