Juliet e os cinco convidados passaram grande parte do sábado e do domingo discutindo e elaborando planos.
Quando as três estratégias estavam muito bem definidas e repassadas, os homens saíram para comprar a janta. Lisa não ficara muito satisfeita, mas aceitou a situação junto com o convite para sentar à mesa.
As três amigas estavam na sala conversando amenidades.
- Juliet, tenho uma pergunta pra fazer... Pode parecer indelicado, mas somos amigas e REALMENTE estou curiosa.
- Nossa, Hermione! Estou ficando com medo! - Juliet sorriu. - Mas pode perguntar.
- Nesses quinze anos, sabe... Você nunca...
- Oh Merlin, Mione! Não ACREDITO que você vai perguntar ISSO! - Gina riu.
- Shh! - Hermione pediu. - Como ia dizendo, você nunca pensou em se relacionar com outro homem?
Juliet riu.
- Não, Mione. Nunca.
- Nunca se apaixonou de novo? - Gina perguntou, surpresa.
- O único homem da minha vida é, e sempre vai ser, o Harry.
- Merlin, você é minha heroína! - Hermione riu.
- Conhecendo vocês duas, posso garantir que caso acontecesse alguma coisa, vocês teriam a mesma posição que eu. Nós vivemos coisas importantes demais juntos... Não é qualquer um que consegue substituir isso.
- E nunca teve nem um paquera? - Gina perguntou, agora.
- Se eu disesse que não, seria mentira... Mas não foi propriamente um paquera meu. Ele precipitou um pouco as coisas.
- Opa! Conte-nos sobre ele, AGORA! - Hermione ordenou, rindo.
- O Steve é chefe de um departamento no Ministério, é viúvo, tem uma filha de dezessete anos e é bem bonito. Mas nada que pudesse me fazer esquecer o Harry. Ele até deu umas investidas, mas cortei.
Juliet, Hermione, Gina, Lisa, Ronald, Draco, Moody e Arthur reuniram-se na sala de jantar e tiveram uma animada refeição.
Os amigos trouxeram uma nova esperança para Juliet e, com ela, um sorriso que iluminava o belo rosto da mulher.
A segunda-feira chegou e Juliet foi para o trabalho mais feliz, sabendo que não teria de fugir outra vez.
Aquela, possivelmente, era a última semana de espera. Em poucos dias iniciariam a missão de resgate à Harry. Se estivesse mesmo vivo.
Quase no fim do espediente, pouco antes de se reunir aos amigos para ir embora, decidira procurar Steve e agradecer pela força. Ele se mostrara realmente preocupado.
Harry encontrara, no pequeno armário ao canto da cela, alguns biscoitos velhos esquecidos que guardou, cuidadosamente, no bolso. Era o que tinha para sobreviver até que alguém viesse resgatá-lo. Se viesse.
A água também era racionada. Aproveitara a chuva dos dias anteriores para juntar certa quantidade do líquido em pequenos potinhos de poção, que escondera num buraco entre as pedras das paredes.
Não queria alimentar falsas esperanças, mas enquanto houvesse uma chance lutaria para sobreviver.
Subira de elevador até o departamento pelo qual Steve era responsável. Estranhou o fato de a secretária não estar no balcão.
Foi entrando na ampla sala bem decorada e quase pensou em desistir, até ouvir a voz de Steve por trás de uma porta entreaberta.
- Como você me diz que ele está seguro se eu vi o maldito anel?
- Eu mesma fui lá e dei a poção pra ele, Steve! Ele estava do mesmo jeito. Eu garanto.
- Então deduzo que o tal anel perdeu o efeito?
- Vai saber? Uma mulher que passa quinze anos apaixonada pelo mesmo homem, que está supostamente morto, não é normal. Ela pode muito bem ter inventado isso!
Juliet estava reconhecendo aquela história. Era conhecidência demais. Colocou o olho para espiar pela fresta da porta. Sentiu um nó na garganta ao perceber que era a mulher ruiva.
- O que eu faço com você, Bianka, se o plano tiver falhado?
- Não falhou, Steve! - A mulher parecia desesperada para fazê-lo acreditar. - E, se alguma coisa der errado, não vai ser minha culpa. Além do mais já está mais do que na hora de reerguermos nosso Lorde.
- Ainda não... Não com todos esses aurores por aqui. Precisamos ter cautela. E manter o Potter vivo até lá, claro.
O coração de Juliet parou por uma fração de segundo. Estava em choque. Virou-se, tonta, para ir embora. Precisava sair dalí correndo. Agora entendia o que Moody quisera dizer no dia em que viu Steve.
Dava passos incertos e, foi num desses, que chocou-se contra um armário metálico. Quase na mesma hora a porta da sala escancarou-se revelando Steve e a mulher ruiva.
- Juliet?! - Steve falou, surpreso. - Estava me procurando? Aconteceu algo? Você parece pálida!
- TRAIDOR! - Juliet berrou, levantando-se. - Você estava mentindo esse tempo todo!
Lágrimas de ódio escorriam dos olhos dela e as mãos tateavam à procura da varinha.
- Oh querida! Não fale isso! Eu só queria te proteger... - Steve foi andando na direção dela.
- SAI DE PERTO DE MIM! - Ela estava realmente furiosa. As mãos tateavam em vão.
- Está procurando isso? - A mulher ruiva balançava uma varinha na mão. - Deveria tomar mais cuidado na hora de cair, sra. Potter.
Bianka gargalhou cruelmente.
- Não ouse dizer o nome dele com essa sua boca imunda! - Juliet avançou na direção da mulher movida pela raiva. Conseguira acertar um soco na cara de Bianka pouco antes de ser derrubada por um feitiço lançado por Steve.
- Era só o que faltava. - Ele revirou os olhos. - Rápido, temos que sair daqui. Vai na frente, eu a levo. Vamos pela lareira da minha sala.
Steve pegou Juliet no colo e entrou com Bianka na sala. Minutos depois os três entravam na lareira e desapareciam numa chama verde.
- Juliet está demorando... - Hermione comentou.
- Calma, Mione! Ela só tá alguns minutos atrasada! - Gina tranqüilizou a amiga.
- O problema é que aquela ali é a chefe dela, e ela é a última a sair! - Hermione indicou Selma saindo do elevador.
Gina olhou na direção que a amiga apontou. Nem um sinal de Juliet.
Juliet abrira os olhos. A cabeça doía. Estava num chão frio, dentro do que parecia uma cela. Tremia. As mãos estavam atadas. A lembrança da recente descoberta a fazia ter raiva de si mesma, ao perceber o quanto fora ingênua.
Muitos minutos depois, a única parte de grades da cela de pedras fora aberta e Steve entrara com uma bandeja de comida.
- Olá, Juliet. Espero que esteja mais calma. - Ele sorriu. - E acho que deva estar com fome. Tome. - Estendeu-lhe a bandeja.
Juliet chutara o oferecido pra longe.
- Tsc, tsc... Você deveria me tratar com mais carinho... Sempre fui carinhoso com você. - Tinha uma ponta de decepção na voz. - Mas como você quiser, fique com fome, então.
A mulher cuspira aos pés do, agora descoberto, Comensal.
- Ora, sua! - Steve dera um chute na altura da barriga de Juliet. - Tenha mais respeito ou morrerá antes mesmo que possa vê-lo uma última vez!
Ele saía da cela e, logo após trancá-la, sorriu.
- Sabe, nós poderíamos ter sido um belo casal. Pena você ter dispediçado essa chance...
Um tempo depois que Steve saiu, Juliet conseguiu se recuperar do chute e levantou-se indo até a grade.
- ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM, CHESTY! NEM TUDO ESTÁ SOB SEU CONTROLE! - Ela berrou.
Pouco depois deixou o corpo escorregar pela parede, em lágrimas.
Harry abriu, instintivamente, os olhos ao ouvir - mesmo que longe - aquela voz tão bem conhecida. O coração bateu forte. Teve vontade de levantar-se e gritar palavras de conforto para a amada. Mas passos surgiram não muito longe, teve de se contentar em voltar para a posição anterior e fingir-se apagado.
Ao menos, agora, tinha certeza de que precisava ficar vivo. |