Alicia chegou a amaldiçoar o pobre do Chad por ter interrompido a conversa num ponto tão importante. Era ali que descobriria se realmente aqueles beijos de sábado significaram alguma coisa ou... Ou fora coisa de momento.
Novamente, mesmo com a cabeça cheia, pegara no sono bem rápido. E, mais uma vez, o sonho estranho a visitara.
Durante o café da manhã de quarta, as meninas tiveram a companhia de Richard, Chad e Edward. Alicia concentrava-se em não olhar na direção de Thomas (que, outra vez, estava com Charlotte).
A menina pôde ver a mão de Susan e Richard juntando-se por deibaixo da mesa e não teve como não sorrir.
- Quando vocês têm que entregar o trabalho de DCAT? - Alicia perguntou tentando parecer desinteressada, mas falhando miseravelmente.
- Sexta agora... Por quê? - Richard ergueu uma sobrancelha.
- Hum, nada... Curiosidade só. - Colocou um punhado de cereal na boca.
- Isso tá me parecendo outra coisa... - Katerine cantarolou.
- Aff! - Falou quando terminou de engolir. - Até parece. Só queria saber porque, graças a isso, a biblioteca tem ficado lotada e não tô conseguindo estudar direito.
- Pois é, eu vi ontem... - Chad comentou, rindo, abraçado com Katerine.
- Vejo vocês na sala. Boa aula pro resto. - Alicia levantou jogando a mochila sobre o ombro com certa raiva e saiu do salão principal.
Alicia não conseguira prestar a mínima atenção às aulas. Estava estranhamente inquieta e nem sabia explicar o motivo. A princípio pensou ser a tal Charlotte, mas mesmo uma menina bonita como aquela grudada em Thomas, não explicava a sensação estranha.
O almoço fora tranqüilo. O sétimo-ano inteiro estava na biblioteca fazendo ajustes no trabalho. Alicia sabia que eles estavam juntos, mas só de não ter que ver isso era um alívio.
- Ai, ai... Hoje eu faço cinco dias de namoro! - Rafa suspirou ao servir-se de salada.
- O QUÊ?! - As outras três berraram, atraindo olhares curiosos.
- Rafaela Owen! COMO você não diz que está namorando? - Katerine só faltou voar no pescoço da amiga.
- Merlin, suas atrasadas! Eu e Ed esperamos TANTO tempo para ficarmos que começamos logo o namoro. Só não falei porque achei que vocês tivessem deduzido ou sei lá... Foi maaaal!
- Eu supero. Sou sempre a última a saber de tudo... - Susan choramingou.
- Pobre coitada, Suse! - Alicia riu. - E eu sou a primeira, né? Até parece!
Durante o segundo turno das aulas, outra vez Alicia não absorvera uma palavra do que os professores diziam. Só não conseguia entender o motivo desses acontecimentos.
Ao fim do último tempo, subiu para o dormitório e tomou um banho ligeiramente demorado. As amigas já haviam descido para o jantar, então Alicia pôde demorar um pouco mais. Olhava-se no espelho. Lembrava-se exatamente de como fora o Harry Potter adolescente. Buscava, agora, semelhanças entre os dois.
Os cabelos eram, claramente, da mãe. A estatura idem. Talvez seus olhos... Mas ele tinha olhos tão verdes que o azul-esverdeado da garota se mostrava meio da mãe meio do pai. Suspirou. Concluiu que, definitivamente, não tinha absolutamente nada a ver com Harry Potter.
Vestiu um par de jeans, a camiseta dos Cannos que ganhara de presente e o casaco do mesmo time. Balançou os cabelos e, com um último olhar ao espelho, desceu.
Tivera uma janta agradável com as amigas. Os rapazes - exceto Edward, do sexto ano - estavam finalizando o trabalho do dia seguinte na biblioteca, então - após Rafa pedir licença e sair com o namorado - as meninas conversaram sobre seus amados.
A única que ainda não tinha nada certo, era Alicia. Por mas que tivesse trocado alguns beijos com Thomas, ele não a procurara mais. Teriam um treino mais tarde, era esperar e ver se tinham alguma chance dele puxá-la para conversar.
- Tenho que ir, esqueci de descer com a vassoura, então ainda vou no dormitório. Vejo vocês mais tarde, ok? - Alicia lançou beijos para as amigas e levantou-se, na direção da saída.
Mal alcançara o primeiro degrau da escadaria principal, e uma voz desagradavelmente conhecida a interrompeu.
- Boa noite, pirralha. - Christine sorria. - Estava mesmo procurando você.
- Você? Me procurando? Conta outra, Christine.
A morena revirou os olhos.
- Se seu nome é Alicia Brooke, estou falando com a pessoa certa. - Ela sorriu, sarcástica.
- O que você quer?
- Queria te entregar isso aqui... - Christine passou para a garota uma revista. - Chegou pela manhã, meu pai achou que pudesse te interessar.
- Steve? Qual é a armação?
- Nenhuma, oras! Eu só estou fazendo um favor pra você. Seja boazinha e agradeça.
- Nem morta, Christine. Você não merece nem minha atenção, quanto mais minha gratidão!
- Ora sua...
- Algum problema? - A voz de Thoms surgiu no alto da escada. Ele descia até as duas, seguido por Carlotte.
- Hum, olá Fletcher. - Christine revirou os olhos. - Só estava batendo um papinho com a sua admiradora secreta. Mas acho que já terminamos, certo?
Alicia encarou Christine por alguns segundos, corada, mas furiosa.
- Certo, Christine. - Falou entre os dentes.
- Então, bem... Vou indo. E, Tomzinho... - Christine lançou um olhar ao rapaz e à menina que estava atrás dele. - Assim você parte o coração da nossa pobre amiga, aqui. - Christine indicou Alicia com a cabeça e, sorrindo, saiu na direção do salão principal.
- Vaca. - Alicia deixou escapar.
Thomas bufou e olhou a menina loira.
- O que ela queria, Aly?
- Nada, só me entregou essa revista... Disse que o pai dela tinha pedido. Mas não tenho a mínima idéia do que se trata. Vindo dela posso esperar qualquer coisa.
- Ela realmente achou que estávamos juntos? - Charlotte riu.
- Isso não é importante, agora, Charlie. - Thomas corou levemente. - Então, considerando que a Christine não aprontou nenhum, posso te esperar no treino, certo?
- Ah, claro... - Alicia olhou discretamente, de Charlotte para Thomas. - Só vou buscar a vassoura.
- Posso assistir? - A morena perguntou animada.
- Claro que sim! - Thomas respondeu. - Encontro você no campo, Aly.
- Uhum, até daqui a pouco. - Alicia respondeu sem muito entusiasmo, subindo as escadas. Lançou um último olhar para os dois que desciam e, enfim, retomou a caminhada.
Na sala da diretora, cinco figuras conhecidas conversavam com o quadro de Dumbledore.
- Só Severus pode lhes afirmar, com cem por cento de certeza, onde está nosso herói. Têm meu apoio na crença de que ele está vivo. Agora cabe a vocês resgatá-lo. E a Juliet também, claro.
- Mais alguma informação sobre ela? - Minerva perguntou.
- Na verdade, a única que tivemos foi que ela foi, de fato, seqüestrada. Mas isso só pudemos confirmar depois de uma investigação que comprovou que Steve Chesty entrou no Ministério e não saiu. Moody já estava desconfiado dele há muito tempo. Só juntamos as peças. - Draco respondeu.
- Paradeiro? - Minerva continuou.
- Suspeitamos que esteja junto de Harry.
- Junto dele? - Dumbledore ergueu a sobrancelha.
- Eu tenho uma teoria... - Moody adiantou-se. - Acredito que os Comensais que sobraram querem reeguer Voldemort. Não sei como pensam que isso é possível, mas esse é o plano. Mantiveram o jovem Potter aprisionado pelos últimos 15 anos, enquanto preparavam o terreno. Agora, capturaram Juliet e vão usá-la para chantageá-lo.
- Teoria da conspiração? - Minerva revirou os olhos.
- Talvez Alastor esteja certo, querida. - Dumbledore sorriu, bondosamente. - Creio que devam falar com Severus imediatamente, sem esperar nem mais um minuto!
Alicia, enquanto andava, passava os olhos pela revista. "O Pasquim" era o nome. Passou por uma matéria de beleza, uma outra sobre testrálios, horóscopo, sessões inúteis... Já desistira de tentar descobrir o que Steve queria, quando bateu os olhos no título de uma coluna. "Por onde anda Harry Potter? por Gina Malfoy". Seu coração parou por um segundo e seus olhos devoravam a matéria.
"É sabido por todos que, desde o fim da Guerra - há quinze anos - , Harry James Potter foi dado como morto.
Um corpo foi encontrado, é verdade. Mas sequer houve um enterro. Sua esposa, à época, preferiu apagar de sua memória um passado triste e seguir a vida em frente.
Agora, a pergunta que não quer calar: terá o jovem Potter morrido?
Alguns dizem que ele ainda está vivo, desmemoriado, e perdido pelo mundo. Mas será que ninguém reconheceria a cicatriz do Garoto-que-Sobreviveu?
Outros, acreditam que a morte dele foi apenas uma desculpa para que pudesse Harry sumir do olhar atento da imprensa.
Há ainda os que acreditam em sua morte.
A verdade é que ninguém sabe, ao certo, o paradeiro de nosso herói. Se está vivo ou morto.
Essa que vos escreve acredita, do fundo do coração, que Harry Potter está, de fato, vivo. E há de voltar em breve."
A parte que Gina Malfoy falava de como conheceu Harry e tudo o mais não interresou aos olhos de Alicia. A respiração estava pesada. Sabia quem aquela Gina era e algo lhe dizia que sua afirmação final não era d aboca pra fora.
Uma monitora da Lufa-Lufa junto com um monitor da Corvinal passaram por ela, reclamando.
- Ah, claro. McGonagall não pede para aguardarmos, depois de quase uma hora saem de lá cinco figuras que mais pareciam aurores procurando a sala do Snape e, por fim, ela simplesmente diz que está muito ocupada e que não vai nos atender. Realmente isso é ótimo! - O garoto reclamava.
- Alguma coisa deve ter acontecido. Não é sempre que cinco pessoas de preto vão atrás de Snape... - A garota ponderou.
- Snape e seus morcegos! - Os dois, rindo, viraram no corredor.
Alicia demorou alguns segundos para processar a informação e partir correndo na direção das masmorras.
- Em que posso ajudar? - Snape perguntou sentando-se e indicando duas poltronas para as damas.
- Você já deve imaginar o que estamos fazendo aqui. Tem contatos no alto escalão do Ministério. - Ronald falou.
- O que sei, senhor Weasley, é que a senhorita Brooke foi supostamente sequestrada. Deveria saber algo mais?
- A senhora Potter - Hermione frisou - foi, sim, raptada. Acreditamos que isso faz parte de um plano de Comensais para reerguer Voldemort.
- Não seja tola, Granger! - Severus, riu.
- É senhora Weasley, Snape. E não estou sendo tola, estou sendo objetiva.
- Hermione está certa. Achamos que ela foi levada para o mesmo lugar onde Harry está preso. - Gina acrescentou.
- Vocês estão loucos? - Snape olhava-os calmamente.
- Na mais perfeita sanidade. Agora que sabe disso, pode nos dizer o que precisamos. - Ronald concluiu.
- Não faço idéia em como vou poder ajudar. - Snape ergueu a sobrancelha.
- Você sabe exatamente onde é o esconderijo, Severus. - Moody, que estivera calado até ali, encarou Snape.
- Por que você acha que eu sei ond...
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO? - Alicia Brooke abrira a porta da masmorra com violência, interrompendo o professor.
- Que diabos está fazendo aqui, senhorita Brooke?
- Eu EXIJO saber EXATAMENTE o que está acontecendo. - Ela ofegava e tinha lágrimas nos olhos.
- Alicia? - Hermione perguntou, sorrindo.
A garota olhou todos os presentes.
- Hermione, Ronald, Gina, Draco e Moody... Eu sou capaz de reconhecer cada um de vocês das lembranças da minha mãe... - Por um momento ela parecia ter esquecido o motivo de ter corrido até ali.
- Mas ela é igualzinha... - Gina falou, espantada.
- Sem querer interromper o encontro das comadres... - Snape disse, sarcásico. - O que a senhorita pensa que está fazendo invadindo a minha sala aos berros? Menos trinta pontos para a Grifin...
- NEM PENSE EM TIRAR PONTOS DA GRIFINÓRIA! - Ronald, Hermione e Gina berraram, juntos. Alicia, com o grito, pareceu voltar à Terra.
- Eu quero saber o que está acontecendo! Já mentiram para mim por tempo demais! Onde está o meu pai? - Com a pergunta, jogou o exemplar d'O Pasquim sobre a mesa.
Os seis se entreolharam em silêncio.
- Vocês vão mentir, outra vez? Já não basta a minha mãe ter feito isso por quinze anos?! - Tentava controlar a vontade de socar cada uma daquelas pessoas silenciosas. - NINGUÉM VAI RESPONDER?!
Hermione respirou fundo e levantou-se.
- Não sabemos, ainda...
- Mentira. - Alicia interrompeu.
- É verdade. - Severus suspirou. - Eles vieram aqui exatamente para descobrir isso.
A garota olhou todos e, outra vez, Snape.
- Então? Onde ele está?
- Isso não é coisa para crianças, senhorita Brooke. Deixa que os aurores resolvam isso.
- Eu não vou deixar com eles coisa nenhuma! Meu pai está desaparecido há QUINZE ANOS e, AGORA, você quer que eu deixe com ELES? Nada feito. Eu vou atrás deles com vocês. Seja aonde for. Nem que eu morra no caminho.
- Não seja tola, menina! - Moody rosnou. - Você não sabe o que está falando!
- Sei muito bem, sim senhor. Eu estou falando de Harry James Potter, meu pai, desaparecido há quinze anos. Eu arriscara tudo para vê-lo nem que fosse uma vez. E vocês não vão me impedir disso. Já basta a minha mãe.
- Juliet não sabia, Alicia... - Gina começou.
- Até parece que ela não fez questão de esconder isso de mim! - Alicia falou entre os dentes.
- Gina está dizendo a verdade... - Draco tomou a palavra. - Juliet só descobriu que Harry poderia estar vivo há alguns dias.
- Mas mentiu pra mim A VIDA TODA sobre quem era meu pai! - Alicia olhou mais uma vez em volta. - E posso perceber que nem se preocupou em ir atrás dele.
- Você está enganada, Alicia. - Ronald interrompeu e olhou Hermione, buscando apoio.
- Sua mãe foi seqûestrada segunda-feira, Alicia. - A castanha socorreu o marido.
Alicia parecia ter tomado um soco no estômago. Caiu sentada em uma das cadeiras do aposento.
- O... O quê?
- É verdade. E acreditamos que ela está junto com seu pai. - Draco completou.
- Mas não... Não pode ser! - Lágrimas escorriam pelo rosto da garota.
A sala estava em silêncio. Alicia olhava o chão.
Muitos minutos depois, levantou-se e olhou um por um.
- Esse é mais um motivo. Eu vou com vocês onde quer que seja.
- É perigos...
- Não, Hermione. - Moody interrompeu. - Se é o que ela quer... Juliet e Harry sempre escolheram o que fazer. Sua filha não saiu menos corajosa.
- Você está louco, Alastor? - Gina quase gritou, histérica.
- É isso o que você quer? - Snape perguntou encarando a garota nos olhos.
Ela sustentou o olhar.
- Sem dúvidas. |